Uma pesquisa publicada nesta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstrou que um programa de atividade física para idosos baseado em ritmo musical melhora a marcha, o equilíbrio e ainda reduz o risco de quedas.

 

Os pesquisadores estudaram cerca de 130 idosos suíços com mais de 65 anos e algum grau de risco de queda definido pelo exame clínico ou por história pregressa de queda. Metade dos voluntários foi submetida a um programa de atividade física que consistia em sessões semanais de uma hora ao ritmo de improvisação ao piano com exercícios que promoviam ações cognitivas e de movimento simultâneas, com desafios do equilíbrio e manipulação de objetos como bolas e instrumentos musicais de percussão.

 

 

O programa tinha a duração de seis meses e, após esse período, os voluntários eram orientados a voltar às suas atividades habituais. Um segundo grupo de voluntários iniciava o mesmo programa após o encerramento das atividades do primeiro grupo. Ambos os grupos eram avaliados no início do estudo e após 6 e 12 meses. Os resultados revelaram que o programa promoveu a melhora do desempenho da marcha e do equilíbrio e ainda reduziam o risco de queda em 54%, efeitos que persistiram por seis meses após sua interrupção.

 

O treinamento utilizado no presente estudo também é conhecido por Eurritmia de Jacques-Dalcroze, método de educação ritmo-musical musical do corpo desenvolvido ainda no início do século 20 pelo músico suíço de mesmo nome e que é praticado em várias partes do mundo em atividades que vão da música, dança e teatro até terapia. Resultados um pouco mais modestos que os do presente estudo já foram descritos com a prática de Tai Chi e outros métodos que estimulam o equilíbrio. Entretanto, não é possível traçar comparações, pois as metodologias e populações estudadas foram bem distintas.

 

Queda da própria altura é um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal e aos 80 anos apenas cerca de 20% caminham sem dificuldades. Além disso, anualmente, um terço dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda e metade desses cai de forme recorrente, 30% das vezes levando a alguma injúria e em 6% dos casos resultando em fratura. Com o crescente envelhecimento da população, esse é um problema que se torna cada dia mais sério.

 

A atual pesquisa chama a atenção para o fato de que qualquer leve melhora no desempenho cerebral e muscular de um idoso pode fazer a diferença na redução do seu risco de queda. O interessante da estratégia utilizada é que ela estimula funções motoras e cognitivas de forma integrada.

 

** Vale lembrar que há boas evidências de que o uso de vitamina D em altas doses é capaz de aumentar a força muscular e o equilíbrio entre os idosos e reduzir em 20% o risco de quedas.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio no dia 26 de novembro 2010 na Rádio CBN Brasília.

 

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