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O número de pessoas com diabetes tem aumentado dramaticamente e o estilo de vida saudável ainda é a maior arma para lutar contra essa epidemia emergente. Quando falamos em estilo de vida, nada importa tanto como uma dieta saudável e atividade física regular, e um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Internal Medicine revela que morar em locais que facilitam esses bons hábitos pode fazer muita diferença.
O estudo acompanhou 2300 participantes com idades entre 45 e 84 anos, e após cinco anos, 230 novos casos de diabetes tipo 2 foram diagnosticados. Os indivíduos que tinham na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis, apresentaram um risco 38% menor de desenvolver diabetes. Esse menor risco foi independente do nível sócio-econômico, idade, sexo e história familiar de diabetes.
Não é a primeira vez que se demonstra que o local onde moramos pode influenciar nossa saúde. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e pesquisas, tanto nos EUA como no Canadá, revelam que quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. Já foi também evidenciado que a proximidade de “fast foods” com as escolas está associada ao risco de obesidade nas crianças. Mais alimentação “fast food” tem relação com maior consumo de calorias, gordura, sal, que é um padrão de dieta que aumenta o risco de grande parte das doenças mais sérias e mais temidas pela população, incluindo as doenças cardiovasculares e o câncer.
São muitas as intervenções que podem ser feitas para que cada comunidade tenha um ambiente que ofereça mais condições de se adotar uma vida saudável: 1) construção de calçadas e parques para a realização de atividades físicas; 2) criação de ciclovias e melhoria do transporte público para que as pessoas fiquem menos dependentes de carros; 3) incentivos para estabelecimentos que comercializem frutas, legumes, verduras e peixes; 4) incentivo para que as escolas restrinjam a venda de alimentos industrializados. Vale lembrar que cada comunidade tem muito mais poder nas mãos do que imagina para fazer com que ações dessa natureza sejam concretizadas.
O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido por derrame cerebral, é o problema de saúde que mais causa mortes no Brasil e também no Distrito Federal. Quando uma pessoa está tendo um AVC, um vaso sangüíneo do cérebro esta sendo obstruído ou rompido naquele momento, e uma parte do cérebro está por ser destruída.
No ano de 2006, a Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Neurologia proclamaram o dia 29 de outubro como dia mundial do AVC, com a missão de provocar engajamento dos profissionais de saúde e do público em geral na luta pela melhora das condições de tratamento e prevenção da doença. O QUE PODEMOS FAZER PARA MUDAR A ATUAL SITUAÇÃO? Essa é a mensagem principal do dia mundial do AVC neste ano de 2009, pois se não dermos um novo direcionamento para a atual situação, a previsão é que o AVC passe a ser um problema ainda mais devastador.
Nessa luta contra o AVC, seu papel é muito maior do que você imagina!
O AVC é mais comum entre as entre as pessoas que têm hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, doenças do coração e naqueles sedentários, que fumam e usam muito álcool. Calcula-se que o indivíduo que identifica e trata um desses fatores de risco reduz seu risco de AVC pela metade. Mais importante ainda é o fato que esse mesmo indivíduo que adota hábitos de vida saudáveis é capaz de influenciar as pessoas ao seu redor a assumirem também esses bons hábitos. Saúde é mesmo contagiante!
O acidente vascular cerebral é uma catástrofe que
tem tratamento e também pode ser prevenida
Como identificar um AVC?
Toda vez que ocorrer algum destes sintomas, de forma REPENTINA:
- Fraqueza de um lado do corpo
- Dormência de um lado do corpo
- Dificuldade visual
- Dificuldade para falar
- Dor de cabeça muito forte nunca antes sentida
- Incapacidade de se manter em pé
O que fazer diante de um sintoma suspeito?
Procurar imediatamente um serviço médico especializado, pois o tratamento na maioria das vezes só tem efeito se realizado nas primeiras horas após o início dos sintomas.
O tratamento precoce aumenta a chance de preservar aparte do cérebro que está para ser destruída, diminuindo assim as seqüelas tão temidas como paralisia e perda da fala, assim como o risco de morte.
O que fazer para evitar o AVC e outras doenças vasculares?
- Prática de exercícios regulares;
- Alimentação balanceada evitando o consumo excessivo de alimentos de origem animal (ex. carnes, ovos, leites e derivados);
- Não fumar;
- Evitar o excesso de álcool e o estresse;
- Se tiver mais de 40 anos: realizar pelo menos uma vez por ano controle de pressão arterial, dosagem de glicose e colesterol no sangue;
- Se tiver diagnóstico de hipertensão arterial, diabetes ou colesterol alto, ou qualquer doença do coração: acompanhamento médico freqüente para controle rígido destas condições.
Um estudo que acaba de ser publicado no periódico British Medical Journal revela que mulheres obesas já a partir dos 18 anos de idade e na meia-idade têm 80% menos chance de ter uma vida longa e com saúde. Foram estudadas mais de 17 mil mulheres americanas que atingiram os 70 anos de idade sendo que apenas 10% delas foram classificadas como tendo alcançado uma velhice com saúde.
Vida saudável após 70 anos de idade foi definida como bom desempenho cerebral, boa saúde física e mental e ausência de doenças crônicas sérias como câncer, diabetes, doenças do coração, pulmonares e neurológicas. A análise mostrou que cada quilo a mais no peso que as mulheres tinham aos 18 anos é capaz de reduzir em 5% a chance de elas atingirem o padrão de vida saudável após os 70 anos. As mulheres que já apresentavam sobrepeso aos 18 anos e ainda ganharam 10 kg ou mais na meia-idade foram aquelas que menos chances tinham de alcançar em idades mais avançadas o estado de vida saudável.
A obesidade está associada a uma menor longevidade e a um maior risco de uma série de doenças, incluindo as mais temidas, como o câncer e as doenças cardiovasculares. Essas doenças estão relacionadas à morte prematura, e o que esse estudo nos mostra de forma inédita é que mesmo as mulheres que chegam aos 70 anos sentem os prejuízos da obesidade à saúde. Os resultados ainda reforçam a importância de se manter o peso já precocemente na vida, pois a obesidade já no início da vida adulta irá influenciar o estado de saúde em idades avançadas.
Um estudo que acaba de ser publicado pelo periódico Archives of General Psychiatry revela que as pessoas que seguem a dieta mediterânea têm menos risco de desenvolver depressão. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.
A pesquisa avaliou os hábitos dietéticos de mais de 10 mil espanhóis e calculou a aderência à dieta mediterrânea baseada numa pontuação que incluía 9 itens da dieta. Após um acompanhamento de 4.4 anos em média, 480 novos casos de depressão foram identificados (156 homens e 324 mulheres). Os indivíduos que tinham uma boa aderência à dieta mediterrânea apresentaram um risco de depressão 30% menor quando comparado àqueles que apresentavam baixa aderência.
Existem evidências de que são menores os índices de depressão em países mediterrâneos do que em países do norte da Europa e a dieta é uma forte candidata para explicar essa diferença. Estudos prévios sugerem que a gordura insaturada proveniente do azeite, alimento abundantemente usado na dieta mediterrânea, pode ser um dos componentes da dieta com grande poder de prevenir a depressão. Entretanto, o atual corpo de conhecimento não nos permite dizer que existe um determinado alimento da dieta mediterrânea que seja superior a outro na prevenção da depressão. A combinação sinergística dos diversos componentes parece ser a maior responsável pelo poder da dieta mediterrânea em prevenir a depressão e tantas outras doenças graves como a doença de Alzheimer e as doenças cardiovasculares, além de ser uma das melhores dietas para o controle o do peso corporal.
Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal demonstra que o uso de vitamina D em altas doses é capaz de reduzir em 20% o risco de quedas entre os idosos. Estudos têm revelado que a suplementação de vitamina D nessa população aumenta a força muscular e o equilíbrio, mas ainda persistia a dúvida se isso reduziria o risco de queda.
Os pesquisadores analisaram os oito estudos mais importantes sobre o tema, envolvendo um total de 2400 idosos. O poder de prevenir quedas só aconteceu quando a dose diária foi maior que 700 UI, já sendo perceptível o efeito com dois a cinco meses de tratamento, perdurando por mais de 12 meses. Além disso, não houve diferença entre o efeito do suplemento de vitamina D na sua forma ativa comparada à forma comum. A forma ativa não necessita tanto dos rins para seu metabolismo, mas pode aumentar a concentração de cálcio no sangue e ainda custa mais caro.
No período de um ano, uma em cada três pessoas com mais de 65 anos sofre uma queda, em 6% dos casos essa queda resulta em fratura, e o problema passará a ser cada dia mais importante com o crescente envelhecimento da população. O presente estudo nos indica que a suplementação de vitamina D pode ser fortemente recomendada para reduzir o risco de queda nessa população.
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e apesar de ser um transtorno tão prevalente e relevante, são poucas as pesquisas que estudaram intervenções que possam ajudar. Mais raras ainda são as evidências de intervenções organizacionais, pois a maioria dos estudos foi realizada com pequeno número de participantes.
Pesquisadores da Universidade de Rochester nos Estados Unidos demonstraram de forma inédita que um programa de 52 horas distribuídas no período de um ano com o objetivo de melhorar o bem-estar do médico foi capaz de reduzir o risco da síndrome de esgotamento profissional e de transtornos do humor, além de melhora do grau de empatia com os pacientes. O programa foi oferecido a 70 médicos e incluía a prática de meditação para estimular a capacidade de estar mentalmente presente e com atenção nas atividades do dia-dia, além de uma dinâmica em grupo de troca de experiências com outros médicos. A pesquisa acaba de ser publicada pelo Journal of the American Medical Association.
Já é bem reconhecido que a síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares. O presente estudo abre caminhos para intervenções preventivas para um sério problema de saúde e de grandes custos sociais que não é restrito ao médico, mas afeta diversas classes profissionais.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal revela que o uso de antidepressivos na gravidez aumenta o risco de defeitos no coração no bebê. O estudo analisou 400 mil crianças dinamarquesas nascidas entre 1996 e 2003 e a relação entre a prevalência de malformações congênitas e o uso pela mãe de inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez. Os antidepressivos citalopram e sertralina na gravidez aumentaram a chance de defeitos no septo cardíaco, parede que separa o lado direito do lado esquerdo do coração. Esse efeito não foi observado entre outros antidepressivos da mesma classe como a fluoxetina e a paroxetina.
O risco desse tipo de malformação entre as crianças que não foram expostas à medicação foi de 0.5% comparado à chance de 0.9% das que foram expostas à medicação e de 2.2% no caso de exposição a mais de um tipo de antidepressivo. Pode-se dizer que uma em cada 246 crianças apresentará defeitos no septo cardíaco quando a mãe faz uso de antidepressivo na gravidez. Esse risco é quatro vezes maior quando o uso foi de mais de um tipo de antidepressivo: uma em cada 62 crianças é acometida.
Cerca de um quinto das mulheres apresenta depressão durante a gravidez e a decisão de tratamento com medicações deve ser pautada pelos potencias riscos de malformações no feto. Até o ano de 2005, uma série de estudos indicava que o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante a gravidez não trazia riscos ao bebê. Entretanto, novos estudos têm demonstrado um discreto aumento da prevalência de malformações congênitas, sendo que o atual estudo revelou que esse risco só é aumentado no caso de defeitos do septo cardíaco. O risco absoluto é considerado baixo, mas deve ser visto como um importante fator na decisão do tratamento antidepressivo das mulheres grávidas. Devem também ser consideradas as conseqüências à mãe e ao feto de uma depressão não tratada.
Já é bem reconhecido que uma maior inteligência está associada a maior longevidade e estudos recentes chegaram atá a demonstrar que ganhadores do Oscar e Nobel vivem mais que seus colegas não ganhadores. Já temos evidências de que o nível de inteligência influencia a longevidade humana com o mesmo poder que o hábito de não fumar, e de forma ainda mais significativa que fatores como índice de massa corporal, hipertensão arterial e diabetes.
Podemos identificar pesquisas associando o grau de inteligência com a longevidade desde a década de 90, e hoje essa é uma área do conhecimento chamada de epidemiologia cognitiva. Há pelo menos quatro formas de explicar o porquê das pessoas mais inteligentes viverem mais. A primeira delas é que pessoas mais inteligentes tenham recebido mais educação e tido acesso a posições sociais e profissionais que permitiriam viver em ambientes menos arriscados. Outra questão importante é a relação entre inteligência e hábitos de vida mais saudáveis: atividade física, dieta equilibrada, menos álcool, menos cigarro, etc. Uma terceira explicação é a possibilidade de que indivíduos menos inteligentes tenham sido vítimas de mais eventos prejudiciais à saúde, e aqui podemos pensar em eventos até mesmo pré- e perinatais. E por último, há evidências de que testes de inteligência podem ser na verdade indicadores de um sistema cerebral que vai além das habilidades cognitivas, como por exemplo, velocidade de reação motora a um determinado estímulo. Nesse caso não seria a inteligência em si que confere maior longevidade ao indivíduo, mas a inteligência reflete um estado cerebral mais desenvolvido como um todo.
Essas relações entre inteligência e longevidade fazem-nos refletir que a fonte da juventude está muito mais próxima da escola e condições básicas de saúde do que de pílulas milagrosas.
Um estudo publicado recentemente pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, acompanhou por quatro anos quase seis mil franceses com mais de 65 anos de idade e demonstrou que os idosos envolvidos com atividades de lazer estimulantes pelo menos duas vezes por semana têm um risco duas vezes menor de desenvolver demência incluindo a Doença de Alzheimer.
O atual estudo dá um passo importante no entendimento do poder que a as atividades de lazer têm em reduzir o risco da Doença de Alzheimer e demência de uma forma geral. Alguns estudos já haviam demonstrado esse efeito protetor do lazer, mas dessa vez foi mostrado que o tipo de lazer pode fazer muita diferença. As atividades de lazer foram categorizadas em quatro tipos: estimulante: jogar cartas, palavras cruzadas, praticar atividade artística, ir ao cinema ou teatro, atividades junto a organizações; passiva: assistir à TV, ouvir música / rádio; social: visitar ou receber visitas de amigos ou parentes; física: passear a pé, jardinagem e outras atividades com estimulação física.
Os resultados mostraram que a realização de atividades de lazer do tipo estimulante foram as que foram associadas a uma menor incidência de demência. O tipo de lazer também foi influenciado pelo nível educacional. Indivíduos com maior escolaridade tinham tendência a se envolver com atividades do tipo estimulante, enquanto aqueles com menor escolaridade tinham tendência às atividades de lazer do tipo passiva. Podemos ver a educação e desempenho cerebral como um círculo virtuoso nesse caso. A educação por si só já está associada a uma maior longevidade e a um menor risco de Doença de Alzheimer influenciando escolhas na vida como o lazer estimulante, além de outras escolhas que fazem bem ao cérebro.
Vale ressaltar que o fato das atividades de lazer estimulantes estarem associadas a um menor risco de demência não significa que a prática de atividades passivas seja prejudicial. Um recente estudo chinês havia mostrado que as atividades de lazer como leitura, escrita, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro ou cartas, reuniões para discussão em grupo, e hábito de tocar um instrumento musical mostraram-se protetoras enquanto o hábito de assistir à TV teve impacto negativo. A atual pesquisa não confirmou esse potencial efeito deletério de atividades passivas. O que sabemos até o momento é que não faz sentido deixar de estimular o cérebro com atividades de lazer “estimulantes” e trocá-las pelo lazer passivo.
Fatores de risco vascular como hipertensão arterial, colesterol alto e tabagismo são capazes de fazer com que homens de meia idade percam 10 a 15 anos de vida, revela estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal. As condições gerais de saúde e hábitos de vida de quase 20 mil homens ingleses com idades entre 40 e 69 anos foram avaliados no fim da década de 1960. Nessa época, 42% dos participantes do estudo fumava, 39% apresentava hipertensão arterial e 51% colesterol alto.
Após 28 anos, dois terços dos sete mil indivíduos que ainda estavam vivos tinham parado de fumar e houve também uma redução de dois terços na proporção entre aqueles apresentavam pressão arterial e colesterol altos em relação àqueles que apresentavam esses índices baixos. A presença concomitante desses três fatores de risco vascular aumentava em três vezes o risco de morte por causas vasculares (ex: infarto do coração e derrame cerebral) e em duas vezes o risco de morte por causas não vasculares. Aos 50 anos de idade, um indivíduo com os três fatores de risco ainda viveu em média 23 anos, enquanto aqueles que não os apresentavam viveram 33 anos, 10 anos a mais. Os pesquisadores criaram também uma pontuação que levava em conta outros fatores de risco como obesidade e diabetes, e quanto mais fatores presentes maior essa pontuação. Eles demonstraram que os 5% com maior pontuação viviam 20 anos após os 50 anos de idade, enquanto os 5% com menor pontuação ainda viviam 35 anos após os 50, 15 anos a mais.
Hábitos de vida como atividade física regular, dieta saudável e ficar longe do cigarro são os principais caminhos para a longevidade. Uma pesquisa recente já havia demonstrado entre ingleses que o tabagismo por si só é capaz de encurtar a vida em 10 anos. Parar de fumar aos 60, 50, 40 e 30 anos de idade é capaz de acrescentar 3,6,9 e 10 anos respectivamente. O prêmio não é nada pequeno.
Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstra que a associação entre pobreza e morte prematura é tão forte nos dias de hoje como era há 100 anos atrás. O estudo comparou os dados de mortalidade da Inglaterra e País de Gales do início do século 20 com os do início do século 21.
O século 20 nos trouxe uma grande melhora nas taxas de mortalidade. Na população européia estudada, há cem anos atrás um terço das mortes ocorria antes dos cinco anos de idade e só 13% após os 75 anos. Nos dias de hoje, menos de 1% das mortes ocorre antes dos cinco anos de idade e 65% das pessoas morrem após os 75 anos. A expectativa de vida nessa população saltou em cem anos de 46 para 77 anos no caso dos homens, e de 50 para 81 no caso das mulheres. Além disso, há cem anos as principais causas de morte eram doenças respiratórias e infecciosas, bem diferente do panorama atual em que o câncer, as doenças do coração e o derrame cerebral predominam. A experiência de pobreza também mudou muito nesses cem anos. O que era a ausência de necessidades básicas para a subsistência passou a ser, no mundo moderno, um conceito menos absoluto, uma pobreza relativa ao que é oferecido à sociedade como um todo.
Os resultados dessa pesquisa ainda mostraram que as regiões com altas taxa de privação e mortalidade no passado continuam a ter maior tendência à mortalidade nos dias de hoje. As diferenças na mortalidade entre as diferentes regiões até diminuiram um pouco ao longo do tempo, mas não há evidências de declínio da desigualdade de riqueza ou redução da relação entre pobreza e níveis de mortalidade.
Mesmo com todas as mudanças políticas, econômicas, sociais e de saúde pública, a relação entre pobreza e mortalidade continua a existir de forma tão robusta como há cem anos atrás. A criação de programas para redução da desigualdade social é um fenômeno relativamente recente, tanto no Brasil como em diversas outras culturas. Se esses programas tiverem o fôlego necessário, é bem possível que uma futura análise comparativa entre os indicadores de hoje e os do início do século 22 mostre menos estagnação do que a demonstrada nessa atual pesquisa européia.
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neuropsiquiátrica que acomete 3-5% das crianças e que frequentemente persiste até a idade adulta, podendo ser considerado um dos mais comuns transtornos neuropsiquiátricos. Os principais sintomas são a dificuldade em manter a atenção, o comportamento hiperativo e de impulsividade.
Já existe um bom corpo de evidências indicando que circuitos cerebrais baseados no neurotransmissor dopamina não funcionam tão bem nos indivíduos com TDAH. Um importante estudo acaba de ser publicado pelo periódico Journal of the American Medical Association revelando que quem sofre desse problema apresenta menor atividade em duas das principais regiões relacionadas ao processo de recompensa cerebral, o mesoaccumbens e mesencéfalo, regiões fortemente vinculadas ao neurotransmissor dopamina. Essa menor atividade foi demonstrada pela redução de receptores da dopamina D2 e D3 e de proteína de transporte da dopamina através de tomografia por emissão de pósitrons.
A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa, sistema ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que é prazerosa. A redução dessa atividade do sistema de recompensa está associada a alguns dos comportamentos característicos do TDAH como dificuldade em postergar uma gratificação e resposta preferencial a pequenas e imediatas recompensas do que a recompensas mais robustas e que demoram mais para chegar. Além disso, esses circuitos cerebrais estão associados à motivação do aprendizado, e não é à toa que quem sofre de TDAH tem mais dificuldade em manter a atenção em atividades repetitivas e desinteressantes.
Os achados desse estudo reforçam a importância do uso de intervenções motivacionais que consigam aumentar a atratividade das tarefas da escola e do trabalho, especialmente entre os portadores de TDAH. A demonstração de redução de atividade no sistema de recompensa cerebral nesses pacientes também sugere que esse é um importante mecanismo que explica a maior vulnerabilidade ao abuso de substâncias psicoativas e abre uma nova perspectiva para o tratamento da doença.
O ideal de uma relação médico-paciente é quando ambas as partes participam das decisões e um dos fatores mais importantes nessa relação é que o médico seja capaz de disponibilizar ao paciente informação de alta qualidade sobre o problema em questão. O fato é que a decisão de um paciente é fortemente influenciada pela forma como essa informação é apresentada, situação que foi elegantemente demonstrada em dois estudos recém-publicados pelo periódico PLoS Medicine.
Um dos estudos avaliou cerca de três mil indivíduos quanto à preferência de seis diferentes formas de dar o recado de que as medicações estatinas podem prevenir a doença isquêmica do coração. A frequencia natural da doença assim como o poder do medicamento em reduzir o risco relativo da doença foram as formas de apresentação de dados mais fortemente preferidas pelos participantes do estudo (ex: este tratamento é capaz de reduzir pela metade seu risco de desenvolver esta doença). Essas formas de comunicação se mostraram as mais inteligíveis e mais compatíveis com seus valores quando comparadas a outras formas como a demonstração do risco absoluto (ex: este tratamento é capaz de reduzir o risco de desenvolver esta doença de 4% para 2%). Um segundo estudo avaliou cerca de 1800 pessoas quanto à preferência de apresentação das vantagens em se utilizar um antibiótico para os sintomas de dor de garganta. Os participantes preferiram receber através de gráficos de barras a apresentação do tempo em que os sintomas deveriam ocorrer.
Esses resultados são provenientes de situações hipotéticas e são bem diferentes da situação clínica habitual que envolve maior influência de dimensões como a emocional, moral e cultural. Apesar desses dados não deverem ser diretamente generalizados para o mundo real, eles nos confirmam que a forma como os médicos transmitem a informação aos pacientes pode fazer muita diferença nas suas escolhas.

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É bem reconhecido que algumas medidas do corpo humano estão associadas ao aumento de doenças cardiovasculares, como é o caso de altos índices de massa corporal, da circunferência da cintura e da relação da circunferência cintura / quadril. Mas não são só altos índices que estão associados a maiores riscos à saúde. Baixos índices de massa corporal e do nível de massa muscular livre de gordura estão associados a mortalidade mais precoce. A novidade agora é que baixos graus de circunferência das coxas também têm relação com a saúde, de acordo com pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.
O estudo acompanhou cerca de três mil homens e mulheres dinamarqueses com 35 a 65 anos de idade e revelou que aqueles com circunferência das coxas menor que 60 cm tinham maior risco de morte e de doenças cardiovasculares do que aqueles com circunferências maiores que 60cm. Entretanto, circunferências maiores que 60 cm não trouxeram benefícios adicionais. Os resultados demonstraram ainda que o risco associado aos baixos níveis de circunferência das coxas foi maior que o de uma alta circunferência abdominal. A baixa circunferência da coxa é um sinal de baixo conteúdo de musculatura nessa região e também reflete baixo grau de musculatura de forma sistêmica. Estudos têm mostrado que a baixa musculatura corporal, especialmente em membros inferiores, está associada a maior risco de diabetes. Além disso, baixos teores de gordura subcutânea também têm sido vinculados a alterações no metabolismo da glicose e de gordura.
A presente pesquisa nos indica que é bem razoável o estímulo à atividade física com especial atenção à musculatura de membros inferiores. É importante frisar que 50% dos dinamarqueses estudados tinham circunferência de coxas menores que os 60 cm, sugerindo que o estímulo à atividade física é fundamental em qualquer canto do mundo. É bom lembrar que em muitas populações do mundo o problema das coxas finas é falta de comida mesmo.
Não é à toa que a cafeína é o estimulante cerebral mais frequentemente consumido no mundo, pois ela é capaz de provocar bem estar, aumentar o nível de alerta, energia e sociabilidade. A relação entre a cafeína e a dor de cabeça pode ser vista como uma faca com muito mais de dois gumes. De um lado estão as pessoas que têm dores de cabeça precipitadas pela cafeína. A substância também é capaz de aliviar uma crise de enxaqueca, tanto é que muitas das medicações para essa doença têm cafeína em sua composição. Além disso, para quem usa cafeína diariamente, sua abstinência súbita pode causar crises de dor de cabeça. Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Headache and Pain confirma que o excesso de cafeína pode tanto melhorar como piorar as crises de dor de cabeça. O estudo foi conduzido na Noruega e envolveu mais de 50 mil pessoas que tinham o consumo médio de cafeína de 420mg/dia, o que significa umas quatro xícaras de café expresso. Cerca de 40% das pessoas estudadas relatou ter apresentado dor de cabeça no último ano e aquelas que consumiam mais cafeína tiveram maior chance de apresentar crises de dor. Por outro lado, cerca de 1% das pessoas apresentou crises por mais de 14 dias durante o mês, e esse risco de alta freqüência de dor de cabeça foi menor entre aqueles que consumiam mais cafeína. Os resultados sugerem que, para as pessoas que têm crises pouco freqüentes, o excesso de cafeína pode atrapalhar, e já para quem tem alta freqüência de crises, a cafeína pode até ajudar. Esses resultados não são definitivos e o que se pode recomendar por enquanto para quem sofre de dor de cabeça é que não se deve abusar da cafeína, especialmente nos casos de enxaqueca. Outra recomendação é que não se deve proibir seu uso de forma indiscriminada, exceto nos casos em que a pessoa percebe que basta tomar uma dose que a dor de cabeça aparece. No caso das pessoas que usam muita cafeína, essas não devem parar seu uso subitamente, pois isso pode causar dor de cabeça. . .
Os músculos das vias aéreas superiores relaxam durante o sono, e em algumas pessoas isso chega a provocar obstrução do fluxo de ar, levando aos sintomas de ronco, parada respiratória intermitente e sonolência diurna devido à má qualidade do sono. A isso se dá o nome de síndrome de apnéia obstrutiva do sono (SAOS). Pesquisa publicada recentemente pelo periódico PloS Medicine revela que a SAOS em sua forma grave está associada a uma maior risco de morte, especialmente por doença isquêmica do coração e entre homens de 40 a 70 anos de idade.
A SAOS é um problema de saúde muito comum afetando cerca de 10% das mulheres e 25% dos homens. Na última década, vários estudos revelaram que a doença aumenta o risco de diversos problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca e doença isquêmica do coração, derrame cerebral, além do maior risco de acidentes devido à sonolência diurna. O presente estudo é o maior até o momento sobre a mortalidade da doença. Mais de seis mil americanos maiores de 40 anos foram acompanhados por uma média de oito anos e o os resultados demonstraram que a SAOS aumenta em 40% o risco relativo de morte, independentemente de outros fatores como hipertensão arterial e obesidade.
Vale frisar que existe tratamento eficaz para a SAOS e já há boas evidências de que quando tratada há uma redução no número de suas potenciais complicações. Novos estudos provavelmente ainda nos mostrarão que o tratamento também é capaz de reduzir a mortalidade da doença.
O tecido adiposo marrom é abundante em animais que hibernam como os ursos, mas também existe entre os humanos e de forma bem mais expressiva nos recém-nascidos. Esse é um tecido que tem a capacidade de produção de calor para o organismo bem superior a qualquer outro tipo de tecido do corpo, e nos animais, é bem reconhecido que essa gordura varia nas diferentes épocas do ano por conta de mudanças de temperatura e luminosidade. A quantidade desse tecido nos adultos humanos não é grande, mas pesquisas recentes têm apontado que é menor a atividade dessa gordura entre os obesos, mas ainda não se conhece bem quais fatores influenciam essa atividade.
Um estudo recém-publicado pela revista da Associação Americana de Diabetes demonstra que a luminosidade é um fator crítico para o controle da atividade da gordura marrom entre adultos. Mais de 3500 ingleses tiveram o nível de atividade de gordura marrom medido por exames de imagem (PET SCAN) e os resultados revelaram que a atividade dessa gordura no inverno inglês foi três vezes maior do que durante o verão, e era muito mais associada à luminosidade do que à temperatura. Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres têm uma maior atividade dessa gordura quando comparadas aos homens.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Nottingham que defendem a idéia que a ativação da gordura marrom pode representar mais uma ferramenta no controle de um dos maiores problemas de saúde do mundo: a obesidade.
Pesquisa publicada na última edição do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que o colesterol influencia as correntes elétricas que geram os batimentos cardíacos e pode contribuir para que o coração saia do seu ritmo ideal. Antes dessa pesquisa, já se reconhecia que tanto o colesterol como as medicações que são usadas pra reduzir seus níveis são capazes de influenciar o ritmo cardíaco, mas não se sabia como.
Pesquisadores franceses e canadenses demonstraram em células cardíacas de animais que altos níveis de colesterol são capazes de inibir o funcionamento de canais iônicos do íon potássio responsáveis pelo fluxo de correntes elétricas nas células do coração, também chamados de Kv1.5. O estudo também demonstrou que a redução dos níveis de colesterol é capaz de restaurar o funcionamento desse sistema.
A descoberta abre as portas para o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento do grave problema que são as arritmias do coração, que além de provocarem paradas cardíacas, são responsáveis por boa parte dos casos de acidente vascular cerebral.
Um estudo publicado na última edição do periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, confirma que a enxaqueca vai muito além das crises de dor de cabeça: a doença está associada a um maior risco de eventos vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.
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Vinte e oito mil mulheres americanas com mais de 45 anos de idade foram acompanhadas por doze anos, sendo que 13% delas eram portadoras de enxaqueca. As mulheres com enxaqueca sem aura não apresentaram maior risco de eventos vasculares. Vale lembrar que aura são sintomas que acompanham a dor de cabeça como alterações visuais e da sensibilidade, e que ocorrem em 25% das pessoas que têm enxaqueca. No presente estudo, as mulheres com enxaqueca com aura e crises frequentes (≥ 1 vez por semana) tiveram risco de derrame cerebral quatro vezes maior. Mesmo aquelas com crises pouco frequentes (< 1 vez por mês) também apresentaram maior risco vascular, com chance duas vezes maior de ter um infarto do coração quando comparadas às mulheres sem enxaqueca.
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Esses resultados não devem gerar pânico em quem têm enxaqueca com aura, já que o risco absoluto de eventos vasculares é baixo: das 180 mulheres com enxaqueca com aura, apenas duas delas apresentaram um infarto do coração e quatro delas um derrame cerebral ao longo de 12 anos. Entretanto, é importante o recado de que indivíduos com enxaqueca com aura já saem à frente das outras pessoas com risco maior de eventos vasculares, e por isso devem evitar e controlar a todo custo outros fatores de risco como o tabagismo e, no caso das mulheres, o uso do hormônio estrogênio.






















