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Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) constituem uma família de hormônios com efeitos anabolizantes (ganho muscular) e também masculinizantes. Na década de 1930 a testosterona foi quimicamente identificada e passou a ser usada no tratamento de quadros psiquiátricos como a depressão. Para os homens com deficiência na sua síntese, sua reposição pode aumentar a energia, libido e até mesmo o humor.
Na década de 1950, os EAA já eram usados no mundo do esporte de elite, e nos últimos 30 anos, seu uso entre atletas amadores passou a ser impulsionado pelo modelo de imagem corporal musculoso. Na verdade, essa história é bem mais antiga. Já em 1889, o famoso médico Brown Séquard dizia se sentir mais forte com a ingestão de um preparado de testículos de cães e porcos e provavelmente não estava enganado. Os hormônios realmente podem aumentar a massa e desempenho muscular além da capacidade aeróbica.
A maioria das pesquisas que avaliaram a freqüência do uso dos EAA por jovens do sexo masculino foram feitas em países ocidentais e apontaram que cerca de 3% já usaram esse tipo de hormônio alguma vez na vida. Entretanto, quando se avalia grupos mais restritos, essas cifras são bem maiores. O uso dos EAA entre estudantes universitários americanos não atletas chega a ultrapassar os 10% e é bem mais freqüente entre os rapazes. Cerca de metade dos usuários revelam que usam essas substâncias para melhorar o desempenho físico e a outra metade para melhorar a aparência. Em Porto Alegre, pesquisas realizadas em academias de musculação mostram que 11% dos atletas usam EAA e até 25% já os usaram.
O uso dos EAA por atletas amadores vêm quase sempre acompanhado de efeitos colaterais e em um quarto dos casos está associado ao uso de outras drogas como insulina e hormônio do crescimento (Med Sci Sports Exerc 2006). E não faltam efeitos colaterais associados ao uso dos EEA: redução da libido e fertilidade, acne, perda de cabelo e aumento das mamas entre os homens, dependência física e psicológica, variação do humor, sintomas psicóticos, irritabilidade e agressividade, aumento do colesterol ruim e da agregação das plaquetas (engrossa o sangue), doença isquêmica do coração, morte súbita, doença do fígado, dos rins e dos músculos. No caso da mulher, ainda podemos observar sinais de masculinização e alterações do ciclo menstrual. Além disso, adolescentes muito jovens podem ter sua curva de crescimento inibida. Os efeitos são proporcionais à dose e ao tempo de uso.
Outro efeito colateral sério associado ao uso dos EAA é o de que muitas dessas substâncias são de uso injetável, e aí caímos no problema de uso inapropriado de agulhas, sendo que em alguns estudos, o uso compartilhado de seringas é superior a 20% dos usuários.
O uso dos EAA é reconhecido mundialmente como prática contrária aos princípios éticos da competição esportiva. O American College of Sports Medicine, maior organização científica dedicada ao esporte, trabalha forte para a proibição dos EAA no esporte e para penalização daqueles envolvidos na produção, prescrição e distribuição dessas drogas com o fim de aumentar o desempenho atlético. No Brasil, é lei desde o ano 2000 que tais medicamentos só podem ser vendidos com receituário médico (e as indicações são para problemas de saúde e não para ficar forte). Entretanto, a maior parte de seu consumo é ilícito e, por incrível que pareça, ainda há médicos que têm prescrito esses hormônios a atletas, com o argumento de que só repõem a quantidade que falta a cada indivíduo. Vale lembrar que a deficiência de hormônios masculinos entre adolescentes e adultos jovens está longe de ser um diagnóstico comum.
Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo periódico britânico Heart demonstra que uma mulher com história de abortos espontâneos tem até cinco vezes mais chance de apresentar um ataque do coração.
Os pesquisadores avaliaram cerca de 11.500 mulheres alemãs que tinham ficado grávidas pelo menos uma vez e que faziam parte de um grande estudo Europeu de análise do impacto do estilo de vida na freqüência de doenças, especialmente o câncer. Uma em cada quatro mulheres (25%) já havia apresentado pelo menos um aborto espontâneo, quase uma em cada cinco mulheres (18%) tinha o histórico de pelo menos um aborto provocado e cerca de 2% já tiveram um filho natimorto.
Após um seguimento médio de dez anos, 82 mulheres tiveram um ataque do coração e 112 um derrame cerebral. As mulheres com história de pelo menos um episódio de aborto espontâneo apresentavam um risco de ataque do coração 3.5 vezes maior. Naquelas que tiveram três ou mais episódios (0.2%), o risco chegou a ser nove vezes maior, e após ajuste de vários outros fatores como peso, tabagismo e consumo de álcool, o risco ainda se manteve cinco vezes maior.
E qual será a explicação para essa relação entre aborto espontâneo e risco vascular? Fatores da saúde da mulher que podem levar a um aborto espontâneo podem ser os mesmos fatores que aumentam o risco de um ataque do coração. Entre esses fatores podemos citar a hipertensão arterial, diabetes, alterações da coagulação e níveis de inflamação no sangue. Outra forma de explicar essa associação é o maior risco de infecções durante o processo de aborto que pode levar a uma maior chance de fenômenos vasculares na mãe.
Os resultados da presente pesquisa sugerem que mulheres com história de aborto espontâneo recorrente devem ser vistas como tendo maior chance de doença cardiovascular e podem precisar de medidas preventivas diferenciadas. Vale lembrar que aborto espontâneo não é uma condição nada incomum e ocorre em cerca de 20% das gravidezes.
Uma pesquisa publicada nesta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine demonstrou que um programa de atividade física para idosos baseado em ritmo musical melhora a marcha, o equilíbrio e ainda reduz o risco de quedas.
Os pesquisadores estudaram cerca de 130 idosos suíços com mais de 65 anos e algum grau de risco de queda definido pelo exame clínico ou por história pregressa de queda. Metade dos voluntários foi submetida a um programa de atividade física que consistia em sessões semanais de uma hora ao ritmo de improvisação ao piano com exercícios que promoviam ações cognitivas e de movimento simultâneas, com desafios do equilíbrio e manipulação de objetos como bolas e instrumentos musicais de percussão.
O programa tinha a duração de seis meses e, após esse período, os voluntários eram orientados a voltar às suas atividades habituais. Um segundo grupo de voluntários iniciava o mesmo programa após o encerramento das atividades do primeiro grupo. Ambos os grupos eram avaliados no início do estudo e após 6 e 12 meses. Os resultados revelaram que o programa promoveu a melhora do desempenho da marcha e do equilíbrio e ainda reduziam o risco de queda em 54%, efeitos que persistiram por seis meses após sua interrupção.
O treinamento utilizado no presente estudo também é conhecido por Eurritmia de Jacques-Dalcroze, método de educação ritmo-musical musical do corpo desenvolvido ainda no início do século 20 pelo músico suíço de mesmo nome e que é praticado em várias partes do mundo em atividades que vão da música, dança e teatro até terapia. Resultados um pouco mais modestos que os do presente estudo já foram descritos com a prática de Tai Chi e outros métodos que estimulam o equilíbrio. Entretanto, não é possível traçar comparações, pois as metodologias e populações estudadas foram bem distintas.
Queda da própria altura é um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal e aos 80 anos apenas cerca de 20% caminham sem dificuldades. Além disso, anualmente, um terço dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda e metade desses cai de forme recorrente, 30% das vezes levando a alguma injúria e em 6% dos casos resultando em fratura. Com o crescente envelhecimento da população, esse é um problema que se torna cada dia mais sério.
A atual pesquisa chama a atenção para o fato de que qualquer leve melhora no desempenho cerebral e muscular de um idoso pode fazer a diferença na redução do seu risco de queda. O interessante da estratégia utilizada é que ela estimula funções motoras e cognitivas de forma integrada.
** Vale lembrar que há boas evidências de que o uso de vitamina D em altas doses é capaz de aumentar a força muscular e o equilíbrio entre os idosos e reduzir em 20% o risco de quedas.

A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, publicou esta semana um estudo que demonstra que mulheres idosas com dietas ricas em vitamina D têm desempenho cognitivo melhor do que aquelas com ingesta insuficiente da vitamina.
Evidências recentes têm demonstrado que uma baixa concentração de vitamina D no sangue está associada a cérebros menos afiados, não só entre idosos e mulheres, mas também entre adultos de meia idade. A atual pesquisa acrescenta um dado inédito ao mostrar que a fonte dietética de vitamina D pode fazer diferença. Esse é um passo fundamental antes de se partir para um estudo de suplementação de cápsulas de vitamina D entre idosos com déficit cognitivo e baixos índices da vitamina.
Não se levava muito em consideração o impacto da dieta sobre o nível de vitamina D em nosso organismo, já que 90% são dependentes de sua síntese na pele por exposição ao sol. A dieta contribui com os outros 10% especialmente através de alimentos enriquecidos com a vitamina, óleo de fígado de bacalhau, peixes, e de forma menos importante, gema de ovo e fígado. Os vegetais contêm concentrações de vitamina D mínimas.
A deficiência de vitamina D sempre foi muito associada a problemas ósseos nas crianças e também nos adultos, mas nos últimos anos, começou-se a entender que sua deficiência também poderia estar associada a alterações do funcionamento cerebral. A vitamina D também atua no cérebro e sabe-se que ela está associada à expressão de diferentes proteínas e células essenciais para sua função e estudos experimentais sugerem que sua deficiência pode estar associada a disfunções cerebrais inflamatórias e vasculares que podem culminar em processos degenerativos.
Os próximos passos a serem dados serão estudos que consigam definir se uma dieta rica em vitamina D ou mesmo suplementos de vitamina D são capazes de prevenir, ou mesmo reverter déficits cognitivos. Enquanto isso, os médicos devem estar conscientes da alta freqüência de déficit da vitamina na população idosa.
Podemos dizer também que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em ômega 3 (ex: salmão, atum, sardinha), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.
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Se alguém ainda se pergunta se as mudanças climáticas têm alguma coisa a ver com saúde, é bom saber que tem muito a ver e o problema já é considerado como a maior ameaça à saúde das pessoas no século 21.
Uma série de estudos mostra que o aquecimento global está associado ao aumento da incidência de doenças infecciosas como a dengue e a malária e ao aparecimento das mesmas em regiões do planeta em que não existiam antes. Além disso, a mortalidade por doenças cardiovasculares é maior nos extremos de temperatura, especialmente no calor. Isso sem falar do crescente número de catástrofes naturais como furacões e ciclones.
Médicos poderiam dar sua colaboração profissional para a redução de emissão de gases e aquecimento do planeta adicionando ao atendimento dos pacientes algumas recomendações ecológicas básicas. Uma regra simples que pode ajudar e vale a pena refletir é a de que aquilo que faz bem ao clima do planeta também faz bem à saúde do homem.
Redução de emissão de gases implica em usar menos o carro, caminhar e pedalar mais. Atividade física reduz o risco de inúmeras doenças crônicas como infarto do coração, derrame cerebral, depressão, diversos tipos de câncer e demência. Outra ação que favorece o clima do planeta é a redução no consumo de produtos animais que tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. O homem também se beneficia: menos alimentos animais significa maior longevidade.
A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico britânico Occupational and Environmental Medicine demonstrou que o telefone celular ao longo prazo pode estar associado ao sintoma de zumbido.
Os pesquisadores avaliaram 100 indivíduos consecutivos que procuraram o serviço de otorrrinolaringologia na Universidade de Viena com queixas de zumbido, um terço deles com sintomas bilaterais. Esses voluntários foram comparados a um grupo controle sem os sintomas, pareados por idade e gênero. Foram excluídos aqueles que apresentavam doenças do ouvido e que tenham feito uso de medicações potencialmente associadas ao zumbido. Foram excluídos também pacientes com doenças sistêmicas e psiquiátricas severas. Mais de 90% dos voluntários incluídos no estudo faziam uso do telefone celular.
Os resultados apontaram que o uso do telefone celular por um tempo maior que quatro anos está associado a uma maior chance de zumbido do lado em que o celular é utilizado. Esse efeito não foi demonstrado no caso de zumbido do lado oposto ao uso do celular.
O zumbido no ouvido, condição também conhecida como tinnitus subjetivo, é a percepção de um ruído que não pode ser atribuído a uma fonte externa e chega a acometer 10-15% dos adultos, especialmente os idosos. O sintoma pode ser percebido como um ruído no ouvido ou até mesmo da cabeça, com caráter variado: cachoeira, cigarra, campainha, sino, apito, etc.
Trauma craniano, medicações tóxicas ao ouvido, perdas da audição por exposição a ruídos e quase toda doença que acomete o ouvido podem vir acompanhadas de zumbido. Pode ser bilateral ou apenas de um lado, e quando pulsátil, pode sugerir comprometimento dos vasos sanguíneos. Entretanto, na grande maioria dos casos, a causa do zumbido é incerta.
Como o tratamento não costuma ser eficaz, medidas de prevenção são muito importantes, já que o problema está associado a estresse psicológico, transtornos do sono e dificuldades no trabalho. Teoricamente, o campo eletromagnético emitido pelos aparelhos de celular é absorvido pelas estruturas do ouvido e pode alterar a dinâmica desse sistema e gerar zumbido. O presente estudo sugere que o uso do telefone celular ao longo prazo pode sim ser um fator de risco para zumbido, mas novas pesquisas deverão ser realizadas para confirmar esse achado.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry sugere que os atuais critérios para o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) entre adultos devem ser modificados para a próxima edição (DSM V), com a incorporação de mais sintomas que reflitam dificuldades nas funções executivas.
Após entrevista de cerca de 350 adultos, os resultados apontaram que 45.7% dos adultos que apresentaram o diagnóstico de TDAH na infância persistiram com o transtorno na idade adulta, sendo que o déficit de atenção foi bem mais persistente do que a hiperatividade: 95% e 34.6% respectivamente. Apesar da maior persistência do déficit de atenção, esse é um sintoma frequentemente associado a outros transtornos psiquiátricos e teoricamente não deveria ser considerado um forte critério que discrimina o diagnóstico de TDAH desses outros problemas.
O resultado mais importante da presente pesquisa foi a demonstração de que sintomas que refletem problemas de funções executivas, como é o caso de planejamento e capacidade de resolução de problemas, são os mais específicos e que melhor auxiliam no diagnóstico do TDAH em adultos. Três dos atuais critérios (DSM IV) dizem respeito à dificuldade de funcionamento executivo (dificuldade em organizar as tarefas, comete erros por descuido, perde muito as coisas). Entretanto, a presente pesquisa mostrou que outros sintomas de disfunção executiva, ainda não incluídos nos atuais critérios, têm grande potencial de incrementar a nova classificação. Entre eles podemos destacar: dificuldade de planejamento e de definir prioridades.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido bastante explorado entre as crianças e só recentemente passou também a ser melhor entendido nos adultos. Estima-se que cerca de 60% das crianças com diagnóstico de TDAH continuam a apresentar os sintomas (desatenção, inquietude, impulsividade) durante a adolescência e idade adulta. Entretanto, o diagnóstico de TDAH nos adultos ainda é um tema controverso, especialmente no que diz respeito aos seus critérios diagnósticos.
Pesquisas demonstram que 3.5% dos adultos inseridos no mercado de trabalho podem ser classificados como portadores de TDAH. Esses indivíduos apresentam mais absenteísmo e menos desempenho no trabalho quando comparados a indivíduos sem TDAH. Apesar de apenas uma minoria receber tratamento específico, uma grande proporção é tratada por outros transtornos mentais, considerados como comorbidades: problemas que são mais comuns entre os que têm diagnóstico de TDAH, como é o caso de ansiedade, depressão e abuso e dependência de substâncias psicoativas.
Dr. Ricardo Teixeira, titular do Consciência no Dia-a-Dia, foi um dos poucos brasileiros a serem incluídos na tradicional e respeitada publicação Who´s Who in the World em sua edição 2011.
A publicação integra os perfis profissionais de pessoas que se destacaram nas suas áreas, em mais de 215 países. Uma em cada 100 mil pessoas no mundo é selecionada para o Who´s Who in the World.
Um brinde!
Sucos de uva contêm grandes quantidades de substâncias conhecidas por polifenóis e flavonóides, especialmente quando feitos das uvas do tipo Concord, que são ricas em proantocianidina e antocianina, e do tipo Niágara, ricas em proantocianidina. O resveratrol é um polifenol que tem sido muito comentado nos últimos anos como um dos componentes do vinho tinto que responde pelos seus efeitos benéficos à saúde. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria-RS demostraram que os sucos de uva produzidos no Brasil também são ricos em resveratrol (Sautter et al., Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 2005)
Essas substâncias têm propriedades antioxidantes e antiinflamatórias que têm o potencial de melhorar a sinalização entre os neurônios e reduzir alterações cerebrais associadas a doenças neurodegenerativas, como é o caso da Doença de Alzheimer, e podem ter importante papel na redução do risco dessas doenças. Potencial benefício é uma coisa. Mas quais são as evidências de que faz alguma diferença?
Em roedores já em idades avançadas, suco de uva por 6 a 8 semanas promoveu melhora do desempenho cognitivo (Shukitt-Hale et al., Nutrition 2006). Em humanos com doenças cardiovasculares, suco de uva melhora os índices de colesterol e a função dos vasos sanguíneos (endotélio) e ainda reduz a tendência de agregação das plaquetas. Entre idosos com dificuldades no processamento de memória e sem demência, suco de uva do tipo Concord por 12 semanas melhorou o desempenho da memória (Krikorian et al., British Journal of Nutrition 2010). Entretanto esse estudo foi realizado com um número reduzido de idosos e pesquisas mais robustas são necessárias para uma melhor definição sobre os efeitos do consumo de suco de uva sobre as funções cognitivas.
O consumo diário de frutas e verduras é um consenso quando se pensa em prevenção da Doença de Alzheimer e algumas frutas podem ser mais eficientes que outras. A uva é um forte candidato ao lado de outras frutas com cores fortes como é o caso do morango, amora, framboesa, acerola, açaí e mirtilo, este último pouco conhecido no Brasil e chamado de Blueberry no hemisfério norte.
Resfriados são menos comuns e menos fortes em quem faz atividade física regular. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada nesta semana pelo British Journal of Sports Medicine.
Cerca de mil americanos adultos com até 85 anos foram estudados por 12 semanas durante o outono e inverno do ano de 2008. Quatro de cada dez voluntários tinham menos de 40 anos e um em cada quatro tinha mais de 60 anos. Sessenta por cento deles eram mulheres.
Todos os participantes do estudo foram avaliados quanto ao nível de atividade física aeróbica e foram submetidos a uma auto-avaliação de preparo físico por uma escala de dez pontos já bem validada. Responderam também a questionários que avaliavam sintomas de resfriado, hábitos de vida e ocorrência de eventos recentes que tenham provocado estresse psicológico, já que esses podem afetar a resposta do sistema imunológico.
Os resultados mostraram que o número de dias com sintomas de resfriado foi maior no inverno: uma média de 13 dias no inverno e 8 dias no outono. O número de dias com sintomas de resfriado foi cerca de DUAS VEZES MENOR entre aqueles que se sentiam em boa forma física e relatavam fazer atividade física pelo menos cinco vezes na semana quando comparados àqueles que se exercitavam apenas uma vez por semana ou até menos que isso. A severidade dos sintomas era 41% menor entre aqueles que se sentiam em forma e 31% menor naqueles que se exercitavam mais.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrado associação entre atividade física moderada e menor risco de resfriados. Porém, nenhuma delas usou uma ferramenta bem validada que tenha medido de forma objetiva os sintomas, como foi o caso do presente estudo.
O efeito protetor da atividade física contra infecções se dá pelo aumento temporário de anticorpos e células de defesa do corpo e, apesar do sistema imunológico retornar ao nível basal após poucas horas, cada um desses incrementos é capaz de melhorar a defesa contra microorganismos agressores. Por outro lado, sabe-se que a atividade física exagerada pode levar a uma disfunção do sistema imunológico, inflamação e estresse oxidativo, aumentando o risco de infecções. Pesquisas também apontam que atletas profissionais podem ter o sistema imunológico menos vulnerável a essas atividades extenuantes.
Diferente da gripe que é causada por um único tipo de vírus, o Influenza, os resfriados são causados por mais de 200 diferente vírus, o que faz com que uma vacina anti-resfriado seja uma realidade muito distante. Entretanto, as pesquisas têm demonstrado que o exercício físico regular tem muito a ajudar na prevenção do problema. Pouco estresse no dia a dia, sono regular e dieta equilibrada também têm o seu papel.
Por Miguel Nicolelis*, especial para o Viomundo
Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.
Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista. Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.
Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.
Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente. De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.
Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana. Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.
Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano. Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.
Para quem, como eu, vive há 22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos. Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam. O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.
Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos. Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.
Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo. Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.
Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional. Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.
Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista. Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.
Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais. Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.
George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática. Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.
Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.
Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem). No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa. Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.
Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação. Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel. Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadeira enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma .
Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano. Nós merecemos algo muito melhor. Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas, conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.
Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.
Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.
Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos pro mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical. Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!
Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel. Parece inofensivo. Motivo de pilhéria. Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda. Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações aqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.
Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho. Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa, em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.
Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:
Candidato, será que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula. Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!
* Miguel Nicolelis é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. É professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN). Em 2008, foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina.
É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo / Procurando antenar boas vibrações / Procurando antenar boa diversão.
Chico Science
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Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.
A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. O tipo de cefaléia chamada atualmente de cefaléia do tipo tensional já teve diferentes nomes como cefaléia por contração muscular, cefaléia do estresse e cefaléia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.
É difícil dizer o quanto a cefaléia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos, mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10 até 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaléia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%), quando comparado às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.
As crianças costumam apresentar crises de cefaléia do tipo tensional já por volta dos sete anos, com crises que costumam durar cerca de duas horas e usam medicações para dor em média uma vez por mês. Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia (Robberstad et al., Neurology 2010) confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaléia do tipo tensional. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas. Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de mini-executivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina mito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, pressão que muitas vezes já começa anos antes do início das provas.
UMA EM CADA SEIS PESSOAS NO MUNDO TERÁ UM AVC EM SUA VIDA E A CADA SEIS SEGUNDOS MORRE UMA PESSOA COM A DOENÇA.
O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por AVC ou derrame, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.
No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença.
O AVC é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O AVC é uma catástrofe que tem tratamento e também pode ser prevenida.
Quando uma pessoa tem uma forte dor no peito e suspeita que possa estar tendo um infarto do coração, ela não pensa duas vezes e corre para o hospital mais próximo. Essa atitude salva muitas vidas, pois quanto mais precocemente o tratamento para o infarto for iniciado, maior a chance de sucesso.
No caso do AVC, a rapidez no tratamento também salva vidas e reduz a chance de seqüelas. Infelizmente os sintomas de AVC são mais variados do que o do infarto do coração e bem menos conhecidos pelo público leigo, e isto dificulta a rápida procura por assistência médica.
Como identificar um AVC?
Suspeitar toda vez que ocorrer algum destes sintomas de forma REPENTINA:
- Fraqueza de um lado do corpo
- Dormência de um lado do corpo
- Dificuldade visual
- Dificuldade para falar
- Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
- Incapacidade de se manter em pé
** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. R icardo Teixeira na Rádio CBN veiculado no dia 29 outubro de 2010.
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Uma pesquisa publicada na edição de setembro do periódico Journal of Sleep Research aponta que sono e trabalho influenciam um ao outro num círculo vicioso: o excesso de trabalho está associado a privação de sono e que por sua vez reduz a produtividade.
Os pesquisadores entrevistaram mil americanos que trabalhavam pelo menos 30 horas semanais sobre as suas condições de trabalho e produtividade, assim como a qualidade do sono. Os resultados mostraram que longas jornadas de trabalho estavam associadas a um sono mais curto que vinha acompanhado de um trabalho de pior qualidade, que incluía menos concentração e organização, e falta de paciência com os colegas. Foi demonstrado também que 37% por cento dos voluntários foram classificados como pessoas de risco para ter algum transtorno do sono e apresentavam piores indicadores no trabalho. Cerca de 30% relataram extrema sonolência no trabalho e 20% assumiram que esse era um fator que afetava sobremaneira a produtividade. Presenteísmo é o termo que melhor define essa condição: o indivíduo vai ao trabalho, mas não rende.
O presente estudo confirma resultados anteriores que já mostravam que quanto mais horas o indivíduo se dedica ao trabalho, menos tempo ele dorme. E esse tempo trabalhando tem crescido lado a lado ao avanço tecnológico, que permite cada vez mais que o trabalho seja complementado em casa. Por fim, o estudo encorpa ainda mais as evidências de que a saúde de uma empresa e de seus colaboradores podem se beneficiar sobremaneira com uma maior consciência sobre os efeitos deletérios de um excesso de horas de trabalho e a necessidade de um sono de qualidade.
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As opiniões sobre as mudanças na rotina com o início do horário de verão são bem divididas: muitos gostam enquanto outros optariam pela manutenção do horário antigo. E qual é a opinião do nosso corpo? Essa mudança faz diferença para nossa saúde? Um estudo sueco publicado em 2008 pelo respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão está associada a um maior risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006.
A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação, aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas.
Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.
Pode ser que no futuro as autoridades passem a implantar o horário de verão com uma maior flexibilização de horário na primeira semana. Na hora de fazer as contas do custo-benefício da mudança, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.
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Um dos grandes marcos da medicina desse início de século foi o estudo Women’s Health Initiative (WHI) que teve de ser interrompido no ano de 2002, quando se demonstrou que a terapia de reposição hormonal (TRH) tinha mais potencial de provocar danos à saúde às mulheres na menopausa do que um comprimido placebo. Desde então, as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíram drasticamente, e já são muitas as evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
Nesta semana, o JAMA, periódico oficial da Associação Médica Americana, publicou mais um desdobramento do estudo WHI. Desta vez, após 11 anos de seguimento de mais de 16 mil mulheres, os pesquisadores confirmaram que a frequência de câncer de mama realmente é maior com o uso da TRH e que a doença é mais agressiva quando associada a esse tipo de tratamento: diagnóstico em estágios mais avançados da doença, lesões maiores e maiores índices de mortalidade.
Novos estudos deverão testar a segurança da TRH por períodos mais curtos e com doses mais baixas, e já existem alguns resultados otimistas nesse sentido: a TRH por via transdérmica, ou seja, por adesivos na pele, parece não aumentar o risco de derrame cerebral. Com o corpo de conhecimento que temos até o momento, é fundamental que o médico discuta muito bem o custo-benefício da TRH para que a mulher tome a decisão da forma mais consciente possível.
Obs: Já foi demonstrado que as vendas de medicações para TRH caíram fortemente já no primeiro ano após os primeiros resultados do estudo WHI. É de se esperar que futuras pesquisas evidenciem uma diminuição da mortalidade por câncer de mama nos últimos anos, e a redução da indicação de TRH pode ter sua parcela de contribuição.
RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)
1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;
2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;
3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;
4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;
5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.
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A obesidade é reconhecida como um importante fator de risco de doenças muito sérias como o diabetes, infarto do coração, derrame cerebral e vários tipos de câncer. Atividade física e restrição calórica são as principais atitudes para se combater o problema, mas a ciência tem mostrado que uma boa noite de sono também pode fazer muita diferença. Uma pesquisa publicada em edição de outubro do periódico Annals of Internal Medicine demonstrou que indivíduos com sobrepeso e submetidos a restrição calórica, ao dormirem pouco, perdem peso mais por redução de massa magra (músculos) do que de gordura.
Dez voluntários com índice de massa corporal de 25 a 32 kg/m2 participaram de um programa que incluía uma dieta de restrição calórica estritamente controlada e experimentavam dois ciclos de duas semanas cada um em que dormiam 5.5 horas por noite ou 8.5 horas. A média de perda de peso não foi diferente quando dormiam pouco ou muito (3 kg e 2.9 kg). Entretanto, quando dormiam 5.5 h, perdiam mais massa magra e menos gordura, o inverso do recomendável num programa de restrição calórica e, além disso, sentiam mais fome. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.
Vários hormônios foram monitorizados durante o estudo, e um deles, a grelina, mostrou-se em concentrações aumentadas no ciclo do experimento de 5.5 h de sono. Esse aumento de grelina é coerente com os resultados encontrados, já que o hormônio está associado ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo. O hormônio leptina, que tem efeito contrário, não se mostrou diferente nos diferentes ciclos de sono. Entretanto, algumas pesquisas anteriores já haviam demonstrado que, quando há restrição calórica, a privação de sono está associada a uma menor concentração de leptina no sangue.
A conclusão do estudo é que indivíduos submetidos a uma dieta de restrição calórica devem ser encorajados a dormir um número de horas adequado para perder gordura e preservar a massa magra do corpo. E o que significa número adequado de horas de sono? Para a grande maioria da população adulta isso corresponde a sete a oito horas. Vale lembrar que quanto mais tempo se fica acordado, maior a chance de consumir calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.
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O objetivo do evento, organizado pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas, é congregar profissionais de várias áreas envolvidas com as neurociências, fortalecendo a abordagem interdisciplinar.Neurogenética, esquizofrenia, acidente vascular cerebral, neuroimagem e comportamento, gênese da obesidade, plasticidade e memória, demências e doenças neurológicas serão alguns dos assuntos em debate.“Aspectos neuromusculares das doenças causadas por expansão de tripletos”, “As dimensões sintomatológicas da esquizofrenia”, “Neuroplasticidade e memória: do comportamento às moléculas”, “Imagem funcional e estrutural cerebral no estudo do comportamento social humano” serão temas de palestras.A jornada será realizada no auditório da FCM.
Participarei do evento no dia 24 com a palestra “O que há de novo no tratamento das doenças neurológicas”.
Mais informações: www.lepedic.com.br/eventos/neurociencias2010
Hoje em dia, uma boa parte do tempo que se gasta em frente a um médico é para monitorização de índices como o colesterol e a glicose no sangue. O aminoácido homocisteína é mais um desses índices vigiados pela medicina moderna.
Altos níveis no sangue de homocisteína têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade desse aminoácido no sangue. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine (Associação Médica Americana) demonstra que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.
Os pesquisadores avaliaram os resultados de oito grandes estudos sobre o tema que envolveram mais de 37 mil indivíduos com homocisteína elevada, metade deles tendo feito uso de ácido fólico na dose de 0.4 a 40 mg e a outra metade tendo utilizado placebo. Aqueles que usaram ácido fólico tiveram uma redução de 25% nas concentrações de homocisteína. Após um acompanhamento médio de cinco anos, a suplementação de ácido fólico não reduziu os números de mortalidade e de novos casos de infarto do coração, derrame cerebral e câncer. Por outro lado, o uso de ácido fólico também não aumentou o risco de doenças ou mortalidade, o que reforça a segurança de sua suplementação a mulheres férteis com o objetivo de evitar malformações congênitas.
Esse estudo chama a atenção para duas questões muito importantes. A primeira é que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Um outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Recentemente, uma série de estudos identificou que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.
A segunda questão é que os suplementos vitamínicos e minerais costumam ser vistos pela sociedade como produtos inofensivos: se não faz bem, mal é que não vai fazer. Infelizmente, isso não é verdade. Os suplementos, quando mal indicados, podem sim fazer mal à saúde. Recentemente, discutimos o maior risco de infarto do coração associado à suplementação de cálcio.
Nos EUA, estima-se que 50% dos adultos usam algum tipo de suplemento alimentar, e no Brasil, essas cifras são menores, mas nada desprezíveis. Ironicamente, as pessoas que mais fazem uso desses suplementos são aquelas que têm estilo de vida mais saudável. São as que praticam mais atividade física, estão mais em dia com a balança, fumam menos e têm maior nível educacional. E quem é que realmente precisa de suplementos? A resolução 1938-2010 do Conselho Federal de Medicina que regulamente a prática da medicina ortomolecular facilita bem esta resposta: “É vedado o uso de quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados“. É isto que a medicina baseada em evidências tem a nos dizer na atual fase do conhecimento.
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