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Esta semana, tivemos mais uma evidência do quanto que o uso crônico da maconha pode deixar o cérebro mais bobo e também da maior vulnerabilidade do cérebro adolescente à toxicidade da droga.
Mais de mil voluntários neozelandeses foram acompanhados desde o nascimento até os 38 anos de idade e durante esse período foram submetidos a testes psicológicos e a questionários que avaliavam o consumo de maconha. Os resultados apontaram que quanto maior o consumo, maior também o declínio nos testes cognitivos, chegando a perder em média 8 pontos nos testes de QI entre os 13 e 38 anos de idade e os que tiveram mais prejuízo foram os que iniciaram o uso da droga no início da adolescência. Além disso, o desempenho não foi recuperado totalmente entre aqueles que interromperam seu uso. A pesquisa foi publicada na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
No mês passado, tivemos outra prova incontestável de que o cérebro adolescente é realmente mais sensível aos efeitos tóxicos da maconha (Brain julho 2012). Através de uma nova técnica de ressonância magnética, foram demonstradas alterações microestruturais que reduzem a eficiência das conexões cerebrais entre usuários crônicos de maconha. Mais uma vez, as perdas foram maiores naqueles que começaram a fumar já no início da adolescência.
Uma pesquisa recém-publicada no periódico Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology confirma evidências anteriores de que as mulheres com o diagnóstico da Doença de Alzheimer apresentam declínio cognitivo mais acelerado que os homens.
Pesquisadores da Universidade de Hertfordshire nos EUA conduziram uma metanálise de quinze diferentes estudos que investigaram diferenças de gênero na evolução da doença envolvendo mais de dois mil voluntários. Os resultados apontaram que, após o diagnóstico de Alzheimer, os homens têm um melhor desempenho em diferentes domínios cognitivos como memória, habilidades visuo-espaciais e até mesmo linguagem, função esta que as mulheres levam vantagem sobre os homens quando se pensa em indivíduos saudáveis. No envelhecimento normal, as mulheres não ficam para trás.
A chance de apresentarmos um quadro de demência chega a 25% após os 80 anos, 50% após os 90, sendo que a causa mais comum é a Doença de Alzheimer. Ela é mais freqüente entre as mulheres e as evidências apontam que as lesões cerebrais associadas à doença têm maior repercussão clínica entre elas. A atual pesquisa solidifica o conceito de que a doença nas mulheres é mais agressiva e as explicações mais cogitadas para essas diferenças são a herança genética da doença que tem mais influência sobre as mulheres, o declínio dos níveis do hormônio estradiol após a menopausa e uma maior reserva cerebral nos homens.
Para a prevenção da Doença de Alzheimer, podemos começar ou manter algumas atitudes que já são consenso: atividade física regular, manter o cérebro ocupado e o peso em dia, comer peixe, se possível duas vezes por semana, e evitar substâncias tóxicas ao cérebro como o cigarro e o excesso de álcool.
Uma pesquisa publicada esta semana na revista Neurology, periódico oficial da Academia americana de Neurologia, confirma que o consumo de chocolate diminui o risco de derrame cerebral. O estudo incluiu trinta e sete mil homens suecos que foram acompanhados de forma prospectiva por um período médio de 10 anos.
Os pesquisadores avaliaram esses resultados em conjunto com os de estudos anteriores e concluíram que o efeito positivo do chocolate na prevenção de derrame cerebral estende-se também às mulheres. E de onde vem esse poder do chocolate? Alguns componentes do cacau têm ações antioxidantes, antiinflamatórias, reduzem os níveis da pressão arterial e aumentam os do bom colesterol, inibem a coagulação sanguínea e ainda melhoram a função do endotélio, camada mais interna dos vasos.
Não devemos ir com muita sede ao pote, já que o alto valor teor calórico do chocolate pode colocar em xeque todos esses potenciais benefícios se desequilibrar a balança. Aliás, esses benefícios são do cacau e, por isso, os chocolates com altas concentrações do fruto são as grandes estrelas.
Emoções positivas, o sorriso, o estado de felicidade, todos podem ser vistos do ponto de vista evolutivo como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nos outros, recompensar os esforços dos outros e encorajar a continuidade da relação social. E o sucesso da espécie humana depende de sua capacidade de fazer relações sociais.
O humor certamente é um dos ingredientes desses sentimentos prazerosos e, além dessa função social, admite-se que ele age como antídoto para emoções negativas ajudando a promover o equilíbrio mental. Mas será que todo tipo de humor tem esse poder? Uma pesquisa recentemente conduzida por pesquisadores da universidade de Stanford, e publicada no periódico Cognition and Emotion, demonstrou que o humor não hostil, não sarcástico, é mais eficaz na modulação do estado emocional do que formas negativas de humor. Essa melhor modulação pode ser definida como aumento de emoções positivas e redução das negativas.
Os voluntários do estudo eram apresentados a imagens desagradáveis como acidentes, animais peçõnhentos, e depois respondiam a um questionário que avaliava o nível de reações positivas e negativas. Numa segunda série do experimento, eles eram submetidos ao mesmo procedimento, só que antes de responder ao questionário, eles deveriam fazer um comentário sobre as imagens utilizando duas formas diferentes de humor: positivo ou negativo.
Os pesquisadores davam exemplos de cada um desses tipos de humor em cada uma das imagens, mas os voluntários deveriam criar seu próprio comentário. No caso de uma imagem de uma cobra atacando uma presa, um comentário com humor positivo seria: “ Isto sim que é olho maior que a barriga”. No caso de humor negativo seria algo como “Alimentando minha futura bolsa de couro”. O grupo de voluntários que fez comentários com humor positivo respondia ao questionário com impressões mais positivas do que aqueles que apenas assistiam às imagens ou que faziam comentários com humor negativo.
Esse humor negativo, com seu lado sarcástico, hostil, agressivo, depreciativo, é encarado desde os tempos de Freud como uma forma de descarregar algo que tem de ser reprimido. Entretanto, esse mesmo humor pode ter efeitos positivos no eqilíbrio mental em situações limites, como é o caso de pririsioneiros de guerra. Mas no dia a dia longe das catástrofes, esse humor deve ser reprimido a todo custo? O que é o humor de bom gosto e humor de mau gosto? Isso é polêmico…
Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil – pesquisa realizada em 2010 com cerca de duas mil pessoas em várias regiões do país
Interesse ou muito interesse por temas específicos |
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| Meio Ambiente | 83% |
| Saúde | 81% |
| Religião | 74% |
| Economia | 71% |
| Ciência e Tecnologia | 65% |
| Esportes | 62% |
| Arte e Cultura | 59% |
| Moda | 44% |
| Política | 29% |
*
Assuntos de interesse em Ciência e Tecnologia |
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| Ciência da Saúde | 30.3% |
| Informática e Computação | 22.6% |
| Agricultura | 11.2% |
| Engenharias | 8.4% |
| Ciências Biológicas | 6% |
| Ciências Físicas e Químicas | 3.8% |
| Matemática | 3.7% |
| Ciências da Terra | 3.7% |
| Ciências Sociais | 3.7% |
| História | 3.3% |
| Astronomia e Espaço | 1.6% |
Pesquisas continuam apontando que o médico é a fonte de informação preferida e mais confiável em questões referentes a saúde
¨ a internet transforma a CONFIANÇA CEGA em CONFIANÇA INFORMADA
Paciente deve assumir papel ativo na promoção de sua saúde e nas decisões médicas
¨ médicos têm receio de que o paciente não tenha preparo para
digerir detalhes negativos da sua condição
¨ demanda de informação de qualidade
Risco de DESPROFISSIONALIZAÇÃO do médico?
¨ Haug 1973: aumento do nível educacional e acesso ao conhecimento técnico-científico iriam promover a desprofissionalização de diversas atividades com perda do monopólio sobre o conhecimento e autoridade sobre clientes
O conteúdo levado à consulta pelo paciente é legítimo e passa a ameaçar a relação médico-paciente quando o médico se sente DESAFIADO
¨ esse desafio pode ser relacionado à maior demanda de tempo
¨ ambas as partes podem criar situações extremas
Conteúdo de saúde das mídias complementa o curto TEMPO de consulta, confirmam a impressão diagnóstica inicial e também pode
¨ suprir a demanda de humanização (fóruns)
¨ disparar a decisão da procura pelo médico
¨ enriquecer o repertório do paciente na consulta
¨ facilitar a comunicação e aderência ao tratamento
A percepção dos pacientes é a de que esse conteúdo não desconstrói a relação médico-paciente
¨ é um suporte e não um desafio
¨ o médico passa a trabalhar COM o paciente e NÃO PARA ELE
¨ atualização médica!! Para que o paciente não seja o MAIS EXPERT
dessa relação
Fóruns de doenças
¨ especialmente úteis em condições crônicas, raras e estigmatizantes
E-Doctor
¨ o papel do e-doctor é o de empoderar o usuário a continuar a busca de conhecimento em saúde para que participe de forma ativa nas decisões médicas
¨ no Brasil, o Conselho Federal de Medicina – resolução 1974/2011 artigo 3º – recomenda aos médicos não oferecer consultoria a pacientes e familiares como substituição da consulta médica presencial
Não é raro no consultório neurológico o medo e a apreensão de mulheres em tratamento para epilepsia que descobriram que estão grávidas. Exceto nos casos em que há um transtorno psiquiátrico grave associado, a grande maioria das mulheres que fazem tratamento para controle de crises epilépticas podem e devem ficar grávidas se este for o desejo.
Elenco a seguir algumas informações que devem ajudar a reduzir a ansiedade de pacientes e médicos quando frente à condição EPILEPSIA E GRAVIDEZ e podem também colaborar para a redução do ESTIGMA associado à doença.
NA COMBINAÇÃO EPILEPSIA E GRAVIDEZ:
Não há evidências de aumento de risco:
* Piora da frequência de crises epilépticas
* Estado de mal epiléptico
* Pre-eclampsia e eclampsia
* Aborto espontâneo
Não há evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes):
* Parto cesariana
* Sangramento no final da gravidez
Não há evidências de aumento de risco moderado (> 1.5 vezes):
* Contrações prematuras
* Parto prematuro
HÁ evidências de aumento de risco substancial (> 2 vezes)
quando a mulher fuma na gravidez:
* Contrações prematuras
* Parto prematuro
! Controle das crises por pelo menos 9 meses antes da gravidez signiifica uma chance de 84-92% da mulher NÂO ter crises durante a gravidez!
Toda mulher fértil deve usar ácido fólico em combinação com a medicação anti-epiléptica para reduzir o risco de malformações fetais, mesmo se não estiver planejando gravidez. Quando descobre que está grávida, a mulher não deve interromper seu tratamento. Se planeja ficar grávida, é bom discutir com o médico se há opções terapêuticas com menor risco. De todas as medicações, o valproato de sódio é o que está associado ao maior risco de malformações.
Referências:
Practice Parameter AAN, AES, Neurology 2009
North American AED Pregnancy Registry, Neurology 2012
Pesquisadores canadenses publicaram esta semana no periódico Atherosclerosis os resultados de um estudo que demonstra que o consumo de gema de ovo é quase tão ruim quanto o cigarro quando se pensa na progressão da aterosclerose.
Mais de 1200 voluntários com uma média de idade de 61 anos foram submetidos a ultrassonografia das artérias carótidas para medição de placas de aterosclerose, além de um questionário sobre hábitos de vida. Essas placas mostraram-se maiores entre os tabagistas e naqueles que consumiam mais gema de ovo, sendo que o efeito da gema foi aproximadamente uns dois terços do efeito do cigarro.
A gema de ovo tem um alto teor de colesterol e já é bem reconhecido que uma dieta rica nesse componente aumenta o risco vascular, especialmente em indivíduos de risco. Entre diabéticos, pesquisas mostram que o consumo de um ovo por dia aumenta esse risco em duas a cinco vezes. Também há evidências recentes de que o consumo de ovo aumenta o risco de desenvolver diabetes.
Por que tanta polêmica com o ovo? Pesquisas sobre a associação entre o consumo de ovo e risco de eventos vasculares são inconsistentes, alguns com resultados positivos, outros negativos. Além disso, existem estudos que não demonstraram que seu consumo aumenta os níveis de colesterol na corrente sanguínea. Entretanto, uma recente meta-análise mostrou que a redução diária do colesterol da dieta proporcional ao conteúdo de um ovo é suficiente para reduzir os níveis do colesterol ruim.
O que fazer por enquanto? A gema de ovo e outras fontes ricas em colesterol não devem ser consumidas regularmente por indivíduos com maior risco vascular como os portadores de diabetes. Isso não há muita dúvida. Para aqueles que não se encaixam no perfil de maior risco vascular, vale lembrar que a Dieta Mediterrânea, até o momento, representa a síntese daquilo que é bom para o coração e para o cérebro – dieta rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados. Cadê o ovo nesta lista?
Em tempo: um ovinho aqui outro ali é uma coisa. O ovo todo dia no café da manhã é bem diferente.
Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. A epilepsia é uma das principais causas, mas bem mais comum é uma condição clínica chamada de síncope, que também é conhecida por desmaio.
São várias as causas de síncope, mas todas elas têm uma característica em comum que é a redução transitória da perfusão sanguínea cerebral. A causa mais comum é chamada de síncope vasovagal e acontece por um controle ineficiente do ritmo cardíaco e/ou do calibre dos vasos sanguíneos por parte do sistema nervoso em situações específicas como a posição em pé por tempo prolongado. Um quarto da população apresentará pelo menos um episódio deste tipo de síncope durante a vida e o componente genético dessa condição foi confirmado esta semana por um estudo publicado no periódico da Academia Americana de Neurologia. Pesquisadores demonstraram que, numa amostra de 51 pares de gêmeos, os idênticos têm mais chance de ambos apresentarem síncope vasovagal do que os não idênticos.
As testemunhas de uma crise de perda de consciência podem até ter presenciado olhos revirados, contrações musculares e incontinência urinária, sintomas estes que fazem a gente pensar numa crise epiléptica, mas na verdade podemos estar diante de um quadro de síncope. No momento em que o cérebro sofre uma baixa na perfusão de sangue, os neurônios ficam irritados e podem disparar uma crise epiléptica de curtíssima duração. Nesse caso, não estamos diante crises espontânea, razão pela qual tais crises não configuram um quadro de epilepsia. Vale lembrar que a maioria dos eventos de síncope não vem acompanhada de crise epiléptica.
Vários estudos têm apontado que a cafeína tem a propriedade de reduzir o risco da Doença de Parkinson. Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia demonstra ainda que pacientes já com o diagnóstico da doença podem se beneficiar do consumo de cafeína.
A pesquisa foi conduzida pela Universidade McGill no Canadá e envolveu 61 pacientes que foram divididos em dois grupos: um deles recebeu placebo e o outro pílulas de cafeína de 100mg três vezes ao dia por três semanas e depois mais três semanas com pílulas de 200mg. O grupo de pacientes que consumiu cafeína apresentou melhora significativa do desempenho motor, tornando-se mais ágeis e menos rígidos. Por outro lado, a cafeína não se mostrou muito eficiente na redução do grau de sonolência dos voluntários, e esta foi a proposta central do estudo. O estudo não nos permite garantir se esses efeitos permanecem no longo prazo.
A doença de Parkinson é uma condição neurológica que afeta preferencialmente os idosos, acometendo por ano cerca de 20 indivíduos a cada 100 mil. É uma das mais comuns doenças neurológicas e o número de pessoas acometidas pela doença deve aumentar ainda mais com o atual processo de envelhecimento da população.
Nos últimos anos, a ciência tem entendido que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária, disfunção sexual, transtornos do sono, depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos.
A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A substância tem uma ação inibitória nesses receptores de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante. Quando soltamos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.
A indústria farmacêutica está de olho nesses receptores adenosina como uma promissora janela terapêutica para o Parkinson, com algumas medicações já em fases avançadas de teste. Ainda não é o momento de prescrever seis doses de expresso por dia para os pacientes com Parkinson, mas se o médico for questionado quanto ao uso ou não da cafeína, é coerente que ele incentive o consumo, desde que seja com moderação, pois o excesso no idoso pode não ser bom para os ossos. Vale lembrar que um café expresso tem cerca de 100mg de cafeína.
Clique aqui e confira o bate-papo do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília em que ele aborda o fenômeno da internet na relação médico-paciente.
Testes de inteligência têm mostrado que as pessoas têm apresentado melhor desempenho de geração em geração, fenômeno intrigante conhecido por efeito Flynn. Nosso QI tem mais chance de ser maior que dos nossos pais enquanto o dos nossos filhos será maior que os nossos. James Flynn, o pesquisador que inspirou o termo por ter sido o primeiro a demonstrá-lo na década de 1980, revelou recentemente que sua última pesquisa, ainda não publicada, apontou pela primeira vez que as mulheres não deixam nada a dever aos homens nos escores de QI. A amostragem da pesquisa envolveu voluntários da Austrália, Nova Zelândia, Estônia, África do Sul e Argentina.
De acordo com Flynn, o resultado pode ser explicado pelo maior acesso das mulheres a educação e trabalho, entre outras oportunidades de estímulo cognitivo do mundo moderno. Será que elas vão ultrapassar os homens nas próximas décadas? Se continuarem no ritmo que estão, acumulando cada vez mais funções, pode ser que elas alcancem alguns metros de vantagem nessa corrida.
Pesquisadores ingleses da Universidade de Oxford avaliaram 431 peças publicitárias de 104 diferentes produtos voltados ao esporte nos melhores magazines de esporte da Inglaterra e dos EUA. Os resultados apontaram que menos de 3% delas tinham respaldo científico. Além de uma constatação de informações duvidosas, o estudo dá uma espetada na autoridade de segurança alimentar européia, correspondente à ANVISA aqui no Brasil, órgão que regula esse tipo de publicidade. Os resultados da pesquisa foram publicados no British Medical Journal esta semana e esse também foi o conteúdo de um programa veiculado ontem pela BBC com o título “A Verdade dos Produtos Esportivos”.
Anúncios de distribuidores não foram incluídos, mas apenas os de fabricantes de produtos, como isotônicos, suplementos alimentares e acessórios esportivos. As empresas foram questionadas por email quanto às referências científicas que justificavam os anúncios de melhora de desempenho ou prevenção de condições clínicas com o produto.
Muitas empresas não tinham mesmo qualquer tipo de referência para apresentar, outras apresentavam, mas com evidências que não justificavam os anúncios, e apenas uma minoria de 2.7% tinha embasamento científico satisfatório de acordo com critérios objetivos baseados no Centro de Medicina Baseada em Evidências. Os resultados ainda mostraram que a maior parte das pesquisas que investigavam a eficácia desses produtos era patrocinada pelas próprias empresas interessadas.
Elenco abaixo alguns pontos que foram alvo de críticas por uma série de experts em medicina do esporte e publicados em outros sete artigos na última edição do British Medical Journal :
* promessas dos isotônicos – para o atleta de elite, esses produtos podem fazer a diferença, especialmente em provas de longa duração. Entretanto, para maioria dos que praticam atividade física de forma amadora, água é o suficiente e é bom lembrar que muitos dos isotônicos estão cheios de calorias. Existe um apelo de que os isotônicos têm menor risco de queda dos níveis de sódio, mas o que temos de evidências é de que qualquer líquido em excesso pode provocar essa condição clínica chamada de hiponatremia. Além disso, não custa lembrar que o corpo saudável tem um mecanismo preciso de controle dos níveis de eletrólitos no sangue e não é qualquer corridinha que é capaz de driblá-lo;
* outros “movimentos isotônicos” – a bebida oficial da Olimpíada de 2012 é o isotônico Powerade da Coca-Cola com a chamada “Ajuda a manter a resistência”. A gigante GlaxoSmithKline tem um programa de pesquisa com voluntários de 11 a 14 anos de idade para avaliar as vantagens de isotônicos sobre a água;
* hidratar muito antes mesmo de sentir sede – o excesso de hidratação tem suas repercussões negativas, assim como a desidratação. Beber à medida que se tem sede pode ser a melhor opção já que a sede é o melhor alarme que o corpo está precisando de hidratação;
* tênis especiais para cada tipo de pisada – o que faz mesmo diferença na incidência de lesões é a intensidade e tempo de treino/prova assim como o intervalo de recuperação. O tipo de tênis tem um valor irrisório, é o que aponta recente e maior pesquisa realizada sobre o tema;
* shakes de proteína – forma cara de tomar um copo de leite;
Por enquanto, o que a ciência endossa é que devemos nos exercitar regularmente, e se for com o pé no chão, que seja com um tênis confortável. Garantir também uma dieta balanceada e hidratação com água.
É crescente, inclusive no Brasil, um movimento que propõe a segregação de meninos e meninas na escola com o argumento de que as características cerebrais de cada gênero justificam duas formas de ensinar. Essa é uma questão polêmica, mas os neurocientistas não apóiam muito essa idéia, já que o que temos de evidências são diferenças cerebrais muito sutis entre os gêneros.
Entre as poucas e discretas diferenças que têm sido demonstradas, algumas não tiveram confirmação em estudos subseqüentes, como é o caso do corpo caloso, estrutura que comunica os dois hemisférios, e a lateralização da linguagem. Podemos ver com freqüência histórias de que a mulher consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo por ter o corpo caloso maior. Outra é a de que a mulher pensa mais do que os homens com os hemisférios cerebrais de forma sincrônica. Nenhumas dessas duas situações têm comprovação científica. A mulher pode até conseguir, num mesmo momento, fazer mais coisas do que os homens, mas a raiz disso pode estar em fatores culturais. Será que as meninas são diferentes dos meninos nesse sentido?
Quanto ao ritmo e sequência da maturação cerebral, vende-se a idéia de que as áreas cerebrais associadas à linguagem amadurecem quatro anos mais cedo entre as meninas, e as regiões do cérebro que processam informação espacial, como a geometria, ficam maduras quatro anos mais cedo nos meninos. Mas alguma pesquisa realmente mostrou isso? Na verdade, essa é uma interpretação errônea de um estudo conduzido na década de 1990 e cujos resultados estão um pouco longe dessas conclusões.
Aqueles que defendem as escolas “single-sex” falam de boca cheia que o cérebro masculino e o feminino são profundamente diferentes. Profundamente? Essas peculiaridades apontadas são baseadas na sua maior parte em estudos realizados em adultos que não podem ser extrapolados para crianças. Além disso, esses pequenos detalhes têm sido mal interpretados e exagerados com a chancela de que foram demonstrados por estudos científicos. Os maiores porta-vozes desse movimento são livros best-sellers, alguns deles escritos por médicos mesmo, e a própria mídia que endossa os conceitos por eles difundidos.
De uma forma geral, não há reais evidências de que, na hora de aprender, vale a pena deixar os meninos separados das meninas em nome de “hardwares” diferentes. Ao invés disso, as escolas poderiam passar para as crianças o conceito de que o cérebro delas é bem maleável, independente do gênero, raça e outras características demográficas. E ainda nem falamos dos ganhos do convívio entre meninos e meninas.
Ganhamos dois anos de vida ao limitarmos o tempo em que ficamos sentados em no máximo três horas por dia. Além disso, tem um extra de 1.4 anos se assistirmos TV por menos de duas horas diárias. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal.
Os pesquisadores analisaram os dados de uma enquete de grande representatividade nacional conduzida nos EUA que avaliava, entre outras questões, o tempo médio diário que as pessoas passam sentadas ou em frente da TV. Esses resultados foram analisados em conjunto com os de outras pesquisas relevantes sobre o tema que incluíram cerca de 170 mil adultos.
O sedentarismo vai muito além da ausência de exercícios físicos regulares. O termo sedentário tem origem em SEDERE do Latim que significa SENTAR e já existem argumentos coerentes que dariam suporte à mudança do termo “comportamento sedentário” por “comportamento de inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, síndrome metabólica, doenças do coração, câncer, e também está associado a uma menor longevidade. Tudo isso é independente da presença de exercícios moderados a vigorosos. É previsível que essas horas de inatividade muscular sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos. Perdemos dois anos com o sedentarismo e vale lembrar que se estima que perdemos até 2.8 anos com o tabagismo e 1.3 anos com o sobrepeso / obesidade.
Recentemente, outra pesquisa demonstrou que aparelhos que permitem que uma pessoa pedale em sua mesa de trabalho podem ser uma saída viável para reduzir o sedentarismo de quem trabalha sentado por períodos prolongados. O aparelho foi oferecido por 20 dias de trabalho consecutivos e ao final do estudo, um questionário foi aplicado para avaliar a aceitação do aparelho e a maioria dos voluntários respondeu que usaria o aparelho caso fosse oferecido pelo empregador e que ele não atrapalhou o desempenho do trabalho. O aparelho também não devia atrapalhar o desempenho dos colegas, já que o ruído do aparelho é muito discreto.
Você usaria uma bicicleta dessas debaixo da sua mesa de trabalho?
Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho a cada hora para se movimentar, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas essas são atitudes que podem ter mais influência sobre nossa saúde do que podemos imaginar. Campanhas que estimulem as pessoas a viverem menos sentadas podem ter um grande impacto na saúde pública do nosso país que já tem metade dos seus adultos com excesso de peso.
Quando se ouve que fulano ficou esclerosado, devemos entender que essa é uma forma antiga de se referir a uma pessoa que tem declínio das capacidades cognitivas, do pensamento, ao ponto de dificultar suas atividades básicas do dia a dia. Atualmente, o nome correto para esse fenômeno é demência.
Calcula-se que a chance de desenvolvermos um quadro demencial seja de 25%, se ultrapassarmos os 80 anos de vida, e de 50% se passarmos dos 90. Esse cenário era bem diferente no caso de nossos ancestrais, pois eles não envelheciam e toda a programação genética estava concentrada em oferecer condições para que o indivíduo conseguisse se reproduzir e perpetuar a espécie. Nossa grande longevidade é um fenômeno bem recente, e não houve tempo de nos adaptarmos geneticamente a esse novo cenário. Vale lembrar que a expectativa de vida do Australopitecus, há 4 milhões de anos, era de apenas 15 anos, 25 anos no caso dos europeus na Idade Média, cerca de 40 anos no século XIX e 55 anos no início do século XX.
Já que não somos geneticamente tão “atualizados” assim, e esse tipo de atualização é coisa para milhão de anos, o que podemos fazer para chegar aos 80 anos com a cabeça tinindo é investir em atitudes de vida saudáveis. As estrelas de primeira grandeza são a atividade física regular e uma rotina em que o cérebro tenha muitas demandas, e aí o lazer certamente está incluído.
Além disso, a ciência demonstra, de forma inequívoca, que o padrão da dieta mediterrânea ajuda a prevenir a demência. Essa é uma dieta rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
Tão importante quanto o incremento dessas atitudes saudáveis é evitar condições que diminuam as reservas do cérebro, como é o caso do tabagismo, álcool em excesso e o uso de outras drogas neurotóxicas. Para quem tem problemas de saúde como hipertensão arterial e diabetes, o tratamento rigoroso dessas condições é de extrema importância para proteger o cérebro das principais causas de “esclerose”, que são a Doença de Alzheimer e demência vascular. Esta última é resultante de lesões causadas por vasos cerebrais doentes.
Durante o período fértil, as mulheres, vestem-se de forma mais sedutora, têm a voz e expressão facial mais atraentes e, não raramente, ficam mesmo se achando. Além disso, costumam vigiar mais de perto o parceiro, e por que não a parceira?
É isso mesmo. As mulheres são mais ciumentas em seu período fértil e, junto à maior atratividade que elas exibem nessa fase do ciclo, reduzem o risco de perderem o parceiro para uma rival. Esse é um raciocínio aplicável apenas às mulheres das cavernas? Nem tanto. Nossos instintos arcaicos não são muito diferentes daqueles dos nossos ancestrais.
Durante o período fértil, há evidências de que o ciúme é proporcional à concentração do hormônio estrogênio e que as mulheres que usam pílula anticoncepcional ficam ainda mais ciumentas. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Evolution and Human Behavior confirma esses achados e dá um passo a mais. Os pesquisadores estudaram diferenças entre as mulheres solteiras e as comprometidas.
Vinte e nove mulheres, 16 descomprometidas e 13 em uma relação estável, foram submetidas a um questionário que avalia o grau de ciúme em dois diferentes períodos: com e sem uso de pílula anticoncepcional. Os resultados mostraram que as mulheres, comprometidas ou não, realmente eram mais ciumentas em seus períodos férteis. Já na fase em que estavam usando pílula anticoncepcional, o grau de ciúme das mulheres comprometidas era o mesmo que tinham na fase fértil quando não usavam pílula. No caso das solteiras, o uso da pílula estava associado a ciúmes em níveis mais modestos.
Mas por que a pílula amplificava mais o ciúme das mulheres comprometidas do que das solteiras? Será que o uso da pílula pode ter influenciado a dinâmica da relação do casal dando mais chances ao ciúme? Perguntas a serem respondidas em futuros estudos, mas resumindo, o período fértil da mulher pode ser uma época de maior conflito no relacionamento e isso pode ser ainda mais relevante quando a mulher faz uso de pílula anticoncepcional. O outro lado da moeda é que algumas mulheres usam o próprio ciúme de forma inteligente, seduzindo o parceiro e fortalecendo a relação. No caso de ciúmes desafinados, certamente não será a interrupção do uso da pílula que resolverá o problema.

Uma pesquisa publicada esta semana pelo prestigiado periódico Nature Neuroscience demonstra que nosso cérebro é capaz de reativar memórias durante o sono e solidificar conteúdos recém-aprendidos.
Os voluntários do estudo aprendiam a tocar duas melodias num teclado eletrônico e logo em seguida eram orientados a tirar uma soneca de 90 minutos. Durante o sono profundo, monitorizado por eletrencefalograma, uma das melodias era tocada por 20 vezes a cada quatro minutos. Quando acordavam, os participantes do estudo cometiam menos erros ao tentar reproduzir a melodia que ouviram dormindo. Além disso, o nível do incremento na memória foi proporcional a sinais eletrofisiológicos durante o sono, sugerindo que esses sinais são marcadores do processo de reativação de memórias no sono.
A velha história de que é possível aprender uma língua estrangeira enquanto dormimos parece ter um fundinho de verdade. A presente pesquisa sugere que o aprendizado de conteúdo musical daquilo que já tivemos contato é amplificado se voltamos a ouvi-lo durante o sono. Isso é bem diferente de aprender pela primeira vez no sono.
Já faz tempo que sabemos que nosso cérebro não pára de trabalhar durante o sono, especialmente no processamento afetivo e na organização e consolidação daquilo que aprendemos quando acordados. Além disso, é no sono que o cérebro descarta memórias pouco relevantes para nossa vida e isso se dá não por falta de espaço no hardware. O cérebro precisa manter sua mesa de trabalho livre de penduricalhos supérfluos.
Parece que um dos maiores fatores de risco para o relaxamento moral e ético é ter nascido homem. Do ponto de vista moral, Carlinhos Cachoeira poderia ter sido muito diferente se tivesse nascido Carlinha.
Uma série de estudos tem apontado que os homens apresentam menores padrões morais que as mulheres, pelo menos em cenários que envolvem competição. Eles têm maior tendência a minimizar as conseqüências de uma conduta antiética e amoral. Esse fenômeno é mais pronunciado em situações em que o sucesso é visto como símbolo de vigor e competência masculina e onde a derrota significa fraqueza, fraqueza ou covardia. Essa diferença entre os gêneros parece ter muito mais a ver com questões sócio-culturais do que com os níveis de testosterona ou qualquer herança genética.
Recentemente, os pesquisadores Kray e Haselhuhn das Universidades da Califórnia e Wisconsin realizaram experimentos que avaliavam a conduta moral de homens e mulheres e os fatores que influenciavam as decisões. Os voluntários apreciavam um caso em que um casal de idosos vendia sua casa antiga com a expectativa de que o comprador preservasse a construção original. O comprador, na verdade, tinha como plano a demolição da casa para a construção de uma nova. A pergunta para os voluntários era se o vendedor era moralmente obrigado a revelar as intenções do comprador. O resultado foi que os homens tinham uma maior tendência a esconder do casal de idosos os planos de demolição, sobretudo aqueles que respondiam em um questionário que uma boa negociação é sinal de masculinidade.
Os participantes desse estudo eram jovens americanos em formação para a carreira de Business e é bom lembrar que não podemos extrapolar esses resultados para outras culturas. Na casa do Cachoeira, porém, as coisas não devem seguir qualquer tendência.
Quando se fala em comportamento e talentos femininos, a maior parte de suas peculiaridades guarda forte relação com fatores culturais, mas uma pequena parcela tem a ver com fatores biológicos mesmo. De fato, existem diferenças de gênero na anatomia, função e química cerebrais que podem fazer diferença no entendimento da maior ou menor prevalência de alguns transtornos neuropsiquiátricos entre as mulheres. Vale lembrar que no cérebro as coisas funcionam em via dupla, já que o comportamento também tem o poder de influenciar essa herança biológica.
O cérebro das mulheres é menor do que o dos homens, mas e daí? Isso não reflete a princípio nenhum tipo de vantagem ou desvantagem. Se quiserem provocar os homens, elas podem dizer de boca cheia que o cérebro feminino tem fluxo sanguíneo e proporção de substância cinzenta mais avantajados.
Meninas têm o hipocampo maior e a amígdala menor que os meninos. As duas são estruturas vizinhas, sendo o hipocampo uma das principais regiões do cérebro responsáveis pela memória e a amígdala pode ser comparada a uma válvula de regulação das emoções. Essas diferenças podem ser atribuídas às diferentes concentrações de receptores de hormônios masculinos e femininos nessas estruturas. Nosso cérebro alcança seu maior volume por volta dos 15 anos e depois disso ele vai ficando aos poucos mais murchinho. Nos homens, a redução de volume é relativamente maior nas regiões frontais e temporais, enquanto, nas mulheres, isso é mais expressivo no hipocampo e nas regiões parietais.
Os sistemas dos neurotransmissores serotonina, dopamina e GABA têm uma tendência a ser mais robustos entre as mulheres. No caso da serotonina, as mulheres têm maiores concentrações no sangue, mais receptores em algumas regiões do cérebro e, no caso de mulheres deprimidas, menor concentração de proteínas transportadoras do neurotransmissor. Essas diferenças podem contribuir para a maior prevalência de depressão e transtornos alimentares nas mulheres. Já um sistema de dopamina mais potente pode responder por uma maior vulnerabilidade ao abuso de drogas entre elas.
Muitos desses detalhes ainda não têm qualquer aplicação prática, mas deverão nortear a construção de novas estratégias terapêuticas que possivelmente serão diferentes entre os gêneros. O tratamento de uma mulher com uma determinada condição neuropsiquiátrica pode vir ser a ser diferente daquele indicado para os homens.
Sir William Osler, pai da medicina moderna, ensinava a seus alunos, ainda no século XIX, o conceito de imperturbalidade do médico. Esse termo pode ser entendido como o sangue frio que o médico deve ter para tomar a melhor decisão para o paciente, evitando que as emoções dificultem um diagnóstico e tratamento corretos. Osler ainda chamava a atenção pára o fato de que a demonstração de muita emoção pelo médico pode abalar a confiança que o paciente nele deposita. Por outro lado, empatia, gentileza e simpatia são atributos que todo mundo espera de um médico. Como é que esses atributos podem se misturar com a imperturbalidade?
Empatia nesse contexto é a capacidade do médico em se colocar no lugar do seu paciente, o que não significa ter que chorar e rezar juntos. Empatia não é fácil de ensinar e pode-se argumentar que ela pode, em algumas circunstâncias, até atrapalhar a relação médico-paciente. Esse é um dos argumentos que fazem com que os médicos sejam orientados a não tratar o próprio filho ou outras pessoas com forte vínculo na vida pessoal. Já a gentileza é outra coisa, e esta não costuma concorrer com a imparcialidade necessária para tomar decisões.
O paraninfo de minha turma de medicina, Prof. Soares, me dizia uma coisa que carrego ainda hoje: “A maior demonstração de empatia que você pode dar ao seu paciente é buscar compreender ao máximo o problema dele”. Esse comprometimento, no meu entender, é pura empatia que não ameaça a tal imperturbalidade. Isso não é muito diferente desse pensamento do Arnaldo Jabor: “Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida”.
** O Centro de Evidências do grupo British Medical Journal anunciou esta semana uma parceria com o Ministério da Saúde do Brasil que disponibilizará seu conteúdo aos 350 mil médicos brasileiros. O contrato foi firmado em conjunto com a CAPES, braço do Ministério da Educação responsável pelo ensino superior, e a distribuidora Dotlib, e a experiência brasileira será a primeira da América Latina.
Esse é um dos mais preciosos bancos de dados de medicina baseada em evidências científicas e tem um formato ideal para apoiar as decisões clínicas do dia a dia de um médico. Assim, a relação médico-paciente nos consultórios brasileiros tem muito mais chance de ser cheia de empatia.




















