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Pedalar por belas paisagens. Correr num parque com muito verde. Isso pode ser melhor para a saúde do que malhar entre quatro paredes. Isso é o que sugere um estudo publicado esta última semana por pesquisadores da Universidade de Coventry na Inglaterra.
Eles avaliaram uma série de crianças com idades entre nove e dez anos numa sala com paredes brancas fazendo uma prova de 15 minutos na bicicleta ergométrica. No outro dia, as crianças fizeram a mesma atividade, mas desta vez olhando para um filme de uma bicicleta atravessando uma floresta. A monitoração da pressão arterial mostrou valores significativamente menores após a pedalada no “meio da floresta” quando comparado à atividade na sala branca. Esse efeito hipotensor do verde já tinha sido descrito há cerca de dez anos entre adultos.
A atividade física na natureza tem sido chamada de “Exercício Verde” e sua prática tem sido estimulada para os adultos por seus efeitos potencialmente superiores ao exercício sem a natureza. Cinco minutos de contemplação já são capazes de trazer efeitos positivos sobre o ritmo do coração. Já foi demonstrado que a simples contemplação de imagens da natureza tem efeito protetor contra o estresse, além de melhorar o humor e a atenção. O pessoal da corrida de aventura, mountain bike, surf, etc, têm muito a nos dizer.
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Já é bem reconhecido que as pessoas materialistas são menos felizes. Mas qual é a razão? Uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores da Universidade de Baylor nos EUA aponta que uma das principais razões é o fato dos materialistas exercerem muito pouco a gratidão. Não costumam pensar como o Zeca Pagodinho em Deixa a Vida me Levar: “Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.
Os pesquisadores aplicaram um questionário que avaliava o quanto uma pessoa é materialista a 246 voluntários com uma média de idade de 21 anos. Além disso, o questionário interrogava o quanto a pessoa exercia a gratidão e o seu nível de satisfação com a vida. Após análises estatísticas, a conclusão foi que a falta de gratidão responde por pelo menos metade da relação entre materialismo e falta de satisfação com a vida.
A falta do exercício de gratidão faz que as pessoas muito materialistas estejam sempre insatisfeitas, com objetivos não alcançados. O foco é sempre aquilo que ainda não conseguiram. Pessoas materialistas são mais solitárias, têm menor autoestima e bem estar e ainda uma maior tendência à depressão e ansiedade. Os materialistas poderiam se beneficiar de exercícios de gratidão? Acho que sim.
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Uma pesquisa publicada esta ultima semana pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia aponta que o jovem pode chegar com o cérebro mais esperto aos 40-50 anos se praticar exercícios aeróbicos desde cedo. Estamos falando de corrida, natação, ciclismo, e outras atividades que fazem o coração suar a camisa.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Minneapolis nos EUA que recrutaram quase três mil voluntários com uma média de idade de 25 anos. Foram realizadas avaliações da capacidade cardiorrespiratória e perfil cognitivo no início do estudo e 25 anos depois. Aqueles que tinham um melhor desempenho cardiorrespiratório no início do estudo apresentavam também melhores notas nos testes cognitivos. Além disso, aqueles com menor declínio da capacidade cardiorrespiratória ao longo dos 25 anos eram os que tinham o melhor desempenho cognitivo. Esse efeito certamente deve fazer diferença no risco de uma pessoa desenvolver um quadro de demência.
O ineditismo da pesquisa está no fato de que desta vez foi demonstrado o efeito positivo do condicionamento físico sobre o cérebro mesmo entre os jovens. Pesquisas anteriores já haviam apontado esse efeito nos idosos.
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Televisão, videogame e internet não podem mesmo ser tão liberados para as crianças. A recomendação é que elas não passem mais de duas horas na frente das telinhas e esta semana um estudo publicado no periódico JAMA Pediatrics confirma essa diretriz. A pesquisa mostrou que os pais que colocam limites têm filhos que dormem mais, além de terem melhor desempenho acadêmico e comportamento menos agressivo.
Estudos anteriores já mostravam que excesso de exposição à mídia faz com que as crianças durmam menos, tenham mais dificuldade de concentração e menor desempenho acadêmico. Desta vez os pesquisadores mostraram que a vigilância dos pais faz mesmo diferença.
Cerca de 1300 crianças nos EUA que cursavam do terceiro ao quinto ano foram acompanhadas por um período de um ano letivo. Os resultados apontaram que quanto mais os pais controlavam a exposição às telinhas, melhores os indicadores de sono e peso das crianças. Além disso, pais mais atentos tinham filhos mais dóceis e com melhores notas na escola. Essa dedicação dos pais foi medida por um questionário que abordava o quanto eles limitavam o tempo que os filhos ficavam no videogame e nas mídias eletrônicas, quanto eles limitavam o conteúdo dessas mídias e se conversavam sobre o assunto com as crianças.
O recado é fácil, não é?

Você fecha os olhos para os outros quando está em situação de estresse? Se você for homem a resposta mais provável é um sim, mas se for mulher, o estresse pode até favorecer o olhar para o outro. Essa é conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Psychoneuroendocrinology.
Pesquisadores das Universidades de Viena e de Freiburg submeteram voluntários a situações de estresse moderado (ex: falar em público, fazer exercícios mentais de matemática) e faziam testes em que tinham de reconhecer a perspectiva do pensamento de outra pessoa assim como seus sentimentos. A hipótese inicial era de que em situações de estresse as pessoas seriam mais egocêntricas, uma forma de reduzir distrações cognitivas e emocionais.
Dito e feito. Os homens realmente ficaram mais autocentrados, mas entre as mulheres os resultados foram justamente o oposto. Elas ficaram mais prosociais.
Possíveis explicações para essa diferença. Do ponto de vista psicológico, as mulheres têm mais internalizado a noção de que terão mais ajuda se tiverem uma boa interação com as outras pessoas. Numa situação de estresse, empatia pode ajudar. Do ponto de vista fisiológico, a diferença entre os gêneros pode ser explicada pelo hormônio ocitocina. A ocitocina está fortemente envolvida no nosso comportamento social e já foi demonstrado que no estresse seus níveis são mais elevados entre as mulheres.
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Tem uma porção do lobo frontal que é ativada toda vez que detectamos um erro em nossas ações. É o famoso “Ooops” e essa ativação pode ser demonstrada através do disparo de atividade elétrica nessa região.
Pesquisadores da Universidade de Vanderbitt nos EUA recrutaram voluntários para realizar testes de difícil execução pela rapidez exigida na resposta, ou seja, com grandes chances de erro e frequente ativação da região frontal mesial – a região responsável pelo “Ooops”.
Os voluntários receberam 20 minutos de estimulação elétrica por um gorrinho cheio de eletrodos ou um estímulo de mentirinha – placebo. A estimulação elétrica fez com que os voluntários errassem menos, pois corrigiam os erros com maior desenvoltura. Os efeitos positivos foram mantidos por cerca de cinco horas e extendido para outros testes.
As implicações desses achados não são restritas ao aprendizado, mas podem trazer benefícios clínicos no tratamento de condições como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
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Um estudo publicado esta semana pelo prestigiado periódico Brain apontou qu idosos com mais anos de educação demoram mais tempo para desenvolver a doença.
A pesquisa acompanhou quase 4 mil idosos franceses por 20 anos consecutivos fazendo avaliações cognitivas a cada cinco anos. Um pouco mais de 400 idosos desenvolveram a Doença de Alzheimer e aqueles com maior nível educacional começaram a ter um leve declínio cognitivo 15 a 16 anos antes do diagnóstico de demência. Já aqueles com menos anos de escola começaram a ter declínio sete anos antes do diagnóstico. Os anos a mais de escola retardaram o aparecimento da doença em cerca de sete anos.
Já se conhece bastante sobre as alterações cerebrais morfológicas e fisiológicas associadas ao processo de envelhecimento normal. Há uma progressiva redução do número de conexões entre os neurônios e significativo acúmulo de substâncias associadas ao envelhecimento que dificultam o pleno funcionamento cerebral.
Do ponto de vista funcional, essas alterações estruturais só começam a ter impacto após a sexta década de vida. Em média, só a partir dos 60 anos é possível confirmar declínio de capacidades psicométricas, com exceção da fluência verbal que declina levemente já na quinta década de vida. O declínio dessas capacidades é muito modesto até os 80 anos, quando se torna mais acentuado em pelo menos 50% dos indivíduos.
Um conceito fundamental para entendermos melhor como investir bem em nosso cérebro é o conceito de Reserva Cerebral. Se o nosso cérebro tem uma tendência natural a perder um pouco de seu desempenho em idades mais avançadas, quanto mais conexões formarmos no decorrer da vida, quanto mais aumentarmos nosso repertório, menor a chance de que pequenas perdas estruturais tenham repercussão funcional. E o que dirá quando o indivíduo apresenta doença cerebral como a Doença de Alzheimer? Maiores reservas fazem com que mais tempo de doença seja necessário para que ela se manifeste clinicamente. Mais conexões permitem que o cérebro lance mão de vias alternativas para driblar a doença. E foi isso que a presente pesquisa sugere.

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Pessoas que têm maiores pontuações em testes de inteligência confiam mais nas outras pessoas. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada esta semana no periódico PLoS ONE.
Pesquisadores da Universidade de Oxford aplicaram um questionário a uma expressiva amostragem da população americana. Maiores escores nos testes de inteligência foram associados à capacidade de confiar em outras pessoas de uma forma geral, independente do estado civil, nível educacional e socioeconômico.
Essa confiança nas outras pessoas era medida através da pergunta: “De forma geral, você poderia dizer que a maioria das pessoas são confiáveis ou que você não precisa ser tão cuidadoso ao se relacionar com as outras pessoas?” Os resultados corroboram pesquisas realizadas em países Europeus. Além disso, o presente estudo também mostrou que as pessoas que confiam mais nos outros têm a percepção de ter um melhor estado de saúde e de serem mais felizes.
Uma possível explicação para esses resultados é que pessoas mais inteligentes são melhores para julgar o caráter das outras pessoas e têm uma tendência em fazer relações com pessoas que não vão se decepcionar. A inteligência pode ser vista como uma vantagem evolutiva também por ter favorecido a confiança entre as pessoas.
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Alguns pequenos estudos mostram que adesivos de nicotina podem ser promissores para melhorar a memória e atenção de pacientes com a Doença de Alzheimer. Já temos evidências também que esses adesivos podem promover a melhora do desempenho cognitivo de idosos com problemas de memória, mas sem demência. Além da memória, a nicotina incrementa a atenção e a velocidade psicomotora. Entre jovens, já foi demonstrado que a nicotina pode incrementar de forma muito discreta a memória e a atenção.
A nicotina estimula receptores nicotínicos do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Esses mesmos receptores são cada vez mais deficientes à medida que a Doença de Alzheimer progride. E não é só isso. Ela modula outros sistemas de neurotransmissores. Se estivermos sonolentos, a nicotina acorda. Se estivermos ansiosos, a nicotina relaxa.
Nicotina do cigarro e até mesmo da pimenta protege o cérebro da Doença de Parkinson.
Temos boas evidências de que o tabaco tem o poder de prevenir a Doença de Parkinson. Esse efeito se dá pela nicotina e parece que outras plantas que contêm essa substância, como pimenta, tomate, berinjela e batata, têm efeito semelhante. Já está sendo testado o efeito de adesivos de nicotina em pacientes com a Doença de Parkinson Será que eles vão amenizar a progressão da doença?
E os efeitos colaterais?
O uso da nicotina em adesivos não tem demonstrado efeitos colaterais sérios, mas costuma provocar perda de peso. A suspensão do uso de adesivos não provoca abstinência e não existe tendência ao abuso.
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Pais com idades mais avançadas têm filhos com maior chance de apresentar dificuldades na escola e até mesmo de sofrer de mais condições psiquiátricas. Essa é a conclusão de uma pesquisa liderada por pesquisadores da Universidade de Indiana nos EUA e Instituto Karolinska na Suécia. O estudo foi publicado na última semana pelo periódico especializado em psiquiatria do Jornal Americano de Medicina (JAMA).
A pesquisa avaliou todos os nascimentos na Suécia entre os anos de 1973 e 2001, num total de mais de quase três milhões de crianças. Quando comparada a uma criança nascida de um pai de 24 anos, aquela cujo pai tem 45 anos tem uma chance duas vezes maior de apresentar surtos psicóticos, 2.5 vezes maior de apresentar abuso de substâncias psicoativas e comportamento suicida, uma chance 3.5 maior de ser autista, 13 vezes maior de sofrer de transtorno de déficit de atenção / hiperatividade e 25 vezes maior de ter transtorno bipolar. Os problemas acadêmicos também foram mais frequentes entre os filhos de pais mais velhos e incluía repetência e baixos escores de QI. O efeito foi maior quando os pais eram mais velhos, mas não foi identificada uma idade de corte a partir da qual pode se esperar maior risco.
O efeito da idade mais avançada da mãe sobre a saúde dos filhos já é tema bastante estudado. No caso dos pais, os estudos anteriores mostravam algumas contradições. Reconhece-se que o tamanho da amostra e a metodologia usada nesse estudo fazem com que o levemos mais em consideração do que os anteriores.
Os homens continuam a produzir ovos novos durante toda a vida, diferente das mulheres que nascem com todos seus óvulos. À medida que o homem envelhece, aumenta sua exposição a toxinas que por sua vez causa mutações no DNA dos espermatozoides. Já temos evidências consistentes de que o esperma de homens mais velhos têm mais dessas mutações genéticas.
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Existe um provérbio Chinês que diz: “Eu ouço e eu me esqueço. Eu vejo e eu me lembro”. Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico PLoS ONE demonstrou que não lembramos tão bem daquilo que ouvimos ao compararmos com o que vemos ou tocamos.
Pesquisadores da Universidade de Iowa nos EUA testaram mais de mil estudantes quanto à capacidade de recordar de estímulos sonoros, visuais e táteis. Os estímulos incluíram desde exemplos do mundo real, como latidos de cachorro, mas também padrões “artificiais”, como conjunto de formas geométricas e tons. Em ambas as situações os estímulos sonoros foram lembrados com menos facilidade. Os estímulos táteis e visuais foram igualmente lembrados.
Estudos com primatas já mostravam essa mesma diferença entre os diferentes tipos de estímulo. Entre humanos, sons acompanhados de palavras são mais fáceis de serem lembrados do que sons puros. E quando estão no contexto de uma música, ativando as emoções, os sons são ainda mais poderosos.
Os resultados da atual pesquisa devem servir de referência para educadores e profissionais de publicidade para o aprimoramento da comunicação com o público alvo.

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Uma pesquisa recém-publicada e conduzida por pesquisadores dos EUA e Canadá demonstrou que as emoções, positivas ou negativas, são sentidas de forma mais intensa quando estamos em ambientes mais claros.
Em ambientes bem iluminados, os voluntários do estudo deram preferência a alimentos mais apimentados, avaliaram o comportamento de um personagem fictício como mais agressivo, acharam as pessoas mais atraentes, sentiram-se melhores com palavras positivas e piores com palavras negativas, beberam maior quantidade de um suco “saudável” e menos de um suco “menos saudável”. Estudos anteriores já haviam apontado que somos mais intolerantes ao barulho em ambientes claros. Há também evidências dequem gosta de um determinado alimento consome em maior quantidade em locais iluminados. Já quem não gosta, consome menos menos quando submetidos a una luz mais forte.
Uma luz mais discreta pode nos ajudar a tomar decisões de forma mais racional. Para vender melhor produtos com alto teor emocional, como flores ou alianças de casamento, uma iluminação generosa pode ser um bom negócio. Uma possível explicação para esses resultados é que o efeito da luz pode ser percebido pelo nosso inconsciente como calor que incrementa nossas emoções. A atual pesquisa também mostrou que o ambiente mais claro era percebido como mais quente.
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O psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl disse: “A vida não deixa de ser suportável por conta das circunstâncias, mas quando ela deixa de fazer sentido”.
Para a maioria das pessoas, ser feliz e ter uma vida com significado são dois objetivos importantes e também correlacionados. Percepção de felicidade e de sentido na vida às vezes não andam juntas e um estudo recém-publicado no Journal of Positive Psychology ajuda a entender melhor essa questão.
A pesquisa entrevistou quase 400 pessoas sobre o quanto se sentiam felizes, o quanto estavam satisfeitos com o curso de suas vidas e também sobre seus hábitos de vida. A percepção de felicidade estava associada a uma vida sem problemas, prazerosa, com boa saúde. Esses fatores não tinham relação com o senso de sentido na vida. Convívio com amigos e ter dinheiro para as necessidades e desejos tinham boa relação com a percepção de felicidade, mas faziam pouca diferença no sentido na vida. Por outro lado, o tempo ao lado do companheiro ou companheira fazia diferença.
Outro estudo, realizado em diferentes países, mostrou que nos países ricos as pessoas tendem a ser mais felizes, mas não vêem mais sentido na vida. Na verdade, as pessoas de países mais pobres enxergam mais sentido na vida. Isso pode estar associado a uma maior religiosidade e maiores conexões sócias entre os moradores de países mais pobres. Ao invés de dizer que dinheiro não compra felicidade, talvez seja melhor dizer que dinheiro não compra sentido na vida.
Muitas das coisas que fazemos no dia a dia não aumentam nossa percepção do quanto nos sentimos felizes, mas podem nos fazer sentir nossas vidas com mais sentido. Atividades que exigem esforço e sacrifício costumam alimentar nossa percepção de sentido na vida.
E então? Vai querer ser só feliz?

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Cefaleia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão recorrente pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaleia do tipo tensional e a enxaqueca, até causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.
A Sociedade Internacional de Cefaleia classifica esse problema em mais de 150 tipos, e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. A dor de cabeça chamada atualmente de cefaleia do tipo tensional já teve diferentes nomes, como cefaleia por contração muscular, cefaleia do estresse e cefaleia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.
Os jovens também têm
É difícil dizer o quanto a cefaleia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos, mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10% a 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaleia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%) em relação às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.
As crianças costumam apresentar crises de cefaleia do tipo tensional já por volta dos sete anos, que costumam durar cerca de duas horas, e usam medicações para dor em média uma vez por mês.
Cuidado com maus hábitos!
Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaleia do tipo tensional. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à frequência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas.
Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de miniexecutivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina muito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, que, muitas vezes, já começa anos antes do início das provas.
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Menos enfisema pulmonar, menos câncer, menos doenças cardiovasculares. Parar de fumar traz todos esses benefícios, mas a saúde mental também melhora. O British Medical Journal publicou hoje uma metaanálise sobre o tema e conclui que ficar longe do cigarro tem o efeito comparável ao de um tratamento com medicações antidepressivas para transtornos de humor e ansiedade.
Muitos fumantes têm receio de parar de fumar, pois podem perder os supostos benefícios que o cigarro oferece ao equilíbrio psíquico. Médicos também têm receio de propor a interrupção do tabagismo e pacientes com transtornos mentais.
Pesquisadores das universidades de Birmingham, Oxford e King’s College London analisaram os resultados de 26 pesquisas que compararam a saúde mental antes e depois de parar de fumar. Participantes tinham uma média de idade de 44 anos e fumavam em torno de 20 cigarros por dia.
Os pesquisadores demonstraram que parar de fumar reduziu sintomas depressivos, ansiedade, estresse, e melhorou índices de satisfação com a vida e sentimentos positivos. Esses efeitos foram observados tanto na população geral como em pacientes com doenças psiquiátricas. Os resultados podem ajudar a quebrar a crença dos médicos e familiares que não se deve mexer no cigarro de quem sofre de algum transtorno mental, Podem servir também como mais um incentivo para quem está pensando em parar de fumar.

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Adolescentes sedentários, muito expostos à mídia e que dormem pouco têm maior risco de doenças psiquiátricas. Essa é a conclusão de um grande estudo liderado pelo Instituto Karolinska na Suécia. Essa combinação de atitudes foi considerada pelos pesquisadores como um comportamento de risco velado.
Mais de 12 mil adolescentes de 11 diferentes países europeus responderam a um questionário que avaliava sintomas psiquiátricos e comportamentos de risco. Os resultados diferentes grupos de risco. O grupo de alto risco (13% dos adolescentes) apresentava reconhecidas atitudes de risco como consumo de álcool e drogas. O grupo de baixo risco (58% dos adolescentes) quase não tinha comportamento de risco. Quase 30% dos adolescentes formaram um terceiro grupo que foi chamado de “risco invisível”. Eles combinavam comportamentos que geralmente não são considerados como fatores de risco para doença mental. Entretanto esse grupo de “risco invisível” apresentava a mesma tendência que o de alto risco em apresentar ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Esse risco invisível era caracterizado por sedentarismo, pouco sono e excesso de mídia.
Os resultados ainda mostraram que os comportamentos de risco eram mais comuns entre os homens enquanto sintomas psiquiátricos eram mais frequentes entre as mulheres. Os mais velhos eram os que tinham mais sintomas e também os que tinham mais comportamentos de risco.
A adolescência é uma fase da vida de profundas mudanças no comportamento e no corpo. É uma época também de grande incidência de problemas psiquiátricos, tais como transtornos de ansiedade e de humor, transtornos de personalidade e alimentares, psicoses e abuso de substâncias psicoativas. Temos crescentes evidências de que alterações no amadurecimento cerebral nessa fase da vida podem ajudar a explicar o porquê da alta incidência de doenças psiquiátricas na adolescência. Uma hipótese bastante atrativa é a de que um perfil genético que determine que essas transformações da adolescência aconteçam em outro ritmo ou grau de intensidade possam aumentar os riscos de doenças psiquiátricas.
Um recente e robusto estudo populacional nos Estados Unidos revelou que a idade em que o indivíduo tem mais chance de apresentar um transtorno psiquiátrico pela primeira vez é aos 14 anos. Além das mudanças cerebrais estruturais e funcionais já demonstradas, e por isso a adolescência é considerada um período de significativas mudanças neurobiológicas, não há como deixar de considerar também os fatores hormonais e psicossociais. Muitos avanços têm sido alcançados, mas temos muito chão pela frente para conseguirmos entender a parcela de contribuição de cada um dos fatores que determinam o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na adolescência de forma tão frequente.
Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:
Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.
Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.
Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.
Obesidade. O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.
Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

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Adultos jovens com um animal de estimação em casa costumam ter relações sociais mais fortes e ser mais integrados à comunidade. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada esta última semana pelo periódico Applied Developmental Science.
Pesquisadores americanos estudaram mais de 500 voluntários com idades entre 18 e 26 anos. Quanto mais eles participavam do cuidado com o bicho de estimação, mais atitudes altruísticas eles tinham na comunidade e entre amigos e familiares. Quanto maior a conexão com os bichos, maior a empatia com as outras pessoas e autoconfiança.
Antídoto conta o estresse
Pesquisas mostram também que os animais de estimação, especialmente os cães, conferem um efeito protetor ao coração. Pesquisadores de Nova Iorque demonstraram que pacientes que tem cães sobrevivem mais após passado um ano de um infarto do coração. Nos últimos anos, diferentes grupos de pesquisadores evidenciaram que os indivíduos que tem cães apresentam um menor nível de alterações cardíacas provocadas pelo estresse.
E os efeitos positivos dos animais de estimação não param por aí. Há evidências de que a presença do animal está associada a uma menor procura por consultas médicas pelos indivíduos idosos e menor incidência de depressão.
Não estou advogando pela substituição dos amigos pelos animais. Entretanto, é razoável hoje em dia recomendar a uma pessoa com poucos contatos sociais e que goste de animais, que não deixe de experimentar viver com um animal de estimação, pois ele pode fazer bem para o coração em vários sentidos.

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Uma em cada duas pessoas diz ter problemas de memória, mas os homens dizem ter mais. Essa é a conclusão de um grande estudo conduzido na Noruega que envolveu cerca 48 mil voluntários com 30 anos ou mais.
Os pesquisadores aplicaram um questionário de nove perguntas sobre o desempenho da memória das pessoas no dia a dia. Estas foram as perguntas:
1- Você tem problemas com sua memória?
2- Sua memória piorou nos últimos anos?
Você tem dificuldade para se lembrar de:
3- Datas
4- Nomes de pessoas
5- Atividades planejadas
6- Coisas que aconteceram há minutos
7- Coisas que aconteceram há poucos dias
8- Coisas que aconteceram há anos
9- Fio da meada de um conversa
Metades dos entrevistados disse que tinha problemas de memória, mais comum entre os homens (pergunta 1). Oito das nove dificuldades com memória pesquisadas eram mais frequentes entre os homens. Mulheres queixaram-se mais de que a memória piorou nos últimos anos. As dificuldades maiores eram com datas (homens 75% e mulheres 64%) e nomes de pessoas (homens 89% e mulheres 86%). 65% referiram ter pior memória que quando eram mais jovens e os itens que as pessoas tinham menos dificuldade foram “lembrar do fio da meada” e “coisas que aconteceram há minutos”.
As queixas de memória eram menores entre as pessoas com maior nível educacional, maior satisfação com a vida, menos sintomas de ansiedade e depressão. As queixas foram maiores entre os mais idosos, mas não muito diferente da população mais jovem. Rotina dos mais jovens com maior demanda cognitiva, e por isso, mais queixas?
Como explicar maiores queixas entre os homens? Maior demanda não é uma explicação razoável, especialmente pelo fato da população estudada ser norueguesa, onde as mulheres tem uma alta inserção no mercado de trabalho e em posições de liderança.
A pesquisa foi publicada na última semana pelo periódico BMC Psychology.
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O periódico Nature Neuroscience publicou na última semana um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade John Hopkins que mostrou o poder positivo da cafeína sobre a memória.
Voluntários que não tinham o hábito de consumir alimentos ou bebidas cafeinadas foram apresentados a uma série de imagens. Após a análise das imagens eles recebiam uma pílula com 200mg de cafeína ou uma pílula placebo. No dia seguinte os participantes eram testados para avaliar novas imagens, como se fosse um jogo de sete erros. Eles precisavam dizer se a imagem era igual à do dia anterior, só parecida ou igual com algumas modificações. Quem tomou a pílula de cafeína teve mais sucesso no teste.
Estudos anteriores já tinham avaliado o potencial benefício da cafeína sobre a memória, mas a cafeína sempre era administrada antes da tarefa. Isso deixava sempre a duvida se os benefícios à memória eram decorrentes da melhora da atenção. Dessa vez não. Os voluntários tomaram a pílula depois do teste. Não foi o componente de atenção que fez a diferença.
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O consumo na meia idade de mais de duas doses diárias de álcool pode levar a perdas cognitivas. Mais tarde na vida o desempenho cerebral pode chegar a ser o de pessoas seis anos mais velhas. Aqueles que bebem de forma leve ou moderada têm a memória e funções executivas tão preservadas como os que não bebem. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico da Academia Americana de Neurologia.
A preciosidade dessa pesquisa é a inclusão de indivíduos de meia idade, já que a maioria dos estudos sobre álcool e memória envolveu grupos de idosos. Envolveu 5 mil homens e 2 mil mulheres que foram acompanhados por 10 anos. Testes cognitivos e questionários sobre o consumo de álcool foram realizados repetidas vezes. O efeito negativo foi mais pronunciado entre os homens

![CBN-RICARDO[1]](https://consciencianodiaadia.com/wp-content/uploads/2013/08/cbn-ricardo1.jpg?w=240&h=137)







