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Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas motoras. Entretanto, nem sempre as lesões vasculares cerebrais são tão graves assim, muitas delas acontecem sem chamar a atenção de ninguém e costumam ser chamadas de doença dos pequenos vasos cerebrais.
Quando se fala em lesões dos pequenos vasos que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, também chamadas de lacunas, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas. Quando se fala em lesões que só fazem pequenas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos. MUITO FREQÜENTES, MUITO PEQUENAS, MAS NEM TÃO INOCENTES ASSIM.
Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Associação Americana de Neurologia, aponta que essas pequenas lesões reduzem SIM o desempenho cerebral dos idosos.
Cerca de 400 idosos de onze diferentes centros europeus, independentes funcionalmente e com algum grau de doença dos pequenos vasos cerebrais à ressonância magnética, foram acompanhados por três anos. Durante esse período, 18% dos voluntários apresentaram uma ou mais lesões cerebrais novas do tipo lacuna, que é quando há uma pequena cavitação. Esse grupo de indivíduos passou a apresentar menor velocidade e controle dos movimentos, assim como piora das funções executivas que incluem pensamento abstrato, capacidade de planejamento e na tomada de decisões. O volume total do conjunto de lacunas e de lesões sem cavitação foi inversamente relacionado à performance das funções executivas.
O raciocínio habitual quando se fala em doença dos pequenos vasos cerebrais é o de que uma ou duas lesões realmente não costumam provocar sintomas, a não ser quando se localizam em algumas regiões muito específicas, também chamadas de áreas eloquentes. O presente estudo contraria esta idéia geral, ao mostrar que pequenas lesões podem fazer diferença independente da localização. Confirma, por outro lado, a noção de que quanto mais lesão, pior a função cerebral.
O cérebro que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma bem ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.
O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões? São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes oleosos estão com a bola toda.
Na última edição do periódico Archives of Internal Medicine, temos os resultados de uma pesquisa que ilustra bem um fenômeno que temos vivenciado de forma crescente à medida que os testes diagnósticos ficam cada vez mais sofisticados. Poderíamos chamar esse fenômeno de OVERTREATMENT, e o recado principal é que nem tudo no corpo que é diferente ou alterado responde a um tratamento. Pode ser que em muitas dessas situações, o melhor mesmo seja ficar quieto, não intervir.
Nesse estudo, os pesquisadores acompanharam mais de mil coreanos adultos e assintomáticos que foram submetidos a uma tomografia computadorizada das artérias coronárias, método que tem o poder de demonstrar o grau de aterosclerose. Mais de 20% dos voluntários tinham evidência de aterosclerose das coronárias e, após acompanhamento de um ano e meio, foi demonstrado que esses indivíduos estavam fazendo mais uso de aspirina e estatinas, foram mais submetidos a outros testes diagnósticos para doença coronariana e procedimentos de revascularização do coração. Entretanto, todo esse arsenal de medidas não reduziu o número de infartos do coração no período estudado.
A realização de tomografia das coronárias como check up ainda é visto como uma medida heterodoxa pela falta de evidências que demonstrem que os benefícios são maiores que os riscos de exames e procedimentos invasivos que seus resultados podem desencadear. Estudos mostram que as pessoas que têm sinais de aterosclerose nas coronárias têm mais chance de eventos cardíacos, mas isso não quer dizer que o tratamento desses pacientes tenha que ser diferente daqueles que não têm esse achado na tomografia.
Recentemente, o mesmo periódico publicou outra situação de OVERTREATMENT. Dessa vez foi o screening dos níveis do aminoácido homocisteína. Altos níveis no sangue desse aminoácido têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade do aminoácido no sangue. Entretanto, as pesquisas também demonstram que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.
Esses estudos chamam a atenção para o fato de que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Uma série de estudos tem identificado que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico britânico Journal of Epidemiology and Community Health aponta que as pessoas envolvidas com atividades culturais apresentam melhores indicadores de saúde física e mental.
O estudo foi realizado com uma população de mais de 50 mil noruegueses com mais de 20 anos de idade (64% tinham entre 40 e 69 anos) que responderam a dois questionários distintos. O primeiro avaliava a auto-percepção de saúde física e mental, hábitos de vida como tabagismo, consumo de álcool e atividade física, além de escalas para identificação de sintomas de ansiedade e depressão. O segundo questionário abordava a freqüência com que os voluntários participavam de atividades culturais, seja de forma criativa, como tocar um instrumento musical, seja de forma receptiva como assistir a um show de música.
Os resultados mostraram que aqueles que tinham uma maior participação em atividades culturais, tanto criativas como receptivas, revelaram-se mais satisfeitos com a vida, demonstraram melhores indicadores de saúde e menos sintomas de ansiedade e depressão. Fazia diferença não só a freqüência, mas também o número de diferentes atividades vivenciadas. Os indivíduos que mais praticavam atividade física foram também os que tinham uma vida cultural mais intensa. No caso dos homens, o lazer receptivo, como é o caso de assistir a um evento esportivo, foi o que mais teve associação com os indicadores de saúde. Já entre as mulheres, o lazer criativo foi o que teve ligação mais forte com esses indicadores.
É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Esta é uma pergunta importante que essa pesquisa não pôde responder. As pessoas são mais saudáveis por terem uma vida cultural ativa ou elas têm essa vida cultural porque são saudáveis? Estudos prospectivos futuros deverão ajudar a responder essa questão.
O termo medicalização define o fenômeno em que um comportamento ou uma condição física ou mental passa a ser tratado como se fosse um problema médico, recebendo um rótulo de doença e opções de tratamento. Na última semana, o assunto ganhou as páginas do periódico British Medical Journal com um elegante artigo do jornalista australiano Ray Moynihan e ainda rendeu o editorial da editora Fiona Godlee.
O centro da discussão quando se fala em medicalização é a força da indústria farmacêutica nesse processo que impulsiona a sociedade civil, profissionais de saúde, órgãos do governo e a mídia a retroalimentarem a cultura de que todo organismo vivo da espécie sapiens, a princípio, deve ter alguma doença ou precisa de algum remédio. Todos esses atores têm seu papel na medicalização.
Nos EUA, a publicidade de medicações acontece de forma direta com os consumidores com inserções do tipo “Se você está se sentindo desanimado, pode ser que o Depre-pill seja indicado no seu caso. Converse com seu médico sobre isso”. Calcula-se que cada dólar gasto em publicidade direta ao consumidor dê um retorno mais de quatro dólares em vendas.
No Brasil, a ANVISA não permite essa abordagem direta, e por isso, o trabalho das indústrias farmacêuticas junto aos médicos deve ser ainda mais intenso para alcançar as metas de vendas, pois são eles que estão na linha de frente do processo de medicalização, cara a cara com os pacientes. A publicidade dirigida aos médicos inclui as visitas de representantes para oferecer amostras grátis dos últimos lançamentos, propaganda de seus produtos em periódicos destinados à classe médica e patrocínio de eventos científicos.
A medicalização não para de crescer. Percebemos limites da normalidade de marcadores biológicos cada vez mais estreitos além de um crescente número de novas doenças. O que não era diabetes agora se chama pré-diabetes. O que não era pressão alta, agora é pré-hipertensão. Transtorno de déficit de atenção que tinha que começar na infância, agora já se discute que pode ter seu início na vida adulta. Quase não existe mais tristeza. Qualquer sentimento parecido é encarado como depressão.
Grande parte dos médicos especialistas que fazem parte dos painéis que definem os critérios diagnósticos das doenças tem conflitos de interesse. Na definição do último Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM IV), 56% dos membros dos painéis eram ligados à indústria farmacêutica, e em alguns painéis, como a depressão, essa cifra chegava a quase 100%. E os conflitos de interesse não são só financeiros, mas também intelectuais, pois o médico pesquisador tem a tendência de querer proteger seus “filhotes científicos”. Uma política exemplar tem o Instituto Nacional de Saúde nos EUA, que não permite que nenhum médico que tenha conflitos de interesse com a indústria farmacêutica participe dos painéis decisórios, até mesmo aqueles que simplesmente já tenham declarado um posicionamento intelectual sobre a questão em consideração. O novo Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais DSM V está vindo por aí com novas doenças mentais. Vício na internet não deve ser incluído ainda, mas numa próxima edição poderá estar.
Os médicos devem estar conscientes do debate que envolva um diagnóstico polêmico e podem e devem deixar os pacientes conscientes também. Um dos últimos casos polêmicos foi o do diabetes gestacional, que pelos novos critérios diagnósticos de 2010, cerca de 20% das gestantes passam a receber esse diagnóstico. Além disso, o médico deve declarar quando há conflito de interesse quando prescreve uma medicação. Por que não?
É importante também levar em consideração que o processo de decisão daquilo que é doença e que não é doença pode ser muito mais rico quando a discussão não fica limitada apenas a médicos e cientistas. A sociedade civil e representantes de tantas outras áreas do conhecimento, como por exemplo, as ciências sociais, são muito bem-vindos nesse debate.
A revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, publicou ontem os resultados de uma grande pesquisa que aponta que as medicações utilizadas para o tratamento de transtorno déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não aumentam o rico de eventos cardiovasculares entre crianças e adolescentes. A pesquisa envolveu 241 mil usuários das medicações e um grupo de quase um milhão de crianças e adolescentes que não faziam uso de medicações e a conclusão foi a de que elas não aumentam os riscos de arritmias ou infarto do coração, apesar de aumentarem a freqüência cardíaca e os níveis da pressão arterial.
O resultado da pesquisa é uma ótima notícia para os pais de crianças e adolescentes com o diagnóstico de TDAH que com freqüência nos perguntam de forma apreensiva sobre os riscos no longo prazo de medicações como o metilfenidato. Por outro lado, essa é uma notícia que deve disseminar ainda mais o uso desse tipo de medicação a crianças em que o diagnóstico é no mínimo duvidoso.
** Leia também Será que o uso de medicações para déficit de atenção está exagerado?
Minha grande amiga Dani, que nasceu e viveu em Brasília por 40 anos, agora está morando em outra capital e está impressionada com o tanto que os moradores de lá buzinam. Ela ficou se perguntando se esse excesso de ruído nas ruas não teria influência sobre a saúde das pessoas.
As pesquisas realizadas sobre esse assunto mostram resultados conflitantes, e por isso uma análise em conjunto dos oito principais estudos foi realizada por pesquisadores alemães e publicada na última edição do periódico especializado Noise & Health. Mais de 20 mil indivíduos fizeram parte desse estudo e a conclusão foi a de que a sensação subjetiva de incômodo causado pelo barulho das ruas mexe sim com a saúde das pessoas, aumentando de forma significativa o risco de hipertensão arterial e de forma quase significativa o risco de infarto do coração.
Já sabemos também que o risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.
É importante frisar que o nível de incômodo ao barulho varia muito de pessoa para pessoa e essa experiência é, a princípio, o fator mais relevante. Entretanto, há estudos que apontam maior risco de hipertensão arterial mesmo entre aqueles que se dizem não incomodados com o barulho, sugerindo que ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Mais um exemplo disso é o fato de que uma noite de sono barulhenta aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Além disso, as crianças, que podem parecer não se incomodarem tanto com o barulho, também são susceptíveis ao aumento da pressão arterial com ruídos em excesso. Na verdade, as pesquisas revelam que as crianças se sentem incomodadas sim com o barulho.
Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalhe o desempenho cognitivo. Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.
Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes… Vale lembrar que as ruas mais barulhentas são aquelas com maior emissão de poluentes, que além de afetarem o sistema respiratório, também estão associados à exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento de doenças vasculares como o infarto do coração e o derrame cerebral.
A saúde do homem não deve ser medida só por sua genética, pelo quanto ele se movimenta e dorme e por aquilo que entra pela boca/nariz, mas também pelas experiências sensoriais. No que diz respeito àquilo que entra pelos ouvidos, penso não só em ruídos, mas também no conteúdo das interações sociais, na música e demais artes que se comunicam com som. A busca do equilíbrio dessas sonoridades merece todo o nosso empenho.
O observatório midiático em saúde americano HealthNewsReview completou em abril de 2011 cinco anos de atividade e publicou os resultados das primeiras 1500 notícias avaliadas e que foram veiculadas por jornais, magazines, rádios e TVs.
A idéia desse termômetro de qualidade de notícias em saúde surgiu após a experiência pioneira do MediaDoctor na Austrália, ambos têm o mesmo formato e analisam apenas matérias que descrevem novos tratamentos ou métodos diagnósticos. Um painel formado por três avaliadores independentes pontua a notícia de acordo com uma classificação padronizada de dez itens considerados fundamentais para que uma matéria informe de forma satisfatória os consumidores de produtos de saúde.
Cada um dos 10 critérios analisados é classificado como satisfatório ou não satisfatório de acordo com parâmetros pré-definidos. Cada notícia recebe então uma classificação que vai de zero até cinco estrelas a depender do número de itens considerados satisfatórios.
| Pontuação | Número de ítens satisfatórios |
| 5 estrelas | 9 ou 10 |
| 4 estrelas | 7 ou 8 |
| 3 estrelas | 5 ou 6 |
| 2 estrelas | 3 ou 4 |
| 1 estrela | 1 ou 2 |
| 0 estrela | 0 |
Veja na tabela abaixo a classificação de cada item no HealthNewsReview e a comparação com os resultados inicias do MediaDoctor. Todos os critérios fazem parte das boas práticas do jornalismo em saúde recomendadas pela Associação Americana de Jornalistas em Saúde.
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INFORMAÇÃO SATISFATÓRIA |
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| HealthNewsReview* | MediaDoctor ** | ||
| Online | Impresso | ||
| Qual é o custo? | 28% | 15.2% | 23.1% |
| Quais são os benefícios? | 32% | 18.4% | 40% |
| Quais são os efeitos adversos? | 34% | 14% | 44% |
| O conteúdo da matéria é compatível com as evidências científicas? Há supervalorização das qualidades do produto? | 36% | 24.5% | 43.1% |
| Existem alternativas? | 41% | 34% | 37.5% |
| Há pelo menos uma fonte independente? Há demonstração de existir ou não conflitos de interesse? | 53% | 20.8% | 43.1% |
| O conteúdo é baseado em comunicados de imprensa? | 67% | 74.2% | 93.5% |
| Há disponibilidade em nosso meio? | 72% | 43.4% | 57.1% |
| Há abordagem de uma experiência humana normal ou de um marcador biológico como se fosse uma doença? (medicalização) | 74% | 88.7% | 94.1% |
| Estamos diante de uma novidade mesmo? | 80% | 75% | 91.8% |
* HealthNewsReview (2006-2011) – 1488 matérias
** MediaDoctor (2004) – 104 matérias
Esses observatórios midiáticos em saúde não são uma simples apreciação da produção dos meios de comunicação de massa, mas uma ferramenta que estimula a qualidade das notícias em saúde e a construção de uma maior crítica por parte dos consumidores de produtos de saúde. Além disso, o HealthNewsReview disponibiliza material educativo para jornalistas que se dedicam à área de saúde.

O consumo de café tem-se mostrado eficaz na prevenção de doenças neurodegenerativas como a Doença de Parkinson e Alzheimer. A grande responsável por esse efeito é a cafeína mesmo.
A cafeína se liga a receptores do cérebro chamados de adenosina que promovem uma inibição da atividade cerebral. A cafeína tem uma ação inibitória nesses receptores fazendo uma inibição de um sistema que é inibitório. Por isso o efeito final é estimulante. Quando reduzimos o efeito do freio de mão, o carro anda mais. Esta é a cafeína.
Modelos animais da Doença de Parkinson apontam que a inibição do receptor adenosina pela cafeína reduz a perda de células dos sistemas comumente envolvidos na doença. No caso do da Doença de Alzheimer, um estudo epidemiológico também demonstrou que o consumo de café ao longo da vida pode reduzir o risco da doença. Pesquisas em animais revelam que a cafeína tem o poder de reduzir as alterações patológicas encontradas no cérebro de quem sofre da doença.
Uma pesquisa que será divulgada na íntegra no fim do mês na Alemanha por ocasião do próximo Congresso Mundial de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) revela que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. Resultados parciais do estudo foram divulgados nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo.
A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre4 a18 anos. Os pais e professores das crianças responderam a um questionário baseado nos critérios diagnósticos para o TDAH do DSM IV (manual americano de diagnóstico de transtornos mentais). Apenas 23,7% das 459 crianças que haviam sido diagnosticadas com déficit de atenção realmente tinham o transtorno, segundo os critérios do manual. Das 128 que tomavam remédios para tratá-lo, apenas 27,3% cumpriam os critérios diagnósticos para TDAH.
A dificuldade diagnóstica do TDAH não é um problema restrito ao Brasil. Já no ano de 1993, uma pesquisa já apontava que mais de 70% das crianças encaminhadas para uma clínica especializada em TDAH nos EUA não apresentavam esse diagnóstico.
O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. A abordagem clínica costuma ser complexa, já que a maioria das pessoas acometidas apresenta outras comorbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão e uso de drogas.
Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente tem muito mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.
Não é exagero falar que o TDAH seja hoje o diagnóstico da moda. Já virou até gíria. As pessoas chamam a atenção uma das outras quando há uma falha de atenção com expressões do tipo: hoje você está muito TDA! Hillary Clinton no ano 2000 manifestou oficialmente sua preocupação com excessos no diagnóstico de TDAH. A rede CNN fez uma enquete online no ano 2002 e 76% daqueles que responderam acreditavam que existia um exagero no diagnóstico de TDAH. Recentemente, tive uma conversa com a coordenadora de uma das principais escolas de Brasília que me revelou que quase metade das crianças da escola já recebeu o diagnóstico. Mesmo que seja 20% e não 50%, já seria muito alto. Durante uma aula de educação física, uma professora dessa escola chamou a atenção de um aluno para seguir sua orientação e a resposta foi desconcertante: “Professora, não peça isso para mim. Sou TDAH”.
Discute-se muito que por trás de um suposto excesso de diagnósticos de TDAH exista uma cultura de medicalização impulsionada pela indústria farmacêutica. No caso das crianças, essa cultura tem outros fortes atores que são os pais e professores. Chega-se a provocar que um rótulo diagnóstico pode ser conveniente para pais e professores que tem filhos e alunos com problemas de comportamento. Já ouvi até mesmo um professor hipotetizar que algumas escolas podem orientar seus professores a solicitar pareceres médicos estrategicamente exagerados, por interesses institucionais competitivos. Mais adolescentes usando medicações levando a maiores índices de aprovação no vestibular do colégio tal? Que assunto complicado! A sociologia tem muito a colaborar.
Muitas idéias e suposições. Entretanto, essa pesquisa traz uma grande contribuição ao sugerir que as crianças e adolescentes brasileiras estão recebendo mais diagnósticos de TDAH do que deveriam. É bom lembrar que a análise não foi feita dentro de colégios, mas foi uma amostra aleatória da comunidade. Aguardo ansioso a publicação dos resultados.
Milão, Itália, ano de 2011. Uma família de brasileiros começa a passar muito mal na casa dos parentes e todos, sem exceção, apresentam quase que simultaneamente sintomas de falta de ar, rubor facial, dor de cabeça, sensação de desmaio, agitação psicomotora e confusão mental. Alguns já estavam até dormindo e acordaram com a agitação da casa. A primeira hipótese que a família levantou foi a de uma intoxicação por algum alimento que todos poderiam ter ingerido. Será?
Eles não estavam tão enganados, pois era intoxicação, mas não alimentar. Foram ao hospital e prontamente receberam um diagnóstico que não é trivial nem mesmo para os italianos. O exame de sangue confirmou o que a história clínica já apontava: INTOXICAÇÃO POR MONÓXIDO DE CARBONO. O sistema de aquecimento de água da residência estava vazando, e como o gás não tem cheiro, ninguém suspeitou.
Foram transferidos na mesma noite para uma clínica em que foram submetidos a um tratamento chamado de oxigenioterapia hiperbárica, o tratamento de eleição para essa condição clínica. Ficaram umas duas horas dentro de uma máquina tipo um submarino em que respiravam oxigênio com 100% de concentração e voltaram para casa com melhora significativa dos sintomas, mas bastante apreensivos quanto às repercussões futuras do evento. Será que a intoxicação poderia deixar alguma seqüela neurológica no médio e longo prazo? Essa preocupação foi o que fez essa família me procurar para uma avaliação neurológica.
A principal razão dos sintomas da intoxicação é a deficiência de oxigênio, já que a hemoglobina que leva o oxigênio aos órgãos do corpo tem 200 vezes mais afinidade ao monóxido de carbono do que ao oxigênio, fazendo com que menos oxigênio consiga chegar aos órgãos. Além disso, uma cadeia de processos inflamatórios é desencadeada, que associada à baixa de oxigênio, pode causar danos ao sistema nervoso central e outros órgãos como o coração.
No médio e longo prazo, indivíduos submetidos a esse tipo de intoxicação comumente apresentam déficits neuropsicológicos, como redução do desempenho da atenção, memória, entre outras funções cognitivas. Transtornos do humor, alterações da audição, da marcha e do equilíbrio também podem ser encontrados. A ressonância magnética do crânio pode identificar alterações na substância branca do cérebro e em regiões específicas como os núcleos da base e hipocampo. A apresentação clínica e de neuroimagem é muito variável e depende muito do nível de exposição ao monóxido de carbono e podem aparecer mesmo semanas após o evento.
Aguardo os exames neurológicos da família, mas devemos estar já otimistas, pois todos estão bem clinicamente mais de um mês após o acidente. Difícil imaginar que exista qualquer tipo de deterioração neurológica daqui para frente.
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Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. A epilepsia é uma das principais causas, mas bem mais comum é uma condição clínica chamada de síncope, que também é conhecida por desmaio. São várias as causas de síncope, mas todas elas têm uma característica em comum que é a redução transitória da perfusão sanguínea cerebral. Isso pode acontecer por um problema no coração ou um controle ineficiente do ritmo cardíaco e/ou do calibre dos vasos sanguíneos por parte do sistema nervoso em situações específicas como a posição em pé por tempo prolongado.
As testemunhas de uma crise de perda de consciência podem até ter presenciado olhos revirados, contrações musculares e incontinência urinária, sintomas estes que fazem a gente pensar numa crise epiléptica, mas na verdade podemos estar diante de um quadro de síncope. No momento em que o cérebro sofre uma baixa na perfusão de sangue, os neurônios ficam irritados e podem disparar uma crise epiléptica de curtíssima duração. Nesse caso, não estamos diante crises espontânea, razão pela qual tais crises não configuram um quadro de epilepsia. Vale lembrar que a maioria dos eventos de síncope não vem acompanhada de crise epiléptica.
O nível de concordância diagnóstica entre clínicos diante de um primeiro episódio de perda de consciência é surpreendentemente baixo. É notório o valor de critérios clínicos objetivos que auxiliem o médico no diagnóstico diferencial entre síncope e crise epiléptica. Pesquisadores americanos (Sheldon e cols., 1992) aplicaram um questionário de 118 itens em mais de 500 pacientes com síncope e epilepsia bem investigados e sem dúvida diagnóstica, com história de mais de um episódio de perda de consciência. Selecionaram nove critérios que melhor diferenciavam uma condição da outra e elaboraram uma escala que permitiu a correta classificação com alto grau de acerto (ver tabela). A coluna da direita da tabela indica a pontuação que deve ser aplicada de acordo com cada sintoma associado ao episódio. Na soma final, uma pontuação maior ou igual a UM fala a favor do diagnóstico de crise epiléptica e quando menor que UM o diagnóstico de síncope é mais provável. Essa escala é uma ferramenta que pode auxiliar sobremaneira o médico a separar essas duas condições clínicas.
Diagnóstico diferencial entre síncope e crise epiléptica (Sheldon e cols. 2002 )
| * Mordedura de língua | 2 |
| * Deja vu ou jamais vu – sensação de que conhece algo que na verdade nunca viu OU sensação de experimentar uma situação bem familiar como se fosse pela primeira vez | 1 |
| * Associação com estresse emocional | 1 |
| * Desvio forçado da cabeça para o lado | 1 |
| * História de arresponsividade OU postura anormal OU contrações musculares involuntárias | 1 |
| * Confusão quando retoma a consciência | 1 |
| * Sensação de desfalecimento | -2 |
| * Sudorese antes da perda de consciência | -2 |
| * Associação com posição sentada ou em pé prolongada | -2 |
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Behavioral Medicine aponta que o paciente quando visualiza seu problema por um método gráfico tem mais chance de seguir as recomendações médicas.
O estudo acompanhou 510 americanos com uma média de idade de 64 anos, assintomáticos e sem história de doença coronariana. Todos os voluntários foram submetidos a uma tomografia computadorizada do coração para avaliação das coronárias e o conteúdo de cálcio das artérias que reflete o grau de aterosclerose. Além disso, os voluntários passavam por uma consulta médica padronizada com duração entre 15 e 30 minutos em que o médico apresentava o resultado do exame mostrando as imagens, discutia os fatores de risco associados à aterosclerose e fazia recomendações de hábitos de vida para redução de risco.
Mais da metade dos indivíduos pesquisados (58%) apresentava calcificação das coronárias e, após seis anos de seguimento, foram os que mais tiveram mudanças comportamentais no sentido de reduzir os riscos de doença coronariana através de melhora da dieta, incremento da atividade física e limitação do consumo de álcool. Aqueles que apresentaram escores de cálcio mais altos foram os que mais mudaram os hábitos de vida.
A visualização do problema através da tomografia proporciona um melhor entendimento da doença aterosclerótica e pode ter sido o fator crítico para as mudanças comportamentais. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a visualização pelo paciente da calcificação de suas coronárias está associada a uma maior aderência ao tratamento medicamentoso e melhor controle de condições como a pressão arterial e dislipidemia.
Na faculdade de medicina aprende-se que a impressão clínica, independente dos exames complementares, é a ferramenta mais soberana para um correto diagnóstico. Entretanto, no mundo contemporâneo, não há como negar que existe uma cultura em que a tecnologia é vista como detentora da palavra final, da palavra de certeza. O médico sempre será um mediador imprescindível para que essa tecnologia marque gols a favor dos pacientes.

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.
O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.
Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.
Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.
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Nesta última semana, um rapaz de seus 20 e poucos anos me procurou para ter uma opinião sobre a continuação ou não de uma medicação que já usava desde o início da adolescência.
Rodolfo, assim vou chamá-lo, teve algumas crises de dor de barriga quando tinha seus 16-17 anos, fez um eletrencefalograma que revelou alguma anormalidade. Nessa época, Rodolfo começou a usar medicação para controlar epilepsia, como se esse fosse o seu diagnóstico inequívoco.
Muitas vezes é difícil raciocinar olhando apenas pelo retrospecto, mas conversando com Rodolfo, as evidências de um diagnóstico de epilepsia não eram significativas. Crises de dor de barriga podem até ter a ver com epilepsia, mas depois de vários anos de acompanhamento, seria esperado que a pessoa apresentasse também crises de arresponsividade ao meio tipo ausência ou convulsão.
Vamos ao ponto principal de nossa história. Além de iniciar uma medicação de uso questionável no seu caso, Rodolfo foi orientado a parar com suas atividades esportivas. A situação para ele foi especialmente dramática, já que Rodolfo já era nessa época um atleta de competição de Taekwondo. Precisou suspender seus sonhos de atleta, mas por quê?
Mesmo que Rodolfo tivesse realmente o diagnóstico de epilepsia, não faria nenhum sentido ter restrições absolutas às atividades esportivas. É importante orientar um portador de epilepsia que evite nadar sozinho, que faça natação sempre com a monitorização de um profissional habilitado, pois no caso de uma crise, ele seria resgatado da água com segurança. Já entre os esportes fora da água, são poucos aqueles que demandam grandes preocupações. Claro que isso depende muito da freqüência de crises. É muito diferente um indivíduo que teve sua última crise há cinco anos daquele que tem crises diárias.
Na verdade, a relação entre atividade física e epilepsia fala muito mais na direção de benefícios. As pesquisas demonstram que exercício físico regular melhora o controle de crises epilépticas e uma das formas de explicar esse efeito é o estímulo de sistemas de neurotransmissores inibitórios e hormônios que modulam a excitação do cérebro. Além disso, a atividade física pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, comorbidades freqüentes entre pacientes com epilepsia, e minimizar o estigma e preconceito fortemente associados a essa condição.
E será que a atividade física pode fazer mal para algum tipo de transtorno neurológico? A princípio não. Enxaqueca, insônia, Doença de Parkinson e esclerose múltipla são condições mais facilmente controladas com atividade física. O exercício reduz o risco de derrame cerebral, Doença de Alzheimer e depressão. Isso sem falar no poder de reabilitação da atividade física naqueles que apresentam doenças neuromusculares ou que sofreram seqüelas de trauma cranioencefálico, derrame cerebral e tantos outros insultos neurológicos.
Rodolfo pode voltar sim para o Taekwondo. Inclusive, depois de atualizar seus exames, devemos pensar se já vale a pena retirar sua medicação anti-epiléptica. As expectativas são boas, já que ao analisar seu antigo eletrencefalograma, não é possível identificar qualquer anormalidade.
Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Isso já explica em parte porque o chocolate é tão prazeroso. Mas não as razões não param por aí.
O chocolate ainda é rico em substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. Contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro e ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Triptofano também faz parte do chocolate, substância precursora do neurotransmissor serotonina, conhecido por muitos como um dos protagonistas da química da felicidade. Além disso, recentemente foi demonstrado que chocolate é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate AMARGO com teor de cacau de 74% por duas semanas.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate AMARGO promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar uma barra de chocolate todo dia em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate AMARGO mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
Uma pesquisa publicada esta semana em um dos periódicos da Associação Americana de Medicina – Archives of Internal Medicine – aponta que os médicos nem sempre escolhem para si mesmos aquilo que recomendam a seus pacientes.
Cerca de mil médicos americanos responderam um questionário que avaliava duas situações médicas em que eles tinham que escolher entre duas opções de tratamento. Metade dos médicos era instruída a fazer a opção para um paciente hipotético enquanto a outra metade deveria responder de forma pessoal, ou seja, o que o médico escolheria se fosse o paciente.
As escolhas feitas para os pacientes e para os médicos-pacientes foram bem diferentes. Os médicos tiveram a tendência em escolher para os pacientes tratamentos com maior poder de prolongar a vida, mesmo que associados a um maior contingente de efeitos adversos.
Uma das situações clínicas era a escolha do tipo de cirurgia para um câncer colorretal. Ambas as opções ofereciam uma chance de cura de 80%. Quando a indicação era para eles mesmos, 38% dos médicos optaram pela cirurgia com maior risco de mortalidade, porém com menos efeitos adversos, como diarréia, uso de bolsa de colostomia, constipação intestinal e infecção na ferida operatória. Por outro lado, quando a cirurgia era para o paciente, apenas 24.5% dos médicos escolheram esta opção.
O segundo cenário era de infecção por gripe aviária. Se uma determinada medicação não fosse usada, a chance de morte seria de 10% e de hospitalização seria de 30%. Por outro lado, o tratamento reduzia esses índices pela metade, mas a própria medicação provocava morte e paralisia permanente em 1% e 3% dos casos respectivamente. Na hora de escolher, 48.5% dos médicos evitariam o tratamento para os pacientes e, quando o tratamento era para eles mesmos, 63% optaram por não usar a medicação, o que traria um maior risco de morte.
Não podemos generalizar com base nesses resultados que os médicos façam piores escolhas para eles mesmos do que para os pacientes. Na verdade o médico pensa diferente quando toma uma decisão para si mesmo, com maior componente emocional e menos censura, já que ele não deve explicações da sua decisão aos outros, pelo menos do ponto de vista profissional.
A pesquisa levanta uma questão muito importante no que diz respeito à prática médica: o médico deve recomendar ao seu paciente aquilo que ele faria para si mesmo ou deve apenas colocar as cartas na mesa, expondo as vantagens e desvantagens de cada tratamento para que o paciente faça a sua escolha? Experts no assunto têm opiniões divididas.
Atualmente, mesmo com a internet e a medicina mercantilista dando outras caras à relação médico-paciente, é inequívoco que os pacientes ainda valorizam muito a opinião do médico. Essa opinião pode até atrapalhar em algumas circunstâncias, mas acredito que na maioria das vezes ela pode enriquecer o processo de decisão, juntando-se aos dados objetivos de prós e contras de cada opção e à apreciação do próprio paciente. Muitas vezes a análise também é influenciada pelos pitacos ora certeiros, ora desastrosos do Dr. Google.
Pesquisa conduzida na Holanda e publicada esta semana pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry aponta que o consumo crônico da droga recreativa ecstasy pode alterar estruturas cerebrais no longo prazo.
O estudo avaliou o tamanho do hipocampo por ressonância magnética tanto de usuários crônicos da droga como de jovens da mesma faixa etária sem antecedente de consumo. O hipocampo é uma das estruturas cerebrais mais importantes no processo de memorização e uma das mais precocemente envolvidas na Doença de Alzheimer.
O volume do hipocampo entre os voluntários que usavam ecstasy era 10% menor e o volume total da substância cinzenta do cérebro era 4.6% menor. A média de consumo da droga entre os usuários era de três vezes por mês e não havia diferença significativa entres os dois grupos quanto ao consumo de álcool e outras drogas.
Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de inúmeras funções como o sono, a memória e o humor.
Os resultados da presente pesquisa sugerem que o uso crônico de ecstasy pode danificar o hipocampo e a substância cinzenta cerebral de forma mais difusa e são concordantes com pesquisas anteriores em humanos que mostraram:
1- Inchaço dos hipocampos seguido por atrofia após consumo de ecstasy;
2- Redução do desempenho de memória após exposição à droga, mesmo com baixas doses;
3- Redução do sistema de neurotransmissão da serotonina nos hipocampos.
Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, crises epilépticas, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral. Já foi demonstrada também uma maior freqüência de apnéia do sono entre os usuários, fato que é parcialmente explicado pela redução da atividade da serotonina, já que esse neurotransmissor exerce grande influência no controle da respiração, especialmente na ativação do centro cerebral da respiração em resposta ao aumento do teor de gás carbônico no sangue. Podemos ver que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.
Em diversos países, o ecstasy é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2009, o Brasil está entre os 22 países com maiores apreensões de ecstasy, fenômeno que aumentou exponencialmente em 2007.

Evento reúne no Instituto de Saúde (IS) especialistas de diferentes países para debater modelos e pesquisas de percepção pública da ciência e da tecnologia (C&T) e suas relações com o campo da saúde
Com o objetivo de debater diferentes aspectos relacionados à percepção pública sobre temas de C&T, especificamente com foco na área da saúde, acontece nos dias 13 e 14 de abril, no Auditório Walter Leser do Instituto de Saúde, o I Seminário Internacional e Workshop de Percepção Pública da Saúde, organizado pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto de Saúde (IS) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Instituto de Investigação em Imunologia (iii/INCT) do Instituto do Coração (InCor).
Entre os debatedores estarão Martin Bauer, da London School of Economics and Political Science (Inglaterra), Miguel Ángel Quintanilla, do Instituto de Estudios para la Ciencia y la Tecnología (eCyT), da Universidade de Salamanca (Espanha), e Sandra Daza, do Observatório de C&T da Colômbia. Também estarão presentes José da Rocha Carvalheiro (FMUSP-RP e Fiocruz), Gustavo Venturi (FFLCH/USP) e Carlos Vogt (Labjor/Unicamp), que debaterão os diferentes modelos e pesquisas de percepção pública de C&T e suas intersecções com o campo da saúde.
O evento faz parte da pesquisa “Percepção Pública da Saúde”, conduzida pelo Labjor/Unicamp como parte do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), iniciativa do Ministério da Saúde (MS) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A pesquisa visa reunir informações acerca da percepção pública da saúde no Estado, a fim de obter subsídios para a elaboração de políticas públicas na área de comunicação voltadas para o SUS. O seminário do dia 13/04 será aberto ao público e servirá de subsídio para o workshop do dia 14/04, reservado aos pesquisadores, no qual serão discutidos elementos que farão parte de um survey, que será aplicado em todo o Estado de São Paulo.
A pesquisa “Percepção Pública da Saúde” segue a base metodológica dos surveys de percepção pública de C&T desenvolvida ao longo da última década por meio de vários trabalhos na área realizados pelo Labjor/Unicamp em parceria com outras instituições da Iberoamérica, em percepção pública de C&T, na qual o tema saúde está inserido. Os resultados da pesquisa deverão contribuir para a formulação de estratégias de comunicação e de divulgação científica da saúde que, além de promoverem uma maior difusão do conhecimento sobre o tema junto à população, possam fortalecer o sistema de gestão na área.
Para participar do Seminário, os interessados deverão preencher uma ficha de inscrição, disponível no site do Instituto de Saúde (www.isaude.sp.gov.br).
Serviço
I Seminário Internacional e Workshop de Percepção Pública da Saúde
Datas: 13 de abril (aberto ao público) e 14 de abril de 2011 (reservado aos pesquisadores)
Horário: das 08h30 às 17h30
Local: Auditório Walter Leser do Instituto de Saúde – Rua Santo Antonio, 590 – Bela Vista – São Paulo-SP – Tel. (11) 3293-2271/2260 – e-mail: ncom@isaude.sp.gov.br
Realização: Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), Instituto de Saúde (IS) e Instituto de Investigação em Imunologia (iii/INCT)
Apoio: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto do Coração (InCor), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)




















