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É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo / Procurando antenar boas vibrações / Procurando antenar boa diversão.

Chico Science

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Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.

 

A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. O tipo de cefaléia chamada atualmente de cefaléia do tipo tensional já teve diferentes nomes como cefaléia por contração muscular, cefaléia do estresse e cefaléia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.

 

É difícil dizer o quanto a cefaléia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos,  mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10 até 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaléia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%), quando comparado às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.

 

As crianças costumam apresentar crises de cefaléia do tipo tensional já por volta dos sete anos, com crises que costumam durar cerca de duas horas e usam medicações para dor em média uma vez por mês.  Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia (Robberstad et al., Neurology 2010) confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaléia do tipo tensional.  Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.

 

Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas. Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de mini-executivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina mito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, pressão que muitas vezes já começa anos antes do início das provas.

 

 

UMA EM CADA SEIS PESSOAS NO MUNDO TERÁ UM AVC EM SUA VIDA E A CADA SEIS SEGUNDOS MORRE UMA PESSOA COM A DOENÇA.

 

O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por AVC ou derrame, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.

 

No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença.  

 

O AVC é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O AVC é uma catástrofe que tem tratamento e também pode ser prevenida. 

 

Quando uma pessoa tem uma forte dor no peito e suspeita que possa estar tendo um infarto do coração, ela não pensa duas vezes e corre para o hospital mais próximo. Essa atitude salva muitas vidas, pois quanto mais precocemente o tratamento para o infarto for iniciado, maior a chance de sucesso.

 

No caso do AVC, a rapidez no tratamento também salva vidas e reduz a chance de seqüelas. Infelizmente os sintomas de AVC são mais variados do que o do infarto do coração e bem menos conhecidos pelo público leigo, e isto dificulta a rápida procura por assistência médica.

 

Como identificar um AVC?

Suspeitar toda vez que ocorrer algum destes sintomas de forma REPENTINA:

  • Fraqueza de um lado do corpo
  • Dormência de um lado do corpo
  • Dificuldade visual
  • Dificuldade para falar
  • Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
  • Incapacidade de se manter em pé

 

** CLIQUE AQUI  e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. R icardo Teixeira na Rádio CBN veiculado no dia 29 outubro de 2010.

 

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Uma pesquisa publicada na edição de setembro do periódico Journal of Sleep Research aponta que sono e trabalho influenciam um ao outro num círculo vicioso: o excesso de trabalho está associado a privação de sono e que por sua vez reduz a produtividade. 

 

Os pesquisadores entrevistaram mil americanos que trabalhavam pelo menos 30 horas semanais sobre as suas condições de trabalho e produtividade, assim como a qualidade do sono. Os resultados mostraram que longas jornadas de trabalho estavam associadas a um sono mais curto que vinha acompanhado de um trabalho de pior qualidade, que incluía menos concentração e organização, e falta de paciência com os colegas. Foi demonstrado também que 37% por cento dos voluntários foram classificados como pessoas de risco para ter algum transtorno do sono e apresentavam piores indicadores no trabalho. Cerca de 30% relataram extrema sonolência no trabalho e 20% assumiram que esse era um fator que afetava sobremaneira a produtividade.  Presenteísmo é o termo que melhor define essa condição: o indivíduo vai ao trabalho, mas não rende.

 

 

O presente estudo confirma resultados anteriores que já mostravam que quanto mais horas o indivíduo se dedica ao trabalho, menos tempo ele dorme. E esse tempo trabalhando tem crescido lado a lado ao avanço tecnológico, que permite cada vez mais que o trabalho seja complementado em casa. Por fim, o estudo encorpa ainda mais as evidências de que a saúde de uma empresa e de seus colaboradores podem se beneficiar sobremaneira com uma maior consciência sobre os efeitos deletérios de um excesso de horas de trabalho e a necessidade de um sono de qualidade.

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As opiniões sobre as mudanças na rotina com o início do horário de verão são bem divididas: muitos gostam enquanto outros optariam pela manutenção do horário antigo. E qual é a opinião do nosso corpo? Essa mudança faz diferença para nossa saúde?  Um estudo sueco publicado em 2008 pelo respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão está associada a um maior risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006. 

 

A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação, aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas. 

 

Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.

 

Pode ser que no futuro as autoridades passem a implantar o horário de verão com uma maior flexibilização de horário na primeira semana. Na hora de fazer as contas do custo-benefício da mudança, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.

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Um dos grandes marcos da medicina desse início de século foi o estudo Women’s Health Initiative (WHI) que teve de ser interrompido no ano de 2002, quando se demonstrou que a terapia de reposição hormonal (TRH) tinha mais potencial de provocar danos à saúde às mulheres na menopausa do que um comprimido placebo.  Desde então, as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíram drasticamente, e já são muitas as evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.

 

Nesta semana, o JAMA, periódico oficial da Associação Médica Americana, publicou mais um desdobramento do estudo WHI. Desta vez, após 11 anos de seguimento de mais de 16 mil mulheres, os pesquisadores confirmaram que a frequência de câncer de mama realmente é maior com o uso da TRH e que a doença é mais agressiva quando associada a esse tipo de tratamento: diagnóstico em estágios mais avançados da doença, lesões maiores e maiores índices de mortalidade.

 

Novos estudos deverão testar a segurança da TRH por períodos mais curtos e com doses mais baixas, e já existem alguns resultados otimistas nesse sentido: a TRH por via transdérmica, ou seja, por adesivos na pele, parece não aumentar o risco de derrame cerebral. Com o corpo de conhecimento que temos até o momento, é fundamental que o médico discuta muito bem o custo-benefício da TRH para que a mulher tome a decisão da forma mais consciente possível.

 

Obs: Já foi demonstrado que as vendas de medicações para TRH caíram fortemente já no primeiro ano após os primeiros resultados do estudo WHI. É de se esperar que futuras pesquisas evidenciem uma diminuição da mortalidade por câncer de mama nos últimos anos, e a redução da indicação de TRH pode ter sua parcela de contribuição.

 

RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

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** CLIQUE AQUI e confira bate-papo entre o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio no dia 22 de outubro 2010 na Rádio CBN Brasília. Eles discutem uma pesquisa recém-publicada pelo periódico JAMA que analisa o custo-benefício do tratamento de reposição hormonal em mulheres na menopausa.

 

Prêmio TOPBLOG 2010

 

O ConsCiência no Dia-a-Dia está concorrendo na categoria Saúde

 

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A obesidade é reconhecida como um importante fator de risco de doenças muito sérias como o diabetes, infarto do coração, derrame cerebral e vários tipos de câncer. Atividade física e restrição calórica são as principais atitudes para se combater o problema, mas a ciência tem mostrado que uma boa noite de sono também pode fazer muita diferença. Uma pesquisa publicada em edição de outubro do periódico Annals of Internal Medicine demonstrou que indivíduos com sobrepeso e submetidos a restrição calórica, ao dormirem pouco, perdem peso mais por redução de massa magra (músculos) do que de gordura.

 

Dez voluntários com índice de massa corporal de 25 a 32 kg/m2 participaram de um programa que incluía uma dieta de restrição calórica estritamente controlada e experimentavam dois ciclos de duas semanas cada um em que dormiam 5.5 horas por noite ou 8.5 horas. A média de perda de peso não foi diferente quando dormiam pouco ou muito (3 kg e 2.9 kg). Entretanto, quando dormiam 5.5 h, perdiam mais massa magra e menos gordura, o inverso do recomendável num programa de restrição calórica e, além disso, sentiam mais fome. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.

 

Vários hormônios foram monitorizados durante o estudo, e um deles, a grelina, mostrou-se em concentrações aumentadas no ciclo do experimento de 5.5 h de sono. Esse aumento de grelina é coerente com os resultados encontrados, já que o hormônio está associado ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo. O hormônio leptina, que tem efeito contrário, não se mostrou diferente nos diferentes ciclos de sono. Entretanto, algumas pesquisas anteriores já haviam demonstrado que, quando há restrição calórica, a privação de sono está associada a uma menor concentração de leptina no sangue.

 

A conclusão do estudo é que indivíduos submetidos a uma dieta de restrição calórica devem ser encorajados a dormir um número de horas adequado para perder gordura e preservar a massa magra do corpo. E o que significa número adequado de horas de sono? Para a grande maioria da população adulta isso corresponde a sete a oito horas.  Vale lembrar que quanto mais tempo se fica acordado, maior a chance de consumir calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.

 A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizará, nos dias 22 e 23 de outubro, a 3ª Jornada de Neurociências, em Campinas (SP).
 

O objetivo do evento, organizado pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas, é congregar profissionais de várias áreas envolvidas com as neurociências, fortalecendo a abordagem interdisciplinar.Neurogenética, esquizofrenia, acidente vascular cerebral, neuroimagem e comportamento, gênese da obesidade, plasticidade e memória, demências e doenças neurológicas serão alguns dos assuntos em debate.“Aspectos neuromusculares das doenças causadas por expansão de tripletos”, “As dimensões sintomatológicas da esquizofrenia”, “Neuroplasticidade e memória: do comportamento às moléculas”, “Imagem funcional e estrutural cerebral no estudo do comportamento social humano” serão temas de palestras.A jornada será realizada no auditório da FCM.

 

Participarei do evento no dia 24 com a palestra  “O que há de novo no tratamento das doenças neurológicas”.

 

Mais informações: www.lepedic.com.br/eventos/neurociencias2010

 

Hoje em dia, uma boa parte do tempo que se gasta em frente a um médico é para monitorização de índices como o colesterol e a glicose no sangue. O aminoácido homocisteína é mais um desses índices vigiados pela medicina moderna.

 

Altos níveis no sangue de homocisteína têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade desse aminoácido no sangue. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine (Associação Médica Americana) demonstra que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.

 

Os pesquisadores avaliaram os resultados de oito grandes estudos sobre o tema que envolveram mais de 37 mil indivíduos com homocisteína elevada, metade deles tendo feito uso de ácido fólico na dose de 0.4 a 40 mg e a outra metade tendo utilizado placebo. Aqueles que usaram ácido fólico tiveram uma redução de 25% nas concentrações de homocisteína.  Após um acompanhamento médio de cinco anos, a suplementação de ácido fólico não reduziu os números de mortalidade e de novos casos de infarto do coração, derrame cerebral e câncer. Por outro lado, o uso de ácido fólico também não aumentou o risco de doenças ou mortalidade, o que reforça a segurança de sua suplementação a mulheres férteis com o objetivo de evitar malformações congênitas.

  

Esse estudo chama a atenção para duas questões muito importantes. A primeira é que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Um outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Recentemente, uma série de estudos identificou que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.

 

A segunda questão é que os suplementos vitamínicos e minerais costumam ser vistos pela sociedade como produtos inofensivos: se não faz bem, mal é que não vai fazer. Infelizmente, isso não é verdade. Os suplementos, quando mal indicados, podem sim fazer mal à saúde. Recentemente, discutimos o maior risco de infarto do coração associado à suplementação de cálcio.  

 

Nos EUA, estima-se que 50% dos adultos usam algum tipo de suplemento alimentar, e no Brasil, essas cifras são menores, mas nada desprezíveis. Ironicamente, as pessoas que mais fazem uso desses suplementos são aquelas que têm estilo de vida mais saudável. São as que praticam mais atividade física, estão mais em dia com a balança, fumam menos e têm maior nível educacional.  E quem é que realmente precisa de suplementos? A resolução 1938-2010 do Conselho Federal de Medicina que regulamente a prática da medicina ortomolecular facilita bem esta resposta: “É vedado o uso de quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados“. É isto que a medicina baseada em evidências tem a nos dizer na atual fase do conhecimento.

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** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio veiculado na Rádio CBN Brasília no dia 15 out 2010

 

 

A última edição do periódico Pediatrics publicou os resultados de uma experiência da multinacional IBM que oferecia 150 dólares a funcionários da empresa com filhos para que participassem de um programa de apoio a hábitos de vida saudáveis, que envolve não só o empregado, mas toda a sua família. O programa foi aplicado em mais de onze mil funcionários, durava 12 semanas e eram incentivados três principais comportamentos que influenciam o controle de peso: alimentação equilibrada, atividade física e limite de tempo dedicado em frente às mídias eletrônicas.

 

Os resultados foram bem positivos: atividade física em família pelo menos três vezes por semana aumentou em 17%, de 23.2 para 40.3% dos voluntários; jantares saudáveis em família pelo menos cinco vezes por semana aumentaram em 11.8%, de 74.9% para 86.7%; limite de uma hora diária de exposição às mídias eletrônicas aumentou 8.3% entre as crianças (de 24 para 30.7%) e 6.1% nos adultos (de 18.1 para 24.2%). De acordo com cálculos da IBM, o custo com a saúde de uma criança obesa é duas vezes maior que a de uma não obesa. No caso de crianças obesas com diabetes, o custo é 6.5 vezes maior.

 

Uma outra experiência de sucesso nesse sentido foi a da General Eletric (GE). A GE recentemente implantou um programa de recompensa de 750 dólares caso um empregado da empresa conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Após 9-12 meses, a chance de parar de fumar foi três vezes maior quando comparada à de um grupo de tabagistas que não receberam recompensa. A GE calcula que a empresa economiza 3700 dólares por ano quando um empregado para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora.

 

Esses resultados chamam a atenção para o importante papel dos empregadores na promoção de saúde de seus funcionários e no quanto isso pode repercutir na saúde financeira de uma empresa. Bom para a empresa e melhor ainda para seus funcionários.

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O risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Occupational and Environmental Medicine.

 

Mais de 6000 trabalhadores americanos com mais de 20 anos de idade foram estudados através de uma entrevista que abordava hábitos de vida e saúde ocupacional, exame clínico e testes laboratoriais. Os participantes da pesquisa foram classificados como expostos a alto nível de ruído quando tinham histórico de trabalho por pelo menos três meses em ambiente em que não era possível conversar com o volume normal da voz.

 

Os resultados mostraram que cerca de 20% dos participantes estavam sendo expostos a altos níveis de ruído por uma média de nove meses. A maioria desses trabalhadores eram homens com uma media de idade de 40 anos, e apresentavam mais excesso de peso e hábito de fumar do que os que trabalhavam em ambientes mais silenciosos. A exposição persistente ao ruído estava associada a um risco duas a três vezes maior de doença isquêmica do coração. Naqueles com idade inferior a 50 anos, o risco chegava a ser até quatro vezes maior. 

 

Os testes laboratoriais desse grupo exposto ao excesso de ruído não se mostraram mais alterados, como é o caso dos testes de colesterol e de inflamação no sangue. Entretanto, a pressão diastólica, também conhecida por mínima, era mais frequentemente elevada nesse grupo, caracterizando uma condição clínica conhecida por Hipertensão Diastólica Isolada, que por sua vez é reconhecida como um fator de risco independente para eventos cardiovasculares.

 

A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.

 

O presente estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores realizadas em diferentes países e indicam que o nível de ruído no trabalho é um ponto da saúde do trabalho que merece toda a atenção. 

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** CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasilia e veiculado no dia 08 de outubro 2010

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O consumo de bebidas industrializadas com adição de açúcar por adolescentes está associado a uma maior chance de hábitos de vida NÃO SAUDÁVEIS. Entretanto, quando se fala em hábitos SAUDÁVEIS, a influência depende do tipo da bebida açucarada: os sucos adocicados chamam mais os bons hábitos de vida. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria. 

 

Estima-se que 10-15% das calorias consumidas por adolescentes têm origem em bebidas com açúcar e pesquisas apontam que esse consumo pelas crianças concorre com o consumo de leite e frutas. Já sabemos também que há uma associação entre os níveis de consumo dessas bebidas e obesidade e até mesmo hipertensão arterial.

 

A atual pesquisa avaliou o padrão dietético e de atividade física de mais de 15 mil adolescentes americanos com uma média de idade de 15 anos. O peso era normal em 67% deles, 20% eram obesos e os demais apresentavam sobrepeso. A média de consumo das bebidas era de 1.6 porções por dia e 28% consumiam 3 ou mais porções diárias, maior entre os meninos e naqueles mais expostos às mídias eletrônicas. Bebidas lácteas com açúcar não foram incluídas nessas cifras. Além disso, o estudo evidenciou que os adolescentes com menor nível sócio-econômico tomavam mais refrigerante.

 

Os resultados também mostraram que o consumo de bebidas açucaradas está associado a uma série de hábitos não saudáveis, como excesso de tempo dedicado às mídias eletrônicas e a ingestão de frituras e doces. Por outro lado, hábitos saudáveis, como atividade física e o consumo de frutas, verduras e leite eram menores entre aqueles que consumiam mais refrigerantes, e MAIORES NOS QUE CONSUMIAM MAIS REFRESCOS, ISOTÔNICOS E SUCOS COM ADIÇÃO DE AÇÚCAR. Uma das melhores explicações para esses achados é que o marketing desses refrescos e sucos possa ter sido eficaz em associá-los a um estilo de vida saudável, separando-os do conceito de refrigerante / alimento artificial. 

 

Os resultados da atual pesquisa têm grande relevância para o planejamento de políticas públicas para a contenção da pandemia de obesidade.  De acordo com o último censo do Programa de Orçamentos Familiares, no Brasil, 21.5% dos adolescentes e 33.5% das crianças estão acima do peso.

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** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo na Radio CBN Brasilia sobre este assunto com o Dr. Ricardo Teixeira, veiculado no dia 01 de outubro 2010

 

 

Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros acaba de ser publicado pela revista Journal of Sleep Research, periódico oficial da Sociedade Européia de Pesquisa em Sono, apontando que o excesso de sono entre os idosos pode indicar uma má condição de saúde. Esse foi o primeiro estudo que correlacionou o padrão de sono de uma população da América do Sul com índices de mortalidade.  

 

A pesquisa acompanhou 1512 indivíduos com mais de 60 anos na cidade mineira de Bambuí, o que representou 87% de todos os moradores dessa faixa etária. A média de horas de sono foi de 7 h e 13 min e, após um acompanhamento médio de nove anos, os pesquisadores demonstraram que os idosos que dormiam mais de 9 horas por noite apresentavam maiores índices de mortalidade, independente da causa, quando comparados àqueles que dormiam sete horas. Além disso, foi demonstrada uma correlação linear entre a quantidade de sono e mortalidade, ou seja, quanto maior a noite de sono, maior a mortalidade.

 

Estudos anteriores com adultos jovens já haviam demonstrado que tanto dormir pouco como dormir demais está associado a uma maior mortalidade. Um sono muito curto pode promover disfunções metabólicas e processos inflamatórios aumentando o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Já o sono em excesso pode influenciar negativamente a saúde por uma menor exposição a desafios fisiológicos como exposição à luz e mudanças de temperatura, estímulos que são bem reconhecidos como fatores que promovem a longevidade, pelo menos em modelos animais. 

 

Entre os idosos essa questão parece ser um pouco diferente, já que há evidências de que o sono em excesso tem um impacto maior na saúde do que um sono curto. Na presente pesquisa, idosos que dormiam 6 horas por noite tinham índices de mortalidade menores que aqueles que dormiam 7-8 horas. Outros estudos conduzidos na Inglaterra, Espanha e Taiwan também mostraram que idosos que dormiam pouco não tinham maiores índices de mortalidade. Esses resultados colocam em xeque, no caso dos idosos, a velha recomendação de sete a oito horas de sono por noite.

 

A grande maioria das pessoas, incluindo os brasileiros, dorme entre 7 e 8 horas por dia. O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outras não. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília demonstrou que, entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, com uma média de 6.8 horas por noite e cerca de 90% iam para a cama após as 22:00h, contrariando a crença de que os idosos “dormem com as galinhas”. Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia e isso não deve ser visto como um sono insuficiente.

 

** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira, veiculado pela  Rádio CBN Brasília no dia 24 de setembro 2010

 

 

Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.

 

Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos. Mas não é só o sal da dieta que influencia os níveis da pressão arterial. O potássio também tem o seu papel.

  

Uma série estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial e de que uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas, legumes e verduras com fartura. Atualmente, recomenda-se o consumo diário de 4.7g de potássio e estima-se que cada aumento de 0.6g no seu consumo diário pode reduzir a pressão arterial em 1 mm Hg.

 

Nesta semana, a revista Archives of Internal Medicine, periódico da Associação Americana de Medicina, publicou uma pesquisa que analisou o consumo de potássio em 21 diferentes países da América do Norte, Europa Ásia e Oceania. O consumo diário variou desde 1.7 g/dia na China até 3.7 g/dia na Holanda, Finlândia e Polônia, e foi relativamente menor entre as mulheres. Os pesquisadores calcularam que o incremento do consumo de potássio até os níveis recomendados (4.7 g/dia) seria capaz de reduzir a pressão arterial sistólica em 1.7 a 3.2 mm Hg provocando a redução da pressão arterial sistólica a níveis ótimos (≤ 120 mm Hg) em 2-5% da população. Essas cifras são da mesma magnitude das encontradas com a restrição de sódio e não são nada modestas quando se pensa em saúde pública, já que teoricamente pode reduzir a mortalidade por derrame cerebral em 8-15% e a de doença isquêmica do coração em 6-11%.

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília veiculado no dia 17 de setembro 2010

 

 

A saúde cerebral é fortemente influenciada por vários fatores ambientais, ou seja, ela depende do quanto investimos em nossa saúde como um todo. Algumas atitudes no dia-a-dia mostrarão retorno em um curtíssimo prazo, enquanto os resultados de outras poderão ser percebidos quando alcançamos idades mais avançadas. Atividade física e sono regulares, uma dieta inteligente, manter o peso em dia, abstenção de substâncias neurotóxicas e busca/manutenção do equilíbrio psíquico podem ser consideradas as ações mais importantes. De extrema relevância também é cuidar bem de qualquer problema de saúde não neurológico, como é o caso da hipertensão arterial, pois muitas dessas condições podem ameaçar a saúde cerebral. O interessante é que essas ações costumam ocorrer em bloco, como num círculo virtuoso. Uma coisa chama a outra. Olhando por esse ângulo, a saúde cerebral é conseqüência de um envelhecimento saudável.

 

Por outro lado, as pessoas que são portadoras de algum transtorno mental ou neurológico, muitos deles com forte componente genético, essas podem ter sua saúde cerebral ainda mais prejudicada, pois a doença reduz a chance de um envelhecimento com ações que promovam a saúde. Podemos exemplificar a situação de um indivíduo com um diagnóstico de doença mental grave, que tem insônia, dificuldade para realizar atividades físicas e ainda apresenta alcoolismo e tabagismo como comorbidades. Dessa forma, a saúde cerebral pode ser vista como o ponto de partida para um envelhecimento saudável. Mas podemos analisar a questão de uma forma ainda mais ampla.

 

A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor do mundo. Estima-se que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o cérebro muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

 

Para discutir o assunto, estarei apresentando a palestra “Saúde Cerebral: Consequência ou Ponto de Partida?”, dia 20 de setembro, às 14h30, na Sala Master do BSB INLUX, evento que acontece entre os dias 19 e 21 de setembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Clique aqui e confira a programação completa.                               

 

 

A epilepsia é uma condição neurológica grave que acomete três milhões de brasileiros e a cada hora, somam-se a este número mais 11 novos casos. Infelizmente, ainda nos dias de hoje, é comum ouvirmos idéias erradas, crenças, especialmente devido ao desconhecimento e ao estigma existente. Por isso, a pessoa com epilepsia tem dificuldade para se inserir na sociedade, formar uma família e até conseguir um emprego. Para mudar esta perspectiva, várias iniciativas têm sido feitas nacionalmente. A ASPE, Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia, uma ONG- executora da Campanha Global Epilepsia fora das sombras no Brasil – com a missão de promover saúde biopsicossocial para as pessoas com epilepsia e suas famílias, tem realizado desde a sua fundação, atividades que promovem a conscientização social sobre esta condição.

Neste ano de 2010, em parceria com a UNICAMP, FCM, LabJor, CInAPCe, LBE e ZAIOM, promoverá no dia 9 de setembro, às 9:00h, um evento de atualização sobre epilepsia. Participarão desta oficina profissionais altamente qualificados, abordando temas centrais na epilepsia: lacuna de tratamento, medicações, cirurgia, epilepsia na infância, grupos de interação social e estigma. As pessoas podem interagir com os palestrantes, on-line, em forma de pergunta e resposta. Para assistir a transmissão on-line, basta acessar o portal: é www.fcm.unicamp.br/videoconferencia. Para as
pessoas que tiverem interessem em participar da oficina pessoalmente, pedimos que enviem um e-mail para paula@aspebrasil.org para efetuar a inscrição, que é gratuita e limitada.

Programa: 09:00h – Palestra online: Epilepsia sob nova perspectiva

1) Lacuna de tratamento na América Latina. Prof. Dr. Li Li Min, Professor Associado do Departamento de Neurologia da FCM/UNICAMP, Presidente Fundador da ASPE.

2) Medicamentos Genéricos no tratamento da epilepsia. Dr. Veriano Alexandre Jr, Médico da USP-Ribeirão Preto, Presidente da Liga Brasileira de Epilepsia.
 

3) Tratamento cirúrgico. Prof. Dr. Fernando Cendes, Professor Titular do Departamento de Neurologia da FCM/UNICAMP.

4) Visão do Administrador e departamento de RH sobre epilepsia. Prof. Valdenir Pontes, Administrador de Empresas e Professor da PUC-Campinas.

5) Convulsão Febril e epilepsia na infância. Profa. Dra. Marilisa M. Guerreiro, Professora Titular de Neurologia Infantil do Departamento de Neurologia da Unicamp e Chefe da Disciplina de Neurologia Infantil.

6) Grupos de Interação Social. Dra. Li Hui Ling, Vice-Presidente da ASPE.

7) Estigma na epilepsia. Dra. Paula Fernandes, Presidente da ASPE.

 

É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações, mas pouco foi estudado até o momento no que diz respeito ao tipo de paciente que é mais suscetível a essas situações. Uma pesquisa acaba de ser publicada na última edição da revista Headache, periódico da Academia Americana de Cefaléia, e veio preencher parcialmente essa lacuna no conhecimento sobre a enxaqueca, condição que acompanha cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens.   

 

Duzentos pacientes consecutivos (172 mulheres) de um serviço americano especializado em dor de cabeça, e que apresentavam o diagnóstico de enxaqueca, responderam a um questionário que avaliava fatores desencadeantes de suas crises de dor de cabeça, também chamado de gatilhos de crises, além de outras características da enxaqueca.

 

Os resultados mostraram que 91% dos pacientes reconheciam ao menos um fator que desencadeava suas crises e 82.5% deles reconheciam múltiplos fatores. Os mais citados foram o estresse emocional (59%), privação ou excesso de sono (53.5%), alguns tipos de odores (46.5%) e jejum prolongado (39%).  O clima, especialmente o calor, foi mencionado como um fator desencadeante por 19% dos voluntários e 18% identificavam algum alimento, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns foram a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.

 

Entre as mulheres que apresentavam ciclo menstrual, 62% delas relataram que a menstruação era um gatilho de crises. Aquelas que apresentavam enxaqueca associada à menstruação, 67% responderam que suas crises no período menstrual eram mais fortes e duradouras, e também mais difíceis de passar após o uso de analgésicos. Um quarto das mulheres que apresentava enxaqueca apenas no período menstrual tinha ocasionalmente crises com duração superior a três dias, condição conhecida por estado de mal enxaquecoso. A freqüência de crises, assim como o tempo que a pessoa já apresentava o diagnóstico, não foram fatores que influenciaram a sensibilidade aos diferentes estímulos.

 

Os resultados da presente pesquisa são concordantes com estudos anteriores realizados em diferentes regiões geográficas, em diferentes climas, sugerindo que os gatilhos de crises não são muito diferentes nas diferentes regiões estudadas. A pesquisa reforça ainda a importância de se identificar os gatilhos de crises e tentar evitá-los quando possível, já que isso pode vir a colaborar de forma significativa no controle das crises. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas.  

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília veiculado no dia 10 de setembro 2010

 

 

A recomendação de pelo menos 150 minutos por semana de atividade física intensa ou moderada é unânime quando o assunto é promoção de saúde. Esses 150 minutos distribuídos em cinco dias por semana dariam meia hora diária de atividade física, o que poderia ser considerado como o MÍNIMO para usufruirmos dos seus inúmeros benefícios à saúde. Além disso, já contamos com boas evidências de que, além dessa meia hora diária, deveríamos evitar ficar muito tempo parado em casa ou no trabalho.

  

O sedentarismo vai muito além da ausência de exercícios físicos regulares.  O termo sedentário tem origem em SEDERE do Latim que significa SENTAR e já existem argumentos coerentes que dariam suporte à mudança do termo “comportamento sedentário” por “comportamento de inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, síndrome metabólica, doenças do coração, câncer, e também está associado a uma menor longevidade. Tudo isso é independente da presença de exercícios moderados a vigorosos. É previsível que essas horas de inatividade muscular sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos. 

 

Um novo estudo publicado na última edição do Jornal Americano de Epidemiologia confirma que ficar muito tempo parado realmente não é um bom negócio. Quase 125 mil americanos saudáveis, com uma média de idade de 62 anos, foram acompanhados por 14 anos. No início do estudo, um questionário foi aplicado para quantificar o tempo que cada voluntário costumava ficar sentado por dia fora do horário de trabalho, como por exemplo, o tempo dedicado à TV e à leitura. Foi investigado também o tempo de dedicação a exercícios físicos recreativos (ex: caminhada, corrida) e atividades físicas do dia-a-dia, como fazer compras, jardinagem e outros trabalhos domésticos.

 

Quem praticava mais esportes não apresentava maior ou menor tendência de permanecer sentado durante o dia. Quando comparado ao grupo de pessoas que ficava sentado por menos de três horas diárias, aquelas que ultrapassavam seis horas apresentavam um aumento de 40% nos índices de mortalidade no caso das mulheres e de 20% no caso dos homens. Essa associação foi mais forte no caso de mortalidade por doenças cardiovasculares do que por câncer, e o risco foi duas vezes maior quando o indivíduo tinha pouca atividade física recreativa. Esses resultados são concordantes com três estudos prévios realizados com Australianos, Canadenses e Japoneses.

 

É bem reconhecido que o homem contemporâneo passa a maior de seu tempo acordado em estado de inatividade muscular. Mas qual o é o problema em se ficar sentado por longos períodos? Sabe-se que a inatividade muscular interfere numa série de processos metabólicos que podem alterar importantes marcadores de saúde como a pressão arterial, a glicemia, leptina e lipídios, que por sua vez estão associados a problemas como a obesidade e doenças cardiovasculares.

 

Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho a cada hora para se movimentar, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas essas são atitudes que podem ter mais influência sobre nossa saúde do que podemos imaginar. Campanhas que estimulem as pessoas a viverem menos sentadas podem ter um grande impacto na saúde pública do nosso país que já tem metade dos seus adultos com excesso de peso.

 

** CLIQUE AQUI e confira bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na CBN Brasília no dia 03 de setembro 2010

 

 

Um estudo recém-publicado pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que atividades que estimulam o cérebro, como é o caso da leitura e palavras cruzadas, podem reduzir a velocidade de perdas cognitivas associadas ao envelhecimento, mas no futuro, se o indivíduo apresentar um quadro de demência, faz com que a evolução da doença seja mais rápida.   

 

Os pesquisadores acompanharam por um período de doze anos cerca de 1100 americanos com mais de 65 anos de idade e sem o diagnóstico de demência. Os voluntários foram testados do ponto de vista cognitivo e interrogados quanto ao nível de participação em atividades mentais estimulantes como leitura, jogos e passeios dedicados a atividades culturais. Aqueles que apresentaram mais atividades estimulantes eram os que tiveram menores perdas cognitivas ao longo dos anos. Esse efeito já havia sido demonstrado anteriormente e o que a atual pesquisa trouxe de novo foi a evidência de que os indivíduos com o diagnóstico da Doença de Alzheimer tiveram uma evolução mais rápida da doença quando tinham um histórico de muita atividade estimulante antes do diagnóstico.

 

Os resultados sugerem que um idoso que estimula bastante o cérebro, mesmo que já apresente lesões cerebrais silenciosas associadas a doenças que levam à demência, conseguirá manter seu desempenho cerebral normal por mais tempo que aquele com pouca estimulação. Neste caso, o estado de equilíbrio cerebral tem o seu limite. Quando um cérebro bem estimulado começar a apresentar sintomas de uma síndrome demencial, o contingente de alterações cerebrais já é maior do que nos cérebros pouco estimulados, e por isso, a evolução da doença tenderá a ser mais rápida. Isso nos faz pensar na estimulação cerebral como uma estratégia que não evita o aparecimento de uma síndrome demencial como a Doença de Alzheimer, mas uma forma de se viver mais tempo com o cérebro funcionando bem, sem sintomas da doença.  

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira e o jornalista Estevão Damasio veiculado na Rádio CBN Brasília no dia 27 agosto 2010

 

 

 

Uma lei que exige que crianças com idades entre 4 e 6 anos se acomodem no carro em um assento de elevação no banco traseiro é capaz de reduzir o número de lesões em caso de acidentes. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na última edição da revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.

 

O estado de Nova Iorque implantou essa lei no ano de 2005 e recomenda o uso dos assentos para crianças maiores de 4 anos ou com peso acima de 18 Kg, quando a criança já não cabe nas cadeirinhas, mas ainda são muito pequenas (<1.44m) para se posicionarem de forma apropriada no cinto de segurança.  Depois que a lei entrou em vigor, houve um aumento de 72% no uso dos assentos de elevação e uma redução de 18% dos casos de crianças de 4 a 6 anos com ferimentos por acidentes de carro. Nesse mesmo período, não houve redução dos casos de ferimento em crianças menores de 3 anos, faixa etária que não é influenciada pela lei.

 

Os resultados mostram que esse tipo de lei funciona, pelo menos entre os americanos, e devem ajudar os pais a se convencerem que esses assentos realmente protegem as crianças.

 

E o que fazer com as crianças menores de 4 anos?

 

A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade.

 

A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, faz com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.

 

E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro.  A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.

 

A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo.  É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização

 

Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008,  foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado a partir de 1º de setembro de 2010.  Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente.   Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás.

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto no CBN Saúde veiculado no dia 20 de agosto 2010

 

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