Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.

 

Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos. Mas não é só o sal da dieta que influencia os níveis da pressão arterial. O potássio também tem o seu papel.

  

Uma série estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial e de que uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas, legumes e verduras com fartura. Atualmente, recomenda-se o consumo diário de 4.7g de potássio e estima-se que cada aumento de 0.6g no seu consumo diário pode reduzir a pressão arterial em 1 mm Hg.

 

Nesta semana, a revista Archives of Internal Medicine, periódico da Associação Americana de Medicina, publicou uma pesquisa que analisou o consumo de potássio em 21 diferentes países da América do Norte, Europa Ásia e Oceania. O consumo diário variou desde 1.7 g/dia na China até 3.7 g/dia na Holanda, Finlândia e Polônia, e foi relativamente menor entre as mulheres. Os pesquisadores calcularam que o incremento do consumo de potássio até os níveis recomendados (4.7 g/dia) seria capaz de reduzir a pressão arterial sistólica em 1.7 a 3.2 mm Hg provocando a redução da pressão arterial sistólica a níveis ótimos (≤ 120 mm Hg) em 2-5% da população. Essas cifras são da mesma magnitude das encontradas com a restrição de sódio e não são nada modestas quando se pensa em saúde pública, já que teoricamente pode reduzir a mortalidade por derrame cerebral em 8-15% e a de doença isquêmica do coração em 6-11%.

 

CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira na Rádio CBN Brasília veiculado no dia 17 de setembro 2010

 

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