O consumo de bebidas industrializadas com adição de açúcar por adolescentes está associado a uma maior chance de hábitos de vida NÃO SAUDÁVEIS. Entretanto, quando se fala em hábitos SAUDÁVEIS, a influência depende do tipo da bebida açucarada: os sucos adocicados chamam mais os bons hábitos de vida. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria. 

 

Estima-se que 10-15% das calorias consumidas por adolescentes têm origem em bebidas com açúcar e pesquisas apontam que esse consumo pelas crianças concorre com o consumo de leite e frutas. Já sabemos também que há uma associação entre os níveis de consumo dessas bebidas e obesidade e até mesmo hipertensão arterial.

 

A atual pesquisa avaliou o padrão dietético e de atividade física de mais de 15 mil adolescentes americanos com uma média de idade de 15 anos. O peso era normal em 67% deles, 20% eram obesos e os demais apresentavam sobrepeso. A média de consumo das bebidas era de 1.6 porções por dia e 28% consumiam 3 ou mais porções diárias, maior entre os meninos e naqueles mais expostos às mídias eletrônicas. Bebidas lácteas com açúcar não foram incluídas nessas cifras. Além disso, o estudo evidenciou que os adolescentes com menor nível sócio-econômico tomavam mais refrigerante.

 

Os resultados também mostraram que o consumo de bebidas açucaradas está associado a uma série de hábitos não saudáveis, como excesso de tempo dedicado às mídias eletrônicas e a ingestão de frituras e doces. Por outro lado, hábitos saudáveis, como atividade física e o consumo de frutas, verduras e leite eram menores entre aqueles que consumiam mais refrigerantes, e MAIORES NOS QUE CONSUMIAM MAIS REFRESCOS, ISOTÔNICOS E SUCOS COM ADIÇÃO DE AÇÚCAR. Uma das melhores explicações para esses achados é que o marketing desses refrescos e sucos possa ter sido eficaz em associá-los a um estilo de vida saudável, separando-os do conceito de refrigerante / alimento artificial. 

 

Os resultados da atual pesquisa têm grande relevância para o planejamento de políticas públicas para a contenção da pandemia de obesidade.  De acordo com o último censo do Programa de Orçamentos Familiares, no Brasil, 21.5% dos adolescentes e 33.5% das crianças estão acima do peso.

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** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo na Radio CBN Brasilia sobre este assunto com o Dr. Ricardo Teixeira, veiculado no dia 01 de outubro 2010

 

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