Hoje conversei com uma moça que estava tomando uma fórmula que continha uma mistura de colágeno, barbatana de tubarão, etc. A prescrição havia sido feita por um médico e perguntei a ela qual era a indicação. Ela disse que era para equilibrar sua saúde. Foi-lhe prescrito também o famoso Gingko biloba, e dessa vez a proposta do médico foi um casamento com a erva para o resto da vida, para equilibrar seu cérebro.

Essa história mexe um pouco com minha cabeça, pois hoje mesmo foi publicado mais um estudo mostrando que não faz sentido usar Ginkgo biloba para melhorar ou prevenir dificuldades de memória ou outras funções do nosso cérebro (Neurology, 6 de maio de 2008). Nesse último estudo, a novidade foi que as pessoas que usaram Ginkgo biloba tiveram mais derrames cerebrais ao longo dos anos do que aqueles que não usaram a erva. O velho ditado “canja de galinha não faz mal a niguém” parece não se aplicar no caso de medicações, incluindo os fitoterápicos, pois apesar de naturais, são drogas também.

Atendo diariamente pessoas que tomam medicações sem saber o porquê, e muitas delas sem ter por que. Felizmente, hoje em dia a assimetria de informações entre médico e paciente é cada vez menor e a internet á maior reponsável por isso. Hoje é comum um paciente começar a consulta colocando em cima da mesa um bolinho de páginas impressas da internet sobre seu problema.       

E essa é a missão do Blog ConsCiência no dia-a-dia: reduzir a distância entre as ciências da saúde e o dia-a-dia das pessoas, com enfoque naquilo que diz respeito à mente e ao cérebro.

Discuta, pesquise, peça outras opiniões quando necessário. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios