Um dos grandes marcos da medicina desse início de século foi o estudo Women’s Health Initiative (WHI) que teve de ser interrompido no ano de 2002, quando se demonstrou que a terapia de reposição hormonal (TRH) tinha mais potencial de provocar danos à saúde às mulheres na menopausa do que um comprimido placebo.  Desde então, as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíram drasticamente, e já são muitas as evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.

 

Nesta semana, o JAMA, periódico oficial da Associação Médica Americana, publicou mais um desdobramento do estudo WHI. Desta vez, após 11 anos de seguimento de mais de 16 mil mulheres, os pesquisadores confirmaram que a frequência de câncer de mama realmente é maior com o uso da TRH e que a doença é mais agressiva quando associada a esse tipo de tratamento: diagnóstico em estágios mais avançados da doença, lesões maiores e maiores índices de mortalidade.

 

Novos estudos deverão testar a segurança da TRH por períodos mais curtos e com doses mais baixas, e já existem alguns resultados otimistas nesse sentido: a TRH por via transdérmica, ou seja, por adesivos na pele, parece não aumentar o risco de derrame cerebral. Com o corpo de conhecimento que temos até o momento, é fundamental que o médico discuta muito bem o custo-benefício da TRH para que a mulher tome a decisão da forma mais consciente possível.

 

Obs: Já foi demonstrado que as vendas de medicações para TRH caíram fortemente já no primeiro ano após os primeiros resultados do estudo WHI. É de se esperar que futuras pesquisas evidenciem uma diminuição da mortalidade por câncer de mama nos últimos anos, e a redução da indicação de TRH pode ter sua parcela de contribuição.

 

RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

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** CLIQUE AQUI e confira bate-papo entre o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio no dia 22 de outubro 2010 na Rádio CBN Brasília. Eles discutem uma pesquisa recém-publicada pelo periódico JAMA que analisa o custo-benefício do tratamento de reposição hormonal em mulheres na menopausa.

 

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