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Nesta última semana, um rapaz de seus 20 e poucos anos me procurou para ter uma opinião sobre a continuação ou não de uma medicação que já usava desde o início da adolescência.
Rodolfo, assim vou chamá-lo, teve algumas crises de dor de barriga quando tinha seus 16-17 anos, fez um eletrencefalograma que revelou alguma anormalidade. Nessa época, Rodolfo começou a usar medicação para controlar epilepsia, como se esse fosse o seu diagnóstico inequívoco.
Muitas vezes é difícil raciocinar olhando apenas pelo retrospecto, mas conversando com Rodolfo, as evidências de um diagnóstico de epilepsia não eram significativas. Crises de dor de barriga podem até ter a ver com epilepsia, mas depois de vários anos de acompanhamento, seria esperado que a pessoa apresentasse também crises de arresponsividade ao meio tipo ausência ou convulsão.
Vamos ao ponto principal de nossa história. Além de iniciar uma medicação de uso questionável no seu caso, Rodolfo foi orientado a parar com suas atividades esportivas. A situação para ele foi especialmente dramática, já que Rodolfo já era nessa época um atleta de competição de Taekwondo. Precisou suspender seus sonhos de atleta, mas por quê?
Mesmo que Rodolfo tivesse realmente o diagnóstico de epilepsia, não faria nenhum sentido ter restrições absolutas às atividades esportivas. É importante orientar um portador de epilepsia que evite nadar sozinho, que faça natação sempre com a monitorização de um profissional habilitado, pois no caso de uma crise, ele seria resgatado da água com segurança. Já entre os esportes fora da água, são poucos aqueles que demandam grandes preocupações. Claro que isso depende muito da freqüência de crises. É muito diferente um indivíduo que teve sua última crise há cinco anos daquele que tem crises diárias.
Na verdade, a relação entre atividade física e epilepsia fala muito mais na direção de benefícios. As pesquisas demonstram que exercício físico regular melhora o controle de crises epilépticas e uma das formas de explicar esse efeito é o estímulo de sistemas de neurotransmissores inibitórios e hormônios que modulam a excitação do cérebro. Além disso, a atividade física pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, comorbidades freqüentes entre pacientes com epilepsia, e minimizar o estigma e preconceito fortemente associados a essa condição.
E será que a atividade física pode fazer mal para algum tipo de transtorno neurológico? A princípio não. Enxaqueca, insônia, Doença de Parkinson e esclerose múltipla são condições mais facilmente controladas com atividade física. O exercício reduz o risco de derrame cerebral, Doença de Alzheimer e depressão. Isso sem falar no poder de reabilitação da atividade física naqueles que apresentam doenças neuromusculares ou que sofreram seqüelas de trauma cranioencefálico, derrame cerebral e tantos outros insultos neurológicos.
Rodolfo pode voltar sim para o Taekwondo. Inclusive, depois de atualizar seus exames, devemos pensar se já vale a pena retirar sua medicação anti-epiléptica. As expectativas são boas, já que ao analisar seu antigo eletrencefalograma, não é possível identificar qualquer anormalidade.
Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Isso já explica em parte porque o chocolate é tão prazeroso. Mas não as razões não param por aí.
O chocolate ainda é rico em substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. Contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro e ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Triptofano também faz parte do chocolate, substância precursora do neurotransmissor serotonina, conhecido por muitos como um dos protagonistas da química da felicidade. Além disso, recentemente foi demonstrado que chocolate é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate AMARGO com teor de cacau de 74% por duas semanas.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate AMARGO promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar uma barra de chocolate todo dia em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate AMARGO mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
Uma pesquisa publicada esta semana em um dos periódicos da Associação Americana de Medicina – Archives of Internal Medicine – aponta que os médicos nem sempre escolhem para si mesmos aquilo que recomendam a seus pacientes.
Cerca de mil médicos americanos responderam um questionário que avaliava duas situações médicas em que eles tinham que escolher entre duas opções de tratamento. Metade dos médicos era instruída a fazer a opção para um paciente hipotético enquanto a outra metade deveria responder de forma pessoal, ou seja, o que o médico escolheria se fosse o paciente.
As escolhas feitas para os pacientes e para os médicos-pacientes foram bem diferentes. Os médicos tiveram a tendência em escolher para os pacientes tratamentos com maior poder de prolongar a vida, mesmo que associados a um maior contingente de efeitos adversos.
Uma das situações clínicas era a escolha do tipo de cirurgia para um câncer colorretal. Ambas as opções ofereciam uma chance de cura de 80%. Quando a indicação era para eles mesmos, 38% dos médicos optaram pela cirurgia com maior risco de mortalidade, porém com menos efeitos adversos, como diarréia, uso de bolsa de colostomia, constipação intestinal e infecção na ferida operatória. Por outro lado, quando a cirurgia era para o paciente, apenas 24.5% dos médicos escolheram esta opção.
O segundo cenário era de infecção por gripe aviária. Se uma determinada medicação não fosse usada, a chance de morte seria de 10% e de hospitalização seria de 30%. Por outro lado, o tratamento reduzia esses índices pela metade, mas a própria medicação provocava morte e paralisia permanente em 1% e 3% dos casos respectivamente. Na hora de escolher, 48.5% dos médicos evitariam o tratamento para os pacientes e, quando o tratamento era para eles mesmos, 63% optaram por não usar a medicação, o que traria um maior risco de morte.
Não podemos generalizar com base nesses resultados que os médicos façam piores escolhas para eles mesmos do que para os pacientes. Na verdade o médico pensa diferente quando toma uma decisão para si mesmo, com maior componente emocional e menos censura, já que ele não deve explicações da sua decisão aos outros, pelo menos do ponto de vista profissional.
A pesquisa levanta uma questão muito importante no que diz respeito à prática médica: o médico deve recomendar ao seu paciente aquilo que ele faria para si mesmo ou deve apenas colocar as cartas na mesa, expondo as vantagens e desvantagens de cada tratamento para que o paciente faça a sua escolha? Experts no assunto têm opiniões divididas.
Atualmente, mesmo com a internet e a medicina mercantilista dando outras caras à relação médico-paciente, é inequívoco que os pacientes ainda valorizam muito a opinião do médico. Essa opinião pode até atrapalhar em algumas circunstâncias, mas acredito que na maioria das vezes ela pode enriquecer o processo de decisão, juntando-se aos dados objetivos de prós e contras de cada opção e à apreciação do próprio paciente. Muitas vezes a análise também é influenciada pelos pitacos ora certeiros, ora desastrosos do Dr. Google.
Pesquisa conduzida na Holanda e publicada esta semana pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry aponta que o consumo crônico da droga recreativa ecstasy pode alterar estruturas cerebrais no longo prazo.
O estudo avaliou o tamanho do hipocampo por ressonância magnética tanto de usuários crônicos da droga como de jovens da mesma faixa etária sem antecedente de consumo. O hipocampo é uma das estruturas cerebrais mais importantes no processo de memorização e uma das mais precocemente envolvidas na Doença de Alzheimer.
O volume do hipocampo entre os voluntários que usavam ecstasy era 10% menor e o volume total da substância cinzenta do cérebro era 4.6% menor. A média de consumo da droga entre os usuários era de três vezes por mês e não havia diferença significativa entres os dois grupos quanto ao consumo de álcool e outras drogas.
Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de inúmeras funções como o sono, a memória e o humor.
Os resultados da presente pesquisa sugerem que o uso crônico de ecstasy pode danificar o hipocampo e a substância cinzenta cerebral de forma mais difusa e são concordantes com pesquisas anteriores em humanos que mostraram:
1- Inchaço dos hipocampos seguido por atrofia após consumo de ecstasy;
2- Redução do desempenho de memória após exposição à droga, mesmo com baixas doses;
3- Redução do sistema de neurotransmissão da serotonina nos hipocampos.
Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, crises epilépticas, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral. Já foi demonstrada também uma maior freqüência de apnéia do sono entre os usuários, fato que é parcialmente explicado pela redução da atividade da serotonina, já que esse neurotransmissor exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue. Podemos ver que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.
Em diversos países, o ecstasy é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2009, o Brasil está entre os 22 países com maiores apreensões de ecstasy, fenômeno que aumentou exponencialmente em 2007.

Evento reúne no Instituto de Saúde (IS) especialistas de diferentes países para debater modelos e pesquisas de percepção pública da ciência e da tecnologia (C&T) e suas relações com o campo da saúde
Com o objetivo de debater diferentes aspectos relacionados à percepção pública sobre temas de C&T, especificamente com foco na área da saúde, acontece nos dias 13 e 14 de abril, no Auditório Walter Leser do Instituto de Saúde, o I Seminário Internacional e Workshop de Percepção Pública da Saúde, organizado pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto de Saúde (IS) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Instituto de Investigação em Imunologia (iii/INCT) do Instituto do Coração (InCor).
Entre os debatedores estarão Martin Bauer, da London School of Economics and Political Science (Inglaterra), Miguel Ángel Quintanilla, do Instituto de Estudios para la Ciencia y la Tecnología (eCyT), da Universidade de Salamanca (Espanha), e Sandra Daza, do Observatório de C&T da Colômbia. Também estarão presentes José da Rocha Carvalheiro (FMUSP-RP e Fiocruz), Gustavo Venturi (FFLCH/USP) e Carlos Vogt (Labjor/Unicamp), que debaterão os diferentes modelos e pesquisas de percepção pública de C&T e suas intersecções com o campo da saúde.
O evento faz parte da pesquisa “Percepção Pública da Saúde”, conduzida pelo Labjor/Unicamp como parte do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), iniciativa do Ministério da Saúde (MS) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A pesquisa visa reunir informações acerca da percepção pública da saúde no Estado, a fim de obter subsídios para a elaboração de políticas públicas na área de comunicação voltadas para o SUS. O seminário do dia 13/04 será aberto ao público e servirá de subsídio para o workshop do dia 14/04, reservado aos pesquisadores, no qual serão discutidos elementos que farão parte de um survey, que será aplicado em todo o Estado de São Paulo.
A pesquisa “Percepção Pública da Saúde” segue a base metodológica dos surveys de percepção pública de C&T desenvolvida ao longo da última década por meio de vários trabalhos na área realizados pelo Labjor/Unicamp em parceria com outras instituições da Iberoamérica, em percepção pública de C&T, na qual o tema saúde está inserido. Os resultados da pesquisa deverão contribuir para a formulação de estratégias de comunicação e de divulgação científica da saúde que, além de promoverem uma maior difusão do conhecimento sobre o tema junto à população, possam fortalecer o sistema de gestão na área.
Para participar do Seminário, os interessados deverão preencher uma ficha de inscrição, disponível no site do Instituto de Saúde (www.isaude.sp.gov.br).
Serviço
I Seminário Internacional e Workshop de Percepção Pública da Saúde
Datas: 13 de abril (aberto ao público) e 14 de abril de 2011 (reservado aos pesquisadores)
Horário: das 08h30 às 17h30
Local: Auditório Walter Leser do Instituto de Saúde – Rua Santo Antonio, 590 – Bela Vista – São Paulo-SP – Tel. (11) 3293-2271/2260 – e-mail: ncom@isaude.sp.gov.br
Realização: Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), Instituto de Saúde (IS) e Instituto de Investigação em Imunologia (iii/INCT)
Apoio: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto do Coração (InCor), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
Nesta última semana, duas irmãs me procuraram acompanhando o pai que sofre de um tipo de demência chamada de afasia progressiva primária. Essa é uma doença degenerativa em que o paciente vai perdendo gradualmente a função da linguagem, além da redução de outras funções cognitivas. As medicações usadas para o tratamento da doença de Alzheimer não são eficazes para essa patologia.
A conversa com as irmãs começou com a demanda de um pedido médico para um tratamento de oxigenioterapia hiperbárica para o seu pai, caso eu julgasse que realmente tivesse indicação. Esse é um tratamento em que o paciente é submetido a sessões de inalação de oxigênio 100% dentro de um equipamento parecido com um submarino com uma pressão superior à pressão atmosférica. Essa maior pressão faz com o oxigênio circule no sangue com maior intensidade e supostamente pode facilitar o tratamento de algumas condições clínicas.
O fato é que essa é uma modalidade terapêutica que não se mostrou eficaz para uma série de transtornos neurológicos, incluindo o derrame cerebral e doenças neurodegenerativas como a esclerose múltipla e doença de Alzheimer. Atualmente, não há nenhuma evidência de que esse tipo de tratamento possa auxiliar no tratamento da afasia progressiva primária.
Mas de onde surgiu toda essa expectativa? Dr. Google, claro. As irmãs sofrem muito com a experiência de ver o pai cada vez com menos interação com o meio e buscam com muita esperança um tratamento que pelo menos coloque um freio na doença. Talvez a percepção da situação tivesse sido diferente desde o momento do diagnóstico se elas não tivessem ouvido do médico que “não existe tratamento para esse tipo de doença”.
A inexistência de um tratamento farmacológico ou cirúrgico que possa mudar a história natural de uma doença definitivamente não significa que essa doença seja intratável. Tratar é cuidar. No caso em questão, fonoaudiologia e terapia ocupacional estão indicados e podem melhorar a interação do paciente com as outras pessoas. Se falar e escrever já não são atividades fáceis, o estímulo de outras modalidades de comunicação pode fazer a diferença, como é o caso de cartões com mensagens habituais do dia a dia. Isso é tratamento SIM.
Os potenciais efeitos terapêuticos que a maconha pode oferecer a pacientes com o diagnóstico de esclerose múltipla deixam de fazer sentido quando se avalia a deterioração cognitiva observada com o uso da droga. Essa é conclusão de um estudo publicado hoje pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
A esclerose múltipla é uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso central e algumas pesquisas até que têm demonstrado, sem conclusões definitivas, que os pacientes podem se beneficiar do uso da maconha, especialmente no combate à dor, espasticidade dos membros e disfunção da bexiga.
A atual pesquisa avaliou dois grupos de 25 canadenses com diagnóstico de esclerose múltipla com idades entre 18 e 65 anos. Um dos grupos fazia uso regular de maconha enquanto o outro referia já não ter contato com a droga por vários anos, informações que foram checadas através de testes de urina. Todos foram submetidos a testes neuropsicológicos que avaliaram diferentes funções do pensamento.
A média do tempo de duração da doença era de 12 anos enquanto o tempo de uso da droga era de 26 anos, com início aos 17. O consumo era diário em 72% deles e duas vezes por semana em 24%. Oito usuários (32%) referiram usar a droga por razões médicas, três (12%) com fins recreativos e 14 (56%) por uma combinação desses motivos.
Aqueles que usavam maconha tinham um pior desempenho nos testes de atenção, velocidade de pensamento, funções executivas e percepção visuo-espacial. Aqueles que usavam a droga tinham duas vezes mais chance de serem considerados como tendo um déficit cognitivo global, condição que é definida por déficit significativo em duas ou mais dimensões do funcionamento intelectual. Tinham também duas mais chances de estarem desempregados.
Os resultados chamam a atenção para os efeitos negativos da droga sobre o cérebro de pacientes que mesmo sem o seu uso já apresentam problemas cognitivos em cerca de 50% dos casos. Esses efeitos da maconha devem ser colocados na balança quando se pensa no uso da droga com fins medicinais, não só em quem tem problemas no cérebro, já que a deterioração cognitiva também é bem demonstrada entre usuários saudáveis.
Por que a maconha provoca isso tudo? É claro que os efeitos são dependentes da quantidade e tempo de uso, mas sabe-se que, entre os usuários mais “pesados”, seu consumo está associado a um menor fluxo sanguíneo e tamanho de algumas regiões do cérebro. Além disso, já foi demonstrado que ela danifica a capa que envolve as ramificações dos neurônios e que potencializa a velocidade dos impulsos nervosos. Por acaso, essa é a estrutura cerebral mais agredida pela esclerose múltipla.
Nesta semana, o periódico JAMA publicou uma revisão dos estudos científicos que analisaram o risco de um ataque do coração após uma relação sexual. Num mesmo indivíduo, a chance de um infarto do coração é maior durante a atividade sexual ou imediatamente após. Entretanto, esse risco é muito pequeno, ou mesmo nem existe, entre pessoas que praticam atividade física regularmente. Os resultados sugerem que existem corações não muito saudáveis por trás dessa associação entre sexo e infarto.
Nesta semana, pudemos ver também algumas notícias do tipo “Sexo esporádico aumenta o risco de ataque cardíaco”. Esse tipo de afirmação faz parecer que sexo pode fazer mal às pessoas saudáveis. O recado desta pesquisa é que as pessoas com maior risco de eventos cardíacos devem colocar o assunto sexo na pauta de discussão na consulta médica.
Na verdade, a ciência tem demonstrado de forma inequívoca que sexo faz bem à saúde, especialmente ao coração. Algumas pesquisas acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por infarto do coração.
** O persnoanagem acima, que não tenho dúvida que sou eu mesmo, estará presente todas as sextas-feiras e é uma criação do Super-Ilustrador Didiu Riobranco
Portifolio http://didiuriobranco.blogspot.com/

Pesquisadores da Universidade Duke nos EUA e Singapura demonstraram, através de Ressonância Magnética Funcional e testes psicológicos, que uma noite sem dormir muda a forma como o cérebro processa a chance de ganhar ou perder. O estudo foi publicado neste mês pelo periódico especializado Journal of Neuroscience
Foram estudados 29 adultos com uma média de idade de 22 anos. Cada voluntário era solicitado a participar em dois dias diferentes de um jogo especialmente criado para esse tipo de estudo e que envolvia decisões financeiras. No primeiro dia, o jogo era aplicado às 8h da manhã, após uma noite de sono habitual. Na segunda vez, os testes eram realizados às 6h da manhã, após privação total de sono durante a noite.
Os resultados apontaram que uma noite sem dormir provocou aumento de atividade cerebral em regiões que processam expectativas otimistas (córtex prefrontal ventromedial) e reduz a atividade de outras que processam expectativas pessimistas (córtex da insula anterior). Além disso, testes psicológicos evidenciaram que a falta de sono fez com que os voluntários assumissem mais escolhas que enfatizavam a chance de ganho financeiro e menos escolhas que reduziam o risco de perdas. Os voluntários mostraram-se mais sensíveis a recompensas e com menor sensibilidade a conseqüências negativas.
Já é bem conhecida a redução do desempenho de atenção, memória e aprendizado quando se fica sem dormir, mesmo que por uma única noite. Essa é a primeira vez que se demonstra que a privação de sono muda a forma que o cérebro analisa valores de risco, tanto do ponto de vista comportamental como de imagem cerebral, e independente do nível de atenção.
As repercussões no dia a dia desse tipo de mudança de comportamento do cérebro não devem ser tão inocentes. Já sabemos que problemas de sono só perdem para o álcool como causa de desastres no trânsito, especialmente pela redução da atenção e dos reflexos. Imaginem só se ainda adicionamos a essa mistura uma pitada de comportamento valente e de risco.
Será que os pais concordariam se as escolas assumissem cadeiras que estimulam as crianças a ficarem mais em pe?
Pesquisadores do Texas acabam de mostrar que isso aumenta o gasto calórico de forma significativa e com um grande potencial de combater a obesidade entre as crianças. http://bit.ly/gp5aEX
Será que ficar em pé na sala de aula prejudica o rendimento escolar? Tomara que não.
Depressão pós-parto, também chamada de baby blues, é uma condição clínica já bem explorada e que afeta entre 10 a 20% das mulheres nos primeiros meses após o parto, afetando a saúde tanto das mães como dos filhos. Os pais também sofrem de uma condição semelhante, mas o assunto tem sido muito menos discutido. Um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que a depressão dos pais também pode ter repercussões no desenvolvimento dos filhos.
Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA estudaram 1746 pais de crianças de um ano de idade e encontraram que 7% deles apresentavam depressão. Ao responderem à pergunta “No último mês, você bateu no seu filho?”, a resposta foi SIM em 13% dos pais sem depressão e em 41% dos deprimidos, uma diferença de quatro vezes. Desemprego e abuso de substâncias psicoativas também eram mais comuns entre os pais com depressão e estes apresentavam também uma interação com os filhos duas vezes menor, quando isso era medido pela freqüência que liam histórias para as crianças.
Os resultados também mostraram que 77% dos pais deprimidos haviam levado seus filhos ao pediatra nos últimos 12 meses, o que aponta uma grande oportunidade para que o pediatra provoque algum nível de discussão sobre a saúde mental do pai, orientando-os a procurar ajuda médica especializada.
Já é bem reconhecido que o envolvimento dos pais nas questões discutidas num consultório pediátrico faz diferença no desenvolvimento das crianças e que a depressão paterna está associada a piores indicadores psicossociais da criança. Os pediatras, que já se preocupam com a saúde das mães, também devem estar atentos com os pais, pois a saúde deles também merece toda a atenção. Vale lembrar que é cada vez maior o número de pais que ficam com as crianças enquanto as mães trabalham.
** LEIA TAMBÉM ´- Pai Saudável Filhos Saudáveis
Nesta semana, o periódico especializado Academic Medicine publicou um estudo que confirma que uma boa relação médico-paciente pode fazer a diferença para o sucesso de um tratamento.
Pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson nos EUA avaliaram 29 médicos que cuidavam de cerca de 900 pacientes diabéticos com uma média de idade de 56 anos. O nível de empatia de cada médico durante a prática clínica foi estimado através de uma escala validada em outros estudos composta por 20 itens e que é focada na capacidade do médico em entender as experiências, crenças e perspectivas do paciente e sua capacidade de se comunicar e demonstrar sua intenção de ajudar. Já os pacientes foram monitorizados através de exames de sangue que refletem o controle do diabetes e o nível do colesterol LDL.
Os resultados confirmaram a hipótese inicial dos pesquisadores: pacientes com os melhores índices, tanto do controle das taxas de glicose quanto do colesterol, foram aqueles acompanhados por médicos com maiores escores de empatia. Além disso, a chance de um mau controle metabólico foi menor naqueles que tinham médicos com altos escores.
O perfil de empatia dos médicos reflete em parte a satisfação do paciente com o profissional e a confiança nele depositada, fatores que influenciarão o nível de aderência às recomendações médicas e os resultados clínicos. Os resultados reforçam a idéia de que empatia deve ser considerada como um componente integral da competência profissional de um médico e suportam recomendações de algumas associações médicas de que os médicos, já no curso de graduação, deveriam ser treinados com técnicas direcionadas ao incremento da empatia na prática clínica.
Para se ter mais uma idéia do poder de uma consulta médica em que o médico demonstra empatia, veja os resultados desta pesquisa publicada neste blog no ano de 2008.
Três tipos de tratamento foram oferecidos a pacientes com o diagnóstico de síndrome do intestino irritável: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:
* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;
* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a doença tem sido difícil para você);
* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);
* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;
* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência e bons resultados com este problema).
Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas?
A resposta foi sim em:
* em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)
* em 44% dos pacientes do grupo 2 (acupuntura placebo)
* em 62% dos pacientes do grupo 3
(acupuntura placebo + atendimento padronizado)
* Leia também: Relação médico-paciente. Quando um não quer, dois não compartilham.
** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 11 de março 2011 ele discutiu o impacto que uma boa relação médico-paciente tem no sucesso de um tratamento clínico.
CLIQUE AQUI para ouvir o AUDIO.
Após restrição de 55 minutos de sono por seis dias, crianças com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) passaram a apresentar desempenho cognitivo bem inferior, especialmente nos quesitos atenção e tempo de reação. Esses foram os resultados de uma pesquisa conduzida por pesquisadores canadenses e recém-publicados no periódico especializado SLEEP.
Foram 43 crianças estudadas com uma média de idade de 9 anos, 11 com o diagnóstico de TDAH e 22 como grupo controle. Após seis dias de monitorização do sono em casa por um aparelho chamado actígrafo, parecido com um relógio de pulso, as crianças eram orientadas a dormir uma hora mais tarde do horário habitual. Crianças sem déficit de atenção também apresentaram piora nos testes cognitivos, mas de forma bem menos intensa que as crianças com o diagnóstico de TDAH.
A redução do tempo de sono provocada no estudo foi modesta e semelhante à privação de sono que ocorre no dia-a-dia real das crianças, quando, por exemplo, esticam um pouco mais a noite para terminar o dever de casa. Os resultados da atual pesquisa confirmam que o sono das crianças é um ponto crucial para um bom desempenho acadêmico, ainda mais para aquelas com diagnóstico de TDAH, um dos problemas de saúde mais comuns da infância.
Veja abaixo o número ideal de horas que as crianças deveriam dormir:
| Idade | Número ideal de horas de sono |
| RN (0-2 meses) | 12-18 horas |
| 3-11 meses | 14-15 horas |
| 1-3 anos | 12-14 horas |
| 3-5 anos | 11-13 horas |
| 5-10 anos | 10-11 horas |
| 10-17 anos | 8.5-9.25 horas |
| Adultos | 7-9 horas |
Neste carnaval, com quatro dias e meio de folga, e para alguns até mais, a cabeça faz uma lista de possíveis candidatos para ocupar o tempo com LAZER. E por que não ter essa lista na mente durante o resto do ano?
O tempo dedicado ao lazer muitas vezes está associado à atividade física. Nesses casos podemos desfrutar de um grande pacote de benefícios à saúde que incluem maior longevidade, melhor desempenho cerebral, melhor saúde psíquica e menor risco de doenças vasculares, degenerativas e neoplásicas. Entretanto, conhece-se bem menos sobre o impacto do lazer em nossa saúde independente da atividade física, como é o caso da leitura, cinema, música, etc. Alguns estudos, entretanto, têm revelado efeitos positivos interessantes.
Pesquisadores suecos demonstraram na década de 90 uma maior longevidade entre pessoas que freqüentavam eventos culturais. O mesmo grupo realizou um outro estudo que analisou a relação entre a participação em eventos culturais e o status geral de saúde. Duas entrevistas com intervalo de oito anos entre elas foram aplicadas a 3800 voluntários. Os indivíduos que apresentaram altos escores de participação em atividades culturais apresentavam 65% mais chance de se julgarem saudáveis quando comparados àqueles com baixos escores. Ainda mais importante foi o fato de que aqueles que partiram de um status de baixa atividade cultural na primeira entrevista e passaram a ter uma maior participação na segunda entrevista, atingiram uma auto-percepção de saúde semelhante àqueles que apresentavam altos scores em ambas as entrevistas.
As possíveis explicações para os benefícios do lazer sobre nossa saúde incluem desde dimensões psicossociais até mesmo biológicas. As atividades de lazer podem aumentar nossa rede de relacionamentos, nossas conexões sociais. Esse é um fator que está associado a uma menor concentração de hormônios do estresse e já foi demonstrado que com isso há redução dos riscos de doença isquêmica do coração (os animais de estimação também exercem esse efeito). Além disso, o lazer pode aumentar os níveis do hormônio ocitocina e do neurotransmissor serotonina, ambos associados ao bem estar psíquico. Uma simples aula de canto é capaz de aumentar os níveis do hormônio ocitocina, hormônio que pode ser considerado como modulador do estresse.
O lazer também promove a estimulação de nossos centros cerebrais de recompensa associados ao prazer. Essas são as mesmas regiões do cérebro estimuladas quando nos deliciamos com um saboroso alimento, quando experimentamos a paixão, quando compramos algo novo e muito desejado, quando temos atitudes altruístas ou quando solucionamos um problema. A ativação desses centros leva à liberação de uma série de neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina, e que estão associados à sensação de prazer. O lazer é uma das maiores oportunidades para fugirmos da rotina, da repetição. Assim nosso cérebro vivencia o novo e o inesperado, que são fatores críticos para a estimulação de nossos centros de recompensa, com boas repercussões sobre a saúde psíquica e o estado imunológico.
Um meio rico em estímulos promove ainda uma maior saúde de regiões cerebrais tais como o hipocampo, que está relacionado a uma maior atividade cognitiva e menor risco de depressão. Há uma forte linha de pesquisa mostrando-nos que os idosos que mantêm ativas suas atividades de lazer têm menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.
Diferentes modalidades de lazer também têm sido demonstradas como ferramentas preciosas para o tratamento de pessoas doentes: música, literatura, teatro e pintura. A música, por exemplo, aumenta a velocidade de recuperação de pacientes na fase aguda de um derrame cerebral, reduz a agitação de adultos em unidades de terapia intensiva e melhora o comportamento de crianças internadas com transtornos psiquiátricos.
O lazer tem sido levado cada vez mais a sério, e não devemos achar que sua importância seja restrita a sociedades super-desenvolvidas como o Estado de bem-estar social sueco. No Brasil ainda temos que suar muito a camisa para alcançarmos padrões mínimos desejáveis de desenvolvimento social, e estamos melhorando. O lazer associado ou não ao esporte pode ajudar a alavancar ainda mais esse desenvolvimento. Do ponto de vista de política pública, o lazer é um investimento relativamente barato que pode trazer benefícios em várias dimensões do desenvolvimento humano. Saúde é só uma delas.
** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 04 de março 2011 ele discutiu com Estevão Damasio os potenciais benefícios do lazer à nossa saúde . CLIQUE AQUI para ouvir o audio.
Subir e descer escadas, comer e vestir-se sozinho. Essas são atividades da vida diária que algumas pessoas deixam de conseguir fazer sem ajuda quando atingem idades mais avançadas. Como evitar essas dificuldades? Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Gerontology: Medical Sciences aponta que uma vida social ativa pode ajudar bastante.
A pesquisa envolveu quase mil idosos americanos com uma média de idade de 82 anos e que não apresentavam qualquer forma de dependência no início do acompanhamento que durou cinco anos em média. Um questionário foi aplicado para medir a presença e freqüência de atividades sociais dos idosos, como ir a um restaurante e cinema, viagens, trabalhos voluntários, visitas a amigos e parentes, entre outras. Os idosos também eram questionados quanto ao nível de independência para realizar seis diferentes atividades da vida diária: alimentar-se, vestir-se, tomar banho, usar o vaso sanitário, levantar-se da cama e andar por curtas distâncias. O questionário também investigava a capacidade do idoso em realizar três outras atividades que dependem de força e mobilidade: 1) subir e descer escadas; 2) caminhar 800 metros; 3) realizar o trabalho doméstico mais pesado. Por fim, atividades instrumentais também eram questionadas, como uso do telefone, preparo de refeições e manejo de medicações.
Os resultados mostraram que os idosos que relatavam uma alta frequência de atividades sociais tinham duas vezes mais chance de se manterem independentes nas suas atividades de vida diária e 1.5 vezes maior de continuarem com bom desempenho nas atividades instrumentais e naquelas que demandam força e mobilidade.
Uma vida social ativa pode fortalecer o sistema músculo-esquelético e circuitos cerebrais que são os pilares da independência funcional. Componentes psicológicos estão envolvidos, como manutenção da auto-estima e sensação de pertencer a uma rede social, mas não há como negar que a atividade física associada às atividades sociais tem o seu papel também. Novos estudos deverão avaliar se a introdução de atividades sociais na vida de um idoso pode ajudar a reduzir ou retardar o aparecimento de dependência funcional. É difícil imaginar que intervenções desta natureza não tragam resultados positivos.
Pesquisadores canadenses demonstraram que os vencedores do Oscar de melhor ator ou atriz, principal ou coadjuvante, têm uma vida mais longa do que aqueles que nunca receberam o prêmio.
A história começa no ano de 2001 quando os pesquisadores Redelmeier e Singh analisaram a longevidade de mais de 700 atores / atrizes que haviam atuado em filmes e que tenham recebido indicação ao Oscar. Para cada ator / atriz indicado ao Oscar, eles identificaram um outro ator / atriz do mesmo sexo, com semelhante faixa etária e que havia participado do mesmo filme, mas que não havia sido indicado ao Oscar.
Todas as indicações de Oscar foram analisadas desde a criação da Academia até o ano 2000. Três grupos foram criados: 1) Vencedores: os que levaram a estatueta para casa; 2) Indicados: os que foram indicados, mas não ganharam; 3) Controles: nunca indicados e que nunca ganharam. Exemplos: Jack Nicholson foi classificado como Vencedor, pois já havia sido premiado três vezes na época; Richard Burton foi classificado como Indicado, pois já havia recebido sete indicações, mas nunca ganhou; Lorne Green era do grupo Controle, nunca indicado, e claro nunca ganhou.
De um total de 1649 artistas incluídos no estudo, 772 já haviam morrido. As principais causas de morte foram a doença isquêmica do coração, derrame cerebral e câncer, e não foi diferente entre os três grupos. O nível educacional também não era diferente entre os grupos. Os Vencedores viveram cerca de 4 anos a mais que o grupo Indicados e o grupo Controles (Vencedores: 79.7 anos; Indicados: 76,1 anos; Controles: 75.8 anos). Do ponto de vista estatístico, os Indicados apresentaram a mesma longevidade dos Controles. Entre os Vencedores, quanto mais jovens ao receber o Oscar, ou o primeiro Oscar, maior a longevidade. Os resultados não foram diferentes entre Vencedores de papel principal ou coadjuvante. Entretanto, os Vencedores de mais de um Oscar viveram 6 anos a mais que os controles: sorte do Jack Nicholson.
E como explicar esses resultados ? A longevidade dos seres humanos tem sido consistentemente associada ao status sócio-econômico. Os ricos vivem mais que os pobres. Aqueles que receberam maior contingente de educação formal também vivem mais. E por que será que o sucesso por si só também poderia nos trazer mais anos de vida ? Vamos às hipóteses.
Pessoas de sucesso como os “Vencedores” são personalidades de grande visibilidade pelo público e buscariam andar na linha para não arranhar suas imagens. Muitas vezes, os próprios contratos com a indústria do cinema os obrigam a ter bons padrões de comportamento. Além disso, são cercados de assessoria para manter a forma física, boa alimentação, entre outros hábitos salutares. Conhecemos inúmeras histórias de celebridades que contrariam totalmente esse argumento, mas talvez não seja a regra. Nesse estudo, mesmo o grupo Controles apresentou maior longevidade que a média da população americana no mesmo período.
No ano de 2006 a mesma revista científica publicou uma crítica muito bem estruturada sobre o método de análise estatística do artigo publicado em 2001, sugerindo que o grupo Vencedor foi privilegiado, colocando em cheque os resultados de forma bastante contundente. Foi um balde de água fria, mas o assunto ainda não está encerrado. Ainda se discute que “Vencedores” podem até viver mais, mas não como conseqüência do sucesso. Ao invés disso, o sucesso seria o resultado do perfil de indivíduos com maior capital de saúde, e que também viveriam mais. Esse efeito foi sugerido em 2003 após análise da longevidade dos membros da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, comparando vencedores do Prêmio Nobel com não vencedores. Os vencedores do Prêmio Nobel viveram mais! Talvez essas celebridades tenham uma genética privilegiada não só do ponto de vista cerebral.
Redelmeier e Singh, os autores do estudo dos “vencedores”, analisaram também a longevidade de roteiristas de cinema e publicaram os resultados no British Medical Journal, um dos mais respeitados periódicos científicos do mundo. A hipótese era de que o fato dos roteiristas gozarem de menos glória e sucesso que os atores, o efeito Oscar seria menos pronunciado. Resultado: aqueles que venceram o Oscar viveram três anos e meio a menos que aqueles que foram só indicados (Indicados: 77.7; Vencedores 74.1). Os roteiristas vencedores de Oscar que trabalhavam mais intensamente (maior média de filmes por ano) viviam menos ainda. Mesmo entre os roteiristas não agraciados com o Oscar, aqueles que escreviam mais filmes por ano também viviam menos. Discute-se que hábitos saudáveis talvez não sejam tão cobrados de roteiristas, pois muitos mantém-se em relativo anonimato quando comparados a atores / atrizes. Estudos anteriores já haviam evidenciado menor longevidade entre escritores, e uma das explicações é o estilo de vida menos saudável (ex: inatividade física, sono irregular). Questões até mesmo existenciais são contempladas, especialmente no caso dos poetas.
Ao fazermos um balanço geral dessas informações à luz do conhecimento atual, é bem razoável pensar que indivíduos com perfil genético vantajoso viverão mais e terão também mais chances de atingirem o sucesso (vantagens cerebrais). A vida de celebridade realmente pode ser um fator modulador positivo dos hábitos de vida, e isso precisa ser melhor investigado. No caso dos roteiristas, precisamos ser cautelosos e não sairmos dizendo por aí que trabalho faz mal à saúde, pois sabemos que faz bem quando é realizador e bem dosado. Melhor ainda quando associado a outros hábitos saudáveis. Certamente muitos cinéfilos argumentarão que vincular talento e sucesso no universo do cinema à estatueta é no mínimo discutível. Na pesquisa dos roteiristas de cinema, o Oscar mais uma vez foi a medida do sucesso. No grupo daqueles que foram só indicados, mas nunca venceram, podemos encontrar nada mais, nada menos que Stanley Kubrick, Ingmar Bergman e Frederico Fellini. Não deve ter sido a falta de sucesso e talento que fez Bergman viver 91 anos.
** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN no dia 25 de fevereiro 2011
Pesquisadores americanos demonstraram que o uso do celular por um tempo de 50 minutos é capaz de aumentar o metabolismo cerebral, especialmente nas regiões frontal e temporal do mesmo lado em que o aparelho foi usado.
Esse aumento do metabolismo poderia ser secundário ao aumento de temperatura que o aparelho pode provocar? Sabe-se que 10 minutos de uso do celular são capazes de aumentar a temperatura da pele em 2º C. Porém, é pouco provável que o aumento de temperatura da pele leve ao aumento do metabolismo cerebral, já que as regiões cerebrais mais alteradas encontravam-se distantes da região de contato do celular com a pele. A melhor explicação para os resultados é mesmo o efeito da energia de radiofreqüência emitida pelo celular. Novos estudos deverão explorar o impacto desse fenômeno na saúde cerebral ao longo prazo.
Os resultados foram publicados hoje pelo periódico JAMA.
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Nesta última semana, duas das principais publicações científicas em saúde do mundo, JAMA e Pediatrics, chamaram a atenção para o fato de que o público deve estar consciente de que as bebidas energéticas cafeinadas não são tão inocentes assim.
O crescimento dessas bebidas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. Em 2011, a expectativa é que o negócio alcance os 9 bilhões de dólares.
O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, indo desde 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. No Brasil, a adição dessas ervas não é permitida.
Países da União Européia exigem que o rótulo desses produtos apresente o aviso “Bebida com alto conteúdo de cafeína”. No Canadá, exige-se que o rótulo do Red Bull evidencie que não se deve misturá-lo com bebidas alcoólicas e que não se deve beber mais do que duas latinhas por dia. Na Noruega essa mesma bebida só pode ser comprada em drogarias, e só a partir de 2008 a França permitiu sua comercialização após adequação da sua fórmula, com a substituição do aminoácido taurina por arginina, já que não se conhece bem os efeitos do consumo de taurina sobre nossa saúde ao longo prazo. Nos EUA, medicações que contém cafeína devem ter nas embalagens uma série de avisos de segurança ao consumidor. Por outro lado, bebidas energéticas que podem ter conteúdos de cafeína até várias vezes superiores a um desses comprimidos, não precisam nem mesmo ter a concentração de cafeína demonstrada em seus rótulos, já que são consideradas suplementos dietéticos.
No Brasil, a ANVISA classifica esses produtos como “COMPOSTOS LÍQUIDOS PRONTOS PARA CONSUMO” e uma portaria de 1998 regulamenta a comercialização com as seguintes ressalvas: * Conteúdo de álcool deve ser menor que 0.5% e de cafeína deve ser no máximo de 350 mg/l (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína e uma lata de coca-cola 35mg). É ainda obrigatória a demonstração no rótulo do conteúdo de cafeína e advertência em destaque e negrito: “Idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir este produto”. Em nova resolução no ano de 2005, a recomendação de advertência foi estendida para: “Crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir o produto” e também “Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica“. Os termos “Bebida Energética” ou “Energy Drink” são permitidos nos rótulos, mas passam a ser proibidas expressões como “Estimulante”, “Melhora de Desempenho” ou equivalentes.
As campanhas publicitárias das bebidas energéticas são direcionadas primariamente aos jovens, especialmente aos homens, prometendo melhora do desempenho da atenção e resistência física, perda de peso e maior diversão. No Brasil estamos acostumados a ver a animação de um bonequinho em que a bebida energética lhe “dá asas”. Já nos EUA, algumas campanhas têm forte apelo à glorificação do uso de drogas. Há desde bebidas com o nome “Cocaína” vendida como a “alternativa legal”, bebida que vem acompanhada de um kit de acessórios comumente usados para cheirar cocaína, até propaganda na TV em que pessoas simulam cheirar a bebida energética em alusão ao ato de cheirar cocaína.
E por que tanta preocupação com essas bebidas por parte das autoridades de saúde pública? O que é que a cafeína dessas bebidas tem que a do café não tem? Um dos focos de preocupação gira em torno do risco de intoxicação aguda já que algumas campanhas publicitárias prometem inúmeros benefícios e as pessoas podem interpretar isso como quanto mais, melhor. E as pessoas pouco sabem sobre os níveis de consumo seguro de cafeína, e isso depende muito se o consumo é esporádico ou regular. Grávidas não devem consumir cafeína de forma alguma, pois há aumento do risco de aborto espontâneo e de recém-nascidos de baixo peso.
Quem ingere cafeína diariamente tem menos riscos de se intoxicar, já que o metabolismo da substância é mais rápido. Entre os sintomas da intoxicação aguda por cafeína incluem-se ansiedade, agitação psicomotora, dor de cabeça, tremor, insônia e sintomas gastrintestinais. Mais raramente, uma overdose de cafeína pode provocar efeitos ainda mais sérios. Em 2007, um competidor de motocross na Austrália teve uma parada cardíaca após beber oito latas de Red Bull num espaço de tempo de cinco horas. A cafeína provoca lentificação dos batimentos cardíacos e constrição dos vasos do cérebro e do coração. Há relatos isolados de crises epilépticas, derrame cerebral e alguns casos de morte potencialmente associados à intoxicação por cafeína. Uma concentração de cafeína no sangue acima de 1g pode levar a sintomas de intoxicação e acima de 5g já pode provocar a morte.
A dependência à cafeína é outro problema que merece atenção, e a abstinência da substância pode causar dor de cabeça, fadiga, sonolência e redução do desempenho cognitivo, alteração do humor, irritabilidade, náuseas e dores musculares. Assim como os adultos, crianças e adolescentes também são susceptíveis ao problema.
Mais preocupante ainda é a crescente cultura de se misturar os energéticos com álcool. Estudos recentes têm demonstrado que a mistura faz com que a pessoa se sinta menos sonolenta, mas sem perceber seu real estado de embriaguez, e por isso, cria uma maior tendência a comportamentos de risco e violência sexual. Apesar de ainda ser uma discussão em aberto, já se reconhece que os mesmos fatores genéticos que definem o risco de dependência à cafeína estão associados também ao tabagismo e ao alcoolismo. Já existem pesquisas que apontam que o excesso de cafeína aumenta a chance de dependência ao álcool. Em novembro de 2010, o FDA, órgão regulador americano, anunciou que a cafeína não é uma substância segura quando adicionada às bebidas alcoólicas, o que deve fazer com que uma série de produtos saia do mercado desse país.
Não é uma latinha de bebida energética aqui e outra ali que irá trazer problema. Entretanto, à luz do conhecimento atual, deve-se ter em mente que tanto o abuso desses produtos, assim como a mistura com álcool podem estar associados a problemas de saúde mais sérios. Se a intenção for aumentar o desempenho físico e mental, por que não usar de forma moderada a cafeína dos próprios alimentos (ex: chás, café)? Nos alimentos, a cafeína vem acompanhada de inúmeras substâncias que reconhecidamente fazem muito bem à saúde.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico The British Journal of Sports Medicine aponta que aparelhos que permitem que uma pessoa pedale em sua mesa de trabalho podem ser uma saída viável para reduzir o sedentarismo de quem trabalha sentado por períodos prolongados.
A pesquisa envolveu 18 profissionais com uma média de idade de 40 anos e que trabalhavam sentados por pelo menos 75% do tempo. Os voluntários foram monitorizados quanto à velocidade em que pedalavam, distância percorrida e calorias que eram gastas. A maioria dos voluntários era formada por mulheres com sobrepeso.
O aparelho foi oferecido por 20 dias de trabalho consecutivos e a média de uso foi de 12 dias e por 23 minutos diários. O maior uso em um único dia foi de 73 minutos e o máximo de gasto calórico foi de 500 calorias. Ao final do estudo, um questionário foi aplicado para avaliar a aceitação do aparelho e a maioria respondeu que usaria o aparelho caso fosse oferecido pelo empregador e que ele não atrapalhou o desempenho do trabalho. O aparelho também não devia atrapalhar o desempenho dos colegas, já que o ruído do aparelho é muito discreto.
Você usaria uma bicicleta dessas debaixo da sua mesa de trabalho?























