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Adolescentes sedentários, muito expostos à mídia e que dormem pouco têm maior risco de doenças psiquiátricas. Essa é a conclusão de um grande estudo liderado pelo Instituto Karolinska na Suécia. Essa combinação de atitudes foi considerada pelos pesquisadores como um comportamento de risco velado.

 

Mais de 12 mil adolescentes de 11 diferentes países europeus responderam a um questionário que avaliava sintomas psiquiátricos e comportamentos de risco. Os resultados diferentes grupos de risco. O grupo de alto risco (13% dos adolescentes) apresentava reconhecidas atitudes de risco como consumo de álcool e drogas.  O grupo de baixo risco (58% dos adolescentes) quase não tinha comportamento de risco.  Quase 30% dos adolescentes formaram um terceiro grupo que foi chamado de “risco invisível”.  Eles combinavam comportamentos que geralmente não são considerados como fatores de risco para doença mental. Entretanto esse grupo de “risco invisível” apresentava a mesma tendência que o de alto risco em apresentar ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Esse risco invisível era caracterizado por sedentarismo, pouco sono e excesso de mídia.       

 

Os resultados ainda mostraram que os comportamentos de risco eram mais comuns entre os homens enquanto sintomas psiquiátricos eram mais frequentes entre as mulheres. Os mais velhos eram os que tinham mais sintomas e também os que tinham mais comportamentos de risco.

 

A adolescência é uma fase da vida de profundas mudanças no comportamento e no corpo.  É uma época também de grande incidência de problemas psiquiátricos, tais como transtornos de ansiedade e de humor, transtornos de personalidade e alimentares, psicoses e abuso de substâncias psicoativas. Temos crescentes evidências de que alterações no amadurecimento cerebral nessa fase da vida podem ajudar a explicar o porquê da alta incidência de doenças psiquiátricas na adolescência. Uma hipótese bastante atrativa é a de que um perfil genético que determine que essas transformações da adolescência aconteçam em outro ritmo ou grau de intensidade possam aumentar os riscos de doenças psiquiátricas.    

 

Um recente e robusto estudo populacional nos Estados Unidos revelou que a idade em que o indivíduo tem mais chance de apresentar um transtorno psiquiátrico pela primeira vez é aos 14 anos. Além das mudanças cerebrais estruturais e funcionais já demonstradas, e por isso a adolescência é considerada um período de significativas mudanças neurobiológicas, não há como deixar de considerar também os fatores hormonais e psicossociais. Muitos avanços têm sido alcançados, mas temos muito chão pela frente para conseguirmos entender a parcela de contribuição de cada um dos fatores que determinam o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na adolescência de forma tão frequente.

 

Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:

 

Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.  

 Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.

Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.

Obesidade.  O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.

Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

 

CBN-RICARDO[1]

 

 

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Adultos jovens com um animal de estimação em casa costumam ter relações sociais mais fortes e ser mais integrados à comunidade.  Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana pelo periódico Applied Developmental Science.

 

Pesquisadores americanos estudaram mais de 500 voluntários com idades entre 18 e 26 anos.  Quanto mais eles participavam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles tinham na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.

 

Antídoto conta o estresse

 

Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que tem cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que tem cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.

 

E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.

 

Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer bem para o coração em vários sentidos.

 

CBN-RICARDO[1]

Health: Forgetfulness in Men

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Uma em cada duas pessoas diz ter problemas de memória, mas os homens dizem ter mais. Essa é a conclusão de um grande estudo conduzido na Noruega que envolveu cerca 48 mil voluntários com 30 anos ou mais.

 

Os pesquisadores aplicaram um questionário de nove perguntas sobre o desempenho da memória das pessoas no dia a dia. Estas foram as perguntas:

1- Você tem problemas com sua memória?

2- Sua memória piorou nos últimos anos?

Você tem dificuldade para se lembrar de:

3- Datas

4- Nomes de pessoas

5- Atividades planejadas

6- Coisas que aconteceram há minutos

7- Coisas que aconteceram há poucos dias

8- Coisas que aconteceram há anos

9- Fio da meada de um conversa

 

Metades dos entrevistados disse que tinha problemas de memória, mais comum entre os homens (pergunta 1). Oito das nove dificuldades com memória pesquisadas eram mais frequentes entre os homens. Mulheres queixaram-se mais de que a memória piorou nos últimos anos. As dificuldades maiores eram com datas (homens 75% e mulheres 64%) e nomes de pessoas (homens 89% e mulheres 86%). 65% referiram ter pior memória que quando eram mais jovens e os itens que as pessoas tinham menos dificuldade foram “lembrar do fio da meada” e “coisas que aconteceram há minutos”.

 

As queixas de memória eram menores entre as pessoas com maior nível educacional, maior satisfação com a vida, menos sintomas de ansiedade e depressão. As queixas foram maiores entre os mais idosos, mas não muito diferente da população mais jovem. Rotina dos mais jovens com maior demanda cognitiva, e por isso, mais queixas?

 

Como explicar maiores queixas entre os homens? Maior demanda não é uma explicação razoável, especialmente pelo fato da população estudada ser norueguesa, onde as mulheres tem uma alta inserção no mercado de trabalho e em posições de liderança.

A pesquisa foi publicada na última semana pelo periódico BMC Psychology.

 

CBN-RICARDO[1]

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O periódico Nature Neuroscience publicou na última semana um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade John Hopkins que mostrou o poder positivo da cafeína sobre a memória.

 

Voluntários que não tinham o hábito de consumir alimentos ou bebidas cafeinadas foram apresentados a uma série de imagens. Após a análise das imagens eles recebiam uma pílula com 200mg de cafeína ou uma pílula placebo. No dia seguinte os participantes eram testados para avaliar novas imagens, como se fosse um jogo de sete erros. Eles precisavam dizer se a imagem era igual à do dia anterior, só parecida ou igual com algumas modificações. Quem tomou a pílula de cafeína teve mais sucesso no teste.

 

Estudos anteriores já tinham avaliado o potencial benefício da cafeína sobre a memória, mas a cafeína sempre era administrada antes da tarefa. Isso deixava sempre a duvida se os benefícios à memória eram decorrentes da melhora da atenção. Dessa vez não. Os voluntários tomaram a pílula depois do teste. Não foi o componente de atenção que fez a diferença.

aaaaaaaaaaall

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O consumo na meia idade de mais de duas doses diárias de álcool pode levar a perdas cognitivas. Mais tarde na vida o desempenho cerebral pode chegar a ser o de pessoas seis anos mais velhas. Aqueles que bebem de forma leve ou moderada têm a memória e funções executivas tão preservadas como os que não bebem. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia.

 

A preciosidade dessa pesquisa é a inclusão de indivíduos de meia idade, já que a maioria dos estudos sobre álcool e memória envolveu grupos de idosos.  Envolveu 5 mil homens e 2 mil mulheres que foram acompanhados por 10 anos. Testes cognitivos e questionários sobre o consumo de álcool foram realizados repetidas vezes.  O efeito negativo foi mais pronunciado entre os homens

 

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Pessoas que têm maior concentração de omega-3 no sangue têm um cérebro maior. Essa é a conclusão de um estudo publicado hoje pelo periódico Neurology, jornal da Academia America de Neurologia.

 

Pesquisadores americanos analisaram a concentração dos ácidos graxos ômega-3 do tipo EPA e DHA nos glóbulos vermelhos de cerca de 1100 mulheres na menopausa. Oito anos depois, quando as mulheres já tinham uma média de idade de 78 anos, o cérebro daquelas que tinham maior concentração de ômega-3 mostrou um maior volume, incluindo o hipocampo, região esta precocemente afetada na doença de Alzheimer. .

 

O efeito de uma boa concentração de ômega-3 sobre a estrutura do cérebro pode ser traduzido em um retardamento de um a dois anos na perda de volume associada à idade.  Os resultados não surpreendem tanto, já que esse tipo de gordura forma boa parte da estrutura do cérebro.

 

O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro  em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

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O cérebro tem dois tipos de receptores aos quais se ligam a substâncias semelhantes à maconha que recebem o nome de canabinóides. Saiba que uma dessas sustâncias é produzida pelo nosso corpo e se chama anandamida, que em sânscrito significa felicidade. É bem reconhecido que anandamida seja um dos grandes responsáveis pelo barato do maratonista.

Após a descoberta do sistema endocanabinóide no cérebro há 20 anos, uma série de substâncias sintéticas têm sido desenvolvidas na expectativa de se encontrar aplicações terapêuticas. Não demorou muito para que as maconhas sintéticas passassem a ter cosumo recreativo e têm recebido o nome de k2 ou spice, tempero em inglês. O termo tempero simboliza a mistura de uma ou mais maconhas sintéticas com outras ervas e extratos aromáticos. Essa mistura pode ser mais complexa, incluindo, por exemplo, drogas estimulantes do sistema nervoso simpático.

O spice tem rótulos que vendem a ideia de mistura de ervas, incenso, e nos EUA só perde para a maconha como droga ilícita mais consumida entre adolescentes. A impossibilidade de ser detectado pelos exames toxicológicos aumenta sua popularidade. Além disso, o spice é encontrado em lojas de conveniência, postos de gasolina, na internet, sempre com um lembrete que “não é para consumo humano”. Afinal é “só um purificados de ar, um incenso”. O governo define o canabinoide A, B e C como ilícitos, mas os fabricantes logo produzem o F, G, H.

Os canabimoides sintéticos têm uma potência de efeitos que chega a ser 10 vezes maior que o THC da planta de maconha. Efeitos adversos incluem agitação, alucinações, psicose, tentativa de suicídio, convulsões, infarto do miocárdio, arritmia cardíaca e sintomas de abstinência como tremores e dor de cabeça.

Recentemente o periódico da Academia Americana de Neurologia descreveu o caso de dois irmãos que apresentaram derrame cerebral, um deles minutos e o outro horas depois de consumir spice. Não parece coincidência.

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Como a privação de sono mexe com o nosso corpo! E não é só nas capacidades do cérebro. Memória, atenção, etc. Pouco sono favorece o sobrepeso e a obesidade, aterosclerose, infarto do coração, aumenta as taxas de gordura no sangue e até aumenta a pressão arterial.

Quanto ao efeito sobre a pressão arterial, existem dúvidas, pois os resultados das pesquisas são conflitantes. Entende-se que parte dessas discordâncias deve-se à mistura de fatores como a obesidade e apnéia do sono.

Esta semana um estudo publicado no periódico Pediatrics confirmou que a privação de sono aumenta sim os níveis da pressão arterial. Para evitar confusão, dessa vez foram estudados adolescentes sem sobrepeso, obesidade ou apnéia do sono. Os resultados mostraram ainda que, após alguns dias de privação de sono, uma única noite de sono mais prolongado não é capaz de reverter o aumento da pressão arterial. Compensar no fim de semana é melhor do que nada, mas não é o ideal.

 

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Muita gente reclama que o tempo está passando muito rápido, mas isso não costuma fazer parte do repertório dos jovens.

 

Já no século 19, defendia-se a idéia que o tempo passa mais rápido à medida que envelhecemos, pois a vida de adulto vai tendo cada vez menos novidades, menos marcos. Menos primeiros: primeiro beijo, primeiro dia de escola, primeiro porre, etc.   

 

Quando solicitados a descrever a passagem do tempo através de metáforas, jovens usam metáforas com imagens mais estáticas, como por exemplo, um “oceano tranqüilo”. Os mais velhos já usam metáforas mais aceleradas – “trem em alta velocidade”.  

 

Quando se faz a pergunta “Quão rápido passou os últimos dez anos para você?” a resposta é de que é mais veloz entre as pessoas com mais idade, com um pico aos 50 anos.  Entre os 50 e 90 anos essa percepção fica estável. 

 

Quando se faz a pergunta “Quão rápido passou a última hora/semana/mês para você?”, a idade não faz diferença. Entretanto, quando a pessoa sente que está sendo pressionada contra o tempo, a percepção é a de que a semana / mês passa mais rápido, independente da idade e da nacionalidade.  É a cegueira do estresse.

 

 

 

 

A edição de natal do British Medical Journal trouxe uma revisão curiosa sobre os efeitos do riso na saúde das pessoas. Foram incluídas pesquisas recentes, mas também relatos do que se pensava há mais de cinqüenta anos atrás.

Benefícios

Maior satisfação com a vida;

Maior tolerância à dor;

Melhora a função do endotélio, camada mais interna dos vasos sanguíneos;

Reduz o risco de infarto do miocárdio;

Palhaços melhoram a função pulmonar de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica;

Melhora o controle da glicemia em diabéticos;

15 minutos de risada consome cerca de 40 calorias;

Um palhaço divertindo futuras mamães por 15 min numa clínica de fertilização in vitro aumenta a chance de sucesso do tratamento;

Malefícios?

Algumas pessoas podem desmaiar durante uma gargalhada intensa. Esse fenômeno é chamado de síncope reflexa, e tem o mesmo mecanismo do desmaio associado ao ato pegar um peso muito grande;

Há relatos de arritmia cardíaca em pessoas que já tem antecedentes dessa natureza;

Há relatos de inalação de corpo estanho – ex: prótese dentária;

Entre os asmáticos, pode desencadear uma crise;

Pode provocar pneumotórax – coleção de ar no espaço pleural;

Favorece a transmissão de agentes infecciosos;

Pode precipitar uma crise de cataplexia – perda súbita do tônus muscular associada à rara doença do sono Narcolepsia;

Pode precipitar crises de dor de cabeça, inclusive a enxaqueca;

Assim com morder um sanduíche muito grande, uma gargalhada pode provocar deslocamento da mandíbula;

Pode provocar incontinência urinária;

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Fazendo um balanço geral, o potencias benefícios ganham de longe.

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Este é um causo de dois minutos. Os mais modernos podem chamar de “case”

Afonso nasceu em Brasília, filho de mineiros. A história começou há séculos, mas a consciência dizia que foi depois de Grande Sertão Veredas. Tempos depois ele descobriu que o violeiro Paulo Freire entrou na metamorfose depois de ler o tal.

Vai ouvindo.

 

No clima de Guimarães partiu para três dias de cerrado em cima da velha companheira de duas rodas. Passou antes na cidade dos avós em que passou todas as férias de sua infância. Os avós não estavam mais lá, mas ele entrou na antiga casa, reconheceu todos os cômodos. O atual proprietário falava com orgulho da grossura das paredes. Casa forte. Cheiro de café torrado no alpendre.

 

Serra da canastra suprema. Entendeu que o homem não faz parte da paisagem. A paisagem está dentro do homem. Poucas paradas para comer em currutelas de uma igrejinha e dez ou quinze casinhas. Perguntavam de onde vinha e sempre alguém tinha um caso para contar de um parente do moço. Lembrança viva de muitos antigos.

 

Grande Sertão, Minas Gerais, cerrado, ancestrais, química cerebral da exaustão física. Tudo isso transformou-se numa explosão com a música de ROBERTO CORRÊA.  A viola fechou esse círculo a que o moço chama hoje de ÓPERA CAIPIRA. E a temporada continua.

 

Nos últimos anos Afonso tem tido um sonho recorrente. Quando fica mais de uma semana sem assistir, aliás, viver o espetáculo, ele tem uma crise de abstinência bem estranha. Suor, tremores e não é que começa a crescer penas pelo corpo até ficar bem parecido com uma seriema?

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Imagine só pensar que você está comendo um alimento saboroso 33 vezes seguidas. Depois desse exercício esse alimento é oferecido ao vivo e em cores. Você tem a metade do apetite de uma pessoa que fez outro exercício de pensar que colocava moedas repetidas vezes numa máquina de lavar. Isso foi com confeitos M&M, mas o mesmo aconteceu quando os voluntários eram testados com pedacinhos de queijo. Entretanto, o aumento do apetite acontecia para os queijinhos, mas não para o chocolate. A saciedade não era transferível para outro tipo de alimento.

Essas experiências foram publicadas em 2010 pela revista Science e abriram discussões calorosas sobre o poder da mente no controle de peso. Ao invés de livros de dietas para emagrecer, quem sabe livros com fotos de pratos suculentos para serem saboreados na imaginação?

Essa saciedade mental pode ser explicada pelo efeito de habituação. Estímulos repetitivos passam a não ter mais o mesmo impacto depois de um tempo. A primeira mordida costuma ser a mais gostosa. Entretanto, a última mordida também tem seu valor. Se sobrarem dois biscoitos em uma lata, eles serão considerados mais gostosos do que quando a lata está lotada deles.

O banquete mental teve seus efeitos colaterais. A vontade de comer alimentos que combinam com o alimento aumentou. Quem imaginou a degustação de queijinhos comeu menos queijo depois, mas comeu muito mais pão.

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Muitos estudos mostram a importância inequívoca da mãe no desenvolvimento dos bebês. Já o impacto da presença dos pais tem sido pouco investigado. Uma nova pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade McGill no Canadá demonstra que a ausência do pai em fases precoces da vida leva a menores habilidades comportamentais e sociais na idade adulta. O estudo foi realizado em camundongos, mas os resultados são relevantes também para nós humanos.

Camundongos Califórnia foram estudados. Eles têm um comportamento monogâmico e cuidam da cria juntos. Quando criados sem os pais, os camundongos apresentavam na idade adulta mais agressividade e interações mais conturbadas com outros camundongos. As fêmeas foram as que apresentam maiores alterações do comportamento e também apresentaram uma maior sensibilidade à ação da anfetamina. Estudos em humanos não são tão diferentes. As crianças sem a presença do pai têm maior chance de apresentar comportamento desviante e, no caso das meninas, já foi demonstrado que elas têm maior risco de abuso de substâncias psicoativas.

A atual pesquisa também mostrou que os ratinhos privados de pais apresentavam menor desenvolvimento do córtex pré-frontal, região do cérebro que modula o comportamento nas interações sociais. Essa foi a primeira vez que se demostrou que a estrutura do cérebro é diferente na ausência do pai.

O estudo foi publicado recentemente pelo periódico Cerebral Córtex.

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Cientistas alemães da Universidade de Bonn confirmaram nesta última semana que a ocitocina é uma ferramenta valiosa para um casal atravessar décadas e décadas invictos de traições. Quando o hormônio é administrado a homens com relações estáveis e, a estes são apresentadas fotos de suas mulheres, o sistema de recompensa cerebral é estimulado de forma mais intensa, fazendo o cérebro ficar mais atraído pela parceira. O experimento foi publicado no prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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Quarenta homens heterosexuais foram estudados. Após uma dose do hormônio por spray nasal os homens apresentavam maior ativação do sistema de recompensa cerebral medido pela ressonância magnética funcional. Além disso, os homens passaram a perceber suas mulheres mais atraentes. Esse efeito não aconteceu com outras mulheres. Esses resultados foram confirmados com a aplicação de um spray placebo que não provocou os mesmos efeitos.

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Em um segundo experimento, os pesquisadores testaram se o efeito da ocitocina era o mesmo se imagens de mulheres do círculo social eram exibidas, colegas de trabalho de vários anos. Nada feito. O efeito ocitocina só existia mesmo com a parceira. A simples familiaridade não fez diferença.

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O tipo de reação que uma relação estável provoca no cérebro não é muito diferente do que uma droga provoca. Ambos ativam os sistema de recompensa e um rompimento não é fácil. No caso da relação, de uma hora para outra abaixam os níveis de ocitocina e isso deixa o sistema de recompensa em abstinência. Entretanto, a administração de ocitocina em situação de separação pode até piorar as coisas, pois pode fazer a pessoa sentir mais falta ainda do parceiro.

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Monogamia pode parecer algo sem sentido sob a ótica da biologia evolutiva e, na verdade, os humanos parecem ser a exceção entre os mamíferos. Por um lado mais parceiras garantem maior sucesso de propagação dos genes a gerações futuras. Por outro lado, a monogamia garante à prole mais estabilidade, maior chance de sobrevida.

 

 

 

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Uma hora é bom. Duas é melhor ainda. Duas horas por dia de atividade física é o ideal quando se pensa no bem estar de um adolescente. Mais do que isso estraga.  Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana no periódico Archives of Disease in Childhood.

Duas horas de atividade física por dia é o dobro do recomendado, mas parece que esse é o ritmo que promove mais bem estar entre os adolescentes. E bem estar é um fator que prediz o estado de saúde além de estar associado a menor comportamento de risco.

A atual pesquisa aplicou uma escala de avaliação de bem estar físico e mental em 1200 adolescentes suíços com uma média de idade 18 anos. Essa é uma escala da Organização Mundial da Saúde que tem uma pontuação de zero a 25, sendo que abaixo de 13 é considerado nível de bem estar baixo. A participação em atividades físicas na semana foi classificada como baixa (0 a 3.5 horas), mediana (3.6 – 10.5 horas), alta (10.6-17.5 horas) e muito alta (mais de 17.5 horas).

Tanto os voluntários com nível de atividade física baixo como os de nível muito alto tinham duas vezes mais chance de ter uma pontuação menor que 13 na escala de

bem estar. Aqueles do grupo de alta participação (10.6-17.5 horas) tinham maior pontuação de bem estar que os de participação mediana (3.6 – 10.5 horas). Aqueles com duas horas diárias de atividade física eram os que tinham maior pontuação de bem estar.

Exercícios regulares tem reconhecido efeito positivo no estado físico e psíquico, promove a autoestima e reduz o estresse e transtornos de ansiedade e depressão. O exagero, como mostra a presente pesquisa, não traz bem estar. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o excesso de atividade física está associado a perda da capacidade concentração, irritabilidade, ansiedade e depressão. Além disso, aumenta a produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo.

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É freqüente as pessoas correrem ao neurologista após a morte de um parente, amigo, colega de trabalho ou celebridade, quando a causa foi o rompimento de um aneurisma cerebral. Também pudera: cerca de 40% das pessoas que apresenta um sangramento por aneurisma cerebral não sobrevive.

 

O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. A faixa etária com maior risco de sangramento é a sexta década de vida, mas também costuma acontecer entre pessoas jovens. Entretanto, algumas pessoas têm aneurismas que jamais se romperão. Só para se ter uma idéia, pequenos aneurismas apresentam um risco de sangramento de 0.05% ao ano. Já aneurismas com diâmetro maior que 1 cm têm risco de sangramento de 0.5% ao ano. A causa do aneurisma cerebral? Existe um componente genético inequívoco, mas alguns fatores modificáveis também aumentam a chance de sua formação e rompimento como é o caso do tabagismo e a hipertensão arterial. O aneurisma cerebral hoje é considerado uma doença inflamatória e esses fatores colaboram nesse processo.

 

Os aneurismas normalmente são detectados após seu sangramento e o sintoma principal é a dor de cabeça e não é qualquer dorzinha. A dor de cabeça por rompimento de um aneurisma costuma ter duas características bem marcantes: é a pior dor de cabeça que a pessoa já teve na vida e a dor já começa nos primeiros segundos com sua intensidade máxima. A dor não vai crescendo, como é o caso de outros tipos comuns de dor de cabeça como a enxaqueca.

 

Estudos revelam que 3.5 a 6% da população é portadora de aneurisma cerebral. Já que é uma condição clinica tão séria, faria sentido fazer exames para detectar aneurismas cerebrais em toda a população? A resposta é não. Atualmente a recomendação é a de que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado. A investigação também deve ser feita em raros casos de doenças que sabidamente estão associadas a aneurisma cerebral.

 

E quanto aos indivíduos que apresentaram aneurisma cerebral e já foram tratados em outras épocas? Essas pessoas têm 22 vezes mais chances de ter um sangramento cerebral quando comparadas àquelas que nunca tiveram sangramento. Um estudo publicado na revista Neurology avaliou o custo – beneficio em se ficar vigiando ao longo dos anos se esses pacientes desenvolvem ou não novos aneurismas. Os pacientes que mais se beneficiaram de exames ao longo dos anos foram aqueles que apresentavam mais fatores de risco associados, como o tabagismo e hipertensão arterial. Além disso, a investigação para novos aneurismas revelou um bom custo- beneficio do ponto de vista de qualidade de vida entre os pacientes que demonstravam mais medo em voltar a apresentar novo sangramento. Esse resultado é bastante provocativo e nos reafirma que o médico deve fazer de tudo para oferecer segurança ao seu paciente. Na maioria das vezes a ferramenta mais valiosa é a relação médico–paciente, mas em alguns casos a realização de um exame complementar pode fazer a diferença.

 

 

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Dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes, laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.

 

Na ultima semana um novo estudo confirmou de forma inequívoca os benefícios da Dieta Mediterrânea sobre nossa memória. Dessa vez a metodologia permitiu isolar vários fatores que poderiam se confundir os resultados. Isso foi feito através da randomização: os pesquisadores não sabiam que dieta cada um dos voluntários recebia.

 

Mais de 500 voluntários (média de idade 74 anos) participaram do estudo conduzido pela Universidade de Navarra e outros centros de pesquisa na Espanha. Metade deles recebeu orientação de seguir o padrão da Dieta Mediterrânea além de suplemento alimentar rico em gorduras insaturadas – 1 litro por semana de suplemento alimentar líquido rico em azeite extravirgem ou 30 gramas por dia de uma mistura de castanhas. A outra metade fez uma dieta pobre em gorduras, tanto saturadas como insaturadas. Todos eram monitorizados ao longo do estudo por um nutricionista.

 

Após seis anos e meio, o grupo que recebeu a dieta caprichada nas gorduras insaturadas estava com o cérebro mais afiado. Esse resultado foi independente de fatores como atividade física, consumo de álcool, tabagismo, perfil genético para Doença de Alzheimer, índice de massa corporal, entre outros.

 

O estudo foi publicado no periódico Journal of Neurology e Neurosurgery a Psychiatry

 

 

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Fast food, bebidas açucaradas e porções gigantes. Todas essas são preocupações importantes para controlar o peso das crianças. Entretanto não dá para esquecer o sono das crianças, pois ele mexe mesmo com o peso dos pequenos. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo Jornal Pediatrics, periódico oficial da Academia America de Pediatria.

Foram recrutados 37 voluntários com idades entre 8 e 11 anos, 27% delas com sobrepeso ou obesidade. Na primeira semana de estudo as crianças eram orientadas a dormir o tanto que estavam acostumadas. Na segunda semana elas tinham que aumentar ou diminuir a duração do sono. Na terceira e última semana do estudo as crianças tinham que fazer o oposto da 2º semana: quem aumentou a duração do sono tinha que diminuir e quem diminuiu tinha que aumentar.

Os resultados foram inequívocos. Na semana que as crianças dormiram mais, 2h e 20 min em média, elas consumiram em média 134 calorias a menos e pesaram 220g a menos.  Alguma dúvida que o sono ajuda a acertar o peso até das crianças?

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O cérebro dos adolescentes está na crista da onda. Aos 15 anos é quando ele atinge seu tamanho máximo e daí em diante ele vai murchando aos pouquinhos. Entretanto, essa é a fase da vida de maior comportamento de risco, riscos que um cérebro ainda em desenvolvimento ainda não mede muito bem. Isso implica em acidentes, sexo sem segurança, etc.

Campanhas de conscientização de riscos costumam ter foco nos riscos de alguns comportamentos. Álcool, direção e acidentes. Sexo sem camisinha e AIDS. Mas será que essa é realmente a melhor estratégia? Uma pesquisa recém publicada pelo prestigiado periódico Proceedings of th National Academy of Sciences sugere que dar más notícias não parece ser a forma mais eficiente de se comunicar  com um adolescente.

Já se sabia que o adulto tem mais chance de mudar sua percepção de risco ao receber informações otimistas do que pessimistas. Ele dá mais bola para uma notícia que diz que ele tem uma mutação genética que o protege contra o câncer do que para uma notícia de uma mutação que aumenta seu risco.  Pesquisadores da Universidade College de Londres resolveram investigar como é que isso funciona nas idades de 9 a 26 anos.

Os voluntários eram apresentados a 40 condições de saúde adversas e eram questionados sobre a chance de desenvolverem essas condições ao longo da vida. Os pesquisadores passavam então aos voluntários a chance real de desenvolverem cada uma das situações. Em um segundo momento eles voltaram a ser questionados sobre a chance de apresentarem as mesmas condições.

Quando os participantes recebiam BOAS noticias, de que o risco real  era menor do que imaginavam, eles incorporavam essa nova realidade independente da idade. Quando tinham que incorporar MÁS notícias, a idade fez diferença. Os voluntários mais jovens davam muito menos bola para essas MÁS notícias. A neurociência ajuda a explicar essas diferenças. Alguns estudos têm mostrado que o sistema de recompensa do cérebro imaturo é hiper-reativo, vivencia muito prazer com as coisas boas.

A atual pesquisa dá um passo importante para entendermos que o cérebro imaturo tem mais chance de dar valor a uma informação positiva do tipo “quanto menor o consumo de álcool, melhor é o desempenho do atleta” do que a uma negativa como “excesso de álcool reduz o desempenho do atleta”.

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È fato que as mulheres costumam se envolver mais em multitarefas que os homens. Outra história é concluir que elas são melhores para executar várias tarefas ao mesmo tempo. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico BMC Psychology demonstra que elas são realmente melhores.

Pesquisadores do Reino Unido bolaram dois experimentos que provocavam a execução de várias tarefas, mas sem a obrigatoriedade de realizá-las simultaneamente.  No primeiro experimento, o desempenho nos testes foi mais lento quando os voluntários tinham que fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Essa lenhificação foi menor entre as mulheres.

Já no segundo experimento, homens e mulheres competiam entre si.  Tinham que realizar três tarefas num prazo de oito minutos. Foram incluídos testes aritméticos, localização de um restaurante no mapa e criação de estratégias para se encontrar uma chave perdida. As mulheres tiverem mais sucesso no teste da chave e foram iguais aos homens nos demais testes.

Um estudo recente também comparou a capacidade de realizar multitarefas entre homens e mulheres e encontraram superioridade nos homens. Esses resultados foram fortemente influenciados pela melhor habilidade espacial dos homens, mas além disso o tipo de multitarefa era diferente, Os voluntários tinham que fazer as tarefas simultaneamente, o que é bem diferente de fazer seqüencialmente. Multitarefas seqüenciais se aproximam muito mais dos desafios do mundo real.

Darwin explica esse maior talento das mulheres? A mulher assume a posição de coletora, mas ainda precisa dar conta dos filhos. Diferente do homem que sai para caçar e o que ficou em casa a mulher cuida.

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CBN-RICARDO[1]

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