O British Medical Journal publicou recentemente uma pesquisa revelando que mulheres grávidas que moram próximas a uma estação de telefonia celular não apresentam maior chance de terem filhos com câncer. Foram estudadas 1400 crianças inglesas com diagnóstico de câncer e os resultados mostraram que elas não moravam mais perto dessas torres quando comparadas a um grupo controle de mais de cinco mil crianças sem o diagnóstico de câncer. Vale lembrar que o nível de exposição às ondas de radiofrequencia geradas por essas torres é bem menor que a do próprio telefone celular, e por isso, o risco do uso dos aparelhos é teoricamente maior.

 

Ainda no ano de 2010, foi publicado o estudo multicêntrico INTERPHONE que envolveu mais de cinco mil pacientes com tumores cerebrais de treze diferentes países. Essa pesquisa demonstrou que não há associação entre o uso do celular e a chance de apresentar tumores cerebrais. Entretanto, os resultados apontaram uma leve tendência de tumores do tipo glioma nos 10% dos indivíduos que mais usavam o celular.

Em 2008, foi publicada uma metanálise, que é um tipo de balanço geral de todos os estudos realizados até então, evidenciando que o uso do celular ao longo prazo aumenta o risco de tumores cerebrais (Hardell et al., Int J Oncol 2008). No mesmo ano de 2008, uma série de neurocirurgiões de grande renome mundial passou a se manifestar afirmando que a tarefa de provar definitivamente que o celular causa tumor cerebral é só uma questão de tempo, já que uma lesão dessa natureza precisa de pelo menos dez anos para se desenvolver. Além disso, o jornal oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia em conjunto com outras sociedades de neurocirurgia de nível internacional, conclamou em 2008 a cooperação da sociedade científica com os órgãos governamentais para tirar essa história a limpo, devido à potencial gravidade da situação.
 

Tanto se reconhece os potenciais riscos à saúde do telefone celular que vários países europeus recomendam restrições ao seu uso.  O último documento da Organização Mundial da Saúde sobre o tema (maio 2010) afirma que ainda não há evidências satisfatórias de aumento de doenças decorrentes do uso do celular, mas enfatiza que os estudos ainda estão sendo conduzidos para avaliar seus riscos ao longo prazo. Em 2009 já havia cerca de 4.6 bilhões de usuários ao redor do mundo. Em Brasília há mais de um celular por habitante. Quem viver verá o resultado dessa polêmica.

 

Obs: Se o telefone celular causa tumor cerebral ou não, isso ainda é uma pergunta em aberto. Porém, já se reconhece que dirigir usando o celular é tão arriscado quanto dirigir embriagado. Pesquisa recente mostra que 28% dos acidentes de carro nos EUA são decorrentes do uso do celular.

 

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