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Temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstra que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. Além disso, é bem reconhecido que a relação entre álcool e doenças cardiovasculares tem um comportamento estatístico conhecido como curva J. Quanto mais alta a posição na curva J, maior o risco. Isso significa que a ausência de consumo de álcool, que está na ponta inferior do J, está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares do que o consumo moderado que se encontra na “barriga” do J. Quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que quem não bebe. Por outro lado, o consumo exagerado de álcool, que se encontra na ponta superior do J, reflete um maior risco de doenças cardiovasculares.

 

Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que o álcool também tem um comportamento semelhante à curva J quando o assunto é declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento, sendo que o consumo moderado está associado a um menor risco de demência, e o consumo excessivo a um maior risco (ponta superior do J). Temos ainda resultados de pesquisas nos mostrando que o excesso de álcool está associado à redução do volume do cérebro. Na verdade, já a partir dos 15 anos de idade nosso cérebro já tem seu peso reduzido em 1.5-1.19% por década, e essa redução não significa que há perdas funcionais. E será que o consumo moderado de álcool reduz esse ritmo de perda de volume cerebral? Na tentativa de responder a essa pergunta, uma população significativa de americanos sem história de derrame cerebral ou demência (grupo Frahmingham Offspring) foi avaliada quanto ao histórico de consumo de álcool e submetida à ressonância magnética do crânio. Os resultados foram publicados na última edição da revista Archives of Neurology. Confirmaram-se resultados anteriores de que o consumo excessivo de álcool está associado a um maior risco de redução do volume cerebral, e esse efeito foi mais forte nas mulheres do que nos homens. Além disso, não foi possível demonstrar que o uso moderado de álcool tenha efeito protetor sobre a redução do volume cerebral.

 

Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor do álcool em doses moderadas. Além disso, o efeito protetor do vinho tinto parece ser superior ao de outras bebidas, pois além do álcool, ele possui outras substâncias nobres antioxidantes (ex: polifenóis).  Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação é de que quem já bebe não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool.

 

  

 

 CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

Uma em cada cinco pessoas ao redor do mundo fuma e já sabemos que o cigarro diminui a expectativa de vida em 7 a 10 anos e também representa a principal causa de morte evitável em muitos países. Um estudo publicado hoje na revista Archives of Internal Medicine confirma que indivíduos que nunca fumaram vivem 10 anos a mais que fumantes que consomem mais que 20 cigarros por dia. A pesquisa acompanhou por 26 anos homens finlandeses saudáveis com idade de 47 anos em média. O mais interessante desse estudo é que os não fumantes além de viverem uma década a mais, vivem esses anos “extras” com nível de qualidade de vida maior do que os fumantes. Esses resultados são extremamente relevantes para futuras campanhas anti-tabagismo, já que existe uma parcela significativa de fumantes que mantém o vício com a idéia de que perder “alguns” anos da velhice não seria tanto prejuízo assim… A importância dessa pesquisa é o fato de nos mostrar que o fumante não está só perdendo uma década de vida, mas seus anos vividos também têm uma qualidade inferior. A conta do prejuízo deve ser refeita.

 

 

 

 

 

O exame das artérias da retina representa uma extraordinária oportunidade para se entender o que se passa nas artérias do cérebro. Não é difícil se convencer de que há uma associação entre o estado das artérias da retina e do cérebro quando pensamos no fato de que os olhos e o cérebro eram uma só estrutura nas primeiras semanas de um embrião. Quando estudamos as artérias de ambos os órgãos podemos perceber que elas são muito parecidas em vários aspectos.  Tanto o cérebro quanto a retina apresentam células especializadas em fazer sua interface com o sangue, e que funciona como um eficiente filtro daquilo que pode ou não entrar em contato com esses órgãos. Além disso, as pequenas artérias do cérebro e da retina são muito parecidas tanto em diâmetro como também por não terem pontes entre si, como se fossem vias sem sem saídas os lados.

 

E o que podemos observar no mundo real é que quando doenças como a hipertensão arterial e o diabetes chegam a alterar as artérias da retina, elas também já estão fazendo mal às pequenas artérias do cérebro. Essas alterações no cérebro são conhecidas como Doença de Pequenos Vasos Cerebrais, e representa uma das principais causas de perda do desempenho cerebral em idades mais avançadas. Essa é uma doença que vai silenciosamente enchendo o cérebro de pequenas cicatrizes ou buraquinhos, na maioria das vezes de forma silenciosa, mas facilmente detectadas pela Ressonância Magnética. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente.

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas atitudes que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 5) dieta saudável e controle do peso; 6) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo.

 

Invista nas suas artérias. Seu corpo todo vai agradecer.

 

 

 

CLIQUE AQUI PARA LER O POST “PREVIDÊNCIA VASCULAR”.

 

 

 

 

 

 

São tantos resultados de pesquisa sobre os efeitos de dietas inteligentes sobre nossa saúde que às vezes fica difícil saber em que pé as coisas estão. Essa é uma situação que uma metanálise pode ajudar muito. Ela nada mais é do que uma avaliação sistemática dos estudos significativos realizados até então sobre o assunto e com isso amplifica-se a força dos estudos, cria-se uma MEGA PESQUISA.

 

Pesquisadores italianos publicaram ontem no respeitado British Medical Journal uma importante metanálise sobre os efeitos da Dieta Mediterrânea sobre nossa saúde. Foram incluídos 12 estudos prospectivos com um total de mais de 1,5 milhão de indivíduos.

 

Efeitos da Dieta Mediterrânea:

 

– reduz a mortalidade geral em 9%

– reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%

– reduz a mortalidade por câncer em 6%

– reduz a incidência de Doença de Parkinson em 13%

– reduz a incidência de Doença de Alzheimer em 13%

 

O recado é claro. Devemos regular o consumo de carnes e laticínios e encorpar nossa dieta com cereais integrais, verduras, legumes, frutas, peixes, azeite, e até mesmo um vinhozinho tinto com moderação.

 

 

Ver também post   PREVIDENCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.

 

 

 

 

Um estudo publicado esta semana pelo British Medical Journal revela que o consumo de drogas antipsicóticas aumenta o risco do indivíduo em apresentar um derrame cerebral, e esse risco é ainda duas vezes maior entre indivíduos com quadro de demência e maior no caso dos antipsicóticos modernos, chamados de atípicos. 

 

A associação entre derrame cerebral e antipsicóticos atípicos (ex: olanzapina, risperidona)  já havia sido demonstrada, mas desta vez mostrou-se que mesmo os antipsicóticos de primeira geração (ex: haloperidol) também aumentam o risco de derrame.

 

Com esses resultados devemos pensar no uso de antipsicóticos cada vez com mais  critério, e no caso de indivíduos com quadros demenciais, essas medicações deveriam ser evitadas sempre que possível. Os antipsicóticos são freqüentemente usados nesse grupo de pacientes para a modulação de transtornos do comportamento que são muito freqüentes nos quadros demenciais. Esses resultados devem servir de estímulo para a incorporação de outras ferramentas que possam modular o comportamento dos idosos com quadros demenciais, e aí não estamos falando só de medicações,  mas também de atividade física, lazer e convívio social. 

 

 

 

 

 

 

 

Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo. Como isso funciona ainda é uma pergunta bastante intrigante.   

 

Um estudo publicado no ano de 2001 pela revista Science deu uma balançada naquilo que a comunidade científica até então entendia como efeito placebo. Pacientes portadores da Doença de Parkinson receberam medicação específica para a doença (levodopa) ou pílulas placebo e o surpreendente foi que tanto os pacientes que receberam a medicação como aqueles que receberam placebo, e que tiveram boa resposta clínica, demonstraram aumento das concentrações de dopamina no cérebro.

 

Na última edição da revista Neurology, pesquisadores de Luxemburgo explicam-nos um pouco melhor como o uso de placebo pode influenciar o cérebro em situações como a Doença de Parkinson, depressão e síndromes dolorosas. O efeito placebo positivo pode ser observado em até 50% dos pacientes com essas condições clínicas, e costuma ser mais pronunciado quando associado a procedimentos invasivos (ex: injeção) ou doenças em fases avançadas. No caso da Doença de Parkinson, confirma-se os resultados iniciais de que pacientes que apresentam boa resposta ao placebo apresentam aumento de dopamina no cérebro em regiões que são comuns ao efeito cerebral de recompensa. Isso sugere que o fator “expectativa positiva”  pode ter um importante papel no efeito placebo nessa condição.

 

Em quadros de dor, também há evidências de que o placebo muda quimicamente o cérebro, dessa vez através da liberação de opióides endógenos, efeito que pode ser desfeito através de medicações que bloqueiam o efeito de medicações opióides. As mudanças químicas também ocorrem em quadros depressivos, sendo que o placebo apresenta efeito muito semelhante às drogas que aumentam a concentração de serotonina (ex: fluoxetina). Nessas duas condições, a “expectativa positiva” também parece ser a forma como o cérebro faz com que o efeito placebo funcione.   E essa parece ser a explicação do porquê de algumas pessoas responderem positivamente ao placebo e outras não. Há evidências de que bons respondedores apresentam expectativa de receber maiores recompensas, e têm maior ativação do sistema de recompensa cerebral, não só na situação de tratamento, mas também em situações de jogos que envolvem recompensa em dinheiro.  

 

 

 

 

 

O acidente vascular cerebral, ou AVC, é a perda súbita de função de uma parte do cérebro devido à obstrução do vaso sanguíneo que nutria esta região, ou por rompimento deste vaso, extravasando sangue para dentro do cérebro. Representa uma das três principais causas de morte em todo o mundo e no Brasil é a principal causa de morte. Com o crescente envelhecimento da população, deve passar a ser ainda mais freqüente, já que é mais comum entre os idosos.

 

O AVC deve ser visto como um “ataque cerebral” e quanto mais cedo o tratamento é iniciado, menor a chance do indivíduo vir a apresentar seqüelas ou morrer. No caso do AVC por obstrução de um vaso (AVC isquêmico), novos tratamentos que permitem a desobstrução do vaso na sua fase hiperaguda tornam imperativo que os serviços hospitalares estejam preparados para trabalhar com a mesma rapidez e eficácia que uma equipe de fórmula 1 na hora da troca de pneus. Tais medicações são eficazes se usadas nas primeiras três horas após o início dos sintomas, e por isso deve-se ter sempre em mente que TEMPO=CÉEBRO. Após três meses do AVC, pacientes submetidos ao tratamento trombolítico (medicação endovenosa para desobstrução do vaso) têm 25% de chance de apresentar seqüelas e 40% de chance naqueles que não usam tais medicações.

 

Mesmo em países desenvolvidos, nem 5% dos pacientes com AVC são submetidos ao tratamento trombolítico. Não adianta um hospital ter moderna tecnologia se não tiver equipe treinada para atender um AVC. Também não adianta o milionário que mora longe de um centro especializado no tratamento do AVC pegar o seu jatinho particular, pois o tempo gasto durante a viagem pode fazer com que se perca a chance de salvar o cérebro em processo de destruição. Outro fator que contribui para a limitada indicação do tratamento trombolítico é o reduzido conhecimento sobre os sinais e sintomas do AVC pela população, fazendo com que muitos procurem assistência médica tardiamente.

 

Os desafios para se conseguir reduzir a morbidade e mortalidade do AVC são gigantes. Além de campanhas de prevenção e conscientização da população, o estado precisa se equipar de centros especializados de AVC. Num país continental como o Brasil, isso pode parecer inalcançável, mas a telemedicina pode mudar essa história. A telemedicina permite que centros especializados se comuniquem em tempo real com outros centros através de telefonia digital ou videoconferência. A última edição da revista Lancet Neurology publicou importantes resultados sobre o uso da telemedicina no tratamento do AVC agudo. Um centro especializado em AVC nos EUA assistiu mais de 200 pacientes com AVC na fase hiperaguda em hospitais remotos através de videoconferência ou consulta telefônica. Uma análise posterior à decisão do tratamento por um painel de experts revelou que as decisões foram corretas em 98% dos pacientes assistidos por videoconferência e em 82% daqueles assistidos por consulta telefônica.  Além disso, foi alta a indicação do tratamento trombolítico (25%).

 

As evidências ainda não são definitivas, mas vão se tornando cada vez mais robustas para que hospitais localizados em regiões distantes de centros especializados no tratamento do AVC invistam na teletrombólise. Esse é um fértil caminho para que o AVC deixe de ser a principal causa de morte no nosso país.

 

 

 

 

A expectativa de vida do Australopitecus há 4 milhões de anos atrás era de apenas 15 anos, 25 anos para europeus na Idade Média, cerca de 40 anos no século XIX, 55 anos no início do século XX, e atualmente em muitos países a expectativa de vida já é maior que 75 anos de idade. No Brasil, os últimos dados do IBGE revelam uma expectativa de vida de 72,3 anos e a projeção para 2015 e 2026 é de 75 e 78 anos respectivamente.

 

Se tivermos que escolher uma única atitude saudável na vida para alcançarmos a longevidade com qualidade de vida, a prática regular de exercícios aeróbicos talvez seja a mais significativa. Não faltam estudos mostrando os efeitos positivos da atividade física sobre nossa saúde, mas um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine traz resultados ainda mais impressionantes. A pesquisa foi iniciada em 1984 quando mais de 500 membros de uma associação de corredores de rua com mais de 50 anos de idade passaram a ser acompanhados anualmente com questionários que avaliavam a freqüência de atividade física, índice de massa corporal, e uma escala para avaliar o nível de incapacidade funcional nas atividades diárias. O grupo de corredores foi comparado a um grupo controle formado por funcionários da Universidade de Stanford de semelhante faixa etária. Ao final de 21 anos de acompanhamento os resultados foram os seguintes: 1) a atividade física entre os corredores foi cerca de três vezes mais intensa ao longo de todo o estudo; 2) houve declínio da capacidade funcional ao longo dos anos em ambos os grupos, mas de forma menos relevante entre os corredores; 3) após 19 anos de acompanhamento, 34% dos indivíduos do grupo controle havia morrido, comparado a apenas 15% dos corredores; 4) os corredores apresentaram menor mortalidade não só por doenças cardiovasculares, mas também por câncer.

 

As Olimpíadas estão aí e inspiração é que não falta para realizar exercícios aeróbicos. Também não faltam argumentos que nos convençam que os exercícios aeróbicos  podem acrescentar bons anos às nossas vidas. 

 

 

 

 

É bastante comum vermos pessoas colocando a culpa de suas queixas de memória no cérebro que não é mais jovem. Na verdade, o envelhecimento cerebral normal provoca apenas discretas mudanças no desempenho cognitivo após os 50-60 anos de idade, muitas vezes só detectáveis através de testes rigorosos. Na maioria das vezes, porém, as queixas de memória têm mais relação com quadros de ansiedade, depressão, transtornos do sono e o estresse do dia-a-dia do que com doenças cerebrais propriamente ditas.

 

Infelizmente, algumas pessoas à medida que envelhecem começam a ter queixas de memória de forma mais intensa, podendo evoluir para a demência. A definição de demência é o acometimento de diversas dimensões do pensamento que chega a comprometer a capacidade de um indivíduo em realizar suas atividades habituais. Entre o envelhecimento cerebral normal e a demência, podemos encontrar pessoas que estão no meio do caminho, e essa é uma condição chamada de transtorno cognitivo leve.

 

Idosos com transtorno cognitivo leve costumam apresentar dificuldades significativas de memória com outras funções cognitivas preservadas, sem que isso atrapalhe de forma expressiva suas atividades diárias. Outros apresentam uma variante em que a memória é preservada enquanto outras funções estão acometidas. Nem todas as pessoas que apresentam transtorno cognitivo leve apresentarão demência no futuro, mas a grande maioria apresentará sim. A cada ano, cerca de 15% de idosos com diagnóstico de transtorno cognitivo leve  receberá o diagnóstico de demência, comparado a menos de 1% para idosos sem o problema.

 

As causas mais comuns tanto do transtorno cognitivo leve como da demência são a Doença de Alzheimer e a Demência Vascular, esse último o resultado da destruição de partes do cérebro por doença dos vasos sanguíneos. Investir na saúde dos nossos vasos cerebrais é uma das melhores atitudes que podemos ter para reduzir nosso risco de demência (PREVIDÊNCIA VASCULAR, COMEÇE JÁ A SUA). E sabemos que um dos maiores inimigos dos nossos vasos é o diabetes, que ao longo dos anos vai silenciosamente comprometendo-os, aumentando a chance de lesões cerebrais.

 

Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Neurology (Associação Médica Americana) traz mais uma confirmação que para termos um envelhecimento cerebral saudável, devemos a todo custo evitar o desenvolvimento do diabetes e a atividade física regular mantendo o peso em dia é o dever de casa básico. Para quem já apresenta a doença, o dever de casa é o mesmo, acrescido de um controle rigoroso da doença. Uma grande série de idosos americanos com o diagnóstico de transtorno cognitivo leve foi comparada a idosos sem problemas cognitivos. A freqüência do diagnóstico de diabetes não foi diferente entre os grupos, mas o grupo que apresentava transtorno cognitivo leve apresentou diabetes de forma mais complicada que o grupo controle: início do diabetes mais cedo na vida, mais anos de doença e maior necessidade do uso de insulina. E a influência do diabetes sobre o funcionamento cerebral vai além do comprometimento dos vasos sanguíneos, pois também há evidências de que a doença pode promover alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre indivíduos com a Doença de Alzheimer.

 

 

 

  

 

O derrame cerebral pode acontecer por causa de um rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, mas sua causa mais comum é o entupimento de um vaso e conseqüente interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, provocando a morte das células dessa região. A isto se dá o nome de isquemia cerebral. Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas na cadeira de rodas. É uma doença grave mesmo: a principal causa de morte em nosso país. Mas nem sempre é grave e muitos deles acontecem sem chamar a atenção de ninguém. 

 

É ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos.

 

No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. (Visite o Post Previdência Vascular). E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.

 

O consumo regular de peixes ricos em Ômega 3  (ex: sardinha, atum, salmão) pelo menos duas vezes por semana já é bem reconhecido como uma atitude que reduz o risco de doenças cardiovasculares e também a Doença de Alzheimer. A última edição da revista Neurology ( Academia Americana de Neurologia) publicou uma pesquisa que demonstrou pela primeira vez que o consumo regular de peixes  ricos em Ômega 3 (≥ 3 vezes por semana) reduz a chance de acúmulo de pequenas isquemias cerebrais. O estudo foi desenvolvido ao longo de cinco anos com mais de 3600 finlandeses com mais de 65 anos. Importante: o efeito protetor ao cérebro deixa de existir quando o consumo é de peixe frito. 

 

 

   

 

 

Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o acúmulo no cérebro de uma substância protéica chamada de beta-amilóide, substância também encontrada no cérebro de idosos saudáveis, porém em pequenas quantidades. Esse acúmulo excessivo de proteínas no cérebro, que é geneticamente determinado, faz com que aos poucos ele vá ficando ineficiente. Os medicamentos atualmente aprovados para o tratamento da doença apenas retardam levemente a progressão do declínio cognitivo, sem mudar a história natural da doença. O grande sonho é encontrar uma estratégia eficiente que reduza o acúmulo dessas proteínas no cérebro.

 

Estudos com ratinhos vêm demonstrando resultados positivos de vacinas com a intenção de reduzir o depósito de beta-amilóide no cérebro. Além da redução do menor depósito da substância, os ratinhos que tomam a vacina ficam mais espertos. Esses estudos foram o alicerce para que um estudo em humanos fosse iniciado no ano de 2000 e esta semana podemos ter acesso aos seus resultados em publicação pela revista The Lancet. Os participantes do estudo já apresentavam diagnóstico clínico de Doença de Alzheimer e foi evidenciado que aqueles que usaram a vacina apresentaram uma significativa redução de depósitos de beta–amilóide no cérebro. Entretanto, o estudo não conseguiu demonstrar que essa redução de depósitos cerebrais mudou a velocidade de progressão da doença: os pacientes evoluíram tão mal quanto aqueles que não usaram a vacina.

 

Os resultados não devem ser vistos exatamente como um banho de água gelada, já que a redução de depósitos cerebrais de beta-amilóide demonstrados já foi um resultado vitorioso. Entretanto, o fato da vacina não ter ajudado a evolução clínica dos pacientes reforça a idéia de que a simples redução dos depósitos é insuficiente para impedir o processo degenerativo. Talvez o uso da vacina em fases mais precoces da doença possa ter um melhor desempenho clínico e essa deve ser uma estratégia a ser testada, já que os pacientes incluídos no presente estudo já apresentavam a doença em fase clínica moderada.

 

E o diagnóstico da doença antes dos sintomas é a ordem do dia. Fortes linhas de pesquisa têm tentado demonstrar marcadores biológicos seja no sangue, seja no líquido da espinha, ou através de métodos de neuroimagem, que possam detectar a doença antes que ela se espalhe pelo cérebro. São esses marcadores que conseguirão apoiar as pesquisas com vacinas e outras formas de tratamento para a Doença de Alzheimer, e esperamos que em breve cheguem a fazer parte do repertório da medicina preventiva como já são a mamografia, a colonoscopia e dosagem antígenos prostáticos.

 

 

 

 

Hoje em dia a previdência privada é uma das principais estratégias para se garantir um futuro financeiro tranqüilo e um dos pilares mais importantes de qualquer investimento é que quanto mais cedo começarmos a poupar, maior será o prêmio no futuro. Não é difícil conversarmos com pessoas que nem são da área financeira, mas que conhecem com bastante preciosismo o significado das diferentes estratégias de investimento. Esse mesmo nível de consciência é desejável também quando se pensa no investimento em saúde. O melhor entendimento do significado da aterosclerose é de extrema relevância, pois esta é a doença que mais causa mortes no nosso país. Investir ainda quando jovens em atitudes que evitem o desenvolvimento e progressão da aterosclerose pode ser o maior pé-de-meia que alguém pode fazer durante sua vida.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um antialérgico chamado Dimebon, usado originalmente na Russia há 30 anos atrás, e esquecido desde que antialérgicos mais modernos entraram no mercado, está se mostrando eficaz no tratamento da Doença de Alzheimer. Hoje a revista Lancet publicou o resultado de uma pesquisa conduzida na Rússia que comparou o Dimebon X  Placebo em pacientes com Doença de Alzheimer nas suas formas leve e moderada. O uso da droga mostrou-se seguro com melhora de desempenho em todos os critérios pesquisados, tanto cognitivos quanto comportamentais. Novos estudos com a droga já estão anunciados, e a medicação pode se tornar uma importante arma no tratamento da Doença de Alzheimer, e com custo muito mais em conta do que as drogas atualmente aprovadas.

 

O estudo russo chama-nos muito a atenção para a questão econômica e de otimização de recursos de pesquisa. Às vezes drogas sintéticas ou naturais que já existem para o tratamento de uma certa doença podem ser valiosas para outras doenças também. Há uma semana atrás um importante estudo foi publicado na revista Science mostrando justamente isso. A lógica de identificação das potenciais novas indicações terapêuticas de medicações foi baseada na identificação de seus efeitos colaterais. Os cientistas identificaram uma série de medicações de diferentes famílias que provocavam os mesmos efeitos colaterais e mostraram que essas mesmas medicações induziam ações similares do ponto de vista molecular / celular. É uma estratégia bastante fértil na busca de novas aplicações para medicações que já estão nas prateleiras das farmácias.

 

 

 

 

Algumas doenças podem ter um efeito devastador na vida de um paciente e suas famílias, especialmente no caso do câncer e de doenças degenerativas e progressivas como a Doença de Alzheimer. Perguntas comuns nessas situações como Por que comigo?, Por que logo com meu filho?, Por que isso tudo? nos dão uma pista de que além dos cuidados físicos e emocionais, uma janela preciosa na relação  entre a equipe de saúde  e o paciente e seus familiares pode estar se abrindo: a dimensão espiritual.

 

Estudos revelam que mais de 90% dos médicos acreditam que as crenças espirituais dos pacientes devem ser consideradas. Entretanto, apenas 30% dos médicos acreditam que essas crenças devam efetivamente ser abordadas, e só 10% adotam essa prática, mesmo entre pacientes terminais. Por outro lado, sabemos também serem bastante ruins os indicadores que medem a satisfação de pacientes quanto ao cuidado dispensado pela equipe de saúde aos seus aspectos emocionais e espirituais, evidenciando uma fraqueza dos serviços de saúde que precisa ser trabalhada. 

 

Já temos um razoável corpo de evidências que indivíduos com uma maior vivência religiosa / espiritual têm uma melhor relação com a doença: maior cooperação no tratamento, maior capacidade de lidar com o estresse emocional, melhora mais rápida de sintomas depressivos. Além disso, o envolvimento com uma comunidade religiosa está associado a uma maior rede social, e há tempos sabemos que pessoas socialmente integradas têm menos chance de adoecer, e quando doentes, a rede social é uma das principais fontes de apoio. Entretanto, as crenças religiosas nem sempre estão a favor da saúde do paciente, já que podem em alguns casos dificultar a aderência ao tratamento com idéias do tipo: esse é o desejo de Deus; Deus me abandonou; esse é o meu destino; esse é o meu castigo; etc. Em situações como essas, é importante que a equipe de saúde esteja minimamente preparada para abordar as dimensões religiosas / espirituais do paciente com a intenção de aumentar a aderência e sucesso do tratamento, além de poder contribuir para um maior senso de controle e significado do problema. Tal abordagem pode ainda identificar crenças que podem ser relevantes em determinadas decisões médicas.

 

Alguns podem pensar que uma conversa dessa natureza pode ser percebida pelo doente como uma intromissão na sua intimidade. Claro que se no início dessa conversa o paciente já demonstra que religiosidade / espiritualidade são dimensões que não são questões importantes na sua  vida, então a conversa já deve parar por aí. Ninguém deve também “prescrever” religião aos pacientes, convencê-los que um tipo de crença ou prática seja interessante ou entrar em polêmicos embates sobre religião. A idéia de um melhor entendimento da religiosidade / espiritualidade dos pacientes também não tem como objetivo o médico ou outro profissional de saúde ficar dando conselhos espirituais ao paciente.

 

Enquanto percebemos uma medicina cada vez mais comercial, em que os pacientes passam mais tempo nas máquinas de exames do que com o médico, há espaço sobrando para a discussão e aprofundamento de questões associadas às questões religiosas / espirituais dos doentes, e isso já está começando a tomar forma. Cresce o investimento em pesquisas que analisam o impacto da inserção de aspectos espirituais na relação médico-paciente, inclusão do assunto no currículo de graduação médica, e bem recentemente, a Comissão de Acreditação de Organizações de Saúde nos Estados Unidos incluiu em seu manual de acreditação para hospitais a recomendação de que os profissionais de saúde abordem sim os valores espirituais dos pacientes. Talvez a busca por “medalhas de qualidade” impulsione a tão esperada reumanização da saúde.

 

 

 

 

 

 

No Brasil, e em vários outros países do mundo, o café é a segunda bebida mais consumida de todas, só perdendo para a água. Infelizmente, muitas pessoas bebem café com uma certa desconfiança, com dúvidas se ele faz bem ou mal à saúde. E não é à toa. Nas últimas décadas uma série de pesquisas evidenciou resultados conflitantes, especialmente no que diz respeito à nossa saúde vascular, dificultando conclusões seguras quanto aos reais benefícios do consumo de café. Felizmente, nos últimos anos parece que a ciência está encontrando a ponta desse novelo de lã, e os benefícios demonstrados até então estão ganhando de goleada dos potencias malefícios. Afinal, café faz bem à saúde?

Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

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Já é bem reconhecido que o tabagismo é um fator de risco para demência, especialmente por aumentar o risco de doença cerebrovascular (derrames cerebrais). Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e demonstrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo. Cada um é cada um, né ?  

 

 

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Vivemos numa época em que esperamos viver muitos e muitos anos, graças aos grandes avanços da ciência. Sabemos que muito de nossa estrutura cerebral modifica-se com o envelhecimento, mas também já sabemos que estas alterações não necessariamente provocam perdas funcionais. É como se fosse um cabo-de-guerra: de um lado o envelhecimento cerebral e de outro uma série de estratégias já bem conhecidas que podem fazer com que as perdas sejam imperceptíveis ao longo dos anos. Todas estas estratégias estão voltadas para uma mesma direção: aumentar nossa Reserva Cerebral. Quem tem muito estoque pode até perder um pouco que não sentirá falta. O nível educacional é um dos fatores mais importantes de nossa Reserva, mas uma série de estudos tem demonstrado que as atividades de lazer podem ser muito importantes também.  Clique aqui e confira o artigo na integra.

 

 

CLIQUE AQUI e acesse um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Dieta Mediterrânea é caracterizada por consumo predominante de cereais, legumes, frutas, peixe, azeite, consumo moderado de álcool, especialmente o vinho, e baixo consumo de carnes e laticínios. Alguns estudos populacionais publicados nos últimos anos têm demonstrado que a Dieta Mediterrânea reduz o risco da Doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Columbia – New York  publicaram recentemente o resultado do impacto da Dieta Mediterrânea em pacientes já com o diagnóstico de Doença de Alzheimer. Pacientes com maior aderência à Dieta Mediterrânea apresentavam menor risco de morrerem ao longo de uma média de quatro anos de acompanhamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria das espécies na natureza é fértil a vida toda, não experimentando o que conhecemos como menopausa. A menopausa pode ser vista como uma vantagem evolutiva e dentre as várias razões para sua existência, chamamos a atenção neste artigo para o que a ciência conhece como “ Hipótese Avó”: na espécie humana a fêmea a partir de uma certa idade seria mais útil à perpetuação da espécie ao cuidar dos netos do que gerando novos filhos.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é o Dia Nacional da Cefaléia, ou seja, da dor de cabeça. Estatísticas mostram que cerca de 93% da população sofre ou já sofreu de dor de cabeça durante a vida, sendo que 30% teriam indicação de tratamento. A dor de cabeça causada pela enxaqueca é responsável por grande parte desses números.

 

Problemas de saúde que são muito freqüentes e que têm base genética inequívoca, como é o caso da enxaqueca, fazem-nos sempre refletir se não poderia haver uma vantagem evolutiva para que tantos indivíduos apresentem essa condição. Ao investigarmos os fatores que comumente desencadeiam crises de enxaqueca (ex: jejum prolongado, estresse), poderíamos até compará-los a situações predatórias. Essa é uma forma de encarar a enxaqueca como um aliado e não como um inimigo, um alarme cerebral que nos avisa quando estamos fora do nosso equilíbrio ideal. Infelizmente esse alarme não é perfeito, e às vezes é disparado sem grandes justificativas. Alguns comparam esse fenômeno a um alarme de incêndio de uma casa que é disparado quando estimulado pelo calor da torradeira elétrica…. Clique aqui e leia o artigo na íntegra. 

 

 

 

 

 

 

 

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