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Há tempos já sabemos que o tabagismo aumenta o risco de derrame cerebral. Entretanto, boa parte das pessoas pensa que o AVC é problema só de gente velha, e mesmo que o tabagismo seja um fator de risco para derrame cerebral, o prejuízo só apareceria no fim da vida. As coisas não são bem assim. É indiscutível que o derrame cerebral é mais comum na população idosa, mas não é tão raro entre os jovens. Uma pesquisa que será publicada ainda este mês na revista Stroke (American Heart Association) mostraque o tabagismo entre mulheres jovens aumenta seu risco de apresentar um derrame cerebral. OK. Isso já sabíamos também. A novidade do estudo foi a demonstração da relação entre o numero de cigarros consumidos por dia e o risco de derrame cerebral. Mulheres que fumavam 1 a 10 cigarros por dia apresentavam chance 2.2 vezes maior de ter um derrame do que mulheres que não fumavam, 2.5 vezes maior com 11 a 20 cigarros/dia, 4.3 vezes maior com 21 a 39 cigarros/dia, e chance 9.1 vezes maior entre aquelas que fumavam mais de 40 cigarros/dia. Muito importante também foi o fato do risco de derrame entre ex-fumantes e não fumantes não ter sido diferente. O recado está bem claro, não?

 

 

 

 

 

Cerca de 25% das pessoas que sofre de enxaqueca apresenta também o fenômeno da aura, que é um aviso que de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente se apresenta como sintomas visuais (ex: visão de pontinhos luminosos, flashes em zigue zague, falha no campo visual). Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar, e mais raramente como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura o cérebro é acometido por uma onda de redução de fluxo sanguíneo.

 

O entendimento da relação entre enxaqueca e risco de derrame cerebral tem sido perseguido por décadas, e hoje sabemos que esse risco é maior entre indivíduos que apresentam a enxaqueca com aura. Sabemos também que o risco é maior ainda em mulheres jovens, que além da enxaqueca com aura, ainda fumam e/ou usam pílula anticoncepcional e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, pesquisas têm-nos revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração da microcirculação, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.

 

Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology nos traz um entendimento melhor ainda entre a relação entre o uso da pílula anticoncepcional,  enxaqueca com aura, e risco de derrame cerebral. Vinte e cinco mil mulheres foram acompanhadas por 12 anos, e aquelas que apresentavam enxaqueca com aura tiveram duas vezes mais risco de apresentar eventos vasculares, incluindo não só derrame cerebral como também infarto do coração. Os pesquisadores também demonstraram que as mulheres que além da enxaqueca com aura ainda apresentavam uma variante do gene MTHFR, já bastante estudado como fator de risco para eventos vasculares, essas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver derrame cerebral.  

 

Além do poder de aumentar o risco de eventos vasculares em mulheres com enxaqueca com aura, o uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle. E é bom lembrar que o mesmo cuidado com as pílulas vale para reposição hormonal entre mulheres na menopausa que apresentam enxaqueca com aura.

 

 

 

O cérebro humano é dotado de um sistema de recompensa que é estimulado por ações que julgamos prazerosas, estímulos que nos sinalizam que vale a pena repetir um determinado comportamento. Esse mecanismo é visto como uma vantagem evolutiva que favorece a sobrevivência da espécie e tem o neurotransmissor dopamina como seu principal ingrediente. A cada situação de prazer, o cérebro memoriza a relação do prazer experimentado à situação que o provocou e sabemos que alguns estímulos são mais potentes que outros no disparo desse processo: um alimento bastante calórico como o chocolate é mais poderoso que uma salada de folhas.

 

Esse sistema é uma importante janela para o entendimento dos mecanismos que fazem com que algumas pessoas tenham tendência a comportamento alimentar compulsivo e vício em drogas. Os mesmos mecanismos que são úteis para a sobrevivência podem ser meio “desafinados” em alguns indivíduos. 

 

O uso de táticas mentais com o objetivo de modular as emoções tem reconhecido sucesso na redução de reações negativas frente a estímulos conflituosos. Sabemos muito menos sobre o efeito de tais táticas no controle do comportamento humano diante de situações recompensadoras e um estudo publicado ontem pela revista Nature Neuroscience revela que o resultado nessas situações também é positivo.

 

Indivíduos foram submetidos a um teste psicológico que envolvia recompensa em dinheiro ao visualizar um quadrado azul. Aqueles que foram instruídos a olhar para o quadrado azul e pensar no dinheiro tiveram regiões do cérebro associadas ao sistema de recompensa mais estimuladas do que aqueles que foram instruídos a pensar em algo azul na natureza que os deixasse mais calmos, como a imagem de um oceano. Essas respostas foram demonstradas tanto por medidas eletrofisiológicas com por ressonância magnética funcional.

 

Os resultados dessa pesquisa sugerem que pacientes com comportamentos compulsivos (ex: drogadição) podem se beneficiar de terapias que os ensinem a usar a força do pensamento para evitar o contato com os estímulos “recompensadores”, porém nocivos à saúde.

 

 

 

O ideal de uma relação médico-paciente é quando ambas as partes participam das decisões. Entretanto, nem sempre as coisas funcionam assim. Em um extremo encontraremos médicos que se colocam em posição de superioridade e nem escutam a vontade do paciente. No outro extremo encontraremos pacientes com atitude passiva esperando de olhos fechados que o médico tome as decisões, e essa é uma situação mais comum entre idosos e indivíduos com baixo nível educacional. Entre esses dois extremos, encontramos a grande parte das relações médico-paciente, uma relação que tanto o médico como o paciente influenciam um ao outro mutuamente.

 

Em algumas situações em que o médico pensa que o paciente não quer participar de decisões, esse julgamento pode depender bastante da forma como ele aborda o paciente. Uma coisa é o médico perguntar: “Você prefere que eu tome as decisões a respeito do seu tratamento ou você mesmo pode tomá-las?”. Provavelmente teremos uma diferente resposta se o médico perguntar: “Você quer que eu tome decisões sobre seu tratamento sabendo o que é importante para você, ou sem saber o que é importante para você?

 

Não existe receita de bolo, fórmula ideal, para se chegar a um bom nível de compartilhamento de decisões. Muito do que se discute e se pesquisa sobre o assunto concentra-se em atitudes do médico que podem facilitar a comunicação e seu papel como facilitador da relação médico-paciente. Entretanto, são poucos os estudos que avaliaram o papel do paciente. Na verdade os pacientes tomam decisões o tempo todo, seja na frente do médico, seja chegando em casa e seguindo ou não a prescrição ou recomendações de mudanças de estilo de vida, ou então quando decide trocar de médico.  Alguns pacientes querem só ouvir o que o médico tem a dizer e decidir sozinhos o que fazer.

 

Há muito que se trabalhar para melhorar a comunicação entre médico e paciente, em busca de uma relação mais eficiente e que promova os melhores resultados ao paciente. E muita gente tem trabalhado por isso. Temos como exemplo a Academia Americana de Comunicação na Assistência à Saúde e também a Academia Européia que têm todo um corpo de programas educacionais aos profissionais de saúde, mas também à comunidade. O sucesso terapêutico depende muito do paciente também, e começa com uma boa comunicação entre médico e paciente, em via dupla.

 

 

 

 

Um antialérgico chamado Dimebon, usado originalmente na Russia há 30 anos atrás, e esquecido desde que antialérgicos mais modernos entraram no mercado, está se mostrando eficaz no tratamento da Doença de Alzheimer. Hoje a revista Lancet publicou o resultado de uma pesquisa conduzida na Rússia que comparou o Dimebon X  Placebo em pacientes com Doença de Alzheimer nas suas formas leve e moderada. O uso da droga mostrou-se seguro com melhora de desempenho em todos os critérios pesquisados, tanto cognitivos quanto comportamentais. Novos estudos com a droga já estão anunciados, e a medicação pode se tornar uma importante arma no tratamento da Doença de Alzheimer, e com custo muito mais em conta do que as drogas atualmente aprovadas.

 

O estudo russo chama-nos muito a atenção para a questão econômica e de otimização de recursos de pesquisa. Às vezes drogas sintéticas ou naturais que já existem para o tratamento de uma certa doença podem ser valiosas para outras doenças também. Há uma semana atrás um importante estudo foi publicado na revista Science mostrando justamente isso. A lógica de identificação das potenciais novas indicações terapêuticas de medicações foi baseada na identificação de seus efeitos colaterais. Os cientistas identificaram uma série de medicações de diferentes famílias que provocavam os mesmos efeitos colaterais e mostraram que essas mesmas medicações induziam ações similares do ponto de vista molecular / celular. É uma estratégia bastante fértil na busca de novas aplicações para medicações que já estão nas prateleiras das farmácias.

 

 

 

 

Já existem no mercado diferentes medicações que têm o poder de melhorar o desempenho de memória e concentração, e os médicos costumam prescrevê-las a pacientes com disfunções neuropsiquiátricas. Entretanto, nos últimos tempos podemos perceber que a prescrição dessas medicações tem sido estendida a outras situações, como é o caso de indivíduos que trabalham em turnos noturnos, militares, e até mesmo a pessoas que simplesmente querem “turbinar” o cérebro para o trabalho, com a intenção de melhorar a atenção e a memória.  

 

Onde é que vamos chegar com isso? Além dos prós e contras dessas medicações sobre nossa saúde a longo prazo, certamente há uma grande questão ética a ser discutida. Tais medicações têm sido cada vez mais usadas em todo o mundo, cada vez em idades mais precoces. Uma recente pesquisa realizada pela revista britânica Nature envolvendo 1400 leitores (cientistas e estudantes) de 60 diferentes países revelou que 20% das pessoas que responderam à pesquisa já tinham usado medicações com a intenção de melhorar o desempenho cerebral por razões não médicas, 25% desses com consumo diário. O uso não foi diferente entre as diversas faixas etárias, sendo que 50% das pessoas queixaram-se de efeitos colaterais e um terço das pessoas adquiriam as medicações pela internet, sem necessidade de receia médica. Para se ter idéia da complexidade da discussão, vejam o que um cientista americano de 66 anos de idade respondeu à pesquisa: “Como cientista, é minha missão usar todas as ferramentas ao meu alcance para o benefício da humanidade. Se essas drogas podem contribuir para esse fim, então é minha tarefa usá-las. “

 

No consultório de neurologia, freqüentemente atendo jovens querendo uma medicação para esse fim. Recentemente uma paciente que fazia curso preparatório para concurso público disse que o próprio professor, um juiz federal, a orientou a procurar um neurologista com o seguinte apelo: “já existem medicações que podem melhorar seu desempenho”. Posições radicais como “Oh que horror!” não costumam colaborar muito. É hora sim de aprofundarmos essa discussão com a participação de diversas áreas do conhecimento.

 

Já existem medicações que permitem que o indivíduo fique até três dias sem dormir e “disposto”, e pouco conhecemos sobre seus efeitos a médio e longo prazo. Será que chegaremos ao ponto de criar políticas anti-doping no caso de concursos públicos? Chegaremos a viver numa sociedade que não relaxa e não dorme, já que as vantagens evolutivas da nossa tão falada sociedade da informação são muito mais cerebrais do que musculares e sexuais? Será que os pais ao verem inúmeros colegas de seus filhos usando medicações para o vestibular vão deixar de usar tais hipotéticas armas de competição? É difícil alguém se imaginar cometendo um neuro-doping ao consumir 10 xícaras de café por dia nos meses que antecedem um concurso. Com pílulas deveria ser diferente? Será que essas pílulas poderiam nos oferecer mais do que uns cafezinhos durante o dia? Um indivíduo nascido rico e com boa nutrição no seu desenvolvimento tem inequívocas vantagens competitivas do ponto de vista cerebral quando comparado a outro que passou a infância desnutrido. “Medicações espertas” podem um dia contribuir para reduzir as conseqüências das desigualdades sociais? 

 

A ciência tem muito que investir na avaliação do custo-benefício dessas drogas neuromoduladoras em indivíduos sem queixas ou diagnósticos neuropsiquiátricos. Já existem estudos sendo conduzidos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, buscando saber se o uso de antidepressivos usados por indivíduos saudáveis não poderiam deixá-los mais saudáveis ainda. Ainda sabemos pouco. E quem disse que as pílulas têm mais poder de provocar alto desempenho cerebral do que uma vida saudável com tudo aquilo que sabemos que faz bem ao cérebro: educação, alimentação e sono adequados, atividade física, equilíbrio emocional, etc. Minha aposta é que as pílulas não ganham a disputa.

Ler também: Evolui a polêmica sobre o uso de medicações para turbinar o cérebro

 

 

CLIQUE AQUI e veja entrevista com o DR. Ricardo Teixeira sobre o assunto no Jornal Hoje – Rede Globo

 

CLIQUE AQUI  e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o DR. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

 

 

O Governo Federal sancionou nessa última semana a Lei de Tolerância Zero contra o álcool. A partir de agora o motorista que for surpreendido com qualquer nível de álcool pelo bafômetro será multado em R$ 957,00 e perderá o direito de dirigir por um ano. A mídia tem divulgado que o rigor não será total no começo, pois o Contran ainda precisa definir uma pequena margem de tolerância para não cometer injustiças com condutores que apresentem uma pequena presença de álcool no sangue devido a alguma medicação ou um bombom de licor. Até que essa margem seja regulamentada, tem sido divulgado que o índice tolerado será de 0,2 grama por litro de sangue, mas é melhor não confiar. O antigo limite de 0,6 grama por litro agora serve para definir quem vai preso ou não, e desde o início da vigoração da nova lei, várias pessoas já foram presas. E qual é o equivalente desses números em quantidade de bebida? 

 

A concentração de álcool no sangue, ou alcoolemia, é expressa em gramas de álcool por litro de sangue. Quando alguém tem uma alcoolemia de 0,5g/l, equivale a dizer que existe 0,5g de etanol ou álcool puro por cada litro de sangue.

 

O vinho que tem concentração de álcool em torno de 12% tem em cada litro 120 ml de álcool, em cada litro de cerveja temos cerca de 60 ml de álcool e em cada litro de aguardente temos uns 400 ml de álcool. Podemos converter qualquer volume de álcool em gramas seguindo a seguinte regra: cada mililitro de álcool tem 0.8g de álcool puro.

 

Exemplo prático:

Uma taça de vinho de 250ml (taça caprichada…um terço de uma garrafa) contém 30ml de álcool ou 24g de álcool. Para calcular os níveis de álcool no sangue devemos levar em consideração o peso e sexo do indivíduo e se a bebida foi consumida junto à refeição.

 

Fórmula de cálculo de álcool no sangue:

 

Gramas de álcool consumidos / Peso Corporal X Coeficiente*

 

*Coeficiente

– 0.7 em homens

         – 0.6 em mulheres

         – 1.1 se o álcool foi consumido nas refeições

 

Então, a taça de vinho com 24g de álcool consumida no almoço por um homem de 80 kg provocará uma concentração de álcool no sangue de 0.27g/l  (24g / 80kg X 1.1  = 0.27). Dá para entender que para chegar na alcoolemia de 0.6g/l, que pode levar o indivíduo pra cadeia,  não é necessário beber uma garrafa de aguardente.

 

E quanto tempo o organismo precisa para eliminar esse álcool do sangue? O organismo elimina aproximadamente 0,10 g/l de álcool por hora. No caso da taça de vinho do exemplo acima, o organismo precisa de duas a três horas para eliminar totalmente o álcool.

 

Domingão, almoço em família, uma boa taça de vinho, uma soneca. Mesmo acordando muito bem disposto, só devemos voltar ao volante três horas depois do vinho para não termos problemas com o bafômetro. Se bebermos duas dessas taças, o bafômetro só nos perdoaria após cinco a seis horas.

 

** Devemos apoiar o Programa Tolerância Zero ?  Certamente que sim. Porém, já estamos vendo pessoas sendo presas e o governo ensinando muito pouco sobre as novas regras. Ontem o Correio Braziliense não falou nada sobre o assunto, o Fantástico muito menos, não vi nenhuma inserção de ministro ou presidente em horário nobre de TV. Ao entrar no site  da Secretaria Nacional Antidrogas, Presidência da República, só temos  informação que existe uma nova regra. A lei não está lá. 

 

CLIQUE AQUI e veja entrevista sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira no DF TV – Rede Globo 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já é bem reconhecido que o tabagismo é um fator de risco para demência, especialmente por aumentar o risco de doença cerebrovascular (derrames cerebrais). Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e demonstrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo. Cada um é cada um, né ?  

 

 

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Conversei recentemente com uma moça que se submeteu a um tratamento de 40 sessões de soro pela veia com alguns ” oligoelementos” com a intenção de reduzir as toxinas do corpo e rejuvenescer. De acordo com ela o terapeuta usa a metáfora de que o tratamento funciona como um detergente para limpar seu corpo. Quarenta sessões a 150 reais cada, com duração de cerca de 30-40 minutos fora o tempo de espera, pois a clínica é sempre cheia. Depois dessas sessões, ainda deveria dar continuidade com soros de manutenção.

A proposta deste post não é o de emitir opiniões, mas somente o de divulgar os trechos mais relevantes da Resolução de 1998 do Conselho Federal de Medicina sobre a Prática Ortomolecular e do recente parecer emitido em abril de 2008 pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná sobre o assunto.

 

RESOLUÇÃO CFM 1.500/98

Art. 13. São métodos destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente e, por essa razão proibidos de divulgação e uso no exercício da Medicina os procedimentos de prática Ortomolecular, diagnósticos ou terapêuticos, que empregam:

I) megadoses de vitaminas;

II) antioxidantes para melhorar o prognósticoo de pacientes com doenças agudas ou em estado crônico;

III) quaisquer terapias ditas antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

IV) EDTA para remoção de metais pesados fora do contexto das intoxicações agudas;
V) EDTA como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

VI) análise de fios de cabelo para caracterizar desequilíbrios bioquímicos;

VII) vitaminas antioxidantes ou EDTA para genericamente “modular o estresse oxidativo”.

 

PARECER 1929/2008 CRM-PR

Qual a situação da Prática Ortomolecular perante o Conselho ?

Não existe registrada a especialidade de Medicina Ortomolecular, portanto esta prática não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A Resolução 1.500/1998 exposta no texto deixa claro as normativas em relação ao assunto. A Sociedade Brasileira de Medicina Ortomolecular não é filiada à Associação Médica Brasileira. 

Existe alguma evidência científica da validade deste tratamento ? Analisando todo o extenso material pesquisado, em vários países, podemos afirmar sem dúvida de que não existe até o presente momento embasamento científico para a prática da Medicina Ortomolecular, nos moldes que ela é realizada atualmente. 

 

 

 

  

 

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Não faltam evidências através de estudos com animais sobre efeitos deletérios da maconha sobre o cérebro: redução do volume dos neurônios e diminuição nas conexões entre eles. Em humanos alguns estudos já haviam revelado alterações morfológicas do cérebro à ressonância magnética em usuários da droga, especialmente nas regiões temporais. Entretanto, o assunto ainda gera polêmica, pois muitos dos achados encontrados até o momento podem também ser conseqüência de outros fatores associados ao uso da maconha como a presença de distúrbios psiquiátricos e o uso concomitante de outras substâncias neurotóxicas. Outra linha de pesquisa também já demonstrou que o uso crônico da maconha aumenta a resistência do sangue nos vasos cerebrais em indivíduos jovens, coisa que era para acontecer só nos idosos.  

 

A última edição da revista Archives of General Psychiatry coloca mais um tijolinho na construção das evidências de que a maconha não é o melhor negócio do mundo para o cérebro.  Dessa vez foram estudados os cérebros de homens com história de uso diário de pelo menos cinco cigarros de maconha por um período igual ou superior a dez anos, e sem história de transtornos mentais ou abuso de outras drogas.

 

Comparado ao grupo controle da mesma idade, os usuários de maconha apresentavam à ressonância magnética menor volume de estruturas temporais associadas à memória e às emoções, especificamente o hipocampo e a amígdala. Além disso, o grupo de usuários apresentava mais sintomas psicóticos, e menor capacidade de aprendizado.

A discussão da liberação ou não da maconha em nosso país é um assunto muito complexo e envolve múltiplas dimensões além das biológicas. É importante que a sociedade acompanhe as evidências sobre os efeitos da maconha em nossa saúde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é o dia mundial de luta contra o tabaco. Um elegante estudo publicado há uma semana no respeitado periódico New England Journal of Medicine mostra que a atitude individual de parar de fumar cria uma onda de influência sobre as outras pessoas de seu convívio em parar de fumar também.

 

Cerca de 60 mil pessoas foram acompanhadas pelo famoso estudo de Framingham durante 32 anos e avaliados periodicamente quanto ao hábito de fumar. Quando um dos membros de um casal pára de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo pára, 34% mais chance quando um colega de trabalho pára.

 

É isso aí. Fumar não é problema só de quem fuma. Não é só o problema do fumo passivo, mas continuar fumando reduz a chance das pessoas próximas conseguirem parar de fumar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No mesmo dia em que a atleta Rebeca Gusmão é penalizada com dois anos de suspensão por uso de doping, recebo uma ligação de um grande amigo bastante decepcionado com os rumos químicos do esporte amador. Um dos seus grandes prazeres é participar de provas regionais de ciclismo onde a grande maioria dos participantes é composta por atletas amadores. Diz que a brincadeira está perdendo a graça, pois boa parte dos atletas tem feito uso de hormônios anabolizantes para melhora do desempenho e que dessa forma a competição vai perdendo o sentido.

 

O problema do uso de esteróides anabolizantes (EA) não se restringe aos atletas de elite. Uma recente pesquisa realizada nos EUA e publicada há cerca de um mês no Journal of American College Health investigou o uso dessas substâncias entre estudantes universitários não atletas e revelou que cerca de 10% dos alunos faziam uso de EA, sendo bem mais freqüente entre os rapazes. As principais razões para o uso de EA foram: 48% para melhorar o desempenho físico, 45% para melhorar a aparência física e 7% porque os amigos estavam usando. Em Porto Alegre pesquisas realizadas em academias de musculação mostram que 11% dos atletas usam EA e até 25% já usaram.

 

Recentemente foi demonstrado que entre 500 usuários de EA, sendo a grande maioria praticante de musculação, praticamente 100% dos usuários apresentam efeitos colaterais e 25% usam também outras drogas como insulina e hormônio do crescimento (Med Sci Sports Exerc 2006). E não faltam efeitos colaterais associados ao uso de EA: redução da libido e fertilidade, acne, dependência física e psicológica, variação do humor, irritabilidade e agressividade, aumento do colesterol ruim e da agregação das plaquetas (engrossa o sangue), doença isquêmica do coração, morte súbita, doença do fígado e dos rins, e na mulher ainda podemos observar sinais de masculinização e alterações do ciclo menstrual. Os efeitos são dependentes das doses e tempo de uso dos EA.

 

Outro efeito colateral sério associado ao uso de EA é o de que muitas dessas substâncias são de uso injetável, e aí caímos no problema de uso inapropriado de agulhas, sendo que em alguns estudos o uso compartilhado de seringas é superior a 20% dos usuários. Meu amigo ciclista ainda disse hoje que boa parte dos usuários de EA que conhece tem sido tratada por um médico famoso que apenas “repõe a quantidade de hormônios que falta a cada atleta” junto a um tratamento ortomolecular, tudo pela veia e bem caro. Só o tratamento ortomolecular para atletas ou não atletas já merece outra discussão bem extensa….

 

O uso de EA é reconhecido mundialmente como prática contrária aos princípios éticos da competição esportiva. O American College of Sports Medicine, maior organização científica dedicada ao esporte, trabalha forte para a proibição dos EA no esporte e para penalização daqueles envolvidos na produção, prescrição e distribuição dessas drogas com o fim de aumentar o desempenho atlético. No Brasil, é lei desde o ano 2000 que tais medicamentos só podem ser vendidos com receituário médico (e as indicações são para problemas de saúde e não para ficar forte), mas na prática compra-se de forma mais fácil do que pão nas academias de ginástica, como diz Gabriel Pensador.

 

 
 
 

 

 

 

 

 

A dor de cabeça é apenas um dos problemas de quem sofre de enxaqueca. Quem tem enxaqueca tem maior chance de apresentar outros problemas de saúde quando comparado à população geral, e é a isto que se chama de comorbidades. Chamamos aqui a atenção para o maior risco de eventos vasculares entre os enxaquecosos.

 

Derrame cerebral é levemente mais comum em indivíduos com enxaqueca, especialmente em mulheres jovens que apresentam aura (ex: estrelinhas no campo visual durante uma crise), tabagistas ou usuárias de pílula anticoncepcional, e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, estudos têm revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração dos pequenos vasos, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.

  

Primeiro recado: mulheres que tem enxaqueca com aura não devem ser encorajadas a usar pílulas anticoncepcionais ou mesmo realizar reposição hormonal na menopausa. Se a mulher é tabagista, podemos dizer que a terapia hormonal é proibitiva devido ao risco muito mais elevado de derrame cerebral.

 

Hoje terminei o dia de trabalho conversando com uma mulher de cerca de 50 anos, história de enxaqueca e tabagismo.  Para piorar a história, foi-lhe prescrita reposição hormonal. Com poucos dias de terapia ela começou a apresentar fortes crises de dor de cabeça e alterações visuais que lhe trouxeram muita preocupação. Eram só crises de enxaqueca, mas poderia ter sido um derrame cerebral. O interessante é que a prescrição havia sido realizada por um “especialista” de uma área da medicina tão distante do conhecimento de menopausa e hormônios  quanto um dentista. Porém, o “especialista” estava sendo indicado por amigos e amigas pois havia feito um recente curso de reposição hormonal no exterior, de acordo com a paciente.

 

Segundo recado: as especialidades e áreas de atuação em medicina merecem formação apropriada. Sou neurologista e mesmo que me propusesse a fazer um curso no exterior de como tratar catarata, acredito que ninguém acreditaria que eu tivesse ferramentas apropriadas para cuidar dos olhos de alguém.

 

Terceiro recado: a população leiga pode ter mais segurança com os  médicos ao pedirem indicações ao seu médico de confiança. Defendo a idéia de que cada pessoa tenha o SEU MÉDICO de confiança, independente da especialidade. Se o problema não for da sua expertise, ele(a) saberá nos indicar o profissional de sua confiança. Podemos fazer nossa parte também. Se somos capaz de  procurarmos no rótulo da margarina se ela tem gordura trans ou não, por que não nos informarmos se o “especialista” tem pelo menos residência médica na área de atuação, e/ou é membro da sociedade científica da especialidade em questão.

Ninguém aprende a tocar violino com um curso de semanas ou meses. No caso das especialidades médicas, isso não é diferente. Não existe mágica. 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O tabagismo é freqüentemente iniciado na adolescência e hoje em dia cerca de 18% dos adolescentes entre 13 e 15 anos ao redor do mundo já fumou, sendo que 9% tem o hábito de fumar. Políticas agressivas para prevenção do tabagismo com especial foco nos adolescentes são fundamentais e podem ter especial impacto quando realizadas em parceria com as escolas. Entretanto, uma série de estudos tem revelado que campanhas anti-tabagismo em parceria com as escolas não são tão bem sucedidas quando se analisa o impacto a longo prazo. Um importante estudo publicado nesta semana  pela revista The Lancet nos chama a atenção para o quanto ações dessa natureza podem ser eficazes e podem alcançar ainda mais sucesso se estendidas para fora da sala de aula.

 

Cerca de onze mil estudantes da Inglaterra e País de Gales entre 12 e 13 anos de idade participaram do estudo. Inicialmente, um questionário foi aplicado entre os estudantes para o reconhecimento daqueles que exerciam maior liderança entre eles, e estes foram convidados a atuarem como agentes multiplicadores de conceitos sobre os malefícios do tabagismo. Os líderes multiplicadores recebiam um treinamento padronizado para influenciar os colegas através de conversas informais com conteúdo anti-tabagista. As intervenções duraram dez semanas e eram feitas sempre fora da sala de aula: no recreio, no caminho para a escola, em encontros fora da escola.

 

Adolescentes que foram encorajados pelos líderes a não fumar apresentaram chance significativamente menor de começar a fumar após um e dois anos de acompanhamento quando comparados àqueles que eram submetidos apenas à campanha anti-tabagismo padrão oferecida pela escola. Além disso, o método aplicado teve ótima receptividade por parte dos adolescentes.

 

Parabéns a esse grupo de pesquisadores de Bristol ! Os resultados dessa pesquisa devem dar uma chacoalhada nas atuais estratégias de prevenção ao tabagismo entre adolescentes.

 

 

 

     

    

   

  

 

 
 

 

 

 

 

Cuidar da saúde de outra pessoa envolve uma complexa interação entre o terapeuta e aquele que procura seus cuidados. Essa interação pode trazer benefícios que vão além dos efeitos da medicação ou de outro tipo de tratamento escolhido, e é a isto que chamamos de efeito placebo. Um novo estudo publicado esta semana no British Medical Journal evidencia com muita elegância o potencial desse efeito no tratamento de um problema gastrintestinal conhecido como Síndrome do Intestino Irritável (SII), condição crônica associada a dores abdominais e alterações da função intestinal (constipação e/ou diarréia).

 

Três tipos de tratamento foram testados ao longo de seis semanas: 1) apenas observação; 2) acupuntura placebo (sem perfuração da pele) e sem poder conversar com o paciente; 3) acupuntura placebo associada a atendimento com script padronizado com as seguintes características:

* 45 min de duração com questões relacionadas à descrição dos sintomas e percepção do paciente sobre a causa / razão do seu problema;

* comportamento empático por parte do terapeuta (ex: posso imaginar como a SII tem sido difícil para você);

* abordagem calorosa, amigável e com escuta ativa (ex: repetição das palavras do paciente e perguntas no sentido de melhor entender o que o paciente dizia);

* contato físico através da palpação do pulso em silêncio por 20s;

* comunicação por parte do terapeuta de expectativas positivas quanto ao sucesso do tratamento (ex: eu tenho uma boa experiência em tratar SII com bons resultados).

 

Ao final do tratamento a seguinte pergunta era feita: Nas últimas semanas você teve alívio adequado dos seus sintomas de SII ?

A resposta foi sim em:

*  em 28% dos pacientes do grupo 1 (só observados)

*  em 44% dos pacientes do grupo 2  (acupuntura placebo)

*  em 62% dos pacientes do grupo 3

    (acupuntura placebo + atendimento padronizado)

 

Os resultados não deixam dúvida o quanto o efeito placebo pode ter impacto em alguns tipos de queixas e problemas de saúde. Mais do que isso, reforça que o efeito placebo quando associado a um atendimento humanizado tem mais impacto ainda no sucesso de um tratamento. 

 

Isso levanta uma importante discussão. Seria ético os terapeutas proporem tratamentos que sabidamente só teriam efeito placebo, sem contar aos seus pacientes ? Quando procuramos um terapeuta temos a expectativa de sermos ouvidos e bem tratados, e tão ou mais importante que isso, de que ele nos ofereça diagnóstico e tratamento precisos. “Remedinhos” ou procedimentos sem eficácia comprovada, que por alguns são vistos como inofensivos,  podem estar associados a riscos de saúde – ver POSTS dos dias 7 e 8 de maio. Seguimos refletindo…..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O cogumelo do sol, Agaricus blazei Murrill, foi descoberto no interior de São Paulo ainda na década de 60 e então levado ao oriente onde seu uso é bastante popular, especialmente no Japão. No Brasil difunde-se a idéia de que seus efeitos medicinais podem ser úteis na prevenção e tratamento de diversas doenças: câncer, aterosclerose, diabetes, colesterol alto, doença cardíaca, etc. Uma série de estudos em tubos de ensaio e em animais já foi realizada na tentativa de testar se há realmente benefício em se usar os cogumelos. Entretanto, pouquíssimos estudos em humanos foram feitos até o momento, já tendo sido demonstrados efeitos de redução de peso, da pressão arterial e colesterol e até redução de reações adversas à quimioterapia e melhora de marcadores imunológicos em pacientes com câncer.

 

Não sabemos exatamente quais componentes do cogumelo do sol são responsáveis pelos poucos efeitos já demonstrados sobre nossa saúde e nem mesmo temos pesquisas que tenham avaliado seus efeitos a longo prazo. Além disso, sabemos que o cogumelo do sol apresenta em sua composição substâncias da família das hidrazinas aromáticas (ex: aritina), comprovadamente cancerígenas em estudos com animais. A conclusão é óbvia. Faltam estudos para que tenhamos segurança em usar o cogumelo do sol, qualquer que seja sua indicação. 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

Hoje conversei com uma moça que estava tomando uma fórmula que continha uma mistura de colágeno, barbatana de tubarão, etc. A prescrição havia sido feita por um médico e perguntei a ela qual era a indicação. Ela disse que era para equilibrar sua saúde. Foi-lhe prescrito também o famoso Gingko biloba, e dessa vez a proposta do médico foi um casamento com a erva para o resto da vida, para equilibrar seu cérebro.

Essa história mexe um pouco com minha cabeça, pois hoje mesmo foi publicado mais um estudo mostrando que não faz sentido usar Ginkgo biloba para melhorar ou prevenir dificuldades de memória ou outras funções do nosso cérebro (Neurology, 6 de maio de 2008). Nesse último estudo, a novidade foi que as pessoas que usaram Ginkgo biloba tiveram mais derrames cerebrais ao longo dos anos do que aqueles que não usaram a erva. O velho ditado “canja de galinha não faz mal a niguém” parece não se aplicar no caso de medicações, incluindo os fitoterápicos, pois apesar de naturais, são drogas também.

Atendo diariamente pessoas que tomam medicações sem saber o porquê, e muitas delas sem ter por que. Felizmente, hoje em dia a assimetria de informações entre médico e paciente é cada vez menor e a internet á maior reponsável por isso. Hoje é comum um paciente começar a consulta colocando em cima da mesa um bolinho de páginas impressas da internet sobre seu problema.       

E essa é a missão do Blog ConsCiência no dia-a-dia: reduzir a distância entre as ciências da saúde e o dia-a-dia das pessoas, com enfoque naquilo que diz respeito à mente e ao cérebro.

Discuta, pesquise, peça outras opiniões quando necessário. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A poluição do ar tem sido crescentemente implicada no aumento do risco de doenças vasculares através da exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento do risco de infarto do coração e derrame cerebral. Os estudos que demonstraram essa associação documentaram o grau de poluição com partículas poluentes relativamente grandes (diâmetro < 10 mM). Reconhece-se atualmente que são as partículas menores (diâmetro < 0.18 mM) que representam maior risco às nossas artérias, e de longe, são as mais abundantes em um ambiente urbano, pois têm emissão fundamentalmente ligada à queima de combustível.

 

Uma pesquisa publicada há cerca de um mês na revista Circulation Research comprova em ratinhos que a exposição a essas pequenas partículas poluentes tem o poder de promover placas de aterosclerose nas artérias de forma muito mais potente que as partículas maiores.

 

Futuros estudos epidemiológicos deverão levar em conta a dosagem dessas partículas menores para reavaliação do impacto da poluição sobre as doenças vasculares e não será surpresa se for ainda maior do que foi demonstrado até o momento. Precisamos estar cada vez mais cientes da evolução desse problema e cobrar das autoridades do governo ações que evitem um novo tipo de “apagão aéreo”. Mas não é só cobrar. Devemos também assumir nossa parcela de responsabilidade e começar a ter atitudes em prol de um ar mais limpo. Se o seu trabalho fica próximo ao do seu vizinho, que tal um dar carona para o outro ?

  

 

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O British Medical Journal publicou recentemente um estudo bastante polêmico com cerca de 1500 mulheres em menopausa da Nova Zelândia com metade delas tendo sido submetida a suplementação de cálcio. O objetivo primário do estudo era o de avaliar a densidade óssea ao longo de cinco anos, mas também tinha o objetivo secundário de testar se a suplementação do cálcio reduziria o risco de infarto do coração, derrame cerebral e morte súbita. Surpreendentemente, o grupo de mulheres que recebeu a suplementação de cálcio apresentou maior incidência de infartos do coração. Já a incidência de derrames cerebrais não foi aumentada pelo cálcio. A possível explicação para esse achado é que o cálcio extra poderia se depositar nas coronárias, aumentando o risco de eventos vasculares, especialmente em indivíduos de idade mais avançada (média de idade das mulheres do estudo = 74 anos). O estudo contradiz resultados de trabalhos anteriores e por isso ainda não se pode concluir se a suplementação de cálcio previne ou provoca infarto do coração ou derrame cerebral. Por isso, nada de alardes.

  

 

 

 

 

 

No último domingo a Revista do Correio Braziliense gastou duas páginas falando de dor de cabeça entre as mulheres, ilustrando a matéria com a foto de uma mulher debruçada sobre uma coleção de analgésicos (inclusive alguns “primos” da morfina) e ao final resume as principais causas de dor de cabeça. Infelizmente, não chega sequer a comentar que uma das principais causas de dor de cabeça é o uso exagerado de analgésicos. 

   

A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passa a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca como por exemplo a obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. Vários estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento profilático, com medicação diária para reequilibrar a química cerebral. Durante a retirada dos analgésicos, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos. Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.

 

Outra coisa que me chamou muita a atenção nessa matéria do Correio Braziliense é a sugestão de que a abstinência de verduras cruas pode ser útil para o tratamento da enxaqueca. Essa é uma outra história bastante complicada, pois os leitores podem achar que verduras cruas provocam dor de cabeça, e não há qualquer evidência científica nesse sentido. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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