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Ninguém duvida que uma boa propaganda seja capaz de nos induzir a adquirir um produto que nem estávamos precisando. Acho que nunca comprei um batom só pela propaganda “Compre Batom”, pensando bem acho que sim…  Acredito que essa peça deve ter aumentado e muito a venda do chocolate da Garoto. Essa é uma mensagem escancarada, mas nos últimos anos temos colecionado evidências de que as mensagens escondidas, subliminares, também são capazes de influenciar nosso comportamento.

Em 1957, James Vicary, pesquisador em marketing, inseriu flashes de menos de um segundo durante a exibição de um filme com as frases “coma pipoca” e “beba coca-cola”. Resultado? Aumentou bem a venda desses produtos.

Nas últimas duas décadas temos vários outros estudos que demonstraram o quanto esses flashes ultrarrápidos e “escondidos” são capazes de manipular nossos conceitos, nossas impressões sobre pessoas, nossas escolhas e experiências sensoriais. Pode nos deixar com sede após exposição de flashes de uma bebida. Pode também induzir um melhor desempenho cognitivo! Um estudo conduzido em 2007 mostrou que estudantes que eram expostos a flashes “camuflados” de palavras relacionadas a inteligência como “talento” tiveram melhores notas em um teste.  Esse efeito cognitivo também acontece quando as mensagens estão na contramão. Meninas têm pior desempenho em testes de matemática quando lembradas “subliminarmente” que os meninos são melhores. Meninas perdem para os garotos no xadrez quando recebem algum “toque” de que eles são superiores no jogo.

Em 2011 um estudo publicado na Science que ficou famoso mostrou que voluntários tinham menor desempenho quando submetidos a testes cognitivos que envolviam palavras vinculadas à internet como “google”. É como se essas palavras dessem a dica “silenciosa” para que o cérebro não precisasse se esforçar tanto, pois estaria salvaguardado pela rede.

E finalmente, nos últimos cinco anos, temos uma série de estudos com ressonância magnética funcional mostrando o quanto essas mensagens escondidas mexem com nosso cérebro, ativando áreas que processam as emoções (e.g., amígdala) e a memória (e.g., hipocampo). Isso tudo ajuda a construir um campo do conhecimento chamado Neuromarketing.

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Todo mundo pode sentir uma pequena tontura quando se levanta subitamente, mas em algumas pessoas isso acontece muito freqüentemente e com intensidade muito maior. A isso chamamos de hipotensão postural.

Hipotensão postural é uma queda da pressão arterial quando a pessoa assume a posição ortostática (em pé) e é definida como a queda da pressão sistólica maior ou igual a 20mmHg ou da pressão diastólica em 10mmHg ou mais. Geralmente espera-se três minutos em pé para se chegar a alguma conclusão, mas têm sido demonstrado que existe uma forma mais leve do problema que demora mais do que três minutos para aparecer.

Os mesmos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard que demonstraram essa hipotensão postural tardia acompanharam uma série de quase cem pacientes e publicaram os resultados nesta última semana no periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia. Eles mostraram que aqueles que apresentavam a forma tardia freqüentemente evoluíam para a forma mais severa, ou seja, com sintomas que têm inicio mais rápido e que incluem tontura e perda de consciência.

Com o passar dos anos foi identificado também que eles passaram a apresentar mais doenças degenerativas do cérebro como o Parkinson o demência por corpúsculos de Lewy, além de morreram mais precocemente. Aqueles que tinham também o diagnóstico de diabetes tiveram uma evolução pior.

O recado principal desse estudo é de que quando o médico se depara com uma queixa de tontura ao se levantar, vale a pena medir a pressão arterial deitado e depois em pé por um pouco mais de três minutos, pois muitas vezes a hipotensão é tardia. E essa hipotensão tardia também precisa de tratamento.

 

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Uma boa parte das pessoas que tem o hábito da siesta diz que na verdade é a reposição de um sono atrasado. Aqueles que trabalham em turno invertido podem tirar os cochilos como forma de se preparar para uma noite de trabalho. Outros vão responder que fazem a siesta por puro prazer. Mas a siesta traz também seus benefícios à saúde.

Além de benefícios ao coração, a siesta deixa o cérebro mais afinado. O hábito de tirar um cochilo de uns 20 minutos depois do almoço melhora o humor das pessoas e dá uma turbinada nas funções cognitivas como memória, atenção, raciocínio lógico e tempo de reação. Outro fato interessante é que os “siesteiros” têm um sono noturno mais reparador.

Dez minutos já é uma soneca boa, mas parece que as de 20 minutos são melhores ainda. Siestas mais prolongadas não são recomendadas, pois deixam as pessoas com “ressaca” ao acordar de um sono que atingiu estágios profundos.  Além disso, siestas longas podem atrapalhar o sono durante a noite.  Para melhor sincronia com o relógio biológico, o horário ideal gira em torno de duas às quatro da tarde.

Por fim, para aqueles que têm insônia, deixem a siesta para os outros.

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Um estudo publicado na última semana pelo periódico britânico JOURNAL OF EPIDEMIOLOGY & COMMUNITY HEALTH aponta que o hábito de comer peixe reduz os riscos de depressão. A pesquisa demonstrou esse efeito protetor tanto em homens como em mulheres.

Pesquisadores chineses avaliaram os estudos mais significativas sobre a relação entre o consumo de peixe e risco de depressão realizados entre os anos de 2001 e 2014 envolvendo 150 mil voluntários. O curioso é que o efeito protetor do peixe foi demonstrado somente nos estudos conduzidos na Europa. Possíveis explicações para essa peculiaridade são a qualidade dos peixes, forma de conservação e modo de preparo. Além disso, na Europa os peixes podem ter mais chance de virem acompanhados da dieta mediterrânea que por si só traz benefícios ao cérebro independente do conteúdo de peixe. Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

Vale lembrar que o consumo de peixe pode melhorar a memória de pessoas idosas e reduzir as chances de desenvolvimento da Doença de Alzheimer, mesmo quando iniciado tardiamente. Dois anos de consumo regular já fazem diferença.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Os peixes oleosos (atum, sardinha, salmão, cavala) são as principais fontes dessa gordura.

Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

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A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça e classe social. Estima-se que no Brasil existem três milhões de pessoas com a doença e a cada dia 300 novos casos são diagnosticados.

Apesar de ser um problema de saúde pública, são realmente poucas as pessoas que realmente sabem o que é a epilepsia. Na própria etimologia, a epilepsia foi premiada com um caráter místico, misterioso, religioso e mágico (epi=de cima e lepsem=abater) – ALGO QUE VEM DE CIMA E ABATE AS PESSOAS. Há muito tempo não faz sentido pensar a epilepsia como um problema vindo “de cima”, já que o nível de compreensão que temos hoje dos seus mecanismos biológicos só pode ser visto em poucas outras doenças neurológicas.

Há tempos os profissionais que dão assistência às pessoas portadoras de epilepsia evitam chamar o paciente de “epiléptico”, pois esse termo alimenta o estigma associado a essa condição. Pesquisadores da Unicamp confirmaram recentemente que essa é uma posição bem acertada.  Eles entrevistaram cerca de 200 estudantes do ensino médio com perguntas que avaliavam o estigma e preconceito em relação à epilepsia. Para metade deles o questionário usava o termo “pessoas com epilepsia” e a outra metade recebia as mesmas perguntas fazendo referência a “pessoas epilépticas”. As respostas mostraram um estigma bem maior quando o termo “epiléptico” era usado. Os pesquisadores publicaram o estudo no periódico da Sociedade Americana de Epilepsia com o título “ Não diga epiléptico”.

Veja no quadro abaixo a diferença encontrada entre as duas terminologias.

QUESTIONÁRIO Pessoas com epilepsia Epilépticos
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos são rejeitados pela sociedade? 41% 87%
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos têm mais dificuldade em arrumar emprego? 62% 93%
Você acha que as pessoas com epilepsia / epiléticos têm mais dificuldades na escola? 37% 70%
Você tem preconceito contra pessoas com epilepsia / epiléticos? 0 3%

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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha publicaram esta semana na PLOS Biology resultados de experiências com passarinhos que têm “parcerias” parecidas com as dos humanos: escolhem um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes (nem sempre..).

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida forçaram novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares tinham 37% mais chance de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

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Um dos estudos mais importantes sobre o tema avós e evolução humana foi publicado na respeitada revista científica Nature no ano de 2004. Os pesquisadores avaliaram dados históricos demográficos de populações canadenses e finlandesas do século XIX e evidenciaram que tanto mulheres como homens que tinham mães que viveram mais após os 50 anos de idade tiveram seus filhos mais precocemente, intervalos mais curtos entre o nascimento dos diferentes filhos e uma maior chance de que eles chegassem à idade adulta. Além disso, as mulheres que moravam longe das mães tinham menos filhos quando comparadas àquelas que moravam na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma vila. O efeito positivo da avó foi mais pronunciado ainda quando a avó tinha menos de 60 anos de idade quando do nascimento de seu neto. Um dos resultados mais importantes do estudo foi o de que a presença da avó foi relevante na sobrevida dos netos entre os três e cinco anos de idade, mas não nos primeiros dois anos de vida (período da amamentação), reforçando a idéia de que o “efeito avó” existe independentemente das peculiaridades genéticas dos netos ou do desempenho das mães. E os resultados não foram diferentes entre as duas populações estudadas: canadenses e finlandeses.

E parece que o poder do “efeito avó” chega a influenciar também a longevidade das relações de casal. Antropólogos liderados por Kristen Hawkes da Universidade de Utah – EUA publicaram esta semana uma simulação computacional de 30 a 300 mil anos do que seria dos casais sem as avós.

Na maior parte dos primatas, são os machos mais velhos que costumam ser inférteis e não as fêmeas como na espécie humana. Inclusive, os chimpanzés machos dão preferência às fêmeas mais velhas. O estudo de Hawkes mostra que com o passar dos anos temos mais homens do que mulheres férteis e isso cria uma concorrência mais forte entre eles. Nesse novo estado de concorrência é mais vantajoso fazer uma parceria estável, especialmente quando se tem uma avó cuidando das crianças que não precisam mais do peito materno e deixam a mãe “liberada” para gerar um novo filho. A simulação de Hawkes mostrou que as avós deixaram a concorrência masculina duas vezes mais difícil: sem as avós a concorrência é de 77 homens para 100 mulheres enquanto que com as avós isso sobe para 156 homens para cada 100 mulheres. A pesquisa foi publicada pela prestigiadíssima revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Algumas pessoas têm um olho mental ineficiente e não conseguem, por exemplo, imaginar carneirinhos ou qualquer outra coisa. A essa dificuldade dá-se o nome de afantasia.

Acredita-se que cerca de uma em cada 50 pessoas podem ter afantasia. Alguns relatam que a condição faz a pessoa se sentir sozinha ou isolada, sabendo que elas não podem ver coisas que a maioria das pessoas pode. Sentem-se angustiadas por não poderem imaginar mentalmente amigos ou parentes falecidos.

A condição foi identificada pela primeira vez na década de 1880 e tem sido ocasionalmente descrita como resultado de grande dano cerebral, mas o fenômeno tem, até agora, atraído pouca atenção. Um artigo foi publicado recentemente na revista Cortex por neurologistas ingleses que descreveram casos de indivíduos com essa dificuldade.

Um dos indivíduos descritos pelos ingleses relata que não sabia que tinha a condição até os 21 anos. Todos os seus sentidos são afetados, e ele não consegue se lembrar de sons, textura, ou até mesmo odores. “Eu tive um impacto emocional grave”, explicou. “Eu comecei a me sentir isolado – incapaz de fazer algo tão central para a experiência humana comum. A capacidade de recordar memórias e experiências, o cheiro das flores ou o som da voz de um ente querido; antes que eu descobri que lembrar essas coisas era humanamente possível, eu nem estava ciente do que eu estava perdendo.” Algumas pessoas são incapazes de criar mentalmente imagens, cheiros e sons e podemos chamar isso de afantasia total.

Entende-se que a experiência mental dos sentidos seja o resultado de uma rede de regiões em todo o cérebro que trabalham em conjunto para gerar a experiência sensorial  com base em memórias. O melhor palpite até agora é que naqueles que têm afantasia as ligações entre estas áreas do cérebro são interrompidas.

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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

Parece que ações repetitivas como arrancar os cabelos ou roer as unhas têm muito mais a ver com uma resposta ao tédio, irritação e frustração do que com ansiedade. Há uma série de evidencias mostrando que as pessoas que têm esse tipo de compulsão são frequentemente perfeccionistas.

Uma em cada 20 pessoas apresenta esse tipo de comportamento com um variável espectro de intensidade, alguns sofrendo dor e embaraço social.  Os movimentos repetitivos têm uma certa relação com os tics e, de uma forma mais distante, com o transtorno obsessivo compulsivo.

Um novo estudo recentemente publicado demonstra que uma forte raiz desses movimentos é o perfeccionismo. As pessoas que sofrem desse problema, além de mais perfeccionistas, têm maior tendência a exagerar no trabalho, a planejar demais as coisas e a se frustrarem facilmente quando não têm atividades de alta intensidade.

Os pesquisadores ainda mostraram que estímulos relaxantes, como imagens das ondas do mar, são capazes de inibir os movimentos, ao contrário de situações de tédio como ficar numa sala vazia e sem estímulos ou em situações que evocam frustração ou estresse.

O estudo foi publicado pelo Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry e dá mais ferramentas aos terapeutas que cuidam das pessoas que sofrem com esses movimentos compulsivos. Os movimentos podem ser vistos como uma urgência perfeccionista de estar fazendo algo sempre. Depois do alívio pode vir dor e vergonha. A psicoterapia cognitivo-comportamental é vista como uma das melhores opções para o seu tratamento.

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É durante o sono que o cérebro consegue se livrar melhor de seus restos metabólicos. Uma pesquisa publicada esta semana pelo Journal of Neuroscience mostrou que dormir de lado torna essa limpeza mais eficiente.

Pesquisadores da Universidade de Stony Brook nos EUA demonstraram em ratinhos, através de método de ressonância magnética, que esse mecanismo chamado de transporte glinfático é mais robusto durante o sono em posição lateral. Eles compararam com as posições “de barriga para cima” e “barriga para baixo”.

O interessante é que essa posição de decúbito lateral é a mais usada no sono pela maioria dos mamíferos incluindo também os humanos. Uma das explicações para essa preferência é a de que a evolução permitiu essa adaptação para que o mecanismo do transporte glinfático tenha mais sucesso e o cérebro faça melhor sua faxina diária.  O fato é que o acúmulo desses restos facilitam o desenvolvimento de doenças como Parkinson e Alzheimer. O próximo passo é testar essa história das diferenças de decúbito entre os humanos.

Pais superestimam a felicidade dos filhos quando eles têm 10 a 11 anos. Por outro lado, eles subestimam a felicidade quando eles chegam à idade de 15-16 anos. Esses são os achados de um estudo publicado recentemente no periódico especializado Journal of Experimental Child Psychology.

Os resultados sugerem que a percepção dos pais do quanto os filhos se sentem felizes têm um viés egocêntrico, ou seja, essa avaliação é baseada nos seus próprios sentimentos em relação à família. Para chegar a essa conclusão os pesquisadores aplicaram escalas que medem o bem-estar mental das crianças e também dos pais.

Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude que também promove o bem-estar.

Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental muito interessante que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.

Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.

Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.

A conclusão é fácil, não é? As escolas poderim incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

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O periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia publicou hoje uma pesquisa que revelou que idosos com memores capacidades executivas têm um risco quase duas vezes maior de desenvolver um infarto do coração ou AVC.  O estudo acompanhou cerca de quatro mil indivíduos com uma média de idade de 75 anos por três anos.

Os resultados chamam a atenção para a influência que cada um desses órgãos exerce sobre o outro.  Apontam também a importância de uma avaliação cognitiva para se definir o risco cardiovascular de um indivíduo.  Deficiência das funções cerebrais executivas pode refletir doença dos seus vasos e redução de sua irrigação sanguínea e, como foi demonstrado, um maior risco de derrame cerebral. E essa menor vascularização cerebral é acompanhada de uma menor vascularização do coração e uma maior chance ataques cardíacos. Enquanto na Doença de Alzheimer a memória é a deficiência cognitiva mais encontrada, na disfunção cognitiva vascular o acometimento das funções executivas é o mais observado.

Procrastinação é uma tendência a deixar as coisas para a última hora. Isso pode produzir estresse, especialmente quando começa a afetar o trabalho ou até mesmo as rotinas da vida familiar. O velho ditado de “não deixe para amanhã aquilo que você pode fazer hoje” para algumas pessoas não cola muito.

O outro lado da moeda da procrastinação é o exagero em precipitação que também tem seu nome: precrastinação. Às vezes as pessoas tomam atitudes sem a reflexão necessária, respondem a um email sem pensar duas vezes, pagam uma conta muito antes do vencimento, etc. Estudos recentes têm demonstrado que esse comportamento não é um simples resultado da correria da vida. Pombos que ganham alimento após tocar uma touchscreen demonstram precrastinação e a tendência não é diferente nos seres humanos.  É possível que esse comportamento seja uma forma do cérebro não gastar memória para lembrar ações para o futuro.  Outra forma de explicar é o prazer gerado por uma tarefa que se completa e , além do prazer, terminar uma tarefa permite a avaliação sobre o custo-benefício de novas ações. Quanto mais cedo ficar sabendo melhor.

E você é do tipo que procrastina ou precrastina?

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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Este ano a prestigiada revista Neuron publicou os resultados de uma pesquisa bem interessante que mostrou que somos o que somos graças à abundância de gordura em nossos cérebros. Esse  conteúdo de gordura é de importância gigantesca, pois é a principal matéria-prima das membranas celulares e são essas membranas que permitem a sinalização elétrica entre os neurônios.

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha avaliaram o conteúdo de mais de cinco mil tipos de moléculas de gordura no cérebro de humanos, chimpanzés e roedores. Eles demonstraram que o cérebro dos humanos tem uma variedade de lipídios muito maior que o dos outros animais. Na história da evolução, homens e chimpanzés se originaram de um ancestral comum em uma época semelhante. Acreditava-se que esse conteúdo de gordura do cérebro não devesse ser muito diferente, mas a análise mostrou que somos três vezes mais avantajados. Já o conteúdo de gordura não foi diferente quando se comparou o cerebelo dos homens e chimpanzés. Essa é uma região do sistema nervoso mais arcaica e comum a todos os vertebrados e não é o que nos faz tão diferentes.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

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Um estudo publicado nesta última semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia aponta que o diabetes não é muito amigo do cérebro. A regulação dos vasos do cérebro no diabetes não é tão afinada e isso acaba implicando em um menor desempenho cognitivo e na capacidade de realizar atividades do dia a dia.

A regulação dos vasos sanguíneos cerebrais em resposta às diferentes demandas de atividade, também conhecida como vasorreatividade, é reduzida entre pacientes com diabetes tipo 2. Nossos vasos sanguíneos devem ser vistos como órgãos tão inteligentes e complexos como o fígado ou o coração. Quando nos levantamos, quando fazemos força, quando ficamos sem respirar por alguns instantes, todas essas situações exigem com que os vasos sanguíneos do cérebro adaptem seus calibres para manter sempre a mesma pressão do sangue que entra no cérebro. Se este controle falhar, alterações rápidas e transitórias do estado de consciência podem acontecer.  As pequenas artérias do cérebro, também chamadas de arteríolas, são as maiores responsáveis por esse controle. Pensar e falar também exige uma vassorreatividade afinada.

A atual pesquisa demonstrou que idosos com o diagnóstico de diabetes apresentam um declínio mais acentuado da vasorreatividade ao longo dos anos, mas também de algumas funções cognitivas como memória e  tomada de decisões. Os idosos estudados que tinham essa regulação dos vasos menos eficiente foram os que mais apresentaram dificuldades em atividades diárias como cozinhar ou tomar banho. Testes sanguíneos mostraram também que maiores níveis de inflamação sistêmica estão associados a uma pior regulação dos vasos, mesmo entre aqueles que têm a doença bem  controlada.

O recado principal desse estudo é o de que investir na saúde dos vasos sanguíneos, além de prevenir as duas doenças que mais matam no Brasil (infarto do coração e derrame cerebral), pode ainda prevenir declínio cognitivo nos idosos. Como investir nas artérias do cérebro? Atividade física regular, consumo regular de frutas e verduras, tratar com rigor problemas como a hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Tabagismo nem em pensamento.

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Uma pesquisa recente aponta que a música dos quartos cantos do mundo tem mais coisas em comum do que diferenças.  Entre essas semelhanças sobressaem os ritmos marcantes que podem funcionar como uma “cola social”, facilitando a conexão entre membros de um grupo.

Musicólogos de diversos países publicaram recentemente no prestigiado periódico PNAS uma analise de 304 músicas de diferentes estilos representando os diversos continentes. Eles selecionaram músicas da Enciclopédia Garland de World Music que inclui músicas instrumentais e canções, tradicionais e contemporâneas.  Os pesquisadores analisaram 32 aspectos das músicas como tonalidade, ritmo, forma, contexto social e concluíram que, apesar de uma aparente diversidade, a música de diversos pontos do mundo têm muita coisa em comum.

Quando se pensa em música como uma cola social, é bom lembrarmos da imagem de trabalhadores cantando em coro durante o trabalho braçal. Não faz muito tempo que o Instituto Max Plamck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstrou que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia.

Os homens seguem mais as carreiras de engenharia, ciência e tecnologia que as mulheres. Uma das formas de explicar essa diferença é que eles têm mais facilidade em matemática. Entretanto, uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington nos EUA mostra que os homens têm a ilusão de que são melhores em matemática e, por se “acharem”, acabam mesmo tendo um melhor desempenho. Já as mulheres são mais realistas quando julgam seus talentos matemáticos. Nem para mais nem para menos.

O estudo envolveu testes de aritmética, mas também um questionário que abordava uma autocrítica sobre as habilidades matemáticas de cada voluntário. Os homens realmente julgaram ter um melhor desempenho do que os testes mostraram, mas foram melhores que as mulheres. Já entre as mulheres, aquelas que tiveram experiências positivas com a matemática foram aquelas que se julgavam mais talentosas com os números.

Realmente não faz sentido levar a sério a crença de que o cérebro das mulheres é menos talentoso para o pensamento matemático. Há até estudos mostrando que as meninas ganham dos meninos no ensino fundamental. A autoconfiança pode fazer toda a diferença. Ameaça de estereótipo é um fenômeno em que uma pessoa experimenta insegurança e ansiedade pelo receio de terem um pior desempenho por fazerem parte de um grupo com estereótipo de inferioridade. Estamos falando, por exemplo, da raça negra e gênero feminino.

As pessoas que fazem parte desses grupos têm pior desempenho quando “lembradas” desses estereótipos. Esse é o caso de meninas em testes de matemática quando lembradas que os meninos são melhores em matemática. O mesmo ocorre se as meninas recebem algum “toque” de que meninos são superiores no xadrez. O estereótipo de um campeão de xadrez é o de um homem bem esquisito e não o de uma mulher de salto alto.

Negros também têm pior desempenho em um teste cognitivo quando são avisados que a resolução do problema depende de habilidade intelectual. Negros carregam o estereotipo que são menos inteligentes que os brancos. Pobres também carregam um estigma gigante.

A ameaça de estereótipos pode fazer com que mulheres não sigam uma série de carreiras que os homens são supostamente superiores. Pode fazer com que negros e pobres não desenvolvam plenamente suas habilidades cognitivas. Meninos também carregam seus estereótipos. Sá que eles têm mesmo menores dons artísticos?

É fundamental a conscientização desse fenômeno por parte de pais e professores. Dar pistas para que se lembre da igualdade entre os gêneros e entre as raças pode mudar essa realidade.

Compartilho com vocês três dicas que a revista Scientific American trouxe esta semana para que os pais sejam melhores pais ainda.

Deixe as crianças ficarem entediadas.

As crianças precisam de tempo à toa para que criem suas próprias formas de passar o tempo.  Temos evidências de que crianças que vivem numa agenda lotada de atividades orientadas – aula disso, aula daquilo – têm menores habilidades executivas.  Esse tempo que a criança precisa inventar o que fazer é fundamental para o exercício da iniciativa, persistência, criatividade e consciência de que podem influenciar seus mundos.

Deixe as crianças às vezes se virarem sozinhas

Pais não podem ser muito ausentes. Também não é legal uma presença exagerada. Os pais não precisam resolver todos os problemas dos filhos. É bom deixá-los resolver parte deles sozinhos, pois isso traz um senso de competência, autoconfiança e autonomia.

Coloque a máscara de oxigênio em você antes de colocar no filho.

Os pais devem investir em sua saúde mental. Pais com mentes desafinadas desafinam as crianças!

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