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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

 

Esta semana, um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstrou que as pessoas que consomem chocolate de forma frequente têm um menor índice de massa corporal. Parece bem paradoxal, hein? Fica mais magro quem come mais chocolate?

 

Participaram da pesquisa mais de mil voluntários com idades entre 20 e 85 anos (média de 57 anos) que responderam a questionários para avaliação do estado de humor, padrão de atividade física e dieta, incluindo o consumo de chocolate.

 

Os resultados mostraram um consumo médio de chocolate nessa população de duas vezes por semana e atividade física vigorosa numa média de três vezes por semana. A ingestão calórica foi maior entre aqueles que comiam mais chocolate, mas mesmo assim eles se mostraram mais magros. Essa associação não pôde ser explicada por diferenças no padrão de atividade física. Além disso, quanto maior o consumo de chocolate, maiores as pontuações na escala de depressão, fato que já havia sido demonstrado numa publicação anterior.

 

Já tínhamos boas evidências de que o consumo de chocolate, especialmente aqueles com alta concentração de cacau, traz alguns benefícios à saúde, como um melhor controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol, assim como a promoção de uma melhor sensibilidade à insulina, o que potencialmente reduz o risco de diabetes. Um estudo chegou a mostrar uma maior longevidade associada ao consumo de chocolate.

 

O cacau é muito rico em flavonóides, substâncias fartamente encontradas nos vegetais e que promovem o bom funcionamento dos vasos sanguíneos e do nosso metabolismo. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama dos chás verde e preto e da casca das frutas vermelhas. Pesquisas recentes em modelos animais têm apontado efeitos positivos desses flavonóides, especificamente a epicatequina, sobre o volume e desempenho muscular, além de redução do peso mesmo sem qualquer mudança no padrão da atividade física ou da ingesta calórica.     

 

 

 

Principal recado da pesquisa.

Não só a quantidade, mas também a QUALIDADE das calorias podem fazer a diferença no controle do peso.

 

 

Referência: Arch Intern Med. 2012;172(6):519-521

 

 

 

Esta semana, um estudo envolvendo mais de 120 mil voluntários seguidos por até 28 anos foi publicado pelo Archives of Internal Medicine (Associação Americana de Medicina) e demonstrou de forma contundente que o consumo de carne vermelha está associado a uma menor longevidade e maior risco de doenças cardiovasculares e câncer. Já tínhamos boas evidências de que carne vermelha não faz bem à saúde, mas esse estudo, além de ser o mais robusto até então, demonstrou de forma inédita que a substituição da carne vermelha por outras fontes de proteína fez as pessoas viverem mais.

 

Calcula-se que 11-16 % das mortes poderiam ser evitadas se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.  Na presente pesquisa, os riscos do consumo das carnes processadas (ex: salsicha, lingüiça) foi ainda maior. 

 

Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo adote a dieta vegetariana. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa no longo prazo.

 

 

Para terminar, vale a pena lembrar que a limitação do consumo de carne vermelha tem o potencial de conter o desflorestamento e a emissão de gás metano. Geralmente é assim. O que faz bem ao homem, também faz bem ao planeta. A ameaça das mudanças climáticas não está batendo à nossa porta. Já entrou e sentou-se à mesa com nossos filhos e netos. Se não tomarmos medidas efetivas para combater o problema, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, as novas gerações pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

 

 

Fatores psicológicos como fatalismo podem fazer a diferença no risco de uma pessoa vir a desenvolver um derrame cerebral. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pelo periódico Stroke da Associação Americana de Cardiologia.

 

Cerca de 700 americanos internados por terem sido acometidos por derrame cerebral foram submetidos a uma entrevista com escalas que avaliam o estado psicológico antes do derrame cerebral, com ênfase no grau de otimismo, fatalismo, espiritualidade e sintomas depressivos.

 

Os resultados apontaram que um maior componente de fatalismo esteve associado ao risco de morte e à chance de um novo derrame cerebral. A escala que avalia o fatalismo aborda três diferentes dimensões: 1) pré-determinismo – percepção de que a saúde é uma questão de destino e que não há o que fazer para mudar; 2) sorte – tendência a vincular o estado de saúde à sorte; 3) pessimismo – expectativas negativas quanto ao futuro. A mesma associação com mortalidade e chance de recorrência do derrame cerebral foi demonstrada no caso de sintomas depressivos. Além disso, a influência do fatalismo sobre a mortalidade foi maior entre os pacientes que não apresentavam sintomas depressivos.

 

Esse é o primeiro estudo a associar o componente de fatalismo com o prognóstico de um derrame cerebral. O impacto negativo do fatalismo já havia sido demonstrado em condições como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e comportamentos de risco. A hipótese que melhor explica essa relação é uma pior aderência a tratamentos propostos e maior dificuldade em assumir hábitos de vida saudáveis.

 

 

 

 

14 de novembro. Dia mundial do Diabetes. O diabetes mata uma pessoa a cada 8 segundos e não discrimina. Ele acomete mulheres e homens, jovens e adultos, ricos e pobres. Em muitos casos, o cérebro também perde desempenho.

 

O impacto do diabetes sobre a função cerebral é maior em duas fases da vida: durante o desenvolvimento cerebral na infância assim como na velhice, quando o cérebro passa por alterações degenerativas. O diabetes é um dos reconhecidos fatores de risco para o transtorno cognitivo leve dos idosos, assim como para a demência vascular e a Doença de Alzheimer. Fora desses períodos chamados críticos, os efeitos da doença costumam ocorrer preferencialmente entre aqueles que apresentam complicações vasculares como, por exemplo, a retinopatia, doença coronariana e complicações renais. 

 

A influência do diabetes sobre o funcionamento cerebral vai além do comprometimento dos vasos sanguíneos, pois há evidências de que a doença pode promover alterações cerebrais semelhantes às encontradas entre indivíduos com a Doença de Alzheimer, possivelmente decorrente do distúrbio de homeostase da insulina. Já sabemos que a insulina otimiza o consumo de glicose pelos neurônios e colabora para a formação de novas sinapses e para a modulação das mesmas. Na Doença de Alzheimer, a concentração e atividade desse hormônio no cérebro são reduzidas e já existem resultados bastante promissores do seu uso por via intranasal para o tratamento dessa patologia.

 

Para um desenvolvimento e envelhecimento cerebral saudável, devemos a todo custo evitar o desenvolvimento do diabetes. Atividade física regular e a manutenção do peso em dia é o dever de casa básico. Para quem tem história familiar da doença, o recado deve ser levado ainda mais a sério, pois o risco é duas a quatro vezes maior que na população geral. E para aqueles que já têm o diagnóstico, o dever de casa é o mesmo, acrescido de um controle rigoroso da doença.

 

 

 

 

 

Insônia aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM). Essa é a conclusão de um grande estudo recém-publicado pelo periódico da Associação Americana de Cardiologia, Circulation.

 

Mais de 50 mil noruegueses foram acompanhados por 11 anos e as conclusões foram as seguintes:

 

– os voluntários que, no início do estudo, relataram ter dificuldade quase diária para induzir o sono, apresentaram um risco de IAM 45% maior quando comparados àqueles sem essa queixa;

 

– quando a queixa foi dificuldade em manter o sono quase toda noite, o risco de IAM foi 30% maior e, no caso de acordar mais do que uma vez por semana com sensação de sono não reparador, a chance de IAM aumentou em 27%;

 

– o risco de IAM foi cumulativo, ou seja, quanto mais sintomas de insônia, maior o risco.

 

Estima-se que cerca de um terço das pessoas apresente pelo menos um sintoma de insônia. É uma condição fácil de ser diagnosticada e tem várias opções de tratamento disponíveis. É bom saber que nem o coração aprova uma vida sem dormir direito!

 

 

 

Maçã e pêra parecem ser as melhores frutas para a prevenção de derrame cerebral.  Essa é a conclusão de um estudo holandês recém-publicado no periódico Stroke da Associação Americana do Coração.

 

Já é bem reconhecido que o consumo de pelo menos cinco porções diárias de frutas e vegetais é uma das atitudes que podem ajudar a prevenir doenças vasculares do coração e do cérebro. No presente estudo, mais de 20 mil voluntários com média de idade de 41 anos foram acompanhados ao longo de 10 anos. O padrão de alimentação foi analisado através de um questionário em que as frutas e vegetais eram classificados em quatro grupos:

 

Verde. Ex: Brócolis, alface, repolho, espinafre

Alaranjado / Amarelo. Ex: Frutas cítricas, cenoura

Vermelho / Roxo. Ex: Uva, morango, tomate

Branco.  Ex: Pêra, maçã, pepino, alho, cebola

 

As frutas e vegetais BRANCOS foram os únicos que fizeram a diferença na redução do risco de derrame cerebral, possivelmente pela presença de um tipo de flavonóide chamado de quercetina. Batatas não foram incluídas nesse grupo de vegetais brancos por terem um valor nutricional muito diferente.

 

55% dos brancos eram compostos por maçãs e peras
         
10% de alho, cebola e alho porró

35% de banana, couve flor, chicória, pepino, cogumelos

Os resultados não devem ser transformados em dogma, pois outras pesquisas devem ser realizadas para confirmação. Por enquanto, é bem razoável que não se deixe de incluir na dieta pelo menos uma porção ao dia de vegetais e frutas de cada uma das quatro cores.

 

 

 

 

Uma pesquisa apresentada esta semana no Congresso da Sociedade Européia de Cardiologia em Paris, e publicada no British Medical Journalaponta que o chocolate realmente é um alimento amigo do coração e do cérebro.

 

Pesquisadores ingleses e colombianos analisaram os estudos mais relevantes que tenham testado o impacto do consumo do chocolate sobre a saúde vascular, o que significou a apreciação de sete pesquisas conduzidas nos Estados Unidos e Europa que envolveram mais de cem mil pessoas. Os resultados mostraram que as pessoas que consomem mais chocolate têm um risco relativo de doenças do coração 37% menor, 31% e 29% menor no caso do derrame cerebral e diabetes.

 

Por essa análise, não foi possível detectar diferenças entre os diversos tipos de chocolate. Entretanto, as evidências apontam que o que há de mais nobre no chocolate, pelo menos do ponto de vista de saúde, não é nem o leite, nem a gordura, nem o açúcar, mas sim o cacau com seus fatores anti-oxidantes e anti-inflamatórios.

O cacau é muito rico em flavonóides, substâncias fartamente encontradas em alguns vegetais e que promovem o bom funcionamento dos nossos vasos sanguíneos. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama dos chás verde e preto e da casca das frutas vermelhas, só que o cacau apresenta uma concentração especialmente generosa do subtipo flavanol que ultimamente tem sido apontado como o componente que mais tem efeito na nossa saúde vascular.

Sabemos hoje que o consumo de chocolate com altas doses de flavanols – leia-se CHOCOLATE AMARGO! – promove uma série de efeitos benéficos ao nosso corpo: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; 8) aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.

* Não custa lembrar que 100g de chocolate tem cerca de 500 calorias. Chocolate  em excesso pode colaborar para um quadro de obesidade. Nesse caso, os benefícios do chocolate vão por água abaixo.

 

 

 

Nos últimos cinco anos, uma série de estudos foi publicada sugerindo que uma incompetência do fluxo sanguíneo venoso no cérebro poderia ser o pontapé inicial para o desenvolvimento da esclerose múltipla. Essa história foi lançada por pesquisadores italianos, sob a liderança de Paolo Zamboni, e hoje constitui uma das maiores polêmicas da neurologia clínica.

 

Essa suposta insuficiência do sistema venoso cerebral devido a estreitamentos ou incompetência de válvulas levaria a um estado de aumento da pressão venosa que por sua vez provocaria invasões microscópicas de sangue no cérebro. Esse processo todo seria a razão das bem reconhecidas alterações inflamatórias ao redor das pequenas veias dos portadores de esclerose múltipla.

 

A confusão começou mesmo quando Zamboni e seus parceiros propuseram que a correção via cateterismo dessas anormalidades do sistema venoso cerebral poderia trazer benefícios na evolução da doença. As redes sociais acenderam o fogo e os pacientes passaram a demandar esse tipo de procedimento e vários centros ao redor do mundo começaram a disponibilizá-lo, mesmo sem evidências científicas satisfatórias. A Sociedade Européia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista emitiu um documento neste ano para modular a euforia da nova promessa, declarando que o procedimento ainda é totalmente experimental.

 

 

Os periódicos científicos em que os resultados de Zamboni foram publicados são de primeira grandeza, mas mesmo assim ainda não são suficientes para que esse tipo de tratamento seja indicado no mundo real. Pesquisas mais recentes têm colocado em xeque os achados iniciais, mostrando resultados discrepantes daqueles publicados por Zamboni. A última delas foi publicada esta semana. Essa é uma história que ainda vai render muitos capítulos.

 

 

 

 

 

O derrame cerebral ou acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda maior causa de morte e a primeira causa de incapacidade física permanente no mundo. Os AVCs de etiologia isquêmica (AVCi) representam 70 a 80% dos casos, e portanto, são os principais alvos para o desenvolvimento de terapêuticas que visem a redução da mortalidade e incapacidade física decorrentes das doenças cerebrovasculares.

 

Como o AVCi decorre da obstrução de um vaso arterial cerebral, a melhor estratégia para alcançar um tratamento eficaz é a busca de métodos que permitam a desobstrução desta artéria antes que haja um grau de lesão cerebral irreversível. Desde a década de 1950 que isso vem sendo tentado, mas foi só no ano de 1995 que tivemos os resultados do primeiro estudo que mudou para valer a história do tratamento do AVCi na sua fase aguda. Tínhamos então a primeira forte evidência de que o uso de uma medicação por via endovenosa nas primeiras três horas do início dos sintomas era capaz de salvar vidas e reduzir a chance de seqüelas. Nesse primeiro estudo, foram excluídos pacientes com mais de 80 anos.

 

Muita coisa evoluiu nesses últimos 15 anos. Vários outros estudos foram realizados confirmando a eficácia do tratamento inclusive no caso de pacientes com mais de 80 anos. Nessa idade, é de se esperar que o prognóstico não seja tão bom quanto o de pacientes mais jovens. Entretanto, as pesquisas apontam cada vez mais que as complicações do tratamento, especialmente sangramento cerebral, não são maiores entre os octogenários.    

 

No caso de pacientes com mais de 80 anos, a indicação de qualquer tratamento sempre deve se feita de forma mais criteriosa. Isso não quer dizer que devam ser privados, somente pelo fator idade, da chance de receber um tratamento que pode mudar radicalmente o curso de suas vidas. Essa é a posição do Pacto AVC, projeto brasileiro para organização do atendimento emergencial do AVC e que tem apoio da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares. Essa também é a posição das recentes publicações da American Heart Association sobre o assunto.

 

Não custa lembrar que metade dos pacientes que sofrem um AVC tem mais de 75 anos e um terço deles já tem mais de 80.

 

* Esse post é um alerta aos médicos que atuam nas emergências assim como uma homenagem a um paciente muito querido que não recebeu o tratamento trombolítico,  já que tinha 84 anos.  Não pude ajudar, pois estava fora do país no dia do AVC.

 

 

 

Quando as pessoas pensam em derrame cerebral, uma imagem que comumente vem à cabeça é a de uma pessoa com seqüelas motoras. Entretanto, nem sempre as lesões vasculares cerebrais são tão graves assim, muitas delas acontecem sem chamar a atenção de ninguém e costumam ser chamadas de doença dos pequenos vasos cerebrais.

Quando se fala em lesões dos pequenos vasos que chegam a provocar um buraquinho no cérebro, também chamadas de lacunas, estudos com ressonância magnética revelam que cerca de 20% dos idosos apresentam tais lesões sem nunca ter apresentado sintomas. Quando se fala em lesões que só fazem pequenas cicatrizes no cérebro, essas estão presentes em até 90% dos idosos. MUITO FREQÜENTES, MUITO PEQUENAS, MAS NEM TÃO INOCENTES ASSIM.

Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology, periódico oficial da Associação Americana de Neurologia, aponta que essas pequenas lesões reduzem SIM o desempenho cerebral dos idosos.

Cerca de 400 idosos de onze diferentes centros europeus, independentes funcionalmente e com algum grau de doença dos pequenos vasos cerebrais à ressonância magnética, foram acompanhados por três anos. Durante esse período, 18% dos voluntários apresentaram uma ou mais lesões cerebrais novas do tipo lacuna, que é quando há uma pequena cavitação. Esse grupo de indivíduos passou a apresentar menor velocidade e controle dos movimentos, assim como piora das funções executivas que incluem pensamento abstrato, capacidade de planejamento e na tomada de decisões. O volume total do conjunto de lacunas e de lesões sem cavitação foi inversamente relacionado à performance das funções executivas.    

O raciocínio habitual quando se fala em doença dos pequenos vasos cerebrais é o de que uma ou duas lesões realmente não costumam provocar sintomas, a não ser quando se localizam em algumas regiões muito específicas, também chamadas de áreas eloquentes. O presente estudo contraria esta idéia geral, ao mostrar que pequenas lesões podem fazer diferença independente da localização. Confirma, por outro lado, a noção de que quanto mais lesão, pior a função cerebral.

O cérebro que apresenta inúmeras dessas cicatrizes ou buraquinhos, esse sim começa a funcionar de forma bem ineficiente. Algumas pessoas chegam a apresentar dificuldades graves do pensamento e da marcha, e hoje em dia reconhece-se que essa seja a principal causa de déficit cognitivo entre os idosos. Existem fatores genéticos que determinam o quanto de lesões terá um cérebro que envelhece. Entretanto, é bem sabido que os conhecidos fatores de risco para aterosclerose (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, etc.) aumentam significativamente a chance de uma pessoa colecionar mais dessas lesões ao longo dos anos.

O que fazer para proteger nosso cérebro dessas lesões?  São as mesmas coisas que boa parte das pessoas sabe que são eficazes para reduzir o risco de um infarto do coração ou derrame cerebral: 1) não fumar; 2) praticar atividade física; 3) reduzir o estresse; 4) para quem tem doença do coração, alterações do colesterol, diabetes ou hipertensão arterial, tratar essas condições com preciosismo; 5) bebidas alcoólicas só se for com moderação; 6) dieta saudável e controle do peso. E no quesito dieta saudável, os peixes oleosos estão com a bola toda.

 

 

 

smallicone

 

 

 

Na última edição do periódico Archives of Internal Medicine, temos os resultados de uma pesquisa que ilustra bem um fenômeno que temos vivenciado de forma crescente à medida que os testes diagnósticos ficam cada vez mais sofisticados. Poderíamos chamar esse fenômeno de OVERTREATMENT, e o recado principal é que nem tudo no corpo que é diferente ou alterado responde a um tratamento. Pode ser que em muitas dessas situações, o melhor mesmo seja ficar quieto, não intervir.

 

Nesse estudo, os pesquisadores acompanharam mais de mil coreanos adultos e assintomáticos que foram submetidos a uma tomografia computadorizada das artérias coronárias, método que tem o poder de demonstrar o grau de aterosclerose. Mais de 20% dos voluntários tinham evidência de aterosclerose das coronárias e, após acompanhamento de um ano e meio, foi demonstrado que esses indivíduos estavam fazendo mais uso de aspirina e estatinas, foram mais submetidos a outros testes diagnósticos para doença coronariana e procedimentos de revascularização do coração. Entretanto, todo esse arsenal de medidas não reduziu o número de infartos do coração no período estudado.

 

A realização de tomografia das coronárias como check up ainda é visto como uma medida heterodoxa pela falta de evidências que demonstrem que os benefícios são maiores que os riscos de exames e procedimentos invasivos que seus resultados podem desencadear. Estudos mostram que as pessoas que têm sinais de aterosclerose nas coronárias têm mais chance de eventos cardíacos, mas isso não quer dizer que o tratamento desses pacientes tenha que ser diferente daqueles que não têm esse achado na tomografia.    

 

Recentemente, o mesmo periódico publicou outra situação de OVERTREATMENT. Dessa vez foi o screening dos níveis do aminoácido homocisteína. Altos níveis no sangue desse aminoácido têm sido associados a um maior risco de eventos vasculares, como o infarto do coração e o derrame cerebral, e é bem reconhecido que a suplementação de ácido fólico, uma das vitaminas do tipo B, reduz a quantidade do aminoácido no sangue. Entretanto, as pesquisas também demonstram que essa redução dos níveis de homocisteína pelo ácido fólico não é acompanhada de uma menor chance de eventos vasculares, câncer ou mortalidade.

   

Esses estudos chamam a atenção para o fato de que o tratamento de uma alteração de exame laboratorial não necessariamente garante benefícios à saúde. Outro exemplo que pode ilustrar essa questão é a relação entre a vitamina D e o cérebro. Uma série de estudos tem identificado que indivíduos com menores concentrações de vitamina D apresentam desempenho cerebral menos afiado. Essa é uma constatação que não quer dizer que exista uma relação causa e efeito e não sabemos ainda se a reposição da vitamina promove melhora das funções cerebrais.

 

 

smallicone

 

 

 

 

 

 

Minha grande amiga Dani, que nasceu e viveu em Brasília por 40 anos, agora está morando em outra capital e está impressionada com o tanto que os moradores de lá buzinam. Ela ficou se perguntando se esse excesso de ruído nas ruas não teria influência sobre a saúde das pessoas.

 

As pesquisas realizadas sobre esse assunto mostram resultados conflitantes, e por isso uma análise em conjunto dos oito principais estudos foi realizada por pesquisadores alemães e publicada na última edição do periódico especializado Noise & Health. Mais de 20 mil indivíduos fizeram parte desse estudo e a conclusão foi a de que a sensação subjetiva de incômodo causado pelo barulho das ruas mexe sim com a saúde das pessoas, aumentando de forma significativa o risco de hipertensão arterial e de forma quase significativa o risco de infarto do coração.

 

Já sabemos também que o risco de doenças do coração é duas vezes maior em quem trabalha em um ambiente com alto nível de ruído. A exposição a um exagero de barulho pode ser um fator estressante comparável ao estresse psicológico, podendo levar a alterações no sistema nervoso autônomo e endócrino que promovem a redução de calibre de pequenas artérias, aumentando a pressão arterial e o risco de angina e infarto do coração. 

 

É importante frisar que o nível de incômodo ao barulho varia muito de pessoa para pessoa e essa experiência é, a princípio, o fator mais relevante. Entretanto, há estudos que apontam maior risco de hipertensão arterial mesmo entre aqueles que se dizem não incomodados com o barulho, sugerindo que ruído em excesso mexe com o corpo e a mente mesmo que de forma inconsciente. Mais um exemplo disso é o fato de que uma noite de sono barulhenta aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Além disso, as crianças, que podem parecer não se incomodarem tanto com o barulho, também são susceptíveis ao aumento da pressão arterial com ruídos em excesso.  Na verdade, as pesquisas revelam que as crianças se sentem incomodadas sim com o barulho.

 

Não é difícil imaginar que muito barulho também atrapalhe o desempenho cognitivo.  Entre adultos, há evidências de piora da memória e de funções executivas durante a exposição ao barulho e mesmo um pouco depois de sua suspensão. As crianças são ainda mais vulneráveis, já que estão em franco processo de desenvolvimento cognitivo e os estudos apontam que múltiplas dimensões da cognição são afetadas por um ambiente cronicamente barulhento, como é o caso da atenção, motivação, memória e linguagem, chegando ao ponto de entenderem menos aquilo que lêem.   

 

Essa alta exposição a ruídos pode levar a um comportamento mais agressivo, reduzindo a capacidade de cooperação, o que pode se refletir no trânsito como um círculo vicioso. Mais ruído, mais intolerância, mais buzina, mais intolerância, mais acidentes… Vale lembrar que as ruas mais barulhentas são aquelas com maior emissão de poluentes, que além de afetarem o sistema respiratório, também estão associados à exacerbação da aterosclerose e conseqüente aumento de doenças vasculares como o infarto do coração e o derrame cerebral.

 

A saúde do homem não deve ser medida só por sua genética, pelo quanto ele se movimenta e dorme e por aquilo que entra pela boca/nariz, mas também pelas experiências sensoriais. No que diz respeito àquilo que entra pelos ouvidos, penso não só em ruídos, mas também no conteúdo das interações sociais, na música e demais artes que se comunicam com som. A busca do equilíbrio dessas sonoridades merece todo o nosso empenho.

 

 

 

smallicone

 

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Journal of Behavioral Medicine aponta que o paciente quando visualiza seu problema por um método gráfico tem mais chance de seguir as recomendações médicas.

 

O estudo acompanhou 510 americanos com uma média de idade de 64 anos, assintomáticos e sem história de doença coronariana. Todos os voluntários foram submetidos a uma tomografia computadorizada do coração para avaliação das coronárias e o conteúdo de cálcio das artérias que reflete o grau de aterosclerose. Além disso, os voluntários passavam por uma consulta médica padronizada com duração entre 15 e 30 minutos em que o médico apresentava o resultado do exame mostrando as imagens, discutia os fatores de risco associados à aterosclerose e fazia recomendações de hábitos de vida para redução de risco.

 

Mais da metade dos indivíduos pesquisados (58%) apresentava calcificação das coronárias e, após seis anos de seguimento, foram os que mais tiveram mudanças comportamentais no sentido de reduzir os riscos de doença coronariana através de melhora da dieta, incremento da atividade física e limitação do consumo de álcool. Aqueles que apresentaram escores de cálcio mais altos foram os que mais mudaram os hábitos de vida.

 

A visualização do problema através da tomografia proporciona um melhor entendimento da doença aterosclerótica e pode ter sido o fator crítico para as mudanças comportamentais. Estudos anteriores já haviam demonstrado que a visualização pelo paciente da calcificação de suas coronárias está associada a uma maior aderência ao tratamento medicamentoso e melhor controle de condições como a pressão arterial e dislipidemia.

 

Na faculdade de medicina aprende-se que a impressão clínica, independente dos exames complementares, é a ferramenta mais soberana para um correto diagnóstico.  Entretanto, no mundo contemporâneo, não há como negar que existe uma cultura em que a tecnologia é vista como detentora da palavra final, da palavra de certeza. O médico sempre será um mediador imprescindível para que essa tecnologia marque gols a favor dos pacientes.

 

 

 

 

smallicone

 

 

A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

 

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

 

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

 

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

 

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smallicone

 

Alimentos com altos teores de carboidratos e gorduras têm grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados, promovendo a liberação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina e a endorfina. Isso já explica em parte porque o chocolate é tão prazeroso. Mas não as razões não param por aí.

 

O chocolate ainda é rico em substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: cafeína, teobromina) que também têm alto poder de estimular o sistema de recompensa cerebral. Contém também a anandamida, substância que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro e ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso corpo tenha efeito mais duradouro. Triptofano também faz parte do chocolate, substância precursora do neurotransmissor serotonina, conhecido por muitos como um dos protagonistas da química da felicidade. Além disso, recentemente foi demonstrado que chocolate é capaz de reduzir os níveis de hormônios do estresse, tanto o cortisol quanto a adrenalina. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate AMARGO com teor de cacau de 74% por duas semanas.

 

Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate AMARGO promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial; aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.

 

Vale lembrar que não é fácil adaptar uma barra de chocolate todo dia em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate AMARGO mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.

 

 

smallicone

 

Nesta semana, o periódico JAMA publicou uma revisão dos estudos científicos que analisaram o risco de um ataque do coração após uma relação sexual. Num mesmo indivíduo, a chance de um infarto do coração é maior durante a atividade sexual ou imediatamente após. Entretanto, esse risco é muito pequeno, ou mesmo nem existe, entre pessoas que praticam atividade física regularmente.  Os resultados sugerem que existem corações não muito saudáveis por trás dessa associação entre sexo e infarto.

 

Nesta semana, pudemos ver também algumas notícias do tipo “Sexo esporádico aumenta o risco de ataque cardíaco”. Esse tipo de afirmação faz parecer que sexo pode fazer mal às pessoas saudáveis. O recado desta pesquisa é que as pessoas com maior risco de eventos cardíacos devem colocar o assunto sexo na pauta de discussão na consulta médica.

 

Na verdade, a ciência tem demonstrado de forma inequívoca que sexo faz bem à saúde, especialmente ao coração. Algumas pesquisas acompanharam indivíduos de meia idade e idosos por até 20 anos, e têm sido quase unânimes em mostrar que quanto maior a atividade sexual, menor a mortalidade, inclusive por infarto do coração.

 

 

 

 

** O persnoanagem acima, que não tenho dúvida que sou eu mesmo, estará presente todas as sextas-feiras e  é uma criação do Super-Ilustrador Didiu Riobranco 

Portifolio  http://didiuriobranco.blogspot.com/

 

 

 

Para quem tem pressão alta, seu simples controle é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças graves como o infarto do coração e o derrame cerebral. Entretanto, no tratamento da hipertensão arterial é difícil ter a disciplina de tomar diariamente a medicação, assim como manter um programa de atividade física e controle da dieta. O tratamento ainda é mais difícil pelo fato da pressão alta não provocar habitualmente sintomas de alerta quando em níveis elevados.

Motivar o indivíduo que tem pressão alta a seguir corretamente seu tratamento é extremamente importante, mas qual a forma mais eficaz? O periódico Annals of Internal Medicine publicou uma pesquisa esta semana sugerindo que depoimentos de pacientes gravados em DVD podem influenciar de forma positiva outros pacientes com o mesmo problema de saúde.

Cerca de 300 pacientes hipertensos com 53 anos de idade em média, e atendidos em uma clínica voltada a indivíduos de baixa renda nos Estados Unidos, foram divididos em dois grupos. Um dos grupos foi direcionado a assistir a um DVD com histórias de 14 pacientes selecionados da mesma clínica, que promovia uma percepção de semelhança entre quem assistia e os pacientes/personagens. O outro grupo foi orientado a assistir a um vídeo de dicas de saúde, que não abordava o assunto hipertensão arterial. Após 3 meses, e mesmo após 9 meses de acompanhamento, o grupo que assistiu ao DVD com relatos de pacientes apresentou melhor controle da pressão arterial, especialmente aqueles que tinham a pressão não controlada no início do estudo.

Todos os pacientes envolvidos neste estudo eram negros, população que é mais vulnerável a ter hipertensão arterial mal controlada e complicações da doença em órgãos alvo. A ferramenta de comunicação narrativa, usando depoimentos de indivíduos do mesmo ambiente social, dá um recado culturalmente relevante para quem assiste ao DVD. A estratégia utilizada tem grande potencial para ser aplicada em outras condições de saúde crônicas e, além disso, os resultados têm aplicação universal, pois cada cultura tem sua tradição e histórias peculiares.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira no dia 21 de janeiro 2011.

 

**  CORREÇÃO. Pode-se ouvir no audio que estima-se que 10% dos hipertensos não conseguem controlar a pressão. Na verdade,  apenas 10% dos hipertensos têm controle adequado da  pressão. 

 

 

 

 

 

Não há como prevenir o derrame cerebral.

Mito. Quando uma pessoa está tendo um derrame cerebral, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída. O derrame cerebral é mais comum entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!

 

O derrame cerebral está se tornando menos comum.

Verdade, mas só nos países ricos. Nas últimas quatro décadas (1970-2008), a incidência de derrame cerebral diminuiu em 42% em países ricos e aumentou mais de 100% em países de baixa e média renda, sendo que o Brasil se encaixa nesse último caso. Na última década, a incidência de derrame cerebral em países de baixa e média renda ultrapassou pela primeira vez a dos países ricos (20% maior).

 

A cidade de Joinville-SC não acompanha essa tendência dos países de baixa e média renda. Num intervalo de dez anos (1995-2006) houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes, colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. Os indicadores demonstrados são comparáveis aos de países ricos.

 

Derrame cerebral é coisa só de gente velha.

Mito.

O problema é mais comum entre os idosos, mas acontece também entre os jovens, muitas vezes por malfomações congênitas dos vasos sanguíneos do cérebro, problemas da coagulação, doenças do coração e por consumo de sustâncias como cigarro, cocaína e crack.

 

Todo tipo de pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumenta risco de derrame cerebral entre as mulheres?

Mito.  No caso da pílula anticoncepcional, as pílulas sem hormônio estradiol podem ser vistas como seguras mesmo para as mulheres que já têm uma predisposição para eventos vasculares, como é o caso da enxaqueca com aura, enxaqueca em que a dor é precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como flashes na visão ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo. Já a reposição hormonal para alívio dos sintomas da menopausa, o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama. Há evidências também de que não há aumento do risco de derrame cerebral quando a dose do hormônio estradiol é baixa e quando usado sob a forma de adesivos na pele.

 

Medicações para controlar o colesterol diminuem o risco de derrame cerebral mesmo para quem tem o colesterol normal?

Em parte é verdade. O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas como prevenção de derrame cerebral, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.

 

A erva Ginkgo biloba ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Mito.

São mais de duas décadas de estudos clínicos com resultados que não justificam o uso do Ginkgo biloba paraprevenção de derrame cerebral ou da Doença de Alzheimer.Há estudos em que o uso da erva já foi até associado a um maior risco de derrame cerebral.

 

Ter uma visão otimista da vida protege-nos do derrame cerebral.

Verdade. Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos, como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo.

 

Comer peixe ajuda a prevenir o derrame cerebral.

Verdade. Consumo de peixe reduz sim o risco de derrame cerebral. O importante é que esse efeito protetor deixa de existir quando o peixe é frito.

 

O consumo de café faz mal à saúde e pode até aumentar o risco de derrame cerebral?

Mito. O consumo de café está associado a menores índices de mortalidade, especialmente pela redução de infarto do coração e derrame cerebral. Quatro a cinco xícaras por dia traz mais benefícios que consumos menores. 

 

Comer frutas e verduras todos os dias reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. O hábito de comer cinco porções de frutas e verduras por dia traz benefícios inequívocos à saúde dos vasos sanguíneos, com redução expressiva dos riscos de infarto do coração e derrame cerebral. Essa é a atual recomendação da Associação Americana do Coração.

 

Uma dose de álcool por dia reduz o risco de derrame cerebral.

Verdade. Nos últimos anos, uma série de estudos tem demonstrado que o consumo moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Isso significa que quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que aqueles que não bebem. Entretanto, o consumo exagerado traz mais risco. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. As pesquisas ainda apontam que esse efeito protetor do consumo diário e moderado deixa de existir quando a pessoa exagera na dose mesmo que seja por apenas um dia no mês.

 

Mesmo com essas evidências, não é recomendável que indivíduos que não bebem comecem a beber. Entretanto, entre aqueles que já têm o hábito de beber, estes devem beber moderadamente e de preferência vinho tinto.

 

 

Praticar exercícios físicos e manter o peso em dia são atitudes que nos protegem das doenças do coração, mas não do derrame cerebral.

Mito.

Atividade física regular associada ao hábito de não fumar e uma dieta inteligente é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral. Não é pouca coisa não.

 

 

 

 

No ano de 2004, o antiinflamatório Vioxx® foi retirado do mercado por aumentar o risco de eventos vasculares como infarto do coração e derrame cerebral. Desde então, ficou a pergunta no ar: será que os outros anti-inflamatórios são mais seguros? Uma análise recém-publicada pelo periódico British Medical Journal nos ajuda a responder parcialmente a esta pergunta.

 

Pesquisadores suíços analisaram 31 estudos que apontam o nível de segurança do uso crônico dessas medicações, o que incluiu mais de 116 mil pacientes. As medicações estudadas foram o Naproxeno (Naprozyn®), Flanax®), Ibuprofeno (Dalsy®, Alivium®), Diclofenaco (Volataren®, Cataflam®), Celecoxibe (Cellebra®), Etoricoxibe (Arcoxia®), Rofecoxibe (Vioxx®), Lumiracoxibe (Prexige®). O Prexige® também foi retirado do mercado brasileiro em 2008, ação desencadeada por notificações hepáticas graves pela agência reguladora da Austrália.

 

Os resultados da atual pesquisa demonstraram que a freqüência de eventos adversos com o uso crônico dessas medicações é pequena, mas mesmo assim, quando comparado ao placebo, o risco de um ataque cardíaco é duas vezes maior no caso do Vioxx® e do Prexige®, quando comparado ao placebo. O Dalsy® / Alivium® foram os que apresentaram maior risco de derrame cerebral, enquanto o Arcoxia® e o Voltaren®/Diclofenaco® foram os que tinham maior associação com mortalidade por doença do coração: risco quatro vezes maior. O Naproxeno (Naprozyn®, Flanax®) foi o anti-inflamatório que se mostrou mais seguro do ponto de vista cardiovascular. Vale lembrar que muitas dessas medicações costumam provocar efeitos como sensação de queimação no estômago, e a prescrição associada de um protetor gástrico pode ser uma boa medida.  

 

 

 

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