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Além de aumentar o risco de inúmeras doenças como o câncer e doenças cardiovasculares, sabemos também que a obesidade influencia negativamente o pleno funcionamento de nossas funções cerebrais.
A capacidade do indivíduo em reconhecer que está acima do peso pode ter grande influência no controle da epidemia de obesidade do mundo moderno, e são vários os fatores envolvidos nessa auto-percepção de obesidade, incluindo os aspectos socioculturais.
Uma interessante pesquisa conduzida na Inglaterra e publicada no British Medical Journal esta semana revela que o número de ingleses que podem ser categorizados como obesos dobrou nos últimos 10 anos – de 11% em 1999, para 19% em 2007. Entretanto, em 1999, 43% da população podia ser classificada como acima do peso e 81% dessas pessoas reconhecia corretamente que estava acima do peso. Já em 2007, 53% da população podia ser classificada como acima do peso, e 75% reconhecia corretamente que estava acima do peso.
Uma das hipóteses mais fortes para explicar essa menor capacidade dos ingleses em se perceberem acima do peso é que o aumento da prevalência da obesidade faz com que as pessoas comparem-se a si mesmas com outras com graus de obesidade mais avançados. Isso faria com que pessoas com graus de sobrepeso leve ou moderado se sentissem em dia com a balança.
E de que adiantam campanhas educativas para redução da obesidade, se as pessoas com sobrepeso acham que o problema não é com elas. Uma das saídas é educar e incentivar a sociedade como um todo a adotar hábitos de vida saudáveis. Tirar o foco sobre os obesos poderia ajudar também a reduzir o estigma associado à condição.
O combate à obesidade é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea e ainda há muita discussão sobre qual é o melhor tipo de dieta. Uma importante limitação que impede que possamos ser categóricos em dizer que um tipo de dieta é melhor do que outra é a falta de estudos comparativos a longo prazo. Um estudo publicado hoje pela prestigiada revista New England Journal of Medicine ajuda a preencher essa lacuna.
Durante dois anos, mais de 300 indivíduos obesos foram acompanhados após iniciarem um desses três tipos de dietas:
· Dieta pobre em gordura e com restrição de calorias
Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.
Gorduras: 30% das calorias
Gorduras saturadas: 10% das calorias
· Dieta Mediterrânea com restrição de calorias
Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.
Gorduras: < 35% das calorias
Azeite e nozes diários, muitas frutas e vegetais, grãos integrais e baixo consumo de carnes vermelhas.
· Dieta pobre em carboidratos sem restrição de calorias
Baseada na dieta Atkins: < 120g de carboidratos por dia (< 20g nos 1os dois meses)
Preferência a gordura de origem vegetal
A média de perda de peso para cada grupo ao final do estudo foi:
· Dieta pobre em gordura: 3.3 Kg
· Dieta mediterrânea: 4.6 Kg
· Dieta pobre em carboidratos: 5.5 Kg
Outras duas importantes diferenças entre as dietas foram demonstradas. A dieta pobre em carboidratos foi a que mais favoreceu o controle dos níveis de colesterol. Entre pacientes diabéticos, a dieta mediterrânea foi a que mais ofereceu o controle dos níveis de glicose.
Os resultados indicam que tanto a dieta pobre em carboidratos como a dieta mediterrânea podem ser alternativas eficazes à dieta pobre em gordura. Preferências pessoais devem ser levadas em conta. Uma dieta pobre em carboidratos mas sem restrição calórica seria uma boa opção a indivíduos que não tolerariam uma dieta com restrição calórica. A escolha da dieta também pode ser direcionada pelo perfil metabólico do indivíduo, sendo a dieta mediterrânea potencialmente mais interessante para aqueles com diabetes, enquanto a dieta pobre em carboidratos pode ser a melhor opção para aqueles com alteração dos níveis de colesterol.
A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose, principal causa das doenças que mais matam ao redor do mundo: o infarto do coração e o derrame cerebral. A aterosclerose pode estar associada a depósitos de cálcio, situação que hoje em dia podemos detectar nos vasos do coração através de uma fotografia, a tomografia computadorizada das artérias coronárias. Indivíduos com maiores depósitos de cálcio apresentam maior risco de desenvolver eventos vasculares: infarto do coração e derrame cerebral. Reconhecemos um indivíduo como hipertenso quando sua pressão sistólica é > 140 mm Hg ou quando sua pressão diastólica é > 90 mm Hg. Indivíduos com pressão sistólica entre 120 e 129 mm Hg ou pressão diastólica entre 80 e 89 mm Hg são classificados como PRÉ-HIPERTENSOS, e os efeitos a longo prazo dessa condição são menos conhecidos do que no caso da hipertensão arterial.
A edição de hoje da revista Annals of Internal Medicine publicou um estudo muito importante que demonstra que adultos jovens PRÉ-HIPERTENSOS (<35 anos) apresentarão mais calcificação nas artérias coronárias 20 anos depois. Os resultados sugerem que adultos jovens PRÉ-HIPERTENSOS devem aumentar os esforços para manter a pressão arterial sistólica em níveis menores que 120 mmHg. Isso não significa sair tomando remédios de um dia para o outro, pois mudanças no estilo de vida como realização de atividade física diária, controle da dieta e redução do estresse podem ser suficientes para o controle da pressão arterial nesses casos.
Hoje em dia ligamos o rádio ou a TV e ouvimos especialistas em marketing nos ensinando sobre como o Neuromarketing pode ser uma valiosa ferramenta para o sucesso das empresas. Nesse caso, a idéia é de que algumas estratégias de comunicação podem ser mais eficazes no processo de “pescar os cérebros dos consumidores” com base em sérios, porém poucos, experimentos neuropsicológicos e de imagem cerebral. Grandes empresas já começam a pedir assessoria de neurocientistas para compor o time que pensa as estratégias de marketing. Paralelamente ao crescimento do volume de conhecimento nessa área, podemos observar um crescimento muito mais veloz no número de consultores de marketing que parecem às vezes já deterem o segredo do “centro cerebral de compras”.
Profissionais da saúde que trabalham com a mente e o cérebro já vendem programas de estimulação e exercícios para o cérebro chamados de Neuróbica, Neurofitness. Temos evidências científicas sérias sobre efeitos de programas de exercícios cognitivos através de “ginásticas cerebrais padronizadas”’, especialmente entre idosos. Queixas de memória são muito freqüentes entre adultos jovens e na maioria das vezes essas queixas são só a ponta do iceberg do estresse no dia-a-dia, quadros de ansiedade e depressão ou outras doenças. Buscar “consertar a vida”, dando mais chance ao lazer, à atividade física e ao bom sono, reduzindo o estresse e tratando o corpo e a mente quando preciso, provavelmente deixe o cérebro muito mais “sarado” do que cursos de criatividade, de memorização ou de como usar melhor os dois lados do cérebro.
Temos vivenciado discussões sobre a Neuroestética, uma forma de explicar a experiência estética através das neurociências. Alguns estudos têm demonstrado que a obra de um certo pintor ativa mais certas regiões do cérebro enquanto a obra de outro pintor ativa outras regiões. Outros nos mostram que a obra de um poeta estimula certas áreas do cérebro por conter um tipo específico de fórmula sintática. Não precisamos nos esforçar muito para defender a idéia de que a arte está longe de ser um fenômeno meramente estético, em que padrões de tipo A e tipo B estimulam áreas X e Y do cérebro. A apreciação da arte envolve não só a experiência sensorial, como também a experiência de vida de quem a aprecia, o contexto histórico da obra, etc. Chega a ser uma provocação patética tentar explicar o virtuosismo de um bailarino através do seu padrão de ativação neuromuscular.
E por aí vai. A cada dia somos surpreendidos com os mais originais e às vezes duvidosos “neuros”: neurofilosofia, neurocomunicação, neurofuturo, neuroética, neuronutrição, neuro-psicanálise, programação neurolinguística, neuroeconomia, etc. A impressão é que o prefixo neuro é muitas vezes usado para dar um ar de credibilidade e legitimidade científica ajudando a vender idéias que ainda estão saindo do ovo ou que não passam de meras neuroespeculações e neuroextrapolações.
É senso comum que para a promoção de um desenvolvimento sexual saudável durante a adolescência a participação ativa dos pais é muito valorosa. Estudos recentes têm revelado que filhos que discutem com seus pais a questão da sexualidade tendem a iniciar a vida sexual mais tardiamente, usam métodos contraceptivos com maior freqüência e tem menos parceiros sexuais. Os pais, sem dúvida alguma, são grandes protagonistas para o sucesso do desenvolvimento sexual dos filhos. Infelizmente, muitos pais pouco se comunicam com os filhos sobre o tema e tratam o assunto com desconforto e insegurança. Programas que promovam uma melhor comunicação entre pais e filhos podem ser extremamente valorosos, mas muitos desses programas não vão muito para frente devido às dificuldades de disponibilidade de tempo por parte dos pais. E se a montanha não vai até Maomé, que tal se Maomé for até à montanha.
A edição de hoje do British Medical Journal nos traz a experiência do programa PAIS QUE CONVERSAM, ADOLESCENTES SAUDÁVEIS liderado por Mark Schuster do Children´s Hospital de Boston – EUA. O programa foi desenvolvido para aumentar a competência dos pais em conversar com seus filhos sobre sexualidade. A inovação é que nesse programa os filhos vão até o trabalho de seus pais na hora do almoço. São oito encontros em grupos de cerca de 15 famílias, uma vez por semana com duração de uma hora onde pais e filhos participam de trabalhos em que treinam a capacidade de prestar atenção ao outro (escuta ativa), fazem uso de jogos, vídeos, realizam discussões e levam tarefas para casa (pais e filhos juntos), tudo focado para incrementar a capacidade de comunicação entre pais e filhos sobre o tema sexualidade.
Mais de 500 famílias com adolescentes em idades entre 11 e 16 anos participaram do estudo. Após o programa de oito semanas, os adolescentes e pais eram interrogados através de questionário sobre sobre comunicação de questões relacionadas à sexualidade. Quando comparados ao grupo controle, o grupo que participou do programa evidenciou que os pais mais freqüentemente deram instruções aos filhos de como usar o preservativo, conversaram mais sobre tópicos associados à sexualidade, e tanto pais como filhos, evidenciaram uma maior competência em discutir sobre o assunto. Esses resultados foram consistentes mesmo após nove meses de seguimento, e em alguns fatores pesquisados, os resultados melhoraram ainda mais com o passar do tempo.
O objetivo do estudo era de medir o impacto do programa sobre questões relacionadas à sexualidade. Poucos devem duvidar que os benefícios tendem a se estender a diversas outras dimensões da vida dos adolescentes.
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Algumas doenças podem ter um efeito devastador na vida de um paciente e suas famílias, especialmente no caso do câncer e de doenças degenerativas e progressivas como a Doença de Alzheimer. Perguntas comuns nessas situações como Por que comigo?, Por que logo com meu filho?, Por que isso tudo? nos dão uma pista de que além dos cuidados físicos e emocionais, uma janela preciosa na relação entre a equipe de saúde e o paciente e seus familiares pode estar se abrindo: a dimensão espiritual.
Estudos revelam que mais de 90% dos médicos acreditam que as crenças espirituais dos pacientes devem ser consideradas. Entretanto, apenas 30% dos médicos acreditam que essas crenças devam efetivamente ser abordadas, e só 10% adotam essa prática, mesmo entre pacientes terminais. Por outro lado, sabemos também serem bastante ruins os indicadores que medem a satisfação de pacientes quanto ao cuidado dispensado pela equipe de saúde aos seus aspectos emocionais e espirituais, evidenciando uma fraqueza dos serviços de saúde que precisa ser trabalhada.
Já temos um razoável corpo de evidências que indivíduos com uma maior vivência religiosa / espiritual têm uma melhor relação com a doença: maior cooperação no tratamento, maior capacidade de lidar com o estresse emocional, melhora mais rápida de sintomas depressivos. Além disso, o envolvimento com uma comunidade religiosa está associado a uma maior rede social, e há tempos sabemos que pessoas socialmente integradas têm menos chance de adoecer, e quando doentes, a rede social é uma das principais fontes de apoio. Entretanto, as crenças religiosas nem sempre estão a favor da saúde do paciente, já que podem em alguns casos dificultar a aderência ao tratamento com idéias do tipo: esse é o desejo de Deus; Deus me abandonou; esse é o meu destino; esse é o meu castigo; etc. Em situações como essas, é importante que a equipe de saúde esteja minimamente preparada para abordar as dimensões religiosas / espirituais do paciente com a intenção de aumentar a aderência e sucesso do tratamento, além de poder contribuir para um maior senso de controle e significado do problema. Tal abordagem pode ainda identificar crenças que podem ser relevantes em determinadas decisões médicas.
Alguns podem pensar que uma conversa dessa natureza pode ser percebida pelo doente como uma intromissão na sua intimidade. Claro que se no início dessa conversa o paciente já demonstra que religiosidade / espiritualidade são dimensões que não são questões importantes na sua vida, então a conversa já deve parar por aí. Ninguém deve também “prescrever” religião aos pacientes, convencê-los que um tipo de crença ou prática seja interessante ou entrar em polêmicos embates sobre religião. A idéia de um melhor entendimento da religiosidade / espiritualidade dos pacientes também não tem como objetivo o médico ou outro profissional de saúde ficar dando conselhos espirituais ao paciente.
Enquanto percebemos uma medicina cada vez mais comercial, em que os pacientes passam mais tempo nas máquinas de exames do que com o médico, há espaço sobrando para a discussão e aprofundamento de questões associadas às questões religiosas / espirituais dos doentes, e isso já está começando a tomar forma. Cresce o investimento em pesquisas que analisam o impacto da inserção de aspectos espirituais na relação médico-paciente, inclusão do assunto no currículo de graduação médica, e bem recentemente, a Comissão de Acreditação de Organizações de Saúde nos Estados Unidos incluiu em seu manual de acreditação para hospitais a recomendação de que os profissionais de saúde abordem sim os valores espirituais dos pacientes. Talvez a busca por “medalhas de qualidade” impulsione a tão esperada reumanização da saúde.
Já existem no mercado diferentes medicações que têm o poder de melhorar o desempenho de memória e concentração, e os médicos costumam prescrevê-las a pacientes com disfunções neuropsiquiátricas. Entretanto, nos últimos tempos podemos perceber que a prescrição dessas medicações tem sido estendida a outras situações, como é o caso de indivíduos que trabalham em turnos noturnos, militares, e até mesmo a pessoas que simplesmente querem “turbinar” o cérebro para o trabalho, com a intenção de melhorar a atenção e a memória.
Onde é que vamos chegar com isso? Além dos prós e contras dessas medicações sobre nossa saúde a longo prazo, certamente há uma grande questão ética a ser discutida. Tais medicações têm sido cada vez mais usadas em todo o mundo, cada vez em idades mais precoces. Uma recente pesquisa realizada pela revista britânica Nature envolvendo 1400 leitores (cientistas e estudantes) de 60 diferentes países revelou que 20% das pessoas que responderam à pesquisa já tinham usado medicações com a intenção de melhorar o desempenho cerebral por razões não médicas, 25% desses com consumo diário. O uso não foi diferente entre as diversas faixas etárias, sendo que 50% das pessoas queixaram-se de efeitos colaterais e um terço das pessoas adquiriam as medicações pela internet, sem necessidade de receia médica. Para se ter idéia da complexidade da discussão, vejam o que um cientista americano de 66 anos de idade respondeu à pesquisa: “Como cientista, é minha missão usar todas as ferramentas ao meu alcance para o benefício da humanidade. Se essas drogas podem contribuir para esse fim, então é minha tarefa usá-las. “
No consultório de neurologia, freqüentemente atendo jovens querendo uma medicação para esse fim. Recentemente uma paciente que fazia curso preparatório para concurso público disse que o próprio professor, um juiz federal, a orientou a procurar um neurologista com o seguinte apelo: “já existem medicações que podem melhorar seu desempenho”. Posições radicais como “Oh que horror!” não costumam colaborar muito. É hora sim de aprofundarmos essa discussão com a participação de diversas áreas do conhecimento.
Já existem medicações que permitem que o indivíduo fique até três dias sem dormir e “disposto”, e pouco conhecemos sobre seus efeitos a médio e longo prazo. Será que chegaremos ao ponto de criar políticas anti-doping no caso de concursos públicos? Chegaremos a viver numa sociedade que não relaxa e não dorme, já que as vantagens evolutivas da nossa tão falada sociedade da informação são muito mais cerebrais do que musculares e sexuais? Será que os pais ao verem inúmeros colegas de seus filhos usando medicações para o vestibular vão deixar de usar tais hipotéticas armas de competição? É difícil alguém se imaginar cometendo um neuro-doping ao consumir 10 xícaras de café por dia nos meses que antecedem um concurso. Com pílulas deveria ser diferente? Será que essas pílulas poderiam nos oferecer mais do que uns cafezinhos durante o dia? Um indivíduo nascido rico e com boa nutrição no seu desenvolvimento tem inequívocas vantagens competitivas do ponto de vista cerebral quando comparado a outro que passou a infância desnutrido. “Medicações espertas” podem um dia contribuir para reduzir as conseqüências das desigualdades sociais?
A ciência tem muito que investir na avaliação do custo-benefício dessas drogas neuromoduladoras em indivíduos sem queixas ou diagnósticos neuropsiquiátricos. Já existem estudos sendo conduzidos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, buscando saber se o uso de antidepressivos usados por indivíduos saudáveis não poderiam deixá-los mais saudáveis ainda. Ainda sabemos pouco. E quem disse que as pílulas têm mais poder de provocar alto desempenho cerebral do que uma vida saudável com tudo aquilo que sabemos que faz bem ao cérebro: educação, alimentação e sono adequados, atividade física, equilíbrio emocional, etc. Minha aposta é que as pílulas não ganham a disputa.
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Ler também: Evolui a polêmica sobre o uso de medicações para turbinar o cérebro
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A indicação de testes cardiológicos preventivos para jovens atletas é um tema controverso. Na Europa o atleta é obrigado a ser submetido a uma bateria de testes cardiológicos para poder participar de uma competição oficial. Na Itália já foi demonstrado que esse cuidado reduziu a incidência de mortes súbitas em competições. Por outro lado, a American Heart Society ainda não reconhece que tais testes oferecem benefícios aos jovens atletas.
Um importante estudo foi publicado hoje pelo British Medical Journal revelando resultados do programa italiano de check-up a atletas que incluiu mais 30 mil atletas durante cinco anos e com uma média de idade de 30 anos. O eletrocardiograma de repouso revelou anormalidades em 6% dos participantes, sendo que cerca de 80% destas anormalidades foram classificadas como irrelevantes do ponto de vista clínico. Em 5% dos participantes, o eletrocardiograma de esforço foi anormal. Um dos achados mais importantes foi que mais de 1200 atletas com eletrocardiograma normal no repouso apresentaram o exame anormal ao esforço físico. Após a bateria de exames, 0.6% dos participantes foram classificados como desqualificados ao esporte competitivo. Entre esses atletas “desqualificados” após o check-up, 80% apresentaram alterações cardíacas apenas ao teste de esforço. Os atletas com mais de 30 anos de idade foram os que tiveram mais risco de apresentar alterações cardíacas.
Do ponto de vista psicológico, clima frio é aquele nos provoca a sensação de frio ou até mesmo desconforto. Do ponto de vista fisiológico, clima frio é aquele que altera nosso sistema de regulação de temperatura. Podemos dizer que esse nosso termostato funciona em “marcha lenta” em ambientes com temperaturas de 25-27oC, não disparando reações de aumento do metabolismo no caso do frio ou de transpiração no caso do calor. A inteligência maior dessa regulação encontra-se em um centro profundo do cérebro, o hipotálamo, e é ele que comanda nossas reações de suor, calafrios e constrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos em resposta à temperatura ambiente.
Será que realmente funcionamos em outro ritmo em dias mais frios?
A adaptação do nosso corpo ao frio envolve mecanismos neurológicos, que influenciam nosso sistema endocrinológico e vascular, mas é claro que também envolve mecanismos comportamentais, como tirar do armário aquele cobertor que só usamos algumas vezes no ano.
Vários fatores determinam a regulação do frio em um determinado indivíduo: idade, sexo, preparo físico, quantidade de gordura corporal. Até mesmo o tipo de personalidade do indivíduo pode influenciar: extrovertidos reagem mais ao desconforto do frio com maior aumento da pressão arterial e secreção de noradrenalina. Doenças sistêmicas e medicações também podem afetar a resposta individual ao frio.
Do ponto de vista de desempenho físico, o frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos. Já em exercícios estáticos (isométricos), o frio não influencia tanto, e ao contrário, pode até aumentar a resistência muscular. Um recente estudo revelou associação entre o frio e a capacidade de equilíbrio, possivelmente por reduzir a eficiência de nossas “antenas” que regulam nosso balanço. E o nosso cérebro?
Sabemos que tanto o frio como o calor exagerados podem influenciar negativamente nossas habilidades mentais, e um balanço geral dos estudos existentes sugere que o frio tende a atrapalhar mais. Entretanto, alguns estudos também nos mostram que o frio leve/moderado pode melhorar nosso desempenho intelectual.
Duas principais teorias explicam o efeito do frio sobre nossas habilidades cognitivas. A primeira é do “efeito distração” que o desconforto associado ao frio pode causar, ao desviar nossa atenção da tarefa que estamos efetuando. A outra teoria defende a idéia de que o frio leve / moderado deixa-nos mais acordados, e o maior estado de vigília permite um melhor desempenho do nosso cérebro. Evidências neurofisiológicas apóiam essa hipótese, ao mostrar que a atividade elétrica cerebral no frio leve/moderado é mais “esperta”.
O frio pode reduzir nosso nível de vigília, nossa concentração e memória de curto prazo, entre outras funções cognitivas, especialmente.em temperaturas abaixo de 10º C. No caso de hipotermia, ou seja, em situações de frio extremo em que a temperatura corporal chega a níveis inferiores a 35º C, pode-se observar sintomas de confusão mental e redução da vigília. O efeito do inverno sobre nosso comportamento também pode ter uma parcela de contribuição do fator luminosidade. Em países muito ao sul ou muito ao norte, o inverno vem acompanhado de pouca luz por conta de dias muito curtos, fenômeno que é bem reconhecido como fator que aumenta a freqüência de sintomas depresivos nessa estação. E depressão é igual a cérebro menos eficiente. Há evidências também que as concentrações dos hormônios da tiróide estão reduzidas em invernos rigorosos. E hormônios da tiróide são combustíveis importantes para o cérebro.
Até o momento, a melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com boa performance é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio. No ambiente de trabalho, o ar condicionado simulando uma câmara frigorífica pode ser um fator de distração. Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado. Um cafezinho vai muito bem também.
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No Brasil, e em vários outros países do mundo, o café é a segunda bebida mais consumida de todas, só perdendo para a água. Infelizmente, muitas pessoas bebem café com uma certa desconfiança, com dúvidas se ele faz bem ou mal à saúde. E não é à toa. Nas últimas décadas uma série de pesquisas evidenciou resultados conflitantes, especialmente no que diz respeito à nossa saúde vascular, dificultando conclusões seguras quanto aos reais benefícios do consumo de café. Felizmente, nos últimos anos parece que a ciência está encontrando a ponta desse novelo de lã, e os benefícios demonstrados até então estão ganhando de goleada dos potencias malefícios. Afinal, café faz bem à saúde?
Clique aqui e confira o artigo na íntegra.
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O Governo Federal sancionou nessa última semana a Lei de Tolerância Zero contra o álcool. A partir de agora o motorista que for surpreendido com qualquer nível de álcool pelo bafômetro será multado em R$ 957,00 e perderá o direito de dirigir por um ano. A mídia tem divulgado que o rigor não será total no começo, pois o Contran ainda precisa definir uma pequena margem de tolerância para não cometer injustiças com condutores que apresentem uma pequena presença de álcool no sangue devido a alguma medicação ou um bombom de licor. Até que essa margem seja regulamentada, tem sido divulgado que o índice tolerado será de 0,2 grama por litro de sangue, mas é melhor não confiar. O antigo limite de 0,6 grama por litro agora serve para definir quem vai preso ou não, e desde o início da vigoração da nova lei, várias pessoas já foram presas. E qual é o equivalente desses números em quantidade de bebida?
A concentração de álcool no sangue, ou alcoolemia, é expressa em gramas de álcool por litro de sangue. Quando alguém tem uma alcoolemia de 0,5g/l, equivale a dizer que existe 0,5g de etanol ou álcool puro por cada litro de sangue.
O vinho que tem concentração de álcool em torno de 12% tem em cada litro 120 ml de álcool, em cada litro de cerveja temos cerca de 60 ml de álcool e em cada litro de aguardente temos uns 400 ml de álcool. Podemos converter qualquer volume de álcool em gramas seguindo a seguinte regra: cada mililitro de álcool tem 0.8g de álcool puro.
Exemplo prático:
Uma taça de vinho de 250ml (taça caprichada…um terço de uma garrafa) contém 30ml de álcool ou 24g de álcool. Para calcular os níveis de álcool no sangue devemos levar em consideração o peso e sexo do indivíduo e se a bebida foi consumida junto à refeição.
Fórmula de cálculo de álcool no sangue:
Gramas de álcool consumidos / Peso Corporal X Coeficiente*
*Coeficiente
– 0.7 em homens
– 0.6 em mulheres
– 1.1 se o álcool foi consumido nas refeições
Então, a taça de vinho com 24g de álcool consumida no almoço por um homem de 80 kg provocará uma concentração de álcool no sangue de 0.27g/l (24g / 80kg X 1.1 = 0.27). Dá para entender que para chegar na alcoolemia de 0.6g/l, que pode levar o indivíduo pra cadeia, não é necessário beber uma garrafa de aguardente.
E quanto tempo o organismo precisa para eliminar esse álcool do sangue? O organismo elimina aproximadamente 0,10 g/l de álcool por hora. No caso da taça de vinho do exemplo acima, o organismo precisa de duas a três horas para eliminar totalmente o álcool.
Domingão, almoço em família, uma boa taça de vinho, uma soneca. Mesmo acordando muito bem disposto, só devemos voltar ao volante três horas depois do vinho para não termos problemas com o bafômetro. Se bebermos duas dessas taças, o bafômetro só nos perdoaria após cinco a seis horas.
** Devemos apoiar o Programa Tolerância Zero ? Certamente que sim. Porém, já estamos vendo pessoas sendo presas e o governo ensinando muito pouco sobre as novas regras. Ontem o Correio Braziliense não falou nada sobre o assunto, o Fantástico muito menos, não vi nenhuma inserção de ministro ou presidente em horário nobre de TV. Ao entrar no site da Secretaria Nacional Antidrogas, Presidência da República, só temos informação que existe uma nova regra. A lei não está lá.
CLIQUE AQUI e veja entrevista sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira no DF TV – Rede Globo
Neste mês, duas importantes pesquisas incrementaram ainda mais o atual conhecimento de que o café é muito mais um aliado de nossa saúde do que um inimigo. Ontem um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine confirmou resultados anteriores de que o consumo de café está associado a uma menor mortalidade ao longo dos anos independente da sua causa. Mais de 120 mil americanos foram acompanhados por um período de 18 a 24 anos com questionários periódicos sobre o consumo de café. Demonstrou-se que o grupo de indivíduos com consumo maior que quatro a cinco xícaras por dia foi mais beneficiado do que os grupos com menor consumo. Esse efeito também foi demonstrado no caso do consumo de café descafeinado, sugerindo que a cafeína não é a estrela maior do café nesse caso. Além disso, a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares foi a mais expressiva, incluindo aí tanto o infarto do miocárdio como o derrame cerebral. Não houve associação entre o consumo de café e o aumento e mortalidade por câncer.
A revista Stroke (American Heart Association) por sua vez publicou um estudo conduzido na Finlândia que mostrou que o risco de derrame cerebral entre homens fumantes é menor naqueles que consumiam bastante café. O grupo que consumia mais de oito xícaras por dia apresentou uma chance 23% menor de apresentar um derrame cerebral isquêmico quando comparado ao grupo com consumo menor que duas xícaras por dia. Nesse estudo, o consumo de mais de duas xícaras de chá por dia também foi associado a uma menor chance de derrame.
No placar Benefícios X Malefícios do Café, o time Malefícios a cada dia tem mais dificuldade em marcar gols. O frio está chegando e podemos tomar uns quentinhos sem medo e sem culpa.
*Obs: mulheres grávidas devem evitar o consumo de café cafeinado, especialmente em doses de cafeína > 200mg por dia (duas xícaras de 150 ml), pois pode aumentar o risco de aborto.
Clique aqui para uma boa revisão dos benefícios do café à nossa saúde.
O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.
Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Européia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A idéia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.
Ontem a revista The Lancet publicou importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.
Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.
Clique aqui e entenda como cuidar bem dos seus vasos.
Um estudo publicado ontem pelo British Medical Journal revela que na Inglaterra, uma em cada dez pessoas usa piercing em outros locais do corpo que não o lóbulo da orelha. O estudo também mostrou que um quarto dos usuários já apresentou complicações tais como infecção e sangramento e um em cada cem já teve que ser hospitalizado por complicações. O uso entre as mulheres é três vezes maior que entre os homens, chegando a 46% daquelas com idade entre 16 e 24 anos. Os locais mais freqüentes foram: umbigo (33%), nariz (19%), orelha (13%), língua (9%), mamilo (9%), supercílio (8%), lábio (4%) e genitália (2%). O piercing no mamilo foi o mais popular entre os homens e o menos popular entre as mulheres. O piercing genital foi duas vezes mais comum entre os homens. O campeão de complicações foi o piercing de língua. Cerca de 10% dos piercings foram aplicados pela própria pessoa ou por amigos e parentes não especializados, e complicações foram mais freqüentes quando aplicados por não especialistas. E essa é a principal conclusão do estudo: complicações são comuns e se tiver que fazer, faça com um especialista de verdade.
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Já é bem reconhecido que o tabagismo é um fator de risco para demência, especialmente por aumentar o risco de doença cerebrovascular (derrames cerebrais). Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e demonstrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo. Cada um é cada um, né ?
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Com o objetivo de perpetuação da espécie, é bem compreensível que nosso cérebro tenha se desenvolvido para ser recompensado com tempestades neuroquímicas de prazer ao experimentarmos atração sexual por outra pessoa. Hoje em dia já sabemos que o amor romântico e a parceria estável também trazem grandes recompensas ao cérebro e fazem bastante sentido do ponto de vista evolutivo.
Clique aqui e leia o artigo na íntegra.
Clique aqui e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio CBN com o DR. Ricardo Teixeira
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Conversei recentemente com uma moça que se submeteu a um tratamento de 40 sessões de soro pela veia com alguns ” oligoelementos” com a intenção de reduzir as toxinas do corpo e rejuvenescer. De acordo com ela o terapeuta usa a metáfora de que o tratamento funciona como um detergente para limpar seu corpo. Quarenta sessões a 150 reais cada, com duração de cerca de 30-40 minutos fora o tempo de espera, pois a clínica é sempre cheia. Depois dessas sessões, ainda deveria dar continuidade com soros de manutenção.
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A proposta deste post não é o de emitir opiniões, mas somente o de divulgar os trechos mais relevantes da Resolução de 1998 do Conselho Federal de Medicina sobre a Prática Ortomolecular e do recente parecer emitido em abril de 2008 pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná sobre o assunto.
RESOLUÇÃO CFM 1.500/98
Art. 13. São métodos destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente e, por essa razão proibidos de divulgação e uso no exercício da Medicina os procedimentos de prática Ortomolecular, diagnósticos ou terapêuticos, que empregam:
I) megadoses de vitaminas;
II) antioxidantes para melhorar o prognósticoo de pacientes com doenças agudas ou em estado crônico;
III) quaisquer terapias ditas antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;
IV) EDTA para remoção磯 de metais pesados fora do contexto das intoxicações agudas;
V) EDTA como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;
VI) análise de fios de cabelo para caracterizar desequilíbrios bioquímicos;
VII) vitaminas antioxidantes ou EDTA para genericamente “modular o estresse oxidativo”.
PARECER 1929/2008 CRM-PR
Qual a situação da Prática Ortomolecular perante o Conselho ?
Não existe registrada a especialidade de Medicina Ortomolecular, portanto esta prática não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A Resolução 1.500/1998 exposta no texto deixa claro as normativas em relação ao assunto. A Sociedade Brasileira de Medicina Ortomolecular não é filiada à Associação Médica Brasileira.
Existe alguma evidência científica da validade deste tratamento ? Analisando todo o extenso material pesquisado, em vários países, podemos afirmar sem dúvida de que não existe até o presente momento embasamento científico para a prática da Medicina Ortomolecular, nos moldes que ela é realizada atualmente.
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Alguns estudos avaliaram a longevidade de celebridades no universo do cinema e das ciências e chegaram a resultados bastante provocativos ao evidenciarem que sucesso e fama podem estar associados a uma vida mais longa ou curta dependendo do tipo de atividade do indivíduo. Os resultados dessas pesquisas provocam importantes reflexões sobre nossas escolhas como simples mortais.
Clique aqui e confira o artigo na íntegra.
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Não faltam evidências através de estudos com animais sobre efeitos deletérios da maconha sobre o cérebro: redução do volume dos neurônios e diminuição nas conexões entre eles. Em humanos alguns estudos já haviam revelado alterações morfológicas do cérebro à ressonância magnética em usuários da droga, especialmente nas regiões temporais. Entretanto, o assunto ainda gera polêmica, pois muitos dos achados encontrados até o momento podem também ser conseqüência de outros fatores associados ao uso da maconha como a presença de distúrbios psiquiátricos e o uso concomitante de outras substâncias neurotóxicas. Outra linha de pesquisa também já demonstrou que o uso crônico da maconha aumenta a resistência do sangue nos vasos cerebrais em indivíduos jovens, coisa que era para acontecer só nos idosos.
A última edição da revista Archives of General Psychiatry coloca mais um tijolinho na construção das evidências de que a maconha não é o melhor negócio do mundo para o cérebro. Dessa vez foram estudados os cérebros de homens com história de uso diário de pelo menos cinco cigarros de maconha por um período igual ou superior a dez anos, e sem história de transtornos mentais ou abuso de outras drogas.
Comparado ao grupo controle da mesma idade, os usuários de maconha apresentavam à ressonância magnética menor volume de estruturas temporais associadas à memória e às emoções, especificamente o hipocampo e a amígdala. Além disso, o grupo de usuários apresentava mais sintomas psicóticos, e menor capacidade de aprendizado.
A discussão da liberação ou não da maconha em nosso país é um assunto muito complexo e envolve múltiplas dimensões além das biológicas. É importante que a sociedade acompanhe as evidências sobre os efeitos da maconha em nossa saúde.
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