Nesta semana, o periódico especializado Academic Medicine publicou um estudo que confirma que uma boa relação médico-paciente pode fazer a diferença para o sucesso de um tratamento.

 

Pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson nos EUA avaliaram 29 médicos que cuidavam de cerca de 900 pacientes diabéticos com uma média de idade de 56 anos. O nível de empatia de cada médico durante a prática clínica foi estimado através de uma escala validada em outros estudos composta por 20 itens e que é focada na capacidade do médico em entender as experiências, crenças e perspectivas do paciente e sua capacidade de se comunicar e demonstrar sua intenção de ajudar. Já os pacientes foram monitorizados através de exames de sangue que refletem o controle do diabetes e o nível do colesterol LDL.

 

Os resultados confirmaram a hipótese inicial dos pesquisadores: pacientes com os melhores índices, tanto do controle das taxas de glicose quanto do colesterol, foram aqueles acompanhados por médicos com maiores escores de empatia.  Além disso, a chance de um mau controle metabólico foi menor naqueles que tinham médicos com altos escores.  

 

O perfil de empatia dos médicos reflete em parte a satisfação do paciente com o profissional e a confiança nele depositada, fatores que influenciarão o nível de aderência às recomendações médicas e os resultados clínicos. Os resultados reforçam a idéia de que empatia deve ser considerada como um componente integral da competência profissional de um médico e suportam recomendações de algumas associações médicas de que os médicos, já no curso de graduação, deveriam ser treinados com técnicas direcionadas ao incremento da empatia na prática clínica.

 

Para se ter mais uma idéia do poder de uma consulta médica em que o médico demonstra empatia, veja os resultados desta pesquisa publicada neste blog no ano de 2008.

 

Três tipos de tratamento foram oferecidos a pacientes com o diagnóstico de síndrome do intestino irritável: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:

* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;

* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a doença tem sido difícil para você);

* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);

* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;

* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência e bons resultados com este problema).

 

Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas?

A resposta foi sim em:

*  em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)

*  em 44% dos pacientes do grupo 2  (acupuntura placebo)

*  em 62% dos pacientes do grupo 3

    (acupuntura placebo + atendimento padronizado)

 

* Leia também:  Relação médico-paciente. Quando um não quer, dois não compartilham.

 

** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 11 de março 2011 ele discutiu o impacto que uma boa relação médico-paciente tem no sucesso de um tratamento clínico.

CLIQUE AQUI para ouvir o AUDIO.

 

 

 

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