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Em fins do século XIX, o economista irlandês Francis Edgeworth imaginou uma máquina que poderia ser capaz de medir o grau de felicidade de um indivíduo, à qual ele deu o nome de hedonímetro. De fato, cientistas sociais têm quebrado a cabeça há muito tempo para criar métodos capazes de medir a felicidade e uma das maiores limitações para desenvolver a ferramenta ideal é que as informações são menos fidedignas quando o indivíduo sabe que está sendo testado.
Um cientista da computação e um matemático da Universidade de Vermont nos EUA criaram um tipo de hedonímetro capaz de avaliar o grau de felicidade em gigantescas amostragens da população, sem o conhecimento de quem está sendo testado, e seus resultados acabam de ser publicados no periódico Journal of Happiness Studies. Os pesquisadores analisaram um banco de dados de emoções humanas conhecido por We Feel Fine (“nós nos sentimos bem” – www.wefeelfine.org ) que desde o ano de 2005 concentra diariamente 15 a 20 mil novas expressões do sentimento humano provenientes de blogs, incluindo frases escritas na primeira pessoa que contenham a palavra feel (sinto). Foram ainda analisadas 232 mil letras de músicas de mais de 20 mil artistas entre os anos de 1960 e 2007 através do portal www.hotlyrics.net.
Cerca de dez milhões de sentenças receberam uma nota para seu teor de felicidade, dentro de uma escala de 1 a 9 através de metodologia previamente desenvolvida (Estudo ANEW). Nessa escala, por exemplo, a palavra triunfante tem pontuação de 8.87, enquanto a palavra rua tem 5.22 e suicídio 1.25. Entre inúmeros achados, os pesquisadores demonstraram uma redução do grau de felicidade nas letras de músicas ao longo das últimas décadas. Por outro lado, o grau de felicidade nos blogs teve um crescimento sustentado desde o nçio da análise em 2005 até 2009. Foi possível também identificar algumas datas em que o nível de felicidade foi fortemente diferente dos dias que as antecederam ou que as sucederam. Observou-se um pico de maior felicidade nos dias de natal, dia dos namorados, última eleição americana e um pico de queda nos dias próximos à morte do astro Michael Jackson e nos dias próximos ao 11 de setembro. O nível de felicidade não foi diferente entre mulheres e homens, apesar das mulheres apresentarem maior variabilidade. Além disso, o grau de felicidade foi maior em países mais próximos ao equador.
É evidente a importância de se medir a intensidade e a natureza dos estados emocionais em nível populacional e a ferramenta desenvolvida no presente estudo mostra-se muito promissora para o melhor entendimento de fenômenos sociais e econômicos, além de poder apoiar a construção de políticas públicas. Danforth, um dos autores do estudo, revela: “ As crianças de hoje herdam um mundo eletrônico que ainda não conhecemos bem, e é fundamental o desenvolvimento de novas ferramentas para entender esse mundo”.
Uma pesquisa recém-publicada pelo American Journal of Nutrition investigou o padrão de consumo de peixe numa população de cerca de 15 mil idosos na China, Índia, Cuba, República Dominicana, Venezuela, México e Peru, e os resultados confirmam estudos anteriores realizados em países desenvolvidos: o consumo de peixe está associado a um menor risco de demência. Essa é a primeira vez que esse efeito é demonstrado em países fora do eixo Europa e América do Norte, e também é a maior pesquisa realizada até o momento sobre esse assunto.
Mais de 24 milhões de indivíduos no mundo apresentam o diagnóstico de demência, sendo que suas causas mais comuns são a doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular. Calcula-se que cerca de dois terços dos casos de demência encontram-se em países pobres e em desenvolvimento, porém esse é um problema que tem sido relativamente negligenciado nesses países. O atual estudo reforça a recomendação consensual de que se deve comer peixe pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.
O grande responsável por esse efeito protetor do peixe é o ômega-3, um tipo de gordura com efeitos antioxidantes, antiinflamatórios, antiateroscleróticos e neuroprotetores. Sabemos também que há peixes especialmente ricos em ômega-3, como é o caso do atum, sardinha e salmão. Vale ressaltar que sardinha e atum em lata também vale! Pesquisadores da Escola Paulista da Medicina avaliaram as sardinhas em conserva disponíveis no nosso mercado e demonstraram um conteúdo de ômega-3 bem satisfatório. Diferentemente dos peixes em conserva, o peixe quando é frito perde o status de protetor do cérebro e do coração.
Quanto à carne vermelha, o presente estudo evidenciou que seu efeito foi o oposto do encontrado com o peixe: quanto maior o consumo, maior o risco de demência. Esses resultados são consistentes com outras pesquisas prévias. Além disso, recentemente foi demonstrado também que quem come menos carne vermelha vive mais. Calcula-se que 11-16 % das mortes poderia ser evitada se as pessoas comessem menos carne vermelha, e a redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares poderia chegar a 21%. As carnes vermelhas contêm grande quantidade de gordura saturada que por sua vez está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem reconhecidos compostos carcinogênicos, que podem ser ainda mais concentrados nas carnes processadas.
Não é o caso de radicalizar e recomendar que todo mundo pare de comer carne vermelha. Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas a menos de 10% das calorias diárias já é o suficiente. Nesse sentido, dietas com altos teores de carne vermelha como fonte de proteína (ex: dieta do “Dr. Atkins”) não garantem bons resultados à saúde quando se pensa a longo prazo. Por outro lado, um peixinho 2 a 3 vezes por semana é um ótimo negócio à saúde.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine revelou que crianças que jogaram videogames pela internet que promoviam o consumo de alimentos saudáveis passavam a fazer escolhas mais saudáveis quando um lanche lhes era oferecido. Após o jogo, as crianças deram mais preferência a suco de laranja e frutas do que a refrigerante e batatas fritas. O game utilizado foi o famoso Pac-Man (Come-Come), bonequinho que come o que encontra pela frente. A cada alimento nutritivo que se comia, o jogador acumulava dez pontos. Em contaste, cada alimento pouco nutritivo que se comia, 10 pontos eram perdidos.
Não há como negar que boa parte da informação que chega até às crianças e adolescentes tem origem na mídia, especialmente a televisão, o cinema e a internet. Uma série de pesquisas tem demonstrado que o conteúdo da mídia é capaz de influenciar atitudes e comportamentos, incluindo o tabagismo, a violência, e também as escolhas nutricionais. É forte o apelo dos comerciais de produtos alimentícios durante a programação de TV infanto-juvenil, sendo que a grande maioria das propagandas gira em torno de alimentos que não poderiam ser considerados muito saudáveis a esse público. Essa é uma questão que gera grande preocupação devido à sua bem reconhecida associação com o crescente problema da obesidade infanto-juvenil.
Como não poderia deixar de ser, os pais têm um papel importantíssimo nessa relação dos filhos com a mídia, e três orientações básicas podem ajudar.
1- Limitar o acesso à mídia. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições, e no caso de crianças menores de dois anos de idade, evitar a TV de uma forma geral.
2- Alfabetização midiática. Os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas pela publicidade na mídia e a interpretá-las criticamente.
3- Contramarketing. A mesma mídia que incentiva hábitos e atitudes pouco saudáveis pode também ajudar a divulgar aquilo que faz realmente bem à saúde. Isso pode ser explorado através da TV, e até mesmo videogames educativos podem ajudar nesse processo, como foi demonstrado na pesquisa do Pac-Man descrita acima. Cabe aos pais identificarem oportunidades na mídia que sejam positivas do ponto de vista nutricional.
Como saber se a dificuldade de memória de uma pessoa idosa já é sinal de um quadro demencial, como é o caso da Doença de Alzheimer? Essa é uma pergunta que vem muito à cabeça das pessoas que convivem com o envelhecimento de seus entes queridos e mobiliza também uma série de pesquisas para que o diagnóstico da Doença de Alzheimer e outros tipos de demência seja feito o mais precocemente possível.
Nessa busca por um diagnóstico precoce, pesquisadores americanos desenvolveram um índice capaz de classificar de forma acurada o risco de um indivíduo idoso em vir a desenvolver um quadro de demência. O estudo acaba de ser publicado pela revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.
Os pesquisadores acompanharam cerca de 3400 idosos com 76 anos em média e sem o diagnóstico de demência. Após seis anos de seguimento, 480 deles (14%) desenvolveram um quadro demencial. Desse total, 51% apresentava o diagnóstico de Doença de Alzheimer, 13% de demência vascular, 31% demência mista (Alzheimer + vascular) e 5% outros tipos de demência.
A partir das características clínicas dessa população, foi criado um índice com pontuação que vai de 0 a 15 pontos e que foi capaz de estratificar o risco de demência em baixo, médio e alto. Os dois fatores com maior poder em predizer o risco de demência foram a idade e o desempenho nos testes cognitivos. Além disso, o índice incluiu uma série de marcadores de doenças vasculares, consistente com o atual consenso de que a doença vascular contribui para a manifestação de quadros demenciais, incluindo a Doença de Alzheimer. Ainda colaboraram para o cálculo do índice de risco de demência: dados da ressonância magnética do cérebro e teste genético para Doença de Alzheimer.
RISCO DE DEMÊNCIA EM 6 ANOS
Índices 0-3 BAIXO RISCO de demência 4% de risco
Índices 4-7 MÉDIO RISCO de demência 23% de risco
Índices ≥8 ALTO RISCO de demência 54% de risco
Esses resultados ainda precisam ser validados em outras populações, mas o índice de risco de demência promete ser uma ferramenta extremamente útil na relação entre o médico, o idoso e sua família. O cálculo de um baixo índice pode ajudar sobremaneira a tranqüilizar aqueles que estão preocupados de forma exagerada quanto ao futuro risco de demência. Por outro lado, índices de alto risco também podem ser úteis no sentido de convencer o paciente e sua família de que as atitudes preventivas para a demência, como por exemplo, a atividade física e intelectual, devem ser incrementadas ainda com mais ênfase. A informação de um índice de alto risco também pode vir a apoiar um melhor planejamento do futuro.
ÍNDICE DE RISCO DE DEMÊNCIA (Barnes et al., 2009)
| Idade | Pontos (0 a 15) |
| 75-79 anos | 1 |
| ≥ 80 anos | 2 |
| Testes cognitivos | 0-4 |
| Índice de massa corporal < 18.5 | 2 |
| Teste genético – presença de ≥ 1 alelos da apolipoproteína E e4 | 1 |
| Ressonância magnética | |
| Alargamento dos ventrículos | 1 |
| Doença de pequenos vasos cerebrais | 1 |
| Ultrassom de carótidas – espessamento médio-intimal ≥ 2.2mm | 1 |
| História de cirurgia cardíaca (bypass) | 1 |
| Desempenho motor lento (velocidade para vestir e abotoar uma camisa ≥ 45s) | 1 |
| Abstenção de álcool | 1 |
No ano de 2006, um importante estudo científico (INTERMAP) demonstrou que o consumo de proteínas de origem vegetal está associado à redução da pressão arterial, ao mesmo tempo em que confirmou estudos anteriores de que o consumo total de proteínas não aumenta os níveis pressóricos. Entretanto, esta pesquisa não foi capaz de definir qual o micronutriente das proteínas vegetais que mais colabora para esse efeito preventivo da hipertensão arterial. O periódico Circulation, jornal oficial da Associação Americana do Coração, acaba de publicar a extensão do estudo INTERMAP evidenciando que o ácido glutâmico, principal aminoácido encontrado nas proteínas vegetais, é um dos micronutrientes que ajudam a controlar a pressão arterial. Essa é uma das formas de se explicar a razão pela qual os vegetarianos têm menor tendência a desenvolver hipertensão arterial.
A hipertensão arterial é o principal fator de risco para duas das principais causas de morte em todo o mundo: o infarto do coração e o derrame cerebral. Mesmo com todo o progresso da medicina moderna, infelizmente, grande parte da população adulta é hipertensa. É bem reconhecido que o indivíduo hipertenso carrega consigo um fator determinante genético, mas a boa notícia é que fatores dietéticos e de estilo de vida são fortes aliados para prevenir a doença.
Dez ingredientes para prevenir a hipertensão arterial. Quanto mais desses ingredientes forem usados, maior o sucesso da receita:
1- manter o peso em dia (índice de massa corporal < 25);
2- atividade física moderada / intensa diária por pelo menos 30 minutos ao dia;
3- dieta rica em frutas, legumes, verduras e castanhas;
4- quanto à proteína animal, não há evidências de que seu consumo esteja associado ao aumento da pressão arterial. Entretanto, limitar o consumo de carne é sempre um bom negócio, pois sabemos que seu excesso está associado ao aumento do risco de diversas doenças, como o câncer e as doenças cardiovasculares;
5- deve-se priorizar derivados do leite com baixo teor de gordura;
6- baixo teor de sal na dieta e limitar o consumo de álcool;
7- reduzir a carga de estresse no dia-a-dia
8- evitar o uso de medicações anti-inflamatórias mais do que uma vez por semana;
9- pelo menos entre as mulheres, a suplementação de ácido fólico ≥ 400 µg também é um forte ingrediente para a prevenção da hipertensão arterial. Vale lembrar que toda mulher que tem chance de engravidar deve fazer uso de ácido fólico em forma de suplemento para reduzir o risco de malformações do sistema nervoso central do feto. Nesse caso, a mulher fértil acerta dois coelhos numa cajadada só;
10- não precisa nem dizer que o cigarro deve ficar bem longe desta receita.
A realização de testes genéticos para avaliar o risco da Doença de Alzheimer em filhos adultos e saudáveis de pacientes portadores da doença não provocou estresse psicológico significativo, de acordo com estudo publicado na última edição do periódico The New England Journal of Medicine. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston e demais colaboradores nos EUA estudaram cerca de 160 indivíduos em que metade deles foi sorteada para receber resultados do teste genético (genotipagem da apolipoproteína E) e a outra metade para não receber.
Não houve diferença entre os níveis de ansiedade, depressão e estresse psíquico entre os dois diferentes grupos. Entretanto, aqueles que receberam resultados negativos no teste apresentaram menor grau de estresse psicológico, e aqueles que receberam resultados positivos apresentaram maior estresse psicológico, mas por um período de tempo limitado. Não houve diferença entre os grupos com teste positivo e negativo quanto a terem arrependimento em terem feito o exame. A pesquisa ainda revelou que o estresse psicológico associado ao teste foi maior entre aqueles que já tinham um maior grau de estresse psicológico de base.
Este estudo é de extrema importância no momento em que diversos testes genéticos para diferentes doenças começam a ser comercializados. Muita controvérsia ainda existe sobre o real benefício em se testar geneticamente a família de um indivíduo com a Doença de Alzheimer, já que o estresse psicológico pode ser maior do que os potenciais benefícios do exame. É importante ressaltar que os participantes do atual estudo foram cuidadosamente selecionados no sentido de se excluir indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos. Além disso, os voluntários receberam aconselhamento genético por profissionais especializados. Esse é um cenário bem diferente da solicitação de testes para qualquer pessoa e por médicos que não têm experiência em aconselhamento genético. Hoje as empresas já começam a oferecer testes diretamente ao consumidor final, pessoas que não têm a mínima idéia do que fazer com um resultado positivo ou negativo.
O presente estudo acompanhou os voluntários por um ano, e eles continuarão a ser acompanhados para avaliação de seus estados psicológicos a longo prazo. Os resultados apresentados até o momento sugerem que não há prejuízos psicológicos significativos, pelo menos a curto prazo, ao se submeter filhos adultos de pacientes com o diagnóstico da Doença de Alzheimer a testes genéticos preditivos da doença.
As medicações atualmente aprovadas para o tratamento da doença de Alzheimer, na verdade, não mudam o curso natural da doença. As medicações fazem com que os portadores da doença possam melhorar seu desempenho cognitivo, mas a progressão da doença continua. Por isso, atualmente não há muita vantagem em se realizar testes genéticos para definir se uma pessoa tem maior ou menor chance de vir a desenvolver a doença. No dia em que tivermos disponíveis estratégias que realmente tratem a doença no sentido de evitar sua progressão, será fundamental definir o diagnóstico da forma mais precoce possível. Aí então, certamente os testes genéticos serão indicados em larga escala.
Há um tempo atrás, a prevenção das doenças cardiovasculares era feita mais ou menos assim: se a pessoa tivesse pressão alta tomava remédio para pressão; se tivesse diabetes tomava remédio para diabetes; se tivesse colesterol alto, tomava remédio para colesterol. E é claro, dieta saudável, atividade física regular e cigarro nem no pensamento. Entretanto, de um tempo para cá, essa lógica tem mudado, pois tem sido demonstrado que muitas dessas medicações são mais polivalentes do que se imaginava inicialmente. As medicações que melhor exemplificam esse fenômeno são as estatinas, desenvolvidas pra redução dos níveis de colesterol.
Já é bem reconhecido que as estatinas reduzem o risco de eventos vasculares como o derrame cerebral e o infarto do coração não só em pacientes com altos índices de colesterol, mas também em portadores de diabetes e em quem já teve um desses eventos vasculares (prevenção secundária). Além disso, recentemente, um importante estudo demonstrou que essa classe de medicação pode reduzir o risco de eventos vasculares mesmo em pacientes sem diabetes ou colesterol alto, mas que apresentam níveis elevados de Proteína C-Reativa de alta sensibilidade no sangue. Já era sabido que índices altos desse marcador estão associados a um maior nível de aterosclerose, maior risco de infarto no coração e derrame cerebral.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal reuniu as principais pesquisas realizadas até então sobre o assunto e concluiu que as estatinas são medicações que realmente são capazes de reduzir o risco de um primeiro evento vascular em indivíduos com fatores de risco (ex: hipertensão arterial, diabetes), o que é chamado de prevenção primária. A análise envolveu dez estudos e mais de 70 mil indivíduos e demonstrou que o uso de estatina foi capaz de reduzir o risco de infarto do coração em 30%, o risco de derrame cerebral em 19%, e redução da mortalidade em 12%. Além disso, o estudo demonstrou que o uso da medicação a longo prazo não está associado ao aumento do risco de câncer.
O atual corpo de evidências aponta que indivíduos que apresentam fatores de risco vascular como o diabetes e a hipertensão arterial podem se beneficiar do uso das estatinas, especialmente aqueles com mais de 65 anos de idade. E esse benefício existe mesmo que o indivíduo não tenha problemas com seus níveis de colesterol.
Um estudo recém-publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology (vol 170, 2) revela que quanto maior o nível de estresse no trabalho maior a chance do indivíduo em ganhar peso. Mais de 1300 americanos foram acompanhados por nove anos, e nesse período, diferentes domínios do estresse no trabalho estiveram associados a um ganho ponderal entre aqueles que já se apresentavam acima do peso no início do estudo. Entre os homens, a falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em pagar as contas foram os fatores relevantes para o ganho de peso. Entre as mulheres, dificuldades em equacionar o trabalho com a vida pessoal, além da dificuldade em pagar as contas, foram os fatores mais importantes.
Já é bem reconhecido que o estresse psicosocial está associado a um maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, enquanto as evidências da relação com a obesidade são menos robustas. O atual estudo traz mais evidências de que o estresse pode dificultar o controle de peso, especialmente quando já se está acima do peso. Experimentos com primatas revelam que quando submetidos a subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos também mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação.
O atual estudo vem se juntar a um corpo de evidências que indica que o estresse está associado a ganho de peso. Desta vez, o acompanhamento dos participantes foi mais prolongado e os resultados ainda sugerem que o estresse do trabalho que engorda os homens é diferente do que engorda as mulheres. Esse conhecimento é precioso para a estruturação de programas de promoção à saúde no trabalho.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que quem vive uma relação de casal na meia idade tem menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer na velhice. Os pesquisadores acompanharam cerca de 1500 finlandeses desde a idade de 50 anos por um período de 21 anos em média. O risco de um indivíduo apresentar um quadro demencial nesse período foi duas vezes maior entre aqueles que eram solteiros ou descasados. Aqueles que eram sozinhos tanto na meia idade quanto na velhice apresentaram mais risco do que aqueles que só ficaram sozinhos na velhice. Entre os viúvos a situação foi ainda pior: o risco foi três vezes maior. E o maior risco de todos foi entre aqueles que perderam seus parceiros na meia idade, por divórcio ou viuvez, continuaram sozinhos na velhice e ainda apresentavam um teste genético positivo (apolipopoteína E e4) que por si só já confere maior risco para a Doença de Alzheimer.
Uma das formas de explicar o efeito protetor de uma relação de casal é o estímulo cerebral proporcionado pelo convívio, estimulando conexões cerebrais e aumentando nossa poupança cerebral. Quem tem mais pode até perder um pouquinho com as pequenas perdas características do envelhecimento normal que não vai fazer tanta falta. A isso é dado o nome de teoria da reserva cerebral e as pessoas que vivem sozinhas a princípio alimentam menos essa reserva que aquelas que vivem na companhia de alguém. Contribuem também para essa poupança: o nível de educacional formal, atividade intelectual e física, e até mesmo o lazer.
Outros estudos já haviam demonstrado que viver sozinho está associado a piores marcadores de saúde tais como: menor longevidade, pior estado imunológico, maior risco cardiovascular, consumo maior de álcool, menos sono e atividade física, e maior tendência a obesidade, hipertensão arterial e níveis altos de colesterol. O que a maior parte das pesquisas concorda é que os efeitos do divórcio e da viuvez podem ter mais influência na saúde do que o simples fator solidão, por serem experiências estressantes que podem impactar negativamente o estado de saúde do indivíduo como um todo. Reconhece-se também que o simples evento da separação não é o que tem mais influência sobre a saúde, mas sim a manutenção desse estado ao longo do tempo. Em outras palavras, encontrar um novo parceiro após uma separação é um bom negócio à saúde.
A atual pesquisa também foi capaz de demonstrar que os resultados não foram diferentes quando foram ajustados para o nível de atividade física e outros fatores de saúde. No entanto, a pesquisa infelizmente não analisou o nível de engajamento social dos participantes, algo que futuros estudos deverão incluir. É razoável pensar que uma pessoa que mora sozinha seja bem compensada do ponto de vista de estimulação cerebral quando tem uma rica atividade social. E o maior recado dessa pesquisa é esse mesmo. Idosos sem um companheiro ou companheira, especialmente os viúvos, devem receber cuidado redobrado no que diz respeito a ações que estimulem seu engajamento social, através de atividades culturais, sociais e esportivas. O Estatuto do Idoso em seu artigo 3º já prevê isso. A sociedade precisa fazer sua parte.
Estatuto do Idoso Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
Um estudo recém-publicado pelo periódico Journal of Pediatrics avaliou a segurança do uso da medicação estimulante metilfenidato, também conhecida por ritalina, entre mais de 100 adolescentes com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O estudo revelou que a medicação pode provocar um discreto aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, especialmente nos primeiros seis meses do tratamento, sem alterações significativas ao eletrocardiograma.
Dentre os inúmeros efeitos colaterais que uma medicação pode causar, os efeitos sobre o coração estão entre os mais temidos. Esse estudo nos traz ainda mais segurança no uso do metilfenidato, já que não foram observados eventos cardíacos sérios, mesmo em doses altas. Entretanto, os resultados chamam a atenção para que a medicação seja usada com cuidado redobrado em pacientes hipertensos, ou naqueles com condições clínicas em que o aumento da pressão arterial ou da freqüência cardíaca sejam indesejáveis.
O metilfenidato é uma medicação frequentemente usada no tratamento do TDAH, mas tem sido utilizada também para outros transtornos neuropsiquiátricos, e até mesmo por pessoas sem problemas de saúde e que só querem “turbinar o cérebro”, ou seja, para aumentar o desempenho cognitivo. Ainda não se conhece bem ao certo os riscos e benefícios dessa medicação quando usadas por pessoas sem o diagnóstico de TDAH e o presente estudo serve de alerta para os aventureiros que ainda usam medicações sem indicação médica. Serve também para tranqüilizar aqueles que realmente precisam usar a medicação.
Um estudo recém-publicado pelo American Journal of Epidemiology confirma pesquisas anteriores de que a terapia de reposição hormonal, apesar de poder reduzir os sintomas de menopausa, não traz vantagens à saúde da mulher. Já são muitas evidências de que o uso prolongado desse tipo de tratamento, além de não proteger a mulher da doença coronariana, aumenta o risco de derrame cerebral, trombose nas veias e câncer de mama.
Ainda pairava no ar a suspeita de que se a terapia de reposição hormonal fosse iniciada em fases mais precoces na transição para a menopausa, os benefícios seriam maiores. Entretanto o presente estudo deu um certo banho de água fria nessa hipótese. Quando se comparou as mulheres que iniciaram a terapia de reposição hormonal mais tardiamente com as que iniciaram precocemente, não houve diferença na incidência de doença coronariana, derrame cerebral ou trombose venosa. Além disso, houve até mesmo uma leve tendência ao aumento de câncer de mama entre as mulheres que iniciaram a terapia mais precocemente.
Esses são resultados do desdobramento do mesmo estudo que, ainda em 2002, fez com que as indicações de terapia de reposição hormonal diminuíssem drasticamente após a demonstração de seus riscos numa população de milhares de mulheres. Veja abaixo que essas indicações estão cada vez mais restritas, posição atualmente consensual nos quatro cantos do mundo.
RECOMENDAÇÕES PARA O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)
1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;
2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;
3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;
4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;
5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.
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O periódico britânico The Lancet acaba de publicar uma série de pesquisas que demonstra que o consumo de álcool é responsável por 4% das mortes ao redor do mundo, apesar de mais da metade da população ser abstêmia (45% dos homens e 66% das mulheres). Um dos estudos foi conduzido na Rússia e demonstra que, nesse país, o álcool é responsável por uma em cada duas mortes prematuras em adultos.
Dentre as mais de 200 doenças associadas ao álcool, as pesquisas demonstram que os acidentes, o câncer, as doenças cardiovasculares e a cirrose hepática são as que mais matam. Há alguns anos a ciência têm-nos mostrado alguns efeitos protetores do álcool em doses moderadas, especialmente no risco de doenças cardiovasculares e Doença de Alzheimer. Entretanto, atualmente reconhece-se que não existe dose livre de risco, e isso foi demonstrado em recente estudo envolvendo um milhão de mulheres: até mesmo uma dose diária de álcool aumenta o risco de alguns tipos de câncer.
A previsão é que o “problema álcool” venha a se agravar ao longo dos próximos anos, e o poder da indústria do álcool e suas ações de marketing agressivas têm uma significativa parcela de responsabilidade nesse cenário. Várias ações já foram comprovadas eficazes para redução do impacto do álcool sobre a saúde em países desenvolvidos: aumento do preço das bebidas alcoólicas, rigidez na penalidade para quem dirigir e beber, e limitação da publicidade e do número de locais de comercialização de bebidas. No Brasil, essas ações para a redução do consumo de álcool não são implantadas com facilidade pelo poder público, e um dos gargalos é o frequente financiamento de campanhas eleitorais de políticos brasileiros pela indústria de bebidas alcoólicas.
As evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. Também não faz muito tempo que o cigarro ainda era permitido nos ambientes de trabalho. Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito.
CLIQUE AQUI e leia matéria do Correio Braziliense sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira
O British Medical Journal acaba de publicar uma pesquisa que demonstra que alguns grupos de alimentos da dieta mediterrânea são mais poderosos que outros para a promoção de saúde. Vale recordar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool. Pesquisas têm revelado que a dieta mediterrânea reduz o risco de doenças cardiovasculares e da Doença de Alzheimer e está associada a uma maior longevidade.
Mais de 23 mil indivíduos na Grécia foram acompanhados por uma média de 8 anos, e numa escala de nove pontos em que cada ponto era atribuído ao consumo regular de uma classe de alimento da dieta mediterrânea, o aumento em dois pontos nessa escala conferiu uma redução de mortalidade em 14%. Em outras palavras, a pesquisa conseguiu demonstrar de forma inédita que o efeito positivo das diferentes classes de alimentos teve um efeito cumulativo.
Os hábitos alimentares mais associados a uma maior longevidade foram: consumo moderado de álcool, baixo consumo de carnes, e alto consumo de verduras, frutas, legumes, castanhas e azeite. Na ausência desses componentes, os benefícios da dieta mediterrânea eram significativamente reduzidos. Por outro lado, o padrão de consumo de laticínios, cereais, peixes e frutos do mar não fez muita diferença na longevidade dos participantes. Isso não quer dizer que se deva passar a exagerar no consumo de laticínios ou retirar do cardápio os peixes e cereais integrais, pois essas seriam atitudes nada inteligentes.
Um estudo conduzido na Finlândia e recém-publicado no periódico Occupational and Environmental Medicine revela que indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
A pesquisa analisou mais de 30 mil servidores públicos finlandeses e confirmou que fatores psicosociais associados ao trabalho são capazes de contribuir para que as pessoas adquiram comportamentos de risco. Outras pesquisas já haviam revelado que condições psicológicas adversas no trabalho aumentam o risco de obesidade e excesso de álcool. Também já havia sido demonstrado que indivíduos que não têm confiança na instituição em que trabalham têm maior dificuldade em abandonar o vício do cigarro.
O mundo corporativo já está bem convencido de que investir na saúde dos trabalhadores traz grande retorno econômico. O presente estudo demonstra que o clima organizacional pode ser um forte aliado para a promoção da saúde.
O seu ambiente de trabalho é satisfatório?
- Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos?
- Seus colegas sentem-se comprendidos e aceitos?
- Vocês podem confiar no chefe?
- O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração?
- O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados?
- Cada funcionário mantem os outros informados sobre o que fazem na empresa?
- Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho?
- Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
Pesquisadores de Joinville acabam de ter dois de seus estudos publicados no prestigiado periódico britânico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry mostrando que, num intervalo de dez anos, houve uma redução relativa de um terço na incidência e mortalidade por derrame cerebral e na sua taxa de fatalidade na cidade de Joinville-SC.
Os estudos liderados pelo professor Norberto Cabral receberam um editorial especial do periódico que literalmente aplaudiu os resultados e a metodologia empregada. O primeiro aplauso é por conta de terem demonstrado que intervenções para redução do “problema derrame cerebral” em países em desenvolvimento podem alcançar sucesso num período de tempo relativamente curto. Os estudos ganham ainda mais relevância pelo fato do derrame cerebral ser a principal causa de morte em nosso país e por serem raríssimos os estudos que tenham analisado a epidemiologia da doença em países em desenvolvimento.
Um segundo aplauso vai para o sistema de saúde de Joinville. A redução da incidência de derrame cerebral sugere que a população recebeu mais assistência primária e melhores ações preventivas: controle de pressão alta, diabetes colesterol, redução do tabagismo, etc. A redução da incidência na mortalidade reflete, em parte, um melhor atendimento em nível hospitalar. E nesse quesito, o sistema de saúde de Joinville é uma das referências nacionais no tratamento do derrame cerebral.
Os indicadores demonstrados por Joinville, cidade que detém o 13º maior índice de desenvolvimento humano do Brasil, são comparáveis aos de países de primeiro mundo. Que Joinville sirva de inspiração para tantos municípios brasileiros que poderiam estar fazendo muito mais pela saúde da população.
É bem reconhecido que as estatinas são as medicações mais eficazes para reduzir os níveis de colesterol. Entretanto, até 10% das pessoas que usam essa classe de medicamentos pode apresentar fraqueza e dor muscular ao ponto de não suportar a continuidade de seu uso.
Arroz do fermento vermelho é o produto da levedura Monascus purpureus que cresce no arroz e é servido na culinária de alguns países asiáticos. Seu uso na China já havia sido registrado desde o ano 800 DC e era utilizado com fins terapêuticos, especialmente para problemas digestivos como diarréia e indigestão, problemas circulatórios, e para melhorar a saúde do estômago e do baço. Desde a década de 1970 já contamos com evidências de sua ação na redução dos níveis de colesterol e poderia ser uma saída para as pessoas que precisam baixar o colesterol, mas que não toleraram os efeitos colaterais das estatinas. Os princípios ativos responsáveis por sua ação terapêutica são formas naturais de estatinas (monacolinas), e teoricamente poderiam causar as mesmas dores musculares que seus equivalentes sintéticos.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Annals of Internal Medicine não só confirmou que o fitoterápico é capaz de reduzir os níveis de colesterol, mas que ele também é bem aceito por indivíduos que precisaram parar o uso de estatinas devido a dores musculares. Foram estudados sessenta e dois pacientes que interromperam o uso de estatinas por causa de dores musculares. Todos foram submetidos a um programa de educação alimentar e atividade física. Metade deles usou três cápsulas diárias de 600 mg de fermento de arroz vermelho por 24 semanas e a outra metade recebeu cápsulas de placebo. Aqueles que usaram o fitoterápico não apresentaram mais efeitos colaterais que o placebo e tiveram uma redução tanto nos níveis de colesterol total com também do LDL, o colesterol ruim.
Os resultados da pesquisa, apesar de não serem definitivos, são muito promissores. Os elevados níveis de colesterol são responsáveis por boa parte dos casos de infarto do coração e derrame cerebral e o arroz do fermento vermelho parece ser uma boa alternativa para quem que não tolera os efeitos colaterais das estatinas.
A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade. Um documento recém-publicado pelo British Medical Journal chama a atenção para a necessidade imediata de mudança das atuais recomendações.
A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, fazem com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.
E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro. A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.
A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo, os médicos têm muito a ajudar. É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização
Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008, foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado após o ano de 2010. Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente. Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás. Espera-se que a legislação seja mais coerente com esses dados.
Um novo teste cognitivo para detectar a Doença de Alzheimer mostrou-se mais rápido e mais preciso do que outros testes já existentes, revela estudo recém-publicado pelo British Medical Journal.
Calcula-se que 24 milhões de pessoas no mundo tenham o diagnóstico de demência e esse número tende a aumentar com o crescente envelhecimento da população. O diagnóstico precoce da doença é importantíssimo, já que os tratamentos atualmente disponíveis são mais eficazes nas fases precoces da doença. Além disso, os tratamentos do futuro visam a intervenção em fases cada vez mais precoces. Existem inúmeros testes que permitem dizer se a pessoa tem problemas de desempenho de memória ou outras dimensões cognitivas. Alguns testes são bem sofisticados e sensíveis, mas por serem complexos, demandam muito tempo para sua aplicação e são pouco disponíveis devido ao alto custo e pela limitação de poucos profissionais habilitados para realizar tais testes. Por outro lado, existem testes de fácil e rápida aplicação, mas que não são sensíveis ao diagnóstico precoce de demência.
Pesquisadores ingleses desenvolveram um novo teste chamado TYM (“test your memory” – teste sua memória) que concentra a facilidade e rapidez de aplicação com uma boa sensibilidade para detecção de déficit cognitivo. O teste inclui dez tarefas que avaliam diversas funções cognitivas e não precisa ser aplicado por profissional especializado. O teste foi aplicado a 540 pessoas saudáveis e sem queixas de memória com idades entre 18 e 95 anos, durando uma média de 5 minutos. Foram ainda testados 139 pacientes com diagnóstico da Doença de Alzheimer e com Transtorno Cognitivo Leve, diagnóstico intermediário entre a normalidade e a demência. Os indivíduos saudáveis tiveram uma pontuação média de 47 pontos de um score máximo de 50, com leve redução de desempenho apenas após os 70 anos de idade.
Outros dois testes foram realizados a título de comparação com o novo teste, entre eles o Mini-Exame do Estado Mental que é o mais utilizado teste para o diagnóstico de demência. O Mini-Exame do Estado Mental foi capaz de detectar apenas 52% dos pacientes com a doença de Alzheimer, enquanto o novo teste detectou 93% dos pacientes quando a nota de corte utilizada foi menor ou igual a 42 pontos – a média de pontuação dos pacientes foi de 33 pontos de um total de 50. O novo teste, além de examinar mais dimensões cognitvas do que o Mini-Exame, também foi mais rápido.
Os resultados com os ingleses são excelentes, mas ainda não podem ser extrapolados para outras etnias e por isso não faz sentido simplesmente traduzir o teste e aplicá-los em nosso meio. O teste só deverá ser aplicado após validação científica de uma versão traduzida para nossa língua, adaptada para nossa cultura e testada em brasileiros. E isso não deve demorar.
Em vários países, a metoclopramida (Plasil) é considerada a droga de escolha para combater os vômitos entre mulheres grávidas. Nos EUA, há uma certa restrição ao seu uso. No Brasil, a bula do medicamento traz a informação de que estudos em pacientes grávidas não indicaram má formação fetal ou toxicidade neonatal durante o primeiro trimestre da gravidez e que uma quantidade limitada de informações em mulheres grávidas indicou não haver toxicidade neonatal nos outros trimestres. A bula ainda conclui que, se necessário, o uso da droga pode ser considerado durante a gravidez.
Realmente ainda existem evidências limitadas quanto à segurança da metoclopramida durante a gravidez, mas um estudo recém-publicado pelo periódico The New England Journal of Medicine vem reforçar o conceito de que a droga não traz riscos ao bebê. Os pesquisadores analisaram o registro de mais de 80 mil bebês de um distrito na região sul de Israel, sendo que 4.2% deles haviam sido expostos à metoclopramida no primeiro trimestre de gravidez. Quando se comparou bebês expostos à droga com bebês não expostos, não houve diferença no risco de malformações congênitas, tampouco no risco de baixo peso ao nascimento, prematuridade ou morte perinatal.
Os resultados trazem ainda mais segurança às grávidas que precisam usar metoclopramida para aliviar sintomas de náuseas e vômitos tão comuns no primeiro trimestre da gravidez.






















