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Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Archives of General Psychiatry sugere que os atuais critérios para o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) entre adultos devem ser modificados para a próxima edição (DSM V), com a incorporação de mais sintomas que reflitam dificuldades nas funções executivas.
Após entrevista de cerca de 350 adultos, os resultados apontaram que 45.7% dos adultos que apresentaram o diagnóstico de TDAH na infância persistiram com o transtorno na idade adulta, sendo que o déficit de atenção foi bem mais persistente do que a hiperatividade: 95% e 34.6% respectivamente. Apesar da maior persistência do déficit de atenção, esse é um sintoma frequentemente associado a outros transtornos psiquiátricos e teoricamente não deveria ser considerado um forte critério que discrimina o diagnóstico de TDAH desses outros problemas.
O resultado mais importante da presente pesquisa foi a demonstração de que sintomas que refletem problemas de funções executivas, como é o caso de planejamento e capacidade de resolução de problemas, são os mais específicos e que melhor auxiliam no diagnóstico do TDAH em adultos. Três dos atuais critérios (DSM IV) dizem respeito à dificuldade de funcionamento executivo (dificuldade em organizar as tarefas, comete erros por descuido, perde muito as coisas). Entretanto, a presente pesquisa mostrou que outros sintomas de disfunção executiva, ainda não incluídos nos atuais critérios, têm grande potencial de incrementar a nova classificação. Entre eles podemos destacar: dificuldade de planejamento e de definir prioridades.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido bastante explorado entre as crianças e só recentemente passou também a ser melhor entendido nos adultos. Estima-se que cerca de 60% das crianças com diagnóstico de TDAH continuam a apresentar os sintomas (desatenção, inquietude, impulsividade) durante a adolescência e idade adulta. Entretanto, o diagnóstico de TDAH nos adultos ainda é um tema controverso, especialmente no que diz respeito aos seus critérios diagnósticos.
Pesquisas demonstram que 3.5% dos adultos inseridos no mercado de trabalho podem ser classificados como portadores de TDAH. Esses indivíduos apresentam mais absenteísmo e menos desempenho no trabalho quando comparados a indivíduos sem TDAH. Apesar de apenas uma minoria receber tratamento específico, uma grande proporção é tratada por outros transtornos mentais, considerados como comorbidades: problemas que são mais comuns entre os que têm diagnóstico de TDAH, como é o caso de ansiedade, depressão e abuso e dependência de substâncias psicoativas.
Dr. Ricardo Teixeira, titular do Consciência no Dia-a-Dia, foi um dos poucos brasileiros a serem incluídos na tradicional e respeitada publicação Who´s Who in the World em sua edição 2011.
A publicação integra os perfis profissionais de pessoas que se destacaram nas suas áreas, em mais de 215 países. Uma em cada 100 mil pessoas no mundo é selecionada para o Who´s Who in the World.
Um brinde!
Sucos de uva contêm grandes quantidades de substâncias conhecidas por polifenóis e flavonóides, especialmente quando feitos das uvas do tipo Concord, que são ricas em proantocianidina e antocianina, e do tipo Niágara, ricas em proantocianidina. O resveratrol é um polifenol que tem sido muito comentado nos últimos anos como um dos componentes do vinho tinto que responde pelos seus efeitos benéficos à saúde. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria-RS demostraram que os sucos de uva produzidos no Brasil também são ricos em resveratrol (Sautter et al., Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 2005)
Essas substâncias têm propriedades antioxidantes e antiinflamatórias que têm o potencial de melhorar a sinalização entre os neurônios e reduzir alterações cerebrais associadas a doenças neurodegenerativas, como é o caso da Doença de Alzheimer, e podem ter importante papel na redução do risco dessas doenças. Potencial benefício é uma coisa. Mas quais são as evidências de que faz alguma diferença?
Em roedores já em idades avançadas, suco de uva por 6 a 8 semanas promoveu melhora do desempenho cognitivo (Shukitt-Hale et al., Nutrition 2006). Em humanos com doenças cardiovasculares, suco de uva melhora os índices de colesterol e a função dos vasos sanguíneos (endotélio) e ainda reduz a tendência de agregação das plaquetas. Entre idosos com dificuldades no processamento de memória e sem demência, suco de uva do tipo Concord por 12 semanas melhorou o desempenho da memória (Krikorian et al., British Journal of Nutrition 2010). Entretanto esse estudo foi realizado com um número reduzido de idosos e pesquisas mais robustas são necessárias para uma melhor definição sobre os efeitos do consumo de suco de uva sobre as funções cognitivas.
O consumo diário de frutas e verduras é um consenso quando se pensa em prevenção da Doença de Alzheimer e algumas frutas podem ser mais eficientes que outras. A uva é um forte candidato ao lado de outras frutas com cores fortes como é o caso do morango, amora, framboesa, acerola, açaí e mirtilo, este último pouco conhecido no Brasil e chamado de Blueberry no hemisfério norte.
Resfriados são menos comuns e menos fortes em quem faz atividade física regular. Essa é a conclusão de uma pesquisa divulgada nesta semana pelo British Journal of Sports Medicine.
Cerca de mil americanos adultos com até 85 anos foram estudados por 12 semanas durante o outono e inverno do ano de 2008. Quatro de cada dez voluntários tinham menos de 40 anos e um em cada quatro tinha mais de 60 anos. Sessenta por cento deles eram mulheres.
Todos os participantes do estudo foram avaliados quanto ao nível de atividade física aeróbica e foram submetidos a uma auto-avaliação de preparo físico por uma escala de dez pontos já bem validada. Responderam também a questionários que avaliavam sintomas de resfriado, hábitos de vida e ocorrência de eventos recentes que tenham provocado estresse psicológico, já que esses podem afetar a resposta do sistema imunológico.
Os resultados mostraram que o número de dias com sintomas de resfriado foi maior no inverno: uma média de 13 dias no inverno e 8 dias no outono. O número de dias com sintomas de resfriado foi cerca de DUAS VEZES MENOR entre aqueles que se sentiam em boa forma física e relatavam fazer atividade física pelo menos cinco vezes na semana quando comparados àqueles que se exercitavam apenas uma vez por semana ou até menos que isso. A severidade dos sintomas era 41% menor entre aqueles que se sentiam em forma e 31% menor naqueles que se exercitavam mais.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrado associação entre atividade física moderada e menor risco de resfriados. Porém, nenhuma delas usou uma ferramenta bem validada que tenha medido de forma objetiva os sintomas, como foi o caso do presente estudo.
O efeito protetor da atividade física contra infecções se dá pelo aumento temporário de anticorpos e células de defesa do corpo e, apesar do sistema imunológico retornar ao nível basal após poucas horas, cada um desses incrementos é capaz de melhorar a defesa contra microorganismos agressores. Por outro lado, sabe-se que a atividade física exagerada pode levar a uma disfunção do sistema imunológico, inflamação e estresse oxidativo, aumentando o risco de infecções. Pesquisas também apontam que atletas profissionais podem ter o sistema imunológico menos vulnerável a essas atividades extenuantes.
Diferente da gripe que é causada por um único tipo de vírus, o Influenza, os resfriados são causados por mais de 200 diferente vírus, o que faz com que uma vacina anti-resfriado seja uma realidade muito distante. Entretanto, as pesquisas têm demonstrado que o exercício físico regular tem muito a ajudar na prevenção do problema. Pouco estresse no dia a dia, sono regular e dieta equilibrada também têm o seu papel.
Por Miguel Nicolelis*, especial para o Viomundo
Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.
Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista. Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.
Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.
Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente. De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.
Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana. Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.
Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano. Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.
Para quem, como eu, vive há 22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos. Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam. O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.
Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos. Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.
Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo. Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.
Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional. Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.
Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista. Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.
Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais. Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.
George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática. Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.
Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.
Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem). No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa. Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.
Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação. Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel. Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadeira enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma .
Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano. Nós merecemos algo muito melhor. Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas, conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.
Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.
Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.
Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos pro mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical. Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!
Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel. Parece inofensivo. Motivo de pilhéria. Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda. Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações aqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.
Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho. Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa, em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.
Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:
Candidato, será que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula. Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!
* Miguel Nicolelis é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. É professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN). Em 2008, foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina.
É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo / Procurando antenar boas vibrações / Procurando antenar boa diversão.
Chico Science
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Cefaléia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão comum pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca, assim como causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.
A Sociedade Internacional de Cefaléia classifica a cefaléia em mais de 150 tipos e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. O tipo de cefaléia chamada atualmente de cefaléia do tipo tensional já teve diferentes nomes como cefaléia por contração muscular, cefaléia do estresse e cefaléia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.
É difícil dizer o quanto a cefaléia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos, mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10 até 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaléia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%), quando comparado às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.
As crianças costumam apresentar crises de cefaléia do tipo tensional já por volta dos sete anos, com crises que costumam durar cerca de duas horas e usam medicações para dor em média uma vez por mês. Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia (Robberstad et al., Neurology 2010) confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaléia do tipo tensional. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas. Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de mini-executivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina mito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, pressão que muitas vezes já começa anos antes do início das provas.
UMA EM CADA SEIS PESSOAS NO MUNDO TERÁ UM AVC EM SUA VIDA E A CADA SEIS SEGUNDOS MORRE UMA PESSOA COM A DOENÇA.
O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por AVC ou derrame, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.
No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença.
O AVC é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O AVC é uma catástrofe que tem tratamento e também pode ser prevenida.
Quando uma pessoa tem uma forte dor no peito e suspeita que possa estar tendo um infarto do coração, ela não pensa duas vezes e corre para o hospital mais próximo. Essa atitude salva muitas vidas, pois quanto mais precocemente o tratamento para o infarto for iniciado, maior a chance de sucesso.
No caso do AVC, a rapidez no tratamento também salva vidas e reduz a chance de seqüelas. Infelizmente os sintomas de AVC são mais variados do que o do infarto do coração e bem menos conhecidos pelo público leigo, e isto dificulta a rápida procura por assistência médica.
Como identificar um AVC?
Suspeitar toda vez que ocorrer algum destes sintomas de forma REPENTINA:
- Fraqueza de um lado do corpo
- Dormência de um lado do corpo
- Dificuldade visual
- Dificuldade para falar
- Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
- Incapacidade de se manter em pé
** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. R icardo Teixeira na Rádio CBN veiculado no dia 29 outubro de 2010.
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Uma pesquisa publicada na edição de setembro do periódico Journal of Sleep Research aponta que sono e trabalho influenciam um ao outro num círculo vicioso: o excesso de trabalho está associado a privação de sono e que por sua vez reduz a produtividade.
Os pesquisadores entrevistaram mil americanos que trabalhavam pelo menos 30 horas semanais sobre as suas condições de trabalho e produtividade, assim como a qualidade do sono. Os resultados mostraram que longas jornadas de trabalho estavam associadas a um sono mais curto que vinha acompanhado de um trabalho de pior qualidade, que incluía menos concentração e organização, e falta de paciência com os colegas. Foi demonstrado também que 37% por cento dos voluntários foram classificados como pessoas de risco para ter algum transtorno do sono e apresentavam piores indicadores no trabalho. Cerca de 30% relataram extrema sonolência no trabalho e 20% assumiram que esse era um fator que afetava sobremaneira a produtividade. Presenteísmo é o termo que melhor define essa condição: o indivíduo vai ao trabalho, mas não rende.
O presente estudo confirma resultados anteriores que já mostravam que quanto mais horas o indivíduo se dedica ao trabalho, menos tempo ele dorme. E esse tempo trabalhando tem crescido lado a lado ao avanço tecnológico, que permite cada vez mais que o trabalho seja complementado em casa. Por fim, o estudo encorpa ainda mais as evidências de que a saúde de uma empresa e de seus colaboradores podem se beneficiar sobremaneira com uma maior consciência sobre os efeitos deletérios de um excesso de horas de trabalho e a necessidade de um sono de qualidade.
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As opiniões sobre as mudanças na rotina com o início do horário de verão são bem divididas: muitos gostam enquanto outros optariam pela manutenção do horário antigo. E qual é a opinião do nosso corpo? Essa mudança faz diferença para nossa saúde? Um estudo sueco publicado em 2008 pelo respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão está associada a um maior risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006.
A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação, aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas.
Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.
Pode ser que no futuro as autoridades passem a implantar o horário de verão com uma maior flexibilização de horário na primeira semana. Na hora de fazer as contas do custo-benefício da mudança, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.
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Um dos grandes marcos da medicina desse início de século foi o estudo Women’s Health Initiative (WHI) que teve de ser interrompido no ano de 2002, quando se demonstrou que a terapia de reposição hormonal (TRH) tinha mais potencial de provocar danos à saúde às mulheres na menopausa do que um comprimido placebo. Desde então, as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíram drasticamente, e já são muitas as evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
Nesta semana, o JAMA, periódico oficial da Associação Médica Americana, publicou mais um desdobramento do estudo WHI. Desta vez, após 11 anos de seguimento de mais de 16 mil mulheres, os pesquisadores confirmaram que a frequência de câncer de mama realmente é maior com o uso da TRH e que a doença é mais agressiva quando associada a esse tipo de tratamento: diagnóstico em estágios mais avançados da doença, lesões maiores e maiores índices de mortalidade.
Novos estudos deverão testar a segurança da TRH por períodos mais curtos e com doses mais baixas, e já existem alguns resultados otimistas nesse sentido: a TRH por via transdérmica, ou seja, por adesivos na pele, parece não aumentar o risco de derrame cerebral. Com o corpo de conhecimento que temos até o momento, é fundamental que o médico discuta muito bem o custo-benefício da TRH para que a mulher tome a decisão da forma mais consciente possível.
Obs: Já foi demonstrado que as vendas de medicações para TRH caíram fortemente já no primeiro ano após os primeiros resultados do estudo WHI. É de se esperar que futuras pesquisas evidenciem uma diminuição da mortalidade por câncer de mama nos últimos anos, e a redução da indicação de TRH pode ter sua parcela de contribuição.
RECOMENDAÇÕES ATUAIS PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)
1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;
2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;
3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;
4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;
5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.
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Prêmio TOPBLOG 2010
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A obesidade é reconhecida como um importante fator de risco de doenças muito sérias como o diabetes, infarto do coração, derrame cerebral e vários tipos de câncer. Atividade física e restrição calórica são as principais atitudes para se combater o problema, mas a ciência tem mostrado que uma boa noite de sono também pode fazer muita diferença. Uma pesquisa publicada em edição de outubro do periódico Annals of Internal Medicine demonstrou que indivíduos com sobrepeso e submetidos a restrição calórica, ao dormirem pouco, perdem peso mais por redução de massa magra (músculos) do que de gordura.
Dez voluntários com índice de massa corporal de 25 a 32 kg/m2 participaram de um programa que incluía uma dieta de restrição calórica estritamente controlada e experimentavam dois ciclos de duas semanas cada um em que dormiam 5.5 horas por noite ou 8.5 horas. A média de perda de peso não foi diferente quando dormiam pouco ou muito (3 kg e 2.9 kg). Entretanto, quando dormiam 5.5 h, perdiam mais massa magra e menos gordura, o inverso do recomendável num programa de restrição calórica e, além disso, sentiam mais fome. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.
Vários hormônios foram monitorizados durante o estudo, e um deles, a grelina, mostrou-se em concentrações aumentadas no ciclo do experimento de 5.5 h de sono. Esse aumento de grelina é coerente com os resultados encontrados, já que o hormônio está associado ao aumento de fome e preservação de gordura no corpo. O hormônio leptina, que tem efeito contrário, não se mostrou diferente nos diferentes ciclos de sono. Entretanto, algumas pesquisas anteriores já haviam demonstrado que, quando há restrição calórica, a privação de sono está associada a uma menor concentração de leptina no sangue.
A conclusão do estudo é que indivíduos submetidos a uma dieta de restrição calórica devem ser encorajados a dormir um número de horas adequado para perder gordura e preservar a massa magra do corpo. E o que significa número adequado de horas de sono? Para a grande maioria da população adulta isso corresponde a sete a oito horas. Vale lembrar que quanto mais tempo se fica acordado, maior a chance de consumir calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.
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O objetivo do evento, organizado pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas, é congregar profissionais de várias áreas envolvidas com as neurociências, fortalecendo a abordagem interdisciplinar.Neurogenética, esquizofrenia, acidente vascular cerebral, neuroimagem e comportamento, gênese da obesidade, plasticidade e memória, demências e doenças neurológicas serão alguns dos assuntos em debate.“Aspectos neuromusculares das doenças causadas por expansão de tripletos”, “As dimensões sintomatológicas da esquizofrenia”, “Neuroplasticidade e memória: do comportamento às moléculas”, “Imagem funcional e estrutural cerebral no estudo do comportamento social humano” serão temas de palestras.A jornada será realizada no auditório da FCM.
Participarei do evento no dia 24 com a palestra “O que há de novo no tratamento das doenças neurológicas”.
Mais informações: www.lepedic.com.br/eventos/neurociencias2010
Hoje em dia, uma boa parte do tempo que se gasta em frente a um médico é para monitorização de índices como o colesterol e a glicose no sangue. O aminoácido homocisteína é mais um desses índices vigiados pela medicina moderna.
Altos níveis no sangue de homocisteína têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade desse aminoácido no sangue. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine (Associação Médica Americana) demonstra que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.
Os pesquisadores avaliaram os resultados de oito grandes estudos sobre o tema que envolveram mais de 37 mil indivíduos com homocisteína elevada, metade deles tendo feito uso de ácido fólico na dose de 0.4 a 40 mg e a outra metade tendo utilizado placebo. Aqueles que usaram ácido fólico tiveram uma redução de 25% nas concentrações de homocisteína. Após um acompanhamento médio de cinco anos, a suplementação de ácido fólico não reduziu os números de mortalidade e de novos casos de infarto do coração, derrame cerebral e câncer. Por outro lado, o uso de ácido fólico também não aumentou o risco de doenças ou mortalidade, o que reforça a segurança de sua suplementação a mulheres férteis com o objetivo de evitar malformações congênitas.
Esse estudo chama a atenção para duas questões muito importantes. A primeira é que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Um outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Recentemente, uma série de estudos identificou que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.
A segunda questão é que os suplementos vitamínicos e minerais costumam ser vistos pela sociedade como produtos inofensivos: se não faz bem, mal é que não vai fazer. Infelizmente, isso não é verdade. Os suplementos, quando mal indicados, podem sim fazer mal à saúde. Recentemente, discutimos o maior risco de infarto do coração associado à suplementação de cálcio.
Nos EUA, estima-se que 50% dos adultos usam algum tipo de suplemento alimentar, e no Brasil, essas cifras são menores, mas nada desprezíveis. Ironicamente, as pessoas que mais fazem uso desses suplementos são aquelas que têm estilo de vida mais saudável. São as que praticam mais atividade física, estão mais em dia com a balança, fumam menos e têm maior nível educacional. E quem é que realmente precisa de suplementos? A resolução 1938-2010 do Conselho Federal de Medicina que regulamente a prática da medicina ortomolecular facilita bem esta resposta: “É vedado o uso de quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados“. É isto que a medicina baseada em evidências tem a nos dizer na atual fase do conhecimento.
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A última edição do periódico Pediatrics publicou os resultados de uma experiência da multinacional IBM que oferecia 150 dólares a funcionários da empresa com filhos para que participassem de um programa de apoio a hábitos de vida saudáveis, que envolve não só o empregado, mas toda a sua família. O programa foi aplicado em mais de onze mil funcionários, durava 12 semanas e eram incentivados três principais comportamentos que influenciam o controle de peso: alimentação equilibrada, atividade física e limite de tempo dedicado em frente às mídias eletrônicas.
Os resultados foram bem positivos: atividade física em família pelo menos três vezes por semana aumentou em 17%, de 23.2 para 40.3% dos voluntários; jantares saudáveis em família pelo menos cinco vezes por semana aumentaram em 11.8%, de 74.9% para 86.7%; limite de uma hora diária de exposição às mídias eletrônicas aumentou 8.3% entre as crianças (de 24 para 30.7%) e 6.1% nos adultos (de 18.1 para 24.2%). De acordo com cálculos da IBM, o custo com a saúde de uma criança obesa é duas vezes maior que a de uma não obesa. No caso de crianças obesas com diabetes, o custo é 6.5 vezes maior.
Uma outra experiência de sucesso nesse sentido foi a da General Eletric (GE). A GE recentemente implantou um programa de recompensa de 750 dólares caso um empregado da empresa conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Após 9-12 meses, a chance de parar de fumar foi três vezes maior quando comparada à de um grupo de tabagistas que não receberam recompensa. A GE calcula que a empresa economiza 3700 dólares por ano quando um empregado para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora.
Esses resultados chamam a atenção para o importante papel dos empregadores na promoção de saúde de seus funcionários e no quanto isso pode repercutir na saúde financeira de uma empresa. Bom para a empresa e melhor ainda para seus funcionários.
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O risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Occupational and Environmental Medicine.
Mais de 6000 trabalhadores americanos com mais de 20 anos de idade foram estudados através de uma entrevista que abordava hábitos de vida e saúde ocupacional, exame clínico e testes laboratoriais. Os participantes da pesquisa foram classificados como expostos a alto nível de ruído quando tinham histórico de trabalho por pelo menos três meses em ambiente em que não era possível conversar com o volume normal da voz.
Os resultados mostraram que cerca de 20% dos participantes estavam sendo expostos a altos níveis de ruído por uma média de nove meses. A maioria desses trabalhadores eram homens com uma media de idade de 40 anos, e apresentavam mais excesso de peso e hábito de fumar do que os que trabalhavam em ambientes mais silenciosos. A exposição persistente ao ruído estava associada a um risco duas a três vezes maior de doença isquêmica do coração. Naqueles com idade inferior a 50 anos, o risco chegava a ser até quatro vezes maior.
Os testes laboratoriais desse grupo exposto ao excesso de ruído não se mostraram mais alterados, como é o caso dos testes de colesterol e de inflamação no sangue. Entretanto, a pressão diastólica, também conhecida por mínima, era mais frequentemente elevada nesse grupo, caracterizando uma condição clínica conhecida por Hipertensão Diastólica Isolada, que por sua vez é reconhecida como um fator de risco independente para eventos cardiovasculares.
A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.
O presente estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores realizadas em diferentes países e indicam que o nível de ruído no trabalho é um ponto da saúde do trabalho que merece toda a atenção.
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O consumo de bebidas industrializadas com adição de açúcar por adolescentes está associado a uma maior chance de hábitos de vida NÃO SAUDÁVEIS. Entretanto, quando se fala em hábitos SAUDÁVEIS, a influência depende do tipo da bebida açucarada: os sucos adocicados chamam mais os bons hábitos de vida. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria.
Estima-se que 10-15% das calorias consumidas por adolescentes têm origem em bebidas com açúcar e pesquisas apontam que esse consumo pelas crianças concorre com o consumo de leite e frutas. Já sabemos também que há uma associação entre os níveis de consumo dessas bebidas e obesidade e até mesmo hipertensão arterial.
A atual pesquisa avaliou o padrão dietético e de atividade física de mais de 15 mil adolescentes americanos com uma média de idade de 15 anos. O peso era normal em 67% deles, 20% eram obesos e os demais apresentavam sobrepeso. A média de consumo das bebidas era de 1.6 porções por dia e 28% consumiam 3 ou mais porções diárias, maior entre os meninos e naqueles mais expostos às mídias eletrônicas. Bebidas lácteas com açúcar não foram incluídas nessas cifras. Além disso, o estudo evidenciou que os adolescentes com menor nível sócio-econômico tomavam mais refrigerante.
Os resultados também mostraram que o consumo de bebidas açucaradas está associado a uma série de hábitos não saudáveis, como excesso de tempo dedicado às mídias eletrônicas e a ingestão de frituras e doces. Por outro lado, hábitos saudáveis, como atividade física e o consumo de frutas, verduras e leite eram menores entre aqueles que consumiam mais refrigerantes, e MAIORES NOS QUE CONSUMIAM MAIS REFRESCOS, ISOTÔNICOS E SUCOS COM ADIÇÃO DE AÇÚCAR. Uma das melhores explicações para esses achados é que o marketing desses refrescos e sucos possa ter sido eficaz em associá-los a um estilo de vida saudável, separando-os do conceito de refrigerante / alimento artificial.
Os resultados da atual pesquisa têm grande relevância para o planejamento de políticas públicas para a contenção da pandemia de obesidade. De acordo com o último censo do Programa de Orçamentos Familiares, no Brasil, 21.5% dos adolescentes e 33.5% das crianças estão acima do peso.
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Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros acaba de ser publicado pela revista Journal of Sleep Research, periódico oficial da Sociedade Européia de Pesquisa em Sono, apontando que o excesso de sono entre os idosos pode indicar uma má condição de saúde. Esse foi o primeiro estudo que correlacionou o padrão de sono de uma população da América do Sul com índices de mortalidade.
A pesquisa acompanhou 1512 indivíduos com mais de 60 anos na cidade mineira de Bambuí, o que representou 87% de todos os moradores dessa faixa etária. A média de horas de sono foi de 7 h e 13 min e, após um acompanhamento médio de nove anos, os pesquisadores demonstraram que os idosos que dormiam mais de 9 horas por noite apresentavam maiores índices de mortalidade, independente da causa, quando comparados àqueles que dormiam sete horas. Além disso, foi demonstrada uma correlação linear entre a quantidade de sono e mortalidade, ou seja, quanto maior a noite de sono, maior a mortalidade.
Estudos anteriores com adultos jovens já haviam demonstrado que tanto dormir pouco como dormir demais está associado a uma maior mortalidade. Um sono muito curto pode promover disfunções metabólicas e processos inflamatórios aumentando o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Já o sono em excesso pode influenciar negativamente a saúde por uma menor exposição a desafios fisiológicos como exposição à luz e mudanças de temperatura, estímulos que são bem reconhecidos como fatores que promovem a longevidade, pelo menos em modelos animais.
Entre os idosos essa questão parece ser um pouco diferente, já que há evidências de que o sono em excesso tem um impacto maior na saúde do que um sono curto. Na presente pesquisa, idosos que dormiam 6 horas por noite tinham índices de mortalidade menores que aqueles que dormiam 7-8 horas. Outros estudos conduzidos na Inglaterra, Espanha e Taiwan também mostraram que idosos que dormiam pouco não tinham maiores índices de mortalidade. Esses resultados colocam em xeque, no caso dos idosos, a velha recomendação de sete a oito horas de sono por noite.
A grande maioria das pessoas, incluindo os brasileiros, dorme entre 7 e 8 horas por dia. O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outras não. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília demonstrou que, entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, com uma média de 6.8 horas por noite e cerca de 90% iam para a cama após as 22:00h, contrariando a crença de que os idosos “dormem com as galinhas”. Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia e isso não deve ser visto como um sono insuficiente.
Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos. Mas não é só o sal da dieta que influencia os níveis da pressão arterial. O potássio também tem o seu papel.
Uma série estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial e de que uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas, legumes e verduras com fartura. Atualmente, recomenda-se o consumo diário de 4.7g de potássio e estima-se que cada aumento de 0.6g no seu consumo diário pode reduzir a pressão arterial em 1 mm Hg.
Nesta semana, a revista Archives of Internal Medicine, periódico da Associação Americana de Medicina, publicou uma pesquisa que analisou o consumo de potássio em 21 diferentes países da América do Norte, Europa Ásia e Oceania. O consumo diário variou desde 1.7 g/dia na China até 3.7 g/dia na Holanda, Finlândia e Polônia, e foi relativamente menor entre as mulheres. Os pesquisadores calcularam que o incremento do consumo de potássio até os níveis recomendados (4.7 g/dia) seria capaz de reduzir a pressão arterial sistólica em 1.7 a 3.2 mm Hg provocando a redução da pressão arterial sistólica a níveis ótimos (≤ 120 mm Hg) em 2-5% da população. Essas cifras são da mesma magnitude das encontradas com a restrição de sódio e não são nada modestas quando se pensa em saúde pública, já que teoricamente pode reduzir a mortalidade por derrame cerebral em 8-15% e a de doença isquêmica do coração em 6-11%.

A saúde cerebral é fortemente influenciada por vários fatores ambientais, ou seja, ela depende do quanto investimos em nossa saúde como um todo. Algumas atitudes no dia-a-dia mostrarão retorno em um curtíssimo prazo, enquanto os resultados de outras poderão ser percebidos quando alcançamos idades mais avançadas. Atividade física e sono regulares, uma dieta inteligente, manter o peso em dia, abstenção de substâncias neurotóxicas e busca/manutenção do equilíbrio psíquico podem ser consideradas as ações mais importantes. De extrema relevância também é cuidar bem de qualquer problema de saúde não neurológico, como é o caso da hipertensão arterial, pois muitas dessas condições podem ameaçar a saúde cerebral. O interessante é que essas ações costumam ocorrer em bloco, como num círculo virtuoso. Uma coisa chama a outra. Olhando por esse ângulo, a saúde cerebral é conseqüência de um envelhecimento saudável.
Por outro lado, as pessoas que são portadoras de algum transtorno mental ou neurológico, muitos deles com forte componente genético, essas podem ter sua saúde cerebral ainda mais prejudicada, pois a doença reduz a chance de um envelhecimento com ações que promovam a saúde. Podemos exemplificar a situação de um indivíduo com um diagnóstico de doença mental grave, que tem insônia, dificuldade para realizar atividades físicas e ainda apresenta alcoolismo e tabagismo como comorbidades. Dessa forma, a saúde cerebral pode ser vista como o ponto de partida para um envelhecimento saudável. Mas podemos analisar a questão de uma forma ainda mais ampla.
A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor do mundo. Estima-se que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o cérebro muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.
Para discutir o assunto, estarei apresentando a palestra “Saúde Cerebral: Consequência ou Ponto de Partida?”, dia 20 de setembro, às 14h30, na Sala Master do BSB INLUX, evento que acontece entre os dias 19 e 21 de setembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
Clique aqui e confira a programação completa. 






















