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A enxaqueca é um transtorno neurológico geneticamente definido que chega a acometer até um quarto das mulheres em idade fértil e uma proporção três vezes menor de homens. Hoje sabemos que a enxaqueca vai muito além das famosas e terríveis dores de cabeça. Está associada a maior risco de uma série de outros problemas de saúde, entre eles ansiedade e depressão. Alguns estudos já identificaram um maior risco de suicídio entre jovens com enxaqueca, mas ainda não está bem definido se o risco é maior devido à maior freqüência de depressão nessa população. Uma pesquisa recém-publicada pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, revela que adolescentes com enxaqueca apresentam mais ideação suicida do que seus colegas sem enxaqueca, e parte desse risco foi independente da presença de depressão.  

 

Mais de quatro mil estudantes de Taiwan com idades entre 13 e 15 anos preencheram um questionário em sala de aula e 8.5% deles referiram ter pensado em suicídio no mês anterior.  Idéia de suicídio foi menos comum entre aqueles que viviam com ambos os pais biológicos, e mais comum entre as meninas, entre os que referiram outros sintomas de depressão e naqueles que se queixavam de dor de cabeça. Entre aqueles que tinham 7 a 14 crises de dor de cabeça por mês, 18% apresentavam ideação suicida e foi ainda maior (28,6%) quando a freqüência de dor era superior a 15 por mês.

 

Ao se avaliar o impacto das dores de cabeça nas atividades de vida diária através de uma escala, aqueles com baixa pontuação na escala tinham o mesmo nível de ideação suicida que o grupo como um todo. Entretanto, aqueles que apresentaram forte impacto das dores de cabeça nas atividades cotidianas (alta pontuação na escala), esses chegavam a apresentar uma freqüência de 44,4% de pensamentos suicidas. Além disso, o risco de ideação suicida foi maior entre aqueles com enxaqueca do que em outros tipos de dor de cabeça. No caso da enxaqueca com aura, que é quando além da dor de cabeça o indivíduo tem sintomas visuais (ex: estrelinhas) entre outros sintomas neurológicos, o risco de apresentar pensamentos suicidas chegou a ser 4.6 vezes maior do que entre os adolescentes sem história de dor de cabeça.

 

Futuros estudos deverão definir se o tratamento da enxaqueca é capaz de reduzir a freqüência de pensamentos suicidas entre adolescentes. Não se sabe também o quanto que idéias suicidas nessa população podem culminar em tentativas de suicídio. Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em populações de outras etnias, mas já nos alertam o quanto é importante a avaliação da dimensão psicológica de adolescentes com enxaqueca.

 

 

 

 

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Apesar da atividade física poder desencadear dores de cabeça em algumas pessoas que sofrem de enxaqueca, sua prática regular é uma recomendação universal, pois na maioria das vezes ela mais ajuda do que atrapalha no controle das crises. Entretanto, não existem ainda estudos que tenham definido qual o tipo, freqüência e intensidade da atividade física que melhor colabora para o controle das crises de enxaqueca e que menos chance tem de desencadear uma crise.

 

Uma pesquisa conduzida na Suécia e recém-publicada pela revista Headache, periódico oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, demonstrou que um programa de atividade aeróbica a indivíduos sedentários e com enxaqueca não só não piorou as crises de dor de cabeça, mas ao final de 12 semanas mostrou-se eficaz na redução da intensidade e freqüência das crises, assim como na necessidade do uso de analgésicos. O programa consistia em treino de 40 minutos em bicicleta ergométrica 3 vezes por semana.

 

Os resultados devem ser vistos como preliminares e devem encorajar a realização de estudos mais robustos para a definição do tipo de exercício que mais benefícios pode oferecer àqueles que sofrem de enxaqueca e também comparar esse efeito com a eficácia de tratamentos medicamentosos habituais.

 

 

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A enxaqueca é cerca de três vezes mais comum entre as mulheres, chegando a afetar até um quarto delas em idade fértil. Durante a gravidez, é comum que as mulheres tenham menos crises de enxaqueca, mas algumas delas podem até piorar.

 

Recentemente, foi demonstrado que mulheres com enxaqueca têm um risco três vezes maior de apresentar hipertensão arterial na gravidez e um maior risco de gerar bebês de baixo peso. Chegou-se a demonstrar que a enxaqueca está associada a um risco 17 vezes maior de derrame cerebral em mulheres grávidas e 4 vezes maior de infarto do coração. Esses resultados foram confirmados por uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.

 

Mais de 18 milhões mulheres grávidas foram acompanhadas por três anos e foram identificadas aquelas que tiveram o registro de crises de enxaqueca durante a internação hospitalar para o parto. O registro de crises de enxaqueca esteve associado a um maior risco das seguintes doenças na gravidez: derrame cerebral (risco 15 vezes maior), infarto do coração (risco 2.1 vezes maior), tromboembolismo pulmonar (risco 3.2 vezes maior), hipertensão arterial / pré-eclampsia (risco 2.3 vezes maior) e diabetes (risco 1.9 vezes maior).

 

A metodologia do estudo não permite concluir se a enxaqueca é causa ou conseqüência dessas doenças associadas. Entretanto, pesquisas anteriores, têm revelado que indivíduos com enxaqueca, especialmente a enxaqueca com aura e independente da gravidez, têm um maior risco de apresentar eventos vasculares, como o derrame cerebral, infarto do coração e tromboembolismo pulmonar. O atual estudo acrescenta que mulheres grávidas que apresentam crises de enxaqueca durante a internação para ganhar o bebê, essas devem ser monitoradas de forma mais cuidadosa por apresentarem maior risco de eventos vasculares, sobretudo o derrame cerebral.

 

 

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Há algum tempo, a decisão de tratar a enxaqueca era fundamentada basicamente pelo critério Qualidade de Vida. Entretanto, nos últimos anos, graças aos avanços de técnicas de imagem cerebral, conhecemos cada vez mais sobre as repercussões funcionais e estruturais das crises de enxaqueca sobre o cérebro, o que nos deixa claro que tratar a enxaqueca é, antes de tudo, uma questão de proteção cerebral.

 

A última edição do periódico britânico Cephalalgia publicou uma pesquisa que confirma estudos anteriores que mostraram que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam depósito de ferro no tronco cerebral, e dessa vez mostrou que isso também acontece em núcleos da base, sendo que todas essas regiões fazem parte de circuitos de modulação da dor. Chama muito a atenção o fato do depósito de ferro ter sido maior em pessoas que sofriam de enxaqueca há mais tempo, sugerindo que quanto mais freqüentes as crises de enxaqueca, maior o depósito de ferro.

 

Esse é um achado que pode ajudar a explicar a razão pela qual 10 a 20% das pessoas com enxaqueca passam a ter a forma crônica da doença, com crises praticamente diárias. Alterações estruturais do cérebro decorrentes de repetidas crises poderia justificar o comportamento progressivo da doença nesses casos.

 

*Além de depósitos de ferro, já sabemos que freqüentes crises de enxaqueca podem provocar:

 

*Ativação recorrente de centros cerebrais profundos, que podem levar a sintomas como a alteração da sensibilidade e a alterações estruturais do tronco cerebral;

 

*Redução da substância cinzenta de algumas regiões cerebrais;

 

*Lesões da substância branca cerebral;

 

*Aumento do risco de derrame cerebral e infarto do coração (no caso da enxaqueca com aura).

 

Tanto a população leiga, e mesmo os profissionais da área da saúde, ainda têm a falsa crença de que a enxaqueca é um problema menor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca como um problema de saúde pública de alta prioridade e a classifica como uma das 20 doenças que mais provocam incapacidade, lado a lado com o derrame cerebral, a AIDS e o diabetes. No caso das mulheres, ela é a 12ª no ranking da OMS. O custo da enxaqueca à sociedade vai muito além das questões orgânicas acima discutidas, mas envolve sérios prejuízos de ordem emocional, social e econômica.

 

Ler também

Enxaqueca e absenteísmo no trabalho.  

 

 

 

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Há algum tempo já se desconfia que a enxaqueca possa aumentar a freqüência de problemas de pressão alta durante a gravidez. Na verdade ambos os problemas tem muita coisa em comum, desde o ponto de vista bioquímico, até no aumento do risco de eventos vasculares como o derrame cerebral e o infarto do coração. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico inglês Cephalalgia revela que aquilo que era mera desconfiança, agora tem comprovação científica satisfatória.

 

Pesquisadores italianos acompanharam mais de 700 mulheres grávidas a partir da 11ª semana sem história de hipertensão arterial. O risco de desenvolver pressão alta na gravidez foi três vezes maior entre mulheres com história de enxaqueca do que naquelas sem enxaqueca (9.1% e 3.1%). Os bebês das mulheres com história de enxaqueca também apresentaram maior risco de nascerem com baixo peso.

 

O estudo aponta que mulheres grávidas e que têm enxaqueca podem começar a ser vistas como mulheres com maior risco de desenvolver pressão alta na gravidez, e por isso devem ser acompanhadas de forma mais cuidadosa. Os resultados também sugerem que a identificação do antecedente de enxaqueca deve passar a fazer a parte de uma consulta pré-natal. Vale lembrar que a pressão alta na gravidez é uma das pricipais causas de complicações tanto à saúde da mãe como à do bebê.

 

 

 

 

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É muito comum as pessoas terem na ponta da língua uma recomendação de saúde do tipo “não misture manga com leite, pois você pode entortar a boca”. Muitas dessas dicas da cultura popular são à vezes duvidosas e sem comprovação científica. Não ter o status de “cientificamente comprovadas” não significa que são simplesmente mitos. Uma coisa é uma crença que já passou por inúmeras provas científicas e aí então passou a ser considerada como um engano cientificamente comprovado (ex: Ginkgo biloba para turbinar o cérebro). Outra coisa são crenças que ainda não foram submetidas a estudos científicos e por isso devem ser vistos como algo que ainda não foi cientificamente comprovado. Uma das histórias mais emblemáticas que vivi nesse sentido foi a crença por parte de pacientes com epilepsia de que na época da lua cheia as crises epilépticas são mais freqüentes. Eu dava um sorriso silencioso toda vez que ouvia de um paciente essa história, com a sensação de que a cultura popular cria coisas fantasiosas. Em 2006 caí do cavalo com um estudo publicado na revista Neurology demonstrando que crises epilépticas eram realmente mais freqüentes na lua cheia.

 

Nesta semana, pesquisadores da Universidade de Indianápolis nos EUA desconstruíram mais seis mitos, alguns fortemente associados às nossas festas de fim de ano, e publicaram a revisão na última edição do British Medical Journal.  

 

 

* Suicídio é mais comum no feriado de fim de ano. É mito.

Justifica-se a idéia de que o suicídio pode ser mais comum nos feriados de fim de ano já que nessa data pessoas solitárias podem ter a solidão exacerbada, e no caso do hemisfério norte, também por coincidir com dias mais frios e noites mais longas do inverno. Entretanto, não há evidências científicas de que realmente exista um pico na incidência de suicídios nessa época do ano, mesmo em países do hemisfério norte. Os estudos existentes mostram que os suicídios na verdade ocorrem mais nos meses quentes do ano, e quanto à questão do “efeito solidão no natal”, as pesquisas mostram que as pessoas até mesmo procuram menos serviços psiquiátricos no natal, sugerindo que existe um maior componente de apoio emocional e social nessa época.   

 

* Açúcar provoca comportamento de hiperatividade em crianças. É mito.

São pelo menos 12 estudos de primeira grandeza mostrando que o consumo de açúcar não tem a ver com o comportamento hiperativo.

 

* A flor conhecida aqui no Brasil como Bico de Papagaio é um dos maiores símbolos de natal em vários países, sendo muito usada na decoração natalina e por isso é até chamada de Estrela do Natal ou Flor do Natal. Ainda existe na cultura popular certo receio de que a ingestão acidental da flor pode ser perigosa, e como não é tão raro as crianças comerem aquilo que não foi feito para comer… Intoxicação pelo Bico de Papagaio também é mito.

Registros de quase 23 mil casos de ingestão acidental da flor nos EUA não evidenciaram nenhum caso que precisasse de cuidados especiais. Uma pesquisa tentando definir a dose potencialmente tóxica da flor em ratinhos não conseguiu demonstrar efeito tóxico mesmo após a ingestão equivalente a 500-600 folhas da planta.

 

* A perda de calor é maior pela cabeça, correspondendo a 40-45% da perda, e por isso é fundamental o uso de chapéus nos dias frios. É mito.  

As pesquisas mostram que qualquer parte do corpo quando descoberta tem o potencial de perder calor proporcionalmente ao seu tamanho. A cabeça não tem nada de diferente das outras partes do corpo. O gorro do Papai Noel não é mais importante que o resto de sua roupa.  

 

* Comer à noite engorda mais que comer de dia. É mito.

Várias pesquisas revelam que não é o fato de comer à noite que engorda, mas sim o total de calorias ingeridas por dia. Também é verdade que quem faz várias refeições no dia tem menos chance de exagerar em uma única refeição noturna.

 

* Existe remédio para evitar ressaca.  É mito.

Não existe qualquer evidência que uma medicação ou suplemento alimentar possa ajudar a prevenir a ressaca. Pode-se dizer que o melhor remédio para evitar ressaca é beber pouco. Ao beber um pouco mais, evitar a desidratação com reposição de líquidos não alcoólicos pode fazer com que a ressaca seja menos penosa no outro dia.

 

 

CLIQUE AQUI e ouça um bae-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

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A enxaqueca é um transtorno neurológico que chega a acometer quase 20% das mulheres e é mais freqüente justamente nas fases de vida mais produtivas: entre 25 e 55 anos. Alguns estudos têm demonstrado que pessoas com enxaqueca perdem de 1 a 4 dias de trabalho por ano devido ao problema. Nos EUA, estima-se que o absenteísmo secundário à enxaqueca leva a um prejuízo de 8 bilhões de dólares ao ano.

 

A maioria das pesquisas que avaliou a relação entre enxaqueca e absenteísmo não oferece a possibilidade de comparação dos dias de trabalho perdidos com a população geral. Os poucos estudos que disponibilizaram essa comparação geraram resultados conflituosos, alguns deles com amostras populacionais pequenas.

 

Um novo estudo publicado este mês na revista Cephalalgia demonstrou que mulheres com enxaqueca realmente faltam mais ao trabalho por razões médicas do que a média da população. O estudo acompanhou por três anos mais de 27 mil mulheres do serviço público finlandês e revelou que 24% dessa amostra apresentava diagnóstico de enxaqueca realizado por médico. Mulheres com enxaqueca apresentaram cinco dias a mais de absenteísmo por ano quando comparado às mulheres sem enxaqueca, enquanto depressão e problemas respiratórios causavam 14 e 6 dias a mais de absenteísmo por ano respectivamente.  

 

Do ponto de vista econômico, o absenteísmo é apenas uma parte do prejuízo causado pela enxaqueca, já que mesmo que o profissional não tire licença por conta de crises, sabe-se que seu desempenho no trabalho é prejudicado. A realização de campanhas educativas para um maior reconhecimento e diagnóstico do problema, podendo assim proporcionar tratamento adequado a mais pessoas, é uma importante estratégia para melhorar a qualidade de vida e a capacidade de trabalho de uma parcela bem significativa da sociedade.

 

** O mesmo grupo de pesquisadores publicou no início do ano uma pesquisa que mostrou que mulheres realizadas profissionalmente têm menos enxaqueca.

Clique aqui e confira o post relacionado a esse estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muita gente tem enxaqueca, mas nem todo mundo precisa de tratamento. É importante conhecer quais são os critérios que fazem com que um tratamento profilático seja indicado. Além disso, é importante saber que além das medicações clássicas usadas no tratamento profilático, existe uma série de outras abordagens farmacológicas e não farmacológicas de comprovado sucesso no tratamento da enxaqueca. Estamos falando de terapias Mente-Corpo (Ioga, Meditação), fitoterápicos, etc.

 Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

  

 
 
 

 

 

 

 

Há tempos já sabemos que enxaqueca não é só dor de cabeça. Quem tem enxaqueca tem mais chance de sofrer de depressão, ansiedade, sintomas do labirinto e maior risco de derrame cerebral. Nos últimos anos, alguns estudos têm revelado que a enxaqueca também está associada a um maior risco de infarto do coração. A razão para esse maior risco de doenças cardiovasculares ainda não é bem conhecida, e são vários os candidatos: 1) aterosclerose?; 2) sangue com maior tendência à trombose?; 3) espasmo dos vasos sanguíneos?; 4) alterações cardíacas associadas?.

 

Um estudo publicado na última edição da revista Neurology (Academia Americana de Neurologia) ajuda-nos a entender melhor a relação entre a enxaqueca e eventos cardiovasculares, sugerindo que o primeiro suspeito da lista, a aterosclerose, não parece ter chance de ser o culpado.

 

Moradores do norte da Itália foram submetidos a acompanhamento médico por 5 anos incluindo exames seriados das artérias femorais e carótidas que medem o grau de aterosclerose de um indivíduo. Na população estudada, as pessoas que sofriam de enxaqueca tinham até mesmo um grau de aterosclerose menor do que aqueles sem enxaqueca. Em contraste, a população que apresentava enxaqueca apresentou maior risco de trombose nas veias, tanto nas pernas como no pulmão. A freqüência de trombose venosa entre as pessoas com enxaqueca foi de 18,9% comparada a 7,6% nas pessoas sem enxaqueca.

 

Esses resultados além de indicarem que a aterosclerose não deva ser o maior responsável pelas complicações vasculares dos pacientes com enxaqueca, sugerem que o segundo suspeito, sangue com maior tendência a trombose, possa realmente ter mais culpa no cartório do que se imaginava até então. O maior risco de trombose nas veias encontrado na pesquisa apóia essa hipótese, já que a coagulação do sangue é vista como o principal fator causal nesse tipo de trombose. Os indivíduos com enxaqueca desse estudo ainda apresentaram mais fatores da coagulação do sangue que predispõem à trombose (Mutação do fator V Leiden), especialmente no caso da enxaqueca com aura.

  

Essa maior tendência à trombose pode também estar associada ao conhecido fato de que há uma ativação da coagulação sanguínea no momento de uma crise de enxaqueca e que perdura por alguns dias. Apóia também essa hipótese o fato da pesquisa ter revelado que o risco de trombose foi maior nas pessoas que tinham mais anos de história de enxaqueca. Estudos anteriores já haviam mostrado que crises freqüentes de enxaqueca aumentam o risco de lesões cerebrais por trombose nas artérias.

 

Hoje em dia podemos falar de boca cheia que a decisão de se iniciar um tratamento para enxaqueca pra redução da freqüência e intensidade das crises tem a intenção não só de melhorar a qualidade de vida. O tratamento visa também proteger as pessoas de virem a desenvolver tromboses no cérebro, e provavelmente também em outras partes do corpo.

 

** Para melhor entender o que é a aterosclerose e trombose, leia o Post PREVIDÊNCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.

 

 

 

Estudos recentes realizados aqui mesmo no Brasil mostram que cerca de 70-80% das mulheres queixa-se de dor de cabeça no período próximo à menstruação e a enxaqueca é responsável por boa parte dessas dores de cabeça. É bom lembrar que quase 20% da população feminina tem enxaqueca.

 

As flutuações dos hormônios sexuais da mulher não só explicam o porquê da mulher ter cerca de três vezes mais enxaqueca do que o homem, mas também explica a íntima associação entre a enxaqueca e o período da menstruação. Até 70% das mulheres com enxaqueca percebem essa associação, seja pelo fato de só ter crises de enxaqueca no período da menstruação, seja porque nesse período as crises costumam ser mais fortes.

 

Existem várias estratégias de tratamento para a enxaqueca associada à menstruação, e um estudo publicado na última semana pela revista britânica Cephalalgia, confirmou que o tratamento hormonal (estrogênio) pode ser uma ferramenta valiosa nessas situações. O que a pesquisa nos trouxe de novidade é que o uso de terapias hormonais tem a chance de reduzir a freqüência de crises de enxaqueca não só no período perimenstrual, mas também ao longo de todo o mês. O tratamento hormonal também permitiu uma extraordinária redução na quantidade de medicações que as mulheres usavam para dor de cabeça.

 

A terapia com hormônios à base de estrogênio na enxaqueca tem outras peculiaridades que devem ser consideradas também. Algumas mulheres até têm suas crises intensificadas por conta do uso de estrogênio. No caso da enxaqueca com aura,  o uso de estrogênio deve ser discutido ainda com mais cautela, pois pode aumentar os riscos de isquemia cerebral.  Clique aqui e leia o post que discute essa questão.

 

A enxaqueca é coisa séria. Para se ter uma idéia, ela ocupa o oitavo lugar entre os problemas de saúde de maior impacto no dia-a-dia de uma mulher.  Não faz sentido viver reclamando de enxaqueca sendo que o problema tem diversas formas de solução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.  Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso do celular realmente causa dor de cabeça. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. A melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.

 

A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa AGRADAREI.  A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo, e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?

 

A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito NOCEBO, também do latim e significa PREJUDICAREI. Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas,  o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena. Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções gastro-intestinais, entre outros sintomas.

 

O efeito nocebo merece especial atenção dos profissionais da saúde, já que uma expectativa negativa por parte do paciente pode ter origem no próprio terapeuta, seja por sua dificuldade de comunicação, seja por uma aparência física que não inspira cuidados de higiene, seja por um modo extravagante de se comportar. Até mesmo as instalações físicas do local de atendimento têm importância.

 

É claro que alguns pacientes são psicologicamente mais propensos a apresentar o efeito nocebo, o que é condizente com o pensamento popular de quem pensa muito em doença acaba ficando doente. Um estudo populacional (Framingham) chegou a demonstrar que mulheres que acreditavam que iriam adoecer do coração tinham quatro vezes mais chance de morrer do que aquelas que não tinham essa expectativa negativa, mesmo com o mesmo nível de fatores de risco para doença do coração entre os dois grupos. Pensamento positivo no momento de iniciar um tratamento pode não só reduzir as chances do efeito nocebo, mas aumenta em muito a chance de chamar para perto de si seu irmão bonzinho e poderoso: o placebo. É claro que tudo fica mais fácil se o terapeuta também faz sua parte. 

 

Outras questões que não dependem nem do terapeuta, nem do paciente, parecem influenciar também. Alguns estudos nos mostram que até a cor das pílulas tem influência sobre o resultado de um tratamento: pílulas com cores quentes são mais estimulantes, pílulas com cores frias mais calmantes.  De acordo com o antropólogo americano Daniel Moerman, um dos maiores pesquisadores nessa área, algumas respostas são peculiares a uma determinada cultura. Na Itália, pílulas placebo azuis induzem bem o sono nas mulheres, mas entre homens têm tendência a efeito oposto. Qual a explicação? Moerman faz uma provocação interrogando se esse efeito não teria relaçao com o fato da camisa da seleção italiana ser azul…

 

Ver também os POSTS  

COMO FUNCIONA O EFEITO PLACEBO?  

EFEITO PLACEBO NÃO É SÓ PÍLULA DE FARINHA

 

 

 

 

Cerca de 25% das pessoas que sofre de enxaqueca apresenta também o fenômeno da aura, que é um aviso que de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente se apresenta como sintomas visuais (ex: visão de pontinhos luminosos, flashes em zigue zague, falha no campo visual). Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar, e mais raramente como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura o cérebro é acometido por uma onda de redução de fluxo sanguíneo.

 

O entendimento da relação entre enxaqueca e risco de derrame cerebral tem sido perseguido por décadas, e hoje sabemos que esse risco é maior entre indivíduos que apresentam a enxaqueca com aura. Sabemos também que o risco é maior ainda em mulheres jovens, que além da enxaqueca com aura, ainda fumam e/ou usam pílula anticoncepcional e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, pesquisas têm-nos revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração da microcirculação, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.

 

Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology nos traz um entendimento melhor ainda entre a relação entre o uso da pílula anticoncepcional,  enxaqueca com aura, e risco de derrame cerebral. Vinte e cinco mil mulheres foram acompanhadas por 12 anos, e aquelas que apresentavam enxaqueca com aura tiveram duas vezes mais risco de apresentar eventos vasculares, incluindo não só derrame cerebral como também infarto do coração. Os pesquisadores também demonstraram que as mulheres que além da enxaqueca com aura ainda apresentavam uma variante do gene MTHFR, já bastante estudado como fator de risco para eventos vasculares, essas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver derrame cerebral.  

 

Além do poder de aumentar o risco de eventos vasculares em mulheres com enxaqueca com aura, o uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle. E é bom lembrar que o mesmo cuidado com as pílulas vale para reposição hormonal entre mulheres na menopausa que apresentam enxaqueca com aura.

 

 

 

 

O cérebro de uma pessoa com enxaqueca é sensível além do normal a diversos estímulos, entre eles alguns alimentos que podem desencadear crises. É comum vermos na prática clínica recomendações médicas que aconselham os pacientes a evitar uma lista enorme de alimentos, tarefa que muitas vezes pode ser mais penosa do que as crises de enxaqueca. É bom entender quais os principais cuidados que uma pessoa com enxaqueca realmente deve ter com sua dieta.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

No Brasil, e em vários outros países do mundo, o café é a segunda bebida mais consumida de todas, só perdendo para a água. Infelizmente, muitas pessoas bebem café com uma certa desconfiança, com dúvidas se ele faz bem ou mal à saúde. E não é à toa. Nas últimas décadas uma série de pesquisas evidenciou resultados conflitantes, especialmente no que diz respeito à nossa saúde vascular, dificultando conclusões seguras quanto aos reais benefícios do consumo de café. Felizmente, nos últimos anos parece que a ciência está encontrando a ponta desse novelo de lã, e os benefícios demonstrados até então estão ganhando de goleada dos potencias malefícios. Afinal, café faz bem à saúde?

Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

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É freqüente as pessoas correrem ao neurologista após a morte de um parente, amigo, colega de trabalho ou celebridade, quando a causa da morte foi o rompimento de um aneurisma cerebral. Também pudera: cerca de 40% das pessoas que apresenta um sangramento por aneurisma cerebral não sobrevive.

O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. A faixa etária com maior risco de sangramento é a sexta década de vida, mas também costuma acontecer entre pessoas jovens. Entretanto, algumas pessoas têm aneurismas que jamais se romperão. Só para se ter uma idéia, pequenos aneurismas apresentam um risco de sangramento de 0.05% ao ano. Já aneurismas com diâmetro maior que 1 cm têm risco de sangramento de 0.5% ao ano. A causa do aneurisma cerebral? Existe um componente genético inequívoco, mas alguns fatores modificáveis também aumentam a chance de sua formação e rompimento: o tabagismo, a hipertensão arterial e colesterol alto.

Os aneurismas normalmente são detectados após seu sangramento e o sintoma principal é a dor de cabeça e não é qualquer dorzinha. A dor de cabeça por rompimento de um aneurisma costuma ter duas características bem marcantes: é a pior dor de cabeça que a pessoa já teve na vida e a dor já começa nos primeiros segundos com sua intensidade máxima. A dor não vai crescendo, como é o caso de outros tipos comuns de dor de cabeça como a enxaqueca.

Estudos revelam que 3.5 a 6% da população é portadora de aneurisma cerebral. Já que é uma condição clinica tão séria, faria sentido fazer exames para detectar aneurismas cerebrais em toda a população? A resposta é não. Atualmente a recomendação é a de que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado. A investigação também deve ser feita em raros casos de doenças que sabidamente estão associadas a aneurisma cerebral.

E quanto aos indivíduos que apresentaram aneurisma cerebral e já foram tratados em outras épocas? Essas pessoas têm 22 vezes mais chances de ter um sangramento cerebral quando comparadas àquelas que nunca tiveram sangramento. Um estudo publicado hoje pela revista Neurology avaliou o custo – beneficio em se ficar vigiando ao longo dos anos se esses pacientes desenvolvem ou não novos aneurismas. Os pacientes que mais se beneficiaram de exames ao longo dos anos foram aqueles que apresentavam mais fatores de risco associados, como o tabagismo e hipertensão arterial. Além disso, a investigação para novos aneurismas revelou um bom custo- beneficio do ponto de vista de qualidade de vida entre os pacientes que demonstravam mais medo em voltar a apresentar novo sangramento. Esse resultado é bastante provocativo e nos reafirma que o médico deve fazer de tudo para oferecer segurança ao seu paciente. Na maioria das vezes a ferramenta mais valiosa é a relação médico–paciente, mas em alguns casos a realização de um exame complementar pode fazer a diferença. 

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A enxaqueca é duas a três vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, e para se ter uma idéia da importância do problema, a Organização Mundial da Saúde a posiciona entre as 20 doenças que mais provocam incapacidade e entre as mulheres ela é a 12ª do ranking. É bem reconhecido que as crises de enxaqueca podem ser desencadeadas pelo estresse, sendo o ambiente de trabalho uma das suas principais fontes. Um recente estudo publicado na revista britânica Cephalalgia avaliou a relação entre o estresse no trabalho de cerca de 20 mil mulheres do setor público da Finlândia e a chance de apresentarem crises de enxaqueca ao longo dos anos. O interessante é que não houve relação entre alto nível de demanda no trabalho e crises de enxaqueca. Entretanto, um menor nível de realização no trabalho, medido como a relação entre o nível de demanda e o nível de retorno (benefícios, prestígio, satisfação pessoal), foi significativamente associado a uma maior chance de apresentar enxaqueca. Se essa é uma questão relevante num país como a Finlândia em que a as mulheres dividem o trabalho de casa de forma quase igualitária com seus maridos, têm praticamente um ano de licença maternidade e um sistema de creches municipais que serve de exemplo a todo o mundo, podemos imaginar que o problema seja mais significativo ainda em nosso país. Aos empregadores de plantão: é bom lembrar que a enxaqueca é uma das principais causas de absenteísmo no trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A TPM é uma condição tão freqüente entre as mulheres que uma boa parte delas acha que é assim mesmo que tem que ser e jamais chegam a buscar ajuda médica. Hoje em dia a ciência entende bem melhor o fenômeno da TPM, até mesmo do ponto de vista da evolução das espécies, e já conta com inúmeras armas para melhorar a qualidade de vida das mulheres que sofrem por conta desse problema. É importante que esse conhecimento chegue tanto às mulheres como aos homens, pois uma maior consciência sobre a TPM pode contribuir para que o convívio dos casais seja mais afinado. Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

A dor de cabeça é apenas um dos problemas de quem sofre de enxaqueca. Quem tem enxaqueca tem maior chance de apresentar outros problemas de saúde quando comparado à população geral, e é a isto que se chama de comorbidades. Chamamos aqui a atenção para o maior risco de eventos vasculares entre os enxaquecosos.

 

Derrame cerebral é levemente mais comum em indivíduos com enxaqueca, especialmente em mulheres jovens que apresentam aura (ex: estrelinhas no campo visual durante uma crise), tabagistas ou usuárias de pílula anticoncepcional, e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, estudos têm revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração dos pequenos vasos, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.

  

Primeiro recado: mulheres que tem enxaqueca com aura não devem ser encorajadas a usar pílulas anticoncepcionais ou mesmo realizar reposição hormonal na menopausa. Se a mulher é tabagista, podemos dizer que a terapia hormonal é proibitiva devido ao risco muito mais elevado de derrame cerebral.

 

Hoje terminei o dia de trabalho conversando com uma mulher de cerca de 50 anos, história de enxaqueca e tabagismo.  Para piorar a história, foi-lhe prescrita reposição hormonal. Com poucos dias de terapia ela começou a apresentar fortes crises de dor de cabeça e alterações visuais que lhe trouxeram muita preocupação. Eram só crises de enxaqueca, mas poderia ter sido um derrame cerebral. O interessante é que a prescrição havia sido realizada por um “especialista” de uma área da medicina tão distante do conhecimento de menopausa e hormônios  quanto um dentista. Porém, o “especialista” estava sendo indicado por amigos e amigas pois havia feito um recente curso de reposição hormonal no exterior, de acordo com a paciente.

 

Segundo recado: as especialidades e áreas de atuação em medicina merecem formação apropriada. Sou neurologista e mesmo que me propusesse a fazer um curso no exterior de como tratar catarata, acredito que ninguém acreditaria que eu tivesse ferramentas apropriadas para cuidar dos olhos de alguém.

 

Terceiro recado: a população leiga pode ter mais segurança com os  médicos ao pedirem indicações ao seu médico de confiança. Defendo a idéia de que cada pessoa tenha o SEU MÉDICO de confiança, independente da especialidade. Se o problema não for da sua expertise, ele(a) saberá nos indicar o profissional de sua confiança. Podemos fazer nossa parte também. Se somos capaz de  procurarmos no rótulo da margarina se ela tem gordura trans ou não, por que não nos informarmos se o “especialista” tem pelo menos residência médica na área de atuação, e/ou é membro da sociedade científica da especialidade em questão.

Ninguém aprende a tocar violino com um curso de semanas ou meses. No caso das especialidades médicas, isso não é diferente. Não existe mágica. 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

No último domingo a Revista do Correio Braziliense gastou duas páginas falando de dor de cabeça entre as mulheres, ilustrando a matéria com a foto de uma mulher debruçada sobre uma coleção de analgésicos (inclusive alguns “primos” da morfina) e ao final resume as principais causas de dor de cabeça. Infelizmente, não chega sequer a comentar que uma das principais causas de dor de cabeça é o uso exagerado de analgésicos. 

   

A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passa a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca como por exemplo a obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. Vários estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento profilático, com medicação diária para reequilibrar a química cerebral. Durante a retirada dos analgésicos, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos. Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.

 

Outra coisa que me chamou muita a atenção nessa matéria do Correio Braziliense é a sugestão de que a abstinência de verduras cruas pode ser útil para o tratamento da enxaqueca. Essa é uma outra história bastante complicada, pois os leitores podem achar que verduras cruas provocam dor de cabeça, e não há qualquer evidência científica nesse sentido. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cerca de 20% das mulheres e 8% dos homens sofrem de enxaqueca. Felizmente, a maior parte dessas pessoas apresenta crises pouco freqüentes. Entretanto, algumas pessoas têm muitas crises num mesmo mês e que muitas vezes não respondem aos analgésicos. É aí que o tratamento profilático deve se instituído: cerca de 6 meses de medicação diária para modular a química cerebral e fazer com que as crises diminuam em intensidade e duração.

Um dos problemas desse tipo de tratamento é que grande parte das medicações indicadas podem resultar em ganho de peso. O topiramato é uma medicação de reconhecido sucesso no tratamento da enxaqueca além de fazer alguns pacientes perderem peso.

E depois que paramos o remédio ? Os pacientes recuperam todos os quilos perdidos ? Um estudo publicado por pesquisadores alemães em abril de 2008 (Klein et al, JNNP) demonstrou que mesmo após 2 anos e meio da interrupção do medicamento, os pacientes não voltaram a ganhar peso. Cerca de 60% dos pacientes apresentou perda ponderal com uma média de 9.5 Kg, sendo que os mais gordinhos no início do tratamento foram os que tiveram mais chance de emagrecer. 

Novos estudos com maior número de pacientes são necessários para confirmar esses resultados, mas é bem razoável pensarmos no topiramato como uma das principais opções para o tratamento da enxaqueca naqueles indivíduos com sobrepeso, sem esquecer de uma dieta consciente e atividade física regular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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