Atividades profissionais complexas, atividades que envolvem muitas interações sociais ou com informações, deixa o cérebro mais afiado em idades avançadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia. A pesquisa apontou que esse efeito protetor do trabalho estimulante foi preservado mesmo anos depois da pessoa se aposentar.

Pesquisadores escoceses estudaram mais de mil voluntários com uma média de idade de 70 anos através de testes cognitivos seriados. Os pesquisadores contavam também com o teste de QI dos participantes quando eles tinham 11 anos de idade.

As profissões foram classificadas quanto ao nível de complexidade. Profissões complexas eram as que envolviam a coordenação ou necessidade de síntese de dados. Profissões pouco complexas eram as que eram mais baseadas em repetição e comparação de dados.  Do ponto de vista de interações sócias, os trabalhos mais complexos eram os que envolviam negociação ou instrução a outros enquanto os pouco complexos replicavam as instruções de outrem.

 

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos nas relações interpessoais foram advogado, professor, assistente social, médico. Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram pintor, operário de uma fábrica.

Exemplos de trabalhos que foram classificados como complexos no tratamento de dados engenheiro, músico, arquiteto.  Exemplos de trabalhos classificados como tendo baixa complexidade nas interações sociais foram servente de construção civil, telefonista.

Os resultados da pesquisa mostraram que aqueles com profissões mais complexas chegavam à velhice com o cérebro mais afiado e independente do QI que tinham na infância sugerindo que a atividade profissional pode realmente fazer a diferença.

Língua para beijar, para falar, para comer, para tratar o cérebro. Tratar o cérebro? Isso mesmo. A língua comunica-se com o cérebro e sua estimulação elétrica pode ajudar a recuperar funções cerebrais que não estejam bem.  A saliva rica em eletrólitos e a alta densidade de terminações nervosas facilitam essa comunicação com o cérebro.

Essa estimulação elétrica pode ser chamada de Neuromodulação e é uma técnica que estimula centros cerebrais provocando reorganização e recuperação funcional. É a tal neuroplasticidade.  A estimulação da língua estimula dois nervos importantes que se comunicam com o tronco cerebral, região cerebral que controla inúmeras funções cerebrais como o equilíbrio do nosso corpo. O estímulo não provoca dor e a sensação é semelhante à de uma bebida gasosa na língua.

Essa é uma estratégia terapêutica que ainda não foi bem explorada, mas é fato que pode abrir caminhos para o tratamento de diversas doenças neurológicas.  Recentemente, um estudo apontou que uma semana de estimulação da língua promoveu a melhora dos sintomas em pacientes com o diagnostico de esclerose múltipla e com dificuldades de equilíbrio. Além disso, a RM funcional apontou a ativação em centros do tronco cerebral e, diferente de outros métodos de neuromodulação, seu efeito persistiu mesmo depois de interrompido o estímulo.

.

A resposta do cérebro a situações ameaçadoras é menor quando ele tem contato com imagens de pessoas amadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience.

Pesquisadores da Universidade de Exeter na Inglaterra avaliaram a resposta da região do cérebro que monitora as ameaças que enfrentamos, melhor dizendo as amígdalas, através da ressonância magnética funcional. Quando os voluntários eram apresentados a palavras e expressões faciais com contexto ameaçador, a ativação das amígdalas era bem menor quando eles eram apreciavam previamente de forme rápida imagens de pessoas amadas. Isso aconteceu mesmo sem prestar atenção no contexto das imagens das pessoas queridas.

Estudos prévios já haviam mostrado que esse contato com imagens de pessoas amadas é capaz de reduzir a resposta cerebral à dor. É bem conhecido também que é mais fácil a recuperação de pessoas com trauma psicológico quando elas têm o suporte emocional de pessoas queridas.

Novos estudos serão realizados usando essa estratégia no tratamento de indivíduos com estresse pós-traumático e outros transtornos mentais que levam a uma hipervigilância a situações estressantes e que, por sua vez, provocam respostas emocionais negativas exageradas.

.

.

Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Lancet aponta que o bem estar psicológico no dia a dia garante mais anos de vida.

Nove mil ingleses com uma média de idade de 65 anos responderam a um questionário que avaliava a capacidade de autocontrole, a percepção se a rotina da vida tem importância e faz sentido. Aqueles que tinham melhores pontuações nesse questionário tinham uma chance 30% menor de morrer durante os oito anos do estudo comparados aos que tinham baixa pontuação Isso foi independente de outros fatores como depressão, status socioeconômico, consumo de álcool e saúde em geral.  Nesses oito anos, 9% dos que tinham alta pontuação morreram comparados a 29% daqueles com baixa pontuação.  E como se explica essa relação entre o bem estar psíquico e a saúde do corpo? Os hormônios, o sistema imunológico funcionam melhor quando a mente está equilibrada e satisfeita e pressão arterial anda mais nos trilhos.

Os pesquisadores também discutem as diferenças desse bem estar ao longo da vida em diversas culturas. Em países desenvolvidos, a satisfação com a vida diminui na meia idade e volta subir na velhice. Entende-se que nesses países, as pessoas trabalham mais nas fases mais produtivas da vida para garantir um futuro mais seguro, ameaçando o grau de satisfação com o tempo presente. Esse mesmo padrão pode ser encontrado em países da América Latina e Caribe, só que o declínio de satisfação na meia idade é menos acentuado. Já nos países do Leste Europeu, os idosos têm menos satisfação que os adultos de meia idade. Discute-se que a queda do comunismo pode ter privado os idosos não só de benefícios materiais e acesso a assistência médica como também da ideologia comunista. Na África Subsariana, adultos jovens, de meia idade e idosos, todos têm baixos níveis de satisfação com a vida.

O tipo de personalidade pode influenciar o risco de uma pessoa vir a desenvolver demência. Pode-se explicar essa associação pelo efeito que a personalidade tem sobre o comportamento, reação ao estresse e hábitos de vida. Pesquisadores da Universidade de Gothenburg na Suécia acompanharam 800 mulheres por 38 anos em media e mostraram que aquelas com mais traços de neuroticismo, emocionalmente mais instáveis, têm mais risco de desenvolver a Doença de Alzheimer.

No período do estudo, 19% das mulheres passaram a apresentar um quadro de demência.  Aquelas que eram mais retraídas e ainda tinham instabilidade emocional eram as que desenvolveram demência mais frequentemente – 25% destas evoluíram com demência.  Melhor ser um neurótico extrovertido do que introvertido.

Já sabíamos que tanto o neuroticismo como o estresse estão associados a alterações funcionais e estruturais do hipocampo, região cerebral precocemente envolvida na Doença de Alzheimer. Uma explicação bastante razoável para isso é o efeito dos níveis aumentados de glicocoticóides no cérebro.   Sabemos também que pessoas com maiores traços de neuroticismo têm maiores concentrações de marcadores patológicos cerebrais da Doença de Alzheimer. Além disso, as pessoas com baixo neuroticismo têm maiores níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma super-vitamina do cérebro.

Sabemos que alguns componentes nobres do cacau têm ações antioxidantes e antiinflamatórias que ajudama reduzir o risco de derrame cerebral. Mas será o cacau também tem o poder de melhorar nossas funções cognitivas como a memória? Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico Nature Neuroscience aponta que a resposta é sim.

Pesquisadores da Universidade de Columbia nos EUA mostraram que três meses de consumo diário de um superpreparado líquido das substâncias nobres do cacau, chamadas de flavanols, deixa a memória realmente mais afiada. O preparado fez com que voluntários com 60 anos de idade passassem a ter o desempenho de memória semelhante aos de 30-40 anos.  A pesquisa também mostrou que o giro denteado do hipocampo passava a receber maior fluxo sanguíneo após os três meses de flavanols. Esta é uma região do cérebro que está intimamente associada ao declínio cognitivo do envelhecimento normal. Essa ativação pelos flavanols já era conhecida entre roedores.

Não pense em encher a cara de chocolate, pois isso não deve ter o mesmo efeito. O preparado continha 900mg de fllavanols e foi produzido especialmente para a pesquisa. Essa concentração corresponderia a umas 25 barras de chocolate ou até mais, já que durante o processamento do cacau, perde-se muito desses componentes.

 A empresa de alimentos Mars que financiou parcialmente o estudo está sempre de olho na produção desses preparados em larga escala. Novos estudos serão realizados para testar se concentrações mais baixas de flavanols serão capazes de propiciar o mesmo efeito na memória.  Além disso, não se sabe ainda quanto tempo dura o efeito.

O álcool deixa as pessoas mais responsivas ao sorriso dos outros, mas parece que isso só acontece entre os homens. Essa é conclusão de um estudo publicado recentemente por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh nos EUA. Os resultados da pesquisa sugerem que o cérebro dos homens é mais sensível a comportamentos sociais dos outros quando estão sob o efeito do álcool.  Isso pode ser mais um fator que aumenta o risco de abuso de álcool entre eles. Vale lembrar que os homens têm uma tendência 50% maior em abusar do álcool.

Os pesquisadores avaliaram 720 voluntários com idades entre 21 e 28 anos.  Eles conversavam entre eles ao redor de uma mesa e uma parte deles bebia um drink de vodka, outra parte um drink sem álcool e um terceiro grupo tomava uma falsa bebida alcoólica. A filmagem das conversas revelou que o sorriso era mais contagiante entre aqueles que experimentavam o drink alcoólico, mas só quando a mesa era composta por homens. Quando a mesa tinha só mulheres, ou mulheres misturadas com homens, o efeito contagiante do álcool era insignificante.

Você gosta de compartilhar com os outros seus feitos épicos mais recentes? A travessia oceânica que você ficou entre os cinco primeiros colocados, aquela viagem exótica, aquele vinho raro que você apreciou na casa de um amigo.  Tudo isso é muito bom, mas contar para os outros tem seu custo social. Isso é o que sugere os resultados de um estudo publicado recentemente por pesquisadores das Universidades de Harvard e Virginia nos EUA.

Custo social? Como assim? As pessoas têm a falsa crença que ao relatar uma experiência extraordinária serão o centro das atenções numa conversa, mas não é bem assim. Os feitos épicos fazem as pessoas parecerem muito diferentes da média e o fato é que as interações sociais têm as similaridades como forte alicerce.

Os pesquisadores resolveram testar isso em laboratório em grupos de quatro pessoas. Um deles assistia a um vídeo incrível – 4 estrelas (uma performance de um mágico para um multidão) e os outros três um vídeo ordinário – 2 estrelas (desenho animado). Após a sessão de vídeo eles sentavam numa mesa para conversar.

Os voluntários que tinham assistido ao vídeo incrível sentiram-se pior após a conversa quando comparados àqueles que experimentaram os desenhos animados.  Sentiram-se mais excluídos da discussão.  As pessoas que assistiram aos desenhos animados eram perguntadas depois do experimento como deveriam se sentir se tivessem experimentado o vídeo mais extraordinário.  Como já era esperado, eles achavam que se sentiriam melhor e conversariam mais após a experiência 4 estrelas.

Segredo do mineirinho feliz:   comer caviar quieto.

.

Pessoas sabidas são muito criteriosas para fazer uma escolha. Podem até fazer listas de prós e contras antes de tomar uma decisão. Mas nem sempre quebrar a cabeça traz os melhores resultados e esse parece ser o caso da apreciação da arte.

Pesquisadores holandeses pediram a dois grupos de voluntários que apreciassem imagens no computador de pinturas e fotografias. Um dos grupos foi encorajado a olhar as imagens de forma bastante cautelosa anotando numa folha de papel as características que gostavam e as que não gostavam. Outro grupo apenas apreciava as imagens sem qualquer orientação de análise consciente. No final, todos eles visualizavam o conjunto das obras, escolhiam a que mais agradava e podiam levar uma impressão para casa numa moldura.

Três a cinco semanas depois os voluntários recebiam uma ligação telefônica e eram perguntados sobre o quanto estavam satisfeitos com o quadro que ganharam numa escala de um a dez. Aqueles que simplesmente apreciaram as obras sem fazer análise crítica estavam mais satisfeitos com o quadro em casa.

O pensamento racional foca-se em algumas poucas variáveis e envolve menos a emoção.  Já as impressões mais inconscientes são mais holísticas, integram melhor as diferentes dimensões envolvidas. E essa avaliação inconsciente combina muito mais com o prazer que se tem em frente a uma obra de arte. E não é só para obras de arte que nosso cérebro irracional sabe fazer excelentes escolhas.  O cérebro tem a capacidade de absorver sem muita consciência várias informações picadas que serão traduzidas em uma idéia maior. Pode-se chamar esse fenômeno de pré-cognição e explica porque muitas vezes antecipamos algum acontecimento. É o tal pressentimento que parece não ter nada de místico ou paranormal.

 

.

 

<!– –>//

nose, smell, brain

.

Uma pesquisa acaba de ser publicada no periódico American Journal of Political Science apontando que as pessoas acham o cheiro de pessoas com tendências políticas semelhantes mais agradáveis do que os que têm posições contrárias.

Pesquisadores das universidades americanas de Bronx, Harvard e Pensylvania fizeram um experimento com 146 voluntários. Vinte e um deles foram considerados extremos do ponto de vista político: conservadores ou liberais. Esses 21 voluntários tinham que lavar as axilas com sabão neutro e depois deixar uma gaze no local por um período de 24 horas sem sexo, álcool, cigarros, perfume, desodorante e sem contato com animais.  Uma semana depois os demais participantes tinham que “apreciar” o cheiro dos paninhos e davam uma nota de 1 a 5 para o odor. Além disso, eles tinham que tentar adivinhar se os donos do cheiro eram conservadores ou liberais.

Os cheiros que faziam mais sucesso eram o de pessoas que tinham a mesma orientação política daquelas que os provavam. Isso explica em parte porque tantos casais dividem a mesma ideologia política. Estudos mostram que só a religião é mais concordante entre os casais que a orientação política.

A tal história que os opostos se atraem é puro mito. Os psicólogos não têm muita dúvida disso. As pessoas costumam se casar com outras de nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. A isso dá-se o nome de monogamia. O cheiro pode  inconscientemente potencializar essa tendência monogâmica. Facilita uma relação de longo prazo de pessoas com ideologias parecidas.

//

.

Pessoas com diferentes expertises têm mais sucesso no desempenho de uma tarefa complexa que um time de pessoas com formação muito homogênea. Mas será que a diversidade social também traz vantagens? Juntar pessoas com diferentes convicções politicas, etnias, gêneros e orientações sexuais pode ser muito melhor que uma turma de homens branquinhos que apóia o mesmo partido político.

Essa diversidade é vista hoje como condição necessária para uma equipe alcançar a inovação.  Pesquisas mostram que empresas que têm mais mistura étnica e de gênero ganham mais dinheiro que as muito homogêneas. Grupos de cientistas multi-étnicos têm mais sucesso

A diversidade permite mais criatividade. Quando interagimos com uma pessoa diferente da gente, temos a tendência em nos preparar melhor para a tarefa, para a argumentação.  É mais comum anteciparmos alternativas de opinião e temos a expectativa de que o esforço será grande para um consenso. A pessoa acaba se esforçando mais.

parkinson

Um novo estudo revela que quem sofre de enxaqueca na meia idade tem mais chance de desenvolver a Doença de Parkinson em idades mais avançadas. O risco chega a ser duas vezes maior. A pesquisa acaba de ser publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Enxaqueca é o problema neurológico mais comum tanto entre as mulheres como entre os homens. Essa associação com a Doença de Parkinson é mais uma razão para um melhor controle daqueles que sofrem desse transtorno.

Para chegar a essa associação entre as duas doenças, mais de cinco mil voluntários islandeses com idades entre 33 e 65 anos foram avaliados. Eles mostraram que quem tinha crises de enxaqueca com aura, um tipo de enxaqueca em que sintomas como estrelinhas no campo visual acompanham a dor de cabeça, apresentavam um risco de desenvolver a Doença de Parkinson mais de duas vezes maior que indivíduos sem enxaqueca.  2.4% dos portadores de enxaqueca com aura tinham o diagnóstico da Doença de Parkinson comparado a 1.1% daqueles sem qualquer tipo de enxaqueca.  Além disso, quem tinha enxaqueca com aura apresentava membros na família com a Doença de Parkinson de forma mais frequente.

Uma disfunção no sistema do neurotransmissor dopamina é considerada a principal falha da Doença de Parkinson, disfunção que também é considerada na enxaqueca.  Não há razão para grandes alardes. É importante ter em mente que a associação entre as duas doenças parece existir, mas o risco não é grande.

//

adols

Os adolescentes e pré-adolescentes acham que entrar na sala de aula às sete da manhã é muito cedo. Eles não são preguiçosos. O sono deles é diferente mesmo. Eles têm uma tendência fisiológica em ir para a cama mais tarde e acordar mais tarde também e, após o início da puberdade, esse horário avança em até duas horas, com o pico aos 17-18 anos.

Uma menor produção do hormônio melatonina nessa faixa etária explica em parte essas mudanças. A exposição às telas dos computadores, TVs, tablets e smartphones contribuem também para empurrar o horário de dormir para horários mais avançados. A luz no período noturno inibe ainda mais a produção de melatonina.

Os resultados de experiências de algumas escolas em retardar o inicio das aulas têm sido bastante positivos. Atrasar o inicio da aula em uma hora ou mais tem resultado em melhor desempenho acadêmico, maior frequência escolar, menos depressão e menos acidentes de carro – os americanos já dirigem aos 16 anos.

Depois de tantas evidências, a Academia Americana de Pediatria publicou nesta ultima semana um documento recomendando que as aulas para essa faixa etária devem começar depois da 8:30h. E a quantidade de sono faz diferença. Adolescentes que dormem oito ou nove horas têm melhor desempenho que aqueles que dormem menos.

E se atrasar o inicio das aulas vai sobrar tempo paras as atividades extra-escolares? As pesquisas também mostram que começar a escola mais tarde não atrapalha outras atividades como trabalhar meio período ou praticar esportes.

//

,

O sentimento de estar conectado com as pessoas da comunidade pode até diminuir o risco de infarto do coração.  Essa foi a conclusão de um estudo recém-publicado pelo Journal of Epidemiology & Community Health

Mais de cinco mil voluntários americanos, com uma média de idade de 70 anos, foram acompanhados por quatro anos e responderam a um questionário que avaliava a percepção de coesão social com a vizinhança. Eles tinham que dar uma nota de um a sete para quatro afirmações:

  • Eu realmente sinto que faço parte da comunidade;
  • Se eu tiver algum problema, eu terei uma série de pessoas na vizinhança que eu posso contar com apoio;
  • A maioria das pessoas da vizinhança é confiável;
  • A maioria das pessoas da vizinhança é amigável.

Quanto menor a pontuação nas repostas, maiores foram as chances de sofrer um ataque do coração. Esse efeito foi independente do grau de suporte social de amigos e familiares.

Já existiam algumas poucas pesquisas mostrando um maior risco de infarto do coração e derrame cerebral quando se tem uma baixa coesão social com a vizinhança.  A atual pesquisa foi pioneira ao avaliar o lado positivo de uma boa integração com a vizinhança. Essa coesão social também promove mais saúde mental e favorece comportamentos saudáveis, como a prática de atividade física. .

Outras coisas da vizinhança que fazem diferença na saúde cardiovascular: níveis de ruído, poluição do ar, violência e número de estabelecimentos fast-foods.

 

You May Suffer From Sleep Drunkenness

.

Despertar confusional. Esse é o nome de um transtorno do sono que acomete um em cada 15 adultos. Uma pessoa que tem essa condição apresenta confusão mental ou comportamento inapropriado nos primeiros 5-15 minutos acordada.

É mais comum quando a pessoa desperta do sono profundo no início à noite, mas também pode acontecer pela manhã. Ao invés de desligar o despertador, atender ao telefone, por exemplo. Muitas vezes não vão se lembrar de nada depois do ocorrido. Estímulos externos súbitos, como o despertador ou o telefone, costumam precipitar os eventos que podem, às vezes, ser acompanhados por comportamento violento.

O despertar confusional tem sido bem menos estudado que o sonambulismo, mas as consequências podem ser sérias em ambas as condições. Uma pesquisa publicada na última semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia mostra que a prevalência do transtorno é maior do que se pensava. Após entrevistar quase 20 mil adultos, pesquisadores da Universidade de Stanford, Minnesota e Paris Descartes, mostraram que 15% dos voluntários haviam experimentado um episódio de despertar confusional no último ano e metade deles declarou ter mais de um episódio por semana.  A maioria (84%) apresentava outros transtornos de sono, diagnósticos psiquiátricos e uso de psicotrópicos.  A pesquisa também mostrou que as pessoas que dormiam menos que seis horas por noite, ou mais de nove horas, apresentavam as confusões mais frequentemente. 

//

 

Pete Brown on the helm of Europa, with a barrel of beer

.

Várias pesquisas mostram que as experiências trazem mais bem estar psíquico do que as coisas. As pessoas costumam ter consciência disso. Entretanto, parece que isso fica só no discurso. Talvez você não pague 1500 reais para ver o show de seu artista favorito, mas pode pagar essa quantia por uma mesinha de centro ou um acessório para seu carro. Uma pesquisa mais recente mostra essa tendência. As pessoas realmente acham que uma experiência, como uma viagem, traz mais felicidade que uma coisa concreta, como a mesinha de centro. Entretanto, na hora de escolher, acabam optando pela coisa. As coisas têm valor mais concreto, valor mais fácil de medir.

E quando a coisa permite uma coleção infindável de experiências? O show só dura uma e pouco. Já um veleiro para cruzar o mundo, uma bicicleta para subir e descer montanhas durante vários anos, uma casa de campo que permite encontros inesquecíveis com os amigos, um instrumento musical… Além disso, falar ou ouvir experiências dá mais barato que sobre coisas.

 

.

Cientistas validaram um novo método para identificar o quanto uma pessoa é narcisista. Eles conduziram 11 experimentos e chegaram à conclusão que fazer uma única pergunta pode ser tão eficaz quanto uma escala de 40 questões que leva quase quinze minutos para ser aplicada, e isso pode fazer muita diferença quando se estuda milhares de pessoas. A pergunta é: O quanto você concorda com a frase: “Eu sou narcisista” (Nota: a palavra “narcisista” significa egoísta, vaidoso). Os voluntários tinham que marcar numa escala de 1 (pouco) a 7 (muito).

Narcisistas costumam se achar superiores aos outros e têm até orgulho do fato. Não enxergam esse traço da personalidade como uma qualidade negativa e por isso não escondem quando são interrogados a esse respeito. São vaidosos, exibicionistas e autoritários, e pesquisas mostram que acabam sendo bons líderes. Têm mais sentimentos positivos e são mais extrovertidos. Por outro lado não costumam criar muita empatia e isso pode atrapalhar as relações interpessoais, tendo maior dificuldade em manter relacionamentos românticos de longo prazo. Além disso, têm mais chance de ter comportamento sexual de risco.

Narcisistas acham que já são o máximo e por isso não precisam melhorar em nada. Uma sociedade narcisista tem suas limitações óbvias, pois seus membros não tiram os olhos dos próprios umbigos.

O estudo foi publicado no periódico PLoS ONE.

 

 

Não é raro encontrar vários talentos musicais numa mesma família. Será que é por conta do ambiente que incentiva a música ou o DNA é que faz a diferença? Alguns músicos já demonstram na infância um talento excepcional, mesmo antes de ter qualquer aula. O matemático Galton foi o criador da famosa interrogação “Nature or nurture?” que podemos entender “É da sua natureza (genético) ou fruto da persistência (nurture)”.

 

No ano de 1993 tivemos o resultado de uma pesquisa que alimentou a ideia de que persistência seria o suficiente para ser um grande músico. Os autores do estudo mostraram que músicos de elite tinham uma média de dez mil horas de prática e concluíram que essa seria a “única” chave do sucesso. Um best-seller relativamente recente, Outliers de Malcolm Gladwell, defende essa ideia que pessoas brilhantes, em qualquer área, praticaram pelo menos dez mil horas. O livro inclui nessa regra das dez mil horas posições que vão desde músicos até figuras como Bill Gates. Entretanto, uma pesquisa recente dá um banho de água fria nessa regrinha.

 

Psicólogos da Universidade Estadual de Michigan e do Texas mostraram que os genes fazem a diferença na chance de uma pessoa se tornar um virtuose da música. Eles estudaram 850 gêmeos quanto ao desempenho musical e o número de horas de prática. O fator genético realmente fazia diferença, mas de forma muito mais intensa entre aqueles que praticavam mais. É o exercício, a repetição fazendo os genes se expressarem. É a prática moldando o DNA.

 

E genes certos fazem a pessoa praticar mais. Quando a pessoa tem a percepção de que é bom em alguma coisa, a motivação é maior. E essa motivação pode ser alimentada já nos primeiros anos pelo retorno de pais e professores que reconhecem o talento de uma criança para a música.

 

O que os bons genes para a música trazem de vantagem? Não sabemos responder, mas podemos especular que vantagens na coordenação motora, processamento do som são bons candidatos.

 

Outro estudo recém-publicado pelo periódico Psychological Science, e conduzido pelo Instituto Karolisnka na Suécia, confirma que a regra dos dez mil não faz verão sem os bons genes. Os pesquisadores analisaram as habilidades musicais como ritmo, melodia e discriminação de tons entre 2500 pares de gêmeos idênticos e não idênticos. Os resultados apontaram desempenho nos testes independente do tempo de prática. Um indivíduo com mais de 20 mil horas de prática de um instrumento musical não teve menos dificuldade que seu irmão gêmeo idêntico. Fazia diferença sim entre gêmeos não idênticos.

 

Essa influência dos genes, a principio, pode ser extrapolada a outras áreas de expertise. Os mesmos pesquisadores já demonstraram esse efeito entre jogadores de xadrez. Quando pensamos nos kids, o melhor é deixá-los experimentar um grande número de atividades. Uma hora ou outra eles encontram o que combina mais com seus genes e vão praticar pelo prazer de fazer bem a coisa.

 

.

Os arquitetos precisam saber disso. Uma pesquisa publicada recentemente pela Universidade de Northwestern nos EUA aponta que trabalhar em um ambiente com luz natural melhor para a saúde que a luz artificial. O estudo mostrou que janelas na sala de trabalho permitem uma exposição à luz 173% maior do que ambientes só com luz artificial. Além disso, quem trabalha em ambientes com luz natural dorme à noite quase uma hora a mais e também praticam mais atividade física.

 

Os efeitos positivos da luz podem ser mediados por melhora dos estados de humor e de vigília e do metabolismo. Ambientes mais escuros estimulam a produção de melatonina, que tem seu pico à noite. A produção desse hormônio à noite pode ficar prejudicada se durante o dia ficamos sem ver a luz do dia. Imagine então o efeito de estímulos à noite de telas de TV, computador e tablet.

 

O estudo foi publicado em junho pelo Journal of Clinical Sleep Medicine.

 

 

happiness-balloons 

 

 

No dia a dia, superar as expectativas traz mais bem estar do que o conjunto das boas notícias recentes. Essa é conclusão de uma pesquisa conduzida por pesquisadores ingleses e publicada nesta última semana no prestigiado periódico PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

O estudo foi realizado inicialmente com 26 voluntários na ressonancia magnética functional e depois expandido a 18 mil voluntários num jogo no smartphone. Após escolher entre duas opções que levavam a perdas ou ganhos financeiros, no primeiro experimento, e perda de pontos no game do celular, eles tinham que responder o quanto se sentiam felizes naquele exato momento. Um modelo matemático demonstrou que, a cada rodada de decisões, a superação das expectativas deixava as pessoas mais felizes do que os benefícios propriamente ditos. .Isso aconteceu no grupo de 26 voluntários, tendo confirmação na ressonância magnética funcional pela ativação do centro de recompensa cerebral, mas também foi demonstrado nas milhares de pessoas que participaram do game do celular.

 

É comum as pessoas pensarem que são mais felizes quando têm expectativas menores. Parece que isso é mesmo verdade.

 

 

 

 

APOIO

PREMIO TOP BLOG

Também no Correio Braziliense - Coluna Neurônios em Dia - Revista do Correio

Blog Stats

  • 3.003.875 hits