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Para quem tem pressão alta, seu simples controle é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças graves como o infarto do coração e o derrame cerebral. Entretanto, no tratamento da hipertensão arterial é difícil ter a disciplina de tomar diariamente a medicação, assim como manter um programa de atividade física e controle da dieta. O tratamento ainda é mais difícil pelo fato da pressão alta não provocar habitualmente sintomas de alerta quando em níveis elevados.

Motivar o indivíduo que tem pressão alta a seguir corretamente seu tratamento é extremamente importante, mas qual a forma mais eficaz? O periódico Annals of Internal Medicine publicou uma pesquisa esta semana sugerindo que depoimentos de pacientes gravados em DVD podem influenciar de forma positiva outros pacientes com o mesmo problema de saúde.

Cerca de 300 pacientes hipertensos com 53 anos de idade em média, e atendidos em uma clínica voltada a indivíduos de baixa renda nos Estados Unidos, foram divididos em dois grupos. Um dos grupos foi direcionado a assistir a um DVD com histórias de 14 pacientes selecionados da mesma clínica, que promovia uma percepção de semelhança entre quem assistia e os pacientes/personagens. O outro grupo foi orientado a assistir a um vídeo de dicas de saúde, que não abordava o assunto hipertensão arterial. Após 3 meses, e mesmo após 9 meses de acompanhamento, o grupo que assistiu ao DVD com relatos de pacientes apresentou melhor controle da pressão arterial, especialmente aqueles que tinham a pressão não controlada no início do estudo.

Todos os pacientes envolvidos neste estudo eram negros, população que é mais vulnerável a ter hipertensão arterial mal controlada e complicações da doença em órgãos alvo. A ferramenta de comunicação narrativa, usando depoimentos de indivíduos do mesmo ambiente social, dá um recado culturalmente relevante para quem assiste ao DVD. A estratégia utilizada tem grande potencial para ser aplicada em outras condições de saúde crônicas e, além disso, os resultados têm aplicação universal, pois cada cultura tem sua tradição e histórias peculiares.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira no dia 21 de janeiro 2011.

 

**  CORREÇÃO. Pode-se ouvir no audio que estima-se que 10% dos hipertensos não conseguem controlar a pressão. Na verdade,  apenas 10% dos hipertensos têm controle adequado da  pressão. 

 

 

 

 

 

Não há como prevenir o derrame cerebral.

Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O derrame cerebral está se tornando menos comum.

Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

 

A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

 

Derrame cerebral é coisa só de gente velha.

Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

 

Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?

Mito.  No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

 

Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?

Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.

Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

 

Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

 

O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?

Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores. 

 

Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

 

Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

 

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

 

 

Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.

Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.

 

 

 

 

 

A percepção e o interesse da população brasileira pela ciência melhoraram significativamente nos últimos quatro anos. É o que revela a pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil”, realizada em 2010 com cerca de duas mil pessoas em várias regiões do País e divulgada nesta semana.

A Pesquisa Nacional foi promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com a colaboração da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre outras instituições, como a Fiocruz e a Unicamp.

O objetivo principal do trabalho foi fazer um levantamento do interesse, grau de informação, atitudes, visões e conhecimento que os brasileiros têm da Ciência e Tecnologia, tendo como público-alvo a população brasileira adulta, homens e mulheres e jovens com idade igual ou superior a 16 anos.

Em relação à pesquisa similar realizada em 2006, o percentual de pessoas interessadas ou muito interessadas em ciência passou de 41% para 65%, em 2010. 

Interesse ou muito interesse por temas específicos
Saúde 81%
Meio Ambiente 83%
Religião 74%
Economia 71%
Ciência e Tecnologia 65%
Esportes 62%
Arte e Cultura 59%
Moda 44%
Política 29%

 

Para aqueles interessados ou muito interessados em Ciência e Tecnologia, o assunto de maior interesse dos voluntários da pesquisa foi Ciência da Saúde (30.3%) seguido por Informática e Computação (22.6%). Astronomia foi considerado de interesse para 1.6% dos entrevistados.

Assuntos de interesse em Ciência e Tecnologia
Ciência da Saúde 30.3%
Informática e Computação 22.6%
Agricultura 11.2%
Engenharias 8.4%
Ciências Biológicas 6%
Ciências Físicas e Químicas 3.8%
Matemática 3.7%
Ciências da Terra 3.7%
Ciências Sociais 3.7%
História 3.3%
Astronomia e Espaço 1.6%

 

Para aqueles pouco interessados em Ciência e Tecnologia, 36.7% relataram que é porque não entendem, 19.5% porque nunca pensaram sobre o assunto, 17.8% por falta de tempo e 10.4% porque não gostam.

Razões para pouco interesse em Ciência e Tecnologia
Não entende 36.7%
Nunca pensou sobre isso 19.5%
Não tem tempo 17.8%
Não gosta 10.4%
Não liga 9.7%
Não precisa saber sobre isso 3.6%

 

Os voluntários responderam que as fontes de informação em Ciência e Tecnologia que eles julgam ter maior credibilidade foram os médicos (27.6%), jornalistas (19.9%) e cientistas de universidades (12.3%). Cerca de 40% dos entrevistados responderam que não estavam satisfeitos, ou estavam apenas parcialmente satisfeitos com a divulgação científica feita pelos meios de comunicação.  Mais de 70% justificam a insatisfação pelo pequeno número de matérias e cerca de 60% porque as matérias são de difícil compreensão.  

 

Os entrevistados reconheceram a melhoria da saúde e prevenção de doenças como o maior benefício da Ciência e Tecnologia (26.1%) seguido pela melhora da qualidade de vida (19.1%).

 

Confira um bate-papo sobre este assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e Estevão Damasio na Rádio CBN Brasília no dia 14 de janeiro 2011.

 

 

 

Clique aqui e veja os resultado da pesquisa 2010 na íntegra,   

pesquisa similar realizada em 2006  e

 pesquisa CNPQ 1987 sobre percepção de Ciência e Tecnologia 

 

 

No ano de 2004, o antiinflamatório Vioxx® foi retirado do mercado por aumentar o risco de eventos vasculares como infarto do coração e derrame cerebral. Desde então, ficou a pergunta no ar: será que os outros anti-inflamatórios são mais seguros? Uma análise recém-publicada pelo periódico British Medical Journal nos ajuda a responder parcialmente a esta pergunta.

 

Pesquisadores suíços analisaram 31 estudos que apontam o nível de segurança do uso crônico dessas medicações, o que incluiu mais de 116 mil pacientes. As medicações estudadas foram o Naproxeno (Naprozyn®), Flanax®), Ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®), Diclofenaco (Volataren®, Cataflam®), Celecoxibe (Cellebra®), Etoricoxibe (Arcoxia®), Rofecoxibe (Vioxx®), Lumiracoxibe (Prexige®). O Prexige® também foi retirado do mercado brasileiro em 2008, ação desencadeada por notificações hepáticas graves pela agência reguladora da Austrália.

 

Os resultados da atual pesquisa demonstraram que a freqüência de eventos adversos com o uso crônico dessas medicações é pequena, mas mesmo assim, quando comparado ao placebo, o risco de um ataque cardíaco é duas vezes maior no caso do Vioxx® e do Prexige®, quando comparado ao placebo. O Dalsy® / Alivium® foram os que apresentaram maior risco de derrame cerebral, enquanto o Arcoxia® e o Voltaren®/Diclofenaco® foram os que tinham maior associação com mortalidade por doença do coração: risco quatro vezes maior. O Naproxeno (Naprozyn®, Flanax®) foi o anti-inflamatório que se mostrou mais seguro do ponto de vista cardiovascular. Vale lembrar que muitas dessas medicações costumam provocar efeitos como sensação de queimação no estômago, e a prescrição associada de um protetor gástrico pode ser uma boa medida.  

 

 

 

 

 

A velocidade com que um idoso consegue caminhar pode ser um marcador de sua longevidade. Esta foi a hipótese de um estudo publicado nesta semana pelo Journal of the American Medical Association e com resultados positivos: idosos mais rápidos têm uma tendência a viver mais.

 

Pesquisadores de vários centros de pesquisa dos Estados Unidos e Europa avaliaram os resultados de nove estudos que incluíam cerca de 35 mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e com seguimento de 6 a 21 anos.  A média de idade era de 73.5 anos e a média de velocidade da marcha era 0.92 m/s. A taxa de sobrevida em 5 e 10 anos era 84.8% e 59.7% respectivamente. Uma maior velocidade de marcha estava associada a maior longevidade em todos os nove estudos e, quando maior que 0.8 m/s, predizia uma vida mais longeva do que a média dos indivíduos pesquisados.

 

E por que a velocidade da marcha de um idoso tem essa relação com sua longevidade? Caminhar exige um bom funcionamento de uma série de sistemas do corpo que inclui os músculos e os sistemas cardio-respiratório e neurológico. Uma marcha mais lenta reflete um custo maior de energia para realização do movimento por disfunção desses sistemas. Além disso, o baixo desempenho físico influencia a saúde num círculo vicioso, pois limita a realização de exercícios físicos.

 

Há pelo menos três décadas já dispomos de fortes evidências de que o desempenho físico é um importante indicador de saúde entre os idosos. Entretanto, esse tipo de avaliação não é rotineiramente realizado no dia a dia dos consultórios médicos. O presente estudo deu um passo importante ao padronizar o teste de marcha e sua interpretação, facilitando sua aplicação na prática clínica. O indivíduo é orientado a caminhar quatro metros no seu ritmo habitual, como se estivesse andando na rua, sem qualquer mensagem que o encoraje a andar rápido. É um teste sem custo e de fácil execução, e que tem mais relevância entre idosos que não têm limitações funcionais, ou seja, naqueles em que uma marcha mais lenta pode significar um sinal precoce de uma condição clínica que ainda não se manifestou.

 

A medida da velocidade da marcha pode ter inúmeras aplicações clínicas. Pode ajudar a definir a reserva fisiológica e a chance de sobrevida de um idoso nos próximos 5 ou 10 anos. Pode identificar um idoso com mal estado de saúde, quando, por exemplo, este tem uma velocidade de marcha menor que 0.5 m/s. Ajuda a separar aqueles que são velhos do ponto de vista biológico daqueles velhos apenas pelo fator cronológico, por acúmulo de anos de vida. É uma ferramenta que também pode ser usada para monitorização do estado de saúde e até para auxiliar na identificação de indivíduos com maior risco para procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Radio CBN Brasilia no dia 07 de janeiro de 2011. 

 

 

 

 

 

 

O que faz um adolescente ter contato inicial com a maconha e tornar-se usuário crônico enquanto outros têm apenas uma experiência isolada? A resposta a esta pergunta envolve inúmeras questões biológicas, assim como sociológicas, e uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatric and Adolescent Medicine apontou que o tipo de personalidade de um adolescente tem influência sobre o padrão de consumo de maconha da adolescência até a idade adulta.

 

Cerca de 800 americanos foram acompanhados entre os 14 e 37 anos de idade por meio de seis diferentes entrevistas ao longo desse período. Cinco diferentes perfis do uso de maconha foram identificados: 1) não usuários e experimentadores; 2) usuários ocasionais; 3) usuários em redução do consumo e ex-usuários; 4) usuários em incremento do consumo; 5) usuários crônicos.

 

Os resultados mostraram que os usuários crônicos apresentavam mais frequentemente uma personalidade do tipo “busca por novidade”, menor controle de emoções, comportamento mais impulsivo/agressivo e menos aspirações e expectativas educacionais. Essas características da personalidade de adolescentes foram capazes de predizer o padrão de consumo de maconha até 14 anos depois, podendo representar ferramentas valiosas para identificação precoce de adolescentes com maior risco de consumo crônico da droga.

 

No caso específico da personalidade tipo “busca por novidade”, esta já foi associada em estudos anteriores ao uso crônico e pesado de maconha. Já foi demonstrado também que indivíduos com esse tipo de personalidade apresentam uma menor concentração de um tipo de receptor da dopamina. A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa que é ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que ela é prazerosa. Nesses indivíduos, toda vez que o sistema é ativado, mais dopamina seria liberada e a experiência com a novidade amplificada. Novos desafios “dariam mais barato” a essas pessoas, pois elas estão transbordando de dopamina.

 

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

O Museu do Louvre é visitado por 8,5 milhões de pessoas todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 240,000 vezes em 2010, o que quer dizer que se fosse uma exposição no Louvre, eram precisos 10 dias para que as mesmas pessoas a vissem.

Em 2010, escreveu 82 novo artigos, aumentando o arquivo total do seu blog para 368 artigos. Fez upload de 50 imagens, ocupando um total de 1mb. Isso equivale a cerca de 4 imagens por mês.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram google.com.br, search.conduit.com, slogbox.com, icbneuro.com.br e buscador.terra.com.br

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por sertralina, sertralina emagrece, ginkgo biloba para que serve, ginko biloba para que serve e quantas horas devemos dormir por dia

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Sertralina ganha a disputa de melhor antidepressivo. março, 2009
1668 comentários

2

Mais uma vez comprovado: Ginkgo biloba não traz benefícios ao cérebro novembro, 2008
63 comentários

3

Afinal, devemos dormir quantas horas por dia? outubro, 2008
146 comentários

4

Ricardo Teixeira abril, 2008
197 comentários

5

Pesquisa mostra mais uma vez que o Ginkgo biloba não ajuda o cérebro dos idosos. dezembro, 2009
40 comentários

 

 

Quanto tempo de sono o cérebro de um adulto realmente precisa? O número ideal de horas de sono é aquele que faz com que a pessoa no outro dia sinta que dormiu o suficiente. Para a grande maioria da população, incluindo os brasileiros, esse número encontra-se entre 7 e 8 horas por noite. Existe um percentual pequeno de pessoas que se sente bem com menos de 7 horas, também chamados de dormidores curtos. Há também os dormidores longos, aqueles que precisam de mais de 8 horas de sono.

 

As pesquisas têm demonstrado que o hábito de dormir muito ou pouco está associado a uma menor longevidade. No caso da privação de sono, espera-se alterações metabólicas e endocrinológicas. Já no caso do excesso de sono, a melhor explicação é a de que indivíduos que dormem muito têm mais chance de ter problemas de saúde que levam a esse comportamento.

 

E o nosso desempenho cerebral? Faz diferença dormir muito ou pouco? Uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Sleep Research (resumo em inglês) demonstrou, através da análise de mais de cinco mil finlandeses adultos, que tanto muito como pouco sono estão associados a um cérebro mais lento, e isso é independente de fatores como sonolência, cansaço e fadiga. O estudo apontou que aqueles que dormem menos de sete horas ou mais de oito horas por noite apresentam menor desempenho em testes de velocidade psicomotora. Velocidade psicomotora é o tempo que levamos para processar um sinal, preparar uma resposta e executá-la. Os resultados não foram diferentes quando se comparou sete e oito horas de sono e o efeito negativo do excesso de sono foi mais robusto que a privação.

 

Mais uma vez a melhor forma de explicar a relação entre excesso de sono e piores indicadores de saúde, no caso específico uma menor velocidade psicomotora, é que dorme-se demais por existir uma condição de saúde que leva a esse hábito, e esse é o fator que guardaria uma relação causa e efeito com o menor desempenho cognitivo. Muito sono por si só não deixaria o cérebro mais lento, mas pode ser reflexo de um problema de saúde que muitas vezes ainda não foi nem diagnosticado.

 

 

O planejamento estratégico é uma das maiores armas que as empresas dispõem para garantir o crescimento e a viabilidade de seus negócios ao longo dos anos. É fato que existem muitas pessoas habilidosas que conduzem as decisões da empresa de forma instintiva, sem planejamento formal, e o negócio vai muito bem, obrigado. Isto hoje. E amanhã? Um cientista não começa um experimento sem que o método esteja muito bem descrito, incluindo como os resultados serão analisados ao final do trabalho. É difícil imaginar que Amyr Klink teria conseguido fazer o que fez sem sua preciosa capacidade de planejamento.

 

Muitas pessoas atravessam os anos gastando semanas de reuniões para a formulação do planejamento de seu negócio ou dos outros, e não chegam a investir sequer minutos rabiscando idéias de seu próprio planejamento pessoal. Muitos certamente têm bastante simpatia com a música do talentoso Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”. Outros não concordam com isso e parece que esse devia ser o caso do filósofo Sêneca que nos deixou a famosa frase: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.

 

Podemos nos valer de algumas idéias do MÉTODO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO do mundo corporativo para promover nossa saúde. São várias as dimensões essenciais de nossa vida que devem fazer parte dessa reflexão: atividade física, sono, alimentação, família, amigos, carreira profissional, lazer, sexualidade, espiritualidade, etc.

 

Vamos começar por nossa ANÁLISE INTERNA. Aqui devemos focar em nossas próprias forças e fraquezas. Esse não é um processo exato, mas é bem provável que o rumo de sucesso em saúde mais certeiro seja o de solidificar / aumentar nossas forças e corrigir nossas fraquezas.  Ao elencarmos nossas forças e fraquezas, podemos priorizá-las e definir quais são aquelas em que devemos mais investir. Uma boa dica é começar investindo naquelas que sejam sustentáveis ao longo prazo. Talvez não valha a pena gastar tantos esforços com dietas de promessas milagrosas para colocar o peso em dia. Dieta da Ração Humana? Difícil imaginar que alguém consiga manter uma dieta dessas por muito tempo. Da mesma forma, não vale a pena apostar alto na correção de uma fraqueza em que o resultado não vai nos trazer muita vantagem. Para quem está saindo do sedentarismo, não faz sentido alcançar uma meta de três horas de atividade física diária e desorganizar vários outros fatores como o convívio familiar, sono e lazer. Meia hora por dia já um bom começo.

 

Um segundo passo é identificar o quanto nossas forças são raras, pois estas devem ser muito bem cuidadas.  São essas forças raras que costumam dar um tempero especial na vida, trazendo realização pessoal e felicidade. E pessoas mais felizes são mais saudáveis. Quanto às fraquezas, uma boa sugestão é a de priorizar nossos reparos com foco em dois momentos. Primeiro resolver a curtíssimo prazo aquilo que é fácil de consertar. Parar de fumar não é fácil, mas para quem fuma, esta é a PRIORIDADE NÚMERO UM e a decisão pode ser imediata. Pensando mais a médio e longo prazo, devemos depositar um grande contingente de energia no reparo de fraquezas que são difíceis de corrigir e que nos trazem desvantagem. Difícil de corrigir significa que a deficiência não pode ser corrigida da noite pro dia, mas não quer dizer que seja a coisa mais difícil ou penosa do mundo. Estamos falando de sono irregular, maus hábitos alimentares e sobrepeso, falta de lazer, atividade física, interação social e interesse sexual. A análise interna pode ser vista como aquilo que poderíamos fazer para melhorar.

 

Por fim, a decisão do que devemos fazer com nossas forças e fraquezas deve ser permeada também por aquilo que gostaríamos de fazer para melhorar, e para isso é necessário identificarmos com muita clareza qual é nossa missão nessa vida e quais são os nossos valores. As empresas costumam pendurar em suas paredes frases de efeito descrevendo suas missões e valores, mas poucas realmente se comprometem a seguir fielmente o que está ali escrito. Assim como as empresas, somos pressionados por todos os lados para não darmos conta de fazer aquilo que acreditamos e que faz parte do nosso discurso. Ser fiel aos nossos propósitos traz realização pessoal e certamente trará benefícios à saúde.

 

Após essa análise interna, podemos passar para a construção do cenário externo, que é a percepção das ameaças e oportunidades que nos rondam no presente e que nos aguardam no futuro. Se vivemos numa cidade em que o trânsito está ficando cada vez mais caótico, e só tende a piorar, esse fator que vem “de fora” deve fazer parte do planejamento de nossa vida, já que um dia pode vir a anular nossas forças, nossa saúde. O mesmo podemos dizer para um trabalho em que assédio moral é uma constante. Por outro lado, é bom ficar de olho nas oportunidades. Se um(a) amigo(a) inicia um programa de exercícios físicos, esta pode ser uma grande chance para se pegar carona no embalo do(a) amigo(a). Se o restaurante do local de trabalho dá a opção de peixe, essa escolha duas a três vezes por semana deveria ser vista como pleno aproveitamento de oportunidades (exceto para aqueles que odeiam peixe). Parte desse cenário externo pode ser visto como aquilo que deveríamos fazer para melhorar.

 

Planejar minimamente nossas escolhas e ações pode nos ajudar a integrar nossos ideais com o que realmente fazemos no nosso dia a dia. Isso é viver com integridade, em busca de uma vida não fragmentada e com mais saúde. É bom ter em mente que não são poucas as coisas que fogem do nosso controle, e nisso o Zeca Pagodinho tem razão em deixar rolar quando a coisa não sai do jeito planejado. Colocando o Zeca e o Sêneca pensando juntos, o pagode poderia sair assim: Se conheço bem para onde vou, vida leva eu, com vento bom, E PRO MELHOR LUGAR. 

 

 

CLIQUE AQUI e confira esta conversa com o Dr. Ricardo Teixeira veiculada na Rádio CBN Brasília no dia 31 de dezembro 2010. Dr. Ricardo faz uma provocação de que podemos utilizar ferramentas do planejamento estratégico do mundo corporativo para o planejamento de nossa própria saúde.

 

 

 

 

 

A revista The Lancet (resumo em inglês) publicou neste mês de dezembro uma importante pesquisa que apontou que o uso diário de aspirina está associado a uma redução dos índices de mortalidade de vários tipos de câncer.

 

Os pesquisadores analisaram oito estudos para prevenção de eventos vasculares que envolveram mais de 25 mil pacientes que usaram aspirina por pelo menos quatro anos. Dos oito estudos, três foram conduzidos na Inglaterra, dois na Escócia, um na Suécia, um nos Estados Unidos e outro no Japão. Os resultados mostraram que o uso diário de aspirina reduziu em 20% o risco relativo de mortalidade por câncer e, após cinco anos do uso da medicação, essa redução de risco chegou a 34%. Diferentes doses de aspirina foram utilizadas, mas doses maiores que 75mg por dia não trouxeram maiores benefícios. Além disso, os achados foram consistentes nos oito estudos, sugerindo que os números não devem ser muito diferentes em populações não incluídas nesta pesquisa.   

 

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o uso diário da aspirina tem o poder de reduzir o risco de câncer, especialmente o câncer do intestino grosso, onde os resultados são mais consistentes. As evidências do fator protetor da aspirina sobre outros tipos de câncer eram muito frágeis e o atual estudo dá um grande passo nesse sentido: após cinco anos de uso diário da medicação, já se consegue detectar menor mortalidade por câncer de esôfago, pâncreas, cérebro e pulmão. No caso dos cânceres de estômago, próstata e intestino grosso, os efeitos benéficos da medicação são ainda mais tardios. 

 

Esses resultados deverão ter grandes implicações na prática clínica, especialmente para aqueles pacientes que usam medicações antiplaquetárias para prevenção de eventos vasculares. Não é incomum encontrarmos pessoas com fatores de risco vascular como diabetes e hipertensão arterial usando aspirina para prevenir eventos cardiovasculares (infarto do coração e o derrame cerebral). A aspirina é muito bem indicada para quem já apresentou um desses eventos cardiovasculares, e é o que se chama de prevenção secundária. Quanto à prevenção primária, ou seja, prevenir um primeiro evento cardiovascular, os estudos têm demonstrado que a medicação não é eficaz mesmo em pacientes com maior risco de eventos, como é o caso dos diabéticos. Novas pesquisas deverão contemplar também o fator prevenção de câncer na equação de riscos e benefícios, o que pode mudar as atuais recomendações.  

 

Não podemos nos esquecer que muitas pessoas não toleram a aspirina e que ela é considerada uma das dez medicações que mais causam efeitos adversos, especialmente sintomas gastrintestinais e sangramentos. O desenvolvimento de novas fórmulas de seu princípio ativo com maior proteção gástrica pode minimizar parte dos efeitos colaterais.

 

Todo adulto já deveria começar então a usar uma pílula de aspirina por dia para prevenir o câncer? A resposta por enquanto é um inequívoco NÃO. A pesquisa publicada pelo The Lancet foi a primeira a evidenciar esse efeito da aspirina em diversos tipos de câncer e consolidou aquilo que já se conhecia melhor no caso do câncer do intestino grosso. Precisamos aguardar novas pesquisas que deverão definir qual a melhor dose de aspirina, qual a melhor idade para se começar a medicação e por quanto tempo ela deve ser usada, e em quais segmentos da população adulta os benefícios da medicação superam os potenciais efeitos colaterais. Para HOJE, podemos continuar fazendo o dever de casa do dia a dia para a prevenção de câncer:

 

1. ficar longe do cigarro;

2. respeitar o sol;

3. não exagerar no álcool – melhor ainda é nem beber;

4. seguir uma dieta saudável com muitas verduras, frutas e grãos integrais, pouca carne vermelha e do tipo processada (ex: salsichas);

5. manter o peso sob controle e atividade física diária por pelo menos 30 minutos;

6. conversar com o médico de confiança sobre os exames necessários para prevenção de câncer, em que época e com que freqüência fazê-los.

 

Estarão abertas, de 03 a 31 de janeiro/2011, as inscrições para os cursos de pós-graduação – “lato sensu”, oferecidos pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp:

– Especialização em Jornalismo Científico
– Especialização em Divulgação Científica e Saúde: Neurociências

As inscrições deverão ser feitas somente por meio eletrônico, através do formulário, que estará disponível no site do Labjor http://www.labjor.unicamp.br a partir de janeiro/2011

 

O Papai Noel não é nenhuma unanimidade quando se fala em modelo de saúde para as crianças.  Para começar, ele está sempre muito além do peso, e alguns acham que ele poderia trocar o trenó com as renas por uma bicicleta. Em alguns países, é uma tradição oferecer ao Papai Noel biscoitos, tortas, uma dose de brandy ou vinho do porto quando ele passa por uma residência, e esse hábito pode influenciar as crianças a pensarem que álcool e direção, mesmo que de trenós, podem andar de mãos dadas. Há quem defenda a tese de que se os discutíveis hábitos do Papai Noel influenciarem negativamente 0.1% das crianças, já seriam milhões de vidas prejudicadas.

 

Nos EUA, o Papai Noel é o único personagem fictício mais conhecido que o Ronald MacDonald, e sua fama é quase universal. Se o Ronald é um personagem tão eficaz para vender Mac Coisas, Papai Noel não fica para trás. Sua popularidade bem que poderia ser usada para a promoção de hábitos de vida saudáveis, mas o que podemos observar é que ele anda ajudando a vender coca-cola desde a década de 30. Em outros tempos, ele já foi um forte “garoto” propaganda de cigarros. Já que o Papai Noel é um ícone associado ao universo infantil, seria bem-vinda alguma forma de regulação que evitasse sua vinculação com anúncios de bebidas alcoólicas e alimentos pouco saudáveis, regulação que já foi aplicada no caso do cigarro em vários países.

 

Aproveitar a mega fama do velhinho para a divulgação de bons hábitos de vida é uma ótima oportunidade para a promoção de saúde da população na época das festas de fim de ano, especialmente das crianças. Isso não quer dizer que o Papai Noel tenha que abandonar as renas e passar a ter um corpo sarado. No mundo da ficção ou no mundo real, radicalismos são sempre empobrecedores.  Mesmo com todo o amor do mundo pelas crianças, Monteiro Lobato provavelmente nunca trocaria a Dona Benta e tia Anastácia com seus bolinhos por uma vovó magrinha que descasca cenouras para as crianças no lanchinho da tarde. Talvez também não trocasse o saci com cachimbo por um saci mascando chicletes sem açúcar.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo com o Dr. Ricardo Teixeira e a jornalista Maria Honda no dia 17 de dezembro de 2010 na Rádio CBN Brasília. Eles discutem o papel que o Papai Noel pode ter na promoção de saúde das crianças.

 

 

Vivemos em rede desde os mais remotos tempos e o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais, capacidade que é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro de uma rede social têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Nos últimos três anos, riquíssimos estudos nessa área vêm sendo publicados por pesquisadores da Universidade da Califórnia (Fowler GH) e de Harvard (Christakis NA) junto a outros colaboradores nos mais renomados periódicos científicos do mundo.

 

Ainda no ano de 2007 (NEJM 357;4), eles demonstraram que a rede social de um indivíduo tem impacto no seu risco de tornar-se obeso em até três graus da rede (ex: amigo do amigo do amigo). Essa associação é muito mais forte pela proximidade social do que pela geográfica, como é o caso de vizinhos.  A chance de uma pessoa se tornar obesa é 57% maior se um amigo tornou-se obeso num dado período. Entre irmãos, a chance é 40% maior e no caso do cônjuge, a chance aumenta em 37%.  

 

No ano de 2008 (NEJM 358;21), os pesquisadores demonstraram esse mesmo efeito de contágio social na chance que uma pessoa tem de parar de fumar. Quando um dos membros de um casal pára de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo pára e 34% mais chance quando um colega de trabalho pára. Ainda em 2008, os pesquisadores também demonstraram o efeito de contágio social na capacidade de uma pessoa se considerar feliz (BMJ) . Há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais e próximas de outras com alto grau de felicidade, criando aglomerados de pessoas felizes. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por outras felizes. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumentava a chance de uma pessoa ser feliz em 25%, irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%. Esse efeito contagioso da felicidade diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas, e não foi percebido entre colegas de trabalho.  

 

Em 2010, o contágio social também foi demonstrado no consumo de bebidas alcoólicas ( Ann Int Med). A quantidade de álcool que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem. Os pesquisadores publicaram ainda em 2010 uma tendência do contágio social de sintomas depressivos entre amigos e vizinhos. O efeito foi mais marcante com amigas do sexo feminino (Mol Psychiatry).

 

Uma das pesquisas mais interessantes foi publicada em março de 2010 (PLoS One). Foi demonstrado entre adolescentes que o efeito do contágio social no perfil de uso de drogas chega a envolver quatro níveis da rede social. O estudo também mostrou o efeito de contágio social no número de horas diárias de sono e que há uma relação estreita entre a quantidade de sono o e o consumo de drogas. Quando uma pessoa dorme menos de 7 horas por noite, a chance de um amigo dormir menos de sete horas é 11% maior. Quando um adolescente usa maconha, a chance de um amigo usar é 110% maior. O estudo também apontou que quando uma pessoa dorme menos de 7 horas, a chance de um amigo usar drogas aumenta em 19%. Esta foi a primeira vez que se evidenciou que o contágio social de um comportamento influencia o contágio de outro tipo de comportamento.

 

Em setembro de 2010 (PLoS One), os mesmos pesquisadores publicaram outro estudo que revelou que, numa epidemia infecto-contagiosa, indivíduos mais ao centro da rede social são acometidos mais precocemente. Esse achado pode facilitar o controle de epidemias ao se focar os esforços precocemente em indivíduos mais vulneráveis.  

 

Este é um novo modo de pensar a saúde. Qualquer intervenção positiva nos hábitos de vida de um indivíduo pode se alastrar para a sua rede social. Há também o outro lado da moeda: comportamentos negativos também se difundem pela rede. É de se esperar que a internet amplifique cada vez mais esse poder, tanto para o lado positivo quanto negativo, mas o balanço geral certamente será um reflexo da eficiência das políticas públicas para a promoção de saúde da população.

 

Confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e a jornalista Nara Lacerda no dia 24 de dezembro de 2010 na Rádio CBN Brasília.

 



 

Uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Epidemiology and Community Health aponta que mulheres grávidas que usam regularmente o telefone celular têm maior chance de ter filhos com problemas de comportamento, e esse risco passa a ser ainda maior quando as crianças começam a usar o aparelho de forma precoce.

 

Os mesmos pesquisadores que conduziram o presente estudo já haviam demonstrado esse efeito dos telefones celulares no ano de 2008 numa amostra de 13 mil crianças dinamarquesas. Desta vez, eles analisaram 28 mil crianças e suas mães, diferentes daquelas do estudo anterior, com ajustes na metodologia da pesquisa, incluindo outras variáveis que refletem o nível de atenção que as mães dispensam aos filhos nas fases precoces do desenvolvimento.  As mães foram entrevistadas durante a gravidez e novamente quando os filhos completavam 7 anos de idade. 

 

Os resultados mostraram que 35% das crianças usavam um aparelho de celular aos 7 anos, menos de 1% destes por mais de uma hora por semana, e 17.9% foram expostas ao aparelho antes e depois do nascimento. As crianças mais expostas ao aparelho foram as de famílias com menor status ocupacional, cujas mães eram mais jovens e que fumaram durante a gravidez e que tiveram mais estresse pré-natal.  Cerca de 7% das crianças foram classificadas como portadoras de transtornos do comportamento e a exposição combinada pré-natal / infância aumentou em 50% essa chance comparado a um aumento de 40% no caso de exposição pré-natal restrita e 20% quando limitada à infância. Pouco tempo dedicado à amamentação foi associado a uma maior chance de alterações do comportamento, mas mesmo excluindo-se esse fator, o efeito do celular ainda permaneceu estatisticamente significativo. 

 

E como é que as ondas eletromagnéticas do celular poderiam afetar o desenvolvimento da mente? Uma das hipóteses é a de que o uso do celular pode levar a um aumento do hormônio melatonina nas mães, hormônio que por sua vez tem influência nos hormônios sexuais femininos e que podem interferir na formação do bebê.

 

Os resultados são concordantes com o estudo anterior, mas não permite concluir que exista uma relação de causa e efeito entre o uso do celular por grávidas e crianças e problemas de comportamento na infância. As pesquisas disponíveis até o momento ainda são muito limitadas para qualquer tipo de orientação do tipo “mulheres grávidas não devem falar ao celular”. Entretanto, enquanto não tivermos novas pesquisas sobre o tema, é bem razoável que as grávidas pelo menos evitem exagerar no uso da aparelhinho.

 

** CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília no dia 10 dezembro 2010 

 

 

 

 

 

 

Alterações Psiquiátricas pelo uso de Anabolizantes

 

Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) constituem uma família de hormônios com efeitos anabolizantes (ganho muscular) e também masculinizantes. Na década de 1930 a testosterona foi quimicamente identificada e passou a ser usada no tratamento de quadros psiquiátricos como a depressão. Para os homens com deficiência na sua síntese, sua reposição pode aumentar a energia, libido e até mesmo o humor.

 

Na década de 1950, os EAA já eram usados no mundo do esporte de elite, e nos últimos 30 anos, seu uso entre atletas amadores passou a ser impulsionado pelo modelo de imagem corporal musculoso. Na verdade, essa história é bem mais antiga.  Já em 1889, o famoso médico Brown Séquard dizia se sentir mais forte com a ingestão de um preparado de testículos de cães e porcos e provavelmente não estava enganado. Os hormônios realmente podem aumentar a massa e desempenho muscular além da capacidade aeróbica.

 

A maioria das pesquisas que avaliaram a freqüência do uso dos EAA por jovens do sexo masculino foram feitas em países ocidentais e apontaram que cerca de 3% já usaram esse tipo de hormônio alguma vez na vida. Entretanto, quando se avalia grupos mais restritos, essas cifras são bem maiores. O uso dos EAA entre estudantes universitários americanos não atletas chega a ultrapassar os 10% e é bem mais freqüente entre os rapazes. Cerca de metade dos usuários revelam que usam essas substâncias para melhorar o desempenho físico e a outra metade para melhorar a aparência. Em Porto Alegre, pesquisas realizadas em academias de musculação mostram que 11% dos atletas usam EAA e até 25% já os usaram.

 

O uso dos EAA por atletas amadores vêm quase sempre acompanhado de efeitos colaterais e em um quarto dos casos está associado ao uso de outras drogas como insulina e hormônio do crescimento (Med Sci Sports Exerc 2006). E não faltam efeitos colaterais associados ao uso dos EEA: redução da libido e fertilidade, acne, perda de cabelo e aumento das mamas entre os homens, dependência física e psicológica, variação do humor, sintomas psicóticos, irritabilidade e agressividade, aumento do colesterol ruim e da agregação das plaquetas (engrossa o sangue), doença isquêmica do coração, morte súbita, doença do fígado, dos rins e dos músculos. No caso da mulher, ainda podemos observar sinais de masculinização e alterações do ciclo menstrual. Além disso, adolescentes muito jovens podem ter sua curva de crescimento inibida.  Os efeitos são proporcionais à dose e ao tempo de uso.

 

Outro efeito colateral sério associado ao uso dos EAA é o de que muitas dessas substâncias são de uso injetável, e aí caímos no problema de uso inapropriado de agulhas, sendo que em alguns estudos, o uso compartilhado de seringas é superior a 20% dos usuários.

 

O uso dos EAA é reconhecido mundialmente como prática contrária aos princípios éticos da competição esportiva. O American College of Sports Medicine, maior organização científica dedicada ao esporte, trabalha forte para a proibição dos EAA no esporte e para penalização daqueles envolvidos na produção, prescrição e distribuição dessas drogas com o fim de aumentar o desempenho atlético. No Brasil, é lei desde o ano 2000 que tais medicamentos só podem ser vendidos com receituário médico (e as indicações são para problemas de saúde e não para ficar forte). Entretanto, a maior parte de seu consumo é ilícito e, por incrível que pareça, ainda há médicos que têm prescrito esses hormônios a atletas, com o argumento de que só repõem a quantidade que falta a cada indivíduo. Vale lembrar que a deficiência de hormônios masculinos entre adolescentes e adultos jovens está longe de ser um diagnóstico comum.

 

 

Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo periódico britânico Heart demonstra que uma mulher com história de abortos espontâneos tem até cinco vezes mais chance de apresentar um ataque do coração.  

 

Os pesquisadores avaliaram cerca de 11.500 mulheres alemãs que tinham ficado grávidas pelo menos uma vez e que faziam parte de um grande estudo Europeu de análise do impacto do estilo de vida na freqüência de doenças, especialmente o câncer. Uma em cada quatro mulheres (25%) já havia apresentado pelo menos um aborto espontâneo, quase uma em cada cinco mulheres (18%) tinha o histórico de pelo menos um aborto provocado e cerca de 2% já tiveram um filho natimorto.

 

Após um seguimento médio de dez anos, 82 mulheres tiveram um ataque do coração e 112 um derrame cerebral. As mulheres com história de pelo menos um episódio de aborto espontâneo apresentavam um risco de ataque do coração 3.5 vezes maior. Naquelas que tiveram três ou mais episódios (0.2%), o risco chegou a ser nove vezes maior, e após ajuste de vários outros fatores como peso, tabagismo e consumo de álcool, o risco ainda se manteve cinco vezes maior.      

 

E qual será a explicação para essa relação entre aborto espontâneo e risco vascular? Fatores da saúde da mulher que podem levar a um aborto espontâneo podem ser os mesmos fatores que aumentam o risco de um ataque do coração. Entre esses fatores podemos citar a hipertensão arterial, diabetes, alterações da coagulação e níveis de inflamação no sangue. Outra forma de explicar essa associação é o maior risco de infecções durante o processo de aborto que pode levar a uma maior chance de fenômenos vasculares na mãe.

   

Os resultados da presente pesquisa sugerem que mulheres com história de aborto espontâneo recorrente devem ser vistas como tendo maior chance de doença cardiovascular e podem precisar de medidas preventivas diferenciadas. Vale lembrar que aborto espontâneo não é uma condição nada incomum e ocorre em cerca de 20% das gravidezes.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasilia do dia 3 de dezembro 2010

 

 

 

 

Uma pesquisa publicada nesta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstrou que um programa de atividade física para idosos baseado em ritmo musical melhora a marcha, o equilíbrio e ainda reduz o risco de quedas.

 

Os pesquisadores estudaram cerca de 130 idosos suíços com mais de 65 anos e algum grau de risco de queda definido pelo exame clínico ou por história pregressa de queda. Metade dos voluntários foi submetida a um programa de atividade física que consistia em sessões semanais de uma hora ao ritmo de improvisação ao piano com exercícios que promoviam ações cognitivas e de movimento simultâneas, com desafios do equilíbrio e manipulação de objetos como bolas e instrumentos musicais de percussão.

 

 

O programa tinha a duração de seis meses e, após esse período, os voluntários eram orientados a voltar às suas atividades habituais. Um segundo grupo de voluntários iniciava o mesmo programa após o encerramento das atividades do primeiro grupo. Ambos os grupos eram avaliados no início do estudo e após 6 e 12 meses. Os resultados revelaram que o programa promoveu a melhora do desempenho da marcha e do equilíbrio e ainda reduziam o risco de queda em 54%, efeitos que persistiram por seis meses após sua interrupção.

 

O treinamento utilizado no presente estudo também é conhecido por Eurritmia de Jacques-Dalcroze, método de educação ritmo-musical musical do corpo desenvolvido ainda no início do século 20 pelo músico suíço de mesmo nome e que é praticado em várias partes do mundo em atividades que vão da música, dança e teatro até terapia. Resultados um pouco mais modestos que os do presente estudo já foram descritos com a prática de Tai Chi e outros métodos que estimulam o equilíbrio. Entretanto, não é possível traçar comparações, pois as metodologias e populações estudadas foram bem distintas.

 

Queda da própria altura é um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal e aos 80 anos apenas cerca de 20% caminham sem dificuldades. Além disso, anualmente, um terço dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda e metade desses cai de forme recorrente, 30% das vezes levando a alguma injúria e em 6% dos casos resultando em fratura. Com o crescente envelhecimento da população, esse é um problema que se torna cada dia mais sério.

 

A atual pesquisa chama a atenção para o fato de que qualquer leve melhora no desempenho cerebral e muscular de um idoso pode fazer a diferença na redução do seu risco de queda. O interessante da estratégia utilizada é que ela estimula funções motoras e cognitivas de forma integrada.

 

** Vale lembrar que há boas evidências de que o uso de vitamina D em altas doses é capaz de aumentar a força muscular e o equilíbrio entre os idosos e reduzir em 20% o risco de quedas.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio no dia 26 de novembro 2010 na Rádio CBN Brasília.

 

 

A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, publicou esta semana um estudo que demonstra que mulheres idosas com dietas ricas em vitamina D têm desempenho cognitivo melhor do que aquelas com ingesta insuficiente da vitamina.

 

Evidências recentes têm demonstrado que uma baixa concentração de vitamina D no sangue está associada a cérebros menos afiados, não só entre idosos e mulheres, mas também entre adultos de meia idade. A atual pesquisa acrescenta um dado inédito ao mostrar que a fonte dietética de vitamina D pode fazer diferença. Esse é um passo fundamental antes de se partir para um estudo de suplementação de cápsulas de vitamina D entre idosos com déficit cognitivo e baixos índices da vitamina.

 

Não se levava muito em consideração o impacto da dieta sobre o nível de vitamina D em nosso organismo, já que 90% são dependentes de sua síntese na pele por exposição ao sol. A dieta contribui com os outros 10% especialmente através de alimentos enriquecidos com a vitamina, óleo de fígado de bacalhau, peixes, e de forma menos importante, gema de ovo e fígado. Os vegetais contêm concentrações de vitamina D mínimas.

 

A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral. A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.

 

Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se uma dieta rica em vitamina D ou mesmo suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa.

 

Podemos dizer também que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.

 

Clique aqui e confira um bate-papo com o Dr. Ricardo Teixeira e a jornalista Maria Honda no dia 19 de novembro de 2010 na Rádio CBN Brasília. Eles discutem o impacto da Vitamina D sobre o cérebro e as melhores estratégias para se conseguir boas concentrações da substância em nosso corpo.

 

 

Se alguém ainda se pergunta se as mudanças climáticas têm alguma coisa a ver com saúde, é bom saber que tem muito a ver e o problema já é considerado como a maior ameaça à saúde das pessoas no século 21.

 

Uma série de estudos mostra que o aquecimento global está associado ao aumento da incidência de doenças infecciosas como a dengue e a malária e ao aparecimento das mesmas em regiões do planeta em que não existiam antes. Além disso, a mortalidade por doenças cardiovasculares é maior nos extremos de temperatura, especialmente no calor. Isso sem falar do crescente número  de catástrofes naturais como furacões e ciclones. 

 

Médicos poderiam dar sua colaboração profissional para a redução de emissão de gases e aquecimento do planeta adicionando ao atendimento dos pacientes algumas recomendações ecológicas básicas. Uma regra simples que pode ajudar e vale a pena refletir é a de que aquilo que faz bem ao clima do planeta também faz bem à saúde do homem.

 

Redução de emissão de gases implica em usar menos o carro, caminhar e pedalar mais. Atividade física reduz o risco de inúmeras doenças crônicas como infarto do coração, derrame cerebral, depressão, diversos tipos de câncer e demência. Outra ação que favorece o clima do planeta é a redução no consumo de produtos animais que tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. O homem também se beneficia: menos alimentos animais significa maior longevidade.

 

A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

 

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico britânico Occupational and Environmental Medicine demonstrou que o telefone celular ao longo prazo pode estar associado ao sintoma de zumbido.

 

Os pesquisadores avaliaram 100 indivíduos consecutivos que procuraram o serviço de otorrrinolaringologia na Universidade de Viena com queixas de zumbido, um terço deles com sintomas bilaterais. Esses voluntários foram comparados a um grupo controle sem os sintomas, pareados por idade e gênero. Foram excluídos aqueles que apresentavam doenças do ouvido e que tenham feito uso de medicações potencialmente associadas ao zumbido. Foram excluídos também pacientes com doenças sistêmicas e psiquiátricas severas. Mais de 90% dos voluntários incluídos no estudo faziam uso do telefone celular.

 

Os resultados apontaram que o uso do telefone celular por um tempo maior que quatro anos está associado a uma maior chance de zumbido do lado em que o celular é utilizado. Esse efeito não foi demonstrado no caso de zumbido do lado oposto ao uso do celular.

  

O zumbido no ouvido, condição também conhecida como tinnitus subjetivo, é a percepção de um ruído que não pode ser atribuído a uma fonte externa e chega a acometer 10-15% dos adultos, especialmente os idosos. O sintoma pode ser percebido como um ruído no ouvido ou até mesmo da cabeça, com caráter variado: cachoeira, cigarra, campainha, sino, apito, etc.

 

Trauma craniano, medicações tóxicas ao ouvido, perdas da audição por exposição a ruídos e quase toda doença que acomete o ouvido podem vir acompanhadas de zumbido. Pode ser bilateral ou apenas de um lado, e quando pulsátil, pode sugerir comprometimento dos vasos sanguíneos. Entretanto, na grande maioria dos casos, a causa do zumbido é incerta.

 

Como o tratamento não costuma ser eficaz, medidas de prevenção são muito importantes, já que o problema está associado a estresse psicológico, transtornos do sono e dificuldades no trabalho. Teoricamente, o campo eletromagnético emitido pelos aparelhos de celular é absorvido pelas estruturas do ouvido e pode alterar a dinâmica desse sistema e gerar zumbido. O presente estudo sugere que o uso do telefone celular ao longo prazo pode sim ser um fator de risco para zumbido, mas novas pesquisas deverão ser realizadas para confirmar esse achado.

 

 

 

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