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Já é bem conhecido que o uso das medicações chamadas de estatinas reduz o risco de eventos vasculares, como o derrame cerebral e infarto do coração, em pacientes com altos índices de colesterol, portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares. Ontem, a revista New England Journal of Medicine publicou o importante Estudo JUPITER mostrando que as estatinas podem reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes considerados de baixo risco vascular.

 

O estudo JUPITER é um estudo multicêntrico envolvendo diversos países, incluindo o Brasil – Universidade Federal de São Paulo, e que acompanhou quase 18 mil indivíduos que nunca haviam apresentado história de derrame cerebral ou infarto do coração. Todos tinham níveis normais de colesterol, não tinham diabetes, mas apresentavam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (> 2mg/l). Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares.

 

A metade dos voluntários que usou estatina (Rosuvastatina) apresentou menos risco de derrame cerebral e infarto do coração e menor mortalidade no período pesquisado. O estudo foi até mesmo precocemente interrompido por questões éticas, devido à inequívoca superioridade nos benefícios que o grupo que usou estatina apresentou.

 

 

 

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A pobreza é reconhecida como um dos principais fatores que contribuem para o número de pessoas com retardo mental ao redor o mundo. Em países desenvolvidos, a prevalência de retardo mental situa-se em torno de 3-5 / 1000 indivíduos, enquanto em países pobres encontramos uma prevalência que chega a ser cinco vezes maior. Uma estimativa recentemente publicada na revista Lancet por um painel de experts no assunto aponta que cerca de 200 milhões de crianças menores de cinco anos em países subdesenvolvidos não atingem seu pleno potencial de desenvolvimento cognitivo devido a condições associadas à pobreza. A pobreza está por trás de dois dos principais fatores de risco para o retardo mental: deficiência nutricional e de estímulo cerebral. Uma revisão sobre o assunto publicada pela Academia Americana de Neurologia em agosto de 2008 intitula o problema como UMA EPIDEMIA NEUROLÓGICA ESCONDIDA. Do ponto de vista de saúde pública, a pobreza tem um impacto sobre o estado neurológico muito maior que a grande maioria das doenças neurológicas com suas organizadas sociedades médicas e associações de pacientes, e com seus medicamentos que movem o business da saúde.

 

Atacar de frente a pobreza vai além da questão de humanismo, de direitos humanos. O Banco Mundial reconhece que dentre todas as intervenções em saúde, o controle da desnutrição pode ser considerada a que apresenta melhor custo-benefício. E os primeiros anos de vida de uma criança são os mais vulneráveis para o cérebro, começando a contar desde o primeiro dia da concepção, na barriga da mãe. A mãe precisa comer bem! Todo mundo tem que comer bem. E uma coisa puxa a outra. Crianças desnutridas têm menor chance de chegar à escola, e quando chegam têm maior chance de evasão.

 

Há cerca de uma semana o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, ficou órfão com a precoce morte de Rosani Cunha, secretária nacional do programa desde 2004. É bom entendermos por meio de números o tamanho do trabalho de Rosani, e daqueles que a acompanharam e a antecederam. Ela certamente está na galeria daqueles que mais fizeram pelo cérebro dos brasileiros.

– O Programa Bolsa Família atende atualmente a 11 milhões de famílias pobres. Além da transferência de renda, que permite a compra de alimentos, as famílias devem manter seus filhos na escola. Devem seguir ainda uma agenda de acompanhamento da saúde, como vacinação, pré-natal e acompanhamento nutricional de gestantes, nutrizes e crianças até completarem 7 anos.

– Entre 2003 e 2006, a redução da pobreza foi de 31,4%. Quatorze milhões de pessoas superaram a condição de pobreza no período. A concentração de renda no país atingiu, em 2006, o menor índice dos últimos 30 anos. Uma pesquisa aponta que 93% das crianças e 82% dos adultos beneficiários fazem três ou mais refeições por dia.

– A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu de 47 por mil, em 1990, para 25 por mil, em 2006 – uma queda de 45%.

– A desnutrição medida por peso por idade das crianças com menos de 1 ano diminuiu de 10%, em 1999, para 2,4%, em 2006. Entre as crianças de 1 a 2 anos de idade, a desnutrição caiu de 20% para 5%. Ou seja, a queda da desnutrição nas duas faixas etárias foi superior a 75% em sete anos.

– O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 da ONU registra que o Brasil atingiu um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,8 – situando-o, pela primeira vez, no grupo de países de alto desenvolvimento humano. 

 

 

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A cafeína quando absorvida atravessa a placenta livremente e estudos em humanos demonstram que imediatamente após a ingesta de 200mg de cafeína, o fluxo sanguíneo placentário é reduzido em 25%. Além disso, o principal mecanismo de metabolismo da cafeína (Citocromo P450 1A2) é ausente tanto na placenta como no feto.

 

Já temos evidências que o consumo de cafeína na gravidez aumenta o risco de aborto espontâneo e de gerar recém-nascidos de baixo peso, especialmente em doses maiores que 200mg/dia.  Alguns estudos demonstraram que o excesso de café também pode reduzir a fertilidade feminina. Um novo estudo publicado esta semana no British Medical Journal sugere que ao invés de maneirar no café durante a gravidez, o melhor mesmo é evitá-lo.

 

Quase três mil mulheres com gravidez de baixo risco foram acompanhadas durante a gravidez com rígida monitorização do consumo de cafeína, álcool e cigarro, além de terem sido avaliadas quanto ao perfil individual de rapidez no metabolismo da cafeína. Confirmou-se a associação entre o consumo de cafeína na gravidez e menor peso dos recém-nascidos, e quanto maior a dose diária de cafeína, maior o efeito. IMPORTANTE: não houve dose baixa de cafeína que pudesse ser considerada segura no sentido de não influenciar o peso dos bebês. Além disso, o impacto do consumo de cafeína sobre o peso dos bebês foi semelhante ao do consumo de álcool no grupo estudado.

 

Não custa lembrar que a cafeína não está só no café e na coca-cola. Sua principal fonte de consumo entre essas mulheres estudadas foi o chá (60%), enquanto só 14% era por consumo de café. Tanto nos EUA como na Inglaterra, as agências federais de saúde recomendam que na gravidez não se deva usar mais que 300mg de cafeína por dia. Esse novo estudo certamente mudará a atual recomendação para que se evite cafeína de qualquer origem durante a gravidez. Para as mulheres que estão querendo engravidar, é bom reduzir o consumo também.

 

 

Leia também  Afinal, Café faz bem à saúde?  

 

 

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Um estudo publicado no final de outubro na versão eletrônica do periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia demonstra o quanto uma dieta adequada pode ajudar na recuperação de uma pessoa que sofreu um derrame cerebral.

 

Cerca de metade dos pacientes que iniciam o trabalho de reabilitação após um derrame cerebral apresenta algum grau de desnutrição e as causas são múltiplas: dificuldade em engolir os alimentos, dependência de outras pessoas para poder comer, depressão, e muitas vezes um estado de desnutrição até mesmo antes de sofrer o derrame. Já sabemos que os pacientes desnutridos recuperam-se com maior dificuldade, porém ainda é controverso se uma suplementação dietética especial é capaz de fazê-los recuperar melhor.

 

Nesse novo estudo, foram incluídos mais de cem pacientes que sofreram derrame cerebral no último mês, e que podiam ser considerados como desnutridos (perda > 2.5% do peso nas primeiras 2 semanas de internação). Metade dos pacientes receberam uma super-dieta com teor 2 vezes maior de calorias,  2 vezes maior de proteínas e 4 vezes maior de gordura, além de suplementação de vitamina C. Quando comparados aos pacientes que receberam uma dieta normal, esses que receberam a super-dieta receberam alta para casa com maior nível de independência.  

 

A pesquisa apresenta algumas limitações metodológicas, entre elas o fato de ter sido realizada num único centro de reabilitação, o que nos faz ser cautelosos em não encerrar o assunto por aqui. Além disso, os resultados também não devem ser extrapolados a pacientes que apresentavam sobrepeso quando apresentaram o derrame.

 

 

 

 

  

 

O combate à obesidade é um dos maiores desafios do mundo contemporâneo, já que aumenta o risco de dois dos problemas de saúde mais sérios da humanidade: as doenças cardiovasculares e o câncer. Alguns estudos têm revelado que o problema do sobrepeso não está associado só a quanto se come e o que se come, mas também a como se come.

 

Uma pesquisa conduzida no Japão com mais de três mil pessoas e publicada na última edição do British Medical Journal aponta que tanto o hábito de comer rápido como também o de comer até se sentir cheio está associado a um maior peso corporal. Esse efeito é independente da quantidade de calorias ingeridas, ou seja, “X” calorias diárias ingeridas de forma fracionada e sem pressa tem menos chance de engordar do que as mesmas “X” calorias diárias ingeridas na correria e de forma menos distribuída ao longo do dia. Estudos anteriores já haviam mostrado que comer rápido engorda mais, e o que essa pesquisa acrescenta é que comer até ficar cheio também engorda.

 

 

 

  

 

 

Temos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstra que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. Além disso, é bem reconhecido que a relação entre álcool e doenças cardiovasculares tem um comportamento estatístico conhecido como curva J. Quanto mais alta a posição na curva J, maior o risco. Isso significa que a ausência de consumo de álcool, que está na ponta inferior do J, está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares do que o consumo moderado que se encontra na “barriga” do J. Quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que quem não bebe. Por outro lado, o consumo exagerado de álcool, que se encontra na ponta superior do J, reflete um maior risco de doenças cardiovasculares.

 

Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que o álcool também tem um comportamento semelhante à curva J quando o assunto é declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento, sendo que o consumo moderado está associado a um menor risco de demência, e o consumo excessivo a um maior risco (ponta superior do J). Temos ainda resultados de pesquisas nos mostrando que o excesso de álcool está associado à redução do volume do cérebro. Na verdade, já a partir dos 15 anos de idade nosso cérebro já tem seu peso reduzido em 1.5-1.19% por década, e essa redução não significa que há perdas funcionais. E será que o consumo moderado de álcool reduz esse ritmo de perda de volume cerebral? Na tentativa de responder a essa pergunta, uma população significativa de americanos sem história de derrame cerebral ou demência (grupo Frahmingham Offspring) foi avaliada quanto ao histórico de consumo de álcool e submetida à ressonância magnética do crânio. Os resultados foram publicados na última edição da revista Archives of Neurology. Confirmaram-se resultados anteriores de que o consumo excessivo de álcool está associado a um maior risco de redução do volume cerebral, e esse efeito foi mais forte nas mulheres do que nos homens. Além disso, não foi possível demonstrar que o uso moderado de álcool tenha efeito protetor sobre a redução do volume cerebral.

 

Já existe realmente um bom corpo de pesquisas mostrando o efeito protetor do álcool em doses moderadas. Além disso, o efeito protetor do vinho tinto parece ser superior ao de outras bebidas, pois além do álcool, ele possui outras substâncias nobres antioxidantes (ex: polifenóis).  Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação é de que quem já bebe não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool.

 

  

 

 CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira

 

 

 

 

 

O crescimento do consumo de bebidas energéticas cafeinadas nos últimos anos é exponencial e cerca de 500 diferentes produtos já podem ser encontrados ao redor do mundo. O conteúdo de cafeína desses produtos é bem variado, variando de 50mg até 500mg por latinha ou garrafinha (uma xícara de café expresso tem cerca de 100mg de cafeína). Além da cafeína, essas bebidas contêm outras substâncias como vitaminas, aminoácidos, e algumas delas também contêm extratos de ervas tais como Gingko biloba e Ginseng. É bom ter consciência sobre os potenciais riscos do consumo dessas bebidas em exagero e/ou em combinação com o álcool.

 

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

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Um estudo publicado na última edição do Journal of Nutrition, jornal oficial da Sociedade Americana de Nutrição, revelou mais benefícios do consumo regular de chocolate amargo.
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Onze mil moradores da região de Molise no sul da Itália com mais de 35 anos de idade foram avaliados, e cerca de cinco mil indivíduos sem doenças crônicas e que não faziam qualquer tipo de dieta especial foram selecionados. Desses cinco mil, identificou-se um subgrupo de 1317 pessoas que não faziam uso de qualquer tipo de chocolate e outro subgrupo de 824 pessoas que comiam chocolate amargo regularmente. ESSE GRUPO DE PESSOAS QUE CONSUMIA CHOCOLATE AMARGO REGULARMENTE APRESENTAVA UM ÍNDICE 17% MAIS BAIXO DO MARCADOR DE INFLAMAÇÃO PROTEÍNA C-REATIVA DE ALTA SENSIBILIDADE. Índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral. Além disso, pesquisas revelam que a redução dos níveis de Proteína C-Reativa de um grau moderado para um grau leve está associada a uma redução relativa do risco de eventos vasculares em cerca de 30%. Os efeitos positivos dos componentes do chocolate em reduzir marcadores de inflamação já haviam sido demonstrados em “tubo de ensaio”, mas é a primeira vez que esse efeito é demonstrado em uma grande amostra populacional.

Apesar do maior nível de ingesta calórica no grupo que consumia chocolate, não houve diferença no índice de massa corporal entre os grupos, ou seja, quem consumia chocolate não era mais gordo. Outro ponto importante revelado pela pesquisa foi que a dose de uma porção de chocolate (20g) a cada três dias (até 6.7g por dia), foi associado aos menores níveis de inflamação. Acima dessa dose, os efeitos foram mais discretos (ver gráfico).

 

 

 

Mais uma vez o chocolate amargo mostra-se um poderoso aliado de nossa saúde. Meia barra de 100 gramas por semana parece ser uma dose inteligente.

 

 

Um estudo publicado ontem no British Medical Journal nos mostra de forma inequívoca que mulheres que adotam um estilo de vida saudável vivem mais. Pesquisas anteriores já haviam mostrado resultados semelhantes, mas dessa vez os resultados são mais contundentes ainda, já que o estudo envolveu quase 80 mil mulheres com idades entre 34 e 59 anos e que foram acompanhadas por 24 anos. Cinco marcadores de saúde foram avaliados pela pesquisa:

 

  • tabagismo
  • sobrepeso
  • inatividade física
  • dieta pouco saudável
  • o não consumo moderado de álcool (moderado = até uma dose diária)

 

Cada um desses cinco fatores esteve associado ao risco de morrer durante o período do estudo de forma independente. Quando se comparou mulheres que não apresentavam nenhum dos cinco fatores de risco com mulheres que apresentavam os cinco fatores, as mulheres com os cinco marcadores de risco apresentavam um risco maior de mortalidade nas seguintes proporções:

 

  • risco relativo de mortalidade geral  4.3 vezes maior
  • risco relativo de mortalidade por câncer 3.2 vezes maior
  • risco relativo de mortalidade por doenças cardiovasculares  8.2 vezes maior

 

A pesquisa mostrou também que 28% das mortes durante o período do estudo poderiam ter sido evitadas se as mulheres não fumassem, e 55% das mortes poderiam ter sido evitadas se as mulheres não apresentassem a combinação dos quatro primeiros fatores. O quinto fator, ausência de consumo moderado de álcool, não foi tão relevante como os outros quatro.

 

Trocando em miúdos:

VIVE MAIS A MULHER MAGRA E QUE NÃO FUMA, QUE FAZ ATIVIDADE FÍSICA E QUE TEM UMA DIETA SAUDÁVEL.

 

 

 

 

Estudos recentes realizados aqui mesmo no Brasil mostram que cerca de 70-80% das mulheres queixa-se de dor de cabeça no período próximo à menstruação e a enxaqueca é responsável por boa parte dessas dores de cabeça. É bom lembrar que quase 20% da população feminina tem enxaqueca.

 

As flutuações dos hormônios sexuais da mulher não só explicam o porquê da mulher ter cerca de três vezes mais enxaqueca do que o homem, mas também explica a íntima associação entre a enxaqueca e o período da menstruação. Até 70% das mulheres com enxaqueca percebem essa associação, seja pelo fato de só ter crises de enxaqueca no período da menstruação, seja porque nesse período as crises costumam ser mais fortes.

 

Existem várias estratégias de tratamento para a enxaqueca associada à menstruação, e um estudo publicado na última semana pela revista britânica Cephalalgia, confirmou que o tratamento hormonal (estrogênio) pode ser uma ferramenta valiosa nessas situações. O que a pesquisa nos trouxe de novidade é que o uso de terapias hormonais tem a chance de reduzir a freqüência de crises de enxaqueca não só no período perimenstrual, mas também ao longo de todo o mês. O tratamento hormonal também permitiu uma extraordinária redução na quantidade de medicações que as mulheres usavam para dor de cabeça.

 

A terapia com hormônios à base de estrogênio na enxaqueca tem outras peculiaridades que devem ser consideradas também. Algumas mulheres até têm suas crises intensificadas por conta do uso de estrogênio. No caso da enxaqueca com aura,  o uso de estrogênio deve ser discutido ainda com mais cautela, pois pode aumentar os riscos de isquemia cerebral.  Clique aqui e leia o post que discute essa questão.

 

A enxaqueca é coisa séria. Para se ter uma idéia, ela ocupa o oitavo lugar entre os problemas de saúde de maior impacto no dia-a-dia de uma mulher.  Não faz sentido viver reclamando de enxaqueca sendo que o problema tem diversas formas de solução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São tantos resultados de pesquisa sobre os efeitos de dietas inteligentes sobre nossa saúde que às vezes fica difícil saber em que pé as coisas estão. Essa é uma situação que uma metanálise pode ajudar muito. Ela nada mais é do que uma avaliação sistemática dos estudos significativos realizados até então sobre o assunto e com isso amplifica-se a força dos estudos, cria-se uma MEGA PESQUISA.

 

Pesquisadores italianos publicaram ontem no respeitado British Medical Journal uma importante metanálise sobre os efeitos da Dieta Mediterrânea sobre nossa saúde. Foram incluídos 12 estudos prospectivos com um total de mais de 1,5 milhão de indivíduos.

 

Efeitos da Dieta Mediterrânea:

 

– reduz a mortalidade geral em 9%

– reduz a mortalidade por doenças cardiovasculares em 9%

– reduz a mortalidade por câncer em 6%

– reduz a incidência de Doença de Parkinson em 13%

– reduz a incidência de Doença de Alzheimer em 13%

 

O recado é claro. Devemos regular o consumo de carnes e laticínios e encorpar nossa dieta com cereais integrais, verduras, legumes, frutas, peixes, azeite, e até mesmo um vinhozinho tinto com moderação.

 

 

Ver também post   PREVIDENCIA VASCULAR. COMEÇE JÁ A SUA.

 

 

 

 

Um dispositivo que utiliza correntes elétricas de alta freqüência para modular impulsos nervosos que ligam o cérebro ao estômago e ao pâncreas através do nervo vago parece ser útil no tratamento da obesidade. A modulação da função do nervo vago pode interferir não só na função motora do sistema digestivo (ex: reduzindo o tempo de esvaziamento gástrico), mas também na liberação de hormônios que interferem no apetite (ex: ghrelin). A nova terapia, chamada de Bloqueio Vagal Intra-abdominal, é uma técnica minimante invasiva, não interfere na anatomia do sistema digestivo ou neurológico e é reversível.

 

Um estudo envolvendo três centros de pesquisa na Noruega, Austrália e México e publicado recentemente na revista Surgery (2008;43) mostrou pela primeira vez a potencial aplicabilidade do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade. O dispositivo foi implantado através de laparoscopia (pequena incisão no abdome) em 31 pacientes obesos (IMC 35-50 kg/m2) que ainda foram acompanhados por seis meses após o procedimento. Nenhum paciente foi orientado a seguir qualquer tipo de dieta ou mudança de hábitos de vida no período do estudo. Foi observada perda ponderal média de 15% do excesso de peso, sendo que um quarto dos pacientes perdeu cerca de 25% do excesso de peso. Os pacientes apresentaram redução da ingesta calórica, saciedade mais precoce durante as refeições e menos fome entre as refeições.

 

O procedimento mostrou-se seguro sem complicações significativas.  Esses resultados foram os primeiros a serem apresentados e já permitiram o desenho de um estudo ainda mais robusto para validar a indicação do Bloqueio Vagal no tratamento da obesidade.

 

 

 

 

 

Todo mundo conhece um pouco sobre as diferentes mudanças físicas, mentais e psicossociais que as mulheres passam quando se tornam mães, e seus potenciais reflexos sobre a saúde. Até mesmo o cérebro passa a ser diferente com a maternidade (Cérebro de mãe é turbinado mesmo). Já o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens é um tema ainda pouco explorado pela ciência.

 

A paternidade no mundo contemporâneo extrapola o modelo estereotipado do pai provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos filhos. Hoje em dia não são raros os pais que moram sozinhos com os filhos, pais que cuidam da casa enquanto a mãe que é provedora e trabalha fora, pais que moram longe dos filhos, pais numa relação homossexual, e outras variações de paternidade que pareceriam exceções à regra há algumas décadas atrás.

 

E será que a paternidade exerce alguma influência sobre a saúde dos homens?  Os filhos podem ser um fator positivo na vida dos homens como fonte de satisfação e realização, e até de atividade física, já que muitos homens retornam à atividade esportiva incentivados pela chance de fazê-la junto aos filhos. Inclusive, atividade física junto ao filho é mais comum com o pai do que com a mãe. Por outro lado, a paternidade pode trazer efeitos negativos se, por exemplo, o homem encará-la com culpa por não viver junto ao filho ou se o homem tiver que trabalhar além dos seus limites desejáveis depois que a conta com os filhos passou a ficar mais cara, deixando de cuidar de sua própria saúde e às vezes até se sentindo penalizado. A forma como o homem vive a paternidade além de poder influenciar seus hábitos de vida, e conseqüentemente sua saúde, pode influenciar também o desenvolvimento psíquico de seus filhos e a própria saúde do relacionamento conjugal. Pesquisas ainda revelam que pais com filhos que apresentam doenças crônicas apresentam mais chance de estresse na relação conjugal e separação e também maior chance de desemprego.

 

Mas os estudos sobre o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens ainda estão só no começo. O conhecimento até o momento foi muito focado no impacto psicossocial nos primeiros após o nascimento do filho, e estudos tem sido desenvolvidos para avaliar essa questão mais a longo prazo. O fator paternidade deve começar a ser levado em conta no cuidado da saúde do homem, com recomendações de equilíbrio entre trabalho e família integradas às habituais orientações de hábitos saudáveis de vida. Uma pesquisa recente envolvendo milhares de americanos revelou que o consumo de gordura total e saturada por adultos é maior nos lares com crianças.

 

Uma maior atenção ao lado pai do homem tem o potencial de promover sua saúde, e certamente promoverá mais saúde aos seus filhos também. Recentemente, a academia americana de pediatria passou a recomendar aos pediatras que estimulem os pais a participarem mais do dia-a-dia dos filhos, já que são inúmeras as evidências da forte influência do pai sobre o desenvolvimento dos filhos, do ponto de vista social, psíquico e cognitivo. 

 

 

 

 

O derrame cerebral pode acontecer por causa de um rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, mas sua causa mais comum é o entupimento de um vaso e conseqüente interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, provocando a morte das células dessa região. A isto se dá o nome de isquemia cerebral. Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas na cadeira de rodas. É uma doença grave mesmo: a principal causa de morte em nosso país. Mas nem sempre é grave e muitos deles acontecem sem chamar a atenção de ninguém. 

 

É ultrapassada a idéia de que usamos apenas uma pequena porcentagem do cérebro. Cada pedacinho de cérebro é relevante sim. Entretanto, podemos dizer que algumas regiões do cérebro quando destruídas são capazes de provocar sintomas mais perceptíveis que outras. Algumas regiões até podem ser destruídas que o indivíduo nem se dá conta de que algo aconteceu. E essa não é uma situação incomum no cérebro que envelhece: isquemias cerebrais silenciosas podem ser encontradas em boa parte das pessoas acima dos 60 anos de idade. Quando se fala em lesões que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas relacionados. Quando se fala em lesões que só fazem pequeninas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos.

 

No conjunto, essas pequenas lesões fazem parte daquilo que se chama de doença de pequenos vasos cerebrais. Uma ou duas pequenas cicatrizes realmente não costumam provocar sintomas, mas o cérebro de um indivíduo que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

 

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. (Visite o Post Previdência Vascular). E no quesito dieta saudável, os peixes estão com a bola toda.

 

O consumo regular de peixes ricos em Ômega 3  (ex: sardinha, atum, salmão) pelo menos duas vezes por semana já é bem reconhecido como uma atitude que reduz o risco de doenças cardiovasculares e também a Doença de Alzheimer. A última edição da revista Neurology ( Academia Americana de Neurologia) publicou uma pesquisa que demonstrou pela primeira vez que o consumo regular de peixes  ricos em Ômega 3 (≥ 3 vezes por semana) reduz a chance de acúmulo de pequenas isquemias cerebrais. O estudo foi desenvolvido ao longo de cinco anos com mais de 3600 finlandeses com mais de 65 anos. Importante: o efeito protetor ao cérebro deixa de existir quando o consumo é de peixe frito. 

 

 

   

O cérebro humano é dotado de um sistema de recompensa que é estimulado por ações que julgamos prazerosas, estímulos que nos sinalizam que vale a pena repetir um determinado comportamento. Esse mecanismo é visto como uma vantagem evolutiva que favorece a sobrevivência da espécie e tem o neurotransmissor dopamina como seu principal ingrediente. A cada situação de prazer, o cérebro memoriza a relação do prazer experimentado à situação que o provocou e sabemos que alguns estímulos são mais potentes que outros no disparo desse processo: um alimento bastante calórico como o chocolate é mais poderoso que uma salada de folhas.

 

Esse sistema é uma importante janela para o entendimento dos mecanismos que fazem com que algumas pessoas tenham tendência a comportamento alimentar compulsivo e vício em drogas. Os mesmos mecanismos que são úteis para a sobrevivência podem ser meio “desafinados” em alguns indivíduos. 

 

O uso de táticas mentais com o objetivo de modular as emoções tem reconhecido sucesso na redução de reações negativas frente a estímulos conflituosos. Sabemos muito menos sobre o efeito de tais táticas no controle do comportamento humano diante de situações recompensadoras e um estudo publicado ontem pela revista Nature Neuroscience revela que o resultado nessas situações também é positivo.

 

Indivíduos foram submetidos a um teste psicológico que envolvia recompensa em dinheiro ao visualizar um quadrado azul. Aqueles que foram instruídos a olhar para o quadrado azul e pensar no dinheiro tiveram regiões do cérebro associadas ao sistema de recompensa mais estimuladas do que aqueles que foram instruídos a pensar em algo azul na natureza que os deixasse mais calmos, como a imagem de um oceano. Essas respostas foram demonstradas tanto por medidas eletrofisiológicas com por ressonância magnética funcional.

 

Os resultados dessa pesquisa sugerem que pacientes com comportamentos compulsivos (ex: drogadição) podem se beneficiar de terapias que os ensinem a usar a força do pensamento para evitar o contato com os estímulos “recompensadores”, porém nocivos à saúde.

 

 

Hoje em dia a previdência privada é uma das principais estratégias para se garantir um futuro financeiro tranqüilo e um dos pilares mais importantes de qualquer investimento é que quanto mais cedo começarmos a poupar, maior será o prêmio no futuro. Não é difícil conversarmos com pessoas que nem são da área financeira, mas que conhecem com bastante preciosismo o significado das diferentes estratégias de investimento. Esse mesmo nível de consciência é desejável também quando se pensa no investimento em saúde. O melhor entendimento do significado da aterosclerose é de extrema relevância, pois esta é a doença que mais causa mortes no nosso país. Investir ainda quando jovens em atitudes que evitem o desenvolvimento e progressão da aterosclerose pode ser o maior pé-de-meia que alguém pode fazer durante sua vida.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

O cérebro de uma pessoa com enxaqueca é sensível além do normal a diversos estímulos, entre eles alguns alimentos que podem desencadear crises. É comum vermos na prática clínica recomendações médicas que aconselham os pacientes a evitar uma lista enorme de alimentos, tarefa que muitas vezes pode ser mais penosa do que as crises de enxaqueca. É bom entender quais os principais cuidados que uma pessoa com enxaqueca realmente deve ter com sua dieta.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

Além de aumentar o risco de inúmeras doenças como o câncer e doenças cardiovasculares, sabemos também que a obesidade influencia negativamente o pleno funcionamento de nossas funções cerebrais.

 

A capacidade do indivíduo em reconhecer que está acima do peso pode ter grande influência no controle da epidemia de obesidade do mundo moderno, e são vários os fatores envolvidos nessa auto-percepção de obesidade, incluindo os aspectos socioculturais.

 

Uma interessante pesquisa conduzida na Inglaterra e publicada no British Medical Journal esta semana revela que o número de ingleses que podem ser categorizados como obesos dobrou nos últimos 10 anos – de 11% em 1999, para 19% em 2007. Entretanto, em 1999, 43% da população podia ser classificada como acima do peso e 81% dessas pessoas reconhecia corretamente que estava acima do peso. Já em 2007, 53% da população podia ser classificada como acima do peso, e 75% reconhecia corretamente que estava acima do peso.

 

Uma das hipóteses mais fortes para explicar essa menor capacidade dos ingleses em se perceberem acima do peso é que o aumento da prevalência da obesidade faz com que as pessoas comparem-se a si mesmas com outras com graus de obesidade mais avançados. Isso faria com que pessoas com graus de sobrepeso leve ou moderado se sentissem em dia com a balança.

 

E de que adiantam campanhas educativas para redução da obesidade, se as pessoas com sobrepeso acham que o problema não é com elas. Uma das saídas é educar e incentivar a sociedade como um todo a adotar hábitos de vida saudáveis. Tirar o foco sobre os obesos poderia ajudar também a reduzir o estigma associado à condição.

 

 

 

 

 

 

O combate à obesidade é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea e ainda há muita discussão sobre qual é o melhor tipo de dieta. Uma importante limitação que impede que possamos ser categóricos em dizer que um tipo de dieta é melhor do que outra é a falta de estudos comparativos a longo prazo. Um estudo publicado hoje pela prestigiada revista New England Journal of Medicine ajuda a preencher essa lacuna.

 

Durante dois anos, mais de 300 indivíduos obesos foram acompanhados após iniciarem um desses três tipos de dietas:

 

· Dieta pobre em gordura e com restrição de calorias

Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.

Gorduras: 30% das calorias  

Gorduras saturadas: 10% das calorias

  

· Dieta Mediterrânea com restrição de calorias

Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.

Gorduras: < 35% das calorias

Azeite e nozes diários, muitas frutas e vegetais, grãos integrais e baixo consumo de carnes vermelhas.

 

· Dieta pobre em carboidratos sem restrição de calorias

Baseada na dieta Atkins: < 120g de carboidratos por dia (< 20g nos 1os dois meses)

Preferência a gordura de origem vegetal

 

A média de perda de peso para cada grupo ao final do estudo foi:

· Dieta pobre em gordura: 3.3 Kg

· Dieta mediterrânea: 4.6 Kg

· Dieta pobre em carboidratos: 5.5 Kg

 

Outras duas importantes diferenças entre as dietas foram demonstradas. A dieta pobre em carboidratos foi a que mais favoreceu o controle dos níveis de colesterol.  Entre pacientes diabéticos, a dieta mediterrânea foi a que mais ofereceu o controle dos níveis de glicose.

 

Os resultados indicam que tanto a dieta pobre em carboidratos como a dieta mediterrânea podem ser alternativas eficazes à dieta pobre em gordura. Preferências pessoais devem ser levadas em conta. Uma dieta pobre em carboidratos mas sem restrição calórica seria uma boa opção a indivíduos que não tolerariam uma dieta com restrição calórica. A escolha da dieta também pode ser direcionada pelo perfil metabólico do indivíduo, sendo a dieta mediterrânea potencialmente mais interessante para aqueles com diabetes, enquanto a dieta pobre em carboidratos pode ser a melhor opção para aqueles com alteração dos níveis de colesterol.   

 

 

 

 

No Brasil, e em vários outros países do mundo, o café é a segunda bebida mais consumida de todas, só perdendo para a água. Infelizmente, muitas pessoas bebem café com uma certa desconfiança, com dúvidas se ele faz bem ou mal à saúde. E não é à toa. Nas últimas décadas uma série de pesquisas evidenciou resultados conflitantes, especialmente no que diz respeito à nossa saúde vascular, dificultando conclusões seguras quanto aos reais benefícios do consumo de café. Felizmente, nos últimos anos parece que a ciência está encontrando a ponta desse novelo de lã, e os benefícios demonstrados até então estão ganhando de goleada dos potencias malefícios. Afinal, café faz bem à saúde?

Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

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