É muito comum as pessoas que apresentam enxaqueca relatarem que costumam ter crises de dor de cabeça quando expostas a determinadas situações, mas pouco foi estudado até o momento no que diz respeito ao tipo de paciente que é mais suscetível a essas situações. Uma pesquisa acaba de ser publicada na última edição da revista Headache, periódico da Academia Americana de Cefaléia, e veio preencher parcialmente essa lacuna no conhecimento sobre a enxaqueca, condição que acompanha cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens.   

 

Duzentos pacientes consecutivos (172 mulheres) de um serviço americano especializado em dor de cabeça, e que apresentavam o diagnóstico de enxaqueca, responderam a um questionário que avaliava fatores desencadeantes de suas crises de dor de cabeça, também chamado de gatilhos de crises, além de outras características da enxaqueca.

 

Os resultados mostraram que 91% dos pacientes reconheciam ao menos um fator que desencadeava suas crises e 82.5% deles reconheciam múltiplos fatores. Os mais citados foram o estresse emocional (59%), privação ou excesso de sono (53.5%), alguns tipos de odores (46.5%) e jejum prolongado (39%).  O clima, especialmente o calor, foi mencionado como um fator desencadeante por 19% dos voluntários e 18% identificavam algum alimento, sendo o chocolate, queijos e salsicha os mais lembrados. Outros gatilhos menos comuns foram a exposição à luz e ruídos fortes e o consumo de cafeína.

 

Entre as mulheres que apresentavam ciclo menstrual, 62% delas relataram que a menstruação era um gatilho de crises. Aquelas que apresentavam enxaqueca associada à menstruação, 67% responderam que suas crises no período menstrual eram mais fortes e duradouras, e também mais difíceis de passar após o uso de analgésicos. Um quarto das mulheres que apresentava enxaqueca apenas no período menstrual tinha ocasionalmente crises com duração superior a três dias, condição conhecida por estado de mal enxaquecoso. A freqüência de crises, assim como o tempo que a pessoa já apresentava o diagnóstico, não foram fatores que influenciaram a sensibilidade aos diferentes estímulos.

 

Os resultados da presente pesquisa são concordantes com estudos anteriores realizados em diferentes regiões geográficas, em diferentes climas, sugerindo que os gatilhos de crises não são muito diferentes nas diferentes regiões estudadas. A pesquisa reforça ainda a importância de se identificar os gatilhos de crises e tentar evitá-los quando possível, já que isso pode vir a colaborar de forma significativa no controle das crises. Vale ressaltar que não existe uma lista rígida de situações que devem ser evitadas, pois cada pessoa responde de forma diferente a cada uma delas.  

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília veiculado no dia 10 de setembro 2010

 

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