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Nos últimos 20 anos, várias medicações antidepressivas foram introduzidas no mercado, muitas delas com mecanismos de ação similares e composições químicas muito parecidas. Algumas dessas novas drogas são até chamadas de me-too, termo pejorativo para se referir a uma medicação quimicamente similar a outra que está para perder a patente. O fato é que ainda não está bem claro quais as reais diferenças entre os diferentes tipos de antidepressivos do ponto de vista de eficácia e efeitos colaterais.
Uma pesquisa recém-publicada pela revista científica The Lancet avaliou os resultados de 117 estudos de 12 diferentes tipos de antidepressivos de nova geração (incluindo 26 mil indivíduos), o que permitiu comparar a eficácia e tolerabilidade entre eles. Medicações incluídas na análise: bupropriona, citalopram, duloxetina, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, milnacipran, mirtazapina, paroxetina, reboxetina, sertralina e venlafaxina.
Sertralina, escitalopram, mirtazapina e venlafaxina foram os antidepressivos que se mostraram mais eficazes. Dentre esses quatro, a sertralina e o escitalopram foram os mais bem aceitos pelos pacientes. Quando se analisou em conjunto o custo da medicação, sua eficácia e aceitabilidade, a sertralina ganha a disputa como a medicação de escolha para se iniciar o tratamento de um quadro de depressão moderada a grave.
O estudo deve encorajar os médicos a tentarem o uso da sertralina antes do escitalopram, já que esse último é cerca de sete vezes mais caro que a sertralina.
Desde 1999, a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças com menos de dois anos de idade devem ficar longe da TV. Mesmo assim, pesquisas apontam que em cerca de 70% dos lares as crianças nessa faixa etária costumam assistir 1 a 2 horas de TV por dia e que boa parte dos pais acredita que a TV , e especialmente os videos educativos, podem auxiliar no desenvolvimento da criança.
Um estudo recém publicado pela revista Pediatrics revela que a TV e videos não trazem nenhum tipo de benefício cognitivo às crianças de 0 a 2 anos de idade, mas também não prejudica. Quase 900 crianças foram acompanhadas e a média diária de tempo em frente à TV foi de 1.2 h. Aos 3 anos de idade, medidas de vocabulário e habilidades visuomotoras não foram influenciadas pelo hábito de assistir TV e videos. Entretanto, estudos anteriores já haviam demonstrado que a TV pode ter impacto negativo nos bebês a depender do conteúdo assistido. Conteúdos violentos antes dos 3 anos de idade dobra a chance das crianças apresentarem problemas de atenção na infância.
O estudo reforça resultados de estudos anteriores de que a TV e videos não melhoram o desempenho cognitivo dos bebês. Isso já foi testado até mesmo com os famosos videos educativos Baby Einstein, e gerou até processo da produtora Disney sobre a Universidade de Washington que conduziu o estudo. Nesse caso específico, o estudo mostrou que bebês que assistiam aos vídeos até tiveram piores scores cognitivos.
É bom lembrar que o desenvolvimento cognitivo não é a única medida para se avaliar os efeitos da TV sobre as crianças. Já existem evidências que limitar o uso da TV pelas crianças colabora para que elas tenham hábitos alimentares mais saudáveis, reduz o risco de sobrepeso e obesidade e ainda é capaz de melhorar a qualidade do sono.
O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.
A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico, e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.
O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos, e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa.
Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.
Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto, e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compra, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando…
Não é de hoje que a disputa pelo título de melhor dieta para emagrecer aquece o mercado editorial e muitos outros mercados também. Há cerca de 20 anos as dietas pobres em gorduras e ricas em carboidratos tornaram-se populares devido à crença de que as calorias originadas das gorduras engordavam mais. Dietas ricas em gordura e pobres em carboidratos foram bem divulgadas na década de 70 pelo Dr. Robert Atkins, e voltou à moda nos últimos anos. Existem ainda as dietas com alto teor de proteínas que prometem ser mais eficazes com a idéia de que as proteínas têm o poder de promover saciedade mais precocemente.
Um grande estudo recém-publicado pelo New England Journal of Medicine revela que diferentes teores de proteína, carboidrato e gordura não influenciam a capacidade da dieta em promover perda de peso. Mais de 800 adultos com sobrepeso foram acompanhados por 2 anos. Após 6 meses do início da dieta, a média de perda ponderal foi de 6Kg (7% do peso inicial). Após um ano, os voluntários voltaram a recuperar o peso perdido, e já com dois anos de dieta, a perda ponderal média foi de 4 kg, a mesma perda de peso que os tratamentos com medicação costumam promover. O nível de satisfação com a dieta, assim como a sensação de fome e saciedade, não foram diferentes entre os diferentes tipos de dieta.
O principal recado dessa pesquisa é que o teor dos macronutrientes numa dieta não é o fator determinante de sucesso para a perda de peso. A adequação da dieta às preferências pessoais e culturais talvez sejam mais determinantes para o sucesso a longo prazo. Outro ponto que merece destaque é o fato dos voluntários não terem conseguido manter o peso perdido inicialmente, e após 2 anos, continuaram com um Índice de Massa Corporal de 31-32, ou seja obesos. Isso num cenário muito acima da média do mundo real, com voluntários selecionados, com alto nível educacional e de motivação. Além disso, o programa de dieta foi conduzido por equipe altamente especializada.
Não é preciso mais estudos para concluir que a dieta sozinha não é capaz de conter a pandemia de obesidade. Uma recente experiência na França abre caminhos para estratégias mais eficazes. No ano de 2000 duas pequenas cidades francesas iniciaram um esforço comunitário para conter a obesidade em crianças em idade escolar. Todos os setores da sociedade foram envolvidos no projeto: governo local, donos de lojas e restaurantes, cientistas, médicos, professores, meios de comunicação, associações esportivas, etc. Foram construídos parques e centros esportivos com instrutores e os pais passaram a receber orientação de como alimentar os filhos. Após cinco anos de iniciado o programa, os resultados foram impressionantes. A prevalência de sobrepeso entre as crianças passou para 8.7%, comparada a uma prevalência de 17.8% nas cidades ao redor. Esse mesmo projeto está sendo estendido agora para outras 200 cidades na Europa com a seguinte chamada: Juntos, vamos prevenir a obesidade nas crianças.
Por 40 dias e 40 noites, Noé, sua mulher, três filhos e os animais embaracaram na arca enquanto o dilúvio destruía o resto do mundo. Ao chegar em terra firme, uma das primeiras coisas que Noé fez foi “tomar vinho e ficar embriagado” e os filhos precisaram protegê-lo para que ele não metesse os pés pelas mãos. O livro do Genesis marca a presença do álcool e seus riscos já nos primórdios da humanidade.
Os problemas de saúde associados ao álcool incluem a dependência química, a intoxicação aguda e o seu consumo crônico que pode provocar mais de sessenta diferenças doenças. Entretanto, uma série de estudos têm-nos mostrado que beber com moderação está associado a uma maior longevidade e é capaz de reduzir o risco de uma série de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral, Doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Os maiores candidatos para explicar esse efeito protetor do álcool são o seu efeito anti-oxidante em doses moderadas com melhora de índices de gordura no sangue e o efeito de redução da tendência de coagulação do sangue.
Então deveríamos estimular que a população beba moderadamente, ou seja, até duas doses diárias para homens e uma para mulheres? A recomendação atual da Associação Americana do Coração (American Heart Association) é a de que quem não bebe não deve começar a beber, mas para quem já tem o hábito, o médico não deve criar proibições, e sim limitar o consumo e dar preferência ao vinho, já que o vinho além do álcool contém a uva com seus nobres ingredientes à saúde (ex: resveratrol).
Um estudo recém-publicado pelo Journal of National Cancer Institute acompanhou mais de um milhão de mulheres por sete anos e demonstrou que mesmo o consumo leve a moderado de álcool está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. O consumo de álcool ainda potencializou o risco de outros tipos de câncer entre tabagistas: cavidade oral, orofaringe, laringe e esôfago. Os pesquisadores calculam que 13% dos casos desses tipos de câncer são causados pelo álcool e o risco de câncer não foi diferente entre o vinho e outros tipos de bebidas. No presente estudo, a média de consumo de álcool foi de uma dose diária (só 3% dessa população bebia mais que 3 doses diárias) e esse é o ponto que dá uma chacoalhada e amplia a análise da relação entre álcool e saúde. A conclusão mais importante do estudo é a de que não existe dose segura para o consumo de álcool.
Apesar dos efeitos protetores do álcool em doses moderadas sobre o cérebro e sistema cardiovascular, o aumento do risco de câncer anularia esses benefícios quando se pensa na saúde de forma sistêmica. Esse é um estudo tão importante que deverá mudar o discurso de boa parte dos médicos que atualmente orientam seus pacientes a tomarem um a dois cálices de vinho por dia para proteger o coração.
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A obesidade (Índice de Massa Corporal > 30) entre adultos está associada a uma menor longevidade. De fato, a obesidade e o tabagismo representam as principais doenças evitáveis que têm impacto na mortalidade do mundo ocidental. A combinação desses dois fatores na adolescência pode trazer prejuízos no futuro que ainda não foram bem determinados.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que no período da adolescência, o sobrepeso (IMC 25 – 29.9), que é um intermediário ente o peso ideal e a obesidade, a obesidade e também o tabagismo, todos são fatores associados ao aumento de mortalidade na vida adulta. A obesidade apresentou o mesmo nível de risco que o consumo de mais de 10 cigarros diários, enquanto o risco de sobrepeso teve o mesmo impacto que o consumo de 1 a 10 cigarros diários. A combinação da obesidade e do tabagismo conferiu um risco maior ainda. O estudo acompanhou quase 46 mil adolescentes do sexo masculino na Suécia por uma média de 38 anos. Nesse mesmo período, a obesidade passou a ser cinco vezes mais freqüente entre adolescentes suecos e o tabagismo duas vezes menos.
Os resultados são importantes ao indicar que a intensificação de campanhas públicas de combate ao tabagismo e obesidade na adolescência são mais que justificadas.
São inúmeros estudos evidenciando benefícios do consumo moderado de álcool. Estamos falando de menor risco de infarto do coração, de derrame cerebral, de doença de Alzheimer…
Com o câncer a coisa é diferente, especialmente o câncer de boca, faringe e laringe. Um documento publicado hoje na França pelo Instituto do Câncer faz um apelo pelo Álcool Zero, independentemente se estiver ou não dirigindo.
Leia abaixo matéria de Andrei Netto do Estadão sobre o acontecimento que ainda vai dar muito o que falar.
INCa, da França, orienta profissionais de saúde a lutar até contra a taça diária de vinho.
Andrei Netto, Correspondente de O Estado de S. Paulo 17-02-09
PARIS – O mito de que uma taça diária de vinho não faz mal à saúde caiu por terra na França. O Instituto Nacional do Câncer (INCa) publicou, nesta terça-feira, 17, em Boulogne Billancourt, nos arredores de Paris, um documento no qual orienta os profissionais de saúde do país a combater o hábito de beber diariamente, que concerne 13,7% da população. O motivo: em qualquer medida, bebidas alcoólicas podem causar câncer.
O relatório se ampara nas conclusões de três institutos internacionais de pesquisas científicas: o National Alimentation Cancer Research, o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer e o Instituto Americano para a Pesquisa sobre o Câncer. O INCa tem como função coordenar na França os estudos científicos, além de orientar equipes médicas na luta contra a doença.
Segundo o documento, o consenso acadêmico sobre os riscos provocados pelo álcool já são suficientes para que campanhas de esclarecimento da população sejam realizadas, a começar pelos próprios agentes de saúde – médicos, enfermeiros, assistentes sociais. “O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos cânceres: de boca, de faringe, de laringe, de esôfago, colo-retal, do sangue e do fígado”, afirma o texto.
O documento alerta que o porcentual de aumento do risco de desenvolvimento da doença já está estimado tendo como base cada copo de álcool consumido por dia. O risco varia entre 9% a 168%. “Em particular, o aumento do risco de cânceres de boca, de faringe e de laringe é estimado em 168% por copo de álcool consumido por dia.” O relatório descarta até mesmo a ingestão diária de pequenas doses, uma tradição no país. “O aumento do risco é significativo a partir do consumo médio de um copo por dia. O efeito depende do volume consumido, não da bebida alcoólica.”
Dominique Maraninchi, presidente do INCa, e Didier Houssin, diretor-geral de Saúde, especialistas que assinam do texto, alertam que, entre outras reações nocivas no organismo, o etanol é metabolizado em acetaldeído (etanol), molécula que pode gerar mutações no DNA, potencializando a formação de tumores. Segundo os autores, a relação entre o consumo de álcool e os cânceres de boca, de faringe, de laringe, de esôfago e colo-retal, nos homens, e do seio, nas mulheres, é julgado como “convincente”. “Em matéria de prevenção ao câncer, o consumo de álcool é desaconselhado, independente do tipo de bebida (vinho, cerveja, coquetéis).”
Na França, a recomendação tem peso de choque cultural. Desde 1960, o volume de consumo de bebidas alcoólicas vem caindo, mas o nível atual – de 12,9 litros por habitante por ano – continua um dos mais elevados do mundo. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que 20,3% dos homens e 7,3% das mulheres com idades entre 12 e 75 anos bebem todos os dias no país.
Além das orientações sobre o uso zero de álcool, o relatório do INCa prega a ingestão de frutas – no mínimo cinco por dia – e verduras – 400g por dia -, o controle do sobrepeso, a moderação do uso do sal e o consumo reduzido de carne vermelha. Cada 100g diárias de carne, afirmam os experts, eleva em 29% risco de câncer colo-retal.
Sabemos que o tabagismo reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos e é a principal causa de morte prematura evitável em boa parte dos países. O fato é que grande parte dos tabagistas assume que gostaria de parar com o vício, mas anualmente apenas 2-3% consegue vencer o desafio.
Alguns estudos já haviam testado incentivo em dinheiro para que a pessoa pare de fumar e os resultados foram inconsistentes a longo prazo, talvez devido ao fato do incentivo e o número de voluntários não terem sido robustos o suficiente. Um novo estudo recém-publicado pelo periódico New England Journal of Medicine reavaliou o efeito dessa recompensa em dinheiro, desta vez com quase 900 participantes e uma recompensa de 750 dólares caso o indivíduo conseguisse ficar sem o cigarro por seis meses. Todos os participantes receberam informação sobre programas disponíveis para auxiliá-los a largar o cigarro e só metade deles receberam a proposta de recompensa em dinheiro.
Após 9-12 meses, aqueles que receberam a recompensa em dinheiro tiveram três vezes mais sucesso em ficar sem fumar (14.7%) do que aqueles que não receberam (5%) e após 15-18 meses o sucesso também foi três vezes maior. A recompensa em dinheiro aumentou também em três vezes a procura por um programa de apoio anti-tabagista.
Os resultados dessa pesquisa provocam importantes reflexões. A primeira delas é o quanto uma empresa ou um país pode economizar com políticas como essa. O presente estudo foi realizado com empregados da multinacional General Eletric. Calcula-se que uma empresa economiza 3700 dólares por ano quando um funcionário para de fumar, especialmente por redução do absenteísmo e incidência de doenças. Pelos resultados obtidos, a empresa precisaria investir em 7 indivíduos para conseguir um caso de sucesso, e desse ponto de vista, a estratégia é promissora. Outra questão é se as operadoras de saúde poderiam começar a oferecer descontos àqueles que parassem de fumar. Uma das fortes limitações desse tipo de estratégia é que pode haver incentivo para que não fumantes comecem a fumar para receberem o benefício.
O derrame cerebral já é uma das principais causas de morte em todo o mundo e a situação deve se agravar mais ainda com o crescente envelhecimento da população. A boa notícia é que a grande maioria dos casos de derrame cerebral é causada por doenças dos vasos sanguíneos (ex: aterosclerose) que podem ser prevenidas com hábitos de vida saudáveis.
Um estudo publicado na última edição do British Medical Journal acompanhou mais de 20 mil ingleses por cerca de 11 anos e demonstrou que a combinação de quatro atitudes saudáveis é capaz de reduzir pela metade o risco de derrame cerebral: 1) não fumar; 2) atividade física regular; 3) consumo diário de frutas e verduras; 4) consumo moderado de álcool (até 14 unidades por semana).
* Uma unidade de álcool corresponde a cerca de 8g de álcool = 1 pequena taça de 80 ml de vinho = 200ml de cerveja.
O bom é que essa é a mesma receita de sucesso para a prevenção do infarto do coração e de diversos tipos de câncer, especialmente os três primeiros itens.
Pesquisadores alemães foram capazes de demonstrar em humanos aquilo que já era certo em modelos animais: uma dieta com restrição calórica é capaz de melhorar o funcionamento cerebral. Uma redução de 30% na ingesta calórica de indivíduos com média de idade de 60.5 anos por um período de três meses levou a uma melhora significativa nos testes de memória verbal, uma das funções cerebrais que os idosos mais costumam se queixar. Um recente estudo epidemiológico já havia revelado que um dos importantes fatores para a grande longevidade dos habitantes de Okinawa no Japão era o costume de restrição calórica desse povo. Tivemos agora a primeira evidência experimental em humanos de que restrição calórica é capaz de melhorar a memória em idosos.
Explicações para esse benefício da restrição calórica incluem uma melhor ação da insulina e conseqüentemente do aproveitamento da glicose pelo cérebro e redução do estado inflamatório do corpo. Essas hipóteses são concordantes com o fato de que a melhoria dos testes de memória no presente estudo foi acompanhada de redução dos níveis de insulina e de proteína C-reativa de alta sensibilidade no sangue. O estudo foi publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Clique aquí se quiser ler o artigo na íntegra (em inglês).
Algumas pessoas vivem cercadas de amigos enquanto outras vivem mais isoladas. Algumas pessoas vivem em círculos sociais bem fechados onde todo mundo conhece todo mundo, enquanto outras transitam em diversos círculos sociais onde um grupo não tem o mínimo conhecimento do outro. Há algum tempo pesquisadores têm buscado explicar essas diferenças e um novo estudo publicado recentemente pela respeitada revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences confirma o que para muitos não tem nada de surpresa: o perfil genético de um indivíduo influencia a formação de sua rede social.
Pesquisadores americanos compararam as redes sociais de mais de mil adolescentes gêmeos, idênticos e não idênticos, e demonstraram que a semelhança de popularidade entre os gêmeos idênticos foi bem maior que no caso dos gêmeos não idênticos. O termo popularidade nesse caso refletiu o número de vezes que um indivíduo foi reconhecido como amigo pelos outros, a chance desses amigos conhecerem uns aos outros, e a chance de estar no centro de uma rede social.
O sucesso da espécie humana depende de sua capacidade em fazer relações sociais e por isso a popularidade é vista como uma vantagem evolutiva. Indivíduos no centro da rede têm mais acesso à informação, e no caso dos nossos ancestrais, essa informação poderia ser, por exemplo, o local de uma nova fonte de alimento. Entender melhor como funciona as redes sociais permite-nos entender também como elas podem influenciar importantes problemas de saúde pública, área recente do conhecimento chamada de epidemiologia social. Os mesmos pesquisadores desse estudo deram importantes passos nesses últimos dois anos demonstrando que a rede social de um indivíduo tem impacto na sua oportunidade de parar de fumar, de manter-se com o peso ideal e ainda é capaz de influenciar a sua chance de se perceber feliz.
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Para quem não sabe ou esqueceu, a Dieta Mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
Recentes estudos evidenciaram que a Dieta Mediterrânea além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares também está associada à redução do risco de Doença de Alzheimer. Os mecanismos protetores da Dieta Mediterrânea sobre o cérebro vão desde a prevenção de doença vascular cerebral a efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Uma pessoa que desenvolve a Doença de Alzheimer não perde suas funções cerebrais de um dia pra o outro, e reconhece-se que o declínio pode começar até 12 anos antes do diagnóstico. Essa é uma doença progressiva, e entre o estado de normalidade e seu diagnóstico, as pessoas passam por um estágio intermediário chamado de Transtorno Cognitivo Leve. O fato é que nem todas as pessoas que apresentam Transtorno Cognitivo Leve evoluirão para a Doença de Alzheimer e a ciência tem investido muito para encontrar estratégias que sejam capazes de frear a progressão da doença. Uma pesquisa recém-publicada no Archives of Neurology revela que a Dieta Mediterrânea, além de ser capaz de reduzir o risco de desenvolver o Transtorno Cognitivo Leve, é capaz também de reduzir sua chance de evoluir para a Doença de Alzheimer.
Esse efeito protetor já havia sido demonstrado isoladamente entre diferentes componentes da Dieta Mediterrânea, como o consumo moderado de álcool, peixes e ácidos graxos insaturados. Se individualmente esses alimentos já são capazes de proteger nosso cérebro, imagine então a combinação de vários deles.
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Estudos têm demonstrado que o excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares. Uma nova pesquisa recém-publicada pelo American Journal of Epidemiology demonstrou que pessoas que trabalham até 40 horas por semana têm um desempenho cognitivo melhor do que aquelas que trabalham mais de 55 horas.
Mais de dois mil voluntários ingleses com média de idade de 51 anos foram acompanhados por cinco anos. Quanto mais horas de trabalho, piores os resultados em testes de habilidades verbais (vocabulário e fluência), assim como de funções executivas. Os resultados foram significativos mesmo quando corrigidos para diversos fatores demográficos (ex: idade, nível educacional) e marcadores de saúde (ex: doenças cardiovasculares, transtornos do sono, estresse psicológico). Isso significa que não foi possível incriminar nenhum desses fatores em específico como responsável pelos resultados.
O presente estudo confirma pesquisas anteriores e é inédito por ter seguido os trabalhadores ao longo dos anos. Se o excesso de trabalho está associado a redução do desempenho cognitivo em indivíduos na meia idade, a grande pergunta que ainda está por ser respondida é se isso representa um fator de risco significativo para demência na terceira idade.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que o fumo passivo além de aumentar o risco de morte prematura, câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares, também pode aumentar o risco de demência. Quase 5000 ingleses não fumantes e com mais de 50 anos foram acompanhados do ponto de vista de desempenho cognitivo e através de medidas de cotinina na saliva. A cotinina é um subproduto da nicotina e pode ser detectada na saliva até 25 horas após a exposição a ambientes com fumaça de cigarro. O que os pesquisadores encontraram foi que o grupo de pessoas que apresentou as maiores concentrações de cotinina na saliva também teve o pior desempenho cognitivo ao longo dos anos.
Uma das possíveis explicações para os resultados encontrados é de que o fumo passivo pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral por conta de disfunção da camada mais interna dos vasos, o endotélio, fato este já comprovado em outros estudos. Isso poderia levar a mais derrames cerebrais. Outra explicação é de que o reconhecido mal que o fumo passivo faz ao coração pode fazer com que nele sejam produzidos pequenos coágulos de sangue que poderiam escapar do coração e entupir pequenas ou grandes artérias do cérebro, causando também derrames cerebrais.
A relação entre o tabagismo e redução do desempenho cognitivo já havia sido demonstrada entre os próprios fumantes. Infelizmente, as crianças não estão livres dos problemas cerebrais causados pelo fumo passivo. Já existem evidências de que as crianças de pais que fumam têm um menor desenvolvimento cognitivo. Hoje já se reconhece que o problema não está só na fumaça dos outros, o chamado fumo de segunda mão, mas também no contato com o simples cheiro de cigarro (fumo de terceira mão). É esperado que quanto mais a sociedade estiver consciente dos diversos prejuízos à saúde causado pelo fumo passivo, maior a chance de ações políticas que proíbam de vez o fumo em locais públicos.
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Podemos entender a atividade física e a sexualidade como um círculo virtuoso, onde há influências positivas nos dois sentidos. Indivíduos sexualmente ativos preocupam-se mais em estar com o corpo em forma, podendo assim aumentar a capacidade de atrair o(a) parceiro(a). A atividade física melhora o estado de saúde como um todo e ainda tem o poder de elevar a auto-estima, ambos trazendo benefícios à sexualidade. A atividade sexual regular, por sua vez, traz inúmeros benefícios à saúde, até mesmo por ser também uma atividade física.
Os dados mais precisos sobre o consumo de energia durante uma relação sexual são de estudos que avaliam o que se chama de equivalente metabólico (MET). Calcula-se que o MET relacionado à atividade sexual seja de 2 a 3, ou seja, metabolismo 2 a 3 vezes maior que no repouso. Durante o orgasmo o MET é maior: de 3 a 4. Uma caminhada tem o MET de 2 a 3, dependendo da velocidade. Uma corrida já apresenta um MET de 6 a 7. A atividade sexual é considerada como uma atividade física muito leve, por estar associado a um MET baixo. Uma caminhada leve ou atividade sexual “habitual” queima cerca de 200 calorias em 1 hora. Não devemos pensar que a atividade sexual é o suficiente do ponto de vista de atividade física, mas é melhor do que a combinação do sedentarismo e o celibato.
Do ponto de vista neuroquímico, a atividade física promove a liberação de uma série de substâncias no cérebro como a endorfina, dopamina e os endocanabinóides, que além dos efeitos imediatos de euforia e analgesia, são capazes de promover uma modulação do funcionamento cerebral de forma mais sustentada. Isso pode resultar em maior equilíbrio mental, menos sintomas de ansiedade e depressão, tudo isso colaborando para o equilíbrio da sexualidade de um indivíduo.
Nas academias de ginástica o cérebro pode ir mais além. O “clima de paquera” de uma academia pode até mesmo servir de “aquecimento” para a atividade física. Entre os mamíferos, o cortejo com o potencial parceiro sexual provoca uma série de mudanças comportamentais, que incluem maior atenção e disposição física. Entre os humanos, sabemos que o homem é bem mais responsivo aos estímulos visuais de beleza e juventude. Já as mulheres respondem mais a estímulos que envolvam sinais de poder e riqueza. Darwin explica.
E malhar em grupos de ambos os sexos também pode ter suas vantagens. Além dos estímulos visuais, até o cheiro de suor do sexo oposto pode influenciar o estado de disposição de quem está malhando, já que pode potencializar a percepção dos feromônios, com mudanças nos níveis hormonais de quem sente o cheiro. Na maioria dos mamíferos, os níveis hormonais são influenciados por sinais químicos externos, que são os chamados feromônios. Uma das pistas de que esse sistema também atua na espécie humana é a de que a convivência entre mulheres está associada a uma sincronia de seus ciclos menstruais, fato observado também em roedores. Ainda existe muito debate se esse é um sistema relevante para a espécie humana, e recentes estudos têm confirmado que nossos níveis hormonais podem ser influenciados pelos odores das pessoas ao nosso redor. O candidato a feromônio humano mais estudado até o momento é o hormônio androstadienona presente na saliva, sêmen e suor dos homens. A androstadienona é capaz de influenciar o humor, nível de alerta, e atividade cerebral tanto nas mulheres, como entre homens com orientação homossexual. Uma recente pesquisa revelou que mulheres que cheiravam a androstadienona pura tiveram seus níveis de hormônio corticóide elevados após 15 minutos e com duração de até 60 minutos. Pode-se até hipotetizar que esse aumento nos níveis de corticóide poderia dar mais energia para o exercício físico, mas isso ainda é só especulação.
Outra vantagem da atividade física em grupo é a de que a sensação de pertencer a um “time” promove um importante fenômeno que a ciência chama de “apoio social”, que faz bem à saúde independentemente da atividade física, ao reduzir, por exemplo, o risco de doenças cardiovasculares e depressão. O isolamento social não faz bem à saúde, e os efeitos negativos começam pela química cerebral mesmo. Esse apoio social tem sido repetidamente demonstrado como uma importante estratégia de incentivo à realização de atividade física, com melhora de indicadores de saúde. É a velha história de que é mais fácil alguém ter ânimo para caminhar pela manhã se for em boa companhia.
Muitas dessas questões podem explicar em parte o grande sucesso das academias de ginástica. Talvez explique também o fôlego de maratonista dos foliões no carnaval.
Uma série de doenças do coração pode fazer com que o músculo cardíaco perca progressivamente sua força, culminando na síndrome de insuficiência cardíaca, problema grave que após 5 anos do seu diagnóstico provoca a morte de metade dos pacientes. Uma pesquisa inédita recém-publicada pelo Journal of Cardiac Failure demonstra que pacientes com insuficiência cardíaca, a maioria em suas formas leve e moderada, apresentam também uma certa insuficiência cerebral.
Pacientes com insuficiência cardíaca apresentaram pior desempenho quando comparados ao grupo controle em 14 de 19 testes aplicados, sendo que a dificuldade de memória foi o problema mais comum. Quase metade dos pacientes foi classificada como tendo desempenho cognitivo inferior à média. A principal explicação para esses achados é a de que com a falência da bomba cardíaca, o fluxo sanguíneo cerebral é reduzido e perde-se também sua capacidade de auto-regulação. Outra hipótese é a freqüente ocorrência de derrames cerebrais entre pacientes com insuficiência cardíaca. Um coração fraco aumenta a chance de formação de pequenos coágulos de sangue que podem “escapar” para as artérias cerebrais, causando um derrame cerebral. Estudos evidenciam uma prevalência de derrame cerebral de até 35% entre pacientes com insuficiência cardíaca. O estudo ainda mostrou que pacientes que tinham história de infarto do coração tiveram um desempenho cognitivo pior do que aqueles com outras causas de insuficiência cardíaca.
Talvez o mais importante recado desse estudo seja o de que uma boa parte dos pacientes com insuficiência cardíaca pode não ser mais capaz de seguir as recomendações feitas pelo médico, como é o caso de tomar corretamente diferentes medicações em seus diferentes horários. No caso de pacientes com dificuldades cognitivas, um cuidado especial na comunicação deve ser tomado, muitas vezes com a necessidade de se garantir o apoio de alguém que possa auxiliá-lo no seguimento do tratamento.
Há algum tempo, a decisão de tratar a enxaqueca era fundamentada basicamente pelo critério Qualidade de Vida. Entretanto, nos últimos anos, graças aos avanços de técnicas de imagem cerebral, conhecemos cada vez mais sobre as repercussões funcionais e estruturais das crises de enxaqueca sobre o cérebro, o que nos deixa claro que tratar a enxaqueca é, antes de tudo, uma questão de proteção cerebral.
A última edição do periódico britânico Cephalalgia publicou uma pesquisa que confirma estudos anteriores que mostraram que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam depósito de ferro no tronco cerebral, e dessa vez mostrou que isso também acontece em núcleos da base, sendo que todas essas regiões fazem parte de circuitos de modulação da dor. Chama muito a atenção o fato do depósito de ferro ter sido maior em pessoas que sofriam de enxaqueca há mais tempo, sugerindo que quanto mais freqüentes as crises de enxaqueca, maior o depósito de ferro.
Esse é um achado que pode ajudar a explicar a razão pela qual 10 a 20% das pessoas com enxaqueca passam a ter a forma crônica da doença, com crises praticamente diárias. Alterações estruturais do cérebro decorrentes de repetidas crises poderia justificar o comportamento progressivo da doença nesses casos.
*Além de depósitos de ferro, já sabemos que freqüentes crises de enxaqueca podem provocar:
*Ativação recorrente de centros cerebrais profundos, que podem levar a sintomas como a alteração da sensibilidade e a alterações estruturais do tronco cerebral;
*Redução da substância cinzenta de algumas regiões cerebrais;
*Lesões da substância branca cerebral;
*Aumento do risco de derrame cerebral e infarto do coração (no caso da enxaqueca com aura).
Tanto a população leiga, e mesmo os profissionais da área da saúde, ainda têm a falsa crença de que a enxaqueca é um problema menor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a enxaqueca como um problema de saúde pública de alta prioridade e a classifica como uma das 20 doenças que mais provocam incapacidade, lado a lado com o derrame cerebral, a AIDS e o diabetes. No caso das mulheres, ela é a 12ª no ranking da OMS. O custo da enxaqueca à sociedade vai muito além das questões orgânicas acima discutidas, mas envolve sérios prejuízos de ordem emocional, social e econômica.
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Enxaqueca e absenteísmo no trabalho.
Há algum tempo já se desconfia que a enxaqueca possa aumentar a freqüência de problemas de pressão alta durante a gravidez. Na verdade ambos os problemas tem muita coisa em comum, desde o ponto de vista bioquímico, até no aumento do risco de eventos vasculares como o derrame cerebral e o infarto do coração. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico inglês Cephalalgia revela que aquilo que era mera desconfiança, agora tem comprovação científica satisfatória.
Pesquisadores italianos acompanharam mais de 700 mulheres grávidas a partir da 11ª semana sem história de hipertensão arterial. O risco de desenvolver pressão alta na gravidez foi três vezes maior entre mulheres com história de enxaqueca do que naquelas sem enxaqueca (9.1% e 3.1%). Os bebês das mulheres com história de enxaqueca também apresentaram maior risco de nascerem com baixo peso.
O estudo aponta que mulheres grávidas e que têm enxaqueca podem começar a ser vistas como mulheres com maior risco de desenvolver pressão alta na gravidez, e por isso devem ser acompanhadas de forma mais cuidadosa. Os resultados também sugerem que a identificação do antecedente de enxaqueca deve passar a fazer a parte de uma consulta pré-natal. Vale lembrar que a pressão alta na gravidez é uma das pricipais causas de complicações tanto à saúde da mãe como à do bebê.





















