Sucos de uva contêm grandes quantidades de substâncias conhecidas por polifenóis e flavonóides, especialmente quando feitos das uvas do tipo Concord, que são ricas em proantocianidina e antocianina, e do tipo Niágara, ricas em proantocianidina. O resveratrol é um polifenol que tem sido muito comentado nos últimos anos como um dos componentes do vinho tinto que responde pelos seus efeitos benéficos à saúde. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria-RS demostraram que os sucos de uva produzidos no Brasil também são ricos em resveratrol (Sautter et al.,  Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 2005)

 

Essas substâncias têm propriedades antioxidantes e antiinflamatórias que têm o potencial de melhorar a sinalização entre os neurônios e reduzir alterações cerebrais associadas a doenças neurodegenerativas, como é o caso da Doença de Alzheimer, e podem ter importante papel na redução do risco dessas doenças. Potencial benefício é uma coisa. Mas quais são as evidências de que faz alguma diferença?

 

Em roedores já em idades avançadas, suco de uva por 6 a 8 semanas promoveu melhora do desempenho cognitivo (Shukitt-Hale et al., Nutrition 2006). Em humanos com doenças cardiovasculares, suco de uva melhora os índices de colesterol e a função dos vasos sanguíneos (endotélio) e ainda reduz a tendência de agregação das plaquetas. Entre idosos com dificuldades no processamento de memória e sem demência, suco de uva do tipo Concord por 12 semanas melhorou o desempenho da memória (Krikorian et al., British Journal of Nutrition 2010). Entretanto esse estudo foi realizado com um número reduzido de idosos e pesquisas mais robustas são necessárias para uma melhor definição sobre os efeitos do consumo de suco de uva sobre as funções cognitivas.

 

O consumo diário de frutas e verduras é um consenso quando se pensa em prevenção da Doença de Alzheimer e algumas frutas podem ser mais eficientes que outras. A uva é um forte candidato ao lado de outras frutas com cores fortes como é o caso do morango, amora, framboesa, acerola, açaí e mirtilo, este último pouco conhecido no Brasil e chamado de Blueberry no hemisfério norte.

 

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