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Pesquisadores de Joinville acabam de ter dois de seus estudos publicados no prestigiado periódico britânico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry mostrando que, num intervalo de dez anos, houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade na cidade de Joinville-SC.

 

Os estudos liderados pelo professor Norberto Cabral receberam um editorial especial do periódico que literalmente aplaudiu os resultados e a metodologia empregada. O primeiro aplauso é por conta de terem demonstrado que intervenções para redução do “problema derrame cerebral” em países em desenvolvimento podem alcançar sucesso num período de tempo relativamente curto. Os estudos ganham ainda mais relevância pelo fato do derrame cerebral ser a principal causa de morte em nosso país e  por serem raríssimos os estudos que tenham analisado a epidemiologia da doença em países em desenvolvimento. 

 

Um segundo aplauso vai para o sistema de saúde de Joinville. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. E nesse quesito, o sistema de saúde de Joinville é uma das referências nacionais no tratamento do derrame cerebral.   

 

Os indicadores demonstrados por Joinville, cidade que detém o 13º maior índice de desenvolvimento humano do Brasil, são comparáveis aos de países de primeiro mundo.  Que Joinville sirva de inspiração para tantos municípios brasileiros que poderiam estar fazendo muito mais pela saúde da população.

 

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É bem reconhecido que as estatinas são as medicações mais eficazes para reduzir os níveis de colesterol. Entretanto, até 10% das pessoas que usam essa classe de medicamentos pode apresentar fraqueza e dor muscular ao ponto de não suportar a continuidade de seu uso.

 

Arroz do fermento vermelho é o produto da levedura Monascus purpureus que cresce no arroz e é servido na culinária de alguns países asiáticos. Seu uso na China já havia sido registrado desde o ano 800 DC e era utilizado com fins terapêuticos, especialmente para problemas digestivos como diarréia e indigestão, problemas circulatórios, e para melhorar a saúde do estômago e do baço.   Desde a década de 1970 já contamos com evidências de sua ação na redução dos níveis de colesterol e poderia ser uma saída para as pessoas que precisam baixar o colesterol, mas que não toleraram os efeitos colaterais das estatinas. Os princípios ativos responsáveis por sua ação terapêutica são formas naturais de estatinas (monacolinas), e teoricamente poderiam causar as mesmas dores musculares que seus equivalentes sintéticos.

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Annals of Internal Medicine não só confirmou que o fitoterápico é capaz de reduzir os níveis de colesterol, mas que ele também é bem aceito por indivíduos que precisaram parar o uso de estatinas devido a dores musculares. Foram estudados sessenta e dois pacientes que interromperam o uso de estatinas por causa de dores musculares. Todos foram submetidos a um programa de educação alimentar e atividade física. Metade deles usou três cápsulas diárias de 600 mg de fermento de arroz vermelho por 24 semanas e a outra metade recebeu cápsulas de placebo. Aqueles que usaram o fitoterápico não apresentaram mais efeitos colaterais que o placebo e tiveram uma redução tanto nos níveis de colesterol total com também do LDL, o colesterol ruim.

 

Os resultados da pesquisa, apesar de não serem definitivos, são muito promissores. Os elevados níveis de colesterol são responsáveis por boa parte dos casos de infarto do coração e derrame cerebral e o arroz do fermento  vermelho parece ser uma boa alternativa para quem que não tolera os efeitos colaterais das estatinas.

 

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A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade. Um documento recém-publicado pelo British Medical Journal chama a atenção para a necessidade imediata de mudança das atuais recomendações.

 

A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, fazem com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.

 

E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro.  A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.

 

A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo, os médicos têm muito a ajudar. É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização

 

Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia  que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008,  foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado após o ano de 2010.  Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente.   Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás. Espera-se que a legislação seja mais coerente com esses dados.

 

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Um novo teste cognitivo para detectar a Doença de Alzheimer mostrou-se mais rápido e mais preciso do que outros testes já existentes, revela estudo recém-publicado pelo British Medical Journal.

 

Calcula-se que 24 milhões de pessoas no mundo tenham o diagnóstico de demência e esse número tende a aumentar com o crescente envelhecimento da população.  O diagnóstico precoce da doença é importantíssimo, já que os tratamentos atualmente disponíveis são mais eficazes nas fases precoces da doença. Além disso, os tratamentos do futuro visam a intervenção em fases cada vez mais precoces. Existem inúmeros testes que permitem dizer se a pessoa tem problemas de desempenho de memória ou outras dimensões cognitivas. Alguns testes são bem sofisticados e sensíveis, mas por serem complexos, demandam muito tempo para sua aplicação e são pouco disponíveis devido ao alto custo e pela limitação de poucos profissionais habilitados para realizar tais testes. Por outro lado, existem testes de fácil e rápida aplicação, mas que não são sensíveis ao diagnóstico precoce de demência. 

 

Pesquisadores ingleses desenvolveram um novo teste chamado TYM (“test your memory” – teste sua memória) que concentra a facilidade e rapidez de aplicação com uma boa sensibilidade para detecção de déficit cognitivo. O teste inclui dez tarefas que avaliam diversas funções cognitivas e não precisa ser aplicado por profissional especializado. O teste foi aplicado a 540 pessoas saudáveis e sem queixas de memória com idades entre 18 e 95 anos, durando uma média de 5 minutos. Foram ainda testados 139 pacientes com diagnóstico da Doença de Alzheimer e com Transtorno Cognitivo Leve, diagnóstico intermediário entre a normalidade e a demência. Os indivíduos saudáveis tiveram uma pontuação média de 47 pontos de um score máximo de 50, com leve redução de desempenho apenas após os 70 anos de idade.

 

Outros dois testes foram realizados a título de comparação com o novo teste, entre eles o Mini-Exame do Estado Mental que é o mais utilizado teste para o diagnóstico de demência. O Mini-Exame do Estado Mental foi capaz de detectar apenas 52% dos pacientes com a doença de Alzheimer, enquanto o novo teste detectou 93% dos pacientes quando a nota de corte utilizada foi menor ou igual a 42 pontos – a média de pontuação dos pacientes foi de 33 pontos de um total de 50. O novo teste, além de examinar mais dimensões cognitvas do que o Mini-Exame, também foi mais rápido.  

 

Os resultados com os ingleses são excelentes, mas ainda não podem ser extrapolados para outras etnias e por isso não faz sentido simplesmente traduzir o teste e aplicá-los em nosso meio. O teste só deverá ser aplicado após validação científica de uma versão traduzida para nossa língua, adaptada para nossa cultura  e testada em brasileiros. E isso não deve demorar.

 

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pregnancy

 

Em vários países, a metoclopramida (Plasil) é considerada a droga de escolha para combater os vômitos entre mulheres grávidas. Nos EUA, há uma certa restrição ao seu uso. No Brasil, a bula do medicamento traz a informação de que estudos em pacientes grávidas não indicaram má formação fetal ou toxicidade neonatal durante o primeiro trimestre da gravidez e que uma quantidade limitada de informações em mulheres grávidas indicou não haver toxicidade neonatal nos outros trimestres. A bula ainda conclui que, se necessário, o uso da droga pode ser considerado durante a gravidez.

 

Realmente ainda existem evidências limitadas quanto à segurança da metoclopramida durante a gravidez, mas um estudo recém-publicado pelo periódico The New England Journal of Medicine vem reforçar o conceito de que a droga não traz riscos ao bebê. Os pesquisadores analisaram o registro de mais de 80 mil bebês de um distrito na região sul de Israel, sendo que 4.2% deles haviam sido expostos à metoclopramida no primeiro trimestre de gravidez. Quando se comparou bebês expostos à droga com bebês não expostos, não houve diferença no risco de malformações congênitas, tampouco no risco de baixo peso ao nascimento, prematuridade ou morte perinatal.

 

Os resultados trazem ainda mais segurança às grávidas que precisam usar metoclopramida para aliviar sintomas de náuseas e vômitos tão  comuns no primeiro trimestre da gravidez.

 

 

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 menopause

 

Apesar de 60% das mulheres apresentarem queixas de memória na fase de transição para a menopausa, poucas pesquisas foram feitas para entender o que realmente ocorre com o cérebro das mulheres nessa fase da vida. Um estudo recém-publicado pelo periódico científico Neurology revela que mulheres na fase de transição para a menopausa apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

 O estudo acompanhou mais de duas mil mulheres com idades entre 49 e 61 anos e com exames seriados ao longo de quatro anos. A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltaram a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham no período pré-menopausa após ultrapassarem o período de transição. Além disso, as mulheres que receberam reposição hormonal antes do término da menstruação foram beneficiadas do ponto de vista cognitivo. Em contraste, a reposição hormonal iniciada após o término da menstruação promoveu piora nos testes cognitivos.    

  

Uma forma de explicar as freqüentes queixas de memória na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

O presente estudo sugere que a reposição de estrogênio pode ser benéfica ao desempenho cerebral na fase de transição da menopausa e que esse efeito positivo  parece não ser sustentado após o período de transição. Essa é mais uma evidência de que os benefícios do uso prolongado de reposição hormonal não consegue superar os riscos.

 

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midia

 

Já é bem reconhecido que o excesso de exposição à mídia eletrônica está associado a alguns problemas de saúde entre as crianças e adolescentes quando passam a concorrer com as horas de sono, aumentando o risco de obesidade, transtornos do humor (ex: depressão), processos alérgicos e exacerbação de crises de asma. Mas isso é só uma parte do problema. Quando partimos para a questão da qualidade do material a que os jovens são expostos, a influência negativa pode ir muito além.

 

Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:

 

Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.  

 Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.

Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.

Obesidade.  O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.

Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

 

Professores, pais, médicos, todos devem ter consciência dos potencias efeitos negativos da mídia sobre o desenvolvimento dos jovens. Essa conscientização poderia passar a ser assunto obrigatório nas escolas. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições,  e no caso de crianças menores de dois anos de idade,  evitar a  TV de uma forma geral. Os médicos, especialmente os pediatras, precisam estar mais atentos a essa questão e abordar ativamente as famílias, pois têm nas mãos uma oportunidade preciosa de orientar os pais desavisados.

 

Por outro lado, a mídia pode ser um forte aliado no desenvolvimento dos jovens, tanto em casa, na escola como na rua. A questão principal é que ela seja de boa qualidade e que não sacrifique as outras atividades, como por exemplo, a atividade física.  Quando se percebe que crianças e adolescentes passam mais tempo na mídia eletrônica do que na escola ou em qualquer outro tipo de atividade de lazer, alguma atitude precisa ser tomada.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.

Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3.  Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.

A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes.  O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.      

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes estão usando seus aparelhos de MP3 de forma nada segura. Cerca de 1400 adolescentes holandeses com idades entre 12 e 19 anos, e de 15 diferentes escolas, responderam a um questionário sobre seus hábitos de uso de MP3 portátil. Os resultados evidenciaram que 90% deles tinha o hábito de ouvir música com esses tipos de aparelho, 33% com uso freqüente (> 1 hora por dia), 48% com volume alto, e apenas 7% usava funções do aparelho para limitação de volume. O tempo de uso por si só não representa problema ao aparelho auditivo, mas o estudo mostrou que aqueles que usavam o MP3 com maior freqüência tinham uma chance 4 vezes maior de usá-lo com volume alto.

 

Várias pesquisas têm revelado o crescente número de adolescentes com problemas auditivos, e o hábito de ouvir música alta é de longe o maior responsável por isso. A grande febre dos MP3 portáteis aumentou drasticamente a exposição dos jovens a ruídos de alta intensidade, especialmente porque os aparelhos modernos são capazes de oferecer som de alta intensidade sem distorção. É sabido também que além de limitar o tempo de uso e volume do som, campanhas de conscientização dos riscos associados ao uso desses aparelhinhos podem prevenir o risco de danos no aparelho auditivo.

 

No presente estudo, apenas 18% dos adolescentes respondeu ter recebido informações de forma frequente sobre os riscos de se ouvir música alta. À medida que os MP3 portáteis chegam cada vez mais cedo às mãos e ouvidos das crianças, é recomendável que campanhas de conscientização já sejam implantadas enquanto elas ainda estão no ensino fundamental. Pais, professores, profissionais da saúde, todos têm importante papel nesse desafio.  

 

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O diagnóstico de demência, cujas principais causas são a Doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular, traz consigo um prognóstico bastante reservado, com sobrevida média de 3 a 6 anos após o início dos sintomas. Nas fases mais avançadas de demência, os indivíduos não têm mais capacidade em participar nas decisões que envolvem seu tratamento. Considerando que o respeito pelas preferências individuais é o componente central da assistência médica humanizada, a discussão entre a equipe médica e um paciente com diagnóstico de demência quanto às suas escolhas deveria se dar em fases precoces do quadro demencial. Alguns estudos têm demonstrado que essa comunicação pode ser facilitada através de vídeos que permitam que as pessoas consigam entender melhor os desafios de um doente com doença terminal.

 

Um estudo recentemente publicado pelo British Medical Journal dá um importante passo nessa área do conhecimento. Foram estudados 200 idosos selecionados de uma comunidade da região de Boston nos EUA com média de idade de 75 anos. Metade dos participantes recebeu informações verbais dos problemas enfrentados pelos pacientes com demência em fase avançada e a outra metade além das explicações verbais, assistiu a um vídeo de 2 minutos que mostrava um paciente real em fase avançada com suas dificuldades descritas na explicação verbal. Após assistirem ao material educativo, os participantes deveriam fazer a opção pelo tipo de cuidados médicos que gostariam de receber na fase terminal de um quadro demencial: 1) prolongamento da vida (reanimação cardiopulmonar, ventilação mecânica); 2) cuidado hospitalar dentro de certos limites (internação em hospital mas sem reanimação cardiopulmonar ou internação em UTI); 3) cuidado e conforto (internação hospitalar só se for com a justificativa de gerar conforto).

 

O grupo que assistiu ao vídeo optou mais frequentemente pelo modelo de cuidado e conforto quando comparado ao grupo que não assistiu ao vídeo (86% e 64% respectivamente). Também deram mais preferência ao modelo cuidado e conforto os participantes com maior nível educacional e aqueles com melhor estado de saúde. Após seis semanas, os participantes foram testados novamente e 29% do grupo que só recebeu orientação verbal mudou de opinião quanto à escolha dos cuidados em fase terminal da vida. Em contraste, apenas 6% daqueles que assistiram ao vídeo mudou de opção.

 

A inserção do paciente no processo de decisão de seu tratamento é uma rotina na moderna medicina e esse processo é bem mais complexo quando se fala em escolhas de suporte médico em doentes terminais. O atual estudo sugere que materiais educativos audiovisuais podem auxiliar os pacientes nas suas tomadas de decisão no caso de quadros demenciais, e novos estudos deverão ser realizados para se investigar o papel dessa ferramenta em outros tipos de doença como o câncer.

 

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kwit

 

As atuais estratégias com eficácia comprovada para ajudar um indivíduo a largar o vício do cigarro incluem medicações e aconselhamento individual ou em grupo, e até mesmo por telefone. Além disso, estudos que avaliaram a eficácia de programas de apoio pela internet têm revelado resultados conflituosos. Uma metanálise recém-publicada pelo periódico Archives of Internal Medicine envolvendo 22 diferentes estudos confirma que esses programas pela internet são realmente eficazes.

 

Os estudos avaliados envolveram quase 16 mil participantes de programas anti-tabagistas pela internet e outros 13,5 mil indivíduos que não participaram de tais programas representando o grupo controle. O resultado da análise foi que os participantes do programa tiveram uma chance 1.5 vezes maior de parar de fumar quando comparado ao grupo controle. Após uma ano de seguimento, 10% do grupo que foi submetido ao programa continuou sem fumar e só 5.7% no caso dos controles.

 

O uso da internet não pára de crescer ao redor do mundo e o corpo atual de pesquisas indica que não há como deixar de levar em consideração programas anti-tabagistas baseados na rede de computadores como importantes ferramentas no combate ao tabagismo. Por ser um dos principais problemas de saúde do planeta,  o tabagismo precisa de ações de largo alcance para o seu combate, e por isso,  a internet não pode ficar de  fora.

 

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fish

 

Pesquisadores da Universidade de Manchester no Reino Unido em colaboração com vários outros centros de pesquisa europeus demonstraram que os níveis de vitamina D no organismo estão associados ao desempenho cognitivo de homens com mais de 40 anos de idade. O estudo foi recentemente divulgado pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry. Mais de 3 mil homens foram avaliados do ponto de vista cognitivo, e os testes de velocidade de processamento de informação foram melhores entre os indivíduos com maiores níveis de vitamina D no sangue, sendo que essa associação foi ainda mais robusta naqueles com mais de 60 anos de idade. Alguns raros estudos anteriores já haviam chamado a atenção para essa possível associação, mas com resultados ainda inconsistentes.

 

O nível de vitamina D em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da ingesta da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. São poucos estudos que avaliaram os efeitos da vitamina D sobre o cérebro, mas em modelos experimentais, já foram demonstrados receptores para a vitamina em diversas áreas cerebrais, e que sua suplementação é capaz de provocar efeitos de proteção cerebral, até mesmo reduzindo os efeitos do envelhecimento cerebral em roedores.

 

Os resultados não devem ser vistos como uma indicação para a suplementação de cápsulas de vitamina D, pois essa é uma pergunta que ainda deverá ser respondida por estudos subsequentes. Por enquanto, podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.  

 

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Amusement

 

Indivíduos com o diagnóstico da Doença de Parkinson comumente apresentam também o diagnóstico de depressão e alguns estudos chegaram a encontrar uma associação entre o uso de antidepressivos e a Doença de Parkinson. O assunto ainda gera muita discussão e uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry traz novas evidências sobre a relação entre a depressão e a Doença de Parkinson.

 

Uma base de dados de mais 3 milhões de ingleses foi utilizada e de onde foram identificados mil pacientes com o diagnóstico de Doença de Parkinson, além do histórico de uso de antidepressivos. Os resultados mostraram que o diagnóstico da Doença de Parkinson era mais comum entre os indivíduos que usaram antidepressivos antes do diagnóstico da doença, especialmente nos dois anos anteriores ao diagnóstico. Então, isso quer dizer que o uso de antidepressivo aumenta o risco da Doença de Parkinson?

 

A resposta é: provavelmente não. Essa associação entre o uso de antidepressivos e a Doença de Parkinson pode ser melhor entendida nesses casos como o diagnóstico de depressão correspondendo à fase inicial da própria Doença de Parkinson, também chamada de fase pré-motora da doença.

 

Nos últimos anos, a ciência tem entendido como nunca que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos, transtornos do sono, redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária e disfunção sexual.

 

Um diagnóstico de depressão acompanhado de sintomas de lentificação dos movimentos, ou outros sintomas motores, pode na verdade representar uma manifestação precoce da Doença de Parkinson. O importante disso é que diagnóstico precoce significa tratamento precoce e melhor qualidade de vida para quem sofre da doença.

 

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 PA

 

Dois estudos recém-publicados numa mesma edição da revista Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, discutem a relação entre a hipertensão arterial ao longo da vida e o risco de apresentar demência em idades avançadas. O primeiro estudo demonstrou que indivíduos hipertensos na meia idade, e que faziam tratamento com medicações anti-hipertensivas, esses apresentaram menos risco de demência do que aqueles que não usaram medicações, e também menor risco do que aqueles que nem apresentavam pressão alta. Esse grupo de hipertensos tratados ainda apresentou menor contingente de alterações cerebrais características da Doença de Alzheimer ao terem seus cérebros examinados. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta.

 

Em nenhum dos dois estudos foi possível identificar a superioridade de uma determinada classe de anti-hipertensivo sobre outra. À luz do conhecimento atual, as evidências são de que o tipo de droga utilizada não faz tanta diferença, mas já há evidências de que o efeito protetor dos anti-hipertensivos no cérebro vai além do poder de controlar a pressão arterial, podendo atuar, por exemplo, nos mecanismos de progressão da Doença de Alzheimer. Além disso, o achado de que o benefício do tratamento não é tão robusto após uma certa idade (75 anos) chama a atenção para o reconhecido fato de que os idosos apresentam um diferente estado de regulação dos vasos sanguíneos, e que os anti-hipertensivos devem ser usados com mais cuidado do que nos jovens. Níveis baixos de pressão arterial, que podem não representar qualquer risco para um jovem, no idoso pode chegar a provocar lesão cerebral do tipo isquemia por baixo fluxo da circulação.

 

E qual será o mecanismo pelo quak o tratamento da hipertensão arterial é capaz de reduzir o risco da Doença de Alzheimer? Sabemos que a hipertensão arterial é um dos principais vilões para o pleno funcionamento dos vasos sanguíneos e esse efeito pode ser visto tanto nos grandes vasos sanguíneos quanto na microcirculação. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas, vegetais e Ômega-3 e o consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.

 

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pinoquio

 

A Doença de Parkinson é muito conhecida pelos seus sintomas motores tais como o tremor e rigidez, mas o fato é que a doença vai muito além disso. Já é bem reconhecida a redução de funções cognitivas na evolução da doença e há quase um século atrás já se descrevia de que os parkinsonianos apresentariam uma personalidade peculiar e os estudos têm consistentemente demonstrado que há uma tendência a um maior grau de determinação, seriedade e inflexibilidade.

O processo de degeneração cerebral associado à doença é visto como um grande candidato para explicar esses traços de personalidade. A honestidade também é descrita como um traço peculiar da personalidade do parkinsoniano, descrita como uma tendência em não mentir. Nesse caso, o mais provável é que os doentes tenham dificuldade em mentir devido às alterações cerebrais e não porque sejam genuinamente mais honestos. E foi isso que pesquisadores japoneses conseguiram confirmar em um elegante estudo recém-publicado no periódico especializado Brain.

Num teste psicológico experimental, indivíduos com o diagnóstico da Doença de Parkinson apresentaram mais dificuldade em dar respostas falsas quando comparados ao grupo controle sem a doença. Além disso, foi demonstrado que essa dificuldade em mentir foi maior entre os parkinsonianos que tinham menor metabolismo cerebral nas regiões pré-frontais, medido por tomografia por emissão de positrons (PET). Estudos anteriores já haviam demonstrado que essas mesmas regiões pré-frontais são ativadas quando um indivíduo saudável conta uma mentira. Essa foi a primeira vez que se demonstrou a base biológica da personalidade honesta dos portadores da Doença de Parkinson e que esta está associada à disfunção nas regiões frontais do cérebro.

 

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Um documento recém-divulgado pelo periódico científico The Lancet e construído em parceria com a University College London envolvendo especialistas de inúmeras áreas do conhecimento relata que as mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde das pessoas no século 21. O documento ressalta que se ações efetivas não forem tomadas, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, nossos filhos, netos, e daí em diante, pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

Os pesquisadores conduziram o estudo focando em seis principais dimensões do problema: 1) padrões de doença e mortalidade; 2) segurança alimentar; 3) água e sanitarismo; 4) habitação; 5) eventos extremos (ex: catástrofes naturais); 6) migração populacional. O desequilíbrio causado pelas mudanças climáticas  levará a  uma maior disseminação de agentes infecciosos como a dengue e a malária; a própria onda calor já é uma ameaça à saúde, já tendo sido responsável por milhares de mortes na nossa história recente; espera-se limitação das fontes de água limpa e também de alimento, pois sabe-se hoje que as plantações são mais sensíveis ao calor do que se pensava antes; a rápida urbanização criará condições de habitação cada vez mais vulneráveis às ondas de calor; atualmente as catástrofes naturais como furacões e ciclones já são duas vezes mais comuns do que há 20 anos atrás e a expectativa é que o nível do mar suba de 0.5 a 1.2m nesse século – já há estudos projetando uma elevação de até 5m.

 

O estudo também chama a atenção para a atual falta de conhecimento de como enfrentar as conseqüências negativas à saúde pública causadas pelas mudanças climáticas. E o maior recado do documento é que esse é um problema que deve estar na mente das autoridades de saúde e de cada indivíduo desde já, ou melhor, já há algum tempo.

 

 

Ler também:  Aquecimento global –   Os médicos têm muito a colaborar.

 

 

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O jornalismo é freqüentemente criticado por divulgar conteúdo sensacionalista, e no caso do jornalismo em saúde, critica-se que muitas matérias supervalorizam os resultados de uma pesquisa e ainda deixam de reportar suas limitações. Um exemplo bem ilustrativo é uma recente publicação por uma das mais importantes agências de notícias do mundo: “Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo”. Parece até que é bom fumar maconha quando jovem para prevenir a Doença de Alzheimer. Na verdade a matéria trata de estudos experimentais com ratinhos em busca de uma droga sintética que ao se ligar nos mesmos receptores que atua a maconha no cérebro, poderia então reduzir alterações inflamatórias que colaboram para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer. Isso está bem longe da chamada “Maconha pode preservar memória na velhice”, e nesse caso específico, ao lado do título ainda tem um jovem fumando um cigarro de maconha.   

 

Mas será que está só nas mãos dos jornalistas a responsabilidade pela qualidade das matérias em ciências da saúde divulgadas pela mídia? Um estudo recém-publicado pelo periódico Annals of Internal of Medicine sugere que os institutos de pesquisa têm muito a colaborar para a melhoria da qualidade da informação que chega até o público leigo.

 

Com a suspeita de que parte daquilo que se aponta como sensacionalista tenha origem nos próprios comunicados de imprensa disponibilizados pelos institutos de pesquisa, pesquisadores americanos avaliaram sistematicamente os comunicados de imprensa de vinte diferentes institutos de pesquisa. A análise desses comunicados revelou que cada instituição disponibilizava uma média de 49 comunicados por ano. Dentre os comunicados analisados, quase metade (44%) era referente a estudos laboratoriais ou experimentos com animais, sendo que 74% desses frisavam de forma explícita a potencial relevância do estudo para a saúde humana. Ao se analisar os estudos realizados em humanos, 23% omitiu o tamanho da amostra estudada e 34% não quantificou os resultados. Apenas 17% dos comunicados de pesquisas com humanos eram referentes a pesquisas com metodologia robusta (ex: estudos randomizados, metanálises). Por outro lado, 40% dos estudos tinham metodologia frágil (ex: pequeno número de participantes, resultados ainda não publicados), sendo que desses, 58% não fizeram qualquer menção quanto a estas limitações.

 

Os resultados dessa pesquisa são consistentes com o que já havia sido demonstrado no caso de comunicados de imprensa disponibilizados pela indústria farmacêutica e até mesmo pelos periódicos científicos: os comunicados costumam promover pesquisas preliminares sem alertar o leitor, no caso os jornalistas, os cuidados necessários para o julgamento da relevância e validade dos resultados.  Os pesquisadores também têm sua participação nessa história, já que muitas vezes o entusiasmo de suas participações nos comunicados vão além daquilo que se pode considerar compatível com os resultados da pesquisa. A geração de um menor número de comunicados de imprensa por parte dos centros de pesquisa, mas com maior qualidade, pode melhorar sobremaneira a informação em saúde que chegará aos jornalistas, e consequentemente, à sociedade como um todo.

 

** Leia também os demais artigos da categoria JORNALISMO em SAÚDE

 

 

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A enxaqueca está entre as doenças neurológicas mais comuns e que mais negativamente influenciam a qualidade de vida. É bem reconhecido que o tamanho do problema é muito maior que as dores de cabeça, já que a enxaqueca está associada a uma série de outras condições clínicas, também chamadas de comorbidades (ex: ansiedade, depressão, doença cerebrovascular).

 

A busca por um sono regular é uma recomendação a todo indivíduo com diagnóstico de enxaqueca, sendo que tanto a privação de sono como o excesso de horas de sono, ambos podem desencadear crises de enxaqueca.  A relação entre sono e enxaqueca não pára por aí. Cerca de dois terços das crises de enxaqueca já começam ao despertar pela manhã. Entretanto, uma pergunta que ainda em aberto é se a enxaqueca está associada a uma pior qualidade de sono, e um novo estudo recém-publicado no periódico especializado inglês Cephalalgia ajuda a responder essa questão.

 

Pesquisadores austríacos avaliaram cerca de 500 pessoas com o diagnóstico de enxaqueca e sem a doença (grupo controle) aplicando escalas que avaliam qualidade de sono, nível de fadiga e sonolência diurna, e grau de ansiedade e depressão. Os resultados demonstraram uma pior qualidade de sono no grupo com diagnóstico de enxaqueca, pior ainda entre aqueles com maior freqüência de crises e independente do grau de ansiedade ou depressão. Com isso, aumenta a lista dos problemas que são mais comuns entre indivíduos com enxaqueca do que na população geral.   

 

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Nos últimos cinco anos, a comunidade internacional tem se preparado para uma nova pandemia do vírus influenza. No ano de 2006, o periódico científico The Lancet publicou um estudo que predizia o nível de impacto da próxima pandemia de influenza, baseado em dados da gripe espanhola do início do século 20 que provocou a morte de 20 a 100 milhões de pessoas.

 

Os números calculados foram os seguintes: uma próxima pandemia causaria cerca 62 milhões de mortes, sendo que 96% delas ocorreria em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento [Murray et al,  2006]. Os países ricos sofreriam menos, e a Organização Mundial da Saúde atualmente reconhece a França e a Inglaterra como os países mais preparados. A medicina moderna com suas UTIs, vacinas, medicações antivirais e antibióticos podem reduzir sobremaneira o impacto de uma pandemia, mas o que dizer dos países pobres que ainda não conseguem controlar doenças infecciosas já bem conhecidas como a malária?

 

No caso  da gripe suína, a melhor atitude até o momento, pelo menos nos países onde já existem casos confirmados da doença, ou no caso de viajantes que retornam de países afetados, é o isolamento domiciliar de pessoas com sinais típicos de gripe, além de outras medidas de isolamento social. A chance de se reduzir o risco de uma pandemia está também nas mãos de cada cidadão.

   

 

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Estudos já haviam demonstrado que o hábito de jogar videogames de ação é capaz de aumentar o desempenho em testes de atenção. Agora, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Neuroscience demonstra que os videogames de ação também podem incrementar a capacidade visual, especialmente na sensibilidade de percepção de contrastes.

 

A percepção de contrastes é a base para a correta identificação de objetos e para a atração da atenção, sendo fundamental, por exemplo, quando dirigimos à noite. O efeito positivo do videogame de ação sobre essa capacida de viisual se dá provavelmente através da estimulação de circuitos neurais e não por “melhorias” do olho em si. Além disso, o ganho na percepção de contrastes pode durar por meses, ou mesmo anos após a época em que o indivíduo foi estimulado, o que abre a possibilidade do videogame ser uma forma de contrabalancear a perda dessa função que comumente ocorre com o envelhecimento.

 

Os resultados dessa pesquisa dão mais suporte à nova tendência em se treinar atletas de elite com videogames de ação, e isso já tem sido aplicado aos tenistas profissionais. Quanto às crianças é importante colocar limites, pois o comportamento de uso patológico do videogame está associado a menor desempenho escolar entre outros problemas. Uso patológico do videogame não é só o fato da criança jogar muitas horas por dia, mas é quando chega a interferir no seu funcionamento psicológico, comprometendo suas relações sociais, na família ou sua atuação na escola. Uma ampla pesquisa publicada recentemente pelo periódico Psychological Science revelou que 8,5% dos americanos com idades entre 8 e 18 anos podem ser considerados como jogadores de videogame em nível patológico, com uma média de 24 horas semanais de jogo.

 

A história é quase sempre a mesma: não é a tecnologia em si que nos traz problemas, mas sim aquilo que decidimos fazer com ela.    

 

  

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