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 menopause

 

Apesar de 60% das mulheres apresentarem queixas de memória na fase de transição para a menopausa, poucas pesquisas foram feitas para entender o que realmente ocorre com o cérebro das mulheres nessa fase da vida. Um estudo recém-publicado pelo periódico científico Neurology revela que mulheres na fase de transição para a menopausa apresentam uma menor velocidade de processamento cognitivo e menor desempenho da memória verbal.

 

 O estudo acompanhou mais de duas mil mulheres com idades entre 49 e 61 anos e com exames seriados ao longo de quatro anos. A boa notícia é que esses efeitos parecem ser limitados, já que as mulheres voltaram a apresentar o mesmo desempenho cognitivo que tinham no período pré-menopausa após ultrapassarem o período de transição. Além disso, as mulheres que receberam reposição hormonal antes do término da menstruação foram beneficiadas do ponto de vista cognitivo. Em contraste, a reposição hormonal iniciada após o término da menstruação promoveu piora nos testes cognitivos.    

  

Uma forma de explicar as freqüentes queixas de memória na transição da menopausa é que a redução ou flutuação dos níveis do hormônio estrogênio podem dificultar o pleno funcionamento cerebral. Já foi bem demonstrado que algumas áreas cerebrais são ricas em receptores de estrogênio, regiões que são fortemente vinculadas à memória, como é o caso do hipocampo e o córtex pré-frontal. Além disso, estudos experimentais revelam que o estrogênio é capaz de elevar os níveis de neurotransmissores e também promovem o crescimento neuronal e formação de conexão entre os neurônios.  

 

O presente estudo sugere que a reposição de estrogênio pode ser benéfica ao desempenho cerebral na fase de transição da menopausa e que esse efeito positivo  parece não ser sustentado após o período de transição. Essa é mais uma evidência de que os benefícios do uso prolongado de reposição hormonal não consegue superar os riscos.

 

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midia

 

Já é bem reconhecido que o excesso de exposição à mídia eletrônica está associado a alguns problemas de saúde entre as crianças e adolescentes quando passam a concorrer com as horas de sono, aumentando o risco de obesidade, transtornos do humor (ex: depressão), processos alérgicos e exacerbação de crises de asma. Mas isso é só uma parte do problema. Quando partimos para a questão da qualidade do material a que os jovens são expostos, a influência negativa pode ir muito além.

 

Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:

 

Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.  

 Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.

Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.

Obesidade.  O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.

Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

 

Professores, pais, médicos, todos devem ter consciência dos potencias efeitos negativos da mídia sobre o desenvolvimento dos jovens. Essa conscientização poderia passar a ser assunto obrigatório nas escolas. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições,  e no caso de crianças menores de dois anos de idade,  evitar a  TV de uma forma geral. Os médicos, especialmente os pediatras, precisam estar mais atentos a essa questão e abordar ativamente as famílias, pois têm nas mãos uma oportunidade preciosa de orientar os pais desavisados.

 

Por outro lado, a mídia pode ser um forte aliado no desenvolvimento dos jovens, tanto em casa, na escola como na rua. A questão principal é que ela seja de boa qualidade e que não sacrifique as outras atividades, como por exemplo, a atividade física.  Quando se percebe que crianças e adolescentes passam mais tempo na mídia eletrônica do que na escola ou em qualquer outro tipo de atividade de lazer, alguma atitude precisa ser tomada.

 

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sleep

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.

Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3.  Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.

A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes.  O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.      

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes estão usando seus aparelhos de MP3 de forma nada segura. Cerca de 1400 adolescentes holandeses com idades entre 12 e 19 anos, e de 15 diferentes escolas, responderam a um questionário sobre seus hábitos de uso de MP3 portátil. Os resultados evidenciaram que 90% deles tinha o hábito de ouvir música com esses tipos de aparelho, 33% com uso freqüente (> 1 hora por dia), 48% com volume alto, e apenas 7% usava funções do aparelho para limitação de volume. O tempo de uso por si só não representa problema ao aparelho auditivo, mas o estudo mostrou que aqueles que usavam o MP3 com maior freqüência tinham uma chance 4 vezes maior de usá-lo com volume alto.

 

Várias pesquisas têm revelado o crescente número de adolescentes com problemas auditivos, e o hábito de ouvir música alta é de longe o maior responsável por isso. A grande febre dos MP3 portáteis aumentou drasticamente a exposição dos jovens a ruídos de alta intensidade, especialmente porque os aparelhos modernos são capazes de oferecer som de alta intensidade sem distorção. É sabido também que além de limitar o tempo de uso e volume do som, campanhas de conscientização dos riscos associados ao uso desses aparelhinhos podem prevenir o risco de danos no aparelho auditivo.

 

No presente estudo, apenas 18% dos adolescentes respondeu ter recebido informações de forma frequente sobre os riscos de se ouvir música alta. À medida que os MP3 portáteis chegam cada vez mais cedo às mãos e ouvidos das crianças, é recomendável que campanhas de conscientização já sejam implantadas enquanto elas ainda estão no ensino fundamental. Pais, professores, profissionais da saúde, todos têm importante papel nesse desafio.  

 

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hands

 

O diagnóstico de demência, cujas principais causas são a Doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular, traz consigo um prognóstico bastante reservado, com sobrevida média de 3 a 6 anos após o início dos sintomas. Nas fases mais avançadas de demência, os indivíduos não têm mais capacidade em participar nas decisões que envolvem seu tratamento. Considerando que o respeito pelas preferências individuais é o componente central da assistência médica humanizada, a discussão entre a equipe médica e um paciente com diagnóstico de demência quanto às suas escolhas deveria se dar em fases precoces do quadro demencial. Alguns estudos têm demonstrado que essa comunicação pode ser facilitada através de vídeos que permitam que as pessoas consigam entender melhor os desafios de um doente com doença terminal.

 

Um estudo recentemente publicado pelo British Medical Journal dá um importante passo nessa área do conhecimento. Foram estudados 200 idosos selecionados de uma comunidade da região de Boston nos EUA com média de idade de 75 anos. Metade dos participantes recebeu informações verbais dos problemas enfrentados pelos pacientes com demência em fase avançada e a outra metade além das explicações verbais, assistiu a um vídeo de 2 minutos que mostrava um paciente real em fase avançada com suas dificuldades descritas na explicação verbal. Após assistirem ao material educativo, os participantes deveriam fazer a opção pelo tipo de cuidados médicos que gostariam de receber na fase terminal de um quadro demencial: 1) prolongamento da vida (reanimação cardiopulmonar, ventilação mecânica); 2) cuidado hospitalar dentro de certos limites (internação em hospital mas sem reanimação cardiopulmonar ou internação em UTI); 3) cuidado e conforto (internação hospitalar só se for com a justificativa de gerar conforto).

 

O grupo que assistiu ao vídeo optou mais frequentemente pelo modelo de cuidado e conforto quando comparado ao grupo que não assistiu ao vídeo (86% e 64% respectivamente). Também deram mais preferência ao modelo cuidado e conforto os participantes com maior nível educacional e aqueles com melhor estado de saúde. Após seis semanas, os participantes foram testados novamente e 29% do grupo que só recebeu orientação verbal mudou de opinião quanto à escolha dos cuidados em fase terminal da vida. Em contraste, apenas 6% daqueles que assistiram ao vídeo mudou de opção.

 

A inserção do paciente no processo de decisão de seu tratamento é uma rotina na moderna medicina e esse processo é bem mais complexo quando se fala em escolhas de suporte médico em doentes terminais. O atual estudo sugere que materiais educativos audiovisuais podem auxiliar os pacientes nas suas tomadas de decisão no caso de quadros demenciais, e novos estudos deverão ser realizados para se investigar o papel dessa ferramenta em outros tipos de doença como o câncer.

 

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kwit

 

As atuais estratégias com eficácia comprovada para ajudar um indivíduo a largar o vício do cigarro incluem medicações e aconselhamento individual ou em grupo, e até mesmo por telefone. Além disso, estudos que avaliaram a eficácia de programas de apoio pela internet têm revelado resultados conflituosos. Uma metanálise recém-publicada pelo periódico Archives of Internal Medicine envolvendo 22 diferentes estudos confirma que esses programas pela internet são realmente eficazes.

 

Os estudos avaliados envolveram quase 16 mil participantes de programas anti-tabagistas pela internet e outros 13,5 mil indivíduos que não participaram de tais programas representando o grupo controle. O resultado da análise foi que os participantes do programa tiveram uma chance 1.5 vezes maior de parar de fumar quando comparado ao grupo controle. Após uma ano de seguimento, 10% do grupo que foi submetido ao programa continuou sem fumar e só 5.7% no caso dos controles.

 

O uso da internet não pára de crescer ao redor do mundo e o corpo atual de pesquisas indica que não há como deixar de levar em consideração programas anti-tabagistas baseados na rede de computadores como importantes ferramentas no combate ao tabagismo. Por ser um dos principais problemas de saúde do planeta,  o tabagismo precisa de ações de largo alcance para o seu combate, e por isso,  a internet não pode ficar de  fora.

 

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fish

 

Pesquisadores da Universidade de Manchester no Reino Unido em colaboração com vários outros centros de pesquisa europeus demonstraram que os níveis de vitamina D no organismo estão associados ao desempenho cognitivo de homens com mais de 40 anos de idade. O estudo foi recentemente divulgado pelo periódico inglês Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry. Mais de 3 mil homens foram avaliados do ponto de vista cognitivo, e os testes de velocidade de processamento de informação foram melhores entre os indivíduos com maiores níveis de vitamina D no sangue, sendo que essa associação foi ainda mais robusta naqueles com mais de 60 anos de idade. Alguns raros estudos anteriores já haviam chamado a atenção para essa possível associação, mas com resultados ainda inconsistentes.

 

O nível de vitamina D em nosso organismo é fundamentalmente dependente de sua síntese na pele após exposição ao sol, mas depende também da dieta, especialmente da ingesta da gordura dos peixes, gema de ovo, fígado e alimentos enriquecidos com a vitamina. São poucos estudos que avaliaram os efeitos da vitamina D sobre o cérebro, mas em modelos experimentais, já foram demonstrados receptores para a vitamina em diversas áreas cerebrais, e que sua suplementação é capaz de provocar efeitos de proteção cerebral, até mesmo reduzindo os efeitos do envelhecimento cerebral em roedores.

 

Os resultados não devem ser vistos como uma indicação para a suplementação de cápsulas de vitamina D, pois essa é uma pergunta que ainda deverá ser respondida por estudos subsequentes. Por enquanto, podemos dizer que encontramos mais uma razão para consumir peixes regularmente. Os peixes ricos em vitamina D são praticamente os mesmos ricos em Ômega 3 (ex: salmão, atum), sendo este último componente nutricional de reconhecida eficácia na melhora do desempenho cerebral e também na capacidade de evitar doenças como o derrame cerebral e a Doença de Alzheimer. Mais uma razão também para não deixar de tomar um solzinho.  

 

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Amusement

 

Indivíduos com o diagnóstico da Doença de Parkinson comumente apresentam também o diagnóstico de depressão e alguns estudos chegaram a encontrar uma associação entre o uso de antidepressivos e a Doença de Parkinson. O assunto ainda gera muita discussão e uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry traz novas evidências sobre a relação entre a depressão e a Doença de Parkinson.

 

Uma base de dados de mais 3 milhões de ingleses foi utilizada e de onde foram identificados mil pacientes com o diagnóstico de Doença de Parkinson, além do histórico de uso de antidepressivos. Os resultados mostraram que o diagnóstico da Doença de Parkinson era mais comum entre os indivíduos que usaram antidepressivos antes do diagnóstico da doença, especialmente nos dois anos anteriores ao diagnóstico. Então, isso quer dizer que o uso de antidepressivo aumenta o risco da Doença de Parkinson?

 

A resposta é: provavelmente não. Essa associação entre o uso de antidepressivos e a Doença de Parkinson pode ser melhor entendida nesses casos como o diagnóstico de depressão correspondendo à fase inicial da própria Doença de Parkinson, também chamada de fase pré-motora da doença.

 

Nos últimos anos, a ciência tem entendido como nunca que a Doença de Parkinson vai muito além dos conhecidos sintomas motores classicamente associados à doença, como o tremor, rigidez e lentidão dos movimentos e instabilidade postural. Quando um indivíduo chega a apresentar esses sintomas motores, o cérebro na verdade já apresenta um estado avançado de alterações neuropatológicas. Alguns sintomas têm sido identificados vários anos antes dessa fase motora: depressão e outros transtornos neuropsiquiátricos, transtornos do sono, redução do olfato, constipação e sintomas gástricos, urgência urinária e disfunção sexual.

 

Um diagnóstico de depressão acompanhado de sintomas de lentificação dos movimentos, ou outros sintomas motores, pode na verdade representar uma manifestação precoce da Doença de Parkinson. O importante disso é que diagnóstico precoce significa tratamento precoce e melhor qualidade de vida para quem sofre da doença.

 

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 PA

 

Dois estudos recém-publicados numa mesma edição da revista Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, discutem a relação entre a hipertensão arterial ao longo da vida e o risco de apresentar demência em idades avançadas. O primeiro estudo demonstrou que indivíduos hipertensos na meia idade, e que faziam tratamento com medicações anti-hipertensivas, esses apresentaram menos risco de demência do que aqueles que não usaram medicações, e também menor risco do que aqueles que nem apresentavam pressão alta. Esse grupo de hipertensos tratados ainda apresentou menor contingente de alterações cerebrais características da Doença de Alzheimer ao terem seus cérebros examinados. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta.

 

Em nenhum dos dois estudos foi possível identificar a superioridade de uma determinada classe de anti-hipertensivo sobre outra. À luz do conhecimento atual, as evidências são de que o tipo de droga utilizada não faz tanta diferença, mas já há evidências de que o efeito protetor dos anti-hipertensivos no cérebro vai além do poder de controlar a pressão arterial, podendo atuar, por exemplo, nos mecanismos de progressão da Doença de Alzheimer. Além disso, o achado de que o benefício do tratamento não é tão robusto após uma certa idade (75 anos) chama a atenção para o reconhecido fato de que os idosos apresentam um diferente estado de regulação dos vasos sanguíneos, e que os anti-hipertensivos devem ser usados com mais cuidado do que nos jovens. Níveis baixos de pressão arterial, que podem não representar qualquer risco para um jovem, no idoso pode chegar a provocar lesão cerebral do tipo isquemia por baixo fluxo da circulação.

 

E qual será o mecanismo pelo quak o tratamento da hipertensão arterial é capaz de reduzir o risco da Doença de Alzheimer? Sabemos que a hipertensão arterial é um dos principais vilões para o pleno funcionamento dos vasos sanguíneos e esse efeito pode ser visto tanto nos grandes vasos sanguíneos quanto na microcirculação. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas, vegetais e Ômega-3 e o consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.

 

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pinoquio

 

A Doença de Parkinson é muito conhecida pelos seus sintomas motores tais como o tremor e rigidez, mas o fato é que a doença vai muito além disso. Já é bem reconhecida a redução de funções cognitivas na evolução da doença e há quase um século atrás já se descrevia de que os parkinsonianos apresentariam uma personalidade peculiar e os estudos têm consistentemente demonstrado que há uma tendência a um maior grau de determinação, seriedade e inflexibilidade.

O processo de degeneração cerebral associado à doença é visto como um grande candidato para explicar esses traços de personalidade. A honestidade também é descrita como um traço peculiar da personalidade do parkinsoniano, descrita como uma tendência em não mentir. Nesse caso, o mais provável é que os doentes tenham dificuldade em mentir devido às alterações cerebrais e não porque sejam genuinamente mais honestos. E foi isso que pesquisadores japoneses conseguiram confirmar em um elegante estudo recém-publicado no periódico especializado Brain.

Num teste psicológico experimental, indivíduos com o diagnóstico da Doença de Parkinson apresentaram mais dificuldade em dar respostas falsas quando comparados ao grupo controle sem a doença. Além disso, foi demonstrado que essa dificuldade em mentir foi maior entre os parkinsonianos que tinham menor metabolismo cerebral nas regiões pré-frontais, medido por tomografia por emissão de positrons (PET). Estudos anteriores já haviam demonstrado que essas mesmas regiões pré-frontais são ativadas quando um indivíduo saudável conta uma mentira. Essa foi a primeira vez que se demonstrou a base biológica da personalidade honesta dos portadores da Doença de Parkinson e que esta está associada à disfunção nas regiões frontais do cérebro.

 

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earth

 

Um documento recém-divulgado pelo periódico científico The Lancet e construído em parceria com a University College London envolvendo especialistas de inúmeras áreas do conhecimento relata que as mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde das pessoas no século 21. O documento ressalta que se ações efetivas não forem tomadas, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, nossos filhos, netos, e daí em diante, pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

Os pesquisadores conduziram o estudo focando em seis principais dimensões do problema: 1) padrões de doença e mortalidade; 2) segurança alimentar; 3) água e sanitarismo; 4) habitação; 5) eventos extremos (ex: catástrofes naturais); 6) migração populacional. O desequilíbrio causado pelas mudanças climáticas  levará a  uma maior disseminação de agentes infecciosos como a dengue e a malária; a própria onda calor já é uma ameaça à saúde, já tendo sido responsável por milhares de mortes na nossa história recente; espera-se limitação das fontes de água limpa e também de alimento, pois sabe-se hoje que as plantações são mais sensíveis ao calor do que se pensava antes; a rápida urbanização criará condições de habitação cada vez mais vulneráveis às ondas de calor; atualmente as catástrofes naturais como furacões e ciclones já são duas vezes mais comuns do que há 20 anos atrás e a expectativa é que o nível do mar suba de 0.5 a 1.2m nesse século – já há estudos projetando uma elevação de até 5m.

 

O estudo também chama a atenção para a atual falta de conhecimento de como enfrentar as conseqüências negativas à saúde pública causadas pelas mudanças climáticas. E o maior recado do documento é que esse é um problema que deve estar na mente das autoridades de saúde e de cada indivíduo desde já, ou melhor, já há algum tempo.

 

 

Ler também:  Aquecimento global –   Os médicos têm muito a colaborar.

 

 

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O jornalismo é freqüentemente criticado por divulgar conteúdo sensacionalista, e no caso do jornalismo em saúde, critica-se que muitas matérias supervalorizam os resultados de uma pesquisa e ainda deixam de reportar suas limitações. Um exemplo bem ilustrativo é uma recente publicação por uma das mais importantes agências de notícias do mundo: “Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo”. Parece até que é bom fumar maconha quando jovem para prevenir a Doença de Alzheimer. Na verdade a matéria trata de estudos experimentais com ratinhos em busca de uma droga sintética que ao se ligar nos mesmos receptores que atua a maconha no cérebro, poderia então reduzir alterações inflamatórias que colaboram para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer. Isso está bem longe da chamada “Maconha pode preservar memória na velhice”, e nesse caso específico, ao lado do título ainda tem um jovem fumando um cigarro de maconha.   

 

Mas será que está só nas mãos dos jornalistas a responsabilidade pela qualidade das matérias em ciências da saúde divulgadas pela mídia? Um estudo recém-publicado pelo periódico Annals of Internal of Medicine sugere que os institutos de pesquisa têm muito a colaborar para a melhoria da qualidade da informação que chega até o público leigo.

 

Com a suspeita de que parte daquilo que se aponta como sensacionalista tenha origem nos próprios comunicados de imprensa disponibilizados pelos institutos de pesquisa, pesquisadores americanos avaliaram sistematicamente os comunicados de imprensa de vinte diferentes institutos de pesquisa. A análise desses comunicados revelou que cada instituição disponibilizava uma média de 49 comunicados por ano. Dentre os comunicados analisados, quase metade (44%) era referente a estudos laboratoriais ou experimentos com animais, sendo que 74% desses frisavam de forma explícita a potencial relevância do estudo para a saúde humana. Ao se analisar os estudos realizados em humanos, 23% omitiu o tamanho da amostra estudada e 34% não quantificou os resultados. Apenas 17% dos comunicados de pesquisas com humanos eram referentes a pesquisas com metodologia robusta (ex: estudos randomizados, metanálises). Por outro lado, 40% dos estudos tinham metodologia frágil (ex: pequeno número de participantes, resultados ainda não publicados), sendo que desses, 58% não fizeram qualquer menção quanto a estas limitações.

 

Os resultados dessa pesquisa são consistentes com o que já havia sido demonstrado no caso de comunicados de imprensa disponibilizados pela indústria farmacêutica e até mesmo pelos periódicos científicos: os comunicados costumam promover pesquisas preliminares sem alertar o leitor, no caso os jornalistas, os cuidados necessários para o julgamento da relevância e validade dos resultados.  Os pesquisadores também têm sua participação nessa história, já que muitas vezes o entusiasmo de suas participações nos comunicados vão além daquilo que se pode considerar compatível com os resultados da pesquisa. A geração de um menor número de comunicados de imprensa por parte dos centros de pesquisa, mas com maior qualidade, pode melhorar sobremaneira a informação em saúde que chegará aos jornalistas, e consequentemente, à sociedade como um todo.

 

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insomnia

 

A enxaqueca está entre as doenças neurológicas mais comuns e que mais negativamente influenciam a qualidade de vida. É bem reconhecido que o tamanho do problema é muito maior que as dores de cabeça, já que a enxaqueca está associada a uma série de outras condições clínicas, também chamadas de comorbidades (ex: ansiedade, depressão, doença cerebrovascular).

 

A busca por um sono regular é uma recomendação a todo indivíduo com diagnóstico de enxaqueca, sendo que tanto a privação de sono como o excesso de horas de sono, ambos podem desencadear crises de enxaqueca.  A relação entre sono e enxaqueca não pára por aí. Cerca de dois terços das crises de enxaqueca já começam ao despertar pela manhã. Entretanto, uma pergunta que ainda em aberto é se a enxaqueca está associada a uma pior qualidade de sono, e um novo estudo recém-publicado no periódico especializado inglês Cephalalgia ajuda a responder essa questão.

 

Pesquisadores austríacos avaliaram cerca de 500 pessoas com o diagnóstico de enxaqueca e sem a doença (grupo controle) aplicando escalas que avaliam qualidade de sono, nível de fadiga e sonolência diurna, e grau de ansiedade e depressão. Os resultados demonstraram uma pior qualidade de sono no grupo com diagnóstico de enxaqueca, pior ainda entre aqueles com maior freqüência de crises e independente do grau de ansiedade ou depressão. Com isso, aumenta a lista dos problemas que são mais comuns entre indivíduos com enxaqueca do que na população geral.   

 

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Nos últimos cinco anos, a comunidade internacional tem se preparado para uma nova pandemia do vírus influenza. No ano de 2006, o periódico científico The Lancet publicou um estudo que predizia o nível de impacto da próxima pandemia de influenza, baseado em dados da gripe espanhola do início do século 20 que provocou a morte de 20 a 100 milhões de pessoas.

 

Os números calculados foram os seguintes: uma próxima pandemia causaria cerca 62 milhões de mortes, sendo que 96% delas ocorreria em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento [Murray et al,  2006]. Os países ricos sofreriam menos, e a Organização Mundial da Saúde atualmente reconhece a França e a Inglaterra como os países mais preparados. A medicina moderna com suas UTIs, vacinas, medicações antivirais e antibióticos podem reduzir sobremaneira o impacto de uma pandemia, mas o que dizer dos países pobres que ainda não conseguem controlar doenças infecciosas já bem conhecidas como a malária?

 

No caso  da gripe suína, a melhor atitude até o momento, pelo menos nos países onde já existem casos confirmados da doença, ou no caso de viajantes que retornam de países afetados, é o isolamento domiciliar de pessoas com sinais típicos de gripe, além de outras medidas de isolamento social. A chance de se reduzir o risco de uma pandemia está também nas mãos de cada cidadão.

   

 

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Estudos já haviam demonstrado que o hábito de jogar videogames de ação é capaz de aumentar o desempenho em testes de atenção. Agora, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Neuroscience demonstra que os videogames de ação também podem incrementar a capacidade visual, especialmente na sensibilidade de percepção de contrastes.

 

A percepção de contrastes é a base para a correta identificação de objetos e para a atração da atenção, sendo fundamental, por exemplo, quando dirigimos à noite. O efeito positivo do videogame de ação sobre essa capacida de viisual se dá provavelmente através da estimulação de circuitos neurais e não por “melhorias” do olho em si. Além disso, o ganho na percepção de contrastes pode durar por meses, ou mesmo anos após a época em que o indivíduo foi estimulado, o que abre a possibilidade do videogame ser uma forma de contrabalancear a perda dessa função que comumente ocorre com o envelhecimento.

 

Os resultados dessa pesquisa dão mais suporte à nova tendência em se treinar atletas de elite com videogames de ação, e isso já tem sido aplicado aos tenistas profissionais. Quanto às crianças é importante colocar limites, pois o comportamento de uso patológico do videogame está associado a menor desempenho escolar entre outros problemas. Uso patológico do videogame não é só o fato da criança jogar muitas horas por dia, mas é quando chega a interferir no seu funcionamento psicológico, comprometendo suas relações sociais, na família ou sua atuação na escola. Uma ampla pesquisa publicada recentemente pelo periódico Psychological Science revelou que 8,5% dos americanos com idades entre 8 e 18 anos podem ser considerados como jogadores de videogame em nível patológico, com uma média de 24 horas semanais de jogo.

 

A história é quase sempre a mesma: não é a tecnologia em si que nos traz problemas, mas sim aquilo que decidimos fazer com ela.    

 

  

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Um dos maiores gargalos para o sucesso de um programa de transplante de órgãos é o consentimento da doação de órgãos pela família. Há uma série de famílias que declara ser a favor da doação de órgãos, mas na hora de tomar a decisão muda de idéia. É de extrema importância a identificação de fatores que possam ser explorados para aumentar o número de famílias que irão decidir pela doação e uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal examinou os 20 principais estudos que investigaram essa questão.

 

Identificou-se que os fatores mais importantes para o sucesso da doação de órgãos foram: 1) fornecer aos familiares adequada informação sobre o processo de doação e seus benefícios; 2) alta qualidade nos cuidados ao potencial doador; 3) garantir que os familiares tenham um claro entendimento sobre o conceito de morte cerebral; 4) antecipar o processo de solicitação de doação ao momento da notificação da morte cerebral do potencial doador; 5) realizar o processo de solicitação de doação em ambiente privativo; 6) envolver profissionais treinados no processo de solicitação de doação. Existem evidências também de que é preciso dar tempo para a família refletir. É recomendável que, mesmo após uma primeira posição negativa da família, seja feita uma nova abordagem, já que muitas famílias mudam de opinião.

 

O número de pessoas aguardando na fila do transplante aumenta cada dia mais, mas não se vê o mesmo crescimento no número de doadores. Uma grande porcentagem das pessoas que precisam de transplante literalmente morre na fila e esse grave problema de saúde pública deve ser tratado da forma mais profissional possível. O processo de solicitação de doação junto às famílias requer tempo e treinamento, e o plantonista da UTI na maioria das vezes não é o profissional mais indicado para assumir esse papel. O presente estudo sugere que a melhoria do processo de comunicação com a família seja o fator que consiga mais rapidamente incrementar o número de doações num programa de transplante. Em nosso meio, ainda contamos com dificuldades como a falta de aparelhagem e profissionais preparados para o diagnóstico de morte cerebral, situação que tem sido oportunamente exposta pelo Dr. Drauzio Varella em recente campanha na TV.

 

 

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Indivíduos que têm doença isquêmica do coração devem evitar o estresse a todo custo, já que podem ter seus níveis da pressão arterial aumentados, entre outras alterações fisiológicas, o que pode gerar complicações graves, como é o caso da morte súbita. Uma série de estudos já foi realizada testando o poder da música sobre a saúde de quem sofre de doenças do coração e uma análise recém-publicada pelo respeitado sistema Cochrane de revisões concluiu que a música pode ser um grande aliado das coronárias.

 

Os pesquisadores revisaram os resultados de 23 estudos incluindo ao todo 1461 pacientes. Apenas dois desses estudos foram conduzidos por musicoterapeutas, enquanto nos demais estudos, os pacientes recebiam CDs pré-gravados e distribuídos pelos profissionais de saúde.  Os resultados da análise revelaram que a música é capaz de reduzir a ansiedade, pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória e até mesmo a percepção de dor. Ainda é necessário definir se o efeito da música oferecida por um musicoterapeuta é maior do que o de CDs pré-gravados.

 

E por quais caminhos a música é capaz de trazer esses benefícios aos que sofrem do coração? As melhores evidências que temos até o momento apontam que a música prazerosa é capaz de ativar centros cerebrais que irão modular o sistema nervoso autônomo, promovendo com isso uma redução da atividade de nossas descargas de adrenalina e hormônios do estresse. Entre os pacientes cardíacos que são submetidos a procedimentos invasivos, como é o caso do cateterismo, a música é capaz de modular os circuitos da dor e reduzir a ansiedade associada ao procedimento. Mais uma vez, o efeito final é uma menor ativação das respostas de estresse. Entretanto, quando a música não é prazerosa, o efeito pode ser exatamente oposto.

 

  

 

 

 

 

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Quando vemos um atleta ingerindo soluções especiais ou alimentos durante uma prova de longa duração, o que vem à nossa cabeça é que ele está se hidratando e repondo calorias e sais minerais. Em provas muito longas em que há redução das fontes de glicose dos músculos (glicogênio), é reconhecido que os atletas que repõem carboidratos durante a atividade têm melhor desempenho. Entretanto, em provas mais curtas, como grande parte dos esportes coletivos, ainda é discutível se a reposição de carboidratos é capaz de trazer algum tipo de benefício, e há estudos que confirmaram esse benefício, enquanto outros não. Faz sentido duvidar desse efeito, já que numa prova de uma hora de duração, sabe-se que a contribuição das fontes de glicose dos músculos é mais importante do que o nível sanguíneo da glicose. Além disso, a quantidade de carboidrato que o organismo consegue absorver nesse período não é muito relevante, não passando de uns 20g.

 

Talvez o possível efeito positivo da administração de carboidratos não seja diretamente nos músculos, mas sim no cérebro. Essa possibilidade tomou mais corpo após alguns recentes estudos que demonstraram que a injeção de glicose na veia não foi capaz de melhorar o desempenho do atleta, enquanto o mero contato na boca de solução de carboidratos sem sabor doce (Maltodextrina) foi capaz de melhorar o desempenho.  Isso levantou a hipótese de que os carboidratos se ligam a receptores na boca (ainda desconhecidos), independentemente de ter sabor adocicado, que ativariam o sistema nervoso central e que por sua vez melhoraria o desempenho do atleta.    

 

Um novo estudo recém-publicado no The Journal of Physiology foi mais além. Pesquisadores da Universidade de Birmingham administraram três tipos de bebidas a ciclistas bem treinados: solução à base de glicose 6,4%, outra à base de Maltodextrina e outra só de água. Foi adicionado adoçante artificial às três soluções para que ficassem com sabor parecido, e solicitado aos atletas que apenas colocassem a solução na boca por 10 segundos e depois a cuspissem fora. Usaram a solução por oito vezes durante repetidos treinos de ciclismo de uma hora e apresentaram melhor desempenho quando usaram as soluções que continham carboidratos, e pior desempenho com a solução de água.

 

Os pesquisadores ainda avaliaram a resposta cerebral ao contato na boca de cada tipo de solução através de ressonância magnética funcional. E o resultado foi que ambas as soluções de carboidrato ativaram regiões cerebrais do sistema de recompensa cerebral, que também é ativado quando comemos de verdade algo prazeroso, ou quando experimentamos diversas outras formas de prazer. Os resultados sugerem que os carboidratros ajudam no desempenho dos atletas ao fazerem com que o cérebro dê um empurrãozinho como, por exemplo, ao perceber menos sinais de cansaço. O estudo ainda sugere que existem receptores na boca capazes de enviar sinais ao cérebro quando entram em contato com carboidratos. Ainda não se conhece que receptores são esses.

 

 

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Nosso cérebro pode processar informações em frações de segundo quando se trata de coisas simples como o ato de perceber sinais de dor física numa pessoa à nossa frente. Entretanto, a capacidade de análise moral de situações com contextos psicológicos e sociais está associada a processos cerebrais que necessitam de mais tempo para reflexão, uma atenção emocional mais persistente, é o que revela um estudo em publicação no Proceedings of the National Academy of Sciences, liderado pelo renomado neurocientista Antonio Damasio da Universidade da Califórnia do Sul.


Os pesquisadores submeteram voluntários a assistir histórias reais contadas por pessoas reais que geram sentimentos de admiração pela virtude humana ou de compaixão à dor física ou social. Exames de neuroimagem demonstraram que o cérebro respondia instantaneamente à percepção de dor física do outro, mas demorava cerca de 6 a 8 segundos para responder às histórias que evocavam admiração ou compaixão pela dor emocional. Essas respostas além de demorarem mais para serem ativadas, também tinham uma duração maior.  Outro resultado importante foi que as áreas cerebrais ativadas ao se perceber a dor do outro foram as mesmas que nos fazem ter consciência do nosso próprio corpo – uma expressão biológica daquilo que conhecemos como” não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem com você”. 

 

Os resultados do grupo de Damasio levantam sérias questões relacionadas ao nível de impacto que a alta velocidade do mundo contemporâneo terá na construção de nossa sociedade. Qual será o impacto dos videogames violentos, em que a rapidez não permite a geração de sentimentos pelo infortúnio das personagens?  O quanto de emoção nosso cérebro vivencia numa sociedade que tem cada vez mais se comunicado através de mensagens de texto curtas? A admiração é uma das principais ferramentas que nos ajuda a separar o bom do ruim, e junto à compaixão, representam dois importantes pilares de nosso sistema moral. Nosso cérebro não reclama em correr para entender mensagens Twitter ou reconhecer que o outro está com uma perna quebrada, mas demora para entender que o outro está com o coração partido. 

 

 

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No começo da década de 50, evidências da associação entre o tabagismo e câncer de pulmão já começavam a aparecer, causando redução significativa nas vendas de cigarro nos EUA. Em 1953, as lideranças das principais indústrias de cigarro se encontraram secretamente na cidade de Nova Iorque e decidiram disparar um informe publicitário em 48 diferentes jornais para contornar as más notícias: “ O interesse na saúde das pessoas  é uma responsabilidade básica, assim como qualquer outra dimensão de nosso negócio”. Prometiam ainda: “Temos cooperado e sempre estaremos cooperando para a salvaguarda da saúde pública”. Nas décadas de 60 e 70 continuaram com um mantra que não tinha muito apego à verdade: “Ainda não há provas de que o cigarro cause câncer”.

 

A obesidade é uma pandemia que está lado a lado com o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O cerco à indústria alimentícia tem ficado mais apertado e hoje podemos observar restrições à propaganda e aumento dos impostos de alimentos considerados não saudáveis, assim como escolas que têm proibido a venda de refrigerantes, biscoitos e salgadinhos industrializados. Em resposta, atitudes defensivas por parte da indústria de alimentos têm sido observadas. Recentemente a Austrália exigiu que a Coca-Cola publicasse nos jornais uma correção do conteúdo de campanha publicitária que dizia que muito do que se fala da bebida é mito. A peça publicitária incluía uma atriz famosa dizendo que o consumo de coca-cola é seguro para crianças, que não contém cafeína e que é mentira que causa cáries ou que engorda. A Coca-Cola acatou a exigência, mas jogou o problema para os consumidores: ”Coca-cola contém calorias sim, tem conteúdo ácido sim, mas é de responsabilidade do consumidor regular o seu consumo”. Ainda nesse ano, moradores da Califórnia nos EUA moveram uma ação contra a mesma Coca-Cola após anúncios de sua água “vitaminada” (vitaminwater) prometendo que ela seria capaz de melhorar a força física por contribuir com a integridade estrutural do sistema músculo-esquelético.

 

Se a indústria de alimentos quiser manter a confiança dos consumidores, muitas ações poderiam estar sendo implantadas, a começar pela eliminação de campanhas publicitárias enganosas. Deveria também evitar publicidade dirigida às crianças de alimentos sem vantagens nutricionais e informar nos rótulos dos alimentos o conteúdo nutricional de forma mais clara possível. Milhões de mortes poderiam ter sido evitadas se a indústria tabagista tivesse sido honesta já na década de 50 e espera-se que a tragédia sirva de aprendizado para que a sociedade civil e os órgãos regulatórios do governo sejam mais ágeis em cobrar transparência e integridade da indústria alimentícia.

 

 

 

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