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Esta semana, o periódico da Associação Médica Americana, Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, publicou em sua versão online os resultados de uma pesquisa que revelou que o uso patológico da internet aumenta a chance de um adolescente vir a desenvolver depressão.

 

Mais de mil adolescentes chineses sem evidências de transtornos psiquiátricos foram acompanhados ao longo de 9 meses com aplicação de escalas de ansiedade, depressão e de avaliação do padrão de uso da internet. Essa última escala é  baseada em conceitos e comportamento encontrados no transtorno de jogo patológico e  envolvia perguntas como: “ Qual a freqüência que você se sente nervoso ou deprimido quando fica fora da rede e os sintomas logo melhoram quando volta a ficar conectado?”.

 

A maioria dos adolescentes (93.6%) foi classificada como usuários normais e 6.4% deles apresentavam perfil de vício moderado ou severo. O uso mais comum da internet foi para diversão (45%), seguido por busca de informação (28.1%) e comunicação com amigos (26.4%). Os adolescentes com comportamento patológico tinham uma tendência maior a usar a internet para diversão do que para busca de informação. Após os 9 meses de acompanhamento, 8.4% dos adolescentes apresentaram scores altos na escala de depressão e esse risco era mais de duas vezes maior entre aqueles considerados viciados na internet.

 

O uso patológico da internet tem sido reconhecido como um comportamento que está associado a sinais e sintomas comuns a outros tipos de vícios. Os estudos têm demonstrado crescentes índices desse problema que afeta mais frequentemente os meninos, especialmente aqueles com personalidade introvertida. Esses números chegam a uma prevalência de mais de 10% dos adolescentes, dependendo da população estudada. Várias condições clínicas têm sido associadas ao uso excessivo da internet como é o caso de comportamento agressivo e depressão. O atual estudo deu uma grande contribuição ao corpo de evidências que já existia sobre a relação entre vício na internet e depressão por ter sido seguido os adolescentes ao longo dos meses, o que favorece qualquer tipo de conclusão do tipo causa e efeito.     

 

Conceitualmente, a dependência à Internet é vista como um transtorno compulsivo-impulsivo que envolve o uso exagerado da rede de computadores e já se reconhece pelo menos três variantes principais de vício: jogos, conteúdo sexual e correio eletrônico. Essas diferentes variantes têm quatro características em comum: 1) uso excessivo, com os usuários chegando a negligenciar outras atividades; 2) abstinência, com os usuários apresentando comportamento de ansiedade, irritabilidade, depressão quando não têm acesso ao computador ; 3) tolerância, sendo este o fenômeno de precisar de um número cada vez maior de horas na Internet e/ou necessidade de equipamentos cada vez mais sofisticados; 4) repercussões negativas,  com os usuários chegando  a apresentar comportamento de evitação social e isolamento. Em alguns países como a Coréia do Sul e a China o problema já tomou proporções alarmantes demandando políticas públicas na tentativa de controlar o uso abusivo da Internet, especialmente entre os jovens.

 

Vamos ficar de olho nos  hábitos eletrônicos de nossas crianças e adolescentes!

 

** CLIQUE AQUI e confira o bate-papo no CBN Saúde sobre o assunto veiculado em 6 de agosto 2010

 

 

 

 

 

 

Já é consenso que as crianças não devem ser expostas a mais do que duas horas por dia às mídias eletrônicas, e isso inclui não só a TV, mas também videogames, DVDs e o uso do computador para atividades não escolares.  Atingir essa meta nem sempre é uma tarefa fácil para os pais, mas um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Academia Americana de Pediatria aponta que quando os pais determinam regras consistentes para o uso dessas mídias, fica mais fácil conseguir que as crianças não excedam o limite.

 

Os pesquisadores estudaram o comportamento de mais de sete mil crianças americanas com idades entre 9 e 15 anos, especialmente quanto ao tempo dedicado em frente às telas eletrônicas, regras impostas pelos pais, e o nível de atividade física. Os pais também foram interrogados quanto à freqüência que determinavam limites às crianças.

 

Os resultados revelaram que mais de 27% das crianças excediam o tempo de duas horas de mídia por dia, sendo que os meninos, crianças negras e de menor renda familiar, aquelas que tinham TV por assinatura em casa, estas tinham uma tendência maior em ultrapassar o limite. Entretanto, o estudo demonstrou que as crianças que assumiam que os pais determinavam limites para o uso da TV e outras mídias eletrônicas, estas apresentavam menos chance de exceder as duas horas diárias. Além disso, as crianças que eram mais envolvidas em atividades físicas passavam menos tempo em frente às telas eletrônicas.

  

Essa pesquisa sugere que iniciativas que encorajem os pais a definir limites e que estimulem a prática de atividade física podem ser efetivas para a redução da exposição às mídias eletrônicas entre crianças de 9 a 15 anos de idade. O limite de duas horas tem sua razão de existir, já que crianças muito expostas ao vídeo têm um pior desempenho escolar, maior chance de comportamento agressivo e iniciação sexual precoce, assim como uma maior tendência a sobrepeso, obesidade, transtornos alimentares e hipertensão arterial. Vale lembrar que quando os pais dão o exemplo, é mais fácil atingir qualquer objetivo com as crianças.                                                                                                                 

 

 

A velha preocupação que os pais e mães têm quando vêem seus filhos conviverem com amigos que consomem bebidas alcoólicas acaba de ganhar uma nova justificativa científica. Um estudo publicado na última edição do periódico Annals of Internal Medicine demonstra que a quantidade de bebidas alcoólicas que uma pessoa consome é proporcional ao tanto que seus amigos e parentes próximos bebem. O padrão de consumo de álcool de vizinhos e colegas de trabalho não teve a mesma influência. O estudo também demonstrou que aqueles que não bebem têm menos amigos e parentes que não bebem.

 

O estudo foi realizado com 12 mil pessoas da famosa população americana de Framingham que tanto já ensinou ao mundo que fatores como o tabagismo e colesterol alto podem aumentar o risco de doenças vasculares como o infarto do coração. Os voluntários do estudo foram acompanhados por mais de 20 anos e de tempos em tempos eram interrogados sobre a quantidade de álcool que consumiam. Uma das maiores implicações desse estudo é a de que políticas públicas que encorajam o uso de álcool de forma responsável devem focar em grupos sociais, e não em indivíduos.

 

Há alguns dias, estava com amigos num restaurante que tinha as paredes decoradas com anúncios publicitários de revistas das décadas de 1960 e 1970. Chamaram-nos muita a atenção os anúncios de cigarro que vendiam sucesso e até saúde, como era o caso da vinculação da marca Hollywood com esportes. O comentário geral foi: “incrível como isto era permitido até há tão pouco tempo atrás”. Na verdade, as evidências de que cigarro causa câncer já existiam desde a década de 1950, mas a indústria do tabaco conseguiu manter a publicidade do cigarro por muitas décadas a “plenos pulmões”. A proibição da propaganda foi uma das grandes ferramentas para reduzir os índices de tabagismo no Brasil.

 

Agora é a vez de lutar pela regulação do consumo de álcool em nosso meio, pois os números do custo do álcool à sociedade não são muito diferentes dos do cigarro. Vale conscientizar a população que o álcool não é problema só de quem bebe. Seu custo social é tão grande que nem se consegue medi-lo direito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou no ano de 2007 um decreto que restringiu a exibição da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão, permitindo sua veiculação só a partir das 21 horas. Essa medida é só um começo de uma difícil política de restrição da propaganda do álcool. Pode ser que daqui a uma década, ou décadas, nos lembremos das propagandas de cerveja com loiras e sambistas com comentários do tipo: puxa, incrível como isto era liberado!

 

 

O sistema Cochrane de revisões científicas em saúde acaba de publicar uma análise de dez pesquisas que envolveram mais de 16 mil indivíduos e que avaliaram o impacto sobre a saúde de um esquema de trabalho com flexibilidade de horário. A análise concluiu que essa flexibilidade influencia positivamente inúmeros indicadores de saúde, como é o caso do sono, equilíbrio psíquico e dos níveis de pressão arterial.

 

Flexibilidade de horário não é trabalhar menos. É otimizar o horário de trabalho, conciliando-o com a vida pessoal. Em países escandinavos, a oportunidade de trabalhar em horários que melhor se adaptam à vida familiar já é habitual, especialmente entre as pessoas que têm filhos. Em 2009, a Inglaterra passou a garantir um horário de trabalho flexível para aqueles que têm filhos menores de 16 anos. No Brasil, esse benefício já começa a ser oferecido em algumas empresas públicas e privadas, mas é geralmente restrito para aqueles que têm um status profissional elevado. Espera-se que um dia o benefício se estenda até a base da pirâmide social.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio Eldorado- SP com o Dr. Ricardo Teixeira

 

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A Doença de Parkinson ocorre em uma a cada cem pessoas com mais de 65 anos, e em 90% dos casos, não existe uma história familiar da doença. Reconhece-se que tanto um componente genético, como fatores ambientais estão associados à doença. Mas que fatores ambientais seriam esses?

 

Substâncias tóxicas ao cérebro podem provocar a doença, como é o caso do MPTP, substância que é parente próxima da heroína, e de alguns agrotóxicos, como o paraquat. Em 2009, foram evidenciados novos candidatos do meio ambiente que podem colaborar para o desenvolvimento da Doença de Parkinson. 

 

* Foram descritos dois novos agrotóxicos (ácido 2,4-Dichlorophenoxyacetic, permethrin) que aumentavam em três vezes o risco da Doença de Parkinson.

 

*  Foi demonstrado que um metabólito da bactéria Streptomyces venezuelae reduz a função do Sistema Proteolítico Ubiquitina – Proteassoma  (UPS) em modelo animal. A redução da função desse sistema tem sido implicada na patogênese da Doença de Parkinson esporádica.

 

* Inoculação intranasal do vírus da gripe aviária (H5N1) em ratos provocou alterações cerebrais semelhantes às encontradas na Doença de Parkinson:

 inflamação, agregados de a-sinucleína e degeneração de neurônios produtores de dopamina.

 

* Maiores níveis de colesterol aumentam risco da Doença de Parkinson independente do índice de massa corporal. O cérebro é o órgão mais rico em colesterol e uma alteração de sua homeostase pode provocar alterações em suas conexões e membranas celulares.

 

Esses estudos nos estimulam a pensar a Doença de Parkinson como pensamos várias outras doenças como a hipertensão arterial, o diabetes, a Doença de Alzheimer. Todas são doenças que têm seu componente genético, mas fatores ambientais podem ser o empurrãozinho que faltava para um determinado indivíduo desenvolver a doença.

 

 

O Papai Noel não é nenhuma unanimidade quando se fala em modelo de saúde para as crianças.  Para começar, ele está sempre muito além do peso, e alguns acham que ele poderia trocar o trenó com as renas por uma bicicleta. Em alguns países, é uma tradição oferecer ao Papai Noel biscoitos, tortas, uma dose de brandy ou vinho do porto quando ele passa por uma residência, e esse hábito pode influenciar as crianças a pensarem que álcool e direção, mesmo que de trenós, podem andar de mãos dadas. Esse assunto foi explorado pelo médico australiano Nathan Grills em recente artigo publicado no British Medical Journal. Grills defende a tese que se os discutíveis hábitos do Papai Noel influenciarem negativamente 0.1% das crianças, já seriam milhões de vidas prejudicadas.

 

Nos EUA, o Papai Noel é o único personagem fictício mais conhecido que o Ronald MacDonald, e sua fama é quase universal. Se o Ronald é um personagem tão eficaz para vender Mac Coisas, Papai Noel não fica para trás. Sua popularidade bem que poderia ser usada para a promoção de hábitos de vida saudáveis, mas o que podemos observar é que ele anda ajudando a vender coca-cola desde a década de 30. Em outros tempos, ele já foi um forte “garoto” propaganda de cigarros. Já que o Papai Noel é um ícone associado ao universo infantil, seria bem-vinda alguma forma de regulação que evitasse sua vinculação com anúncios de bebidas alcoólicas e alimentos pouco saudáveis, regulação que já foi aplicada no caso do cigarro em vários países.

 

Aproveitar a mega fama do velhinho para a divulgação de bons hábitos de vida é  uma ótima oportunidade para a promoção de saúde da população na época das festas de fim de ano, especialmente das crianças. Isso não quer dizer que o Papai Noel tenha que abandonar as renas e passar a ter um corpo sarado. No mundo da ficção ou no mundo real, radicalismos são empobrecedores.  Mesmo com todo o amor do mundo pelas crianças, Monteiro Lobato provavelmente nunca trocaria a Dona Benta e tia Anastácia com seus bolinhos por uma vovó magrinha que descasca cenouras para as crianças no lanchinho da tarde. Talvez também não trocasse o saci com cachimbo por um saci mascando chicletes sem açúcar.

 

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O número de pessoas com diabetes tem aumentado dramaticamente e o estilo de vida saudável ainda é a maior arma para lutar contra essa epidemia emergente.  Quando falamos em estilo de vida, nada importa tanto como uma dieta saudável e atividade física regular, e um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Internal Medicine revela que morar em locais que facilitam esses bons hábitos pode fazer muita diferença.

 

O estudo acompanhou 2300 participantes com idades entre 45 e 84 anos, e após cinco anos, 230 novos casos de diabetes tipo 2 foram diagnosticados. Os indivíduos que tinham na vizinhança boas opções para realização de atividade física, além de comércio com oferta de produtos alimentícios saudáveis, apresentaram um risco 38% menor de desenvolver diabetes. Esse menor risco foi independente do nível sócio-econômico, idade, sexo e história familiar de diabetes.

 

Não é a primeira vez que se demonstra que o local onde moramos pode influenciar nossa saúde. Sabemos que morar à beira de rodovias aumenta o risco de doenças cardiovasculares devido à poluição do ar e pesquisas, tanto nos EUA como no Canadá, revelam que quanto maior o número de restaurantes “fast food” na vizinhança, maior o risco de infarto agudo do coração e derrame cerebral. Já foi também evidenciado que a proximidade de “fast foods” com as escolas está associada ao risco de obesidade nas crianças. Mais alimentação “fast food” tem relação com maior consumo de calorias, gordura, sal, que é um padrão de dieta que aumenta o risco de grande parte das doenças mais sérias e mais temidas pela população, incluindo as doenças cardiovasculares e o câncer.

 

São muitas as intervenções que podem ser feitas para que cada comunidade tenha um ambiente que ofereça mais condições de se adotar uma vida saudável: 1) construção de calçadas e parques para a realização de atividades físicas; 2) criação de ciclovias e melhoria do transporte público para que as pessoas fiquem menos dependentes de carros; 3) incentivos para estabelecimentos que comercializem frutas, legumes, verduras e peixes; 4) incentivo para que as escolas restrinjam a venda de alimentos industrializados. Vale lembrar que cada comunidade tem muito mais poder nas mãos do que imagina para fazer com que ações dessa natureza sejam concretizadas.

 

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Já é bem reconhecido que uma maior inteligência está associada a maior longevidade e estudos recentes chegaram atá a demonstrar que ganhadores do Oscar e Nobel vivem mais que seus colegas não ganhadores. Já temos evidências de que o nível de inteligência influencia a longevidade humana com o mesmo poder que o hábito de não fumar, e de forma ainda mais significativa que fatores como índice de massa corporal, hipertensão arterial e diabetes.

 

Podemos identificar pesquisas associando o grau de inteligência com a longevidade desde a década de 90, e hoje essa é uma área do conhecimento chamada de epidemiologia cognitiva. Há pelo menos quatro formas de explicar o porquê das pessoas mais inteligentes viverem mais. A primeira delas é que pessoas mais inteligentes tenham recebido mais educação e tido acesso a posições sociais e profissionais que permitiriam viver em ambientes menos arriscados. Outra questão importante é a relação entre inteligência e hábitos de vida mais saudáveis: atividade física, dieta equilibrada, menos álcool, menos cigarro, etc. Uma terceira explicação é a possibilidade de que indivíduos menos inteligentes tenham sido vítimas de mais eventos prejudiciais à saúde, e aqui podemos pensar em eventos até mesmo pré- e perinatais. E por último, há evidências de que testes de inteligência podem ser na verdade indicadores de um sistema cerebral que vai além das habilidades cognitivas, como por exemplo, velocidade de reação motora a um determinado estímulo.  Nesse caso não seria a inteligência em si que confere maior longevidade ao indivíduo, mas a inteligência reflete um estado cerebral mais desenvolvido como um todo.

 

Essas relações entre inteligência e longevidade fazem-nos refletir que a fonte da juventude está muito mais próxima da escola e condições básicas de saúde do que de pílulas milagrosas. 

 

 

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Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstra que a associação entre pobreza e morte prematura é tão forte nos dias de hoje como era há 100 anos atrás. O estudo comparou os dados de mortalidade da Inglaterra e País de Gales do início do século 20 com os do início do século 21.

 

O século 20 nos trouxe uma grande melhora nas taxas de mortalidade. Na população européia estudada, há cem anos atrás um terço das mortes ocorria antes dos cinco anos de idade e só 13% após os 75 anos. Nos dias de hoje, menos de 1% das mortes ocorre antes dos cinco anos de idade e 65% das pessoas morrem após os 75 anos. A expectativa de vida nessa população saltou em cem anos de 46 para 77 anos no caso dos homens, e de 50 para 81 no caso das mulheres. Além disso, há cem anos as principais causas de morte eram doenças respiratórias e infecciosas, bem diferente do panorama atual em que o câncer, as doenças do coração e o derrame cerebral predominam. A experiência de pobreza também mudou muito nesses cem anos. O que era a ausência de necessidades básicas para a subsistência passou a ser, no mundo moderno, um conceito menos absoluto, uma pobreza relativa ao que é oferecido à sociedade como um todo.

 

Os resultados dessa pesquisa ainda mostraram que as regiões com altas taxa de privação e mortalidade no passado continuam a ter maior tendência à mortalidade nos dias de hoje. As diferenças na mortalidade entre as diferentes regiões até diminuiram um pouco ao longo do tempo, mas não há evidências de declínio da desigualdade de riqueza ou redução da relação entre pobreza e níveis de mortalidade.

 

Mesmo com todas as mudanças políticas, econômicas, sociais e de saúde pública, a relação entre pobreza e mortalidade continua a existir de forma tão robusta como há cem anos atrás. A criação de programas para redução da desigualdade social é um fenômeno relativamente recente, tanto no Brasil como em diversas outras culturas. Se esses programas tiverem o fôlego necessário, é bem possível que uma futura análise comparativa entre os indicadores de hoje e os do início do século 22 mostre menos estagnação do que a demonstrada nessa atual pesquisa européia.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine revela que quanto mais tempo as crianças passam à frente das telas da TV ou do computador, maior a chance de apresentarem aumento dos níveis de pressão arterial.

Os pesquisadores estudaram 111 crianças com idades entre 3 e 8 anos de idade que apresentavam um tempo médio diário de 1.5h à frente do vídeo, incluindo TV, DVD, videogame e computador. As crianças também foram monitorizadas durante uma semana por um aparelho capaz de medir o tempo em que se fica parado durante o dia, como é o caso de estar sentado, e a média diária foi de cinco horas.   

O resultado mais provocativo desse estudo foi que houve associação entre o tempo que as crianças ficavam em frente ao vídeo e os níveis e pressão arterial, mas essa associação não existiu quando o fator analisado foi o tempo em que elas ficavam paradas. Quando se analisou as diferentes fontes de exposição ao vídeo, o tempo exposto à TV revelou associação com a pressão arterial, o que não ocorreu com o tempo em frente ao computador. Isso sugere que o excesso de exposição em frente ao vídeo, especialmente a TV, pode ter efeito sobre a pressão arterial cujo mecanismo vai além da atitude sedentária associada a esses hábitos.

 

Estudos anteriores com crianças dessa mesma faixa etária já haviam demonstrado que o tempo de exposição à mídia está associado à obesidade e que por sua vez está associada à hipertensão arterial. Dessa vez foi diferente. O atual estudo mostrou de forma inédita que a associação entre os níveis de sedentarismo e pressão arterial foi independente do fator obesidade.

 

Além do sedentarismo, outra hipótese para explicar o efeito da exposição ao vídeo sobre a pressão arterial seria o hábito de comer em frente à TV. Outra explicação seria a redução das horas de sono das crianças por conta de uma maior exposição ao vídeo, e um estudo recente é concordante com essa hipótese ao revelar que as crianças que dormem menos têm tendência a maiores níveis de pressão arterial.

 

A Academia Americana de Pediatria já recomenda que as crianças não devem ficar mais de duas horas diárias em frente ao vídeo. No atual estudo, as crianças que tiveram menores índices de pressão arterial tiveram uma exposição ao vídeo de 30 minutos em média, o que torna razoável a recomendação aos pais que usem esses 30 minutos como limite de tempo de exposição ao vídeo em crianças com menos de 9 anos de idade.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio CBN com o DR. Ricardo Teixeira

 

 

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Em fins do século XIX, o economista irlandês Francis Edgeworth imaginou uma máquina que poderia ser capaz de medir o grau de felicidade de um indivíduo, à qual ele deu o nome de hedonímetro. De fato, cientistas sociais têm quebrado a cabeça há muito tempo para criar métodos capazes de medir a felicidade e uma das maiores limitações para desenvolver a ferramenta ideal é que as informações são menos fidedignas quando o indivíduo sabe que está sendo testado.

 

Um cientista da computação e um matemático da Universidade de Vermont nos EUA criaram um tipo de hedonímetro capaz de avaliar o grau de felicidade em gigantescas amostragens da população, sem o conhecimento de quem está sendo testado, e seus resultados acabam de ser publicados no periódico Journal of Happiness Studies. Os pesquisadores analisaram um banco de dados de emoções humanas conhecido por We Feel Fine (“nós nos sentimos bem” – www.wefeelfine.org ) que desde o ano de 2005 concentra diariamente 15 a 20 mil novas expressões do sentimento humano provenientes de blogs, incluindo frases escritas na primeira pessoa que contenham a palavra feel (sinto). Foram ainda analisadas 232 mil letras de músicas de mais de 20 mil artistas entre os anos de 1960 e 2007 através do portal www.hotlyrics.net.

 

Cerca de dez milhões de sentenças receberam uma nota para seu teor de felicidade, dentro de uma escala de 1 a 9 através de metodologia previamente desenvolvida (Estudo ANEW). Nessa escala, por exemplo, a palavra triunfante tem pontuação de 8.87, enquanto a palavra rua tem 5.22 e suicídio 1.25. Entre inúmeros achados, os pesquisadores demonstraram uma redução do grau de felicidade nas letras de músicas ao longo das últimas décadas. Por outro lado, o grau de felicidade nos blogs teve um crescimento sustentado desde o nçio da análise em 2005 até 2009. Foi possível também identificar algumas datas em que o nível de felicidade foi fortemente diferente dos dias que as antecederam ou que as sucederam. Observou-se um pico de maior felicidade nos dias de natal, dia dos namorados, última eleição americana e um pico de queda nos dias próximos à morte do astro Michael Jackson e nos dias próximos ao 11 de setembro. O nível de felicidade não foi diferente entre mulheres e homens, apesar das mulheres apresentarem maior variabilidade. Além disso, o grau de felicidade foi maior em países mais próximos ao equador.

 

É evidente a importância de se medir a intensidade e a natureza dos estados emocionais em nível populacional e a ferramenta desenvolvida no presente estudo mostra-se muito promissora para o melhor entendimento de fenômenos sociais e econômicos, além de poder apoiar a construção de políticas públicas. Danforth, um dos autores do estudo, revela: “ As crianças de hoje herdam um mundo eletrônico que ainda não conhecemos bem, e é fundamental o desenvolvimento de novas ferramentas para entender esse mundo”.

 

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PACMAN

 

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine revelou que crianças que jogaram videogames pela internet que promoviam o consumo de alimentos saudáveis passavam a fazer escolhas mais saudáveis quando um lanche lhes era oferecido. Após o jogo, as crianças deram mais preferência a suco de laranja e frutas do que a refrigerante e batatas fritas. O game utilizado foi o famoso Pac-Man (Come-Come), bonequinho que come o que encontra pela frente. A cada alimento nutritivo que se comia, o jogador acumulava dez pontos. Em contaste, cada alimento pouco nutritivo que se comia, 10 pontos eram perdidos.

Não há como negar que boa parte da informação que chega até às crianças e adolescentes tem origem na mídia, especialmente a televisão, o cinema e a internet. Uma série de pesquisas tem demonstrado que o conteúdo da mídia é capaz de influenciar atitudes e comportamentos, incluindo o tabagismo, a violência, e também as escolhas nutricionais. É forte o apelo dos comerciais de produtos alimentícios durante a programação de TV infanto-juvenil, sendo que a grande maioria das propagandas gira em torno de alimentos que não poderiam ser considerados muito saudáveis a esse público. Essa é uma questão que gera grande preocupação devido à sua bem reconhecida associação com o crescente problema da obesidade infanto-juvenil.

Como não poderia deixar de ser, os pais têm um papel importantíssimo nessa relação dos filhos com a mídia, e três orientações básicas podem ajudar.

1- Limitar o acesso à mídia. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições, e no caso de crianças menores de dois anos de idade, evitar a TV de uma forma geral.

2- Alfabetização midiática. Os pais podem ajudar as crianças a entenderem as mensagens transmitidas pela publicidade na mídia e a interpretá-las criticamente.

3- Contramarketing. A mesma mídia que incentiva hábitos e atitudes pouco saudáveis pode também ajudar a divulgar aquilo que faz realmente bem à saúde. Isso pode ser explorado através da TV, e até mesmo videogames educativos podem ajudar nesse processo, como foi demonstrado na pesquisa do Pac-Man descrita acima. Cabe aos pais identificarem oportunidades na mídia que sejam positivas do ponto de vista nutricional.

 

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BOTERO

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology (vol 170, 2) revela que quanto maior o nível de estresse no trabalho maior a chance do indivíduo em ganhar peso.  Mais de 1300 americanos foram acompanhados por nove anos, e nesse período, diferentes domínios do estresse no trabalho estiveram associados a um ganho ponderal entre aqueles que já se apresentavam acima do peso no início do estudo. Entre os homens, a falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em pagar as contas foram os fatores relevantes para o ganho de peso. Entre as mulheres, dificuldades em equacionar o trabalho com a vida pessoal, além da dificuldade em pagar as contas, foram os fatores mais importantes.

 

Já é bem reconhecido que o estresse psicosocial está associado a um maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, enquanto as evidências da relação com a obesidade são menos robustas. O atual estudo traz mais evidências de que o estresse pode dificultar o controle de peso, especialmente quando já se está acima do peso. Experimentos com primatas revelam que quando submetidos a subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos também mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação.

 

O atual estudo vem se juntar a um corpo de evidências que indica que o estresse está associado a ganho de peso. Desta vez, o acompanhamento dos participantes foi mais prolongado e os resultados ainda sugerem que o estresse do trabalho que engorda os homens é diferente do que engorda as mulheres. Esse conhecimento é precioso para a estruturação de programas de promoção à saúde no trabalho. 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal revela que quem vive uma relação de casal na meia idade tem menos risco de desenvolver a Doença de Alzheimer na velhice. Os pesquisadores acompanharam cerca de 1500 finlandeses desde a idade de 50 anos por um período de 21 anos em média. O risco de um indivíduo apresentar um quadro demencial nesse período foi duas vezes maior entre aqueles que eram solteiros ou descasados. Aqueles que eram sozinhos tanto na meia idade quanto na velhice apresentaram mais risco do que aqueles que só ficaram sozinhos na velhice. Entre os viúvos a situação foi ainda pior: o risco foi três vezes maior. E o maior risco de todos foi entre aqueles que perderam seus parceiros na meia idade, por divórcio ou viuvez, continuaram sozinhos na velhice e ainda apresentavam um teste genético positivo (apolipopoteína E e4) que por si só já confere maior risco para a Doença de Alzheimer.

 

Uma das formas de explicar o efeito protetor de uma relação de casal é o estímulo cerebral proporcionado pelo convívio, estimulando conexões cerebrais e aumentando nossa poupança cerebral. Quem tem mais pode até perder um pouquinho com as pequenas perdas características do envelhecimento normal que não vai fazer tanta falta. A isso é dado o nome de teoria da reserva cerebral e as pessoas que vivem sozinhas a princípio alimentam menos essa reserva que aquelas que vivem na companhia de alguém. Contribuem também para essa poupança: o nível de educacional formal, atividade intelectual e física, e até mesmo o lazer.

 

Outros estudos já haviam demonstrado que viver sozinho está associado a piores marcadores de saúde tais como: menor longevidade, pior estado imunológico, maior risco cardiovascular, consumo maior de álcool, menos sono e atividade física, e maior tendência a obesidade, hipertensão arterial e níveis altos de colesterol. O que a maior parte das pesquisas concorda é que os efeitos do divórcio e da viuvez podem ter mais influência na saúde do que o simples fator solidão, por serem experiências estressantes que podem impactar negativamente o estado de saúde do indivíduo como um todo. Reconhece-se também que o simples evento da separação não é o que tem mais influência sobre a saúde, mas sim a manutenção desse estado ao longo do tempo. Em outras palavras, encontrar um novo parceiro após uma separação é um bom negócio à saúde.

 

A atual pesquisa também foi capaz de demonstrar que os resultados não foram diferentes quando foram ajustados para o nível de atividade física e outros fatores de saúde. No entanto, a pesquisa infelizmente não analisou o nível de engajamento social dos participantes, algo que futuros estudos deverão incluir. É razoável pensar que uma pessoa que mora sozinha seja bem compensada do ponto de vista de estimulação cerebral quando tem uma rica atividade social. E o maior recado dessa pesquisa é esse mesmo. Idosos sem um companheiro ou companheira, especialmente os viúvos, devem receber cuidado redobrado no que diz respeito a ações que estimulem seu engajamento social, através de atividades culturais, sociais e esportivas. O Estatuto do Idoso em seu artigo 3º já prevê isso. A sociedade precisa fazer sua parte.

 

Estatuto do Idoso Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

 

CLIQUE AQUI  e ouça um bate-papo na Rádio CBN sobre o assunto com o Dr. Ricardo Teixeira

 

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Um estudo conduzido na Finlândia e recém-publicado no periódico Occupational and Environmental Medicine revela que indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.

 

A pesquisa analisou mais de 30 mil servidores públicos finlandeses e confirmou que fatores psicosociais associados ao trabalho são capazes de contribuir para que as pessoas adquiram comportamentos de risco. Outras pesquisas já haviam revelado que condições psicológicas adversas no trabalho aumentam o risco de obesidade e excesso de álcool. Também já havia sido demonstrado que indivíduos que não têm confiança na instituição em que trabalham têm maior dificuldade em abandonar o vício do cigarro.

 

O mundo corporativo já está bem convencido de que investir na saúde dos trabalhadores traz grande retorno econômico. O presente estudo demonstra que o clima organizacional pode ser um forte aliado para a promoção da saúde.

 

O seu ambiente de trabalho é satisfatório?

  1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos?
  2. Seus colegas sentem-se comprendidos e aceitos?
  3. Vocês podem confiar no chefe?
  4.  O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração?
  5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados?
  6. Cada funcionário mantem os outros informados sobre o que fazem na empresa?
  7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho?
  8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?

 

** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde. 

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A habitual recomendação de segurança para as crianças dentro do carro é a de que até um ano de idade de idade, ou 9-13 kg, elas devem andar em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro, e a partir de um ano de idade as cadeirinhas já podem ser voltadas para o vidro dianteiro. Entretanto, há várias evidências de que as crianças ficam mais protegidas dentro do carro em cadeirinhas voltadas para o vidro traseiro até pelo menos os quatro anos de idade. Um documento recém-publicado pelo British Medical Journal chama a atenção para a necessidade imediata de mudança das atuais recomendações.

 

A cabeça dos bebês e crianças pré-escolares é relativamente maior que a do adulto quando se leva em conta a proporção para o peso corporal. Esse fator, associado à imaturidade das estruturas da coluna cervical, fazem com que essas crianças sejam mais vulneráveis a lesões da medula espinhal caso sofram um acidente, especialmente se estiverem voltadas para o vidro dianteiro. As evidências de maior segurança das cadeirinhas em que a criança olha para o vidro traseiro, mesmo após um ano de idade, vão desde estudos experimentais até estatísticas de acidentes com crianças nos EUA e na Europa.

 

E isso tudo é novidade? Na Suécia, 75% das crianças com menos de três anos de idade andam de carro olhando para o vidro traseiro.  A Academia Americana de Pediatria recomenda desde o ano de 2002 que as crianças só devem abandonar cadeiras voltadas pra o vidro traseiro quando ultrapassarem o limite de peso recomendado ou quando a altura da cabeça ultrapassar a altura do banco dianteiro.

 

A conscientização dos pais é uma das peças-chave para mudanças de atitude e nesse processo, os médicos têm muito a ajudar. É comum os pais terem a percepção de que voltar a cadeira para a frente do carro é um sinal de progresso no desenvolvimento dos filhos. É importante também que os fabricantes das cadeiras infantis façam sua parte disponibilizando no mercado cadeiras apropriadas e instruções de instalação precisas. Não faz muito tempo que o Inmetro avaliou seis diferentes cadeiras disponíveis no mercado brasileiro e todas as seis tinham alguma inconformidade, seja por não serem aprovadas no teste mais crítico de todos que é o ensaio de impacto (capacidade da cadeira reter a criança em caso de freada violenta), seja por não atenderem às normas mínimas de instrução de instalação e utilização

 

Quanto à legislação, o Código de Trânsito Brasileiro só exigia  que as crianças andassem no banco de trás (Artigo 64), e não fazia menção ao uso de cadeiras infantis. Em 2008,  foi publicada a resolução 277 do Contran que insere a obrigatoriedade da cadeira infantil, mas quem desrespeitar a regra só será multado após o ano de 2010.  Entretanto, a resolução orienta o uso da cadeirinha voltada para a frente.   Já é bem reconhecido, que em caso de acidente, as cadeiras reduzem o risco de lesão moderada ou grave em 78% quando voltadas para a frente do carro e 93% quando voltadas para trás. Espera-se que a legislação seja mais coerente com esses dados.

 

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Já é bem reconhecido que o excesso de exposição à mídia eletrônica está associado a alguns problemas de saúde entre as crianças e adolescentes quando passam a concorrer com as horas de sono, aumentando o risco de obesidade, transtornos do humor (ex: depressão), processos alérgicos e exacerbação de crises de asma. Mas isso é só uma parte do problema. Quando partimos para a questão da qualidade do material a que os jovens são expostos, a influência negativa pode ir muito além.

 

Crianças e adolescentes costumam passar mais de seis horas por dia nos diferentes tipos de mídia, mais do que o tempo em que ficam na escola. A presença de TVs, videogames e computadores dentro dos quartos favorece sobremaneira essa megaexposição à mídia, já que por mais que os pais acreditem que deva haver limites, dentro do quarto tudo é mais difícil controlar. Todos devem ter consciência do quanto o consumo de material inapropriado na mídia pode afetar o desenvolvimento da garotada e a ciência já demonstrou esse efeito em diversos aspectos:

 

Violência. As atitudes são aprendidas em idade muito precoce, e depois de aprendidas, é difícil modificá-las. Estima-se que a violência veiculada pela mídia colabore com 10% da violência no mundo real. Os games de conteúdo violento também estão na lista dos “colaboradores”.  

 Sexualidade. Inúmeros estudos têm demonstrado a associação entre exposição a conteúdo sexual na mídia ao início precoce da vida sexual. Por outro lado, uma série de pesquisas revela que a distribuição de camisinhas a adolescentes não tem esse efeito de estimular o início da vida sexual.

Drogas. Filmes com cenas de cigarro são considerados como um dos fatores mais associados ao início do hábito de fumar entre os jovens. O mesmo pode-se dizer sobre propagandas de álcool e cigarro.

Obesidade.  O tempo gasto com games, TV e internet, concorre com o tempo que o jovem poderia estar praticando uma atividade física. É fato também que se come mais quando se está na frente da TV. Além disso, há um bombardeio de publicidade de alimentos “calóricos” que contribui para que a mídia seja implicada no avanço da pandemia de obesidade.

Transtornos alimentares. A mídia é considerada como a maior referência para a formação da imagem que um adolescente tem do seu próprio corpo. Estudos têm revelado que a mídia realmente tem influencia no desenvolvimento de transtornos como bulimia e anorexia.

 

Professores, pais, médicos, todos devem ter consciência dos potencias efeitos negativos da mídia sobre o desenvolvimento dos jovens. Essa conscientização poderia passar a ser assunto obrigatório nas escolas. Os pais deveriam limitar o uso de TV / Internet a no máximo duas horas por dia (recomendação da Academia Americana de Pediatria), e sempre quando possível, assistir aos programas de TV junto aos jovens. Deveriam também evitar a presença do computador e da TV no quarto dos filhos, deveriam desligar a TV na hora das refeições,  e no caso de crianças menores de dois anos de idade,  evitar a  TV de uma forma geral. Os médicos, especialmente os pediatras, precisam estar mais atentos a essa questão e abordar ativamente as famílias, pois têm nas mãos uma oportunidade preciosa de orientar os pais desavisados.

 

Por outro lado, a mídia pode ser um forte aliado no desenvolvimento dos jovens, tanto em casa, na escola como na rua. A questão principal é que ela seja de boa qualidade e que não sacrifique as outras atividades, como por exemplo, a atividade física.  Quando se percebe que crianças e adolescentes passam mais tempo na mídia eletrônica do que na escola ou em qualquer outro tipo de atividade de lazer, alguma atitude precisa ser tomada.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.

Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3.  Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.

A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes.  O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.

 

Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.      

 

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Um documento recém-divulgado pelo periódico científico The Lancet e construído em parceria com a University College London envolvendo especialistas de inúmeras áreas do conhecimento relata que as mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde das pessoas no século 21. O documento ressalta que se ações efetivas não forem tomadas, chegaremos a uma situação de injustiça intergeracional, ou seja, nossos filhos, netos, e daí em diante, pagarão caro por aquilo que não tiveram qualquer responsabilidade.

 

Os pesquisadores conduziram o estudo focando em seis principais dimensões do problema: 1) padrões de doença e mortalidade; 2) segurança alimentar; 3) água e sanitarismo; 4) habitação; 5) eventos extremos (ex: catástrofes naturais); 6) migração populacional. O desequilíbrio causado pelas mudanças climáticas  levará a  uma maior disseminação de agentes infecciosos como a dengue e a malária; a própria onda calor já é uma ameaça à saúde, já tendo sido responsável por milhares de mortes na nossa história recente; espera-se limitação das fontes de água limpa e também de alimento, pois sabe-se hoje que as plantações são mais sensíveis ao calor do que se pensava antes; a rápida urbanização criará condições de habitação cada vez mais vulneráveis às ondas de calor; atualmente as catástrofes naturais como furacões e ciclones já são duas vezes mais comuns do que há 20 anos atrás e a expectativa é que o nível do mar suba de 0.5 a 1.2m nesse século – já há estudos projetando uma elevação de até 5m.

 

O estudo também chama a atenção para a atual falta de conhecimento de como enfrentar as conseqüências negativas à saúde pública causadas pelas mudanças climáticas. E o maior recado do documento é que esse é um problema que deve estar na mente das autoridades de saúde e de cada indivíduo desde já, ou melhor, já há algum tempo.

 

 

Ler também:  Aquecimento global –   Os médicos têm muito a colaborar.

 

 

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Estudos já haviam demonstrado que o hábito de jogar videogames de ação é capaz de aumentar o desempenho em testes de atenção. Agora, uma pesquisa recém-publicada pela revista Nature Neuroscience demonstra que os videogames de ação também podem incrementar a capacidade visual, especialmente na sensibilidade de percepção de contrastes.

 

A percepção de contrastes é a base para a correta identificação de objetos e para a atração da atenção, sendo fundamental, por exemplo, quando dirigimos à noite. O efeito positivo do videogame de ação sobre essa capacida de viisual se dá provavelmente através da estimulação de circuitos neurais e não por “melhorias” do olho em si. Além disso, o ganho na percepção de contrastes pode durar por meses, ou mesmo anos após a época em que o indivíduo foi estimulado, o que abre a possibilidade do videogame ser uma forma de contrabalancear a perda dessa função que comumente ocorre com o envelhecimento.

 

Os resultados dessa pesquisa dão mais suporte à nova tendência em se treinar atletas de elite com videogames de ação, e isso já tem sido aplicado aos tenistas profissionais. Quanto às crianças é importante colocar limites, pois o comportamento de uso patológico do videogame está associado a menor desempenho escolar entre outros problemas. Uso patológico do videogame não é só o fato da criança jogar muitas horas por dia, mas é quando chega a interferir no seu funcionamento psicológico, comprometendo suas relações sociais, na família ou sua atuação na escola. Uma ampla pesquisa publicada recentemente pelo periódico Psychological Science revelou que 8,5% dos americanos com idades entre 8 e 18 anos podem ser considerados como jogadores de videogame em nível patológico, com uma média de 24 horas semanais de jogo.

 

A história é quase sempre a mesma: não é a tecnologia em si que nos traz problemas, mas sim aquilo que decidimos fazer com ela.    

 

  

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