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Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor. Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.
Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.
Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento. Qual é o custo-benefício?
Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários. Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.
Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências de esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência. Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses que foi criado para treino de foco no que interessa e para desprezar informações irrelevantes para uma tarefa melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.
Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.
Os homens fazem mesmo mais coisas estúpidas que as mulheres. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada na edição de natal do prestigiado Jornal Britânico de Medicina – BMJ. ´
É bem conhecido que os homens têm maior comportamento de risco, frequentam mais as emergências de hospitais por acidentes esportivos e de trânsito e morrem mais cedo. Pesquisadores da Universidade de Newcastle na Inglaterra foram além. Eles investigaram o quanto os homens fazem mais coisas idiotas que as mulheres. Para isso eles analisaram os ganhadores do prêmio Darwin em um período de 20 anos. O prêmio é concedido desde a década de 1990 a indivíduos que “melhoraram a raça humana” ao cometer uma idiotice. Melhoraram por sumir do planeta usando métodos estúpidos e de forma absolutamente voluntária.
Um exemplo é o de um homem que engatou um carrinho de supermercado a um trem e morreu após ser arrastado por mais de cinco quilômetros. Isso para não pagar a passagem. Outro exemplo é o de um terrorista que enviou uma carta bomba com uma quantidade insuficiente de selos. A carta voltou e ele abriu a própria carta. Bum. Não são meros acidentes.
De um total de 318 prêmios, 282 (87%) foram concedidos a homens. Os resultados corroboram a teoria de que os homens são mais idiotas, fazem mais coisas estúpidas, correm mais riscos sem necessidade. Para alimentar a auto-estima?

E não é que o som ambiente pode mudar o sabor da sua ceia? Se a ceia tiver muitas comidinhas doces ou azedas, ela ficará mais saborosa se a música for de tons mais agudos. A torta de limão terá mais presença ao som de violinos de Vivaldi. Se na ceia predominar gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores. O café sem dúvida será muito bem acompanhado por uma ária com Plácido Domingo. Essa influência de uma experiência sensorial sobre outra é uma interessante linha de pesquisa da Universidade de Oxford na Inglaterra liderada pelo psicólogo Charles Spence.
O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos. O mesmo vinho é considerado mais encorpado ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai. Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá seus pitacos em restaurantes. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.
** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido. Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso. Alimentos ricos em glutamato como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão por cima do molho bolonhesa.

Treinamento cerebral é uma nova onda. Basta baixar no computador um programa feito para turbinar o cérebro e você já ficou mais esperto e sua vida muito melhor. Será? A indústria farmacêutica está investindo nesses novos joguinhos com o sonho de que eles se tornem os primeiros videogames que farão parte de uma prescrição médica. Nem tanto sonho, nem tanto realidade.
Um documento assinado recentemente por setenta dos neurocientistas mais respeitados do mundo, incluindo membros da Universidade de Stanford nos EUA e Instituto Max Planck na Alemanha, diz, com letras maiúsculas, que não há sólidas evidências científicas que esses jogos possam promover a inteligência das pessoas. Diz o documento: “O forte consenso do grupo é que a literatura científica não corrobora a ideia que esses games melhoram o desempenho cognitivo no dia a dia ou que ajudam a prevenir o declínio cognitivo e doenças cerebrais. As evidências científicas apontadas pela publicidade desses produtos são frágeis”.
Psicólogos tentam há mais de um século formas de incrementar a inteligência, mas sem muito sucesso. Por enquanto, o que foi demonstrado com os games é que você pode ficar mais esperto para tarefas bem similares aos do jogo, mas não em outras. Também não foi comprovado que existe repercussão nas atividades de vida diárias. Pequenos ganhos já demonstrados foram às custas de muito tempo de treinamento. Qual é o custo-benefício?
Um estudo em 2008 prometeu muito. Pesquisadores da Universidade de Michigan nos EUA mostraram que em algumas semanas os games podiam aumentar a habilidade em resolver problemas novos, até aumentando o QI dos voluntários. Vários grupos de pesquisa tentaram replicar os resultados em outros centros e não tiveram sucesso. Muita critica foi feita da metodologia dessa pesquisa, inclusive a de não ter usado um grupo placebo para comparação.
Uma meta-análise de 23 estudos também não encontrou evidências que esses games têm o poder de aumentar nossa inteligência. Ano passado um estudo muito divulgado pela mídia e publicada na revista Nature mostrou que um joguinho desses, que foi criado para treino de foco no que interessa e desprezar informações irrelevantes, melhorou o desempenho de alguns testes cognitivos, mas sem evidências de ganhos no mundo real.
Apesar de não termos ainda razões para bater muitas palminhas para esses jogos, as pessoas poderiam jogar à vontade porque pelo menos mal não faz? Mais ou menos. Pode jogar, desde que não concorra com o tempo de ações que têm robustas evidências de sucesso no desempenho cognitivo como a atividade física e o aprendizado de coisas novas. A projeção é que o mercado desses games tenha girado $1.3 bilhão em 2014.
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A solidão aumenta o risco de demência, doenças cardiovasculares, sono de má qualidade, deficiência imunológica, depressão e ainda faz a pessoa morrer mais cedo. Será que esses efeitos da vida solitária podem ser explicados pela ausência de “cães de guarda”, pessoas que estimulam bons hábitos e reprimem maus hábitos? Pode até ser, mas parece que existem outras explicações.
Temos evidências que a solidão é capaz de mudar percepção, os pensamentos, a química e a estrutura do cérebro. Os solitários são mais sensíveis a experiências ruins como quando são apresentados a imagens de pessoas com expressão facial de dor. Exames de ressonância magnética funcional demonstram que o isolamento social faz com que as áreas do sistema de recompensa cerebral sejam menos ativadas quando provocadas com estímulos sociais o que explica a menor empolgação por um hipotético encontro.
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Pesquisas com ratinhos mostram que o isolamento reduz hormônios cerebrais que modulam a agressividade e diminui também o processo de mielinização que é fundamental para a plasticidade cerebral. Influencia ainda a expressão de genes ligados a comportamentos ansiosos. Ratinhos que crescem solitários tem uma inibição no crescimento de novos neurônios em áreas associadas à comunicação e memória. Em um modelo de derrame cerebral provocado intencionalmente, os ratinhos solitários morrem mais do que os que cresceram com os companheirinhos.
Os médicos costumam lembrar seus pacientes de qualidade de sono, dieta e atividade física. Por que não incluir nesse roteiro uma “prescrição social”?
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Pelo menos menos EUA, um em cada cinco estudantes já usaram as tais “medicações espertas” com a intenção de melhorar o desempenho cognitivo e ter mais chance de sucesso em provas e concursos. Entretanto, a maior parte desses estudantes não sofre de qualquer problema neurológico ou psiquiátrico. Mas será que essas medicações funcionam para quem nao tem problemas? Parece que pode até piorar o desempenho.
Uma pesquisa publicada esta semana mostrou que pessoas com desempenho cognitivo podem até piorar quando usam uma dessas medicações espertas, o modafinil, também conhecido como o viagra dos executivos. Pesquisadores da Escola de Psicologia da Malásia testaram as habilidades cognitivas de 32 voluntários após usarem a medicação e outros 32 com placebo. A medicação provocou uma menor rapidez no ato de dar as respostas. Além disso, as respostas não foram mais corretas com a droga. Essa lentificação poderia promover respostas menos impulsivas por com uma melhor reflexão das perguntas, mas não foi isso que os resultados sugerem.
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Atividades profissionais complexas, atividades que envolvem muitas interações sociais ou com informações, deixa o cérebro mais afiado em idades avançadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa apontou que esse efeito protetor do trabalho estimulante foi preservado mesmo anos depois da pessoa se aposentar.
Pesquisadores escoceses estudaram mais de mil voluntários com uma média de idade de 70 anos através de testes cognitivos seriados. Os pesquisadores contavam também com o teste de QI dos participantes quando eles tinham 11 anos de idade.
As profissões foram classificadas quanto ao nível de complexidade. Profissões complexas eram as que envolviam a coordenação ou necessidade de síntese de dados. Profissões pouco complexas eram as que eram mais baseadas em repetição e comparação de dados. Do ponto de vista de interações sócias, os trabalhos mais complexos eram os que envolviam negociação ou instrução a outros enquanto os pouco complexos replicavam as instruções de outrem.
Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos nas relações interpessoais foram advogado, professor, assistente social, médico. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram pintor, operário de uma fábrica.
Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos no tratamento de dados engenheiro, músico, arquiteto. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram servente de construção civil, telefonista.
Os resultados da pesquisa mostraram que aqueles com profissões mais complexas chegavam à velhice com o cérebro mais afiado e independente do QI que tinham na infância sugerindo que a atividade profissional pode realmente fazer a diferença.

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A resposta do cérebro a situações ameaçadoras é menor quando ele tem contato com imagens de pessoas amadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.
Pesquisadores da Universidade de Exeter na Inglaterra avaliaram a resposta da região do cérebro que monitora as ameaças que enfrentamos, melhor dizendo as amígdalas, através da ressonância magnética funcional. Quando os voluntários eram apresentados a palavras e expressões faciais com contexto ameaçador, a ativação das amígdalas era bem menor quando eles eram apreciavam previamente de forme rápida imagens de pessoas amadas. Isso aconteceu mesmo sem prestar atenção no contexto das imagens das pessoas queridas.
Estudos prévios já haviam mostrado que esse contato com imagens de pessoas amadas é capaz de reduzir a resposta cerebral à dor. É bem conhecido também que é mais fácil a recuperação de pessoas com trauma psicológico quando elas têm o suporte emocional de pessoas queridas.
Novos estudos serão realizados usando essa estratégia no tratamento de indivíduos com estresse pós-traumático e outros transtornos mentais que levam a uma hipervigilância a situações estressantes e que, por sua vez, provocam respostas emocionais negativas exageradas.
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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Lancet aponta que o bem estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida.
Nove mil ingleses com uma média de idade de 65 anos responderam a um questionário que avaliava a capacidade de autocontrole, a percepção se a rotina da vida tem importância e faz sentido. Aqueles que tinham melhores pontuações nesse questionário tinham uma chance 30% menor de morrer durante os oito anos do estudo comparados aos que tinham baixa pontuação Isso foi independente de outros fatores como depressão, status socioeconômico, consumo de álcool e saúde em geral. Nesses oito anos, 9% dos que tinham alta pontuação morreram comparados a 29% daqueles com baixa pontuação. E como se explica essa relação entre o bem estar psíquico e a saúde do corpo? Os hormônios, o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita e pressão arterial anda mais nos trilhos.
Os pesquisadores também discutem as diferenças desse bem estar ao longo da vida em diversas culturas. Em países desenvolvidos, a satisfação com a vida diminui na meia idade e volta subir na velhice. Entende-se que nesses países, as pessoas trabalham mais nas fases mais produtivas da vida para garantir um futuro mais seguro, ameaçando o grau de satisfação com o tempo presente. Esse mesmo padrão pode ser encontrado em países da América Latina e Caribe, só que o declínio de satisfação na meia idade é menos acentuado. Já nos países do Leste Europeu, os idosos têm menos satisfação que os adultos de meia idade. Discute-se que a queda do comunismo pode ter privado os idosos não só de benefícios materiais e acesso a assistência médica como também da ideologia comunista. Na África Subsariana, adultos jovens, de meia idade e idosos, todos têm baixos níveis de satisfação com a vida.

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.
No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência. Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência. Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.
Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro. Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

Sabemos que alguns componentes nobres do cacau têm ações antioxidantes e antiinflamatórias que ajudama reduzir o risco de derrame cerebral. Mas será o cacau também tem o poder de melhorar nossas funções cognitivas como a memória? Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico Nature Neuroscience aponta que a resposta é sim.
Pesquisadores da Universidade de Columbia nos EUA mostraram que três meses de consumo diário de um superpreparado líquido das substâncias nobres do cacau, chamadas de flavanols, deixa a memória realmente mais afiada. O preparado fez com que voluntários com 60 anos de idade passassem a ter o desempenho de memória semelhante aos de 30-40 anos. A pesquisa também mostrou que o giro denteado do hipocampo passava a receber maior fluxo sanguíneo após os três meses de flavanols. Esta é uma região do cérebro que está intimamente associada ao declínio cognitivo do envelhecimento normal. Essa ativação pelos flavanols já era conhecida entre roedores.
Não pense em encher a cara de chocolate, pois isso não deve ter o mesmo efeito. O preparado continha 900mg de fllavanols e foi produzido especialmente para a pesquisa. Essa concentração corresponderia a umas 25 barras de chocolate ou até mais, já que durante o processamento do cacau, perde-se muito desses componentes.
A empresa de alimentos Mars que financiou parcialmente o estudo está sempre de olho na produção desses preparados em larga escala. Novos estudos serão realizados para testar se concentrações mais baixas de flavanols serão capazes de propiciar o mesmo efeito na memória. Além disso, não se sabe ainda quanto tempo dura o efeito.

O álcool deixa as pessoas mais responsivas ao sorriso dos outros, mas parece que isso só acontece entre os homens. Essa é conclusão de um estudo publicado recentemente por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh nos EUA. Os resultados da pesquisa sugerem que o cérebro dos homens é mais sensível a comportamentos sociais dos outros quando estão sob o efeito do álcool. Isso pode ser mais um fator que aumenta o risco de abuso de álcool entre eles. Vale lembrar que os homens têm uma tendência 50% maior em abusar do álcool.
Os pesquisadores avaliaram 720 voluntários com idades entre 21 e 28 anos. Eles conversavam entre eles ao redor de uma mesa e uma parte deles bebia um drink de vodka, outra parte um drink sem álcool e um terceiro grupo tomava uma falsa bebida alcoólica. A filmagem das conversas revelou que o sorriso era mais contagiante entre aqueles que experimentavam o drink alcoólico, mas só quando a mesa era composta por homens. Quando a mesa tinha só mulheres, ou mulheres misturadas com homens, o efeito contagiante do álcool era insignificante.

Você gosta de compartilhar com os outros seus feitos épicos mais recentes? A travessia oceânica que você ficou entre os cinco primeiros colocados, aquela viagem exótica, aquele vinho raro que você apreciou na casa de um amigo. Tudo isso é muito bom, mas contar para os outros tem seu custo social. Isso é o que sugere os resultados de um estudo publicado recentemente por pesquisadores das Universidades de Harvard e Virginia nos EUA.
Custo social? Como assim? As pessoas têm a falsa crença que ao relatar uma experiência extraordinária serão o centro das atenções numa conversa, mas não é bem assim. Os feitos épicos fazem as pessoas parecerem muito diferentes da média e o fato é que as interações sociais têm as similaridades como forte alicerce.
Os pesquisadores resolveram testar isso em laboratório em grupos de quatro pessoas. Um deles assistia a um vídeo incrível – 4 estrelas (uma performance de um mágico para um multidão) e os outros três um vídeo ordinário – 2 estrelas (desenho animado). Após a sessão de vídeo eles sentavam numa mesa para conversar.
Os voluntários que tinham assistido ao vídeo incrível sentiram-se pior após a conversa quando comparados àqueles que experimentaram os desenhos animados. Sentiram-se mais excluídos da discussão. As pessoas que assistiram aos desenhos animados eram perguntadas depois do experimento como deveriam se sentir se tivessem experimentado o vídeo mais extraordinário. Como já era esperado, eles achavam que se sentiriam melhor e conversariam mais após a experiência 4 estrelas.
Segredo do mineirinho feliz: comer caviar quieto.

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Pessoas sabidas são muito criteriosas para fazer uma escolha. Podem até fazer listas de prós e contras antes de tomar uma decisão. Mas nem sempre quebrar a cabeça traz os melhores resultados e esse parece ser o caso da apreciação da arte.
Pesquisadores holandeses pediram a dois grupos de voluntários que apreciassem imagens no computador de pinturas e fotografias. Um dos grupos foi encorajado a olhar as imagens de forma bastante cautelosa anotando numa folha de papel as características que gostavam e as que não gostavam. Outro grupo apenas apreciava as imagens sem qualquer orientação de análise consciente. No final, todos eles visualizavam o conjunto das obras, escolhiam a que mais agradava e podiam levar uma impressão para casa numa moldura.
Três a cinco semanas depois os voluntários recebiam uma ligação telefônica e eram perguntados sobre o quanto estavam satisfeitos com o quadro que ganharam numa escala de um a dez. Aqueles que simplesmente apreciaram as obras sem fazer análise crítica estavam mais satisfeitos com o quadro em casa.
O pensamento racional foca-se em algumas poucas variáveis e envolve menos a emoção. Já as impressões mais inconscientes são mais holísticas, integram melhor as diferentes dimensões envolvidas. E essa avaliação inconsciente combina muito mais com o prazer que se tem em frente a uma obra de arte. E não é só para obras de arte que nosso cérebro irracional sabe fazer excelentes escolhas. O cérebro tem a capacidade de absorver sem muita consciência várias informações picadas que serão traduzidas em uma idéia maior. Pode-se chamar esse fenômeno de pré-cognição e explica porque muitas vezes antecipamos algum acontecimento. É o tal pressentimento que parece não ter nada de místico ou paranormal.
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Uma pesquisa acaba de ser publicada no periódico American Journal of Political Science apontando que as pessoas acham o cheiro de pessoas com tendências políticas semelhantes mais agradáveis do que os que têm posições contrárias.
Pesquisadores das universidades americanas de Bronx, Harvard e Pensylvania fizeram um experimento com 146 voluntários. Vinte e um deles foram considerados extremos do ponto de vista político: conservadores ou liberais. Esses 21 voluntários tinham que lavar as axilas com sabão neutro e depois deixar uma gaze no local por um período de 24 horas sem sexo, álcool, cigarros, perfume, desodorante e sem contato com animais. Uma semana depois os demais participantes tinham que “apreciar” o cheiro dos paninhos e davam uma nota de 1 a 5 para o odor. Além disso, eles tinham que tentar adivinhar se os donos do cheiro eram conservadores ou liberais.
Os cheiros que faziam mais sucesso eram o de pessoas que tinham a mesma orientação política daquelas que os provavam. Isso explica em parte porque tantos casais dividem a mesma ideologia política. Estudos mostram que só a religião é mais concordante entre os casais que a orientação política.
A tal história que os opostos se atraem é puro mito. Os psicólogos não têm muita dúvida disso. As pessoas costumam se casar com outras de nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. A isso dá-se o nome de monogamia. O cheiro pode inconscientemente potencializar essa tendência monogâmica. Facilita uma relação de longo prazo de pessoas com ideologias parecidas.
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Pessoas com diferentes expertises têm mais sucesso no desempenho de uma tarefa complexa que um time de pessoas com formação muito homogênea. Mas será que a diversidade social também traz vantagens? Juntar pessoas com diferentes convicções politicas, etnias, gêneros e orientações sexuais pode ser muito melhor que uma turma de homens branquinhos que apóia o mesmo partido político.
Essa diversidade é vista hoje como condição necessária para uma equipe alcançar a inovação. Pesquisas mostram que empresas que têm mais mistura étnica e de gênero ganham mais dinheiro que as muito homogêneas. Grupos de cientistas multi-étnicos têm mais sucesso
A diversidade permite mais criatividade. Quando interagimos com uma pessoa diferente da gente, temos a tendência em nos preparar melhor para a tarefa, para a argumentação. É mais comum anteciparmos alternativas de opinião e temos a expectativa de que o esforço será grande para um consenso. A pessoa acaba se esforçando mais.
Uma menor produção do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.
Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o inicio da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior frequência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro – os americanos já dirigem aos 16 anos.
Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou nesta ultima semana um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.
E se atrasar o inicio das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.
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O sentimento de estar conectado com as pessoas da comunidade pode até diminuir o risco de infarto do coração. Essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado pelo Journal of Epidemiology & Community Health
Mais de cinco mil voluntários americanos, com uma média de idade de 70 anos, foram acompanhados por quatro anos e responderam a um questionário que avaliava a percepção de coesão social com a vizinhança. Eles tinham que dar uma nota de um a sete para quatro afirmações:
- Eu realmente sinto que faço parte da comunidade;
- Se eu tiver algum problema, eu terei uma série de pessoas na vizinhança que eu posso contar com apoio;
- A maioria das pessoas da vizinhança é confiável;
- A maioria das pessoas da vizinhança é amigável.
Quanto menor a pontuação nas repostas, maiores foram as chances de sofrer um ataque do coração. Esse efeito foi independente do grau de suporte social de amigos e familiares.
Já existiam algumas poucas pesquisas mostrando um maior risco de infarto do coração e derrame cerebral quando se tem uma baixa coesão social com a vizinhança. A atual pesquisa foi pioneira ao avaliar o lado positivo de uma boa integração com a vizinhança. Essa coesão social também promove mais saúde mental e favorece comportamentos saudáveis, como a prática de atividade física. .
Outras coisas da vizinhança que fazem diferença na saúde cardiovascular: níveis de ruído, poluição do ar, violência e número de estabelecimentos fast-foods.

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Despertar confusional. Esse é o nome de um transtorno do sono que acomete um em cada 15 adultos. Uma pessoa que tem essa condição apresenta confusão mental ou comportamento inapropriado nos primeiros 5-15 minutos acordada.
É mais comum quando a pessoa desperta do sono profundo no início à noite, mas também pode acontecer pela manhã. Ao invés de desligar o despertador, atender ao telefone, por exemplo. Muitas vezes não vão se lembrar de nada depois do ocorrido. Estímulos externos súbitos, como o despertador ou o telefone, costumam precipitar os eventos que podem, às vezes, ser acompanhados por comportamento violento.
O despertar confusional tem sido bem menos estudado que o sonambulismo, mas as consequências podem ser sérias em ambas as condições. Uma pesquisa publicada na última semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia mostra que a prevalência do transtorno é maior do que se pensava. Após entrevistar quase 20 mil adultos, pesquisadores da Universidade de Stanford, Minnesota e Paris Descartes, mostraram que 15% dos voluntários haviam experimentado um episódio de despertar confusional no último ano e metade deles declarou ter mais de um episódio por semana. A maioria (84%) apresentava outros transtornos de sono, diagnósticos psiquiátricos e uso de psicotrópicos. A pesquisa também mostrou que as pessoas que dormiam menos que seis horas por noite, ou mais de nove horas, apresentavam as confusões mais frequentemente.
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Cientistas validaram um novo método para identificar o quanto uma pessoa é narcisista. Eles conduziram 11 experimentos e chegaram à conclusão que fazer uma única pergunta pode ser tão eficaz quanto uma escala de 40 questões que leva quase quinze minutos para ser aplicada, e isso pode fazer muita diferença quando se estuda milhares de pessoas. A pergunta é: O quanto você concorda com a frase: “Eu sou narcisista” (Nota: a palavra “narcisista” significa egoísta, vaidoso). Os voluntários tinham que marcar numa escala de 1 (pouco) a 7 (muito).
Narcisistas costumam se achar superiores aos outros e têm até orgulho do fato. Não enxergam esse traço da personalidade como uma qualidade negativa e por isso não escondem quando são interrogados a esse respeito. São vaidosos, exibicionistas e autoritários, e pesquisas mostram que acabam sendo bons líderes. Têm mais sentimentos positivos e são mais extrovertidos. Por outro lado não costumam criar muita empatia e isso pode atrapalhar as relações interpessoais, tendo maior dificuldade em manter relacionamentos românticos de longo prazo. Além disso, têm mais chance de ter comportamento sexual de risco.
Narcisistas acham que já são o máximo e por isso não precisam melhorar em nada. Uma sociedade narcisista tem suas limitações óbvias, pois seus membros não tiram os olhos dos próprios umbigos.
O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.








