O hormônio ocitocina, considerado um importante ingrediente para que aconteça a “liga” entre duas pessoas, tem esse poder, em parte, por facilitar a liberação de moléculas de anandamida, neurotransmissor que se liga aos mesmos receptores no cérebro que a maconha. Essa é a conclusão de um estudo publicado na última semana pelo prestigiado periódico PNAS.

Já é bem reconhecido que a anandamida “dá barato” por aumentar a motivação e promover um estado de felicidade. Ela é considerada a principal molécula responsável pelo barato do maratonista.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia demostraram que o contato social entre ratinhos aumentava a produção de anandamida que por sua vez tornava a socialização uma experiência “legal”. Quando eram bloqueados os receptores canabinóides onde a anandamida se liga, os ratinhos tinham a tendência em ficar mais sozinhos.

Já se sabia que a ocitocina é uma grande promotora de interações sociais e os pesquisadores testaram se existe alguma conexão com a produção de anandamida. E encontraram. A estimulação de neurônios produtores de ocitocina fez com que os níveis de anandamida aumentassem. E mais importante: o bloqueio dos receptores de anandamida desmoronou os efeitos pró-sociais da ocitocina.

Aplicações médicas também foram especuladas no experimento. Eles conseguiram demonstrar que o bloqueio da degradação de anandamida foi capaz de aumentar a socialização dos ratinhos. Já existem pesquisas clínicas investigando se a ocitocina pode promover uma maior socialização entre autistas.  Drogas que inibem a degradação de anandamida podem também ser muito promissoras.

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