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Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstra que a associação entre pobreza e morte prematura é tão forte nos dias de hoje como era há 100 anos atrás. O estudo comparou os dados de mortalidade da Inglaterra e País de Gales do início do século 20 com os do início do século 21.

 

O século 20 nos trouxe uma grande melhora nas taxas de mortalidade. Na população européia estudada, há cem anos atrás um terço das mortes ocorria antes dos cinco anos de idade e só 13% após os 75 anos. Nos dias de hoje, menos de 1% das mortes ocorre antes dos cinco anos de idade e 65% das pessoas morrem após os 75 anos. A expectativa de vida nessa população saltou em cem anos de 46 para 77 anos no caso dos homens, e de 50 para 81 no caso das mulheres. Além disso, há cem anos as principais causas de morte eram doenças respiratórias e infecciosas, bem diferente do panorama atual em que o câncer, as doenças do coração e o derrame cerebral predominam. A experiência de pobreza também mudou muito nesses cem anos. O que era a ausência de necessidades básicas para a subsistência passou a ser, no mundo moderno, um conceito menos absoluto, uma pobreza relativa ao que é oferecido à sociedade como um todo.

 

Os resultados dessa pesquisa ainda mostraram que as regiões com altas taxa de privação e mortalidade no passado continuam a ter maior tendência à mortalidade nos dias de hoje. As diferenças na mortalidade entre as diferentes regiões até diminuiram um pouco ao longo do tempo, mas não há evidências de declínio da desigualdade de riqueza ou redução da relação entre pobreza e níveis de mortalidade.

 

Mesmo com todas as mudanças políticas, econômicas, sociais e de saúde pública, a relação entre pobreza e mortalidade continua a existir de forma tão robusta como há cem anos atrás. A criação de programas para redução da desigualdade social é um fenômeno relativamente recente, tanto no Brasil como em diversas outras culturas. Se esses programas tiverem o fôlego necessário, é bem possível que uma futura análise comparativa entre os indicadores de hoje e os do início do século 22 mostre menos estagnação do que a demonstrada nessa atual pesquisa européia.

 

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