Durante a infância precoce, uma dieta rica em gordura, açúcar e alimentos processados pode reduzir o QI das crianças enquanto uma dieta saudável pode aumentar. Esses são os resultados de uma pesquisa recém-publicada pela revista inglesa Journal of Epidemiology and Community Health.

 

O estudo foi baseado numa amostra de quatorze mil crianças inglesas, cujos pais responderam a um questionário sobre os hábitos alimentares das crianças quando elas tinham 3, 4, 7 e 8.5 anos de idade. O questionário, também conhecido como “Análise dos Principais Componentes” (PCA), avalia os tipos e frequência de alimentos consumidos e tem a virtude de avaliar a dieta em conjunto, não através de alimentos individuais. Isso faz todo o sentido, já que não consumimos alimentos isoladamente, mas sim em combinações. Além disso, 4000 crianças foram submetidas ao bem validado teste de QI pela Escala de Inteligência de Wechsler para crianças, e essas foram as crianças incluídas na análise final.

 

Os pesquisadores identificaram três diferentes padrões de alimentação: 1) Processada: dieta com alto teor de gordura e açúcar e rica em alimentos industrializados; 2) Tradicional: dieta rica em carne vermelha, frango, batata e vegetais; 3) Consciente: dieta rica em salada, frutas, vegetais, peixe, arroz e massas. Cada criança recebeu uma pontuação para cada tipo dessas três dietas.

 

Os resultados mostraram que uma dieta predominantemente do tipo Processada na idade de 3 anos estava associada a um menor QI na idade de 8.5 anos, mesmo que existisse uma melhoria da dieta ao longo dos anos. Por outro lado, o padrão de dieta Consciente aos 8.5 anos de idade estava associado a um leve aumento do QI nesta idade. Os pesquisadores já haviam publicado recentemente que essas mesmas crianças apresentavam um melhor desempenho escolar e menos sintomas de hiperatividade quando consumiam uma dieta de melhor qualidade.

 

Não é a primeira vez que temos evidências de que a qualidade da alimentação em fases precoces de vida pode influenciar o desempenho cognitivo e isso pode ser explicado pelo fato de que esse é um período em que o cérebro cresce com mais rapidez e necessita de uma nutrição de alta qualidade.

 

Existem inúmeros estudos que apontam o inequívoco efeito positivo da amamentação sobre o desenvolvimento intelectual das crianças. Na verdade, os efeitos positivos de uma boa dieta já começam na barriga da mãe. Os pesquisadores da atual pesquisa já haviam publicado resultados parciais da mesma população de crianças demonstrando que o consumo pelas mães de peixes ricos em ômega-3 durante a gravidez estava associado a um melhor desenvolvimento cognitivo das crianças.

 

Quanto à alimentação na infância, os estudos são menos definitivos. A maior parte das pesquisas é voltada para a suplementação de nutrientes, e os resultados são mais relevantes entre crianças com deficiência nutricional. Além da presente pesquisa, apenas outra havia avaliado o impacto da dieta de forma ampla sobre o desempenho cerebral das crianças. Nelson e colaboradores não encontraram associação entre a qualidade da dieta e o QI de crianças inglesas com idades entre 7 e 12 anos. Talvez a grande diferença esteja na exposição precoce de uma dieta saudável, de preferência antes dos três anos de idade.

 

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