hands

 

O diagnóstico de demência, cujas principais causas são a Doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular, traz consigo um prognóstico bastante reservado, com sobrevida média de 3 a 6 anos após o início dos sintomas. Nas fases mais avançadas de demência, os indivíduos não têm mais capacidade em participar nas decisões que envolvem seu tratamento. Considerando que o respeito pelas preferências individuais é o componente central da assistência médica humanizada, a discussão entre a equipe médica e um paciente com diagnóstico de demência quanto às suas escolhas deveria se dar em fases precoces do quadro demencial. Alguns estudos têm demonstrado que essa comunicação pode ser facilitada através de vídeos que permitam que as pessoas consigam entender melhor os desafios de um doente com doença terminal.

 

Um estudo recentemente publicado pelo British Medical Journal dá um importante passo nessa área do conhecimento. Foram estudados 200 idosos selecionados de uma comunidade da região de Boston nos EUA com média de idade de 75 anos. Metade dos participantes recebeu informações verbais dos problemas enfrentados pelos pacientes com demência em fase avançada e a outra metade além das explicações verbais, assistiu a um vídeo de 2 minutos que mostrava um paciente real em fase avançada com suas dificuldades descritas na explicação verbal. Após assistirem ao material educativo, os participantes deveriam fazer a opção pelo tipo de cuidados médicos que gostariam de receber na fase terminal de um quadro demencial: 1) prolongamento da vida (reanimação cardiopulmonar, ventilação mecânica); 2) cuidado hospitalar dentro de certos limites (internação em hospital mas sem reanimação cardiopulmonar ou internação em UTI); 3) cuidado e conforto (internação hospitalar só se for com a justificativa de gerar conforto).

 

O grupo que assistiu ao vídeo optou mais frequentemente pelo modelo de cuidado e conforto quando comparado ao grupo que não assistiu ao vídeo (86% e 64% respectivamente). Também deram mais preferência ao modelo cuidado e conforto os participantes com maior nível educacional e aqueles com melhor estado de saúde. Após seis semanas, os participantes foram testados novamente e 29% do grupo que só recebeu orientação verbal mudou de opinião quanto à escolha dos cuidados em fase terminal da vida. Em contraste, apenas 6% daqueles que assistiram ao vídeo mudou de opção.

 

A inserção do paciente no processo de decisão de seu tratamento é uma rotina na moderna medicina e esse processo é bem mais complexo quando se fala em escolhas de suporte médico em doentes terminais. O atual estudo sugere que materiais educativos audiovisuais podem auxiliar os pacientes nas suas tomadas de decisão no caso de quadros demenciais, e novos estudos deverão ser realizados para se investigar o papel dessa ferramenta em outros tipos de doença como o câncer.

 

ICONEPOSTsmall

Anúncios