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Depressão pós-parto, também chamada de baby blues, é uma condição clínica já bem explorada e que afeta entre 10 a 20% das mulheres nos primeiros meses após o parto, afetando a saúde tanto das mães como dos filhos. Os pais também sofrem de uma condição semelhante, mas o assunto tem sido muito menos discutido. Um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que a depressão dos pais também pode ter repercussões no desenvolvimento dos filhos.
Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA estudaram 1746 pais de crianças de um ano de idade e encontraram que 7% deles apresentavam depressão. Ao responderem à pergunta “No último mês, você bateu no seu filho?”, a resposta foi SIM em 13% dos pais sem depressão e em 41% dos deprimidos, uma diferença de quatro vezes. Desemprego e abuso de substâncias psicoativas também eram mais comuns entre os pais com depressão e estes apresentavam também uma interação com os filhos duas vezes menor, quando isso era medido pela freqüência que liam histórias para as crianças.
Os resultados também mostraram que 77% dos pais deprimidos haviam levado seus filhos ao pediatra nos últimos 12 meses, o que aponta uma grande oportunidade para que o pediatra provoque algum nível de discussão sobre a saúde mental do pai, orientando-os a procurar ajuda médica especializada.
Já é bem reconhecido que o envolvimento dos pais nas questões discutidas num consultório pediátrico faz diferença no desenvolvimento das crianças e que a depressão paterna está associada a piores indicadores psicossociais da criança. Os pediatras, que já se preocupam com a saúde das mães, também devem estar atentos com os pais, pois a saúde deles também merece toda a atenção. Vale lembrar que é cada vez maior o número de pais que ficam com as crianças enquanto as mães trabalham.
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Nesta semana, o periódico especializado Academic Medicine publicou um estudo que confirma que uma boa relação médico-paciente pode fazer a diferença para o sucesso de um tratamento.
Pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson nos EUA avaliaram 29 médicos que cuidavam de cerca de 900 pacientes diabéticos com uma média de idade de 56 anos. O nível de empatia de cada médico durante a prática clínica foi estimado através de uma escala validada em outros estudos composta por 20 itens e que é focada na capacidade do médico em entender as experiências, crenças e perspectivas do paciente e sua capacidade de se comunicar e demonstrar sua intenção de ajudar. Já os pacientes foram monitorizados através de exames de sangue que refletem o controle do diabetes e o nível do colesterol LDL.
Os resultados confirmaram a hipótese inicial dos pesquisadores: pacientes com os melhores índices, tanto do controle das taxas de glicose quanto do colesterol, foram aqueles acompanhados por médicos com maiores escores de empatia. Além disso, a chance de um mau controle metabólico foi menor naqueles que tinham médicos com altos escores.
O perfil de empatia dos médicos reflete em parte a satisfação do paciente com o profissional e a confiança nele depositada, fatores que influenciarão o nível de aderência às recomendações médicas e os resultados clínicos. Os resultados reforçam a idéia de que empatia deve ser considerada como um componente integral da competência profissional de um médico e suportam recomendações de algumas associações médicas de que os médicos, já no curso de graduação, deveriam ser treinados com técnicas direcionadas ao incremento da empatia na prática clínica.
Para se ter mais uma idéia do poder de uma consulta médica em que o médico demonstra empatia, veja os resultados desta pesquisa publicada neste blog no ano de 2008.
Três tipos de tratamento foram oferecidos a pacientes com o diagnóstico de síndrome do intestino irritável: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:
* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;
* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a doença tem sido difícil para você);
* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);
* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;
* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência e bons resultados com este problema).
Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas?
A resposta foi sim em:
* em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)
* em 44% dos pacientes do grupo 2 (acupuntura placebo)
* em 62% dos pacientes do grupo 3
(acupuntura placebo + atendimento padronizado)
* Leia também: Relação médico-paciente. Quando um não quer, dois não compartilham.
** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 11 de março 2011 ele discutiu o impacto que uma boa relação médico-paciente tem no sucesso de um tratamento clínico.
CLIQUE AQUI para ouvir o AUDIO.
Após restrição de 55 minutos de sono por seis dias, crianças com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) passaram a apresentar desempenho cognitivo bem inferior, especialmente nos quesitos atenção e tempo de reação. Esses foram os resultados de uma pesquisa conduzida por pesquisadores canadenses e recém-publicados no periódico especializado SLEEP.
Foram 43 crianças estudadas com uma média de idade de 9 anos, 11 com o diagnóstico de TDAH e 22 como grupo controle. Após seis dias de monitorização do sono em casa por um aparelho chamado actígrafo, parecido com um relógio de pulso, as crianças eram orientadas a dormir uma hora mais tarde do horário habitual. Crianças sem déficit de atenção também apresentaram piora nos testes cognitivos, mas de forma bem menos intensa que as crianças com o diagnóstico de TDAH.
A redução do tempo de sono provocada no estudo foi modesta e semelhante à privação de sono que ocorre no dia-a-dia real das crianças, quando, por exemplo, esticam um pouco mais a noite para terminar o dever de casa. Os resultados da atual pesquisa confirmam que o sono das crianças é um ponto crucial para um bom desempenho acadêmico, ainda mais para aquelas com diagnóstico de TDAH, um dos problemas de saúde mais comuns da infância.
Veja abaixo o número ideal de horas que as crianças deveriam dormir:
| Idade | Número ideal de horas de sono |
| RN (0-2 meses) | 12-18 horas |
| 3-11 meses | 14-15 horas |
| 1-3 anos | 12-14 horas |
| 3-5 anos | 11-13 horas |
| 5-10 anos | 10-11 horas |
| 10-17 anos | 8.5-9.25 horas |
| Adultos | 7-9 horas |
Neste carnaval, com quatro dias e meio de folga, e para alguns até mais, a cabeça faz uma lista de possíveis candidatos para ocupar o tempo com LAZER. E por que não ter essa lista na mente durante o resto do ano?
O tempo dedicado ao lazer muitas vezes está associado à atividade física. Nesses casos podemos desfrutar de um grande pacote de benefícios à saúde que incluem maior longevidade, melhor desempenho cerebral, melhor saúde psíquica e menor risco de doenças vasculares, degenerativas e neoplásicas. Entretanto, conhece-se bem menos sobre o impacto do lazer em nossa saúde independente da atividade física, como é o caso da leitura, cinema, música, etc. Alguns estudos, entretanto, têm revelado efeitos positivos interessantes.
Pesquisadores suecos demonstraram na década de 90 uma maior longevidade entre pessoas que freqüentavam eventos culturais. O mesmo grupo realizou um outro estudo que analisou a relação entre a participação em eventos culturais e o status geral de saúde. Duas entrevistas com intervalo de oito anos entre elas foram aplicadas a 3800 voluntários. Os indivíduos que apresentaram altos escores de participação em atividades culturais apresentavam 65% mais chance de se julgarem saudáveis quando comparados àqueles com baixos escores. Ainda mais importante foi o fato de que aqueles que partiram de um status de baixa atividade cultural na primeira entrevista e passaram a ter uma maior participação na segunda entrevista, atingiram uma auto-percepção de saúde semelhante àqueles que apresentavam altos scores em ambas as entrevistas.
As possíveis explicações para os benefícios do lazer sobre nossa saúde incluem desde dimensões psicossociais até mesmo biológicas. As atividades de lazer podem aumentar nossa rede de relacionamentos, nossas conexões sociais. Esse é um fator que está associado a uma menor concentração de hormônios do estresse e já foi demonstrado que com isso há redução dos riscos de doença isquêmica do coração (os animais de estimação também exercem esse efeito). Além disso, o lazer pode aumentar os níveis do hormônio ocitocina e do neurotransmissor serotonina, ambos associados ao bem estar psíquico. Uma simples aula de canto é capaz de aumentar os níveis do hormônio ocitocina, hormônio que pode ser considerado como modulador do estresse.
O lazer também promove a estimulação de nossos centros cerebrais de recompensa associados ao prazer. Essas são as mesmas regiões do cérebro estimuladas quando nos deliciamos com um saboroso alimento, quando experimentamos a paixão, quando compramos algo novo e muito desejado, quando temos atitudes altruístas ou quando solucionamos um problema. A ativação desses centros leva à liberação de uma série de neurotransmissores como dopamina, serotonina, endorfina, e que estão associados à sensação de prazer. O lazer é uma das maiores oportunidades para fugirmos da rotina, da repetição. Assim nosso cérebro vivencia o novo e o inesperado, que são fatores críticos para a estimulação de nossos centros de recompensa, com boas repercussões sobre a saúde psíquica e o estado imunológico.
Um meio rico em estímulos promove ainda uma maior saúde de regiões cerebrais tais como o hipocampo, que está relacionado a uma maior atividade cognitiva e menor risco de depressão. Há uma forte linha de pesquisa mostrando-nos que os idosos que mantêm ativas suas atividades de lazer têm menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.
Diferentes modalidades de lazer também têm sido demonstradas como ferramentas preciosas para o tratamento de pessoas doentes: música, literatura, teatro e pintura. A música, por exemplo, aumenta a velocidade de recuperação de pacientes na fase aguda de um derrame cerebral, reduz a agitação de adultos em unidades de terapia intensiva e melhora o comportamento de crianças internadas com transtornos psiquiátricos.
O lazer tem sido levado cada vez mais a sério, e não devemos achar que sua importância seja restrita a sociedades super-desenvolvidas como o Estado de bem-estar social sueco. No Brasil ainda temos que suar muito a camisa para alcançarmos padrões mínimos desejáveis de desenvolvimento social, e estamos melhorando. O lazer associado ou não ao esporte pode ajudar a alavancar ainda mais esse desenvolvimento. Do ponto de vista de política pública, o lazer é um investimento relativamente barato que pode trazer benefícios em várias dimensões do desenvolvimento humano. Saúde é só uma delas.
** Confira a coluna semanal do Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília – sextas-feiras às 10:35h. No dia 04 de março 2011 ele discutiu com Estevão Damasio os potenciais benefícios do lazer à nossa saúde . CLIQUE AQUI para ouvir o audio.
Subir e descer escadas, comer e vestir-se sozinho. Essas são atividades da vida diária que algumas pessoas deixam de conseguir fazer sem ajuda quando atingem idades mais avançadas. Como evitar essas dificuldades? Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Journal of Gerontology: Medical Sciences aponta que uma vida social ativa pode ajudar bastante.
A pesquisa envolveu quase mil idosos americanos com uma média de idade de 82 anos e que não apresentavam qualquer forma de dependência no início do acompanhamento que durou cinco anos em média. Um questionário foi aplicado para medir a presença e freqüência de atividades sociais dos idosos, como ir a um restaurante e cinema, viagens, trabalhos voluntários, visitas a amigos e parentes, entre outras. Os idosos também eram questionados quanto ao nível de independência para realizar seis diferentes atividades da vida diária: alimentar-se, vestir-se, tomar banho, usar o vaso sanitário, levantar-se da cama e andar por curtas distâncias. O questionário também investigava a capacidade do idoso em realizar três outras atividades que dependem de força e mobilidade: 1) subir e descer escadas; 2) caminhar 800 metros; 3) realizar o trabalho doméstico mais pesado. Por fim, atividades instrumentais também eram questionadas, como uso do telefone, preparo de refeições e manejo de medicações.
Os resultados mostraram que os idosos que relatavam uma alta frequência de atividades sociais tinham duas vezes mais chance de se manterem independentes nas suas atividades de vida diária e 1.5 vezes maior de continuarem com bom desempenho nas atividades instrumentais e naquelas que demandam força e mobilidade.
Uma vida social ativa pode fortalecer o sistema músculo-esquelético e circuitos cerebrais que são os pilares da independência funcional. Componentes psicológicos estão envolvidos, como manutenção da auto-estima e sensação de pertencer a uma rede social, mas não há como negar que a atividade física associada às atividades sociais tem o seu papel também. Novos estudos deverão avaliar se a introdução de atividades sociais na vida de um idoso pode ajudar a reduzir ou retardar o aparecimento de dependência funcional. É difícil imaginar que intervenções desta natureza não tragam resultados positivos.
Pesquisadores canadenses demonstraram que os vencedores do Oscar de melhor ator ou atriz, principal ou coadjuvante, têm uma vida mais longa do que aqueles que nunca receberam o prêmio.
A história começa no ano de 2001 quando os pesquisadores Redelmeier e Singh analisaram a longevidade de mais de 700 atores / atrizes que haviam atuado em filmes e que tenham recebido indicação ao Oscar. Para cada ator / atriz indicado ao Oscar, eles identificaram um outro ator / atriz do mesmo sexo, com semelhante faixa etária e que havia participado do mesmo filme, mas que não havia sido indicado ao Oscar.
Todas as indicações de Oscar foram analisadas desde a criação da Academia até o ano 2000. Três grupos foram criados: 1) Vencedores: os que levaram a estatueta para casa; 2) Indicados: os que foram indicados, mas não ganharam; 3) Controles: nunca indicados e que nunca ganharam. Exemplos: Jack Nicholson foi classificado como Vencedor, pois já havia sido premiado três vezes na época; Richard Burton foi classificado como Indicado, pois já havia recebido sete indicações, mas nunca ganhou; Lorne Green era do grupo Controle, nunca indicado, e claro nunca ganhou.
De um total de 1649 artistas incluídos no estudo, 772 já haviam morrido. As principais causas de morte foram a doença isquêmica do coração, derrame cerebral e câncer, e não foi diferente entre os três grupos. O nível educacional também não era diferente entre os grupos. Os Vencedores viveram cerca de 4 anos a mais que o grupo Indicados e o grupo Controles (Vencedores: 79.7 anos; Indicados: 76,1 anos; Controles: 75.8 anos). Do ponto de vista estatístico, os Indicados apresentaram a mesma longevidade dos Controles. Entre os Vencedores, quanto mais jovens ao receber o Oscar, ou o primeiro Oscar, maior a longevidade. Os resultados não foram diferentes entre Vencedores de papel principal ou coadjuvante. Entretanto, os Vencedores de mais de um Oscar viveram 6 anos a mais que os controles: sorte do Jack Nicholson.
E como explicar esses resultados ? A longevidade dos seres humanos tem sido consistentemente associada ao status sócio-econômico. Os ricos vivem mais que os pobres. Aqueles que receberam maior contingente de educação formal também vivem mais. E por que será que o sucesso por si só também poderia nos trazer mais anos de vida ? Vamos às hipóteses.
Pessoas de sucesso como os “Vencedores” são personalidades de grande visibilidade pelo público e buscariam andar na linha para não arranhar suas imagens. Muitas vezes, os próprios contratos com a indústria do cinema os obrigam a ter bons padrões de comportamento. Além disso, são cercados de assessoria para manter a forma física, boa alimentação, entre outros hábitos salutares. Conhecemos inúmeras histórias de celebridades que contrariam totalmente esse argumento, mas talvez não seja a regra. Nesse estudo, mesmo o grupo Controles apresentou maior longevidade que a média da população americana no mesmo período.
No ano de 2006 a mesma revista científica publicou uma crítica muito bem estruturada sobre o método de análise estatística do artigo publicado em 2001, sugerindo que o grupo Vencedor foi privilegiado, colocando em cheque os resultados de forma bastante contundente. Foi um balde de água fria, mas o assunto ainda não está encerrado. Ainda se discute que “Vencedores” podem até viver mais, mas não como conseqüência do sucesso. Ao invés disso, o sucesso seria o resultado do perfil de indivíduos com maior capital de saúde, e que também viveriam mais. Esse efeito foi sugerido em 2003 após análise da longevidade dos membros da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, comparando vencedores do Prêmio Nobel com não vencedores. Os vencedores do Prêmio Nobel viveram mais! Talvez essas celebridades tenham uma genética privilegiada não só do ponto de vista cerebral.
Redelmeier e Singh, os autores do estudo dos “vencedores”, analisaram também a longevidade de roteiristas de cinema e publicaram os resultados no British Medical Journal, um dos mais respeitados periódicos científicos do mundo. A hipótese era de que o fato dos roteiristas gozarem de menos glória e sucesso que os atores, o efeito Oscar seria menos pronunciado. Resultado: aqueles que venceram o Oscar viveram três anos e meio a menos que aqueles que foram só indicados (Indicados: 77.7; Vencedores 74.1). Os roteiristas vencedores de Oscar que trabalhavam mais intensamente (maior média de filmes por ano) viviam menos ainda. Mesmo entre os roteiristas não agraciados com o Oscar, aqueles que escreviam mais filmes por ano também viviam menos. Discute-se que hábitos saudáveis talvez não sejam tão cobrados de roteiristas, pois muitos mantém-se em relativo anonimato quando comparados a atores / atrizes. Estudos anteriores já haviam evidenciado menor longevidade entre escritores, e uma das explicações é o estilo de vida menos saudável (ex: inatividade física, sono irregular). Questões até mesmo existenciais são contempladas, especialmente no caso dos poetas.
Ao fazermos um balanço geral dessas informações à luz do conhecimento atual, é bem razoável pensar que indivíduos com perfil genético vantajoso viverão mais e terão também mais chances de atingirem o sucesso (vantagens cerebrais). A vida de celebridade realmente pode ser um fator modulador positivo dos hábitos de vida, e isso precisa ser melhor investigado. No caso dos roteiristas, precisamos ser cautelosos e não sairmos dizendo por aí que trabalho faz mal à saúde, pois sabemos que faz bem quando é realizador e bem dosado. Melhor ainda quando associado a outros hábitos saudáveis. Certamente muitos cinéfilos argumentarão que vincular talento e sucesso no universo do cinema à estatueta é no mínimo discutível. Na pesquisa dos roteiristas de cinema, o Oscar mais uma vez foi a medida do sucesso. No grupo daqueles que foram só indicados, mas nunca venceram, podemos encontrar nada mais, nada menos que Stanley Kubrick, Ingmar Bergman e Frederico Fellini. Não deve ter sido a falta de sucesso e talento que fez Bergman viver 91 anos.
** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN no dia 25 de fevereiro 2011
Pesquisadores americanos demonstraram que o uso do celular por um tempo de 50 minutos é capaz de aumentar o metabolismo cerebral, especialmente nas regiões frontal e temporal do mesmo lado em que o aparelho foi usado.
Esse aumento do metabolismo poderia ser secundário ao aumento de temperatura que o aparelho pode provocar? Sabe-se que 10 minutos de uso do celular são capazes de aumentar a temperatura da pele em 2º C. Porém, é pouco provável que o aumento de temperatura da pele leve ao aumento do metabolismo cerebral, já que as regiões cerebrais mais alteradas encontravam-se distantes da região de contato do celular com a pele. A melhor explicação para os resultados é mesmo o efeito da energia de radiofreqüência emitida pelo celular. Novos estudos deverão explorar o impacto desse fenômeno na saúde cerebral ao longo prazo.
Os resultados foram publicados hoje pelo periódico JAMA.
Leia também ” Telefone celular pode causar câncer?”
Nesta última semana, duas das principais publicações científicas em saúde do mundo, JAMA e Pediatrics, chamaram a atenção para o fato de que o público deve estar consciente de que as bebidas energéticas cafeinadas não são tão inocentes assim.
O crescimento dessas bebidas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. Em 2011, a expectativa é que o negócio alcance os 9 bilhões de dólares.
O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, indo desde 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. No Brasil, a adição dessas ervas não é permitida.
Países da União Européia exigem que o rótulo desses produtos apresente o aviso “Bebida com alto conteúdo de cafeína”. No Canadá, exige-se que o rótulo do Red Bull evidencie que não se deve misturá-lo com bebidas alcoólicas e que não se deve beber mais do que duas latinhas por dia. Na Noruega essa mesma bebida só pode ser comprada em drogarias, e só a partir de 2008 a França permitiu sua comercialização após adequação da sua fórmula, com a substituição do aminoácido taurina por arginina, já que não se conhece bem os efeitos do consumo de taurina sobre nossa saúde ao longo prazo. Nos EUA, medicações que contém cafeína devem ter nas embalagens uma série de avisos de segurança ao consumidor. Por outro lado, bebidas energéticas que podem ter conteúdos de cafeína até várias vezes superiores a um desses comprimidos, não precisam nem mesmo ter a concentração de cafeína demonstrada em seus rótulos, já que são consideradas suplementos dietéticos.
No Brasil, a ANVISA classifica esses produtos como “COMPOSTOS LÍQUIDOS PRONTOS PARA CONSUMO” e uma portaria de 1998 regulamenta a comercialização com as seguintes ressalvas: * Conteúdo de álcool deve ser menor que 0.5% e de cafeína deve ser no máximo de 350 mg/l (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína e uma lata de coca-cola 35mg). É ainda obrigatória a demonstração no rótulo do conteúdo de cafeína e advertência em destaque e negrito: “Idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir este produto”. Em nova resolução no ano de 2005, a recomendação de advertência foi estendida para: “Crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir o produto” e também “Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica“. Os termos “Bebida Energética” ou “Energy Drink” são permitidos nos rótulos, mas passam a ser proibidas expressões como “Estimulante”, “Melhora de Desempenho” ou equivalentes.
As campanhas publicitárias das bebidas energéticas são direcionadas primariamente aos jovens, especialmente aos homens, prometendo melhora do desempenho da atenção e resistência física, perda de peso e maior diversão. No Brasil estamos acostumados a ver a animação de um bonequinho em que a bebida energética lhe “dá asas”. Já nos EUA, algumas campanhas têm forte apelo à glorificação do uso de drogas. Há desde bebidas com o nome “Cocaína” vendida como a “alternativa legal”, bebida que vem acompanhada de um kit de acessórios comumente usados para cheirar cocaína, até propaganda na TV em que pessoas simulam cheirar a bebida energética em alusão ao ato de cheirar cocaína.
E por que tanta preocupação com essas bebidas por parte das autoridades de saúde pública? O que é que a cafeína dessas bebidas tem que a do café não tem? Um dos focos de preocupação gira em torno do risco de intoxicação aguda já que algumas campanhas publicitárias prometem inúmeros benefícios e as pessoas podem interpretar isso como quanto mais, melhor. E as pessoas pouco sabem sobre os níveis de consumo seguro de cafeína, e isso depende muito se o consumo é esporádico ou regular. Grávidas não devem consumir cafeína de forma alguma, pois há aumento do risco de aborto espontâneo e de recém-nascidos de baixo peso.
Quem ingere cafeína diariamente tem menos riscos de se intoxicar, já que o metabolismo da substância é mais rápido. Entre os sintomas da intoxicação aguda por cafeína incluem-se ansiedade, agitação psicomotora, dor de cabeça, tremor, insônia e sintomas gastrintestinais. Mais raramente, uma overdose de cafeína pode provocar efeitos ainda mais sérios. Em 2007, um competidor de motocross na Austrália teve uma parada cardíaca após beber oito latas de Red Bull num espaço de tempo de cinco horas. A cafeína provoca lentificação dos batimentos cardíacos e constrição dos vasos do cérebro e do coração. Há relatos isolados de crises epilépticas, derrame cerebral e alguns casos de morte potencialmente associados à intoxicação por cafeína. Uma concentração de cafeína no sangue acima de 1g pode levar a sintomas de intoxicação e acima de 5g já pode provocar a morte.
A dependência à cafeína é outro problema que merece atenção, e a abstinência da substância pode causar dor de cabeça, fadiga, sonolência e redução do desempenho cognitivo, alteração do humor, irritabilidade, náuseas e dores musculares. Assim como os adultos, crianças e adolescentes também são susceptíveis ao problema.
Mais preocupante ainda é a crescente cultura de se misturar os energéticos com álcool. Estudos recentes têm demonstrado que a mistura faz com que a pessoa se sinta menos sonolenta, mas sem perceber seu real estado de embriaguez, e por isso, cria uma maior tendência a comportamentos de risco e violência sexual. Apesar de ainda ser uma discussão em aberto, já se reconhece que os mesmos fatores genéticos que definem o risco de dependência à cafeína estão associados também ao tabagismo e ao alcoolismo. Já existem pesquisas que apontam que o excesso de cafeína aumenta a chance de dependência ao álcool. Em novembro de 2010, o FDA, órgão regulador americano, anunciou que a cafeína não é uma substância segura quando adicionada às bebidas alcoólicas, o que deve fazer com que uma série de produtos saia do mercado desse país.
Não é uma latinha de bebida energética aqui e outra ali que irá trazer problema. Entretanto, à luz do conhecimento atual, deve-se ter em mente que tanto o abuso desses produtos, assim como a mistura com álcool podem estar associados a problemas de saúde mais sérios. Se a intenção for aumentar o desempenho físico e mental, por que não usar de forma moderada a cafeína dos próprios alimentos (ex: chás, café)? Nos alimentos, a cafeína vem acompanhada de inúmeras substâncias que reconhecidamente fazem muito bem à saúde.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico The British Journal of Sports Medicine aponta que aparelhos que permitem que uma pessoa pedale em sua mesa de trabalho podem ser uma saída viável para reduzir o sedentarismo de quem trabalha sentado por períodos prolongados.
A pesquisa envolveu 18 profissionais com uma média de idade de 40 anos e que trabalhavam sentados por pelo menos 75% do tempo. Os voluntários foram monitorizados quanto à velocidade em que pedalavam, distância percorrida e calorias que eram gastas. A maioria dos voluntários era formada por mulheres com sobrepeso.
O aparelho foi oferecido por 20 dias de trabalho consecutivos e a média de uso foi de 12 dias e por 23 minutos diários. O maior uso em um único dia foi de 73 minutos e o máximo de gasto calórico foi de 500 calorias. Ao final do estudo, um questionário foi aplicado para avaliar a aceitação do aparelho e a maioria respondeu que usaria o aparelho caso fosse oferecido pelo empregador e que ele não atrapalhou o desempenho do trabalho. O aparelho também não devia atrapalhar o desempenho dos colegas, já que o ruído do aparelho é muito discreto.
Você usaria uma bicicleta dessas debaixo da sua mesa de trabalho?

Durante a infância precoce, uma dieta rica em gordura, açúcar e alimentos processados pode reduzir o QI das crianças enquanto uma dieta saudável pode aumentar. Esses são os resultados de uma pesquisa recém-publicada pela revista inglesa Journal of Epidemiology and Community Health.
O estudo foi baseado numa amostra de quatorze mil crianças inglesas, cujos pais responderam a um questionário sobre os hábitos alimentares das crianças quando elas tinham 3, 4, 7 e 8.5 anos de idade. O questionário, também conhecido como “Análise dos Principais Componentes” (PCA), avalia os tipos e frequência de alimentos consumidos e tem a virtude de avaliar a dieta em conjunto, não através de alimentos individuais. Isso faz todo o sentido, já que não consumimos alimentos isoladamente, mas sim em combinações. Além disso, 4000 crianças foram submetidas ao bem validado teste de QI pela Escala de Inteligência de Wechsler para crianças, e essas foram as crianças incluídas na análise final.
Os pesquisadores identificaram três diferentes padrões de alimentação: 1) Processada: dieta com alto teor de gordura e açúcar e rica em alimentos industrializados; 2) Tradicional: dieta rica em carne vermelha, frango, batata e vegetais; 3) Consciente: dieta rica em salada, frutas, vegetais, peixe, arroz e massas. Cada criança recebeu uma pontuação para cada tipo dessas três dietas.
Os resultados mostraram que uma dieta predominantemente do tipo Processada na idade de 3 anos estava associada a um menor QI na idade de 8.5 anos, mesmo que existisse uma melhoria da dieta ao longo dos anos. Por outro lado, o padrão de dieta Consciente aos 8.5 anos de idade estava associado a um leve aumento do QI nesta idade. Os pesquisadores já haviam publicado recentemente que essas mesmas crianças apresentavam um melhor desempenho escolar e menos sintomas de hiperatividade quando consumiam uma dieta de melhor qualidade.
Não é a primeira vez que temos evidências de que a qualidade da alimentação em fases precoces de vida pode influenciar o desempenho cognitivo e isso pode ser explicado pelo fato de que esse é um período em que o cérebro cresce com mais rapidez e necessita de uma nutrição de alta qualidade.
Existem inúmeros estudos que apontam o inequívoco efeito positivo da amamentação sobre o desenvolvimento intelectual das crianças. Na verdade, os efeitos positivos de uma boa dieta já começam na barriga da mãe. Os pesquisadores da atual pesquisa já haviam publicado resultados parciais da mesma população de crianças demonstrando que o consumo pelas mães de peixes ricos em ômega-3 durante a gravidez estava associado a um melhor desenvolvimento cognitivo das crianças.
Quanto à alimentação na infância, os estudos são menos definitivos. A maior parte das pesquisas é voltada para a suplementação de nutrientes, e os resultados são mais relevantes entre crianças com deficiência nutricional. Além da presente pesquisa, apenas outra havia avaliado o impacto da dieta de forma ampla sobre o desempenho cerebral das crianças. Nelson e colaboradores não encontraram associação entre a qualidade da dieta e o QI de crianças inglesas com idades entre 7 e 12 anos. Talvez a grande diferença esteja na exposição precoce de uma dieta saudável, de preferência antes dos três anos de idade.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Social Science Research Network aponta que a próxima vencedora do Oscar de melhor atriz tem mais uma razão para cuidar muito bem da relação, já que é maior sua chance de uma separação conjugal após levar a estatueta para casa.
Não faz pouco tempo que circula um comentário de que mulheres quando ganham o Oscar logo se separam, mas nenhuma análise científica havia sido feita para embasar essa história, até a apresentação dos resultados do presente estudo. Os pesquisadores avaliaram todos os indicados para o Oscar de melhor ator ou atriz entre os anos de 1936 e 2010 e o tempo que o casamento de cada um dos indicados durou após a indicação. A cada ano, cinco indivíduos são indicados ao prêmio em cada categoria, exceto em 1936, quando houve seis indicações para o Oscar de melhor atriz.
De um total de 751 artistas indicados, 265 eram casados na época da indicação, ou viviam juntos com o parceiro na mesma propriedade, ou tinham filhos em comum. Entre esses 265 indicados, 159 (60%) experimentaram pelo menos um divórcio após receber a nomeação para o prêmio. A relação passava a durar muito menos entre as atrizes premiadas (4.3 anos) quando comparadas às que foram apenas indicadas (9.5 anos), diferença que não aconteceu entre os homens premiados (12.6 anos) e os apenas indicados (11.9 anos).
Uma possível explicação para esses resultados é o desconforto dos homens em acompanhar o sucesso e a fama de suas mulheres. Outra possibilidade é a de que o sucesso das mulheres as torna mais confiantes em terminar um relacionamento que já não era satisfatório.
A norma social mais comum nas relações homem-mulher, mesmo no mundo contemporâneo, é a de que os homens detêm maior poder econômico e status social. Seguindo essa cultura, os homens podem ter uma tendência a se afastar de mulheres com maior poder. Uma série de estudos já havia demonstrado que mulheres quando começam a ter um poder financeiro maior que seus companheiros passam a ter um risco maior de divórcio e até mesmo de violência doméstica. Pesquisas também apontam que, quando as mulheres passam a ter uma maior participação econômica, elas tendem a se dedicar mais aos filhos e às tarefas da casa para que o casamento pareça mais convencional às outras pessoas, enquanto os maridos se afastam ainda dessas atividades.
A pesquisa sugere que o comportamento das celebridades não é muito diferente da população geral quando a questão é a dinâmica de gêneros em relação ao poder de cada um dos membros de um casal. Novos estudos deverão definir se, após um incremento do status social ou econômico de uma mulher, o impulso para uma separação conjugal se dá mais por conta da mulher ou do homem. Isso certamente vai depender da qualidade da relação, e do quanto a cabeça de cada um dos dois é bem resolvida.
** Clique aqui e confira também o post “Fama e Sucesso fazem bem à saúde?”
Problemas de sono entre as crianças não são raros: estima-se que estejam presentes em 25-40% das crianças com idades entre 1 e 5 anos. As queixas mais comuns são a resistência em ir pra a cama, dificuldade em induzir o sono e freqüentes despertares noturnos, ou seja, problemas na quantidade, qualidade e no horário em que se dorme. Muitas vezes essas dificuldades podem ser decorrentes de maus hábitos de sono, e a educação dos pais é a estratégia central de prevenção e tratamento.
Recomenda-se que crianças com 1-3 anos de idade devem ter entre 12-14 horas de sono por dia, 11-12 horas para os pré-escolares de 3-5 anos e 10-11 horas para as crianças escolares de 6-12 anos. Dormir mal nessas fases precoces da vida pode ter forte influência sobre o comportamento e desenvolvimento intelectual, favorece o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, e pode até mesmo aumentar o risco de acidentes nas brincadeiras. Há evidências também de que as relações familiares e o equilíbrio psíquico da mãe são afetados quando a criança não dorme bem.
Atitudes para uma boa Higiene de Sono das crianças:
1- A cama dos pais não é lugar para as crianças dormirem;
2- Deve-se criar uma rotina consistente de ir para a cama, ou seja, no mesmo horário e com as mesmas ações. As crianças mais novas já devem ser preparadas para ir para a cama 30 minutos antes e as mais velhas 30-60 minutos antes;
3- Leitura deve fazer parte da rotina do sono das crianças em qualquer idade. Uma das importantes causas de sono difícil entre as crianças, e frequentemente relatada por elas, é o medo do escuro. Histórias que abordam de forma positiva questões relacionadas à noite e à escuridão têm grande potencial de ajudar, iniciativa que é chamada de biblioterapia;
4- O ambiente do quarto deve ser silencioso, escuro e com temperatura adequada, preferencialmente em torno de 24 graus. Muitas crianças não conseguem dormir com as luzes totalmente apagadas, e nesses casos, dispositivos do tipo dimers para o controle da iluminação podem resolver o problema;
5- A rotina do sono deve também incluir a fixação de um horário para acordar. Quando os pais permitem que os filhos acordem mais tarde com certa frequência, eles podem estar dificultando o processo de ir para a cama à noite, criando um círculo vicioso;
6- A alimentação pode ajudar ou atrapalhar. Alimentos com cafeína devem ser evitados por no mínimo seis horas antes de ir para a cama. Alimentos ricos no aminoácido triptofano podem ajudar se ingeridos cerca de uma hora antes de ir para a cama, já que este aminoácido é precursor de substâncias indutoras do sono como a serotonina e melatonina. Entretanto, as evidências científicas da eficácia desses alimentos para uma boa noite de sono não são muito robustas. De qualquer forma, vale lembrar que leite, soja e banana são alimentos ricos em triptofano e que dormir com fome é muito mais difícil. Portanto, um leitinho antes de dormir pode ser realmente um bom negócio;
7- Atividade física diária deve fazer parte desse pacote de Higiene do Sono, no mínimo três horas antes de ir para a cama. Independente do sono, 45-60 minutos de atividade física por dia são recomendados para as crianças. Esportes organizados são muito bem vindos, mas esse tempo pode também ser alcançado em múltiplas sessões de curta duração, em que a criança anda de bicicleta, brinca de pique pega, leva o cachorro para passear, etc;
8- Banho quente antes de dormir é uma medida que vários pais adotam. Não existem estudos científicos que aprovam essa medida, mas também não há estudos que a desaprovam.
Quando a Higiene do Sono não foi suficiente
Reforçar o sucesso de a criança ter conseguido seguir a rotina de horário é uma medida fortemente recomendada. Quando as crianças continuam com dificuldades para dormir, outras medidas podem ser necessárias. Uma delas é a redução progressiva ou não de atenção dos pais quando as crianças choram no quarto sem conseguir dormir, técnica chamada de extinção. Podem fazer visitas ao quarto da criança a cada cinco minutos, progredindo para visitas a cada 10 minutos, e assim por diante. Crianças menores de seis meses e com algum problema de saúde não devem ser submetidas a essas técnicas de extinção.
Uma variação da extinção é o chamado Passe do Horário de Dormir. A criança recebe um cartão que serve como um passe que garante a presença dos pais em seu quarto uma única vez ou uma breve saída do quarto. A criança é orientada que após gastar o passe, a extinção será completa, ou seja, os pais não entrarão mais em seu quarto, nem ela poderá sair do quarto. Os resultados preliminares dessa técnica têm sido animadores.

Foi prorrogado para o dia 14 de fevereiro de 2011 o prazo das inscrições dos cursos de pós-graduação lato-sensu em Jornalismo Científico e em Divulgação Científica e Saúde: Neurociências.
Mais informações no site www.labjor.unicamp.br
Já há fortes evidências de que, para o tratamento da insônia, a eficácia da terapia cognitivo-comportamental (TCC) é semelhante à dos medicamentos hipnóticos, e é até mesmo superior quando se avalia a satisfação dos pacientes ao longo prazo. Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico oficial da Associação Médica Americana (JAMA) testou se a TCC quando aplicada por um curto período de tempo também é eficaz contra a insônia. Os resultados foram bem animadores.
Foram estudados 79 indivíduos com uma média de idade de 72 anos e que tinham o diagnóstico de insônia crônica entre outros problemas de saúde. Metade deles foi submetida a uma TCC de curta duração, enquanto a outra metade recebeu apenas material educacional impresso sobre insônia. A TCC, que costuma levar de seis a oito sessões individuais no seu início, foi transformada em uma visita inicial de 45 a 50 minutos seguida por uma segunda visita de 30 minutos após duas semanas. Uma e três semanas após essa segunda visita, o voluntário ainda recebia duas ligações telefônicas de 20 minutos. Além disso, os participantes de ambos os grupos foram monitorizados por um aparelho chamado de actígrafo que mede o tempo que a pessoa fica imóvel durante a noite, supostamente dormindo, e também eram orientados a preencher um diário de sono.
Os resultados mostraram que os idosos que foram submetidos à psicoterapia apresentaram uma melhora do padrão do sono bem superior, evidenciado tanto pelo diário do sono como pela medida objetiva da actigrafia. Os ganhos mostraram-se sustentáveis mesmo após seis meses da intervenção.
A TCC a princípio permite que a pessoa estabilize seu ritmo de sono e vigília ao criar uma rotina que inclui:
1- Fixar um horário certo de ir para a cama e de acordar;
2- Ir para a cama só quando estiver com sono;
3- Evitar dormir durante o dia;
4- Evitar atividades na cama que não sejam a de dormir e ter relações sexuais;
5- Evitar passar tempo excessivo na cama tentando dormir. Quando não se consegue dormir, é preferível levantar e sair do quarto até que volte a sentir sono.
A TCC também ajuda as pessoas a aprender novas maneiras de pensar, substituindo crenças e conceitos negativos por outros positivos.
A pesquisa é muito importante por mostrar que terapias não medicamentosas para combater a insônia podem ser eficazes, mesmo entre idosos com múltiplos problemas de saúde. Esses resultados devem incentivar ainda mais os médicos a evitar/retirar medicações hipnóticas de pacientes idosos, já que é maior a chance de efeitos adversos nessa faixa etária, como é o caso de redução do desempenho cognitivo e risco de quedas. Além disso, essas medicações, ao invés de melhorar a qualidade do sono, podem muitas vezes até piorar.
Obs: Muito interessante é que os resultados foram obtidos por uma enfermeira sem experiência prévia em medicina do sono ou em intervenções comportamentais para insônia. Isso indica que o método pode ser difundido para uma grande gama de profissionais de saúde, especialmente da enfermagem.
OUTRAS DICAS PARA UMA BOA NOITE de SONO
¨ Evitar o consumo de bebidas alcoólicas por no mínimo 6 horas antes de dormir. O álcool pode alterar a arquitetura do sono e aumentar o número de apnéias nos portadores de apnéia obstrutiva do sono;
¨ Evitar o uso de bebidas estimulantes como café, chá preto, verde ou mate e energéticos por no mínimo 6 horas antes de dormir;
¨ Evitar refeições pesadas antes de dormir;
¨ Praticar exercícios físicos regularmente, evitando fazê-los próximos ao horário de dormir;
¨ Procurar relaxar física e mentalmente pelo menos 2 horas antes de dormir. Um bom hábito é ter uma agenda para escrever os compromissos e prioridades do dia seguinte para que se possa ir para a cama sem se preocupar com aquilo que não se deve esquecer no dia seguinte;
¨ Melhorar o ambiente do sono. O quarto em que se dorme deve ser confortável, silencioso, escuro e com temperatura adequada. Para as pessoas que tem alergia, carpetes ou outros materiais que acumulem poeira devem ser evitados.
Quando as crianças têm oportunidade de dormir mais nos fins de semana e feriados, elas compensam parcialmente os efeitos do sono irregular dos dias da semana e seus efeitos adversos à saúde. Esse é o resultado de uma pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.
Cerca de 300 crianças americanas com idades entre 4 e 10 anos foram monitoradas por uma semana quanto à duração e regularidade do sono através de um aparelho chamado actígrafo. Também foram medidos índices que refletem a regulação do metabolismo, como os níveis de glicose, insulina, lipídeos e proteína C-reativa ultra sensível, além do índice de massa corporal.
Independente de serem ou não obesas, as crianças dormiam uma média de oito horas por noite, bem menos que o recomendado nessa idade que é 10 a 11 horas. Entretanto, as crianças obesas apresentavam uma chance 1.5-2 vezes maior de terem um sono mais curto e irregular e, nos fins de semana, esticavam menos o sono para compensar os dias da semana. Esses padrões de sono irregular e a não compensação no fim de semana, ambos se mostraram associados a piores índices dos marcadores metabólicos.
E por que é que pouco sono está associado a aumento de peso? Um dos fatores mais importantes são as mudanças hormonais secundárias à privação do sono. O hormônio grelina, por exemplo, que está associado à sensação de fome e preservação de gordura no corpo, tem sua concentração aumentada quando dormimos pouco.
No Brasil, entre os 5 e 9 anos de idade, uma em cada três crianças tem excesso de peso (33,5%) e 14,3% são obesas. Campanhas que visem à promoção de um sono regular e por tempo recomendável entre as crianças podem melhorar o metabolismo e reduzir o risco de obesidade nesta população. Além disso, uma boa noite de sono garante às crianças um bom desempenho cognitivo e equilíbrio emocional. Um resultado desse estudo que chama bastante a atenção é o fato de que se as crianças têm oportunidade de dormir um pouco mais, elas dormem. É o que aconteceu no fim de semana.
Para quem tem pressão alta, seu simples controle é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças graves como o infarto do coração e o derrame cerebral. Entretanto, no tratamento da hipertensão arterial é difícil ter a disciplina de tomar diariamente a medicação, assim como manter um programa de atividade física e controle da dieta. O tratamento ainda é mais difícil pelo fato da pressão alta não provocar habitualmente sintomas de alerta quando em níveis elevados.
Motivar o indivíduo que tem pressão alta a seguir corretamente seu tratamento é extremamente importante, mas qual a forma mais eficaz? O periódico Annals of Internal Medicine publicou uma pesquisa esta semana sugerindo que depoimentos de pacientes gravados em DVD podem influenciar de forma positiva outros pacientes com o mesmo problema de saúde.
Cerca de 300 pacientes hipertensos com 53 anos de idade em média, e atendidos em uma clínica voltada a indivíduos de baixa renda nos Estados Unidos, foram divididos em dois grupos. Um dos grupos foi direcionado a assistir a um DVD com histórias de 14 pacientes selecionados da mesma clínica, que promovia uma percepção de semelhança entre quem assistia e os pacientes/personagens. O outro grupo foi orientado a assistir a um vídeo de dicas de saúde, que não abordava o assunto hipertensão arterial. Após 3 meses, e mesmo após 9 meses de acompanhamento, o grupo que assistiu ao DVD com relatos de pacientes apresentou melhor controle da pressão arterial, especialmente aqueles que tinham a pressão não controlada no início do estudo.
Todos os pacientes envolvidos neste estudo eram negros, população que é mais vulnerável a ter hipertensão arterial mal controlada e complicações da doença em órgãos alvo. A ferramenta de comunicação narrativa, usando depoimentos de indivíduos do mesmo ambiente social, dá um recado culturalmente relevante para quem assiste ao DVD. A estratégia utilizada tem grande potencial para ser aplicada em outras condições de saúde crônicas e, além disso, os resultados têm aplicação universal, pois cada cultura tem sua tradição e histórias peculiares.
** CORREÇÃO. Pode-se ouvir no audio que estima-se que 10% dos hipertensos não conseguem controlar a pressão. Na verdade, apenas 10% dos hipertensos têm controle adequado da pressão.
Não há como prevenir o derrame cerebral.
Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O derrame cerebral está se tornando menos comum.
Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).
A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.
Derrame cerebral é coisa só de gente velha.
Mito.
O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.
Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?
Mito. No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.
Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?
Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.
A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.
Mito.
São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.
Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.
Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.
Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.
Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.
O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?
Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores.
Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.
Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.
Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.
Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.
Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.
Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.
Mito.
Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.
A percepção e o interesse da população brasileira pela ciência melhoraram significativamente nos últimos quatro anos. É o que revela a pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil”, realizada em 2010 com cerca de duas mil pessoas em várias regiões do País e divulgada nesta semana.
A Pesquisa Nacional foi promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com a colaboração da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre outras instituições, como a Fiocruz e a Unicamp.
O objetivo principal do trabalho foi fazer um levantamento do interesse, grau de informação, atitudes, visões e conhecimento que os brasileiros têm da Ciência e Tecnologia, tendo como público-alvo a população brasileira adulta, homens e mulheres e jovens com idade igual ou superior a 16 anos.
Em relação à pesquisa similar realizada em 2006, o percentual de pessoas interessadas ou muito interessadas em ciência passou de 41% para 65%, em 2010.
| Interesse ou muito interesse por temas específicos | |
| Saúde | 81% |
| Meio Ambiente | 83% |
| Religião | 74% |
| Economia | 71% |
| Ciência e Tecnologia | 65% |
| Esportes | 62% |
| Arte e Cultura | 59% |
| Moda | 44% |
| Política | 29% |
Para aqueles interessados ou muito interessados em Ciência e Tecnologia, o assunto de maior interesse dos voluntários da pesquisa foi Ciência da Saúde (30.3%) seguido por Informática e Computação (22.6%). Astronomia foi considerado de interesse para 1.6% dos entrevistados.
| Assuntos de interesse em Ciência e Tecnologia | |
| Ciência da Saúde | 30.3% |
| Informática e Computação | 22.6% |
| Agricultura | 11.2% |
| Engenharias | 8.4% |
| Ciências Biológicas | 6% |
| Ciências Físicas e Químicas | 3.8% |
| Matemática | 3.7% |
| Ciências da Terra | 3.7% |
| Ciências Sociais | 3.7% |
| História | 3.3% |
| Astronomia e Espaço | 1.6% |
Para aqueles pouco interessados em Ciência e Tecnologia, 36.7% relataram que é porque não entendem, 19.5% porque nunca pensaram sobre o assunto, 17.8% por falta de tempo e 10.4% porque não gostam.
| Razões para pouco interesse em Ciência e Tecnologia | |
| Não entende | 36.7% |
| Nunca pensou sobre isso | 19.5% |
| Não tem tempo | 17.8% |
| Não gosta | 10.4% |
| Não liga | 9.7% |
| Não precisa saber sobre isso | 3.6% |
Os voluntários responderam que as fontes de informação em Ciência e Tecnologia que eles julgam ter maior credibilidade foram os médicos (27.6%), jornalistas (19.9%) e cientistas de universidades (12.3%). Cerca de 40% dos entrevistados responderam que não estavam satisfeitos, ou estavam apenas parcialmente satisfeitos com a divulgação científica feita pelos meios de comunicação. Mais de 70% justificam a insatisfação pelo pequeno número de matérias e cerca de 60% porque as matérias são de difícil compreensão.
Os entrevistados reconheceram a melhoria da saúde e prevenção de doenças como o maior benefício da Ciência e Tecnologia (26.1%) seguido pela melhora da qualidade de vida (19.1%).
Clique aqui e veja os resultado da pesquisa 2010 na íntegra,
pesquisa similar realizada em 2006 e
pesquisa CNPQ 1987 sobre percepção de Ciência e Tecnologia
No ano de 2004, o antiinflamatório Vioxx® foi retirado do mercado por aumentar o risco de eventos vasculares como infarto do coração e derrame cerebral. Desde então, ficou a pergunta no ar: será que os outros anti-inflamatórios são mais seguros? Uma análise recém-publicada pelo periódico British Medical Journal nos ajuda a responder parcialmente a esta pergunta.
Pesquisadores suíços analisaram 31 estudos que apontam o nível de segurança do uso crônico dessas medicações, o que incluiu mais de 116 mil pacientes. As medicações estudadas foram o Naproxeno (Naprozyn®), Flanax®), Ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®), Diclofenaco (Volataren®, Cataflam®), Celecoxibe (Cellebra®), Etoricoxibe (Arcoxia®), Rofecoxibe (Vioxx®), Lumiracoxibe (Prexige®). O Prexige® também foi retirado do mercado brasileiro em 2008, ação desencadeada por notificações hepáticas graves pela agência reguladora da Austrália.
Os resultados da atual pesquisa demonstraram que a freqüência de eventos adversos com o uso crônico dessas medicações é pequena, mas mesmo assim, quando comparado ao placebo, o risco de um ataque cardíaco é duas vezes maior no caso do Vioxx® e do Prexige®, quando comparado ao placebo. O Dalsy® / Alivium® foram os que apresentaram maior risco de derrame cerebral, enquanto o Arcoxia® e o Voltaren®/Diclofenaco® foram os que tinham maior associação com mortalidade por doença do coração: risco quatro vezes maior. O Naproxeno (Naprozyn®, Flanax®) foi o anti-inflamatório que se mostrou mais seguro do ponto de vista cardiovascular. Vale lembrar que muitas dessas medicações costumam provocar efeitos como sensação de queimação no estômago, e a prescrição associada de um protetor gástrico pode ser uma boa medida.
A velocidade com que um idoso consegue caminhar pode ser um marcador de sua longevidade. Esta foi a hipótese de um estudo publicado nesta semana pelo Journal of the American Medical Association e com resultados positivos: idosos mais rápidos têm uma tendência a viver mais.
Pesquisadores de vários centros de pesquisa dos Estados Unidos e Europa avaliaram os resultados de nove estudos que incluíam cerca de 35 mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e com seguimento de 6 a 21 anos. A média de idade era de 73.5 anos e a média de velocidade da marcha era 0.92 m/s. A taxa de sobrevida em 5 e 10 anos era 84.8% e 59.7% respectivamente. Uma maior velocidade de marcha estava associada a maior longevidade em todos os nove estudos e, quando maior que 0.8 m/s, predizia uma vida mais longeva do que a média dos indivíduos pesquisados.
E por que a velocidade da marcha de um idoso tem essa relação com sua longevidade? Caminhar exige um bom funcionamento de uma série de sistemas do corpo que inclui os músculos e os sistemas cardio-respiratório e neurológico. Uma marcha mais lenta reflete um custo maior de energia para realização do movimento por disfunção desses sistemas. Além disso, o baixo desempenho físico influencia a saúde num círculo vicioso, pois limita a realização de exercícios físicos.
Há pelo menos três décadas já dispomos de fortes evidências de que o desempenho físico é um importante indicador de saúde entre os idosos. Entretanto, esse tipo de avaliação não é rotineiramente realizado no dia a dia dos consultórios médicos. O presente estudo deu um passo importante ao padronizar o teste de marcha e sua interpretação, facilitando sua aplicação na prática clínica. O indivíduo é orientado a caminhar quatro metros no seu ritmo habitual, como se estivesse andando na rua, sem qualquer mensagem que o encoraje a andar rápido. É um teste sem custo e de fácil execução, e que tem mais relevância entre idosos que não têm limitações funcionais, ou seja, naqueles em que uma marcha mais lenta pode significar um sinal precoce de uma condição clínica que ainda não se manifestou.
A medida da velocidade da marcha pode ter inúmeras aplicações clínicas. Pode ajudar a definir a reserva fisiológica e a chance de sobrevida de um idoso nos próximos 5 ou 10 anos. Pode identificar um idoso com mal estado de saúde, quando, por exemplo, este tem uma velocidade de marcha menor que 0.5 m/s. Ajuda a separar aqueles que são velhos do ponto de vista biológico daqueles velhos apenas pelo fator cronológico, por acúmulo de anos de vida. É uma ferramenta que também pode ser usada para monitorização do estado de saúde e até para auxiliar na identificação de indivíduos com maior risco para procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia.


















