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As pessoas paqueram, apaixonam-se, namoram, ora são aceitas, ora são rejeitadas, até encontrarem uma parceria que julgam ser a mais acertada para viverem juntos, terem filhos, etc. Isso costuma ser um processo longo e cauteloso e poucos vão dizer que é uma perda de tempo e energia.  Para a perpetuação da espécie seria mais econômico paquerar e procriar sem toda essa experimentação? A espécie precisa mesmo do amor romântico? Os passarinhos podem nos ajudar a responder.

Ornitólogos do Instituto Max Planck na Alemanha publicaram esta semana na PLOS Biology resultados de experiências com passarinhos que têm “parcerias” parecidas com as dos humanos: escolhem um(a) companheiro(a) e seguem toda a vida juntos e dividem o trabalho da criação dos filhotes (nem sempre..).

Eles estudaram 160 passarinhos e promoveram uma paquera inicial entre grupos de 20 fêmeas que podiam escolher livremente um macho em um grupo de 20 também. Depois que os pássaros formavam casais eles eram divididos em dois grupos: casais que se entenderam espontaneamente e casais que foram separados pelos pesquisadores que em seguida forçaram novas parcerias.

Os resultados não deixam dúvida que a escolha espontânea faz a diferença. Os filhotes de passarinhos que continuaram com seus pares tinham 37% mais chance de sobreviver nos primeiros dias de vida, provavelmente reflexo do cuidado dos pais. Não houve diferença na mortalidade dos embriões entre os dois grupos, o que sugere que a atração pelo outro não é uma escolha pela melhor genética, mas atração por atributos comportamentais que favorecem a complementariedade.

Aqueles com “casamento arranjado” tinham o ninho com mais ovos não fertilizados ou desaparecidos. Os machos deram a mesma atenção às fêmeas independentemente de serem da turma romântica ou arranjada. Já as fêmeas arranjadas foram menos receptivas ao macho e copulavam menos. Os casais arranjados eram também mais infiéis.

Isso parece familiar?

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Um dos estudos mais importantes sobre o tema avós e evolução humana foi publicado na respeitada revista científica Nature no ano de 2004. Os pesquisadores avaliaram dados históricos demográficos de populações canadenses e finlandesas do século XIX e evidenciaram que tanto mulheres como homens que tinham mães que viveram mais após os 50 anos de idade tiveram seus filhos mais precocemente, intervalos mais curtos entre o nascimento dos diferentes filhos e uma maior chance de que eles chegassem à idade adulta. Além disso, as mulheres que moravam longe das mães tinham menos filhos quando comparadas àquelas que moravam na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma vila. O efeito positivo da avó foi mais pronunciado ainda quando a avó tinha menos de 60 anos de idade quando do nascimento de seu neto. Um dos resultados mais importantes do estudo foi o de que a presença da avó foi relevante na sobrevida dos netos entre os três e cinco anos de idade, mas não nos primeiros dois anos de vida (período da amamentação), reforçando a idéia de que o “efeito avó” existe independentemente das peculiaridades genéticas dos netos ou do desempenho das mães. E os resultados não foram diferentes entre as duas populações estudadas: canadenses e finlandeses.

E parece que o poder do “efeito avó” chega a influenciar também a longevidade das relações de casal. Antropólogos liderados por Kristen Hawkes da Universidade de Utah – EUA publicaram esta semana uma simulação computacional de 30 a 300 mil anos do que seria dos casais sem as avós.

Na maior parte dos primatas, são os machos mais velhos que costumam ser inférteis e não as fêmeas como na espécie humana. Inclusive, os chimpanzés machos dão preferência às fêmeas mais velhas. O estudo de Hawkes mostra que com o passar dos anos temos mais homens do que mulheres férteis e isso cria uma concorrência mais forte entre eles. Nesse novo estado de concorrência é mais vantajoso fazer uma parceria estável, especialmente quando se tem uma avó cuidando das crianças que não precisam mais do peito materno e deixam a mãe “liberada” para gerar um novo filho. A simulação de Hawkes mostrou que as avós deixaram a concorrência masculina duas vezes mais difícil: sem as avós a concorrência é de 77 homens para 100 mulheres enquanto que com as avós isso sobe para 156 homens para cada 100 mulheres. A pesquisa foi publicada pela prestigiadíssima revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Algumas pessoas têm um olho mental ineficiente e não conseguem, por exemplo, imaginar carneirinhos ou qualquer outra coisa. A essa dificuldade dá-se o nome de afantasia.

Acredita-se que cerca de uma em cada 50 pessoas podem ter afantasia. Alguns relatam que a condição faz a pessoa se sentir sozinha ou isolada, sabendo que elas não podem ver coisas que a maioria das pessoas pode. Sentem-se angustiadas por não poderem imaginar mentalmente amigos ou parentes falecidos.

A condição foi identificada pela primeira vez na década de 1880 e tem sido ocasionalmente descrita como resultado de grande dano cerebral, mas o fenômeno tem, até agora, atraído pouca atenção. Um artigo foi publicado recentemente na revista Cortex por neurologistas ingleses que descreveram casos de indivíduos com essa dificuldade.

Um dos indivíduos descritos pelos ingleses relata que não sabia que tinha a condição até os 21 anos. Todos os seus sentidos são afetados, e ele não consegue se lembrar de sons, textura, ou até mesmo odores. “Eu tive um impacto emocional grave”, explicou. “Eu comecei a me sentir isolado – incapaz de fazer algo tão central para a experiência humana comum. A capacidade de recordar memórias e experiências, o cheiro das flores ou o som da voz de um ente querido; antes que eu descobri que lembrar essas coisas era humanamente possível, eu nem estava ciente do que eu estava perdendo.” Algumas pessoas são incapazes de criar mentalmente imagens, cheiros e sons e podemos chamar isso de afantasia total.

Entende-se que a experiência mental dos sentidos seja o resultado de uma rede de regiões em todo o cérebro que trabalham em conjunto para gerar a experiência sensorial  com base em memórias. O melhor palpite até agora é que naqueles que têm afantasia as ligações entre estas áreas do cérebro são interrompidas.

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O teste do hormônio do estresse pode identificar indivíduos idosos com estado cognitivo mais limitado. Esses mesmos idosos poderiam ser investigados com mais preciosismo no que diz respeito às suas capacidades cerebrais. Essa é a conclusão de um estudo publicado ontem pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia.

Pesquisadores americanos avaliaram mais de quatro mil idosos e mostraram que aqueles que tinham concentrações mais altas de cortisol na saliva apresentavam um menor volume cerebral e também um pior desempenho nos testes cognitivos. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que o hormônio cortisol tem um efeito tóxico no hipocampo, importante área do cérebro responsável pela nossa memória. Vale lembrar que o hormônio do estresse é elevado entre indivíduos com depressão e isso explica, em parte, a associação entre essa condição e a Doença de Alzheimer.

A canadense Olga Kotelko, detentora de mais 30 recordes mundiais em diversas modalidades de atletismo, faleceu no ano de 2014, mas teve seu cérebro estudado cuidadosamente em 2012 pela Universidade de Illinois nos EUA.

Os pesquisadores compararam o desempenho cognitivo de Olga e as características da ressonância magnética de seu cérebro com outras 58 mulheres com idades entre 66 e 78 anos. Nessa época Olga tinha 93 anos. Os resultados foram publicados na revista Neurocase.

O estudo mostrou que o cérebro de Olga era mais volumoso do que o esperado para sua idade. Surpreendente foi encontrar que a parte do cérebro que liga os dois hemisférios, o corpo caloso, era mais intacta em Olga do que entre as mulheres dez ou vinte anos mais jovens!

O desempenho cognitivo de Olga mostrou-se levemente inferior ao das mulheres mais jovens, mas superior ao de mulheres da mesma idade não atletas de um estudo independente. Os hipocampos de Olga, área cerebral fortemente responsável por nossa memória, também eram menores que o das mulheres de 60-70 anos, mas maiores que o de mulheres da mesma idade.

Estudos prévios já haviam demonstrado que a atividade aeróbica é capaz de garantir um bom funcionamento cerebral entre os idosos e até preservar o volume de algumas áreas estratégicas do pensamento como o hipocampo.

E o mais interessante é que Olga iniciou sua vida de atleta aos 65 anos e passou a se dedicar ao atletismo aos 77 anos. Competiu em corridas curtas e longas, saltos e arremessos de disco, martelo e dardos.

Parece que ações repetitivas como arrancar os cabelos ou roer as unhas têm muito mais a ver com uma resposta ao tédio, irritação e frustração do que com ansiedade. Há uma série de evidencias mostrando que as pessoas que têm esse tipo de compulsão são frequentemente perfeccionistas.

Uma em cada 20 pessoas apresenta esse tipo de comportamento com um variável espectro de intensidade, alguns sofrendo dor e embaraço social.  Os movimentos repetitivos têm uma certa relação com os tics e, de uma forma mais distante, com o transtorno obsessivo compulsivo.

Um novo estudo recentemente publicado demonstra que uma forte raiz desses movimentos é o perfeccionismo. As pessoas que sofrem desse problema, além de mais perfeccionistas, têm maior tendência a exagerar no trabalho, a planejar demais as coisas e a se frustrarem facilmente quando não têm atividades de alta intensidade.

Os pesquisadores ainda mostraram que estímulos relaxantes, como imagens das ondas do mar, são capazes de inibir os movimentos, ao contrário de situações de tédio como ficar numa sala vazia e sem estímulos ou em situações que evocam frustração ou estresse.

O estudo foi publicado pelo Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry e dá mais ferramentas aos terapeutas que cuidam das pessoas que sofrem com esses movimentos compulsivos. Os movimentos podem ser vistos como uma urgência perfeccionista de estar fazendo algo sempre. Depois do alívio pode vir dor e vergonha. A psicoterapia cognitivo-comportamental é vista como uma das melhores opções para o seu tratamento.

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É durante o sono que o cérebro consegue se livrar melhor de seus restos metabólicos. Uma pesquisa publicada esta semana pelo Journal of Neuroscience mostrou que dormir de lado torna essa limpeza mais eficiente.

Pesquisadores da Universidade de Stony Brook nos EUA demonstraram em ratinhos, através de método de ressonância magnética, que esse mecanismo chamado de transporte glinfático é mais robusto durante o sono em posição lateral. Eles compararam com as posições “de barriga para cima” e “barriga para baixo”.

O interessante é que essa posição de decúbito lateral é a mais usada no sono pela maioria dos mamíferos incluindo também os humanos. Uma das explicações para essa preferência é a de que a evolução permitiu essa adaptação para que o mecanismo do transporte glinfático tenha mais sucesso e o cérebro faça melhor sua faxina diária.  O fato é que o acúmulo desses restos facilitam o desenvolvimento de doenças como Parkinson e Alzheimer. O próximo passo é testar essa história das diferenças de decúbito entre os humanos.

Pais superestimam a felicidade dos filhos quando eles têm 10 a 11 anos. Por outro lado, eles subestimam a felicidade quando eles chegam à idade de 15-16 anos. Esses são os achados de um estudo publicado recentemente no periódico especializado Journal of Experimental Child Psychology.

Os resultados sugerem que a percepção dos pais do quanto os filhos se sentem felizes têm um viés egocêntrico, ou seja, essa avaliação é baseada nos seus próprios sentimentos em relação à família. Para chegar a essa conclusão os pesquisadores aplicaram escalas que medem o bem-estar mental das crianças e também dos pais.

Além de saúde, o que os pais mais desejam aos filhos é que eles sejam bons, felizes e com boas relações de amizade. A relação entre bondade, amizade e felicidade tem sido descrita como de reciprocidade. Pessoas mais felizes têm maior tendência a apresentar comportamentos prossociais e também de ter um bom círculo de amizades. Crianças com boa aceitação pelos amigos, por outro lado, também são mais cooperativas e equilibradas emocionalmente. Além disso, pessoas mais felizes têm mais ferramentas para fazer o bem aos outros, atitude que também promove o bem-estar.

Sonja Lyubomirsky, uma das maiores autoridades em pesquisas sobre felicidade, participou de um estudo experimental muito interessante que aponta que crianças que exercitam a gentileza passam a se sentir mais felizes e também a serem mais populares com seus coleguinhas.

Quatrocentas crianças canadenses com idades entre 9 e 11 anos foram estudadas em dois diferentes grupos. Metade delas foi orientada a fazer três ações de gentileza por semana, por exemplo, dividir o lanche com um amigo ou dar um abraço na mãe ao sentir que ela está estressada. A outra metade tinha a tarefa de visitar três lugares diferentes por semana, por exemplo, o parquinho e a casa dos avós.

Após quatro semanas, as crianças sentiram-se mais felizes e passaram a ser mais populares, mas esses efeitos foram maiores entre aquelas que cumpriram as tarefas de gentileza. Escalas de felicidade e bem estar foram aplicadas e a popularidade foi medida pelo número de coleguinhas que escolhiam a criança como potencial parceiro para um trabalhinho escolar.

A conclusão é fácil, não é? As escolas poderim incluir na lista de deveres de casa tarefas prossociais. O efeito é positivo mesmo para aqueles que não fizerem a tarefa, menos bullying, etc.

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O periódico Neurology da Academia Americana de Neurologia publicou hoje uma pesquisa que revelou que idosos com memores capacidades executivas têm um risco quase duas vezes maior de desenvolver um infarto do coração ou AVC.  O estudo acompanhou cerca de quatro mil indivíduos com uma média de idade de 75 anos por três anos.

Os resultados chamam a atenção para a influência que cada um desses órgãos exerce sobre o outro.  Apontam também a importância de uma avaliação cognitiva para se definir o risco cardiovascular de um indivíduo.  Deficiência das funções cerebrais executivas pode refletir doença dos seus vasos e redução de sua irrigação sanguínea e, como foi demonstrado, um maior risco de derrame cerebral. E essa menor vascularização cerebral é acompanhada de uma menor vascularização do coração e uma maior chance ataques cardíacos. Enquanto na Doença de Alzheimer a memória é a deficiência cognitiva mais encontrada, na disfunção cognitiva vascular o acometimento das funções executivas é o mais observado.

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A teoria da evolução defende a tese que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos pelo menos em parte graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que em última instância refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.

O consumo de ácidos graxos da família Ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de Ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso cérebro/ peso corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apóiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.

Este ano a prestigiada revista Neuron publicou os resultados de uma pesquisa bem interessante que mostrou que somos o que somos graças à abundância de gordura em nossos cérebros. Esse  conteúdo de gordura é de importância gigantesca, pois é a principal matéria-prima das membranas celulares e são essas membranas que permitem a sinalização elétrica entre os neurônios.

Pesquisadores do Instituto Max Planck na Alemanha avaliaram o conteúdo de mais de cinco mil tipos de moléculas de gordura no cérebro de humanos, chimpanzés e roedores. Eles demonstraram que o cérebro dos humanos tem uma variedade de lipídios muito maior que o dos outros animais. Na história da evolução, homens e chimpanzés se originaram de um ancestral comum em uma época semelhante. Acreditava-se que esse conteúdo de gordura do cérebro não devesse ser muito diferente, mas a análise mostrou que somos três vezes mais avantajados. Já o conteúdo de gordura não foi diferente quando se comparou o cerebelo dos homens e chimpanzés. Essa é uma região do sistema nervoso mais arcaica e comum a todos os vertebrados e não é o que nos faz tão diferentes.

Deficiencia de Ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Dietas ricas em Ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.

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Uma pesquisa recente aponta que a música dos quartos cantos do mundo tem mais coisas em comum do que diferenças.  Entre essas semelhanças sobressaem os ritmos marcantes que podem funcionar como uma “cola social”, facilitando a conexão entre membros de um grupo.

Musicólogos de diversos países publicaram recentemente no prestigiado periódico PNAS uma analise de 304 músicas de diferentes estilos representando os diversos continentes. Eles selecionaram músicas da Enciclopédia Garland de World Music que inclui músicas instrumentais e canções, tradicionais e contemporâneas.  Os pesquisadores analisaram 32 aspectos das músicas como tonalidade, ritmo, forma, contexto social e concluíram que, apesar de uma aparente diversidade, a música de diversos pontos do mundo têm muita coisa em comum.

Quando se pensa em música como uma cola social, é bom lembrarmos da imagem de trabalhadores cantando em coro durante o trabalho braçal. Não faz muito tempo que o Instituto Max Plamck na Alemanha, junto a outros grupos de pesquisa, demonstrou que a música ajuda na hora de fazer um esforço físico não simplesmente por distrair a atenção do sofrimento do corpo. A música realmente é capaz de reduzir o esforço na hora de executar uma tarefa.

Para chegar a essa conclusão os cientistas realizaram experimentos em que voluntários tinham que se exercitar em um aparelho de musculação ora ouvindo uma música de forma passiva, ora ouvindo a música, mas podendo interferir na sua estrutura de acordo com o ritmo que imprimiam no aparelho.  Eles ainda eram monitorados quanto ao consumo de oxigênio e a experiência subjetiva do esforço físico.

Quando eles “produziam” a música, a percepção do esforço era menor e os músculos realmente eram mais eficientes: faziam o corpo consumir menos energia.

O cerebelo é uma região do sistema nervoso central que fica na sua parte posterior e por muitos anos foi considerado como o maestro de nossa coordenação motora. Há algum tempo temos evidências de que o cerebelo também participa da nossa atividade cognitiva. Nesse caso ele usa sua batuta para fazer com que as regiões do pensamento trabalhem em conjunto de forma mais eficaz.

Pesquisadores da Universidade de Stanford nos EUA demonstraram recentemente de que o cerebelo também é um dos atores principais para a orquestração de nossa criatividade. Quando voluntários fazem desenhos dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional, os desenhos eleitos pelos participantes como os mais criativos foram os que foram feitos com uma maior ativação do cerebelo.  O cerebelo é um maestro que trabalha em um nível inconsciente. Quanto menor a consciência do processo, maior será sua ativação. Trocando em miúdos: quanto mais nos esforçamos para pensar e calcular uma criação, menos criativo será o produto final.

A velha história de que o hemisfério cerebral direito é mais criativo que o esquerdo está cada vez mais fora de moda. O cerebelo também tem dois lados e parece que ambos fazem toda a diferença no processo criativo.

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O cérebro das crianças pode aprender a ter reações exageradas aos própios erros quando os pais são muito rigorosos. Isso é meio caminho andado para desenvolver um quadro de ansiedade que pode durar muito anos.

Uma pesquisa realizada no fim de 2014 nos EUA, envolvendo mais de quatro mil adultos das mais diferente idades, mostrou que as pessoas que têm mais memórias de infância de pais autoritários são os que também relatam mais sintomas de ansiedade.

Outro estudo conduzido por pesquisadores da universidade americana Stony Brook revelou que o cérebro das crianças que têm pais autoritários responde de forma diferente aos erros.  Já é reconhecido um sinal elétrico no cérebro evocado pelo lobo pré-frontal que faz com que possamos corrigir erros durante uma ação. Eles estudaram esse sinal em cerca de 300 crianças aos três anos de idade e depois novamente aos seis anos enquanto montavam um quebra-cabeça na companhia dos pais. O sinal aos seis anos de idade era maior nas crianças que aos três anos tinham pais que se julgavam mais severos / punitivos e também naquelas com pais que apresentaram comportamento autoritário / crítico durante a dinâmica com a criança.

“ hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”

O som de uma cachoeira no ambiente de trabalho pode melhorar o humor das pessoas e até mesmo a produtividade. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto Politécnico Renseleer de Nova Iorque – EUA que foi apresentado na última semana em Pittsburgh no Encontro da Sociedade Acústica da América.

O barulhinho de uma corredeira de água pode facilitar a concentração das pessoas no trabalho, pois ele faz com que não se perceba o conteúdo daquilo que outras pessoas a metros distância estão dizendo. Isso também dá mais privacidade nas conversas dentro de um ambiente que comporta muitas mesas de trabalho.

Já existem alguns modelos de sons de fundo com a mesma intenção, também chamados de “ruídos brancos”. São sons digitais irregulares e estáveis.  Esse grupo de pesquisadores começou a testar se os ruídos naturais também têm sua função, e parece que o barulho da água correndo pode ser melhor que esses sons digitais ou até mesmo o silêncio.  O segredo desse ruído natural é a constância com certa irregularidade. Isso poderia até ser aplicado para reduzir o estresse de pacientes hospitalizados.

 

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Os homens devem pensar duas vezes antes de se vestir de vermelho. Esta é uma cor que transparece um ar de agressividade de acordo com uma pesquisa publicada recentemente no periódico Biolgy Letters por pesquisadores ingleses da Universidade de Durham  .

Existem situações, como uma entrevista de emprego, em que a roupa vermelha pode ser uma faca de dois gumes. O vermelho passa a imagem de maior agressividade, dá a impressão de que a pessoa é mais competitiva e em algumas situações é o que se espera do entrevistado. Por outro lado, quando se espera um perfil colaborativo, o vermelho pode ser um tiro no pé.

Vermelho é um sinal que sinaliza agressividade e perfil de dominador entre os animais. Devemos ter herdado isso dos nossos ancestrais. Os humanos ficam com a face ruborizada quando têm a experiência de raiva. Esse grupo de pesquisadores já havia demonstrado a influência da cor vermelha em times esportivos, sendo um fator de intimidação nos oponentes. Chegam até a propor aos cartolas que criem regulamentos para banir o vermelho dos uniformes, evitando vantagens pela cor do uniforme.

Os pesquisadores analisaram a impressão que mulheres tinham de 50 diferentes homens, através de imagens manipuladas digitalmente em que se mudava a cor das camisetas. Os homens com camiseta vermelha foram considerados mais agressivos e dominadores do que os vestidos de azul ou cinza. Além disso, a expressão facial dos homens de vermelho foi classificada mais frequentemente como brava. As outras duas opções de classificação eram amedrontada e neutra.

Não temos ainda resultados da impressão dos homens sobre mulheres de vermelho, mas não tenho muitas dúvidas de que deva ser bem diferente.

O smartphone atrapalha seu exercício físico na esteira se você falar ao telefone ou digitar um texto. Entretanto, ele pode melhorar seu desempenho se você estiver o usando para ouvir música.  Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado nesta última semana por pesquisadores americanos na prestigiada revista PLoS ONE.

Eles estudaram 44 voluntários (média de 22 anos de idade) na esteira que fizeram testes em quatro dias diferentes em cada uma das seguintes modalidades: sem celular, com celular falando ao telefone, com celular digitando uma mensagem, com celular ouvindo música de uma playlist própria.  Durante os testes foram monitorados a velocidade alcançada, freqüência cardíaca e o prazer durante o teste, Aqueles que ouviram música tiveram mais prazer no teste e também foram os que tiveram o melhor desempenho cardiorrespiratório e de velocidade. Aqueles que falaram ao celular também tiveram mais prazer, mas perderam em velocidade e mantiveram a freqüência cardíaca.  Já digitar uma mensagem piorou tanto a velocidade como o desempenho cardiorrespiratório, sem influenciar o prazer.

Atividade física e música: uma dupla poderosa

Até há pouco tempo, competições esportivas como maratonas liberavam o uso de aparelhinhos de música com fones de ouvido, mas hoje em dia isso não é permitido. São duas as justificativas: pela segurança do atleta e para não criar desvantagens para aquele que não compete com o aparelho.

Nos últimos dez anos muito se avançou no entendimento desse binômio música / atividade física. Já em 1911, o pesquisador Leonard Ayres observou que os ciclistas pedalavam mais rápido quando tinha uma banda de música na rua do que quando não tinha. Música diminui a percepção da dor, da fadiga e do esforço despendido, melhora o estado de humor e aumenta a resistência. A música melhora o desempenho em atividades como corrida e natação, sem que a pessoa nem tenha consciência disso.

 

Qual é a melhor música?

A maioria das pessoas tem um instinto para sincronizar os movimentos e expressões com o ritmo da música. As conexões diretas entre o sistema auditivo e motor são os pilares desse instinto.

. O ritmo de dois batimentos por segundo parece ser a preferência inata da maioria das pessoas. Um estudo avaliou mais de 70 mil músicas pop e mostrou que o pulso mais comum era o de dois por segundo – 120 por minuto. Quando as pessoas são solicitadas a batucar os dedos ou caminhar, esse é o ritmo mais comumente observado.

A sincronia com o ritmo musica promove o uso de energia de forma mais eficiente, com menos ajustes para a coordenação. A relação entre a música e o movimento no cérebro é íntima. Ao ouvirmos uma música agradável, há um aumento da atividade elétrica de várias regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos. Uma pesquisa demonstrou que o consumo de oxigênio é 7% menor quando se pedala sincronizado com a música. Já existem até aplicativos que selecionam as músicas de acordo com a frequência cardíaca.

Ritmo acelerado não é tudo. As memórias e emoções evocadas pela música fazem muita diferença. Distração é outra forma de explicar o poder da música durante a atividade física. A música nos distrai dos alarmes do corpo de que já chegamos no limite. Essa distração também pode facilitar acidentes e por isso devemos ficar bem atentos e ter consciência de que em algumas situações a música é incompatível com segurança.

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Muitas companhias de alimentos probióticos  vendem a ideia de que cultivar no intestino as bactérias certas pode ser meio caminho andado para nosso bem estar mental.  Os cientistas eram muito céticos quanto a essa possível influência, mas hoje chegam a chamar o intestino de “segundo cérebro”.

A comunicação entre o cérebro e o sistema digestivo é conhecida há muito tempo, especialmente no que tange a influência de “cima para baixo”. Expressões como frio na barriga dizem muito sobre isso. O cérebro regula o sistema digestivo através do sistema nervoso autônomo, composto pelos sistemas simpático e parassimpático.  São eles que controlam nossos batimentos cardíacos, a respiração e a digestão.  A rede de neurônios do sistema digestivo é tão robusta que até funcionaria sem o cérebro, mas é bem mais inteligente com as comunicações de cima para baixo e de baixo para cima.

Além das fiações que ligam o cérebro ao sistema digestivo, também é bem reconhecida a influencia dos hormônios e mais recentemente a flora intestinal. As bactérias do intestino podem ter influência em condições clínicas como a depressão, ansiedade e o autismo, e uma das formas de entender essa relação é o fato de que algumas bactérias são produtoras de neurotransmissores como a sertralina e o GABA.  E parece que o contato com bactérias durante o nascimento já faz alguma diferença. Ratinhos que nascem por parto cesárea têm mais comportamentos de ansiedade e depressão do que os nascidos por parto vaginal.

Um estudo publicado em 2013 mostrou que um modelo de ratinho de comportamento ansioso e antissocial apresentava menores níveis de uma bactéria frequentemente encontrada na flora intestinal, Bacterioidis fragilis. Os pesquisadores reverteram esse comportamento dos ratinhos ao alimentarem os mesmos com a bactéria.  Eles também demonstraram que os ratinhos estressados tinham uma maior concentração no sangue de um metabólito bacteriano (4EPS) e que a injeção desse metabólito em ratinhos normais provocava o comportamento alterado.

As possibilidades de associação da flora intestinal com algumas doenças neuropsiquiátricas estão só engatinhando. Não podemos dizer muita coisa ainda, mas a neurociência está de olho.

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Aquilo que considerávamos importante para ser feliz há 80 anos é um pouco diferente do que se pensa hoje.  Essa é a conclusão de uma análise dos psicólogos Sandie McHugh e Jerome Carson da Universidade de Bolton na Inglaterra ao refazerem um famoso estudo sobre felicidade de 1938.

Em 1938, um anúncio de jornal em Bolton convidou os leitores a responderem à pergunta “O que é felicidade?”. Um total de 256 pessoas enviou cartas ao jornal e estes foram convidados a elencar dez fatores que julgavam mais importantes para serem felizes. Em 2014, o estudo foi replicado.

Em 1938, segurança, educação e religião foram os três ingredientes mais importantes, no entender desse moradores de Bolton, para a felicidade.  J[a em 2014, segurança ficou em terceiro lugar e bom humor e lazer em primeiro e segundo.  Religião, em 2014,  foi deslocada para décimo lugar.

Em 1938 a maioria das pessoas sentia-se feliz na cidade, mas em 2014 63% declararam estar mais felizes quando estavam fora da cidade.  Sorte foi um item lembrado para a felicidade por 40% das pessoas nos dois períodos.

Em 2014, 77% responderam que a felicidade NÃO está diretamente ligada aos bens materiais.  Em 1938, bens materiais não chegaram a fazer parte dos dez fatores mais elencados pelos participantes do estudo. Os tempos mudaram, não?

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Solidão faz mal à nossa saúde e não sabemos muito bem ao certo quais os mecanismos envolvidos nesse “comportamento de risco”. Um estudo recém-publicado pelo periódico Hormones and Behavior testou a hipótese que uma das possíveis explicações para esse efeito adverso à saúde seria o aumento da ingestão calórica e suas bem conhecidas repercussões.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio nos Estados Unidos recrutaram 42 voluntárias (53 anos em média) que foram submetidas a um jejum de doze horas antes do inicio do estudo. Começaram a manhã com uma dieta de 930 calorias composta de ovos, salsicha de peru e biscoitos. No restante do dia elas tinham amostras de sangue para quantificação do hormônio grelina que está muito associado à fome e ao ato de comer. Elas também respondiam o quanto se sentiam famintas.

Os resultados mostraram que aquelas que se sentiam mais solitárias eram as que referiam mais fome e também as que tinham maiores níveis de grelina. Um estudo anterior publicado pelo mesmo grupo de pesquisadores havia revelado que mulheres que sofriam um estresse psicológico agudo tinham um aumento da grelina e redução do hormônio moderador de apetite – leptina.

Apenas hipóteses para explicar essa relação entre fome / grelina e solidão. A mais aventada é a de que do ponto de vista evolutivo a solidão provoca fome, já que comer é uma atividade de grupo e oportunidade de promover socialização.

O cheiro do suor pode transmitir a outra pessoa seu estado emocional. Se alguém está alegre, seu suor pode “contaminar” o outro com essa alegria e o mesmo acontece com o estado de medo. Essa transmissão se dá por sinais químicos presentes no suor. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana pelo periódico Psychological Science.

Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que emoções negativas podem ser transmitidas a outras pessoas através do suor, mas não se sabia bem ao certo se o mesmo acontece com emoções positivas.

Pesquisadores holamdeses da Universidade de Utrecht colheram amostras de suor de 12 voluntários homens após assistirem a vídeos que induziam três diferentes estados emocionais: medo, alegria e neutralidade.  Trinta e seis mulheres cheiraram as amostras de suor dos doze homens e quando eram expostas ao suor de homens que assistiram ao vídeo alegre, passavam a demonstrar uma expressão facial de alegria. Quando sentiam o suor dos homens que assistiram ao vídeo que evocava medo, passavam a apresentar uma expressão facial apreensiva,  enrugando os músculos da testa.  O teste foi duplo cego – nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam que tipo de suor estava sendo testado.

Futuros estudos deverão explorar esse conhecimento para aplicação na indústria de perfumes.

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