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A enxaqueca é um transtorno neurológico geneticamente definido que chega a acometer até um quarto das mulheres em idade fértil e uma proporção três vezes menor de homens. Hoje sabemos que a enxaqueca vai muito além das famosas e terríveis dores de cabeça. Está associada a maior risco de uma série de outros problemas de saúde, entre eles ansiedade e depressão. Alguns estudos já identificaram um maior risco de suicídio entre jovens com enxaqueca, mas ainda não está bem definido se o risco é maior devido à maior freqüência de depressão nessa população. Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, revela que adolescentes com enxaqueca apresentam mais ideação suicida do que seus colegas sem enxaqueca, e parte desse risco foi independente da presença de depressão.
Mais de quatro mil estudantes de Taiwan com idades entre 13 e 15 anos preencheram um questionário em sala de aula e 8.5% deles referiram ter pensado em suicídio no mês anterior. Idéia de suicídio foi menos comum entre aqueles que viviam com ambos os pais biológicos, e mais comum entre as meninas, entre os que referiram outros sintomas de depressão e naqueles que se queixavam de dor de cabeça. Entre aqueles que tinham 7 a 14 crises de dor de cabeça por mês, 18% apresentavam ideação suicida e foi ainda maior (28,6%) quando a freqüência de dor era superior a 15 por mês.
Ao se avaliar o impacto das dores de cabeça nas atividades de vida diária através de uma escala, aqueles com baixa pontuação na escala tinham o mesmo nível de ideação suicida que o grupo como um todo. Entretanto, aqueles que apresentaram forte impacto das dores de cabeça nas atividades cotidianas (alta pontuação na escala), esses chegavam a apresentar uma freqüência de 44,4% de pensamentos suicidas. Além disso, o risco de ideação suicida foi maior entre aqueles com enxaqueca do que em outros tipos de dor de cabeça. No caso da enxaqueca com aura, que é quando além da dor de cabeça o indivíduo tem sintomas visuais (ex: estrelinhas) entre outros sintomas neurológicos, o risco de apresentar pensamentos suicidas chegou a ser 4.6 vezes maior do que entre os adolescentes sem história de dor de cabeça.
Futuros estudos deverão definir se o tratamento da enxaqueca é capaz de reduzir a freqüência de pensamentos suicidas entre adolescentes. Não se sabe também o quanto que idéias suicidas nessa população podem culminar em tentativas de suicídio. Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em populações de outras etnias, mas já nos alertam o quanto é importante a avaliação da dimensão psicológica de adolescentes com enxaqueca.
Apesar da atividade física poder desencadear dores de cabeça em algumas pessoas que sofrem de enxaqueca, sua prática regular é uma recomendação universal, pois na maioria das vezes ela mais ajuda do que atrapalha no controle das crises. Entretanto, não existem ainda estudos que tenham definido qual o tipo, freqüência e intensidade da atividade física que melhor colabora para o controle das crises de enxaqueca e que menos chance tem de desencadear uma crise.
Uma pesquisa conduzida na Suécia e recém-publicada pela revista Headache, periódico oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, demonstrou que um programa de atividade aeróbica a indivíduos sedentários e com enxaqueca não só não piorou as crises de dor de cabeça, mas ao final de 12 semanas mostrou-se eficaz na redução da intensidade e freqüência das crises, assim como na necessidade do uso de analgésicos. O programa consistia em treino de 40 minutos em bicicleta ergométrica 3 vezes por semana.
Os resultados devem ser vistos como preliminares e devem encorajar a realização de estudos mais robustos para a definição do tipo de exercício que mais benefícios pode oferecer àqueles que sofrem de enxaqueca e também comparar esse efeito com a eficácia de tratamentos medicamentosos habituais.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstrou que a mulher que fuma e descobre que está grávida ainda tem chance de minimizar os danos ao feto se parar com o cigarro ainda no começo da gravidez. O estudo comparou a evolução de 2500 mulheres grávidas que foram divididas em três diferentes grupos: as que nunca fumaram, as que pararam de fumar antes da 15ª semana de gestação e as que continuaram fumando. Não houve diferença entre o grupo de mulheres que parou de fumar e aquelas que nunca fumaram quanto às taxas de nascimento prematuro e baixo peso. Porém, aquelas que continuaram a fumar apresentaram taxas três vezes maiores de nascimento prematuro e duas vezes maiores de baixo peso ao nascimento quando comparadas às mulheres que pararam de fumar.
Esses resultados representam um grande incentivo para que as mulheres parem de fumar já ainda no começo da gravidez. Porém, o ideal é impedir que os bebês sejam expostos à fumaça do cigarro desde o momento da concepção, já que a relação entre cigarro e o desenvolvimento dos bebês não se restringe ao tamanho e o peso que eles nascem. Temos evidências inequívocas de que a exposição do feto à fumaça do cigarro está associada a um maior risco de malformações congênitas e ainda é capaz de promover puberdade precoce. Os bebês fora da barriga das mães também sofrem com a fumaça: eles têm um maior risco de síndrome de morte súbita infantil, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, comportamento anti-social e déficit de aprendizagem. Isso sem falar nos problemas respiratórios e infecciosos.
A fumaça de cigarro absorvida por uma mulher grávida é capaz de se ligar a receptores de nicotina no cérebro do feto, e a mulher nem precisa fumar para que isso aconteça, pois o fumo passivo já é suficiente para isso. Por isso, manter os bebês e crianças longe da fumaça é uma tarefa não só para a mãe, como também aos papais e agregados de plantão.
Ainda é muito comum a recomendação de que as mulheres devem ficar em jejum a partir do momento que entram em trabalho de parto. A justificativa é que o jejum reduziria a chance de vômitos durante o parto e com isso diminuiria o risco de pneumonia por aspiração que ocorre quando o vômito cai dentro das vias aéreas. Esse risco de aspiração é significativo quando a mulher é submetida à anestesia geral, mas nos últimos anos, o parto cesárea é cada vez mais realizado sem anestesia geral, o que reduz sobremaneira o risco de aspiração.
Será que realmente faz sentido negar qualquer tipo de alimento a uma mulher durante o trabalho de parto? Alguns estudos já haviam sido realizados na tentativa de responder a essa questão, mas os resultados não foram conclusivos e ainda há muita disputa de opiniões. As mais recentes recomendações da Sociedade Americana de Anestesiologia defendem que o jejum de sólidos deve ser respeitado, enquanto líquidos podem ser oferecidos à parturiente. Alguns serviços hospitalares defendem a liberação da dieta com o argumento de que o trabalho de parto pode ser prejudicado se a mulher tiver restrição de ingestão de energia.
Uma nova pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal dá um novo rumo à discussão. A pesquisa envolveu a análise do trabalho de parto de quase 2500 mulheres primíparas (primeira gestação) que foram divididas em dois grupos: um grupo em jejum durante o trabalho de parto e outro que tinha a permissão de ingerir alimentos leves como suco de frutas, biscoitos, pães, iogurte, e bebidas isotônicas. Não houve diferenças entre os grupos nas diversas variáveis estudadas: freqüência de vômito, porcentagem de partos normais e cesáreas, duração do trabalho de parto e saúde dos bebês ao nascimento.
Essa é a maior pesquisa realizada até o momento sobre o tema e os resultados sugerem que as mulheres não devem ser privadas de alimentos durante o trabalho de parto desde que queiram se alimentar, pois também não há evidências de que aquelas que se alimentam têm mais sucesso do que as que permanecem em jejum.
Um estudo recém-publicado pela revista Archives of Internal Medicine demonstra que quem come menos carne vermelha e carnes processadas vive mais. A pesquisa acompanhou por 10 anos mais de meio milhão de pessoas com idades entre 50 e 71 anos. A quinta parte das pessoas que mais ingeria carne vermelha (média de 62.5g / 1000 Kcal por dia) foi a que apresentou maior mortalidade independente da causa, e também maior mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer quando comparada à quinta parte que menos ingeria carne vermelha (média de 9.8g / 1000 Kcal por dia). Essa mesma relação de risco foi observada com o consumo de carnes processadas – maior consumo e maior risco de mortalidade. No caso da carne branca, os resultados foram exatamente opostos. A quinta parte das pessoas que mais ingeria carne branca tinha menor risco de mortalidade geral assim como por doenças cardiovasculares e câncer, quando comparada à quinta parte que menos comia carne branca.
Os pesquisadores calculam que 11-16 % das mortes poderia ser evitada se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.
Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.
O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico. Pesquisas recentes têm-nos provocado novas reflexões sobre o quanto esses sentimentos devem ser vistos como patológicos ou não.
Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. A inveja pode ser definida como o desejo de possuir aquilo que é do outro (ex: sucesso, bens materiais) e/ou o desejo que o outro não possua aquilo que é invejado. A língua alemã usa a palavra schadenfreude, sem equivalente em português, para descrever algo diferente da inveja, mas que costuma andar lado a lado com ela: um sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade do outro.
Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Um recente estudo conduzido por pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa revelou que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de perceber inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos. Aqueles com lesão cerebral do lado direito do cérebro tiveram mais dificuldade em perceber situações com contexto de inveja enquanto aqueles com lesões do lado esquerdo entendiam com mais dificuldade situações em que havia prazer com o infortúnio alheio. Teoricamente, na vida real, esses mesmos indivíduos teriam mais dificuldade em modular seus próprios sentimentos de injeja e prazer no infortúnio alheio. Lesões cerebrais nas mesmas regiões frontais já foram associadas a comportamento social inapropriado, menor desempenho executivo, menor capacidade de arrependimento, ciúme patológico, e até mesmo a sociopatia.
A revista Science publicou recentemente um estudo em que pesquisadores japoneses demosntraram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro – a inveja. Demonstraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativa o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Isso deve explicar o o sucesso dos programas tipo “video-cassetadas” e também o porquê dos meios de comuicação de massa venderem tão bem notícias de tropeços e escândalos de celebridades.
O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência têm-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.
Estudo recém publicado pela revista Lancet Neurology revela que a incidência de derrame cerebral nas últimas quatro décadas (1970-2008) reduziu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Mais de 50 estudos de 28 diferentes países foram analisados: 18 países ricos e 10 países de baixa e média renda, incluindo o Brasil.
Os resultados ainda demonstraram que na última década a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior). Uma das explicações para esses resultados é que o ritmo de transição demográfica é diferente entre países pobres e ricos: a população dos países pobres está envelhecendo em ritmo mais acelerado do que os ricos. Outra possível explicação é a de que os cuidados de saúde para prevenção do derrame cerebral têm sido mais expressivos nos países ricos, como é o caso do tratamento da hipertensão arterial.
Já faz tempo que as doenças cardiovasculares deixaram de ser problema de países desenvolvidos, e está mais do que definido que o derrame cerebral deve fazer parte das prioridades de políticas de saúde pública dos países de baixa e média renda. Chegou a hora de agir.

Saúde é um dos campeões de audiência quando se fala em busca de informação na internet. Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico / terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Por outro lado, a relação com o “Dr. Google“ não deixa de ter suas armadilhas, já que a internet quase não tem políticas de regulação sobre seu conteúdo.
Pesquisadores da Universidade de Florença acabam de publicar um artigo no British Medical Journal acendendo a discussão para a criação de algum tipo de regulação na qualidade de informação em saúde. Os autores descrevem a experiência de se digitar o termo “aloe” no Google e nos primeiros resultados da busca poder ser encontrado que Aloe arborescens é indicado no tratamento e prevenção do câncer (efeitos sem comprovação científica), e claro que o site vende o extrato da planta. Essa é uma experiência que qualquer um pode ter ao digitar Ginkgo biloba e receber várias ofertas de que a plantinha é capaz de melhorar o desempenho cerebral, efeitos também sem qualquer comprovação.
É sabido que boa parte dos lucros do Google tem origem na publicidade associada aos termos de busca usados. Isso chega a situações críticas como foi o caso de uma notícia de assassinato nos EUA em que as partes do corpo da vítima foram escondidas em uma mala. Ao acessar essa notícia, podiam-se ver anúncios de malas no topo da página. O Google tem investido no incremento de filtros que impeçam esse tipo situação, mas esses dispositivos ainda precisam de muito aprimoramento. Outra sugestão seria a proibição de links patrocinados quando os termos de busca forem relacionados à saúde. No caso da experiência “aloe”, os pesquisadores italianos encontraram o link patrocinado do Padre Romano Zago que cura câncer com Aloe arborescens.
O Google certamente tem grande interesse em aprimorar os mecanismos de filtragem para amenizar os riscos de levar informação errada à população. Enquanto isso não acontece, é importante que os diferentes setores da sociedade continuem a cobrar uma solução para o problema. Antigamente, ao procurar o significado de uma palavra em um dicionário de qualidade, não havia qualquer tipo de surpresa. Hoje, na pescaria do Google, fisgam-se peixes graúdos, assim como botinas velhas.
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Uma recente pesquisa realizada pela revista Nature envolvendo cerca de 500 jornalistas científicos revelou que as oportunidades de emprego na área estão diminuindo e aqueles que conseguem manter seus empregos estão trabalhando em ritmo cada vez mais acelerado: estão envolvidos não só na produção de matérias, mas também alimentam blogs, podcasts, etc. Por outro lado, cresce o número de blogs assinados por cientistas, chegando a alcançar centenas de milhares de acessos semanais. Além disso, os próprios jornalistas têm acessado cada vez mais blogs científicos em busca de idéias para suas matérias. Essa pesquisa mostrou que 63% dos jornalistas baseiam-se em blogs científicos para a construção de suas matérias, comparado a 18% há cinco anos atrás.
Atualmente, com os meios de comunicação de massa contratando cada vez menos jornalistas científicos, as matérias elaboradas por relações públicas de instituições de pesquisa passam a ser cada vez mais utilizadas. A pesquisa conduzida pela Nature demonstrou que 39% dos jornalistas científicos publicam os press releases dessas instituições. Será que é esse o mundo ideal? Os próprios cientistas e suas instituições levando informação à sociedade? O fato é que esse tipo de informação tem o viés do interesse da instituição de origem, cenário um pouco distante daquilo que se chama de cobertura jornalística independente.
Ao mesmo tempo que os jornalistas penetram no universo dos blogs, os cientistas estão penetrando na mídia tradicional. Esse movimento pode até ser visto como uma tendência de fusão entre a cultura do jornalismo e da ciência. É ótimo observar os cientistas colocando a cara para fora dos laboratórios, colaborando de forma mais intensa para a divulgação científica. Por outro lado, pode-se perceber que os meios de comunicação ficam cada vez mais dependentes dos press releases das instituições de pesquisa.
Prevenir é melhor que remediar. Infelizmente não é isso que está acontecendo entre indivíduos com doenças cardíacas: eles estão fumando mais e com mais obesidade e diabetes. Esse é o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo jornal The Lancet que avaliou fatores de risco vascular ao longo de 12 anos entre europeus que já tiveram problemas cardíacos.
Apesar do aumento substancial do uso de drogas anti-hipertensivas, não houve redução na prevalência de hipertensão arterial. A análise aponta que 3 em cada 5 indivíduos ainda apresentam hipertensão arterial, 20% fumam (o fumo entre as mulheres cresceu) e 50% têm alterações nos níveis de gordura no sangue. A freqüência de obesidade e diabetes cresceu de 25% e 17.4% para 38% e 28%.
Não adianta deixar a saúde por conta dos remédios: eles não dão conta sozinhos do recado. Medicações e procedimentos salva-vidas na sala de emergência, sem programas de prevenção e reabilitação, são atitudes fúteis quando se pensa em saúde de forma sistêmica. É urgente o apoio de políticas públicas inteligentes de conscientização por uma alimentação saudável, atividade física regular e pelo fim do tabagismo.
A enxaqueca é cerca de três vezes mais comum entre as mulheres, chegando a afetar até um quarto delas em idade fértil. Durante a gravidez, é comum que as mulheres tenham menos crises de enxaqueca, mas algumas delas podem até piorar.
Recentemente, foi demonstrado que mulheres com enxaqueca têm um risco três vezes maior de apresentar hipertensão arterial na gravidez e um maior risco de gerar bebês de baixo peso. Chegou-se a demonstrar que a enxaqueca está associada a um risco 17 vezes maior de derrame cerebral em mulheres grávidas e 4 vezes maior de infarto do coração. Esses resultados foram confirmados por uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.
Mais de 18 milhões mulheres grávidas foram acompanhadas por três anos e foram identificadas aquelas que tiveram o registro de crises de enxaqueca durante a internação hospitalar para o parto. O registro de crises de enxaqueca esteve associado a um maior risco das seguintes doenças na gravidez: derrame cerebral (risco 15 vezes maior), infarto do coração (risco 2.1 vezes maior), tromboembolismo pulmonar (risco 3.2 vezes maior), hipertensão arterial / pré-eclampsia (risco 2.3 vezes maior) e diabetes (risco 1.9 vezes maior).
A metodologia do estudo não permite concluir se a enxaqueca é causa ou conseqüência dessas doenças associadas. Entretanto, pesquisas anteriores, têm revelado que indivíduos com enxaqueca, especialmente a enxaqueca com aura e independente da gravidez, têm um maior risco de apresentar eventos vasculares, como o derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar. O atual estudo acrescenta que mulheres grávidas que apresentam crises de enxaqueca durante a internação para ganhar o bebê, essas devem ser monitoradas de forma mais cuidadosa por apresentarem maior risco de eventos vasculares, sobretudo o derrame cerebral.
Pesquisa recém-publicada no jornal Alcohol and Alcoholism demonstra pela primeira vez que filmes e propagandas de TV em que personagens tomam bebidas alcoólicas estimulam imediatamente o consumo de álcool de quem está assistindo.
Cientistas canadenses e holandeses conduziram um experimento com 80 estudantes universitários do sexo masculino que foram divididos em quatro grupos. Um dos grupos assistiu a um filme com intensa aparição de bebidas alcoólicas incluindo intervalos com propaganda de bebida alcoólica. Outro grupo assistiu ao mesmo filme sem propagandas de bebidas alcoólicas. Dois outros grupos assistiram a um filme com pouquíssimas imagens de bebidas alcoólicas e intervalos com ou sem propaganda de bebida alcoólica.
Os voluntários assistiram aos filmes em companhia de amigos e com acesso livre a uma geladeira com bebidas alcoólicas e não alcoólicas, na tentativa de reproduzir as condições em que as pessoas assistem TV em casa. Os voluntários que assistiram a filmes com conteúdo de bebida alcoólica serviram-se de 1.5 copos a mais de cerveja ou vinho do que aqueles que assistiram filmes sem esse conteúdo num período de uma hora. Os resultados sugerem que o efeito do conteúdo de álcool na TV não só é capaz de aumentar o consumo de álcool na próxima vez que o indivíduo for ao supermercado, mas pode também estimular o consumo de álcool imediatamente.
A publicidade de cigarros já é proibida em vários países. No caso do álcool, se esses resultados forem confirmados por novos estudos, deverão servir de apoio a implantação de políticas públicas de restrição da publicidade do álcool na TV.
É difícil pensar em alguém que não se sinta bem após uma sessão de gargalhadas. Mas será que além do bem estar que o riso provoca, ele realmente faz bem à saúde? O velho ditado de que rir é o melhor remédio tem algum fundamento? O riso é uma função exclusiva da espécie humana, tem sua razão de existir do ponto de vista evolutivo e existem até áreas cerebrais que quando estimuladas são capazes de produzir uma gargalhada.
As principais pesquisas dos efeitos do riso sobre a saúde concentram-se nos sistemas cardiovascular, imunológico e na percepção de dor. Os resultados até o momento são convidativos para passarmos os dias dando risada.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
O sedentarismo é reconhecido como um importante fator de risco para duas das doenças que mais matam no planeta: câncer e doenças cardiovasculares. E não é de hoje que sabemos que a atividade física regular é capaz de promover o aumento de nossa longevidade. Mas será que quem começa a se exercitar só após os 50 anos ainda recebe esse benefício?
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal acompanhou mais de 2000 homens na Suécia a partir dos 50 anos de idade. Após 10 anos, os homens que incrementaram o nível de atividade física passaram a apresentar índices de mortalidade semelhante àqueles que já tinham altos níveis de atividade no início do estudo. O efeito na redução de mortalidade foi da mesma magnitude que a decisão de parar de fumar.
O recado é simples: nunca é tarde para começar a malhar e parar de fumar!
Os meios de comunicação de massa representam uma das principais fontes de informação em saúde não só da população leiga, mas até mesmo dos próprios profissionais de saúde. Uma série de estudos revela que pesquisas divulgadas pela mídia são mais citadas por outros estudos científicos.
Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico / terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Pode-se argumentar que muito daquilo que o leigo lê na internet não é fonte segura de informação, e no caso de informação equivocada, o “ Dr. Google” pode fazer mais mal do que bem. Isso até pode existir, mas de uma forma geral, a internet ajuda muito mais do que atrapalha. E foi isso que um estudo recém-publicado pela prestigiada revista Cancer sugere.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudaram mais de 600 pacientes com diagnóstico de câncer colo-retal e a hipótese lançada era a de que aqueles que buscavam mais informações sobre a doença na internet e mídia impressa também estariam sendo submetidos a tratamentos mais modernos. No caso em questão, os autores definiram como terapêutica moderna o uso de duas medicações recentemente aprovadas para uso nos EUA e amplamente divulgadas pela mídia (bevacizumab e cetuximab). O resultado foi que os pacientes que procuraram informação na internet e mídia impressa tinham uma chance três vezes maior de ter conhecimento sobre as duas medicações, e também foi três vezes maior a chance de serem submetidos ao tratamento com essas drogas.
Estudos anteriores já haviam revelado que cerca de 40% dos pacientes com diagnóstico de câncer buscam informações sobre a doença na internet, mas não se sabia ao certo qual o nível de impacto isso poderia ter sobre o tratamento efetivamente oferecido aos pacientes.
Nos últimos 20 anos, várias medicações antidepressivas foram introduzidas no mercado, muitas delas com mecanismos de ação similares e composições químicas muito parecidas. Algumas dessas novas drogas são até chamadas de me-too, termo pejorativo para se referir a uma medicação quimicamente similar a outra que está para perder a patente. O fato é que ainda não está bem claro quais as reais diferenças entre os diferentes tipos de antidepressivos do ponto de vista de eficácia e efeitos colaterais.
Uma pesquisa recém-publicada pela revista científica The Lancet avaliou os resultados de 117 estudos de 12 diferentes tipos de antidepressivos de nova geração (incluindo 26 mil indivíduos), o que permitiu comparar a eficácia e tolerabilidade entre eles. Medicações incluídas na análise: bupropriona, citalopram, duloxetina, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, milnacipran, mirtazapina, paroxetina, reboxetina, sertralina e venlafaxina.
Sertralina, escitalopram, mirtazapina e venlafaxina foram os antidepressivos que se mostraram mais eficazes. Dentre esses quatro, a sertralina e o escitalopram foram os mais bem aceitos pelos pacientes. Quando se analisou em conjunto o custo da medicação, sua eficácia e aceitabilidade, a sertralina ganha a disputa como a medicação de escolha para se iniciar o tratamento de um quadro de depressão moderada a grave.
O estudo deve encorajar os médicos a tentarem o uso da sertralina antes do escitalopram, já que esse último é cerca de sete vezes mais caro que a sertralina.
Desde 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças com menos de dois anos de idade devem ficar longe da TV. Mesmo assim, pesquisas apontam que em cerca de 70% dos lares as crianças nessa faixa etária costumam assistir 1 a 2 horas de TV por dia e que boa parte dos pais acredita que a TV , e especialmente os videos educativos, podem auxiliar no desenvolvimento da criança.
Um estudo recém publicado pela revista Pediatrics revela que a TV e videos não trazem nenhum tipo de benefício cognitivo às crianças de 0 a 2 anos de idade, mas também não prejudica. Quase 900 crianças foram acompanhadas e a média diária de tempo em frente à TV foi de 1.2 h. Aos 3 anos de idade, medidas de vocabulário e habilidades visuomotoras não foram influenciadas pelo hábito de assistir TV e videos. Entretanto, estudos anteriores já haviam demonstrado que a TV pode ter impacto negativo nos bebês a depender do conteúdo assistido. Conteúdos violentos antes dos 3 anos de idade dobra a chance das crianças apresentarem problemas de atenção na infância.
O estudo reforça resultados de estudos anteriores de que a TV e videos não melhoram o desempenho cognitivo dos bebês. Isso já foi testado até mesmo com os famosos videos educativos Baby Einstein, e gerou até processo da produtora Disney sobre a Universidade de Washington que conduziu o estudo. Nesse caso específico, o estudo mostrou que bebês que assistiam aos vídeos até tiveram piores scores cognitivos.
É bom lembrar que o desenvolvimento cognitivo não é a única medida para se avaliar os efeitos da TV sobre as crianças. Já existem evidências que limitar o uso da TV pelas crianças colabora para que elas tenham hábitos alimentares mais saudáveis, reduz o risco de sobrepeso e obesidade e ainda é capaz de melhorar a qualidade do sono.
O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.
A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.
O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos, e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa.
Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.
Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compra, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando…
Não é de hoje que a disputa pelo título de melhor dieta para emagrecer aquece o mercado editorial e muitos outros mercados também. Há cerca de 20 anos as dietas pobres em gorduras e ricas em carboidratos tornaram-se populares devido à crença de que as calorias originadas das gorduras engordavam mais. Dietas ricas em gordura e pobres em carboidratos foram bem divulgadas na década de 70 pelo Dr. Robert Atkins, e voltou à moda nos últimos anos. Existem ainda as dietas com alto teor de proteínas que prometem ser mais eficazes com a idéia de que as proteínas têm o poder de promover saciedade mais precocemente.
Um grande estudo recém-publicado pelo New England Journal of Medicine revela que diferentes teores de proteína, carboidrato e gordura não influenciam a capacidade da dieta em promover perda de peso. Mais de 800 adultos com sobrepeso foram acompanhados por 2 anos. Após 6 meses do início da dieta, a média de perda ponderal foi de 6Kg (7% do peso inicial). Após um ano, os voluntários voltaram a recuperar o peso perdido, e já com dois anos de dieta, a perda ponderal média foi de 4 kg, a mesma perda de peso que os tratamentos com medicação costumam promover. O nível de satisfação com a dieta, assim como a sensação de fome e saciedade, não foram diferentes entre os diferentes tipos de dieta.
O principal recado dessa pesquisa é que o teor dos macronutrientes numa dieta não é o fator determinante de sucesso para a perda de peso. A adequação da dieta às preferências pessoais e culturais talvez sejam mais determinantes para o sucesso a longo prazo. Outro ponto que merece destaque é o fato dos voluntários não terem conseguido manter o peso perdido inicialmente, e após 2 anos, continuaram com um Índice de Massa Corporal de 31-32, ou seja obesos. Isso num cenário muito acima da média do mundo real, com voluntários selecionados, com alto nível educacional e de motivação. Além disso, o programa de dieta foi conduzido por equipe altamente especializada.
Não é preciso mais estudos para concluir que a dieta sozinha não é capaz de conter a pandemia de obesidade. Uma recente experiência na França abre caminhos para estratégias mais eficazes. No ano de 2000 duas pequenas cidades francesas iniciaram um esforço comunitário para conter a obesidade em crianças em idade escolar. Todos os setores da sociedade foram envolvidos no projeto: governo local, donos de lojas e restaurantes, cientistas, médicos, professores, meios de comunicação, associações esportivas, etc. Foram construídos parques e centros esportivos com instrutores e os pais passaram a receber orientação de como alimentar os filhos. Após cinco anos de iniciado o programa, os resultados foram impressionantes. A prevalência de sobrepeso entre as crianças passou para 8.7%, comparada a uma prevalência de 17.8% nas cidades ao redor. Esse mesmo projeto está sendo estendido agora para outras 200 cidades na Europa com a seguinte chamada: Juntos, vamos prevenir a obesidade nas crianças.
Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.
Os problemas de saúde associados ao álcool incluem a dependência química, a intoxicação aguda e o seu consumo crônico que pode provocar mais de sessenta diferenças doenças. Entretanto, uma série de estudos têm-nos mostrado que beber com moderação está associado a uma maior longevidade e é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral, Doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Os maiores candidatos para explicar esse efeito protetor do álcool são o seu efeito anti-oxidante em doses moderadas com melhora de índices de gordura no sangue e o efeito de redução da tendência de coagulação do sangue.
Então deveríamos estimular que a população beba moderadamente, ou seja, até duas doses diárias para homens e uma para mulheres? A recomendação atual da Associação Americana do Coração (American Heart Association) é a de que quem não bebe não deve começar a beber, mas para quem já tem o hábito, o médico não deve criar proibições, e sim limitar o consumo e dar preferência ao vinho, já que o vinho além do álcool contém a uva com seus nobres ingredientes à saúde (ex: resveratrol).
Um estudo recém-publicado pelo Journal of National Cancer Institute acompanhou mais de um milhão de mulheres por sete anos e demonstrou que mesmo o consumo leve a moderado de álcool está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. O consumo de álcool ainda potencializou o risco de outros tipos de câncer entre tabagistas: cavidade oral, orofaringe, laringe e esôfago. Os pesquisadores calculam que 13% dos casos desses tipos de câncer são causados pelo álcool e o risco de câncer não foi diferente entre o vinho e outros tipos de bebidas. No presente estudo, a média de consumo de álcool foi de uma dose diária (só 3% dessa população bebia mais que 3 doses diárias) e esse é o ponto que dá uma chacoalhada e amplia a análise da relação entre álcool e saúde. A conclusão mais importante do estudo é a de que não existe dose segura para o consumo de álcool.
Apesar dos efeitos protetores do álcool em doses moderadas sobre o cérebro e sistema cardiovascular, o aumento do risco de câncer anularia esses benefícios quando se pensa na saúde de forma sistêmica. Esse é um estudo tão importante que deverá mudar o discurso de boa parte dos médicos que atualmente orientam seus pacientes a tomarem um a dois cálices de vinho por dia para proteger o coração.






















