DOCTOR

 

O ideal de uma relação médico-paciente é quando ambas as partes participam das decisões e um dos fatores mais importantes nessa relação é que o médico seja capaz de disponibilizar ao paciente informação de alta qualidade sobre o problema em questão. O fato é que a decisão de um paciente é fortemente influenciada pela forma como essa informação é apresentada, situação que foi elegantemente demonstrada em dois estudos recém-publicados pelo periódico PLoS Medicine.

 

Um dos estudos avaliou cerca de três mil indivíduos quanto à preferência de seis diferentes formas de dar o recado de que as medicações estatinas podem prevenir a doença isquêmica do coração. A frequencia natural da doença assim como o poder do medicamento em reduzir o risco relativo da doença foram as formas de apresentação de dados mais fortemente preferidas pelos participantes do estudo (ex: este tratamento é capaz de reduzir pela metade seu risco de desenvolver esta doença). Essas formas de comunicação se mostraram as mais inteligíveis e mais compatíveis com seus valores quando comparadas a outras formas como a demonstração do risco absoluto (ex: este tratamento é capaz de reduzir o risco de desenvolver esta doença de 4% para 2%). Um segundo estudo avaliou cerca de 1800 pessoas quanto à preferência de apresentação das vantagens em se utilizar um antibiótico para os sintomas de dor de garganta. Os participantes preferiram receber através de gráficos de barras a apresentação do tempo em que os sintomas deveriam ocorrer.

 

Esses resultados são provenientes de situações hipotéticas e são bem diferentes da situação clínica habitual que envolve maior influência de dimensões como a emocional, moral e cultural. Apesar desses dados não deverem ser diretamente generalizados para o mundo real, eles nos confirmam que a forma como os médicos transmitem a informação aos pacientes pode fazer muita diferença nas suas escolhas.

 

 

SMALLicone

Anúncios