O planejamento estratégico é uma das maiores armas que as empresas dispõem para garantir o crescimento e a viabilidade de seus negócios ao longo dos anos. É fato que existem muitas pessoas habilidosas que conduzem as decisões da empresa de forma instintiva, sem planejamento formal, e o negócio vai muito bem, obrigado. Isto hoje. E amanhã? Um cientista não começa um experimento sem que o método esteja muito bem descrito, incluindo como os resultados serão analisados ao final do trabalho. É difícil imaginar que Amyr Klink teria conseguido fazer o que fez sem sua preciosa capacidade de planejamento.

 

Muitas pessoas atravessam os anos gastando semanas de reuniões para a formulação do planejamento de seu negócio ou dos outros, e não chegam a investir sequer minutos rabiscando idéias de seu próprio planejamento pessoal. Muitos certamente têm bastante simpatia com a música do talentoso Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”. Outros não concordam com isso e parece que esse devia ser o caso do filósofo Sêneca que nos deixou a famosa frase: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.

 

Podemos nos valer de algumas idéias do MÉTODO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO do mundo corporativo para promover nossa saúde. São várias as dimensões essenciais de nossa vida que devem fazer parte dessa reflexão: atividade física, sono, alimentação, família, amigos, carreira profissional, lazer, sexualidade, espiritualidade, etc.

 

Vamos começar por nossa ANÁLISE INTERNA. Aqui devemos focar em nossas próprias forças e fraquezas. Esse não é um processo exato, mas é bem provável que o rumo de sucesso em saúde mais certeiro seja o de solidificar / aumentar nossas forças e corrigir nossas fraquezas.  Ao elencarmos nossas forças e fraquezas, podemos priorizá-las e definir quais são aquelas em que devemos mais investir. Uma boa dica é começar investindo naquelas que sejam sustentáveis ao longo prazo. Talvez não valha a pena gastar tantos esforços com dietas de promessas milagrosas para colocar o peso em dia. Dieta da Ração Humana? Difícil imaginar que alguém consiga manter uma dieta dessas por muito tempo. Da mesma forma, não vale a pena apostar alto na correção de uma fraqueza em que o resultado não vai nos trazer muita vantagem. Para quem está saindo do sedentarismo, não faz sentido alcançar uma meta de três horas de atividade física diária e desorganizar vários outros fatores como o convívio familiar, sono e lazer. Meia hora por dia já um bom começo.

 

Um segundo passo é identificar o quanto nossas forças são raras, pois estas devem ser muito bem cuidadas.  São essas forças raras que costumam dar um tempero especial na vida, trazendo realização pessoal e felicidade. E pessoas mais felizes são mais saudáveis. Quanto às fraquezas, uma boa sugestão é a de priorizar nossos reparos com foco em dois momentos. Primeiro resolver a curtíssimo prazo aquilo que é fácil de consertar. Parar de fumar não é fácil, mas para quem fuma, esta é a PRIORIDADE NÚMERO UM e a decisão pode ser imediata. Pensando mais a médio e longo prazo, devemos depositar um grande contingente de energia no reparo de fraquezas que são difíceis de corrigir e que nos trazem desvantagem. Difícil de corrigir significa que a deficiência não pode ser corrigida da noite pro dia, mas não quer dizer que seja a coisa mais difícil ou penosa do mundo. Estamos falando de sono irregular, maus hábitos alimentares e sobrepeso, falta de lazer, atividade física, interação social e interesse sexual. A análise interna pode ser vista como aquilo que poderíamos fazer para melhorar.

 

Por fim, a decisão do que devemos fazer com nossas forças e fraquezas deve ser permeada também por aquilo que gostaríamos de fazer para melhorar, e para isso é necessário identificarmos com muita clareza qual é nossa missão nessa vida e quais são os nossos valores. As empresas costumam pendurar em suas paredes frases de efeito descrevendo suas missões e valores, mas poucas realmente se comprometem a seguir fielmente o que está ali escrito. Assim como as empresas, somos pressionados por todos os lados para não darmos conta de fazer aquilo que acreditamos e que faz parte do nosso discurso. Ser fiel aos nossos propósitos traz realização pessoal e certamente trará benefícios à saúde.

 

Após essa análise interna, podemos passar para a construção do cenário externo, que é a percepção das ameaças e oportunidades que nos rondam no presente e que nos aguardam no futuro. Se vivemos numa cidade em que o trânsito está ficando cada vez mais caótico, e só tende a piorar, esse fator que vem “de fora” deve fazer parte do planejamento de nossa vida, já que um dia pode vir a anular nossas forças, nossa saúde. O mesmo podemos dizer para um trabalho em que assédio moral é uma constante. Por outro lado, é bom ficar de olho nas oportunidades. Se um(a) amigo(a) inicia um programa de exercícios físicos, esta pode ser uma grande chance para se pegar carona no embalo do(a) amigo(a). Se o restaurante do local de trabalho dá a opção de peixe, essa escolha duas a três vezes por semana deveria ser vista como pleno aproveitamento de oportunidades (exceto para aqueles que odeiam peixe). Parte desse cenário externo pode ser visto como aquilo que deveríamos fazer para melhorar.

 

Planejar minimamente nossas escolhas e ações pode nos ajudar a integrar nossos ideais com o que realmente fazemos no nosso dia a dia. Isso é viver com integridade, em busca de uma vida não fragmentada e com mais saúde. É bom ter em mente que não são poucas as coisas que fogem do nosso controle, e nisso o Zeca Pagodinho tem razão em deixar rolar quando a coisa não sai do jeito planejado. Colocando o Zeca e o Sêneca pensando juntos, o pagode poderia sair assim: Se conheço bem para onde vou, vida leva eu, com vento bom, E PRO MELHOR LUGAR. 

 

 

CLIQUE AQUI e confira esta conversa com o Dr. Ricardo Teixeira veiculada na Rádio CBN Brasília no dia 31 de dezembro 2010. Dr. Ricardo faz uma provocação de que podemos utilizar ferramentas do planejamento estratégico do mundo corporativo para o planejamento de nossa própria saúde.

 

 

 

 

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