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Você trocaria seu atual trabalho por outro com maiores rendimentos, mas que lhe exigisse ficar menos tempo com a família? Se você pensou três vezes antes de responder, não se sinta culpado. Uma enquete nos EUA apontou que dois terços das pessoas certamente ou muito provavelmente topariam essa troca.
Mais dinheiro para quê?
Na década de 1960, um estudo realizado em diferentes países capitalistas e socialistas, perguntou o que as pessoas ainda precisavam na vida para serem realmente felizes. As respostas foram surpreendentemente parecidas, independente das diferenças culturais e econômicas entre os países analisados. A resposta mais comum foi a de melhoria do padrão de vida material, seguido por uma vida familiar feliz e em terceiro lugar o estado de saúde pessoal e dos familiares.
Será que essas pessoas serão mais felizes ao subir um degrau na sua capacidade de consumo? Ganhadores da loteria voltam ao mesmo estado de felicidade que tinham antes do prêmio após um ano. Dinheiro e felicidade andam juntos até certo ponto, fenômeno conhecido como paradoxo de Easterlin, economista americano que estudou essa questão em inúmeros países. Depois de garantidas as necessidades básicas, mais dinheiro no bolso não atrai mais felicidade para a cabeça. Outros autores têm contestado essa tese mostrando que não existe um ponto de saturação a partir do qual mais dinheiro não traz mais felicidade. Entretanto, esses estudos não avaliam o mesmo indivíduo em diferentes fases de sua vida financeira.
Padrões de consumo em nível subconsciente e até mesmo comparações conscientes com a “grama do vizinho” fazem com que as pessoas vivam a ilusão de que o dinheiro trará mais felicidade. Imagine um cenário em que as pessoas ao seu redor comecem a ganhar mais dinheiro e você continue no ritmo de sempre. Mesmo que o seu ganho seja superior às suas necessidades, essa desvantagem pode incomodar.
Dinheiro pode intoxicar?
Estudos têm apontado que os mais afortunados podem ficar menos sensíveis aos pequenos prazeres, a coisas mais simples. O simples fato de se deparar com a imagem de um bolo de notas de dinheiro é capaz de reduzir o tempo que uma pessoa aprecia um pedaço de chocolate na boa antes de engolir. Os voluntários dessa pesquisa ainda relataram menos prazer com o chocolate do que aqueles que visualizaram imagens neutras.
Gastar direito pode ajudar
Tem uma propaganda de automóvel que diz assim: “Quem fala que dinheiro não traz felicidade ainda não aprendeu a gastá-lo direito”. Já é bem reconhecido que gastar o dinheiro com EXPERIÊNCIAS é melhor do que com coisas. Experiências que reforcem as relações de amizade, que promovam o crescimento pessoal, que contribuam para a comunidade onde se vive, pequenos prazerem como uma massagem, flores para a pessoa querida, tudo isso pode dar mais barato do que uma nova mega-TV ou um turbo-super-carro.
** vale sempre lembrar o outro lado da moeda: felicidade pode trazer dinheiro. Pessoas mais felizes têm mais chance de ter sucesso profissional e financeiro.
Pesquisadores americanos da Universidade de Minnesota demonstraram esta semana que os pais que falam sobre controle de peso com seus filhos podem até piorar os hábitos alimentares dos jovens. Conversar sobre alimentação saudável parece ser a melhor tática independente de o adolescente estar ou não acima do peso.
A pesquisa envolveu cerca de 3500 pais e 2500 adolescentes com uma média de idade de 14 anos. Os resultados mostraram que 66% das mães e 62% dos pais de adolescentes sem sobrepeso tinham conversas sobre controle de peso ou dieta saudável com seus filhos comparados a 80% e 77% no caso de adolescentes com sobrepeso.
Quando se fala em conversas sobre controle de peso estamos falando em discutir o peso e aparência do adolescente e/ou a importância de mudar o padrão alimentar para perder peso. A pesquisa mostrou que esse tipo de conversa só fez aumentar a chance de comportamentos pouco salutares como a compulsão alimentar e esse efeito teve um impacto ainda maior entre os adolescentes com sobrepeso.
Como o estudo não foi prospectivo, não é possível garantir que exista uma relação causa e efeito entre o comportamento alimentar e o tipo de abordagem dos pais. Entretanto, os resultados corroboram pesquisas anteriores que mostram que os pais devem ser educados a evitar conversas sobre controle de peso com seus filhos, especialmente quando já estão acima do peso.
O estudo foi publicado esta semana pelo JAMA Pediatrics, periódico da Associação Americana de Medicina.
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Não é raro as pessoas fazerem simpatias para atrair a sorte em situações de ansiedade e incerteza. É como se fosse um aquecimento mental, um jogo-treino que pode ajudar a reduzir a insegurança da situação. Esses ensaios têm roteiros às vezes muito estranhos, mas a ciência tem demonstrado que eles não devem ser vistos como meras tolices. Podem influenciar como as pessoas sentem, pensam e se comportam.
Um experimento recente mostrou que brincar de golfe com bolas supostamente mágicas, especiais, leva a mais acertos do que quando o voluntário joga com bolas “normais”. O desempenho em testes motores refinados também é melhor quando o voluntário é informado de que o examinador está “torcendo os dedos” por ele. Esses rituais supersticiosos promovem uma maior autoconfiança e ganhos na capacidade executiva e de atenção.
Essas simpatias são muito presentes na vida dos atletas. Alguns chegam a comer o mesmo alimento e acordam rigorosamente no mesmo horário no dia de cada competição. Rituais também são comuns quando se perde um ente querido. Um estudo demonstrou que as pessoas que vivenciaram o luto com rituais, como ouvir uma música que remete a lembrança do falecido, mostravam menos sofrimento com a perda. Também já foi demonstrado que rituais aliviam o sofrimento de perdas em situações mais mundanas como um prejuízo financeiro. Uma pesquisa brasileira apontou que as simpatias são mais eficazes quando têm vários passos a cumprir, quando têm procedimentos repetitivos e quando existe um limite de tempo para cumprir o trabalho. Mais difíceis, maior o empenho, mais resultados.
Não existem evidências de uma relação causa e efeito entre a simpatia e os resultados esperados, mas o fato é que alguns desses rituais podem fazer alguma diferença sim. O outro lado da moeda é o transtorno obsessivo compulsivo que costuma ter exageros de simpatias e superstições que acabam funcionando como um freio de mão na vida.
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Esta semana o periódico JAMA publicou uma pesquisa que apontou que a música pode amenizar a ansiedade de pacientes que estão na UTI e que precisam de aparelhos para respirar. O estudo mostrou também que os pacientes que tiveram a experiência da música na UTI precisaram de menos medicações sedativas.
Em 2008, outro estudo publicado pela revista inglesa Brain mostrou de forma inédita que a música pode colaborar na reabilitação de pacientes com derrame cerebral na fase aguda. Cada paciente recebia um CD player portátil e CDs com músicas de sua preferência, qualquer que fosse o estilo musical, e tiveram uma melhor recuperação nos domínios da memória e atenção. Apresentaram também menos sintomas depressivos e de confusão mental.
Uma série de estudos também já foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e os resultados são muito encorajadores. Música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor.
E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. A música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada a um procedimento médico. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.
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Rir é bom, mas rir de tudo é desespero
Frejat
É comum as pessoas se sentirem culpadas e até envergonhadas por manifestarem emoções negativas. Cultivar as emoções positivas é fundamental, mas viver 24h dando risada para todos os lados pode não ser tão interessante para nosso equilíbrio psíquico. Raiva e tristeza fazem parte da vida de qualquer um e pesquisas têm apontado que aceitar que essas emoções participem do nosso dia a dia, desde que bem dosadas, pode ser vital para nossa saúde mental.
Se estiver com raiva, é melhor falar.
Uma pesquisa publicada esta [ultima semana pelo periódico PLoS ONE demonstrou que o ato de descrever o sentimento de raiva é capaz de reduzir seus efeitos no sistema cardiovascular. Voluntários foram submetidos a um teste em que o examinador era treinado a provocar o sentimento de raiva através de feedbacks negativos, sugerindo que o desempenho estava sendo ruim. Uma parte deles era instruída a relatar durante o teste a experiência psicológica que estava passando e estes demandaram menos esforço do coração do que aqueles que simplesmente engoliram os sapos.
Indivíduos em processo de psicoterapia, e que fora da sessão têm um discurso com uma composição de emoções negativas e positivas, referem maior bem estar do que aquelas que só expressam o lado positivo. É como se bom e o ruim juntos ajudassem a desintoxicar o ruim.
Temos evidências também de que pacientes em tratamento para alcoolismo que tentam fugir a todo custo de pensamentos relacionados ao ato de beber são os que mais têm recaídas, além de apresentarem mais alterações fisiológicas características do estresse. O mesmo parece ocorrer no caso de compulsão alimentar. Mesmo que a pessoa consiga evitar um pensamento, o subconsciente não faz o mesmo. Tentar reprimir um pensamento negativo antes de dormir faz com que a pessoa tenha mais chance de sonhar com o assunto, fenômeno conhecido como sonho rebote.
Ao invés de ficar lutando contra pensamentos negativos, reconhecê-los sem a expectativa de transformá-los de forma imediata pode ser uma boa dica. Que tal pensar em nuvens que vão se mover? Técnicas de meditação podem ajudar. Vale ressaltar que a psicoterapia é um dos melhores treinamentos para conseguirmos conviver de forma saudável com o “dark side of the brain” e atingirmos a tão sonhada realização pessoal.
Solanaceae é uma família de plantas ricas em nicotina que têm um efeito protetor contra a Doença de Parkinson. Essa foi a conclusão de um estudo publicado esta última semana pelo periódico oficial da Associação Americana de Neurologia.
Já tínhamos boas evidências de que o tabaco, também da família Solanaceae, tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito parece que se dá pela nicotina e pode ser que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, beringela e batata, tenham efeito semelhante.
Foi exatamente o que pesquisadores da Universidade de Washington – EUA conseguiram demonstrar. Eles estudaram cerca de 500 pacientes com diagnóstico recente da Doença de Parkinson e mais de 600 indivíduos sem qualquer doença neurológica que serviram de grupo controle. Foram aplicados questionários que avaliavam a história de uso de tabaco ao longo da vida e hábitos alimentares.
O consumo de vegetais de forma geral não tinha associação com menor risco da doença, mas alimentos com conteúdo de nicotina faziam a diferença, especialmente a pimenta. Esse foi o primeiro estudo que investigou essa associação entre teor de nicotina na dieta e risco da Doença de Parkinson e abre novas perspectivas na prevenção da doença. Novas pesquisas deverão ser feitas para confirmar esses resultados. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?
Há poucos anos as evidências da participação do cérebro no mecanismo da exaustão muscular ainda eram apenas indiretas. Os estudos usavam truques psicológicos que enganam os voluntários de que suas medidas fisiológicas ainda estão dentro da normalidade, criavam adversários virtuais com um desempenho melhor do que o esperado numa competição, etc.
Em 2011, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um estudo que provocava a exaustão de ciclistas monitorizados por eletrencefalograma. Eles conseguiram demonstrar que pouquíssimo tempo antes da exaustão existia um aumento da comunicação elétrica entre duas regiões do cérebro. Essas duas regiões eram o córtex motor que planeja e controla o movimento e o córtex da ínsula, região que poderia ser considerada como um grande entroncamento de vias, incluindo as vias emocionais. Podemos dizer que a ínsula dá um sinal para a região motora parar logo, já que o limite foi ultrapassado.
Prof. Alexandre Okano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e colaboradores de outras instituições (Unicamp, Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e de Londrina, Universidade de Cape Town – África do Sul, City College of New York – EUA) conduziram um experimento extraordinário que estava faltando para dar seguimento à evolução desse conhecimento. Os resultados indicaram que o cérebro parece mandar mais que o músculo quando atingimos a fadiga. O músculo até continuaria um pouco mais, mas o cérebro acaba com a festa.
Eles resolveram mudar a excitabilidade da ínsula e regiões vizinhas através de uma pequena estimulação elétrica não invasiva e ver o quanto isso poderia influenciar o desempenho de atletas. Essa estimulação poderia fazer com que a ínsula passasse a mandar menos recados ao sistema motor de que já estava na hora de descansar, deixando os músculos trabalharem mais. Dito e feito.
Dez ciclistas de competição participaram de um teste em que pedalavam “no limite”. Metade deles recebeu antes da prova a estimulação elétrica por 20 minutos sobre o córtex da ínsula à esquerda enquanto a outra foi submetida a um procedimento de mentira, placebo. Aqueles que receberam a estimulação tiveram um desempenho de força 4% maior, menor percepção de cansaço e menor elevação da freqüência cardíaca.
A modulação das conexões entre a ínsula e o sistema motor tem vários caminhos. Já é conhecido que a estimulação da ínsula promove modulação do sistema nervoso autônomo e também tem estreita relação com experiências prazerosas. Ativação da ínsula esquerda já foi demonstrada quando uma mãe vê fotos de seus filhos, quando uma pessoa sorri ou mesmo vê alguém sorrindo e ao ouvir músicas agradáveis. Por outro lado, a ínsula direita está mais associada às experiências negativas e desagradáveis, como é o caso da dor.
Uau! Isso não é pouca coisa quando se pensa em atletas de elite e certamente é um achado que vai levantar muitos dilemas éticos. Ainda não existe como provar se o atleta foi estimulado ou não antes de uma competição… Os resultados da pesquisa foram publicados no Jornal Britânico de Medicina do Esporte.
Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo. Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça.
Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.
A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal pode realmente provocar efeitos negativos. A esse fenômeno é dado o nome de efeito NOCEBO que tem sua origem no latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento.
Uma pesquisa publicada recentemente confirmou que o efeito nocebo pode realmente explicar os sintomas físicos atribuídos às ondas eletromagnéticas. Cerca de 150 voluntários foram submetidos a um experimento em que metade deles assistiu a um documentário falando sobre os potencias riscos das ondas eletromagnéticas e outra metade, classificada como grupo controle, assistiu a uma reportagem sobre segurança de disponibilização de dados pessoais pela internet. Após os vídeos, todos eles eram avisados que estavam expostos a uma rede Wifi de mentira, sem qualquer radiação. Após a suposta exposição às ondas eletromagnéticas, 54% dos voluntários apresentaram sintomas como ansiedade e agitação, perda da concentração e formigamento nas extremidades. Os sintomas foram significativamente mais comuns entre aqueles que assistiram ao documentário dos riscos das ondas eletromagnéticas.
O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.
É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte.
Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes. De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relação com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…
Pela primeira vez na história, um pequeno dispositivo implantado no cérebro se mostrou eficiente para prever o início de uma crise epiléptica. Os resultados da experiência foram divulgados esta semana pelo prestigiado periódico The Lancet Neurology.
Para quem tem crises epilépticas que não são controladas com medicações, e elas representam 30% das pessoas que sofrem dessa condição neurológica, saber com antecipação o momento de uma nova crise pode fazer toda a diferença, promovendo um estado de maior segurança e autonomia. Saber que uma crise acontecerá em alguns minutos permite que a pessoa que está dirigindo, por exemplo, encoste o carro e evite um acidente. Essa informação também pode fazer com que o indivíduo use uma medicação extra nos períodos imediatamente antes da crise.
O dispositivo foi desenvolvido por pesquisadores americanos de Seattle (NeuroVista) para detectar atividade elétrica anormal no cérebro que precede uma crise epiléptica. Ele é implantado entre o cérebro e a caixa craniana e transmite informações para outro dispositivo colocado abaixo da pele na região do tórax. Um aparelhinho do tamanho de um iPod que pode ser adaptado ao cinto emite três diferentes sinais sonoros e luzes que informam a chance de uma nova crise: luz vermelha (risco alto), luz branca (risco moderado) e luz azul (baixo risco).
O estudo foi conduzido em três diferentes centros australianos ligados à Universidade de Melbourne e envolveu 15 indivíduos com idades entre 20 e 62 anos que tinham duas a 12 crises epilépticas por mês, mesmo usando duas ou mais medicações para tentar evitá-las. O sistema não foi perfeito, mas teve boa sensibilidade para detectar crises, poucos alarmes falsos e relativa segurança. O tempo médio entre o acionamento da luz vermelha e uma crise foi de 114 minutos (5 a 960 min). Dois pacientes precisaram retirar o sistema por desconforto ou complicação infecciosa no local do dispositivo do tórax.
Os resultados do estudo chamaram muito a atenção para a discrepância entre o número de crises registradas e aquilo que os voluntários estimavam num diário. Um dos participantes declarou que tinha cerca de 10 crises por mês enquanto o sistema registrou mais de 100 nesse mesmo período. O dispositivo também ajudou na condução clínica, como foi o caso de um paciente que apresentava sonolência por suposta toxicidade medicamentosa, e na verdade os sintomas coincidiam com mais de uma dezena de crises antes não identificadas.
Essa tecnologia abre uma grande porta para o desenvolvimento de novos métodos para controle de crises epilépticas de ação ultrarrápida como estímulos elétricos ou até mesmo medicações. Isso pode trazer mais independência àqueles que sofrem com quadros de epilepsia de difícil controle, reduzindo acidentes e o impacto psicossocial dessa condição neurológica que afeta uma em cada cem pessoas. Epilepsia não escolhe idade, raça, gênero, muito menos status socioeconômico.
É difícil contestar a idéia de que a realização profissional seja um dos pilares para o bem estar psíquico e isso inclui um trabalho motivador, remuneração adequada assim como um bom ambiente de trabalho que inclui boa relação com os colegas e com as lideranças.
Algumas pesquisas chegaram a demonstrar que quando se pergunta a funcionários de uma empresa o que eles colocam em primeiro lugar, um bom ambiente de trabalho ou um salário um pouco maior, o ambiente de trabalho ganha do salário em importância. O fato é que esse clima no trabalho influencia sobremaneira a produtividade de uma empresa assim como a saúde de quem nela trabalha.
O estresse no trabalho pode até engordar
Falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em equacionar o trabalho com a vida familiar. Esses são diferentes domínios do estresse no trabalho que têm sido associados a ganho ponderal.
Experimentos com primatas revelam que quando submetidos à subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação. Em humanos, já foi demonstrado que o estresse no trabalho está associado a um estilo de vida sedentário.
E provoca muito mais do que ganho de peso
Já é bem reconhecido que o estresse psicossocial está associado a um maior risco de diversas doenças como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer. A enxaqueca, o diabetes, que estavam bem controlados, ficam descompensados. Indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
Pode chegar ao ponto do esgotamento
O trabalho exaustivo chega a fazer com que nosso cérebro funcione de forma menos eficiente. O excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares.
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e a situação parece não ser muito diferente entre os PROFESSORES. Esses foram os profissionais mais estudados.
A síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares.
PARA REFLETIR SE O SEU AMBIENTE DE TRABALHO É SATISFATÓRIO
1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos? 2. Seus colegas sentem-se compreendidos e aceitos? 3. Vocês podem confiar no chefe? 4. O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração? 5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados? 6. Cada funcionário mantém os outros informados sobre o que fazem na empresa? 7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho? 8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
Estima-se que uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida. Um colapso da circulação sanguínea do cérebro é o que explica a perda de consciência em grande parte dos casos e essa condição clínica é chamada de síncope. Quatro ou cinco segundos de fluxo sanguíneo cerebral de menor pressão são suficientes para levar à perda de consciência.
São várias as causas de síncope, mas a mais comum é chamada de síncope vasovagal. Ela acontece por um controle ineficiente do ritmo cardíaco e/ou do calibre dos vasos sanguíneos por parte do sistema nervoso em situações específicas como a posição em pé por tempo prolongado. Um quarto da população apresentará pelo menos um episódio deste tipo de síncope durante a vida e o componente genético dessa condição foi confirmado este mês por um estudo publicado no periódico da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa também demonstrou que os gatilhos que provocam os desmaios, como o estresse, tempo em pé prolongado ou a visualização de sangue, esses não têm relação com o perfil genético do indivíduo.
Desmaiar ao ver sangue não é frescura.
O fato de desmaiar ao ver sangue revela, na verdade, uma estratégia de sobrevivência, um mecanismo de adaptação da espécie ao longo da evolução. Essa estratégia é orquestrada pelo nosso sistema nervoso automático, também conhecido por autônomo, que é formado pelos sistemas simpático e parassimpático.
Na síncope vasovagal, o sistema parassimpático é ativado de forma intensa estimulando sua principal “ferramenta de trabalho”: o nervo vago. Isso provoca dilatação dos vasos e redução do batimento cardíaco, o que diminui o fluxo de sangue para os órgãos, incluindo o cérebro.
Estudos experimentais indicam que uma região do tronco cerebral (medula caudal da linha média) é a responsável pela estimulação do nervo vago durante um episódio de síncope vasovagal. Quando um animal perde de 30% a 40% do volume de sangue e a pressão do sangue na região do tórax cai rapidamente, sensores de pressão localizados nas artérias informam essa queda ao tronco cerebral que estimula o nervo vago que provocará o colapso circulatório. Esse colapso é útil numa situação de hemorragia, pois o sangue em pressões mais baixas, o processo de coagulação para estancar o sangramento torna-se mais eficaz. Esse sistema não é tão bem afinado, já que algumas pessoas têm esse mecanismo deflagrado mesmo numa situação de olhar para o sangue dos outros.
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Um estudo publicado esta última semana pela revista Stroke, periódico da Americam Heart Association, aponta que o consumo de café reduz o risco de derrame cerebral.
Mais de 80 mil japoneses foram acompanhados por um período médio de 13 anos. O efeito protetor do café foi significativo quando o consumo diário era ³ 3 vezes por semana. O café também diminuiu o risco de diabetes mellitus, mas já no caso de proteção contra doença isquêmica do coração, ele não conferiu efeito protetor, confirmando estudos anteriores.
E não pára por aqui. O café é um grande amigo do cérebro também por protegê-lo da depressão e das doenças de Alzheimer e Parkinson. Isso sem falar no poder que ele tem de aumentar nosso nível de alerta, energia e sociabilidade.
Há cerca de um ano discutimos que a cólica dos lactentes pode ser na verdade uma precursora da enxaqueca, já que a chance de cólica é mais de duas vezes maior nos bebês que têm mães que sofrem de enxaqueca.
Recentemente tivemos resultados de uma nova pesquisa publicada pelo jornal da Academia Americana de Medicina – JAMA – que encorpa bastante essa relação entre cólica e enxaqueca. Foram estudadas 208 crianças / adolescentes com idades entre 6 e 18 anos com diagnóstico de enxaqueca e outras 471 com a mesma faixa etária, mas sem enxaqueca. As que sofriam de enxaqueca tinham muito mais chance de ter apresentado cólica quando bebês quando comparadas às outras crianças (72.6% X 26.5%). Os pesquisadores ainda analisaram 120 crianças com outra forma de dor de cabeça, a cefaléia tensional, mas essas não apresentavam risco aumentado de terem apresentado cólica quando bebês.
Existem algumas condições clínicas que acontecem de forma recorrente na infância e que são entendidas como expressões precoces de genes que mais tarde serão expressos como enxaqueca. Entre essas condições podemos citar crises de torcicolo, vertigem, vômitos cíclicos, além das misteriosas cólicas dos bebês.
O choro normal da criança começa a se intensificar nas primeiras semanas de vida, alcança o seu topo entre a sexta e oitava semana, e aos três meses já começa a dar uma trégua. A tal cólica dos bebês é uma forma intensificada desse choro e é definida como crises de choro por pelo menos três horas e pelo menos três vezes por semana. Também é chamada de choro inconsolável e está associada a uma maior incidência de casos da síndrome do bebê chacoalhado, condição em que um adulto sacode a criança para discipliná-la ou para tentar interromper o choro. Isso pode levar a lesões traumáticas de diferentes gravidades.
O termo cólica traz uma conotação de que o desconforto tem origem no aparelho digestivo, mas não existe qualquer evidência que aponte para essa localização. Estudos tentam ligar a cólica com gases intestinais, alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, mas todos têm apresentado resultados negativos.
Por que seria um bebê com bagagem genética de um “cérebro de enxaqueca” mais propenso a ter crise de choro? Uma das maiores características de um cérebro enxaquecoso é a hiperexcitabilidade, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais como ruídos e luz. A transição do útero para o mundo cheio de estímulos pode fazer mesmo diferença a partir de algumas semanas, a partir de um nível de desenvolvimento da acuidade visual e auditiva. Isso pode explicar o porquê da cólica ser mais freqüente entre a sexta e oitava semana de vida, e não no período neonatal. Uma pesquisa chegou a demonstrar que a restrição de estímulos sensoriais foi capaz de reduzir o problema.
Com esse corpo de conhecimento, já se discute a modificação do termo cólica por algo como “Agitação Paroxística do Lactente” já que a raiz do problema tem mais chance de vir do cérebro do que da barriga.
Alguns estudos têm apontado efeitos positivos do “efeito natureza” sobre algumas funções cognitivas como, por exemplo, atenção, memória e linguagem. Discutimos recentemente que a experiência de quatro dias de imersão na natureza, longe de bytes e pixels, é capaz de aumentar nossa capacidade criativa.
Pesquisadores escoceses demonstraram há poucas semanas que, mesmo dentro da cidade, o contato com o verde pode trazer benefícios ao cérebro. Voluntários caminharam pela cidade de Edimburgo com um aparelho de eletrencefalograma portátil. Quando passaram por ruas comerciais agitadas, o cérebro se mostrou bastante excitado, o contrário do que aconteceu em um parque da cidade, quando as ondas cerebrais ficaram mais “meditativas”. Sabemos também que pessoas que moram próximas a árvores e parques têm níveis menores do hormônio do estresse cortisol quando comparadas às que vivem cercadas de concreto por todos os lados.
Já é bem reconhecido que as pessoas que vivem nas grandes cidades têm maior risco de apresentar transtornos mentais. Através de ressonância magnética funcional, foi demonstrado que o cérebro de quem mora no campo reage de forma diferente a estímulos de estresse do que o de moradores da cidade. Isso rendeu até a capa da prestigiada Nature.
O local onde moramos pode mesmo influenciar nossa saúde, não só a saúde mental. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. O risco de diabetes é menor em comunidades que têm na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis. Isso sem falar no trânsito.
Os neurônios-espelhos foram descobertos meio sem querer por pesquisadores italianos ainda na década de 1990. Pela primeira vez constatou-se que a simples observação de ações dos outros era capaz de ativar as mesmas regiões do cérebro do próprio observador. A percepção visual inicia uma espécie de simulação ou duplicação interna dos atos de outros. As mesmas regiões também são ativadas quando o próprio indivíduo executa a ação.
Sabe aquela situação em que o carro está parado num cruzamento, faz que vai, mas não vai, e o carro de trás já arrancou cheio de vontade e CRASH? Por outro lado, é mais fácil dirigir na estrada atrás de outro carro. Assistir a um jogo de tênis pode ser visto como um treinamento para quem pratica o esporte. São os comandos automáticos dos neurônios-espelhos. Também são esses neurônios que explicam o porquê do bocejo ser tão contagiante. Videogames violentos podem reforçar, em nível neuronal básico, uma associação de prazer em fazer danos.
Fazemos mentalmente tudo o que assistimos o outro fazer e o que a neurociência têm-nos mostrado é que isso vai muito além de movimentos. Neurônios-espelhos foram encontrados nas áreas do córtex pré-motor e parietal inferior, associadas a movimento e percepção, bem como no lobo parietal posterior, no sulco temporal superior e na ínsula, regiões associadas à nossa capacidade de compreender o sentimento de outra pessoa, entender a intenção e usar a linguagem.
O cérebro entende através dos neurônios-espelhos até mesmo a intenção de uma ação. Uma série de neurônios é disparada ao olharmos para uma imagem de uma mesa bem arrumada e uma mão pegando uma xícara – com a provável intenção de beber o café. Um diferente grupo de neurônios é disparado quando olhamos para a mesma cena da mão pegando a xícara, mas numa mesa desarrumada – com a provável intenção de lavar a xícara. Sentir nojo ou ver uma pessoa com olhar repulsivo de nojo faz com que neurônios-espelhos das mesmas regiões do cérebro sejam estimulados.
Dessa forma, neurônios-espelhos têm papel essencial na percepção de intenções e na experiência da empatia. É o outro entrando em nosso cérebro – empatia origina-se da palavra grega empátheia, que significa “entrar no sentimento”. Não há muita dúvida que os neurônios-espelhos foram cruciais no desenvolvimento de nossas habilidades sociais através de avanços na comunicação e aprendizado. Com eles a informação é espalhada e amplificada colaborando para a promoção da cultura. Alguns cientistas chegam a chamar esses neurônios de DNA da neurociência.
A chance de um detento voltar a cometer crimes ao ganhar a liberdade pode ser prevista por um exame de ressonância magnética. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana pelo prestigiado jornal Proceedinds of the National Academy of Sciences.
Pesquisadores da Universidade do Novo México – EUA analisaram exames de ressonância magnética funcional (RMf)durante um teste que media a impulsividade de quase 100 detentos já com liberdade anunciada. Os voluntários eram orientados a pressionar um botão quando aparecia uma determinada letra num visor e aqueles que cometiam mais erros, por pressionar de forma precipitada o botão, eram também os que apresentavam menor atividade no córtex cingulado anterior. Quatro anos depois dos testes, 53% dos voluntários já haviam sido presos novamente e o risco foi duas vezes maior entre aqueles que tinham baixos níveis de atividade no cíngulo anterior.
O córtex cingulado anterior é uma região do cérebro bem conhecida por sua capacidade de regular o processamento de erros, monitoramento de conflitos e seleção de respostas. Pessoas que têm, por alguma razão, essa área danificada podem apresentar mudanças no comportamento como desinibição e agressividade.
Várias pesquisas demonstram que um dos principais fatores de risco para a reincidência de um criminoso é a impulsividade e dificuldade de avaliar as conseqüências de suas ações. A atual pesquisa é o início de uma série de investigações que deverá ser realizada para ponderar se essa metodologia poderá realmente servir de auxílio na decisão de soltar ou prender um detento.
O uso da neurociência para prever comportamentos criminosos – a neuroprevisão – já abre uma grande discussão ética. Um presidiário pode ser obrigado a ser submetido a um exame de RMf? Além disso, o exame de RMf depende da colaboração da pessoa que está sendo examinada e se o exame for feito na marra, os resultados não serão nada confiáveis.
Uma pesquisa publicada esta semana pelo Pediatrics, periódico oficial da Academia Americana de Pediatria, aponta que os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) permanecem até a vida adulta em 30% dos casos e 60% desses apresentam outras morbidades do sistema psíquico, como é o caso de ansiedade, depressão, alcoolismo e abuso / dependência de outras drogas. O estudo envolveu mais de cinco mil crianças americanas que foram acompanhadas desde o nascimento por 27 anos em média.
O TDAH é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que essas cifras andam bem maiores.
Esta semana o jornal New York Times compilou dados fornecidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que fez uma pesquisa por telefone com 76.000 pais entre 2011 e 2012. A reportagem afirma que 15% dos meninos em idade escolar nos Estados Unidos receberam diagnóstico de TDAH, contra 7% entre as meninas. Entre os jovens com idades entre 14 e 17 anos, o resultado é ainda maior: 19% para os meninos e 10% para as meninas.
No Brasil, uma pesquisa divulgada em 2011 revelou que quase 75% das crianças e adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não cumprem os critérios diagnósticos para essa condição clínica. A pesquisa envolveu quase seis mil crianças e adolescentes de 16 Estados do Brasil e Distrito Federal com idades entre 4 a 18 anos.
A tão esperada nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) deve aumentar ainda mais o número de crianças que receberão o diagnóstico de TDAH, já que o comitê deslocou a idade máxima de início dos sintomas de sete para 12 anos. O argumento é que muitas crianças entre essas duas idades não estão sendo dignosticadas, já que dificuldades de atenção passam a ser mais perceptíveis após os sete anos quando as crianças já estão na escola.
Acredito que o TDAH esteja lado a lado com a depressão como exemplos típicos de um fenômeno de nossa sociedade contemporânea chamado de medicalização da experiência humana. Qualquer experiência de tristeza ou de perda de foco nos estudos ou no trabalho são frequentemente interpretadas de forma errônea por aqueles que têm os sintomas, e mesmo pelos médicos, como se fosse um diagnóstico de depressão ou TDAH. Não estou dizendo que esses diagnósticos não existam. Pelo contrário. São dois dos diagnósticos mais prevalentes na área de saúde mental, que precisam de tratamento, e quando se pensa em saúde pública, certamente existem mais indivíduos não diagnosticados do que “super-diagnosticados”.
Bactérias e vírus como o herpes podem ter uma parcela de culpa nas dificuldades cognitivas encontradas nos idosos. Isso é o que sugere os resultados de um estudo publicado hoje pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Pesquisadores das Universidades de Columbia e Miami nos EUA demonstraram que idosos com maior carga de infecção no sangue, medida por níveis de anticorpos no sangue, apresentavam menor desempenho cognitivo. Essa carga de infecção deve ser entendida como uma cicatriz imunológica de vários patógenos ao longo da vida. Nesse estudo, foram testadas cinco causas comuns de infecção: três vírus (herpes simples tipo 1 (oral) e tipo 2 (genital), e citomegalovirus), Chlamydia pneumoniae (causa comum de infecção respiratória) e Helicobacter pylori (bactéria encontrada no estômago e associada a gastrite e úlcera).
Foram estudados mais de 1500 voluntários com uma média de idade de 69 anos. A associação entre a exposição aos patógenos e desempenho cognitivo foi maior entre as mulheres e entre os voluntários com menor escolaridade e que não praticavam atividade física. Durante os oito anos de acompanhamento, não houve relação entre a carga de infecção e piora do estado cognitivo, sugerindo que infecções precoces podem fazer a diferença. Boa parte dessas infecções é mais freqüente na infância (ex: citomegalovirus e herpes simples tipo 1).
A atual pesquisa encorpa resultados anteriores que associam infecção a menor desempenho cognitivo e também à doença cerebrovascular. Vacinação na infância contra microorganismos comuns poderia garantir um bom desempenho cognitivo em idades avançadas, mas isso ainda precisa ser testado. No editorial que acompanha o estudo, discute-se que já existem evidências suficientes para se conduzir um estudo piloto com drogas antivirais em pacientes com a Doença de Alzheimer.
** altos níveis da proteína C-reativa, um marcador de inflamação no sangue, também estão associados a alterações cerebrais que influenciam as funções intelectuais. Também já é bem reconhecido que os índices de proteína C-reativa.
Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho.
Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.
Qual é a melhor música?
A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.
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O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.
A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música.
Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.
** Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a freqüência cardíaca do corredor.

Neste próximo maio deverá ser publicada a tão esperada versão nova do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM). O DSM é a bíblia dos profissionais da área psiquiatria que lista diferentes categorias de transtornos mentais e os critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA). Porém, seu conteúdo á alvo de muitas polêmicas.
Um das principais críticas à nova classificação é o transtorno de sintoma somático, um novo diagnóstico que pode rotular milhões de pessoas como doentes da mente. Ele substituirá o antigo transtorno somatoforme da atual classificação que exige que sejam excluídas quaisquer explicações médicas para os sintomas. Além disso, é discutível a validade do diagnóstico que tem um índice de falsos positivos de 7%. De acordo com estudos preliminares, o transtorno pode ser diagnosticado em 15% de pacientes cardíacos ou oncológicos. Será que é isso tudo mesmo?
O fato é que a nova classificação abrirá espaço para muitos novos diagnósticos, mais pessoas serão classificadas como doentes da mente. Inflação de patologias, medicalização da experiência humana.
Será que chegaremos ao ponto de dizer que todo mundo é portador de pelo menos uma doença?
O termo medicalização define o fenômeno em que um comportamento ou uma condição física ou mental passa a ser tratado como se fosse um problema médico, recebendo um rótulo de doença e opções de tratamento.
O centro da discussão quando se fala em medicalização é a força da indústria farmacêutica nesse processo que impulsiona a sociedade civil, profissionais de saúde, órgãos do governo e a mídia a retroalimentarem a cultura de que todo organismo vivo da espécie sapiens, a princípio, deve ter alguma doença ou precisa de algum remédio. Todos esses atores têm seu papel na medicalização.






















