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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.

Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.

Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

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