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Na última edição do periódico Archives of Internal Medicine, temos os resultados de uma pesquisa que ilustra bem um fenômeno que temos vivenciado de forma crescente à medida que os testes diagnósticos ficam cada vez mais sofisticados. Poderíamos chamar esse fenômeno de OVERTREATMENT, e o recado principal é que nem tudo no corpo que é diferente ou alterado responde a um tratamento. Pode ser que em muitas dessas situações, o melhor mesmo seja ficar quieto, não intervir.
Nesse estudo, os pesquisadores acompanharam mais de mil coreanos adultos e assintomáticos que foram submetidos a uma tomografia computadorizada das artérias coronárias, método que tem o poder de demonstrar o grau de aterosclerose. Mais de 20% dos voluntários tinham evidência de aterosclerose das coronárias e, após acompanhamento de um ano e meio, foi demonstrado que esses indivíduos estavam fazendo mais uso de aspirina e estatinas, foram mais submetidos a outros testes diagnósticos para doença coronariana e procedimentos de revascularização do coração. Entretanto, todo esse arsenal de medidas não reduziu o número de infartos do coração no período estudado.
A realização de tomografia das coronárias como check up ainda é visto como uma medida heterodoxa pela falta de evidências que demonstrem que os benefícios são maiores que os riscos de exames e procedimentos invasivos que seus resultados podem desencadear. Estudos mostram que as pessoas que têm sinais de aterosclerose nas coronárias têm mais chance de eventos cardíacos, mas isso não quer dizer que o tratamento desses pacientes tenha que ser diferente daqueles que não têm esse achado na tomografia.
Recentemente, o mesmo periódico publicou outra situação de OVERTREATMENT. Dessa vez foi o screening dos níveis do aminoácido homocisteína. Altos níveis no sangue desse aminoácido têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade do aminoácido no sangue. Entretanto, as pesquisas também demonstram que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.
Esses estudos chamam a atenção para o fato de que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Uma série de estudos tem identificado que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.
Minha grande amiga Dani, que nasceu e viveu em Brasília por 40 anos, agora está morando em outra capital e está impressionada com o tanto que os moradores de lá buzinam. Ela ficou se perguntando se esse excesso de ruído nas ruas não teria influência sobre a saúde das pessoas.
As pesquisas realizadas sobre esse assunto mostram resultados conflitantes, e por isso uma análise em conjunto dos oito principais estudos foi realizada por pesquisadores alemães e publicada na última edição do periódico especializado Noise & Health. Mais de 20 mil indivíduos fizeram parte desse estudo e a conclusão foi a de que a sensação subjetiva de incômodo causado pelo barulho das ruas mexe sim com a saúde das pessoas, aumentando de forma significativa o risco de hipertensão arterial e de forma quase significativa o risco de infarto do coração.
Já sabemos também que o risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.
É importante frisar que o nível de incômodo ao barulho varia muito de pessoa para pessoa e essa experiência é, a princípio, o fator mais relevante. Entretanto, há estudos que apontam maior risco de hipertensão arterial mesmo entre aqueles que se dizem não incomodados com o barulho, sugerindo que ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Mais um exemplo disso é o fato de que uma noite de sono barulhenta aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Além disso, as crianças, que podem parecer não se incomodarem tanto com o barulho, também são susceptíveis ao aumento da pressão arterial com ruídos em excesso. Na verdade, as pesquisas revelam que as crianças se sentem incomodadas sim com o barulho.
Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalhe o desempenho cognitivo. Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.
Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes… Vale lembrar que as ruas mais barulhentas são aquelas com maior emissão de poluentes, que além de afetarem o sistema respiratório, também estão associados à exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento de doenças vasculares como o infarto do coração e o derrame cerebral.
A saúde do homem não deve ser medida só por sua genética, pelo quanto ele se movimenta e dorme e por aquilo que entra pela boca/nariz, mas também pelas experiências sensoriais. No que diz respeito àquilo que entra pelos ouvidos, penso não só em ruídos, mas também no conteúdo das interações sociais, na música e demais artes que se comunicam com som. A busca do equilíbrio dessas sonoridades merece todo o nosso empenho.
Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Behavioral Medicine aponta que o paciente quando visualiza seu problema por um método gráfico tem mais chance de seguir as recomendações médicas.
O estudo acompanhou 510 americanos com uma média de idade de 64 anos, assintomáticos e sem história de doença coronariana. Todos os voluntários foram submetidos a uma tomografia computadorizada do coração para avaliação das coronárias e o conteúdo de cálcio das artérias que reflete o grau de aterosclerose. Além disso, os voluntários passavam por uma consulta médica padronizada com duração entre 15 e 30 minutos em que o médico apresentava o resultado do exame mostrando as imagens, discutia os fatores de risco associados à aterosclerose e fazia recomendações de hábitos de vida para redução de risco.
Mais da metade dos indivíduos pesquisados (58%) apresentava calcificação das coronárias e, após seis anos de seguimento, foram os que mais tiveram mudanças comportamentais no sentido de reduzir os riscos de doença coronariana através de melhora da dieta, incremento da atividade física e limitação do consumo de álcool. Aqueles que apresentaram escores de cálcio mais altos foram os que mais mudaram os hábitos de vida.
A visualização do problema através da tomografia proporciona um melhor entendimento da doença aterosclerótica e pode ter sido o fator crítico para as mudanças comportamentais. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a visualização pelo paciente da calcificação de suas coronárias está associada a uma maior aderência ao tratamento medicamentoso e melhor controle de condições como a pressão arterial e dislipidemia.
Na faculdade de medicina aprende-se que a impressão clínica, independente dos exames complementares, é a ferramenta mais soberana para um correto diagnóstico. Entretanto, no mundo contemporâneo, não há como negar que existe uma cultura em que a tecnologia é vista como detentora da palavra final, da palavra de certeza. O médico sempre será um mediador imprescindível para que essa tecnologia marque gols a favor dos pacientes.

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.
O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.
Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.
Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.
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Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Isso já explica em parte porque o chocolate é tão prazeroso. Mas não as razões não param por aí.
O chocolate ainda é rico em substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. Contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro e ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Triptofano também faz parte do chocolate, substância precursora do neurotransmissor serotonina, conhecido por muitos como um dos protagonistas da química da felicidade. Além disso, recentemente foi demonstrado que chocolate é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate AMARGO com teor de cacau de 74% por duas semanas.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate AMARGO promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar uma barra de chocolate todo dia em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate AMARGO mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
Nesta semana, o periódico JAMA publicou uma revisão dos estudos científicos que analisaram o risco de um ataque do coração após uma relação sexual. Num mesmo indivíduo, a chance de um infarto do coração é maior durante a atividade sexual ou imediatamente após. Entretanto, esse risco é muito pequeno, ou mesmo nem existe, entre pessoas que praticam atividade física regularmente. Os resultados sugerem que existem corações não muito saudáveis por trás dessa associação entre sexo e infarto.
Nesta semana, pudemos ver também algumas notícias do tipo “Sexo esporádico aumenta o risco de ataque cardíaco”. Esse tipo de afirmação faz parecer que sexo pode fazer mal às pessoas saudáveis. O recado desta pesquisa é que as pessoas com maior risco de eventos cardíacos devem colocar o assunto sexo na pauta de discussão na consulta médica.
Na verdade, a ciência tem demonstrado de forma inequívoca que sexo faz bem à saúde, especialmente ao coração. Algumas pesquisas acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por infarto do coração.
** O persnoanagem acima, que não tenho dúvida que sou eu mesmo, estará presente todas as sextas-feiras e é uma criação do Super-Ilustrador Didiu Riobranco
Portifolio http://didiuriobranco.blogspot.com/
Para quem tem pressão alta, seu simples controle é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças graves como o infarto do coração e o derrame cerebral. Entretanto, no tratamento da hipertensão arterial é difícil ter a disciplina de tomar diariamente a medicação, assim como manter um programa de atividade física e controle da dieta. O tratamento ainda é mais difícil pelo fato da pressão alta não provocar habitualmente sintomas de alerta quando em níveis elevados.
Motivar o indivíduo que tem pressão alta a seguir corretamente seu tratamento é extremamente importante, mas qual a forma mais eficaz? O periódico Annals of Internal Medicine publicou uma pesquisa esta semana sugerindo que depoimentos de pacientes gravados em DVD podem influenciar de forma positiva outros pacientes com o mesmo problema de saúde.
Cerca de 300 pacientes hipertensos com 53 anos de idade em média, e atendidos em uma clínica voltada a indivíduos de baixa renda nos Estados Unidos, foram divididos em dois grupos. Um dos grupos foi direcionado a assistir a um DVD com histórias de 14 pacientes selecionados da mesma clínica, que promovia uma percepção de semelhança entre quem assistia e os pacientes/personagens. O outro grupo foi orientado a assistir a um vídeo de dicas de saúde, que não abordava o assunto hipertensão arterial. Após 3 meses, e mesmo após 9 meses de acompanhamento, o grupo que assistiu ao DVD com relatos de pacientes apresentou melhor controle da pressão arterial, especialmente aqueles que tinham a pressão não controlada no início do estudo.
Todos os pacientes envolvidos neste estudo eram negros, população que é mais vulnerável a ter hipertensão arterial mal controlada e complicações da doença em órgãos alvo. A ferramenta de comunicação narrativa, usando depoimentos de indivíduos do mesmo ambiente social, dá um recado culturalmente relevante para quem assiste ao DVD. A estratégia utilizada tem grande potencial para ser aplicada em outras condições de saúde crônicas e, além disso, os resultados têm aplicação universal, pois cada cultura tem sua tradição e histórias peculiares.
** CORREÇÃO. Pode-se ouvir no audio que estima-se que 10% dos hipertensos não conseguem controlar a pressão. Na verdade, apenas 10% dos hipertensos têm controle adequado da pressão.
Não há como prevenir o derrame cerebral.
Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O derrame cerebral está se tornando menos comum.
Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).
A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.
Derrame cerebral é coisa só de gente velha.
Mito.
O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.
Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?
Mito. No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.
Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?
Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.
A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.
Mito.
São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.
Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.
Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.
Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.
Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.
O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?
Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores.
Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.
Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.
Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.
Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.
Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.
Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.
Mito.
Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.
No ano de 2004, o antiinflamatório Vioxx® foi retirado do mercado por aumentar o risco de eventos vasculares como infarto do coração e derrame cerebral. Desde então, ficou a pergunta no ar: será que os outros anti-inflamatórios são mais seguros? Uma análise recém-publicada pelo periódico British Medical Journal nos ajuda a responder parcialmente a esta pergunta.
Pesquisadores suíços analisaram 31 estudos que apontam o nível de segurança do uso crônico dessas medicações, o que incluiu mais de 116 mil pacientes. As medicações estudadas foram o Naproxeno (Naprozyn®), Flanax®), Ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®), Diclofenaco (Volataren®, Cataflam®), Celecoxibe (Cellebra®), Etoricoxibe (Arcoxia®), Rofecoxibe (Vioxx®), Lumiracoxibe (Prexige®). O Prexige® também foi retirado do mercado brasileiro em 2008, ação desencadeada por notificações hepáticas graves pela agência reguladora da Austrália.
Os resultados da atual pesquisa demonstraram que a freqüência de eventos adversos com o uso crônico dessas medicações é pequena, mas mesmo assim, quando comparado ao placebo, o risco de um ataque cardíaco é duas vezes maior no caso do Vioxx® e do Prexige®, quando comparado ao placebo. O Dalsy® / Alivium® foram os que apresentaram maior risco de derrame cerebral, enquanto o Arcoxia® e o Voltaren®/Diclofenaco® foram os que tinham maior associação com mortalidade por doença do coração: risco quatro vezes maior. O Naproxeno (Naprozyn®, Flanax®) foi o anti-inflamatório que se mostrou mais seguro do ponto de vista cardiovascular. Vale lembrar que muitas dessas medicações costumam provocar efeitos como sensação de queimação no estômago, e a prescrição associada de um protetor gástrico pode ser uma boa medida.
UMA EM CADA SEIS PESSOAS NO MUNDO TERÁ UM AVC EM SUA VIDA E A CADA SEIS SEGUNDOS MORRE UMA PESSOA COM A DOENÇA.
O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por AVC ou derrame, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.
No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença.
O AVC é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O AVC é uma catástrofe que tem tratamento e também pode ser prevenida.
Quando uma pessoa tem uma forte dor no peito e suspeita que possa estar tendo um infarto do coração, ela não pensa duas vezes e corre para o hospital mais próximo. Essa atitude salva muitas vidas, pois quanto mais precocemente o tratamento para o infarto for iniciado, maior a chance de sucesso.
No caso do AVC, a rapidez no tratamento também salva vidas e reduz a chance de seqüelas. Infelizmente os sintomas de AVC são mais variados do que o do infarto do coração e bem menos conhecidos pelo público leigo, e isto dificulta a rápida procura por assistência médica.
Como identificar um AVC?
Suspeitar toda vez que ocorrer algum destes sintomas de forma REPENTINA:
- Fraqueza de um lado do corpo
- Dormência de um lado do corpo
- Dificuldade visual
- Dificuldade para falar
- Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
- Incapacidade de se manter em pé
** CLIQUE AQUI e confira um bate-papo sobre o assunto com o Dr. R icardo Teixeira na Rádio CBN veiculado no dia 29 outubro de 2010.
As opiniões sobre as mudanças na rotina com o início do horário de verão são bem divididas: muitos gostam enquanto outros optariam pela manutenção do horário antigo. E qual é a opinião do nosso corpo? Essa mudança faz diferença para nossa saúde? Um estudo sueco publicado em 2008 pelo respeitado periódico New England Journal of Medicine aponta que a primeira semana do horário de verão está associada a um maior risco de infarto do coração. O efeito é ainda mais significativo entre indivíduos com menos de 65 anos e entre as mulheres. Os pesquisadores avaliaram a incidência de infarto do coração na Suécia entre 1987 a 2006.
A melhor explicação para esses resultados é o conhecido efeito da privação do sono no sistema cardiovascular. Pesquisas demonstram que a privação do sono é capaz de aumentar marcadores de inflamação, aumenta o nível de atividade do sistema nervoso autônomo simpático, podendo gerar alterações metabólicas significativas.
Será que não seria justo oferecer à população uma transição mais flexível na implantação do horário de verão, como por exemplo, poder começar o trabalho uma hora mais tarde nos primeiros dias? Isso poderia ser especialmente relevante na segunda-feira e para aqueles que têm reconhecido risco vascular, pois já sabemos que é na segunda-feira que ocorre o maior número de casos de infarto do coração e derrame cerebral. Esse efeito pode ser explicado pelo estresse de ter que voltar ao trabalho e até mesmo pelos excessos do fim de semana.
Pode ser que no futuro as autoridades passem a implantar o horário de verão com uma maior flexibilização de horário na primeira semana. Na hora de fazer as contas do custo-benefício da mudança, é importante considerar que pesquisas tanto no Canadá quanto nos EUA mostram que na primeira semana da implantação do horário os acidentes de trânsito aumentam cerca de 8%.
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Hoje em dia, uma boa parte do tempo que se gasta em frente a um médico é para monitorização de índices como o colesterol e a glicose no sangue. O aminoácido homocisteína é mais um desses índices vigiados pela medicina moderna.
Altos níveis no sangue de homocisteína têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade desse aminoácido no sangue. Entretanto, uma pesquisa publicada esta semana pelo periódico Archives of Internal Medicine (Associação Médica Americana) demonstra que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.
Os pesquisadores avaliaram os resultados de oito grandes estudos sobre o tema que envolveram mais de 37 mil indivíduos com homocisteína elevada, metade deles tendo feito uso de ácido fólico na dose de 0.4 a 40 mg e a outra metade tendo utilizado placebo. Aqueles que usaram ácido fólico tiveram uma redução de 25% nas concentrações de homocisteína. Após um acompanhamento médio de cinco anos, a suplementação de ácido fólico não reduziu os números de mortalidade e de novos casos de infarto do coração, derrame cerebral e câncer. Por outro lado, o uso de ácido fólico também não aumentou o risco de doenças ou mortalidade, o que reforça a segurança de sua suplementação a mulheres férteis com o objetivo de evitar malformações congênitas.
Esse estudo chama a atenção para duas questões muito importantes. A primeira é que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Um outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Recentemente, uma série de estudos identificou que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.
A segunda questão é que os suplementos vitamínicos e minerais costumam ser vistos pela sociedade como produtos inofensivos: se não faz bem, mal é que não vai fazer. Infelizmente, isso não é verdade. Os suplementos, quando mal indicados, podem sim fazer mal à saúde. Recentemente, discutimos o maior risco de infarto do coração associado à suplementação de cálcio.
Nos EUA, estima-se que 50% dos adultos usam algum tipo de suplemento alimentar, e no Brasil, essas cifras são menores, mas nada desprezíveis. Ironicamente, as pessoas que mais fazem uso desses suplementos são aquelas que têm estilo de vida mais saudável. São as que praticam mais atividade física, estão mais em dia com a balança, fumam menos e têm maior nível educacional. E quem é que realmente precisa de suplementos? A resolução 1938-2010 do Conselho Federal de Medicina que regulamente a prática da medicina ortomolecular facilita bem esta resposta: “É vedado o uso de quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados“. É isto que a medicina baseada em evidências tem a nos dizer na atual fase do conhecimento.
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O risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Occupational and Environmental Medicine.
Mais de 6000 trabalhadores americanos com mais de 20 anos de idade foram estudados através de uma entrevista que abordava hábitos de vida e saúde ocupacional, exame clínico e testes laboratoriais. Os participantes da pesquisa foram classificados como expostos a alto nível de ruído quando tinham histórico de trabalho por pelo menos três meses em ambiente em que não era possível conversar com o volume normal da voz.
Os resultados mostraram que cerca de 20% dos participantes estavam sendo expostos a altos níveis de ruído por uma média de nove meses. A maioria desses trabalhadores eram homens com uma media de idade de 40 anos, e apresentavam mais excesso de peso e hábito de fumar do que os que trabalhavam em ambientes mais silenciosos. A exposição persistente ao ruído estava associada a um risco duas a três vezes maior de doença isquêmica do coração. Naqueles com idade inferior a 50 anos, o risco chegava a ser até quatro vezes maior.
Os testes laboratoriais desse grupo exposto ao excesso de ruído não se mostraram mais alterados, como é o caso dos testes de colesterol e de inflamação no sangue. Entretanto, a pressão diastólica, também conhecida por mínima, era mais frequentemente elevada nesse grupo, caracterizando uma condição clínica conhecida por Hipertensão Diastólica Isolada, que por sua vez é reconhecida como um fator de risco independente para eventos cardiovasculares.
A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração.
O presente estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores realizadas em diferentes países e indicam que o nível de ruído no trabalho é um ponto da saúde do trabalho que merece toda a atenção.
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Cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e 60% dos acidentes vasculares cerebrais são secundários a altos níveis da pressão arterial, e a quantidade de sal na dieta responde por boa parte desses números. A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 5g por dia, mais ou menos uma colher das de chá. Entretanto, o consumo supera esse limite na maior parte do globo, com uma média de 10g por dia na maioria dos países ocidentais, chegando a mais de 12g diários no Brasil e em países asiáticos e da Europa oriental.
Para reduzir o consumo de sódio, o primeiro passo é retirar o saleiro da mesa e lembrar que algumas ervas podem temperar a comida tão bem como o sal. Além disso, é fundamental evitar os alimentos salgados por natureza, como as conservas, o “fast food”, enlatados, carnes processadas e embutidos. Mas não é só o sal da dieta que influencia os níveis da pressão arterial. O potássio também tem o seu papel.
Uma série estudos tem demonstrado que o alto consumo de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial e de que uma dieta com pouco sódio e muito potássio é melhor do que aquela com a simples restrição de sódio. Para inserir mais potássio na dieta deve-se consumir frutas, legumes e verduras com fartura. Atualmente, recomenda-se o consumo diário de 4.7g de potássio e estima-se que cada aumento de 0.6g no seu consumo diário pode reduzir a pressão arterial em 1 mm Hg.
Nesta semana, a revista Archives of Internal Medicine, periódico da Associação Americana de Medicina, publicou uma pesquisa que analisou o consumo de potássio em 21 diferentes países da América do Norte, Europa Ásia e Oceania. O consumo diário variou desde 1.7 g/dia na China até 3.7 g/dia na Holanda, Finlândia e Polônia, e foi relativamente menor entre as mulheres. Os pesquisadores calcularam que o incremento do consumo de potássio até os níveis recomendados (4.7 g/dia) seria capaz de reduzir a pressão arterial sistólica em 1.7 a 3.2 mm Hg provocando a redução da pressão arterial sistólica a níveis ótimos (≤ 120 mm Hg) em 2-5% da população. Essas cifras são da mesma magnitude das encontradas com a restrição de sódio e não são nada modestas quando se pensa em saúde pública, já que teoricamente pode reduzir a mortalidade por derrame cerebral em 8-15% e a de doença isquêmica do coração em 6-11%.
Uma pesquisa publicada hoje pelo British Medical Journal revela que o uso de suplementos de cálcio pode aumentar o risco de infarto do coração. Os pesquisadores analisaram 11 grandes estudos sobre os efeitos da suplementação de cálcio sem a vitamina D, o que no conjunto envolvia 12 mil pacientes. Esse tipo de suplemento é frequentemente indicado para pessoas com diagnóstico de rarefação óssea (osteoporose), especialmente os idosos. Os achados foram consistentes nas diversas pesquisas avaliadas e os resultados mostraram um aumento de 30% no risco relativo de ataque do coração entre os indivíduos que faziam uso de suplementos de cálcio após um tempo médio de consumo de 3.6 anos. Por outro lado, o uso dos suplementos não aumentou o risco de derrame cerebral nem os índices de mortalidade geral.
Devemos entender esse aumento de 30% no risco de infarto como modesto. Entretanto, devido à ampla utilização dos suplementos de cálcio pelos idosos, do ponto de vista de saúde pública, os resultados deixam de ser modestos. Além disso, o corpo de evidências científicas mostra que o poder da suplementação de cálcio em reduzir o risco de fraturas, associada ou não à vitamina D, é muito pequeno. E prevenir fraturas é o principal objetivo desse tipo de tratamento. Para cada mil pessoas tratadas por 5 anos com suplementos de cálcio, previne-se 26 fraturas, mas promove um aumento de 14 casos de infarto do coração, 10 de derrame cerebral e 13 mortes nesse mesmo período.
Os resultados sugerem que os critérios de indicação de suplementos de cálcio para indivíduos portadores de osteoporose devem ser reavaliados. Vale ressaltar que aqueles que fazem uso dos suplementos não devem abandoná-los sem orientação médica. Exercício físico, manter o peso em dia e fugir do cigarro são ótimas armas contra a osteoporose. Quanto ao cálcio da dieta, não há motivos para preocupação: não há evidências de que dietas ricas em cálcio aumentem o risco de doenças do coração.
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veiculado na Rádio CBN no dia 30 julho de 2010
Já é consenso que a indicação de terapia de reposição hormonal [TRH] para a melhora de sinais e sintomas da menopausa deve ser restrita a mulheres com sintomas moderados a severos e utilizada pelo menor tempo e com a mínima dose possíveis. Essas recomendações são decorrentes do fato de que a TRH prolongada eleva o risco de câncer de mama, trombose nas veias e derrame cerebral. Entretanto, essas informações têm origem em estudos que analisaram a TRH por via oral e ainda não se sabe se por via transdérmica (adesivos na pele) o tratamento também oferece riscos às mulheres. Teoricamente, as repercussões biológicas do hormônio por via transdérmica sobre o sistema vascular são diferentes das formulações orais, especialmente por não terem passagem pelo fígado após sua absorção.
Uma pesquisa publicada neste mês pelo British Medical Journal revela que a TRH quando utilizada por via transdérmica e com baixas doses do hormônio estrogênio não aumenta o risco de derrame cerebral. Foram analisados os registros de ocorrência de derrame cerebral de 870 mil mulheres inglesas com idades entre 50 a 79 anos de idade num período de 20 anos. Quase 16 mil mulheres apresentaram diagnóstico de derrame cerebral nesse período e elas foram comparadas a um grupo controle de 60 mil mulheres sem história de derrame. Diversas características dessas mulheres foram analisadas, incluindo a exposição à TRH. O tipo de hormônio utilizado foi dividido nas seguintes categorias: estrogênio, progesterona, estrogênio associado a progesterona, tibolona. O hormônio do tipo estrogênio foi classificado ainda quanto à sua forma de administração – oral ou transdérmica – e quanto à dose – baixa ou alta.
Os resultados mostraram que o uso de TRH por via transdérmica com baixas doses de estrogênio, com ou sem progesterona, não aumentou o risco de derrame cerebral, mas com altas doses o risco foi maior. Já a TRH por via oral foi associada a uma maior chance de derrame cerebral, com altas ou baixas doses de estrogênio, com ou sem progesterona. A TRH por via oral apenas com estrogênio ofereceu maior risco de derrame do que quando associada à progesterona. Além disso, quanto maior o tempo de uso, maior também foi o risco.
As pesquisas têm apontado que a TRH por via transdérmica é considerada tão eficaz quanto as formulações por via oral para a melhora dos sintomas associados à menopausa. O presente estudo sugere que do ponto de vista cerebrovascular a TRH transdérmica com baixas doses de estrogênio é uma alternativa segura para melhorar os sintomas associados à menopausa. Já há evidências também de que por via transdérmica a chance de trombose das veias também é menor. Esses resultados não são definitivos e ainda são necessários novos estudos que confirmem a segurança desse tipo de tratamento.
Um estudo publicado na última edição do British Medical Journal revela que indivíduos que não têm uma higiene oral satisfatória apresentam até 70% mais risco de problemas do coração, especialmente infarto e angina, quando comparados àqueles que escovam os dentes duas vezes por dia. Mais de 11 mil escoceses foram estudados quanto aos seus hábitos de vida, tais como higiene oral, tabagismo e atividade física.
Os resultados mostraram que 62% dos voluntários do estudo visitavam o dentista a cada seis meses e 71% escovavam os dentes pelo menos duas vezes ao dia. Aqueles que não escovavam os dentes, ou raramente o faziam, apresentavam níveis mais altos de marcadores de inflamação do sangue, como a proteína C-reativa e fibrinogênio, acompanhado também de um risco aumentado de eventos cardíacos.
Já é bem reconhecido que os níveis de inflamação do corpo, incluindo inflamação da boca e gengiva, estão associados ao risco de aterosclerose e eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e derrame cerebral, além de alterações cerebrais discretas que influenciam as funções intelectuais. A atual pesquisa confirma resultados anteriores de que uma pobre higiene oral, além de ser uma das principais causas de perda dentária, também influencia outros órgãos do nosso corpo, como é o caso do coração.
O padrão normal do sono entre idosos ainda é uma questão polêmica e a principal razão é o fato de que algumas pesquisas incluem em suas análises idosos com problemas de saúde, enquanto outros estudos só analisam indivíduos saudáveis. Isso faz toda a diferença, pois a presença de uma doença crônica pode ser o suficiente para fazer com que o idoso tenha uma tendência a dormir mais.
Uma das poucas pesquisas realizadas até o momento para analisar o padrão de sono entre idosos sem qualquer tipo de doença foi feita em Brasília, pesquisa esta liderada pelo geriatra Einstein Camargos do Centro de Medicina do Idoso da Universidade de Brasília. O estudo demonstrou que entre idosos moradores de Brasília, sem qualquer problema de saúde ou uso de medicamentos, quase 90% deles tinham um sono de boa qualidade, qualidade medida por um instrumento de análise subjetiva do sono. Os resultados são diametralmente opostos aos encontrados nos estudos que incluem pessoas doentes.
A pesquisa de Brasília revelou que os idosos dormem uma média de 6.8 horas por noite, cerca de uma hora a menos de sono da população de adultos no Brasil. Quase 90% iam para a cama após as 22:00h, contrariando a crença de que os idosos dormem com as galinhas, e a maioria não tinha dificuldade em pegar no sono, dormiam em menos de meia hora. Cerca de metade dos idosos estudados levantava-se uma ou mais vezes durante a noite e ainda tirava cochilos durante o dia.
Os resultados são concordantes com estudos internacionais que nos demonstram cada vez mais que os idosos realmente precisam de um pouco menos de sono noturno para se sentirem dispostos durante o dia. A situação de um idoso que está dormindo demais deve sempre levantar a suspeita de que um problema de saúde pode ser a razão para esse comportamento. Além das doenças, devemos sempre estar atentos ao fato de que idosos pouco estimulados com atividade física, lazer e convívio social, estes costumam ter mais problemas de sono. Quando se pensa em insônia crônica, deve-se lembrar que esse é um problema que está associado a um maior risco de diabetes, obesidade e doenças vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral.
CLIQUE AQUI e confira matéria do jornal Correio Braziliense sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira
Nossos vasos sanguíneos devem ser vistos como órgãos tão inteligentes e complexos como o fígado ou o coração. Quando nos levantamos, quando fazemos força, quando ficamos sem respirar por alguns instantes, todas essas situações exigem com que os vasos sanguíneos do cérebro adaptem seus calibres para manter sempre a mesma pressão do sangue que entra no cérebro. Se este controle falhar, alterações rápidas e transitórias do estado de consciência podem acontecer. As pequenas artérias do cérebro, também chamadas de arteríolas, são as maiores responsáveis por esse controle.
O periódico científico Neurology publicou em sua última edição os resultados de uma pesquisa que mostra que idosos que apresentam uma pior função das pequenas artérias do cérebro andam mais devagar e têm maior risco de queda. Mais de 400 idosos foram submetidos a um teste que mede a saúde dos pequenos vasos cerebrais através da dilatação das pequenas artérias secundária ao aumento dos níveis de gás carbônico no sangue. Os voluntários ainda foram testados quanto à velocidade da marcha e foram acompanhados por dois anos para registro de qualquer episódio de queda. Os resultados mostraram que os idosos que apresentavam os menores níveis de reatividade dos vasos cerebrais eram mais lentos ao caminhar e tinham um risco de queda 70% maior quando comparado aos idosos que tinham os melhores índices de reatividade vascular.
Essa pesquisa cria uma nova forma de pensar a prevenção de quedas, um dos problemas mais sérios da medicina geriátrica. Aos 60 anos de idade, 85% dos idosos apresentam uma capacidade de caminhar normal. Já aos 80 anos, apenas cerca de 20% mantém uma capacidade para caminhar sem dificuldades. Além disso, anualmente, 30% dos idosos com mais de 65 anos sofrem uma queda. Qualquer leve alteração do desempenho cerebral de um idoso pode ser o que faltava para precipitar essa queda. O recado principal desse estudo é o de que investir na saúde dos vasos sanguíneos, além de prevenir as duas doenças que mais matam no Brasil (infarto do coração e derrame cerebral), pode ainda prevenir quedas nos idosos. Como investir nas artérias do cérebro? Atividade física regular, consumo regular de frutas e verduras, tratar com rigor problemas como a hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Tabagismo nem em pensamento.
A última edição do periódico Occupational and Environmental Medicine traz uma pesquisa inédita demonstrando que mulheres que trabalham sob grande pressão psicológica têm mais risco de apresentarem doença isquêmica do coração. Estudos anteriores já haviam demonstrado esse efeito nocivo do trabalho estressante sobre o coração, mas apontavam que entre as mulheres esse efeito era menos significativo.
O atual estudo foi realizado com mais de doze mil enfermeiras dinamarquesas, com uma média de idade de 51 anos e que foram acompanhadas por quinze anos. No início do estudo, foi aplicado um questionário que media o nível de estresse no trabalho, assim como o grau de influência que essas mulheres tinham sobre as decisões no dia-a-dia do trabalho.
As mulheres que relataram ter um trabalho com estresse levemente alto apresentaram um risco de doença isquêmica do coração 25% maior quando comparadas àquelas com um nível de estresse fácil de administrar. Já as mulheres com um nível de estresse muito alto, estas tiveram um risco 50% maior, e mesmo levando em conta outros fatores de risco cardiovascular, como o tabagismo, a chance de doença do coração ainda persistiu 35% maior. As mulheres com maior risco foram aquelas com menos de 51 anos. O nível de controle sobre as decisões do trabalho não teve associação com a doença do coração.
O presente estudo dá mais um passo nas evidências de que o estresse no trabalho não combina com saúde, e é um dos raros estudos que demonstra esse efeito entre mulheres. Medidas de redução desse estresse devem ser pensadas como uma das medidas para a prevenção de doença isquêmica do coração, que é uma das principais causas de mortalidade em nosso meio, e que afeta igualmente homens e mulheres.






















