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Estamos familiarizados com ideia de que existem poucas mulheres em posições de poder.  Menos de 15% dos cargos executivos são representados por mulheres e elas compõem menos de 5% da lista dos 500 tops da revista Fortune.

As mulheres enfrentam mais obstáculos que os homens para alcançar posições de poder e, quando alcançam, os obstáculos são maiores do que no caso dos homens. Estamos falando de discriminação mesmo. Elas ainda hoje carregam o estigma de serem menos competentes e preparadas para assumir cargos de liderança.  Além disso, muito preconceito ainda existe ao ver as mulheres “roubarem” tempo da família para se dedicar ao trabalho. A CEO do Yahoo recentemente foi bastante criticada, e por muitos quase “apedrejada”, quando decidiu por uma licença maternidade bem curta após gerar dois filhos gêmeos.

Estudos têm-nos mostrado que existem outras questões que fazem com que as mulheres subam menos na escada de poder no trabalho. Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram mais de 4000 indivíduos incluindo executivos em posições de liderança, alunos de MBA de excelência e até estudantes do college. Eles mostraram que, em todas essas fases da vida profissional, as mulheres têm objetivos de vida mais diversificados, como tempo para se dedicar às suas coisas pessoais (atividade física, lazer e amigos) e tempo para filhos e família. Elas enxergam as posições de poder no trabalho, da mesma forma que os homens, como formas de alcançar respeito, prestígio e riqueza. Entretanto, elas identificam mais pontos negativos que os homens como o estresse e sacrifício da vida pessoal.

Elas consideram que têm o mesmo potencial que os homens em alcançar as posições de poder, mas preferem ficar num degrau intermediário. Elas podem ter o poder, mas não querem. Quando mulheres e homens são interrogados para apontar numa escada três posições hierárquicas, a que eles consideram estar no momento, a que eles teriam capacidade de alcançar e a posição que gostariam de estar, homens e mulheres não são diferentes nas posições que estão no momento e nas que podem alcançar, mas as mulheres se posicionam abaixo dos homens onde gostariam de estar.

Muitas transformações, recentes transformações. As mulheres não querem só comida (poder). Querem comida, diversão e arte. Elas não querem só dinheiro. Querem dinheiro e felicidade. (Comida – TITÃS).

O hormônio ocitocina, considerado um importante ingrediente para que aconteça a “liga” entre duas pessoas, tem esse poder, em parte, por facilitar a liberação de moléculas de anandamida, neurotransmissor que se liga aos mesmos receptores no cérebro que a maconha. Essa é a conclusão de um estudo publicado na última semana pelo prestigiado periódico PNAS.

Já é bem reconhecido que a anandamida “dá barato” por aumentar a motivação e promover um estado de felicidade. Ela é considerada a principal molécula responsável pelo barato do maratonista.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia demostraram que o contato social entre ratinhos aumentava a produção de anandamida que por sua vez tornava a socialização uma experiência “legal”. Quando eram bloqueados os receptores canabinóides onde a anandamida se liga, os ratinhos tinham a tendência em ficar mais sozinhos.

Já se sabia que a ocitocina é uma grande promotora de interações sociais e os pesquisadores testaram se existe alguma conexão com a produção de anandamida. E encontraram. A estimulação de neurônios produtores de ocitocina fez com que os níveis de anandamida aumentassem. E mais importante: o bloqueio dos receptores de anandamida desmoronou os efeitos pró-sociais da ocitocina.

Aplicações médicas também foram especuladas no experimento. Eles conseguiram demonstrar que o bloqueio da degradação de anandamida foi capaz de aumentar a socialização dos ratinhos. Já existem pesquisas clínicas investigando se a ocitocina pode promover uma maior socialização entre autistas.  Drogas que inibem a degradação de anandamida podem também ser muito promissoras.

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Sabemos que o hábito de consumir uma dieta rica em peixes é capaz de reduzir o risco de problemas no cérebro como o acidente vascular, depressão e Doença de Alzheimer. Na última semana, pesquisadores da Universidade de Columbia – EUA mostraram que esse hábito pode fazer também com que o cérebro resista à tendência de redução de volume em idades mais avançadas. O estudo foi publicado pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia.

Após avaliarem o hábito alimentar e estudos de ressonância magnética de quase 700 idosos com uma média de idade de 80 anos, os pesquisadores demonstraram que aqueles que eram adeptos da dieta mediterrânea tinham um volume cerebral comparado ao de pessoas cinco anos mais novas. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

 

É bastante tentador imaginar que o mundo contemporâneo, com toda sua eletricidade, aparelhos eletrônicos e cafeína além da conta, tem o hábito de dormir menos que nossos ancestrais. Isso sem falar nos atuais índices de depressão, ansiedade e obesidade que costumam atrapalhar o sono. Podemos encontrar relatos já no fim do século XIX de que as pessoas estavam dormindo menos que os antigos, mas parece que a história é um pouco diferente.

Uma pesquisa publicada na última semana no prestigiado periódico Current Biology mostrou que caçadores-coletores de três diferentes partes do mundo dormem até um pouco menos do que os homens de vida moderna.

O registro da rotina de sono de comunidades de caçadores-coletores na Namíbia, Tanzania e Bolívia que vivem sem luz elétrica apontou que eles dormem em média 6.5 horas, menos que a média das sociedades atuais que fica acima das sete horas.

A pesquisa ainda demonstrou que essas comunidades “unplugged” não tiram cochilos durante o dia, deitam-se para dormir cerca de três horas após o pôr do sol e acordam antes do sol nascer. Eles também dormem uma hora a menos no verão. Apesar de terem genéticas e viverem em ambientes bem diferentes, os hábitos de sono não foram diferentes entre as comunidades. O padrão de sono descrito na Europa antiga dividido em dois tempos separados por um intervalo em vigília não foi identificado nas comunidades estudadas, sugerindo que esse sono não interrompido deva ser o padrão natural dos nossos ancestrais mais antigos, e que o sono europeu repartido já foi uma adaptação às condições ambientais do continente.

Chamou muita a atenção a quase inexistência de insônia, o que nos faz interrogar se a simulação desses ambientes arcaicos não poderia ser eficaz no tratamento da insônia dos homens de vida moderna.

Um novo estudo publicado esta semana pelo periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia demonstra uma tendência maior de derrame cerebral quando se trabalha com alta carga de estresse.

Nessa pesquisa, estresse no trabalho foi considerado não só por uma alta demanda psicológica por conflitos interpessoais e prazos, mas também por falta de controle sobre o próprio trabalho.  As pessoas com maior carga de estresse chegaram a ter 58% mais eventos cerebrais e as mulheres foram as mais vulneráveis.

Vale lembrar que o estresse no trabalho, além de afetar nosso perfil imunológico, inflamatório e metabólico, costuma também vir acompanhado de hábitos que aumentam o risco vascular como sedentarismo, dieta pouco saudável, tabagismo e excesso de álcool.

Outro estudo publicado recentemente na revista The Lancet mostra que o número de horas de trabalho também faz diferença.  Um aumento da carga horária de cerca de duas horas por dia já aumenta o risco de derrame cerebral e ataque cardíaco.  Comparado a uma jornada de trabalho de até 40 horas semanais, 41 a 48 horas aumenta o risco de derrame cerebral em 10%, 49 a 54 horas por semana eleva o risco em até 27% e mais de 55 horas multiplica esse risco em três vezes.

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Crianças se esquecem rápido, mas voltam a se lembrar depois de alguns dias. Um tipo de jogo da memória foi realizado com crianças de 4 a 5 anos por pesquisadores da Universidade de Ohio – USA e mostrou que as crianças esquecem rapidamente um primeiro conteúdo depois que são apresentadas a um segundo pouco tempo depois. Entretanto, elas voltam a se lembrar desse conteúdo “perdido” quando testadas dois dias depois.

Esse “esquecimento extremo” das crianças já era conhecido e ocorre quando elas aprendem dois conteúdos em rápida sucessão. Porém, essa é a primeira vez que se demonstrou que, após esse esquecimento, as crianças recuperam em poucos dias o que foi perdido.

A moral da história é que após uma ou duas noites de sono muita coisa pode brotar na memória das crianças. Isso não quer dizer que elas tenham a mesma capacidade de um adulto em absorver informação.

As doenças degenerativas do cérebro trazem grande impacto no funcionamento mental, mas enquanto não afetam as características morais, não mudam a forma como as pessoas reconhecem a identidade de quem sofre com essas doenças. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science.

A importância desses resultados reside no fato de que pacientes com a Doença de Alzheimer são vistos pelos seus entes queridos como a “mesma pessoa” por grande parte da evolução da doença. Apenas nas fases mais avançadas da doença é que identificamos alterações nas características morais como altruísmo e generosidade. No momento em que as pessoas enxergam o doente como se fosse “outra pessoa”, os laços afetivos podem ser quebrados.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Ohio nos EUA aplicaram questionários a familiares de pacientes de três tipos de doença degenerativa: Doença de Alzheimer, Demência Fronto-Temporal e Esclerose Lateral Amiotrófica. Eles avaliaram não só o perfil cognitivo dos pacientes, mas também a forma como os parentes reconheciam o doente com perguntas como “O paciente já lhe pareceu ser um estranho?”

Aqueles que apresentavam Demência Fronto-Temporal foram os que tinham mais mudanças no reconhecimento da identidade pelos parentes, já que é uma condição que altera muito o comportamento, capacidade de julgamento e autocensura.

Os que apresentavam Esclerose Lateral Amiotrófica foram os que tinham menos alterações dessa identidade, já que é uma doença que afeta apenas de forma discreta o funcionamento mental e características morais.

Os pacientes com Doença de Alzheimer apresentaram uma situação intermediária, já que nas fases iniciais da doença, a memória é a alteração que mais chama a atenção, com poucas mudanças comportamentais.

De uma forma geral, os familiares referiam mudanças significativas na percepção da identidade dos pacientes quando existiam alterações nas características morais. As capacidades cognitivas, como a memória, não foram determinantes.

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Ninguém duvida que uma boa propaganda seja capaz de nos induzir a adquirir um produto que nem estávamos precisando. Acho que nunca comprei um batom só pela propaganda “Compre Batom”, pensando bem acho que sim…  Acredito que essa peça deve ter aumentado e muito a venda do chocolate da Garoto. Essa é uma mensagem escancarada, mas nos últimos anos temos colecionado evidências de que as mensagens escondidas, subliminares, também são capazes de influenciar nosso comportamento.

Em 1957, James Vicary, pesquisador em marketing, inseriu flashes de menos de um segundo durante a exibição de um filme com as frases “coma pipoca” e “beba coca-cola”. Resultado? Aumentou bem a venda desses produtos.

Nas últimas duas décadas temos vários outros estudos que demonstraram o quanto esses flashes ultrarrápidos e “escondidos” são capazes de manipular nossos conceitos, nossas impressões sobre pessoas, nossas escolhas e experiências sensoriais. Pode nos deixar com sede após exposição de flashes de uma bebida. Pode também induzir um melhor desempenho cognitivo! Um estudo conduzido em 2007 mostrou que estudantes que eram expostos a flashes “camuflados” de palavras relacionadas a inteligência como “talento” tiveram melhores notas em um teste.  Esse efeito cognitivo também acontece quando as mensagens estão na contramão. Meninas têm pior desempenho em testes de matemática quando lembradas “subliminarmente” que os meninos são melhores. Meninas perdem para os garotos no xadrez quando recebem algum “toque” de que eles são superiores no jogo.

Em 2011 um estudo publicado na Science que ficou famoso mostrou que voluntários tinham menor desempenho quando submetidos a testes cognitivos que envolviam palavras vinculadas à internet como “google”. É como se essas palavras dessem a dica “silenciosa” para que o cérebro não precisasse se esforçar tanto, pois estaria salvaguardado pela rede.

E finalmente, nos últimos cinco anos, temos uma série de estudos com ressonância magnética funcional mostrando o quanto essas mensagens escondidas mexem com nosso cérebro, ativando áreas que processam as emoções (e.g., amígdala) e a memória (e.g., hipocampo). Isso tudo ajuda a construir um campo do conhecimento chamado Neuromarketing.

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Todo mundo pode sentir uma pequena tontura quando se levanta subitamente, mas em algumas pessoas isso acontece muito freqüentemente e com intensidade muito maior. A isso chamamos de hipotensão postural.

Hipotensão postural é uma queda da pressão arterial quando a pessoa assume a posição ortostática (em pé) e é definida como a queda da pressão sistólica maior ou igual a 20mmHg ou da pressão diastólica em 10mmHg ou mais. Geralmente espera-se três minutos em pé para se chegar a alguma conclusão, mas têm sido demonstrado que existe uma forma mais leve do problema que demora mais do que três minutos para aparecer.

Os mesmos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard que demonstraram essa hipotensão postural tardia acompanharam uma série de quase cem pacientes e publicaram os resultados nesta última semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia. Eles mostraram que aqueles que apresentavam a forma tardia freqüentemente evoluíam para a forma mais severa, ou seja, com sintomas que têm inicio mais rápido e que incluem tontura e perda de consciência.

Com o passar dos anos foi identificado também que eles passaram a apresentar mais doenças degenerativas do cérebro como o Parkinson o demência por corpúsculos de Lewy, além de morreram mais precocemente. Aqueles que tinham também o diagnóstico de diabetes tiveram uma evolução pior.

O recado principal desse estudo é de que quando o médico se depara com uma queixa de tontura ao se levantar, vale a pena medir a pressão arterial deitado e depois em pé por um pouco mais de três minutos, pois muitas vezes a hipotensão é tardia. E essa hipotensão tardia também precisa de tratamento.

 

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Uma boa parte das pessoas que tem o hábito da siesta diz que na verdade é a reposição de um sono atrasado. Aqueles que trabalham em turno invertido podem tirar os cochilos como forma de se preparar para uma noite de trabalho. Outros vão responder que fazem a siesta por puro prazer. Mas a siesta traz também seus benefícios à saúde.

Além de benefícios ao coração, a siesta deixa o cérebro mais afinado. O hábito de tirar um cochilo de uns 20 minutos depois do almoço melhora o humor das pessoas e dá uma turbinada nas funções cognitivas como memória, atenção, raciocínio lógico e tempo de reação. Outro fato interessante é que os “siesteiros” têm um sono noturno mais reparador.

Dez minutos já é uma soneca boa, mas parece que as de 20 minutos são melhores ainda. Siestas mais prolongadas não são recomendadas, pois deixam as pessoas com “ressaca” ao acordar de um sono que atingiu estágios profundos.  Além disso, siestas longas podem atrapalhar o sono durante a noite.  Para melhor sincronia com o relógio biológico, o horário ideal gira em torno de duas às quatro da tarde.

Por fim, para aqueles que têm insônia, deixem a siesta para os outros.

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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.

Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.

Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

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A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existem três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.

Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima”, já que o nível de compreensão que temos hoje dos seus mecanismos biológicos só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas.

Há tempos os profissionais que dão assistência às pessoas portadoras de epilepsia evitam chamar o paciente de “epiléptico”, pois esse termo alimenta o estigma associado a essa condição. Pesquisadores da Unicamp confirmaram recentemente que essa é uma posição bem acertada.  Eles entrevistaram cerca de 200 estudantes do ensino médio com perguntas que avaliavam o estigma e preconceito em relação à epilepsia. Para metade deles o questionário usava o termo “pessoas com epilepsia” e a outra metade recebia as mesmas perguntas fazendo referência a “pessoas epilépticas”. As respostas mostraram um estigma bem maior quando o termo “epiléptico” era usado. Os pesquisadores publicaram o estudo no periódico da Sociedade Americana de Epilepsia com o título “ Não diga epiléptico”.

Veja no quadro abaixo a diferença encontrada entre as duas terminologias.

QUESTIONÁRIO Pessoas com epilepsia Epilépticos
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos são rejeitados pela sociedade? 41% 87%
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos têm mais dificuldade em arrumar emprego? 62% 93%
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos têm mais dificuldades na escola? 37% 70%
Você tem preconceito contra pessoas com epilepsia / epiléticos? 0 3%

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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha publicaram esta semana na PLOS Biology resultados de experiências com passarinhos que têm “parcerias” parecidas com as dos humanos: escolhem um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes (nem sempre..).

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida forçaram novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares tinham 37% mais chance de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

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Um dos estudos mais importantes sobre o tema avós e evolução humana foi publicado na respeitada revista científica Nature no ano de 2004. Os pesquisadores avaliaram dados históricos demográficos de populações canadenses e finlandesas do século XIX e evidenciaram que tanto mulheres como homens que tinham mães que viveram mais após os 50 anos de idade tiveram seus filhos mais precocemente, intervalos mais curtos entre o nascimento dos diferentes filhos e uma maior chance de que eles chegassem à idade adulta. Além disso, as mulheres que moravam longe das mães tinham menos filhos quando comparadas àquelas que moravam na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma vila. O efeito positivo da avó foi mais pronunciado ainda quando a avó tinha menos de 60 anos de idade quando do nascimento de seu neto. Um dos resultados mais importantes do estudo foi o de que a presença da avó foi relevante na sobrevida dos netos entre os três e cinco anos de idade, mas não nos primeiros dois anos de vida (período da amamentação), reforçando a idéia de que o “efeito avó” existe independentemente das peculiaridades genéticas dos netos ou do desempenho das mães. E os resultados não foram diferentes entre as duas populações estudadas: canadenses e finlandeses.

E parece que o poder do “efeito avó” chega a influenciar também a longevidade das relações de casal. Antropólogos liderados por Kristen Hawkes da Universidade de Utah – EUA publicaram esta semana uma simulação computacional de 30 a 300 mil anos do que seria dos casais sem as avós.

Na maior parte dos primatas, são os machos mais velhos que costumam ser inférteis e não as fêmeas como na espécie humana. Inclusive, os chimpanzés machos dão preferência às fêmeas mais velhas. O estudo de Hawkes mostra que com o passar dos anos temos mais homens do que mulheres férteis e isso cria uma concorrência mais forte entre eles. Nesse novo estado de concorrência é mais vantajoso fazer uma parceria estável, especialmente quando se tem uma avó cuidando das crianças que não precisam mais do peito materno e deixam a mãe “liberada” para gerar um novo filho. A simulação de Hawkes mostrou que as avós deixaram a concorrência masculina duas vezes mais difícil: sem as avós a concorrência é de 77 homens para 100 mulheres enquanto que com as avós isso sobe para 156 homens para cada 100 mulheres. A pesquisa foi publicada pela prestigiadíssima revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Algumas pessoas têm um olho mental ineficiente e não conseguem, por exemplo, imaginar carneirinhos ou qualquer outra coisa. A essa dificuldade dá-se o nome de afantasia.

Acredita-se que cerca de uma em cada 50 pessoas podem ter afantasia. Alguns relatam que a condição faz a pessoa se sentir sozinha ou isolada, sabendo que elas não podem ver coisas que a maioria das pessoas pode. Sentem-se angustiadas por não poderem imaginar mentalmente amigos ou parentes falecidos.

A condição foi identificada pela primeira vez na década de 1880 e tem sido ocasionalmente descrita como resultado de grande dano cerebral, mas o fenômeno tem, até agora, atraído pouca atenção. Um artigo foi publicado recentemente na revista Cortex por neurologistas ingleses que descreveram casos de indivíduos com essa dificuldade.

Um dos indivíduos descritos pelos ingleses relata que não sabia que tinha a condição até os 21 anos. Todos os seus sentidos são afetados, e ele não consegue se lembrar de sons, textura, ou até mesmo odores. “Eu tive um impacto emocional grave”, explicou. “Eu comecei a me sentir isolado – incapaz de fazer algo tão central para a experiência humana comum. A capacidade de recordar memórias e experiências, o cheiro das flores ou o som da voz de um ente querido; antes que eu descobri que lembrar essas coisas era humanamente possível, eu nem estava ciente do que eu estava perdendo.” Algumas pessoas são incapazes de criar mentalmente imagens, cheiros e sons e podemos chamar isso de afantasia total.

Entende-se que a experiência mental dos sentidos seja o resultado de uma rede de regiões em todo o cérebro que trabalham em conjunto para gerar a experiência sensorial  com base em memórias. O melhor palpite até agora é que naqueles que têm afantasia as ligações entre estas áreas do cérebro são interrompidas.

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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

Parece que ações repetitivas como arrancar os cabelos ou roer as unhas têm muito mais a ver com uma resposta ao tédio, irritação e frustração do que com ansiedade. Há uma série de evidencias mostrando que as pessoas que têm esse tipo de compulsão são frequentemente perfeccionistas.

Uma em cada 20 pessoas apresenta esse tipo de comportamento com um variável espectro de intensidade, alguns sofrendo dor e embaraço social.  Os movimentos repetitivos têm uma certa relação com os tics e, de uma forma mais distante, com o transtorno obsessivo compulsivo.

Um novo estudo recentemente publicado demonstra que uma forte raiz desses movimentos é o perfeccionismo. As pessoas que sofrem desse problema, além de mais perfeccionistas, têm maior tendência a exagerar no trabalho, a planejar demais as coisas e a se frustrarem facilmente quando não têm atividades de alta intensidade.

Os pesquisadores ainda mostraram que estímulos relaxantes, como imagens das ondas do mar, são capazes de inibir os movimentos, ao contrário de situações de tédio como ficar numa sala vazia e sem estímulos ou em situações que evocam frustração ou estresse.

O estudo foi publicado pelo Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry e dá mais ferramentas aos terapeutas que cuidam das pessoas que sofrem com esses movimentos compulsivos. Os movimentos podem ser vistos como uma urgência perfeccionista de estar fazendo algo sempre. Depois do alívio pode vir dor e vergonha. A psicoterapia cognitivo-comportamental é vista como uma das melhores opções para o seu tratamento.

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É durante o sono que o cérebro consegue se livrar melhor de seus restos metabólicos. Uma pesquisa publicada esta semana pelo Journal of Neuroscience mostrou que dormir de lado torna essa limpeza mais eficiente.

Pesquisadores da Universidade de Stony Brook nos EUA demonstraram em ratinhos, através de método de ressonância magnética, que esse mecanismo chamado de transporte glinfático é mais robusto durante o sono em posição lateral. Eles compararam com as posições “de barriga para cima” e “barriga para baixo”.

O interessante é que essa posição de decúbito lateral é a mais usada no sono pela maioria dos mamíferos incluindo também os humanos. Uma das explicações para essa preferência é a de que a evolução permitiu essa adaptação para que o mecanismo do transporte glinfático tenha mais sucesso e o cérebro faça melhor sua faxina diária.  O fato é que o acúmulo desses restos facilitam o desenvolvimento de doenças como Parkinson e Alzheimer. O próximo passo é testar essa história das diferenças de decúbito entre os humanos.

Pais superestimam a felicidade dos filhos quando eles têm 10 a 11 anos. Por outro lado, eles subestimam a felicidade quando eles chegam à idade de 15-16 anos. Esses são os achados de um estudo publicado recentemente no periódico especializado Journal of Experimental Child Psychology.

Os resultados sugerem que a percepção dos pais do quanto os filhos se sentem felizes têm um viés egocêntrico, ou seja, essa avaliação é baseada nos seus próprios sentimentos em relação à família. Para chegar a essa conclusão os pesquisadores aplicaram escalas que medem o bem-estar mental das crianças e também dos pais.

Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude que também promove o bem-estar.

Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental muito interessante que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.

Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.

Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.

A conclusão é fácil, não é? As escolas poderim incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

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