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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição geneticamente herdada que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. O problema acomete entre 6 e 8% das crianças em todo o mundo e ate 60% delas continuarão a apresentar os sintomas durante a adolescência e idade adulta. Já é bem reconhecido que crianças com o diagnostico de TDAH tem um maior risco de no futuro usarem drogas, incluindo abuso e dependência de álcool e drogas ilícitas, assim como tabagismo.  Além disso, há um forte corpo de evidências que aponta que esse risco é menor entre adolescentes que receberam tratamento com medicações estimulantes como o metilfenidato durante a infância. Estudos com modelos animais de TDAH revelam que o uso dessas medicações reduz o interesse por drogas como a cocaína. O fator psicossocial também pode ser relevante, e poderíamos hipotetizar que crianças tratadas na infância receberam mais atenção por parte dos pais.

 

Um novo estudo publicado na última edição da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine confirma o efeito protetor do tratamento medicamentoso em crianças sobre o risco das mesmas usarem drogas no futuro, efeito até então mais estudado entre os meninos. A pesquisa acrescenta um importante dado à literatura: o efeito protetor do tratamento é tão importante nas meninas como nos meninos.   

 

 

 

O crescimento do consumo de bebidas energéticas cafeinadas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, variando de 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos, e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. É bom ter consciência sobre os potenciais riscos do consumo dessas bebidas em exagero e/ou em combinação com o álcool.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.  Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.

 

A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI.  A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?

 

A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito NOCEBO, também do latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas,  o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena. Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções gastro-intestinais, entre outros sintomas.

 

O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.

 

É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte. 

 

Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes.  De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relaçao com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…

 

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COMO FUNCIONA O EFEITO PLACEBO?  

EFEITO PLACEBO NÃO É SÓ PÍLULA DE FARINHA

 

 

 

 

Podemos dizer que um chimpanzé só olha para o próprio umbigo.  Por um lado ele não tem a mínima tendência em oferecer alimento a parceiros do mesmo grupo, mesmo que a atitude não custe nada a ele. Por outro lado, ele também não costuma impedir que outro tenha acesso a alimento.

 

Dividir com os outros, pelo menos com os membros do próprio grupo social, é uma característica única do ser humano. Um estudo publicado esta semana pela revista Nature mostra que nosso lado altruísta não nasce pronto, mas vai se desenvolvendo durante a primeira década de vida. Pesquisadores suíços demonstraram que crianças entre 7 e 8 anos de idade já são capazes de dividir seu alimento de forma igualitária com parceiros do mesmo grupo social (coleguinhas de escola), mesmo quando têm a chance de ficar com a maior parte. Nesse estudo, as crianças ainda apresentaram aversão a situações em que a divisão era feita com desigualdade. A metodologia usada permitiu inferir que os resultados observados são independentes do efeito reputação, ou seja, a atitude altruísta das crianças foi considerada independente do fato de se “fazer o bem” porque tem gente olhando e que por isso a ação poderia trazer benefícios futuros. No caso de adultos, é mais difícil isolar o efeito reputação, já que mesmo instruídos de que as respostas serão mantidas em sigilo, o comportamento pode ser influenciado pela sensação de que sempre alguém pode estar olhando.

 

Em contraste, no mesmo estudo crianças ente 3 e 4 anos não tinham muita tendência em dividir com seu grupo. É sabido que crianças até com menos de dois anos de idade são capazes de colaborar com outras na realização de tarefas motoras, fenômeno chamado de altruísmo instrumental, e essa é uma condição também observada entre nossos ancestrais chimpanzés. Porém, dar uma forcinha para abrir uma porta é uma coisa. Já dividir o alimento é outra bem diferente.

 

O estudo demonstra que o altruísmo humano já existe entre as crianças e mais uma vez nos revela que a cooperação é mais forte entre indivíduos do mesmo grupo social, também conhecida pela ciência como cooperação paroquial. E essa é uma das mais marcantes habilidades do ser humano e que não é encontrada em outras espécies: a capacidade de criar e manter laços de cooperação com indivíduos que não são de seu mesmo núcleo familiar.

 

 

 

 

 

 

São inúmeras as razões pelas quais um casal pode enfrentar problemas no relacionamento e pesquisadores suecos encontraram mais uma. Eles identificaram uma associação entre a maneira que homens se relacionam com suas parceiras e seu repertório genético em uma amostra de mais de 500 casais.

 

O estudo foi publicado esta semana na respeitada revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) e mostrou que uma variante de um gene que codifica o receptor do hormônio cerebral vasopressina guarda relação com o quanto um homem reconhece como sendo forte sua relação com sua parceira.  Essa mesma variação genética também foi associada à forma com que a parceira avalia a relação conjugal e também à história de ter apresentado crise conjugal no ano anterior do momento da entrevista.  A grande pista para que os cientistas dessem início ao estudo foi a prévia demonstração em roedores que esse mesmo gene tem relação com o comportamento monogâmico dos animais.  

 

Os resultados da pesquisa não devem ser interpretados como a descoberta do gene da infidelidade.  Abrem-se sim importantes janelas para o melhor entendimento de transtornos em que o “cérebro social” não tem desempenho adequado, como é o caso do autismo e da fobia social.  

 

 

 

A Associação Americana de Medicina define o conceito de alfabetização em saúde como a capacidade de obter, processar e compreender informação básica em saúde necessária à tomada de decisões apropriadas e que apóie o correto seguimento de instruções terapêuticas. Reconhece-se que a maioria da população americana não é alfabetizada em saúde, o que leva a mais freqüentes erros no uso de medicações, à não procura de ajuda médica quando necessário e à dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis. E o jornalismo tem um importante papel na construção dessa alfabetização.

 

Esta semana, pesquisadores da escola de jornalismo de Missouri – EUA divulgaram uma importante pesquisa sobre jornalismo científico em saúde e receberam o prêmio Top Faculty Paper em comunicação em ciências na última Convenção da Associação para Educação em Jornalismo e Comunicação em Massa, Chicago – EUA. Foram entrevistados cerca de 400 jornalistas dedicados à área de saúde de magazines e jornais em todo o país, com uma média de sete anos de experiência em jornalismo em saúde.

 

Apenas 18% dos entrevistados haviam recebido treinamento especializado em jornalismo científico em saúde. Metade deles declarou não ter familiaridade com o conceito de alfabetização em saúde e muitos disseram ter dificuldade em explicar informações científicas aos leitores mantendo a credibilidade científica da informação. As três táticas mais usadas pelos jornalistas para ajudar no melhor entendimento da informação pelo leigo foram: 1) incluir a opinião de especialistas; 2) evitar o uso de termos técnicos; 3) disponibilizar dados estatísticos. Quanto aos dados estatísticos, esse é um conhecimento muito importante para o entendimento de informações em saúde, e levar esse conhecimento ao público leigo é um grande desafio, já que uma importante parcela da população tem limitação em entender números.

 

Mais da metade dos entrevistados disse acreditar que a maioria dos leitores usa as informações para melhor entendimento de temas sobre saúde, e que usam essas informações para uma melhor comunicação com profissionais de saúde. Os jornalistas dedicados aos jornais reconheceram contribuir primariamente na disponibilização de informação, enquanto os jornalistas de magazines relataram acreditar terem um importante papel na mudança de atitudes de vida dos seus leitores.

 

O jornalismo em saúde tem o importantíssimo papel de traduzir informações científicas de qualidade à população leiga, com um grande potencial de transformação social. A boa formação dos profissionais que atuam na área pode aumentar o sucesso com que a informação chega aos interessados. Essa boa formação deve contemplar o desenvolvimento de habilidades na comunicação com o público leigo, como também o fortalecimento de um senso crítico que promova a priorização de divulgação das informações que sejam mais relevantes à sociedade.   

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

  

 

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres e vários fatores de risco têm sido demonstrados, entre eles: história familiar, exposição à radiação, uso de hormônios estrogênicos, pouco tempo de amamentação ou ausência desta, tipo de dieta, tabagismo e consumo de álcool, falta de atividade física.

 

Nos últimos anos, uma série de pesquisas tem revelado também associação entre o câncer de mama e eventos estressantes na vida, assim como estados de ansiedade e depressão. A explicação principal reside no fato de que fatores psicológicos podem levar a disfunções do sistema imunológico e o desenvolvimento de células malignas. Um novo estudo publicado esta semana na revista BMC Cancer sugere mais uma vez que mulheres que passam por mais eventos estressantes na vida apresentam maior risco em apresentar câncer de mama.

 

Pesquisadores israelenses avaliaram a história de vida de mais de 600 mulheres com idade entre 25 e 45 anos através de questionários que avaliavam o estado psicológico e eventos estressantes / traumáticos (ex: perdas de entes queridos, separação dos pais, perda do emprego, etc.). Uma parte das mulheres tinha história de câncer de mama e outra parte não apresentava história de qualquer tipo de câncer.

 

As mulheres com história de câncer de mama não só apresentavam maior pontuação na escala de sintomas de ansiedade e depressão e uma menor percepção de felicidade e otimismo, como também apresentavam maior pontuação na escala de eventos psicológicos estressantes / traumáticos: as mulheres com história de câncer de mama apresentavam mais freqüentemente dois ou mais eventos estressantes ao longo da vida.

 

Os estudos não são definitivos, mas colocam mais luz sobre uma questão importante: mulheres que passam por eventos psicológicos estressantes / traumáticos na infância podem ser consideradas como grupo de risco para o desenvolvimento de câncer de mama, e talvez necessitem de programas de prevenção diferenciados. Por outro lado, o otimismo e a auto-percepção de felicidade podem ser fatores protetores para o desenvolvimento da doença.

 

 

 

 

Um estudo divulgado esta semana na convenção anual da Associação Americana de Psicologia (Boston, EUA) traz novas evidências sobre o impacto do uso de antidepressivos no desempenho do indivíduo ao volante. Os pesquisadores submeteram 60 pessoas a um simulador de direção que exigia dos participantes tomadas de diversas decisões habituais do trânsito, como reagir à luz de freio do carro da frente. Metade dos participantes usava pelo menos um tipo de antidepressivo enquanto a outra metade não usava qualquer medicação. O desempenho “ao volante” dos pacientes que usavam antidepressivos só foi pior do que o do grupo controle entre aqueles que apresentavam um alto score de sintomas depressivos. O estudo sugere que o impacto do uso do antidepressivo sobre o desempenho ao volante possa ser menos significativo do que o próprio estado depressivo.

 

Um estudo anterior conduzido na Alemanha (J Clin Psychiatry 2006), desta vez com pacientes avaliados imediatamente após alta hospitalar de internação por quadro depressivo, evidenciou que 16% desses pacientes apresentava severo comprometimento do desempenho à direção, também avaliado por simulador de trânsito. Alguns estudos até compararam a influência de diferentes tipos de antidepressivos, demonstrando que alguns deles influenciam menos a capacidade de dirigir.

 

Esse é um assunto importante, pois o uso de antidepressivos vêm crescendo cada dia mais. Nos EUA, estima-se uma em cada dez mulheres usam essa classe de medicação. Não importa tanto se é a medicação em si ou estado depressivo que tem mais relevância na performance dos condutores. Pacientes, médicos e autoridades devem estar cientes do problema.  

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todo mundo conhece um pouco sobre as diferentes mudanças físicas, mentais e psicossociais que as mulheres passam quando se tornam mães, e seus potenciais reflexos sobre a saúde. Até mesmo o cérebro passa a ser diferente com a maternidade (Cérebro de mãe é turbinado mesmo). Já o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens é um tema ainda pouco explorado pela ciência.

 

A paternidade no mundo contemporâneo extrapola o modelo estereotipado do pai provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos filhos. Hoje em dia não são raros os pais que moram sozinhos com os filhos, pais que cuidam da casa enquanto a mãe que é provedora e trabalha fora, pais que moram longe dos filhos, pais numa relação homossexual, e outras variações de paternidade que pareceriam exceções à regra há algumas décadas atrás.

 

E será que a paternidade exerce alguma influência sobre a saúde dos homens?  Os filhos podem ser um fator positivo na vida dos homens como fonte de satisfação e realização, e até de atividade física, já que muitos homens retornam à atividade esportiva incentivados pela chance de fazê-la junto aos filhos. Inclusive, atividade física junto ao filho é mais comum com o pai do que com a mãe. Por outro lado, a paternidade pode trazer efeitos negativos se, por exemplo, o homem encará-la com culpa por não viver junto ao filho ou se o homem tiver que trabalhar além dos seus limites desejáveis depois que a conta com os filhos passou a ficar mais cara, deixando de cuidar de sua própria saúde e às vezes até se sentindo penalizado. A forma como o homem vive a paternidade além de poder influenciar seus hábitos de vida, e conseqüentemente sua saúde, pode influenciar também o desenvolvimento psíquico de seus filhos e a própria saúde do relacionamento conjugal. Pesquisas ainda revelam que pais com filhos que apresentam doenças crônicas apresentam mais chance de estresse na relação conjugal e separação e também maior chance de desemprego.

 

Mas os estudos sobre o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens ainda estão só no começo. O conhecimento até o momento foi muito focado no impacto psicossocial nos primeiros após o nascimento do filho, e estudos tem sido desenvolvidos para avaliar essa questão mais a longo prazo. O fator paternidade deve começar a ser levado em conta no cuidado da saúde do homem, com recomendações de equilíbrio entre trabalho e família integradas às habituais orientações de hábitos saudáveis de vida. Uma pesquisa recente envolvendo milhares de americanos revelou que o consumo de gordura total e saturada por adultos é maior nos lares com crianças.

 

Uma maior atenção ao lado pai do homem tem o potencial de promover sua saúde, e certamente promoverá mais saúde aos seus filhos também. Recentemente, a academia americana de pediatria passou a recomendar aos pediatras que estimulem os pais a participarem mais do dia-a-dia dos filhos, já que são inúmeras as evidências da forte influência do pai sobre o desenvolvimento dos filhos, do ponto de vista social, psíquico e cognitivo. 

 

 

 

 

A detecção precoce da infecção pelo vírus HIV permite que o tratamento seja iniciado antes mesmo do desenvolvimento de sintomas, e a testagem preventiva entre adolescentes e adultos é amplamente recomendada pelos especialistas. O precoce diagnóstico também permite um melhor controle da transmissão da doença. Nos EUA, estima-se que 25% dos indivíduos infectados não tem consciência do diagnóstico.

 

Os atuais testes usados para a detecção de infecção pelo HIV usam amostras de sangue e demoram alguns dias para ficar prontos. Recentemente, testes que permitem resultados bem mais rápidos usando a saliva das pessoas têm sido desenvolvidos, mas poucos estudos avaliaram o quanto esses testes são capazes de detectar corretamente os indivíduos infectados.

 

Um estudo publicado hoje pela revista Annals of Internal Medicine avaliou a eficácia de um desses testes em 850 pacientes que procuraram um pronto socorro na cidade de Boston, EUA. Os testes ficavam prontos em 20 a 40 minutos e 4,6% dos indivíduos testados apresentaram resultados positivos. Esses pacientes foram submetidos aos testes “padrão ouro” pelo sangue e o resultado foi que 16% deles realmente estavam infectados pelo HIV.  

 

O número de testes falsamente positivos foi muito maior que aquele demonstrado pelo fabricante do teste, mas só o fato de selecionar um grupo de indivíduos em que 16% deles é infectado, já é de grande valia. A experiência atual desse hospital em Boston é de que em cada 100 pacientes avaliados no pronto-socorro com teste da saliva, cinco apresentarão resultado positivo, e após testagem no sangue, um deles realmente estará infectado pelo HIV. Não é pouca coisa quando se pensa em políticas públicas de detecção precoce de um problema de saúde grave e que não é considerado tão comum. A eficiência do teste já é melhor que muitos outros testes de screening amplamente realizados na prática clínica, como é o caso da mamografia para detecção de câncer de mama.  

 

Novos testes rápidos têm sido desenvolvidos com a expectativa de aumentar a precisão diagnóstica desse tipo de exame. Enquanto não dispomos de vacina para a AIDS, esses testes rápidos passam a fazer parte do arsenal disponível para o precoce diagnóstico da infecção.

 

 

IMPORTANTE: O teste da saliva é uma reação imunológica e não a detecção do vírus HIV na saliva. Em alguns pacientes infectados, pode-se até detectar o vírus na saliva, mas a ciência não reconhece o beijo como forma de transmissão do vírus HIV.  

 

 

 

 

 

Além de aumentar o risco de inúmeras doenças como o câncer e doenças cardiovasculares, sabemos também que a obesidade influencia negativamente o pleno funcionamento de nossas funções cerebrais.

 

A capacidade do indivíduo em reconhecer que está acima do peso pode ter grande influência no controle da epidemia de obesidade do mundo moderno, e são vários os fatores envolvidos nessa auto-percepção de obesidade, incluindo os aspectos socioculturais.

 

Uma interessante pesquisa conduzida na Inglaterra e publicada no British Medical Journal esta semana revela que o número de ingleses que podem ser categorizados como obesos dobrou nos últimos 10 anos – de 11% em 1999, para 19% em 2007. Entretanto, em 1999, 43% da população podia ser classificada como acima do peso e 81% dessas pessoas reconhecia corretamente que estava acima do peso. Já em 2007, 53% da população podia ser classificada como acima do peso, e 75% reconhecia corretamente que estava acima do peso.

 

Uma das hipóteses mais fortes para explicar essa menor capacidade dos ingleses em se perceberem acima do peso é que o aumento da prevalência da obesidade faz com que as pessoas comparem-se a si mesmas com outras com graus de obesidade mais avançados. Isso faria com que pessoas com graus de sobrepeso leve ou moderado se sentissem em dia com a balança.

 

E de que adiantam campanhas educativas para redução da obesidade, se as pessoas com sobrepeso acham que o problema não é com elas. Uma das saídas é educar e incentivar a sociedade como um todo a adotar hábitos de vida saudáveis. Tirar o foco sobre os obesos poderia ajudar também a reduzir o estigma associado à condição.

 

 

 

 

 

Hoje em dia ligamos o rádio ou a TV e ouvimos especialistas em marketing nos ensinando sobre como o Neuromarketing pode ser uma valiosa ferramenta para o sucesso das empresas. Nesse caso, a idéia é de que algumas estratégias de comunicação podem ser mais eficazes no processo de “pescar os cérebros dos consumidores” com base em sérios, porém poucos, experimentos neuropsicológicos e de imagem cerebral. Grandes empresas já começam a pedir assessoria de neurocientistas para compor o time que pensa as estratégias de marketing. Paralelamente ao crescimento do volume de conhecimento nessa área, podemos observar um crescimento muito mais veloz no número de consultores de marketing que parecem às vezes já deterem o segredo do “centro cerebral de compras”.

 

Profissionais da saúde que trabalham com a mente e o cérebro já vendem programas de estimulação e exercícios para o cérebro chamados de Neuróbica, Neurofitness. Temos evidências científicas sérias sobre efeitos de programas de exercícios cognitivos através de “ginásticas cerebrais padronizadas”’, especialmente entre idosos. Queixas de memória são muito freqüentes entre adultos jovens e na maioria das vezes essas queixas são só a ponta do iceberg do estresse no dia-a-dia, quadros de ansiedade e depressão ou outras doenças. Buscar “consertar a vida”, dando mais chance ao lazer, à atividade física e ao bom sono, reduzindo o estresse e tratando o corpo e a mente quando preciso, provavelmente deixe o cérebro muito mais “sarado” do que cursos de criatividade, de memorização ou de como usar melhor os dois lados do cérebro. 

 

Temos vivenciado discussões sobre a Neuroestética, uma forma de explicar a experiência estética através das neurociências. Alguns estudos têm demonstrado que a obra de um certo pintor ativa mais certas regiões do cérebro enquanto a obra de outro pintor ativa outras regiões. Outros nos mostram que a obra de um poeta estimula certas áreas do cérebro por conter um tipo específico de fórmula sintática. Não precisamos nos esforçar muito para defender a idéia de que a arte está longe de ser um fenômeno meramente estético, em que padrões de tipo A e tipo B estimulam áreas X e Y do cérebro. A apreciação da arte envolve não só a experiência sensorial, como também a experiência de vida de quem a aprecia, o contexto histórico da obra, etc. Chega a ser uma provocação patética tentar explicar o virtuosismo de um bailarino através do seu padrão de ativação neuromuscular.

 

E por aí vai. A cada dia somos surpreendidos com os mais originais e às vezes duvidosos “neuros”: neurofilosofia, neurocomunicação, neurofuturo, neuroética, neuronutrição, neuro-psicanálise, programação neurolinguística, neuroeconomia, etc. A impressão é que o prefixo neuro é muitas vezes usado para dar um ar de credibilidade e legitimidade científica ajudando a vender idéias que ainda estão saindo do ovo ou que não passam de meras neuroespeculações e neuroextrapolações. 

 

 

 

 

É senso comum que para a promoção de um desenvolvimento sexual saudável durante a adolescência a participação ativa dos pais é muito valorosa. Estudos recentes têm revelado que filhos que discutem com seus pais a questão da sexualidade tendem a iniciar a vida sexual mais tardiamente, usam métodos contraceptivos com maior freqüência e tem menos parceiros sexuais. Os pais, sem dúvida alguma, são grandes protagonistas para o sucesso do desenvolvimento sexual dos filhos.  Infelizmente, muitos pais pouco se comunicam com os filhos sobre o tema e tratam o assunto com desconforto e insegurança. Programas que promovam uma melhor comunicação entre pais e filhos podem ser extremamente valorosos, mas muitos desses programas não vão muito para frente devido às dificuldades de disponibilidade de tempo por parte dos pais. E se a montanha não vai até Maomé, que tal se Maomé for até à montanha.

 

A edição de hoje do British Medical Journal nos traz a experiência do programa PAIS QUE CONVERSAM, ADOLESCENTES SAUDÁVEIS liderado por Mark Schuster do  Children´s Hospital de Boston – EUA. O programa foi desenvolvido para aumentar a competência dos pais em conversar com seus filhos sobre sexualidade.  A inovação é que nesse programa os filhos vão até o trabalho de seus pais na hora do almoço. São oito encontros em grupos de cerca de 15 famílias, uma vez por semana com duração de uma hora onde pais e filhos participam de trabalhos em que treinam a capacidade de prestar atenção ao outro (escuta ativa), fazem uso de jogos, vídeos, realizam discussões e levam tarefas para casa (pais e filhos juntos), tudo focado para incrementar a capacidade de comunicação entre pais e filhos sobre o tema sexualidade.

 

Mais de 500 famílias com adolescentes em idades entre 11 e 16 anos participaram do estudo. Após o programa de oito semanas, os adolescentes e pais eram interrogados através de questionário sobre sobre comunicação de questões relacionadas à sexualidade. Quando comparados ao grupo controle, o grupo que participou do programa evidenciou que os pais mais freqüentemente deram instruções aos filhos de como usar o preservativo, conversaram mais sobre tópicos associados à sexualidade, e tanto pais como filhos, evidenciaram uma maior competência em discutir sobre o assunto. Esses resultados foram consistentes mesmo após nove meses de seguimento, e em alguns fatores pesquisados, os resultados melhoraram ainda mais com o passar do tempo.

 

O objetivo do estudo era de  medir o impacto do programa sobre questões relacionadas à sexualidade. Poucos devem duvidar que os benefícios tendem a se estender a diversas outras dimensões da vida dos adolescentes.

 

 

 

Já existem no mercado diferentes medicações que têm o poder de melhorar o desempenho de memória e concentração, e os médicos costumam prescrevê-las a pacientes com disfunções neuropsiquiátricas. Entretanto, nos últimos tempos podemos perceber que a prescrição dessas medicações tem sido estendida a outras situações, como é o caso de indivíduos que trabalham em turnos noturnos, militares, e até mesmo a pessoas que simplesmente querem “turbinar” o cérebro para o trabalho, com a intenção de melhorar a atenção e a memória.  

 

Onde é que vamos chegar com isso? Além dos prós e contras dessas medicações sobre nossa saúde a longo prazo, certamente há uma grande questão ética a ser discutida. Tais medicações têm sido cada vez mais usadas em todo o mundo, cada vez em idades mais precoces. Uma recente pesquisa realizada pela revista britânica Nature envolvendo 1400 leitores (cientistas e estudantes) de 60 diferentes países revelou que 20% das pessoas que responderam à pesquisa já tinham usado medicações com a intenção de melhorar o desempenho cerebral por razões não médicas, 25% desses com consumo diário. O uso não foi diferente entre as diversas faixas etárias, sendo que 50% das pessoas queixaram-se de efeitos colaterais e um terço das pessoas adquiriam as medicações pela internet, sem necessidade de receia médica. Para se ter idéia da complexidade da discussão, vejam o que um cientista americano de 66 anos de idade respondeu à pesquisa: “Como cientista, é minha missão usar todas as ferramentas ao meu alcance para o benefício da humanidade. Se essas drogas podem contribuir para esse fim, então é minha tarefa usá-las. “

 

No consultório de neurologia, freqüentemente atendo jovens querendo uma medicação para esse fim. Recentemente uma paciente que fazia curso preparatório para concurso público disse que o próprio professor, um juiz federal, a orientou a procurar um neurologista com o seguinte apelo: “já existem medicações que podem melhorar seu desempenho”. Posições radicais como “Oh que horror!” não costumam colaborar muito. É hora sim de aprofundarmos essa discussão com a participação de diversas áreas do conhecimento.

 

Já existem medicações que permitem que o indivíduo fique até três dias sem dormir e “disposto”, e pouco conhecemos sobre seus efeitos a médio e longo prazo. Será que chegaremos ao ponto de criar políticas anti-doping no caso de concursos públicos? Chegaremos a viver numa sociedade que não relaxa e não dorme, já que as vantagens evolutivas da nossa tão falada sociedade da informação são muito mais cerebrais do que musculares e sexuais? Será que os pais ao verem inúmeros colegas de seus filhos usando medicações para o vestibular vão deixar de usar tais hipotéticas armas de competição? É difícil alguém se imaginar cometendo um neuro-doping ao consumir 10 xícaras de café por dia nos meses que antecedem um concurso. Com pílulas deveria ser diferente? Será que essas pílulas poderiam nos oferecer mais do que uns cafezinhos durante o dia? Um indivíduo nascido rico e com boa nutrição no seu desenvolvimento tem inequívocas vantagens competitivas do ponto de vista cerebral quando comparado a outro que passou a infância desnutrido. “Medicações espertas” podem um dia contribuir para reduzir as conseqüências das desigualdades sociais? 

 

A ciência tem muito que investir na avaliação do custo-benefício dessas drogas neuromoduladoras em indivíduos sem queixas ou diagnósticos neuropsiquiátricos. Já existem estudos sendo conduzidos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, buscando saber se o uso de antidepressivos usados por indivíduos saudáveis não poderiam deixá-los mais saudáveis ainda. Ainda sabemos pouco. E quem disse que as pílulas têm mais poder de provocar alto desempenho cerebral do que uma vida saudável com tudo aquilo que sabemos que faz bem ao cérebro: educação, alimentação e sono adequados, atividade física, equilíbrio emocional, etc. Minha aposta é que as pílulas não ganham a disputa.

Ler também: Evolui a polêmica sobre o uso de medicações para turbinar o cérebro

 

 

CLIQUE AQUI e veja entrevista com o DR. Ricardo Teixeira sobre o assunto no Jornal Hoje – Rede Globo

 

CLIQUE AQUI  e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o DR. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

 

Do ponto de vista psicológico, clima frio é aquele nos provoca a sensação de frio ou até mesmo desconforto. Do ponto de vista fisiológico, clima frio é aquele que altera nosso sistema de regulação de temperatura. Podemos dizer que esse nosso termostato funciona em “marcha lenta” em ambientes com temperaturas de 25-27oC, não disparando reações de aumento do metabolismo no caso do frio ou de transpiração no caso do calor. A inteligência maior dessa regulação encontra-se em um centro profundo do cérebro, o hipotálamo, e é ele que comanda nossas reações de suor, calafrios e constrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos em resposta à temperatura ambiente.

 

Será que realmente funcionamos em outro ritmo em dias mais frios?

 

A adaptação do nosso corpo ao frio envolve mecanismos neurológicos, que influenciam nosso sistema endocrinológico e vascular, mas é claro que também envolve mecanismos comportamentais, como tirar do armário aquele cobertor que só usamos algumas vezes no ano.

 

Vários fatores determinam a regulação do frio em um determinado indivíduo: idade, sexo, preparo físico, quantidade de gordura corporal. Até mesmo o tipo de personalidade do indivíduo pode influenciar: extrovertidos reagem mais ao desconforto do frio com maior aumento da pressão arterial e secreção de noradrenalina. Doenças sistêmicas e medicações também podem afetar a resposta individual ao frio.

 

Do ponto de vista de desempenho físico, o frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos. Já em exercícios estáticos (isométricos), o frio não influencia tanto, e ao contrário, pode até aumentar a resistência muscular. Um recente estudo revelou associação entre o frio e a capacidade de equilíbrio, possivelmente por reduzir a eficiência de nossas “antenas” que regulam nosso balanço. E o nosso cérebro?

 

Sabemos que tanto o frio como o calor exagerados podem influenciar negativamente nossas habilidades mentais, e um balanço geral dos estudos existentes sugere que o frio tende a atrapalhar mais. Entretanto, alguns estudos também nos mostram que o frio leve/moderado pode melhorar nosso desempenho intelectual.

 

Duas principais teorias explicam o efeito do frio sobre nossas habilidades cognitivas. A primeira é do “efeito distração” que o desconforto associado ao frio pode causar, ao desviar nossa atenção da tarefa que estamos efetuando. A outra teoria defende a idéia de que o frio leve / moderado deixa-nos mais acordados, e o maior estado de vigília permite um melhor desempenho do nosso cérebro. Evidências neurofisiológicas apóiam essa hipótese, ao mostrar que a atividade elétrica cerebral no frio leve/moderado é mais “esperta”.

 

O frio pode reduzir nosso nível de vigília, nossa concentração e memória de curto prazo, entre outras funções cognitivas, especialmente.em temperaturas abaixo de 10º C. No caso de hipotermia, ou seja, em situações de frio extremo em que a temperatura corporal chega a níveis inferiores a 35º C, pode-se observar sintomas de confusão mental e redução da vigília.  O efeito do inverno sobre nosso comportamento também pode ter uma parcela de contribuição do fator luminosidade. Em países muito ao sul ou muito ao norte, o inverno vem acompanhado de pouca luz por conta de dias muito curtos, fenômeno que é bem reconhecido como fator que aumenta a freqüência de sintomas depresivos nessa estação. E depressão é igual a cérebro menos eficiente. Há evidências também que as concentrações dos hormônios da tiróide estão reduzidas em invernos rigorosos. E hormônios da tiróide são combustíveis importantes para o cérebro.

 

Até o momento, a melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com boa performance é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio. No ambiente de trabalho, o ar condicionado simulando uma câmara frigorífica pode ser um fator de distração. Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado. Um cafezinho vai muito bem também.

 

 

 

 

 

 

 

A revista British Medical Journal traz em sua última edição uma discussão muito interessante que mereceu até editorial principal. Gira em torno da importante contribuição dos serviços de saúde na emissão de gases e da grande oportunidade de se ter os médicos como aliados no processo de conscientização da comunidade para mudanças de atitudes que reduzam o impacto do aquecimento global.
Recentes pesquisas revelam que a sociedade brasileira deposita grande confiança nos médicos. No final de 2007, o instituto de pesquisa Market Analysis divulgou um estudo revelando que, entre todos os profissionais, o médico é considerado o mais confiável com 71,5% de votos. Quando se fala em credibilidade sobre ciência e tecnologia, os médicos mais uma vez são campeões. O estudo Percepção Pública de Ciência e Tecnologia, divulgado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2007, coloca os médicos no podium junto aos jornalistas quando se pergunta à população qual é o profissional de maior confiabilidade – 43% disseram confiar nos médicos e 42% nos jornalistas.

E aquecimento global tem alguma coisa a ver com saúde? Tem sim. Uma série de estudos mostra que o aquecimento global está associado ao aumento da incidência de doenças infecciosas como a dengue e a malária e ao aparecimento das mesmas em regiões do planeta em que não existiam antes (The Lancet Vol 371 Março 22, 2008).
Os médicos realmente podem se engajar em programas de redução de emissão de gases e aquecimento do planeta. Podem, ainda, adicionar ao atendimento aos pacientes recomendações ecológicas básicas. Outro assunto que tem sido muito discutido é a necessidade de redução do turismo científico e racionalização do número de congressos internacionais, com incentivo ao maior uso de tele e videoconferências. Podemos até mesmo almejar um nível de consciência no qual os médicos passem a prescrever medicamentos de indústrias farmacêuticas que demonstrem real responsabilidade social e ambiental.
O aquecimento global não é um problema que está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos.

 

 

 

 

 

 

O Governo Federal sancionou nessa última semana a Lei de Tolerância Zero contra o álcool. A partir de agora o motorista que for surpreendido com qualquer nível de álcool pelo bafômetro será multado em R$ 957,00 e perderá o direito de dirigir por um ano. A mídia tem divulgado que o rigor não será total no começo, pois o Contran ainda precisa definir uma pequena margem de tolerância para não cometer injustiças com condutores que apresentem uma pequena presença de álcool no sangue devido a alguma medicação ou um bombom de licor. Até que essa margem seja regulamentada, tem sido divulgado que o índice tolerado será de 0,2 grama por litro de sangue, mas é melhor não confiar. O antigo limite de 0,6 grama por litro agora serve para definir quem vai preso ou não, e desde o início da vigoração da nova lei, várias pessoas já foram presas. E qual é o equivalente desses números em quantidade de bebida? 

 

A concentração de álcool no sangue, ou alcoolemia, é expressa em gramas de álcool por litro de sangue. Quando alguém tem uma alcoolemia de 0,5g/l, equivale a dizer que existe 0,5g de etanol ou álcool puro por cada litro de sangue.

 

O vinho que tem concentração de álcool em torno de 12% tem em cada litro 120 ml de álcool, em cada litro de cerveja temos cerca de 60 ml de álcool e em cada litro de aguardente temos uns 400 ml de álcool. Podemos converter qualquer volume de álcool em gramas seguindo a seguinte regra: cada mililitro de álcool tem 0.8g de álcool puro.

 

Exemplo prático:

Uma taça de vinho de 250ml (taça caprichada…um terço de uma garrafa) contém 30ml de álcool ou 24g de álcool. Para calcular os níveis de álcool no sangue devemos levar em consideração o peso e sexo do indivíduo e se a bebida foi consumida junto à refeição.

 

Fórmula de cálculo de álcool no sangue:

 

Gramas de álcool consumidos / Peso Corporal X Coeficiente*

 

*Coeficiente

– 0.7 em homens

         – 0.6 em mulheres

         – 1.1 se o álcool foi consumido nas refeições

 

Então, a taça de vinho com 24g de álcool consumida no almoço por um homem de 80 kg provocará uma concentração de álcool no sangue de 0.27g/l  (24g / 80kg X 1.1  = 0.27). Dá para entender que para chegar na alcoolemia de 0.6g/l, que pode levar o indivíduo pra cadeia,  não é necessário beber uma garrafa de aguardente.

 

E quanto tempo o organismo precisa para eliminar esse álcool do sangue? O organismo elimina aproximadamente 0,10 g/l de álcool por hora. No caso da taça de vinho do exemplo acima, o organismo precisa de duas a três horas para eliminar totalmente o álcool.

 

Domingão, almoço em família, uma boa taça de vinho, uma soneca. Mesmo acordando muito bem disposto, só devemos voltar ao volante três horas depois do vinho para não termos problemas com o bafômetro. Se bebermos duas dessas taças, o bafômetro só nos perdoaria após cinco a seis horas.

 

** Devemos apoiar o Programa Tolerância Zero ?  Certamente que sim. Porém, já estamos vendo pessoas sendo presas e o governo ensinando muito pouco sobre as novas regras. Ontem o Correio Braziliense não falou nada sobre o assunto, o Fantástico muito menos, não vi nenhuma inserção de ministro ou presidente em horário nobre de TV. Ao entrar no site  da Secretaria Nacional Antidrogas, Presidência da República, só temos  informação que existe uma nova regra. A lei não está lá. 

 

CLIQUE AQUI e veja entrevista sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira no DF TV – Rede Globo 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.

 

Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Européia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A idéia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.

 

Ontem a revista The Lancet publicou importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.

 

Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.

 

Clique aqui e entenda como cuidar bem dos seus vasos.

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

Com o objetivo de perpetuação da espécie, é bem compreensível que nosso cérebro tenha se desenvolvido para ser recompensado com tempestades neuroquímicas de prazer ao experimentarmos atração sexual por outra pessoa. Hoje em dia já sabemos que o amor romântico e a parceria estável também trazem grandes recompensas ao cérebro e fazem bastante sentido do ponto de vista evolutivo.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

Clique aqui e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio CBN com o DR. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns estudos avaliaram a longevidade de celebridades no universo do cinema e das ciências e chegaram a resultados bastante provocativos ao evidenciarem que sucesso e fama podem estar associados a uma vida mais longa ou curta dependendo do tipo de atividade do indivíduo.  Os resultados dessas pesquisas provocam importantes reflexões sobre nossas escolhas como simples mortais.

Clique aqui e confira o artigo na íntegra. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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