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Prevenir é melhor que remediar. Infelizmente não é isso que está acontecendo entre indivíduos com doenças cardíacas: eles estão fumando mais e com mais obesidade e diabetes. Esse é o resultado de uma pesquisa recém-publicada pelo jornal The Lancet que avaliou fatores de risco vascular ao longo de 12 anos entre europeus que já tiveram problemas cardíacos.

 

Apesar do aumento substancial do uso de drogas anti-hipertensivas, não houve redução na prevalência de hipertensão arterial. A análise aponta que 3 em cada 5 indivíduos ainda apresentam hipertensão arterial, 20% fumam (o fumo entre as mulheres cresceu) e 50% têm alterações nos níveis de gordura no sangue. A freqüência de obesidade e diabetes cresceu de 25% e 17.4% para 38% e 28%.

 

Não adianta deixar a saúde por conta dos remédios: eles não dão conta sozinhos do recado. Medicações e procedimentos salva-vidas na sala de emergência, sem programas de prevenção e reabilitação, são atitudes fúteis quando se pensa em saúde de forma sistêmica. É urgente o apoio de políticas públicas inteligentes de conscientização por uma alimentação saudável, atividade física regular e pelo fim do tabagismo.

 

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A enxaqueca é cerca de três vezes mais comum entre as mulheres, chegando a afetar até um quarto delas em idade fértil. Durante a gravidez, é comum que as mulheres tenham menos crises de enxaqueca, mas algumas delas podem até piorar.

 

Recentemente, foi demonstrado que mulheres com enxaqueca têm um risco três vezes maior de apresentar hipertensão arterial na gravidez e um maior risco de gerar bebês de baixo peso. Chegou-se a demonstrar que a enxaqueca está associada a um risco 17 vezes maior de derrame cerebral em mulheres grávidas e 4 vezes maior de infarto do coração. Esses resultados foram confirmados por uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.

 

Mais de 18 milhões mulheres grávidas foram acompanhadas por três anos e foram identificadas aquelas que tiveram o registro de crises de enxaqueca durante a internação hospitalar para o parto. O registro de crises de enxaqueca esteve associado a um maior risco das seguintes doenças na gravidez: derrame cerebral (risco 15 vezes maior), infarto do coração (risco 2.1 vezes maior), tromboembolismo pulmonar (risco 3.2 vezes maior), hipertensão arterial / pré-eclampsia (risco 2.3 vezes maior) e diabetes (risco 1.9 vezes maior).

 

A metodologia do estudo não permite concluir se a enxaqueca é causa ou conseqüência dessas doenças associadas. Entretanto, pesquisas anteriores, têm revelado que indivíduos com enxaqueca, especialmente a enxaqueca com aura e independente da gravidez, têm um maior risco de apresentar eventos vasculares, como o derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar. O atual estudo acrescenta que mulheres grávidas que apresentam crises de enxaqueca durante a internação para ganhar o bebê, essas devem ser monitoradas de forma mais cuidadosa por apresentarem maior risco de eventos vasculares, sobretudo o derrame cerebral.

 

 

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É difícil pensar em alguém que não se sinta bem após uma sessão de gargalhadas. Mas será que além do bem estar que o riso provoca, ele realmente faz bem à saúde? O velho ditado de que rir é o melhor remédio tem algum fundamento? O riso é uma função exclusiva da espécie humana, tem sua razão de existir do ponto de vista evolutivo e existem até áreas cerebrais que quando estimuladas são capazes de produzir uma gargalhada.  

 

As principais pesquisas dos efeitos do riso sobre a saúde concentram-se nos sistemas cardiovascular, imunológico e na percepção de dor. Os resultados até o momento são convidativos para passarmos os dias dando risada.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra. 

 

 

 

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O sedentarismo é reconhecido como um importante fator de risco para duas das doenças que mais matam no planeta: câncer e doenças cardiovasculares. E não é de hoje que sabemos que a atividade física regular é capaz de promover o aumento de nossa longevidade. Mas será que quem começa a se exercitar só após os 50 anos ainda recebe esse benefício?

 

Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal acompanhou mais de 2000 homens na Suécia a partir dos 50 anos de idade. Após 10 anos, os homens que incrementaram o nível de atividade física passaram a apresentar índices de mortalidade semelhante àqueles que já tinham altos níveis de atividade no início do estudo. O efeito na redução de mortalidade foi da mesma magnitude que a decisão de parar de fumar.

 

O recado é simples: nunca é tarde para começar a malhar e parar de fumar! 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não é de hoje que a disputa pelo título de melhor dieta para emagrecer aquece o mercado editorial e muitos outros mercados também. Há cerca de 20 anos as dietas pobres em gorduras e ricas em carboidratos tornaram-se populares devido à crença de que as calorias originadas das gorduras engordavam mais. Dietas ricas em gordura e pobres em carboidratos foram bem divulgadas na década de 70 pelo Dr. Robert Atkins, e voltou à moda nos últimos anos. Existem ainda as dietas com alto teor de proteínas que prometem ser mais eficazes com a idéia de que as proteínas têm o poder de promover saciedade mais precocemente.

Um grande estudo recém-publicado pelo New England Journal of Medicine revela que diferentes teores de proteína, carboidrato e gordura não influenciam a capacidade da dieta em promover perda de peso. Mais de 800 adultos com sobrepeso foram acompanhados por 2 anos. Após 6 meses do início da dieta,  a média de perda ponderal foi de 6Kg (7% do peso inicial). Após um ano, os voluntários voltaram a recuperar o peso perdido, e já com dois anos de dieta, a perda ponderal média foi de 4 kg, a mesma perda de peso que os tratamentos com medicação costumam promover. O nível de satisfação com a dieta, assim como a sensação de fome e saciedade, não foram diferentes entre os diferentes tipos de dieta.

O principal recado dessa pesquisa é que o teor dos macronutrientes numa dieta não é o fator determinante de sucesso para a perda de peso. A adequação da dieta às preferências pessoais e culturais talvez sejam mais determinantes para o sucesso a longo prazo. Outro ponto que merece destaque é o fato dos voluntários não terem conseguido manter o peso perdido inicialmente, e após 2 anos, continuaram com um Índice de Massa Corporal de 31-32, ou seja obesos. Isso num cenário muito acima da média do mundo real, com voluntários selecionados, com alto nível educacional e de motivação. Além disso, o programa de dieta foi conduzido por equipe altamente especializada.

Não é preciso mais estudos para concluir que a dieta sozinha não é capaz de conter a pandemia de obesidade. Uma recente experiência na França abre caminhos para estratégias mais eficazes. No ano de 2000 duas pequenas cidades francesas iniciaram um esforço comunitário para conter a obesidade em crianças em idade escolar. Todos os setores da sociedade foram envolvidos no projeto: governo local, donos de lojas e restaurantes, cientistas, médicos, professores, meios de comunicação, associações esportivas, etc. Foram construídos parques e centros esportivos com instrutores e os pais passaram a receber orientação de como alimentar os filhos. Após cinco anos de iniciado o programa, os resultados foram impressionantes. A prevalência de sobrepeso entre as crianças passou para 8.7%, comparada a uma prevalência de 17.8% nas cidades ao redor. Esse mesmo projeto está sendo estendido agora para outras 200 cidades na Europa com a seguinte chamada: Juntos, vamos prevenir a obesidade nas crianças. 

 

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Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.

 

Os problemas de saúde associados ao álcool incluem a dependência química, a intoxicação aguda e o seu consumo crônico que pode provocar mais de sessenta diferenças doenças. Entretanto, uma série de estudos têm-nos mostrado que beber com moderação está associado a uma maior longevidade e é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral, Doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Os maiores candidatos para explicar esse efeito protetor do álcool são o seu efeito anti-oxidante em doses moderadas com melhora de índices de gordura no sangue e o efeito de redução da tendência de coagulação do sangue.

 

Então deveríamos estimular que a população beba moderadamente, ou seja, até duas doses diárias para homens e uma para mulheres? A recomendação atual da Associação Americana do Coração (American Heart Association) é a de que quem não bebe não deve começar a beber, mas para quem já tem o hábito, o médico não deve criar proibições, e sim limitar o consumo e dar preferência ao vinho, já que o vinho além do álcool contém a uva com seus nobres ingredientes à saúde (ex: resveratrol).

 

Um estudo recém-publicado pelo Journal of National Cancer Institute acompanhou mais de um milhão de mulheres por sete anos e demonstrou que mesmo o consumo leve a moderado de álcool está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. O consumo de álcool ainda potencializou o risco de outros tipos de câncer entre tabagistas: cavidade oral, orofaringe, laringe e esôfago. Os pesquisadores calculam que 13% dos casos desses tipos de câncer são causados pelo álcool e o risco de câncer não foi diferente entre o vinho e outros tipos de bebidas. No presente estudo, a média de consumo de álcool foi de uma dose diária (só 3% dessa população bebia mais que 3 doses diárias) e esse é o ponto que dá uma chacoalhada e amplia a análise da relação entre álcool e saúde. A conclusão mais importante do estudo é a de que não existe dose segura para o consumo de álcool.

 

Apesar dos efeitos protetores do álcool em doses moderadas sobre o cérebro e sistema cardiovascular, o aumento do risco de câncer anularia esses benefícios quando se pensa na saúde de forma sistêmica. Esse é um estudo tão importante que deverá mudar o discurso de boa parte dos médicos que atualmente orientam seus pacientes a tomarem um a dois cálices de vinho por dia para proteger o coração.

 

 

 

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A obesidade (Índice de Massa Corporal > 30) entre adultos está associada a uma menor longevidade. De fato, a obesidade e o tabagismo representam as principais doenças evitáveis que têm impacto na mortalidade do mundo ocidental. A combinação desses dois fatores na adolescência pode trazer prejuízos no futuro que ainda não foram bem determinados.  

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que no período da adolescência, o sobrepeso (IMC 25 – 29.9), que é um intermediário ente o peso ideal e a obesidade, a obesidade e também o tabagismo, todos são fatores associados ao aumento de mortalidade na vida adulta. A obesidade apresentou o mesmo nível de risco que o consumo de mais de 10 cigarros diários, enquanto o risco de sobrepeso teve o mesmo impacto que o consumo de 1 a 10 cigarros diários. A combinação da obesidade e do tabagismo conferiu um risco maior ainda. O estudo acompanhou quase 46 mil adolescentes do sexo masculino na Suécia por uma média de 38 anos. Nesse mesmo período, a obesidade passou a ser cinco vezes mais freqüente entre adolescentes suecos e o tabagismo duas vezes menos.

 

Os resultados são importantes ao indicar que a intensificação de campanhas públicas de combate ao tabagismo e obesidade na adolescência são mais que justificadas.

 

 

 

 

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Sabemos que o tabagismo reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos e é a principal causa de morte prematura evitável em boa parte dos países. O fato é que grande parte dos tabagistas assume que gostaria de parar com o vício, mas anualmente apenas 2-3% consegue vencer o desafio.  

 

Alguns estudos já haviam testado incentivo em dinheiro para que a pessoa pare de fumar e os resultados foram inconsistentes a longo prazo, talvez devido ao fato do incentivo e o número de voluntários não terem sido robustos o suficiente. Um novo estudo recém-publicado pelo periódico New England Journal of Medicine reavaliou o efeito dessa recompensa em dinheiro, desta vez com quase 900 participantes e uma recompensa de 750 dólares caso o indivíduo conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Todos os participantes receberam informação sobre programas disponíveis para auxiliá-los a largar o cigarro e só metade deles receberam a proposta de recompensa em dinheiro.

 

Após 9-12 meses, aqueles que receberam a recompensa em dinheiro tiveram três vezes mais sucesso em ficar sem fumar (14.7%) do que aqueles que não receberam (5%) e após 15-18 meses o sucesso também foi três vezes maior. A recompensa em dinheiro aumentou também em três vezes a procura por um programa de apoio anti-tabagista.

 

Os resultados dessa pesquisa provocam importantes reflexões. A primeira delas é o quanto uma empresa ou um país pode economizar com políticas como essa. O presente estudo foi realizado com empregados da multinacional General Eletric. Calcula-se que uma empresa economiza 3700 dólares por ano quando um funcionário para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora. Outra questão é se as operadoras de saúde poderiam começar a oferecer descontos àqueles que parassem de fumar. Uma das fortes limitações desse tipo de estratégia é que pode haver incentivo para que não fumantes comecem a fumar para receberem o benefício.

 

 

 

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O derrame cerebral já é uma das principais causas de morte em todo o mundo e a situação deve se agravar mais ainda com o crescente envelhecimento da população. A boa notícia é que a grande maioria dos casos de derrame cerebral é causada por doenças dos vasos sanguíneos (ex: aterosclerose) que podem ser prevenidas com hábitos de vida saudáveis.

 

Um estudo publicado na última edição do British Medical Journal acompanhou mais de 20 mil ingleses por cerca de 11 anos e demonstrou que a combinação de quatro atitudes saudáveis é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral: 1) não fumar; 2) atividade física regular; 3) consumo diário de frutas e verduras; 4) consumo moderado de álcool (até 14 unidades por semana).

* Uma unidade de álcool corresponde a cerca de 8g de álcool = 1 pequena taça de 80 ml de vinho = 200ml de cerveja.  

 

O bom é que essa é a mesma receita de sucesso para a prevenção do infarto do coração e de diversos tipos de câncer, especialmente os três primeiros itens.

 

 

 

 

 

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Pesquisadores alemães foram capazes de demonstrar em humanos aquilo que já era certo em modelos animais: uma dieta com restrição calórica é capaz de melhorar o funcionamento cerebral. Uma redução de 30% na ingesta calórica de indivíduos com média de idade de 60.5 anos por um período de três meses levou a uma melhora significativa nos testes de memória verbal, uma das funções cerebrais que os idosos mais costumam se queixar. Um recente estudo epidemiológico já havia revelado que um dos importantes fatores para a grande longevidade dos habitantes de Okinawa no Japão era o costume de restrição calórica desse povo. Tivemos agora a primeira evidência experimental em humanos de que restrição calórica é capaz de melhorar a memória em idosos.

 

Explicações para esse benefício da restrição calórica incluem uma melhor ação da insulina e conseqüentemente do aproveitamento da glicose pelo cérebro e redução do estado inflamatório do corpo. Essas hipóteses são concordantes com o fato de que a melhoria dos testes de memória no presente estudo foi acompanhada de redução dos níveis de insulina e de proteína C-reativa de alta sensibilidade no sangue. O estudo foi publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

Clique aquí se quiser ler o artigo na íntegra (em inglês).

 

 

 

 

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Para quem não sabe ou esqueceu, a Dieta Mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. 

 

Recentes estudos evidenciaram que a Dieta Mediterrânea além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares também está associada à redução do risco de Doença de Alzheimer. Os mecanismos protetores da Dieta Mediterrânea sobre o cérebro vão desde a prevenção de doença vascular cerebral a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. 

 

Uma pessoa que desenvolve a Doença de Alzheimer não perde suas funções cerebrais de um dia pra o outro, e reconhece-se que o declínio pode começar até 12 anos antes do diagnóstico. Essa é uma doença progressiva, e entre o estado de normalidade e seu diagnóstico, as pessoas passam por um estágio intermediário chamado de Transtorno Cognitivo Leve. O fato é que nem todas as pessoas que apresentam Transtorno Cognitivo Leve evoluirão para a Doença de Alzheimer e a ciência tem investido muito para encontrar estratégias que sejam capazes de frear a progressão da doença. Uma pesquisa recém-publicada no Archives of Neurology revela que a Dieta Mediterrânea, além de ser capaz de reduzir o risco de desenvolver o Transtorno Cognitivo Leve, é capaz também de reduzir sua chance de evoluir para a Doença de Alzheimer.

 

Esse efeito protetor já havia sido demonstrado isoladamente entre diferentes componentes da Dieta Mediterrânea, como o consumo moderado de álcool, peixes e ácidos graxos insaturados. Se individualmente esses alimentos já são capazes de proteger nosso cérebro, imagine então a combinação de vários deles.

 

Leia também:

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Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o fumo passivo além de aumentar o risco de morte prematura, câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares, também pode aumentar o risco de demência. Quase 5000 ingleses não fumantes e com mais de 50 anos foram acompanhados do ponto de vista de desempenho cognitivo e através de medidas de cotinina na saliva. A cotinina é um subproduto da nicotina e pode ser detectada na saliva até 25 horas após a exposição a ambientes com fumaça de cigarro. O que os pesquisadores encontraram foi que o grupo de pessoas que apresentou as maiores concentrações de cotinina na saliva também teve o pior desempenho cognitivo ao longo dos anos.

 

Uma das possíveis explicações para os resultados encontrados é de que o fumo passivo pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral por conta de disfunção da camada mais interna dos vasos, o endotélio, fato este já comprovado em outros estudos. Isso poderia levar a mais derrames cerebrais. Outra explicação é de que o reconhecido mal que o fumo passivo faz ao coração pode fazer com que nele sejam produzidos pequenos coágulos de sangue que poderiam escapar do coração e entupir pequenas ou grandes artérias do cérebro, causando também derrames cerebrais.

 

 

A relação entre o tabagismo e redução do desempenho cognitivo já havia sido demonstrada entre os próprios fumantes. Infelizmente, as crianças não estão livres dos problemas cerebrais causados pelo fumo passivo. Já existem evidências de que as crianças de pais que fumam têm um menor desenvolvimento cognitivo. Hoje já se reconhece que o problema não está só na fumaça dos outros, o chamado fumo de segunda mão, mas também no contato com o simples cheiro de cigarro (fumo de terceira mão). É esperado que quanto mais a sociedade estiver consciente dos diversos prejuízos à saúde causado pelo fumo passivo, maior a chance de ações políticas que proíbam de vez o fumo em locais públicos.

 

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Fumar já é uma bobagem e continuar fumando pode ir deixando o cérebro bobo.

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Podemos entender a atividade física e a sexualidade como um círculo virtuoso, onde há influências positivas nos dois sentidos.  Indivíduos sexualmente ativos preocupam-se mais em estar com o corpo em forma, podendo assim aumentar a capacidade de atrair o(a) parceiro(a). A atividade física melhora o estado de saúde como um todo e ainda tem o poder de elevar a auto-estima, ambos trazendo benefícios à sexualidade. A atividade sexual regular, por sua vez, traz inúmeros benefícios à saúde, até mesmo por ser também uma atividade física.

 

Os dados mais precisos sobre o consumo de energia durante uma relação sexual são de estudos que avaliam o que se chama de equivalente metabólico (MET). Calcula-se que o MET relacionado à atividade sexual seja de 2 a 3, ou seja, metabolismo 2 a 3 vezes maior que no repouso. Durante o orgasmo o MET é maior: de 3 a 4. Uma caminhada tem o MET de 2 a 3, dependendo da velocidade. Uma corrida já apresenta um MET de 6 a 7. A atividade sexual é considerada como uma atividade física muito leve, por estar associado a um MET baixo. Uma caminhada leve ou atividade sexual “habitual” queima cerca de 200 calorias em 1 hora. Não devemos pensar que a atividade sexual é o suficiente do ponto de vista de atividade física, mas é melhor do que a combinação do sedentarismo e o celibato.

 

Do ponto de vista neuroquímico, a atividade física promove a liberação de uma série de substâncias no cérebro como a endorfina, dopamina e os endocanabinóides, que além dos efeitos imediatos de euforia e analgesia, são capazes de promover uma modulação do funcionamento cerebral de forma mais sustentada. Isso pode resultar em maior equilíbrio mental, menos sintomas de ansiedade e depressão, tudo isso colaborando para o equilíbrio da sexualidade de um indivíduo.

 

Nas academias de ginástica o cérebro pode ir mais além. O “clima de paquera” de uma academia pode até mesmo servir de “aquecimento” para a atividade física. Entre os mamíferos, o cortejo com o potencial parceiro sexual provoca uma série de mudanças comportamentais, que incluem maior atenção e disposição física. Entre os humanos, sabemos que o homem é bem mais responsivo aos estímulos visuais de beleza e juventude. Já as mulheres respondem mais a estímulos que envolvam sinais de poder e riqueza. Darwin explica.

 

E malhar em grupos de ambos os sexos também pode ter suas vantagens. Além dos estímulos visuais, até o cheiro de suor do sexo oposto pode influenciar o estado de disposição de quem está malhando, já que pode potencializar a percepção dos feromônios, com mudanças nos níveis hormonais de quem sente o cheiro. Na maioria dos mamíferos, os níveis hormonais são influenciados por sinais químicos externos, que são os chamados feromônios. Uma das pistas de que esse sistema também atua na espécie humana é a de que a convivência entre mulheres está associada a uma sincronia de seus ciclos menstruais, fato observado também em roedores.  Ainda existe muito debate se esse é um sistema relevante para a espécie humana, e recentes estudos têm confirmado que nossos níveis hormonais podem ser influenciados pelos odores das pessoas ao nosso redor. O candidato a feromônio humano mais estudado até o momento é o hormônio androstadienona presente na saliva, sêmen e suor dos homens. A androstadienona é capaz de influenciar o humor, nível de alerta, e atividade cerebral tanto nas mulheres, como entre homens com orientação homossexual.  Uma recente pesquisa revelou que mulheres que cheiravam a androstadienona pura tiveram seus níveis de hormônio corticóide elevados após 15 minutos e com duração de até 60 minutos. Pode-se até  hipotetizar que esse aumento nos níveis de corticóide poderia dar mais energia para o exercício físico, mas isso ainda é só especulação.     

 

Outra vantagem da atividade física em grupo é a de que a sensação de pertencer a um “time” promove um importante fenômeno que a ciência chama de “apoio social”, que faz bem à saúde independentemente da atividade física, ao reduzir, por exemplo, o risco de doenças cardiovasculares e depressão. O isolamento social não faz bem à saúde, e os efeitos negativos começam pela química cerebral mesmo. Esse apoio social tem sido repetidamente demonstrado como uma importante estratégia de incentivo à realização de atividade física, com melhora de indicadores de saúde. É a velha história de que é mais fácil alguém ter ânimo para caminhar pela manhã se for em boa companhia.

 

Muitas dessas questões podem explicar em parte o grande sucesso das academias de ginástica. Talvez explique também o fôlego de maratonista dos foliões no carnaval.

 

 

 

 

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Uma série de doenças do coração pode fazer com que o músculo cardíaco perca progressivamente sua força, culminando na síndrome de insuficiência cardíaca, problema grave que após 5 anos do seu diagnóstico provoca a morte de metade dos pacientes. Uma pesquisa inédita recém-publicada pelo Journal of Cardiac Failure demonstra que pacientes com insuficiência cardíaca, a maioria em suas formas leve e moderada, apresentam também uma certa insuficiência cerebral.

 

Pacientes com insuficiência cardíaca apresentaram pior desempenho quando comparados ao grupo controle em 14 de 19 testes aplicados, sendo que a dificuldade de memória foi o problema mais comum. Quase metade dos pacientes foi classificada como tendo desempenho cognitivo inferior à média. A principal explicação para esses achados é a de que com a falência da bomba cardíaca, o fluxo sanguíneo cerebral é reduzido e perde-se também sua capacidade de auto-regulação. Outra hipótese é a freqüente ocorrência de derrames cerebrais entre pacientes com insuficiência cardíaca. Um coração fraco aumenta a chance de formação de pequenos coágulos de sangue que podem “escapar” para as artérias cerebrais, causando um derrame cerebral. Estudos evidenciam uma prevalência de derrame cerebral de até 35% entre pacientes com insuficiência cardíaca.  O estudo ainda mostrou que pacientes que tinham história de infarto do coração tiveram um desempenho cognitivo pior do que aqueles com outras causas de insuficiência cardíaca.

 

Talvez o mais importante recado desse estudo seja o de que uma boa parte dos pacientes com insuficiência cardíaca pode não ser mais capaz de seguir as recomendações feitas pelo médico, como é o caso de tomar corretamente diferentes medicações em seus diferentes horários. No caso de pacientes com dificuldades cognitivas, um cuidado especial na comunicação deve ser tomado, muitas vezes com a necessidade de se garantir o apoio de alguém que possa auxiliá-lo no seguimento do tratamento.

 

 

 

 

 

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Há algum tempo, a decisão de tratar a enxaqueca era fundamentada basicamente pelo critério Qualidade de Vida. Entretanto, nos últimos anos, graças aos avanços de técnicas de imagem cerebral, conhecemos cada vez mais sobre as repercussões funcionais e estruturais das crises de enxaqueca sobre o cérebro, o que nos deixa claro que tratar a enxaqueca é, antes de tudo, uma questão de proteção cerebral.

 

A última edição do periódico britânico Cephalalgia publicou uma pesquisa que confirma estudos anteriores que mostraram que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam depósito de ferro no tronco cerebral, e dessa vez mostrou que isso também acontece em núcleos da base, sendo que todas essas regiões fazem parte de circuitos de modulação da dor. Chama muito a atenção o fato do depósito de ferro ter sido maior em pessoas que sofriam de enxaqueca há mais tempo, sugerindo que quanto mais freqüentes as crises de enxaqueca, maior o depósito de ferro.

 

Esse é um achado que pode ajudar a explicar a razão pela qual 10 a 20% das pessoas com enxaqueca passam a ter a forma crônica da doença, com crises praticamente diárias. Alterações estruturais do cérebro decorrentes de repetidas crises poderia justificar o comportamento progressivo da doença nesses casos.

 

*Além de depósitos de ferro, já sabemos que freqüentes crises de enxaqueca podem provocar:

 

*Ativação recorrente de centros cerebrais profundos, que podem levar a sintomas como a alteração da sensibilidade e a alterações estruturais do tronco cerebral;

 

*Redução da substância cinzenta de algumas regiões cerebrais;

 

*Lesões da substância branca cerebral;

 

*Aumento do risco de derrame cerebral e infarto do coração (no caso da enxaqueca com aura).

 

Tanto a população leiga, e mesmo os profissionais da área da saúde, ainda têm a falsa crença de que a enxaqueca é um problema menor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca como um problema de saúde pública de alta prioridade e a classifica como uma das 20 doenças que mais provocam incapacidade, lado a lado com o derrame cerebral, a AIDS e o diabetes. No caso das mulheres, ela é a 12ª no ranking da OMS. O custo da enxaqueca à sociedade vai muito além das questões orgânicas acima discutidas, mas envolve sérios prejuízos de ordem emocional, social e econômica.

 

Ler também

Enxaqueca e absenteísmo no trabalho.  

 

 

 

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Há algum tempo já se desconfia que a enxaqueca possa aumentar a freqüência de problemas de pressão alta durante a gravidez. Na verdade ambos os problemas tem muita coisa em comum, desde o ponto de vista bioquímico, até no aumento do risco de eventos vasculares como o derrame cerebral e o infarto do coração. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico inglês Cephalalgia revela que aquilo que era mera desconfiança, agora tem comprovação científica satisfatória.

 

Pesquisadores italianos acompanharam mais de 700 mulheres grávidas a partir da 11ª semana sem história de hipertensão arterial. O risco de desenvolver pressão alta na gravidez foi três vezes maior entre mulheres com história de enxaqueca do que naquelas sem enxaqueca (9.1% e 3.1%). Os bebês das mulheres com história de enxaqueca também apresentaram maior risco de nascerem com baixo peso.

 

O estudo aponta que mulheres grávidas e que têm enxaqueca podem começar a ser vistas como mulheres com maior risco de desenvolver pressão alta na gravidez, e por isso devem ser acompanhadas de forma mais cuidadosa. Os resultados também sugerem que a identificação do antecedente de enxaqueca deve passar a fazer a parte de uma consulta pré-natal. Vale lembrar que a pressão alta na gravidez é uma das pricipais causas de complicações tanto à saúde da mãe como à do bebê.

 

 

 

 

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Cerca de 130 mil mulheres americanas já em menopausa foram acompanhadas por quase oito anos e aquelas que apresentavam batimentos cardíacos mais acelerados tinham uma chance maior de apresentarem um infarto do coração. O estudo foi recém-publicado pelo British Medical Journal.  Essa mesma relação entre freqüência cardíaca elevada ao repouso e risco de infarto já havia sido demonstrada entre os homens.

 

No presente estudo, não foi possível associar sintomas depressivos ao risco de infarto do coração. Já sabemos que a depressão aumenta o risco de infarto do coração e uma das explicações para isso é o fato da depressão estar associada  a disfunções do sistema nervoso autônomo, o que inclui aumento da freqüência cardíaca, dos níveis de pressão arterial e alteração do metabolismo de glicose e gorduras.

 

O melhor remédio para manter os batimentos cardíacos no lugar certo é sem sombra de dúvidas a atividade física regular e equilíbrio mental. Nesse estudo, as mulheres que se consideravam “ansiosas” apresentavam batimentos mais acelerados.

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Os ácidos graxos chamados de Omega 3 e Omega 6 fazem parte do grupo de gorduras insaturadas, bem diferentes das gorduras saturadas  que encontramos nas carnes e laticínios. O Omega 3 cada dia mais é visto como um dos nutrientes mais nobres para o nosso corpo, especialmente para o cérebro e para os vasos sanguíneos, e por conta dessa boa fama, os alimentos ricos em Omega 3 estão merecidamente com a bola toda – os peixes, especialmente o salmão, atum, sardinha, e as castanhas e nozes. Paralelamente ao sucesso do Omega 3, podemos observar  recomendações cada vez mais freqüentes para a redução de seu irmão Omega 6, com o argumento que seu metabolismo gera uma série de moléculas pro-inflamatórias que podem aumentar o processo de aterosclerose.  Na verdade, os estudos mostram justamente o contrário: o consumo de Omega 6 está muito mais associado a uma ação anti-inflamatória do que inflamatória. 

 

O Omega 6 também é uma gordura insaturada assim como o Omega 3, e sua principal fonte na dieta é o ácido linoleico encontrado principalmente nos óleos vegetais (ex: milho, soja, girassol). A revista Circulation, uma das publicações mais importantes da American Heart Association acaba de publicar um documento recomendando que 5 a 10% do total de energia diária consumida deve ter origem em gorduras insaturadas ricas em Omega 6. O documento conclui que a restrição do Omega 6 em níveis mais baixos que os recomendados tem mais chance de aumentar do que diminuir o riscos de doenças cardiovasculares.

 

Cique aqui para ler o documento na íntegra em inglês 

 

 

 

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Na antiguidade, a vida em abstinência sexual foi vista como uma forma de evitar problemas de saúde. Apesar de ainda hoje podermos encontrar esse tipo de pensamento em algumas culturas, nas últimas décadas, estudos científicos rigorosos não só desmontaram de uma vez por todas o mito de que a atividade sexual pode ser deletéria à saúde, desde que devidamente protegida contra doenças sexualmente transmissíveis, mas também têm revelado que o sexo traz inúmeros benefícios à saúde:
– maior longevidade

– menor risco de doenças cardiovasculares
– maior auto-estima, menos sintomas de ansiedade e depressão e menos queixas de dor e insônia;
– etc, etc, etc.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação.  Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

A crescente oferta de alimentos ricos em gorduras saturadas e gorduras trans, que por sinal não são nada saudáveis, vem acompanhada de uma redução no consumo de Ômega 3 no mundo ocidental contemporâneo. Pesquisas apontam que a deficiência de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia. Ao contrário, já foi demonstrado que dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças, e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Além disso, há estudos que demonstram que o consumo de gorduras saturadas e trans está associado a um pior desempenho cognitivo. Atualmente, a Associação Americana de Psiquiatria reconhece a importância do Ômega 3 no tratamento de transtornos de humor da mesma forma que a American Heart Association recomenda o consumo de peixes ricos em Ômega 3 (salmão, sardinha e atum) pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.

 

 

 

Nos últimos anos podemos observar uma série de evidências de que outros tipos de alimentos podem fazer diferença no funcionamento do nosso cérebro. Várias desses benefícios ao cérebro foram demonstrados apenas em animais, como é o caso da curcumina encontrada no tempero curry e o famoso Ginkgo biloba. Os alimentos cafeinados, além de poderem aumentar o desempenho psicomotor, estado de vigília, atenção e humor, têm-se mostrado cada vez mais poderosos na prevenção de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares. Outros nutrientes até já tiveram efeitos positivos demonstrados em estudos clínicos, especialmente os oligoelementos como as vitaminas e sais minerais na prevenção do declínio cognitivo ao longo do envelhecimento cerebral. Entretanto, tais estudos ainda não são conclusivos ao ponto de se poder recomendar a suplementação de pílulas de vitaminas para o cérebro. O grande negócio ainda é uma dieta equilibrada que contemple todas as famílias de nutrientes que precisamos.

 

 

E para ficar com o cérebro “sarado”, manter o peso em dia é uma ótima receita, já que a obesidade está associada a um pior desempenho cognitivo. A razão? Uma série de hormônios associados ao sistema digestivo e ao nosso metabolismo (ex: insulina, leptina, grelina) influenciam também a função cerebral.

 

Se quisermos juntar tudo que sabemos hoje sobre o que os alimentos têm a oferecer ao nosso cérebro num pacote só, adotar a Dieta Mediterrânea pode ser uma atitude bastante acertada, já que une as virtudes do Ômega 3 dos peixes, o poder antioxidante do azeite, do vinho tinto, das frutas, verduras e cereais integrais, e o baixo consumo de gordura saturada pela pequena ingesta de carnes e laticínios. Seria ainda muito vem vindo nesse pacote o chá verde, o café e o chocolate amargo.

 

 

Uma recente metanálise analisou os efeitos da Dieta Mediterrânea e demonstrou:

 

– redução da mortalidade geral em 9%

– redução da mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%

– redução da mortalidade por câncer em 6%

– redução da incidência de Doença de Parkinson em 13%

– redução da incidência de Doença de Alzheimer em 13%

 

Que tal?

 

 

 

 

Ler também: Precisamos comer mais peixe. Nosso cérebro vai gostar.

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