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Cerca de 25% das pessoas que sofre de enxaqueca apresenta também o fenômeno da aura, que é um aviso que de que a dor está por começar, mas que também pode acontecer já na fase da dor de cabeça. O fenômeno comumente se apresenta como sintomas visuais (ex: visão de pontinhos luminosos, flashes em zigue zague, falha no campo visual). Menos comumente, a aura pode se apresentar como formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar, e mais raramente como perda da força de um lado do corpo. Durante a aura o cérebro é acometido por uma onda de redução de fluxo sanguíneo.

 

O entendimento da relação entre enxaqueca e risco de derrame cerebral tem sido perseguido por décadas, e hoje sabemos que esse risco é maior entre indivíduos que apresentam a enxaqueca com aura. Sabemos também que o risco é maior ainda em mulheres jovens, que além da enxaqueca com aura, ainda fumam e/ou usam pílula anticoncepcional e entre aquelas com crises freqüentes. Mais recentemente, pesquisas têm-nos revelado que o risco de eventos vasculares é elevado como um todo, incluindo doença isquêmica do coração. As explicações incluem alteração da microcirculação, alterações da coagulação sanguínea durante ou fora da crise e até mesmo efeito adverso de medicações usadas para as crises. No caso de lesões cerebrais, algumas alterações congênitas do coração podem estar implicadas, por serem mais comuns nos indivíduos com enxaqueca.

 

Um estudo publicado esta semana pela revista Neurology nos traz um entendimento melhor ainda entre a relação entre o uso da pílula anticoncepcional,  enxaqueca com aura, e risco de derrame cerebral. Vinte e cinco mil mulheres foram acompanhadas por 12 anos, e aquelas que apresentavam enxaqueca com aura tiveram duas vezes mais risco de apresentar eventos vasculares, incluindo não só derrame cerebral como também infarto do coração. Os pesquisadores também demonstraram que as mulheres que além da enxaqueca com aura ainda apresentavam uma variante do gene MTHFR, já bastante estudado como fator de risco para eventos vasculares, essas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver derrame cerebral.  

 

Além do poder de aumentar o risco de eventos vasculares em mulheres com enxaqueca com aura, o uso de contraceptivos orais pode dificultar o controle das crises, e pílulas com menor concentração de estrogênio podem favorecer o controle. E é bom lembrar que o mesmo cuidado com as pílulas vale para reposição hormonal entre mulheres na menopausa que apresentam enxaqueca com aura.

 

 

 

 

Hoje em dia a previdência privada é uma das principais estratégias para se garantir um futuro financeiro tranqüilo e um dos pilares mais importantes de qualquer investimento é que quanto mais cedo começarmos a poupar, maior será o prêmio no futuro. Não é difícil conversarmos com pessoas que nem são da área financeira, mas que conhecem com bastante preciosismo o significado das diferentes estratégias de investimento. Esse mesmo nível de consciência é desejável também quando se pensa no investimento em saúde. O melhor entendimento do significado da aterosclerose é de extrema relevância, pois esta é a doença que mais causa mortes no nosso país. Investir ainda quando jovens em atitudes que evitem o desenvolvimento e progressão da aterosclerose pode ser o maior pé-de-meia que alguém pode fazer durante sua vida.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

O cérebro de uma pessoa com enxaqueca é sensível além do normal a diversos estímulos, entre eles alguns alimentos que podem desencadear crises. É comum vermos na prática clínica recomendações médicas que aconselham os pacientes a evitar uma lista enorme de alimentos, tarefa que muitas vezes pode ser mais penosa do que as crises de enxaqueca. É bom entender quais os principais cuidados que uma pessoa com enxaqueca realmente deve ter com sua dieta.

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

 

 

 

Além de aumentar o risco de inúmeras doenças como o câncer e doenças cardiovasculares, sabemos também que a obesidade influencia negativamente o pleno funcionamento de nossas funções cerebrais.

 

A capacidade do indivíduo em reconhecer que está acima do peso pode ter grande influência no controle da epidemia de obesidade do mundo moderno, e são vários os fatores envolvidos nessa auto-percepção de obesidade, incluindo os aspectos socioculturais.

 

Uma interessante pesquisa conduzida na Inglaterra e publicada no British Medical Journal esta semana revela que o número de ingleses que podem ser categorizados como obesos dobrou nos últimos 10 anos – de 11% em 1999, para 19% em 2007. Entretanto, em 1999, 43% da população podia ser classificada como acima do peso e 81% dessas pessoas reconhecia corretamente que estava acima do peso. Já em 2007, 53% da população podia ser classificada como acima do peso, e 75% reconhecia corretamente que estava acima do peso.

 

Uma das hipóteses mais fortes para explicar essa menor capacidade dos ingleses em se perceberem acima do peso é que o aumento da prevalência da obesidade faz com que as pessoas comparem-se a si mesmas com outras com graus de obesidade mais avançados. Isso faria com que pessoas com graus de sobrepeso leve ou moderado se sentissem em dia com a balança.

 

E de que adiantam campanhas educativas para redução da obesidade, se as pessoas com sobrepeso acham que o problema não é com elas. Uma das saídas é educar e incentivar a sociedade como um todo a adotar hábitos de vida saudáveis. Tirar o foco sobre os obesos poderia ajudar também a reduzir o estigma associado à condição.

 

 

 

 

 

 

O combate à obesidade é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea e ainda há muita discussão sobre qual é o melhor tipo de dieta. Uma importante limitação que impede que possamos ser categóricos em dizer que um tipo de dieta é melhor do que outra é a falta de estudos comparativos a longo prazo. Um estudo publicado hoje pela prestigiada revista New England Journal of Medicine ajuda a preencher essa lacuna.

 

Durante dois anos, mais de 300 indivíduos obesos foram acompanhados após iniciarem um desses três tipos de dietas:

 

· Dieta pobre em gordura e com restrição de calorias

Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.

Gorduras: 30% das calorias  

Gorduras saturadas: 10% das calorias

  

· Dieta Mediterrânea com restrição de calorias

Para homens 1800 Kcal e para mulheres 1500 Kcal.

Gorduras: < 35% das calorias

Azeite e nozes diários, muitas frutas e vegetais, grãos integrais e baixo consumo de carnes vermelhas.

 

· Dieta pobre em carboidratos sem restrição de calorias

Baseada na dieta Atkins: < 120g de carboidratos por dia (< 20g nos 1os dois meses)

Preferência a gordura de origem vegetal

 

A média de perda de peso para cada grupo ao final do estudo foi:

· Dieta pobre em gordura: 3.3 Kg

· Dieta mediterrânea: 4.6 Kg

· Dieta pobre em carboidratos: 5.5 Kg

 

Outras duas importantes diferenças entre as dietas foram demonstradas. A dieta pobre em carboidratos foi a que mais favoreceu o controle dos níveis de colesterol.  Entre pacientes diabéticos, a dieta mediterrânea foi a que mais ofereceu o controle dos níveis de glicose.

 

Os resultados indicam que tanto a dieta pobre em carboidratos como a dieta mediterrânea podem ser alternativas eficazes à dieta pobre em gordura. Preferências pessoais devem ser levadas em conta. Uma dieta pobre em carboidratos mas sem restrição calórica seria uma boa opção a indivíduos que não tolerariam uma dieta com restrição calórica. A escolha da dieta também pode ser direcionada pelo perfil metabólico do indivíduo, sendo a dieta mediterrânea potencialmente mais interessante para aqueles com diabetes, enquanto a dieta pobre em carboidratos pode ser a melhor opção para aqueles com alteração dos níveis de colesterol.   

 

 

 

 

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose, principal causa das doenças que mais matam ao redor do mundo: o infarto do coração e o derrame cerebral. A aterosclerose pode estar associada a depósitos de cálcio, situação que hoje em dia podemos detectar nos vasos do coração através de uma fotografia, a tomografia computadorizada das artérias coronárias. Indivíduos com maiores depósitos de cálcio apresentam maior risco de desenvolver eventos vasculares: infarto do coração e derrame cerebral. Reconhecemos um indivíduo como hipertenso quando sua pressão sistólica é > 140 mm Hg ou quando sua pressão diastólica é > 90 mm Hg. Indivíduos com pressão sistólica entre 120 e 129 mm Hg ou pressão diastólica entre 80 e 89 mm Hg são classificados como PRÉ-HIPERTENSOS, e os efeitos a longo prazo dessa condição são menos conhecidos do que no caso da hipertensão arterial.

 

A edição de hoje da revista Annals of Internal Medicine publicou um estudo muito importante que demonstra que adultos jovens PRÉ-HIPERTENSOS (<35 anos) apresentarão mais calcificação nas artérias coronárias 20 anos depois. Os resultados sugerem que adultos jovens PRÉ-HIPERTENSOS devem aumentar os esforços para manter a pressão arterial sistólica em níveis menores que 120 mmHg. Isso não significa sair tomando remédios de um dia para o outro, pois mudanças no estilo de vida como realização de atividade física diária, controle da dieta e redução do estresse podem ser suficientes para o controle da pressão arterial nesses casos.

 

 

 

 

    

 

A indicação de testes cardiológicos preventivos para jovens atletas é um tema controverso. Na Europa o atleta é obrigado a ser submetido a uma bateria de testes cardiológicos para poder participar de uma competição oficial. Na Itália já foi demonstrado que esse cuidado reduziu a incidência de mortes súbitas em competições. Por outro lado, a American Heart Society ainda não reconhece que tais testes oferecem benefícios aos jovens atletas.

 

Um importante estudo foi publicado hoje pelo British Medical Journal revelando resultados do programa italiano de check-up a atletas que incluiu mais 30 mil atletas durante cinco anos e com uma média de idade de 30 anos. O eletrocardiograma de repouso revelou anormalidades em 6% dos participantes, sendo que cerca de 80% destas anormalidades foram classificadas como irrelevantes do ponto de vista clínico. Em 5% dos participantes, o eletrocardiograma de esforço foi anormal. Um dos achados mais importantes foi que mais de 1200 atletas com eletrocardiograma normal no repouso apresentaram o exame anormal ao esforço físico. Após a bateria de exames, 0.6% dos participantes foram classificados como desqualificados ao esporte competitivo. Entre esses atletas “desqualificados” após o check-up, 80% apresentaram alterações cardíacas apenas ao teste de esforço. Os atletas com mais de 30 anos de idade foram os que tiveram mais risco de apresentar alterações cardíacas.  

 

 

 
 
 

 

 

 
 
 

 

 

 

  

 

Do ponto de vista psicológico, clima frio é aquele nos provoca a sensação de frio ou até mesmo desconforto. Do ponto de vista fisiológico, clima frio é aquele que altera nosso sistema de regulação de temperatura. Podemos dizer que esse nosso termostato funciona em “marcha lenta” em ambientes com temperaturas de 25-27oC, não disparando reações de aumento do metabolismo no caso do frio ou de transpiração no caso do calor. A inteligência maior dessa regulação encontra-se em um centro profundo do cérebro, o hipotálamo, e é ele que comanda nossas reações de suor, calafrios e constrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos em resposta à temperatura ambiente.

 

Será que realmente funcionamos em outro ritmo em dias mais frios?

 

A adaptação do nosso corpo ao frio envolve mecanismos neurológicos, que influenciam nosso sistema endocrinológico e vascular, mas é claro que também envolve mecanismos comportamentais, como tirar do armário aquele cobertor que só usamos algumas vezes no ano.

 

Vários fatores determinam a regulação do frio em um determinado indivíduo: idade, sexo, preparo físico, quantidade de gordura corporal. Até mesmo o tipo de personalidade do indivíduo pode influenciar: extrovertidos reagem mais ao desconforto do frio com maior aumento da pressão arterial e secreção de noradrenalina. Doenças sistêmicas e medicações também podem afetar a resposta individual ao frio.

 

Do ponto de vista de desempenho físico, o frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos. Já em exercícios estáticos (isométricos), o frio não influencia tanto, e ao contrário, pode até aumentar a resistência muscular. Um recente estudo revelou associação entre o frio e a capacidade de equilíbrio, possivelmente por reduzir a eficiência de nossas “antenas” que regulam nosso balanço. E o nosso cérebro?

 

Sabemos que tanto o frio como o calor exagerados podem influenciar negativamente nossas habilidades mentais, e um balanço geral dos estudos existentes sugere que o frio tende a atrapalhar mais. Entretanto, alguns estudos também nos mostram que o frio leve/moderado pode melhorar nosso desempenho intelectual.

 

Duas principais teorias explicam o efeito do frio sobre nossas habilidades cognitivas. A primeira é do “efeito distração” que o desconforto associado ao frio pode causar, ao desviar nossa atenção da tarefa que estamos efetuando. A outra teoria defende a idéia de que o frio leve / moderado deixa-nos mais acordados, e o maior estado de vigília permite um melhor desempenho do nosso cérebro. Evidências neurofisiológicas apóiam essa hipótese, ao mostrar que a atividade elétrica cerebral no frio leve/moderado é mais “esperta”.

 

O frio pode reduzir nosso nível de vigília, nossa concentração e memória de curto prazo, entre outras funções cognitivas, especialmente.em temperaturas abaixo de 10º C. No caso de hipotermia, ou seja, em situações de frio extremo em que a temperatura corporal chega a níveis inferiores a 35º C, pode-se observar sintomas de confusão mental e redução da vigília.  O efeito do inverno sobre nosso comportamento também pode ter uma parcela de contribuição do fator luminosidade. Em países muito ao sul ou muito ao norte, o inverno vem acompanhado de pouca luz por conta de dias muito curtos, fenômeno que é bem reconhecido como fator que aumenta a freqüência de sintomas depresivos nessa estação. E depressão é igual a cérebro menos eficiente. Há evidências também que as concentrações dos hormônios da tiróide estão reduzidas em invernos rigorosos. E hormônios da tiróide são combustíveis importantes para o cérebro.

 

Até o momento, a melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com boa performance é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio. No ambiente de trabalho, o ar condicionado simulando uma câmara frigorífica pode ser um fator de distração. Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado. Um cafezinho vai muito bem também.

 

 

 

 

 

 

 

 

No Brasil, e em vários outros países do mundo, o café é a segunda bebida mais consumida de todas, só perdendo para a água. Infelizmente, muitas pessoas bebem café com uma certa desconfiança, com dúvidas se ele faz bem ou mal à saúde. E não é à toa. Nas últimas décadas uma série de pesquisas evidenciou resultados conflitantes, especialmente no que diz respeito à nossa saúde vascular, dificultando conclusões seguras quanto aos reais benefícios do consumo de café. Felizmente, nos últimos anos parece que a ciência está encontrando a ponta desse novelo de lã, e os benefícios demonstrados até então estão ganhando de goleada dos potencias malefícios. Afinal, café faz bem à saúde?

Clique aqui e confira o artigo na íntegra.

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O Governo Federal sancionou nessa última semana a Lei de Tolerância Zero contra o álcool. A partir de agora o motorista que for surpreendido com qualquer nível de álcool pelo bafômetro será multado em R$ 957,00 e perderá o direito de dirigir por um ano. A mídia tem divulgado que o rigor não será total no começo, pois o Contran ainda precisa definir uma pequena margem de tolerância para não cometer injustiças com condutores que apresentem uma pequena presença de álcool no sangue devido a alguma medicação ou um bombom de licor. Até que essa margem seja regulamentada, tem sido divulgado que o índice tolerado será de 0,2 grama por litro de sangue, mas é melhor não confiar. O antigo limite de 0,6 grama por litro agora serve para definir quem vai preso ou não, e desde o início da vigoração da nova lei, várias pessoas já foram presas. E qual é o equivalente desses números em quantidade de bebida? 

 

A concentração de álcool no sangue, ou alcoolemia, é expressa em gramas de álcool por litro de sangue. Quando alguém tem uma alcoolemia de 0,5g/l, equivale a dizer que existe 0,5g de etanol ou álcool puro por cada litro de sangue.

 

O vinho que tem concentração de álcool em torno de 12% tem em cada litro 120 ml de álcool, em cada litro de cerveja temos cerca de 60 ml de álcool e em cada litro de aguardente temos uns 400 ml de álcool. Podemos converter qualquer volume de álcool em gramas seguindo a seguinte regra: cada mililitro de álcool tem 0.8g de álcool puro.

 

Exemplo prático:

Uma taça de vinho de 250ml (taça caprichada…um terço de uma garrafa) contém 30ml de álcool ou 24g de álcool. Para calcular os níveis de álcool no sangue devemos levar em consideração o peso e sexo do indivíduo e se a bebida foi consumida junto à refeição.

 

Fórmula de cálculo de álcool no sangue:

 

Gramas de álcool consumidos / Peso Corporal X Coeficiente*

 

*Coeficiente

– 0.7 em homens

         – 0.6 em mulheres

         – 1.1 se o álcool foi consumido nas refeições

 

Então, a taça de vinho com 24g de álcool consumida no almoço por um homem de 80 kg provocará uma concentração de álcool no sangue de 0.27g/l  (24g / 80kg X 1.1  = 0.27). Dá para entender que para chegar na alcoolemia de 0.6g/l, que pode levar o indivíduo pra cadeia,  não é necessário beber uma garrafa de aguardente.

 

E quanto tempo o organismo precisa para eliminar esse álcool do sangue? O organismo elimina aproximadamente 0,10 g/l de álcool por hora. No caso da taça de vinho do exemplo acima, o organismo precisa de duas a três horas para eliminar totalmente o álcool.

 

Domingão, almoço em família, uma boa taça de vinho, uma soneca. Mesmo acordando muito bem disposto, só devemos voltar ao volante três horas depois do vinho para não termos problemas com o bafômetro. Se bebermos duas dessas taças, o bafômetro só nos perdoaria após cinco a seis horas.

 

** Devemos apoiar o Programa Tolerância Zero ?  Certamente que sim. Porém, já estamos vendo pessoas sendo presas e o governo ensinando muito pouco sobre as novas regras. Ontem o Correio Braziliense não falou nada sobre o assunto, o Fantástico muito menos, não vi nenhuma inserção de ministro ou presidente em horário nobre de TV. Ao entrar no site  da Secretaria Nacional Antidrogas, Presidência da República, só temos  informação que existe uma nova regra. A lei não está lá. 

 

CLIQUE AQUI e veja entrevista sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira no DF TV – Rede Globo 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste mês, duas importantes pesquisas incrementaram ainda mais o atual conhecimento de que o café é muito mais um aliado de nossa saúde do que um inimigo. Ontem um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine confirmou resultados anteriores de que o consumo de café está associado a uma menor mortalidade ao longo dos anos independente da sua causa. Mais de 120 mil americanos foram acompanhados por um período de 18 a 24 anos com questionários periódicos sobre o consumo de café. Demonstrou-se que o grupo de indivíduos com consumo maior que quatro a cinco xícaras por dia foi mais beneficiado do que os grupos com menor consumo. Esse efeito também foi demonstrado no caso do consumo de café descafeinado, sugerindo que a cafeína não é a estrela maior do café nesse caso. Além disso, a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares foi a mais expressiva, incluindo aí tanto o infarto do miocárdio como o derrame cerebral. Não houve associação entre o consumo de café e o aumento e mortalidade por câncer.

 

A revista Stroke (American Heart Association) por sua vez publicou um estudo conduzido na Finlândia que mostrou que o risco de derrame cerebral entre homens fumantes é menor naqueles que consumiam bastante café. O grupo que consumia mais de oito xícaras por dia apresentou uma chance 23% menor de apresentar um derrame cerebral isquêmico quando comparado ao grupo com consumo menor que duas xícaras por dia. Nesse estudo, o consumo de mais de duas xícaras de chá por dia também foi associado a uma menor chance de derrame.

 

No placar Benefícios X Malefícios do Café, o time Malefícios a cada dia tem mais dificuldade em marcar gols. O frio está chegando e podemos tomar uns quentinhos sem medo e sem culpa.

 

*Obs: mulheres grávidas devem evitar o consumo de café cafeinado, especialmente em doses de cafeína > 200mg por dia (duas xícaras de 150 ml), pois pode aumentar o risco de aborto.

 

Clique aqui para uma boa revisão dos benefícios do café à nossa saúde.

 

 

 

 

O derrame cerebral e a doença isquêmica do coração representam as principais causas de morte em todo o mundo. É indiscutível que para reduzir o tamanho do problema é preciso investir em ações preventivas para a melhora da saúde dos vasos sanguíneos da população através de intervenções em hábitos de vida (ex: dieta, exercício físico), controle dos fatores de risco vascular (ex: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, dislipidemia) e a garantia de acesso ao uso das medicações e de forma correta.

 

Alguns estudos têm-nos mostrado que a relação habitual médico-paciente não dá conta do recado. A Sociedade Européia de Cardiologia desenvolveu um especial programa chamado de EuroAction para melhorar o cuidado a pacientes com risco aumentado de apresentar eventos vasculares, que envolve não só o paciente, como também sua família. A idéia central do programa é o de uma equipe multidisciplinar coordenado por enfermeiro, com a participação de fisioterapeuta, nutricionista e de médico cardiologista ou generalista. Os pacientes são convocados a reuniões semanais (pelo menos oito encontros) e a um workshop com dinâmica de grupo com a presença da família. Os pacientes ainda recebem um diário para monitorar seus avanços e a família recebe um guia de como melhor apoiar o paciente no desafio de melhorar seus indicadores de saúde. Além disso, cada intervenção na melhora de hábitos de vida (ex: dieta, atividade física e interrupção do tabagismo) é estendida ao núcleo familiar como um todo.

 

Ontem a revista The Lancet publicou importantes resultados do programa EuroAction que envolveu oito países europeus e mais de cinco mil pacientes, demonstrando que o programa foi mais eficaz do que o sistema de atendimento habitual na melhoria de vários indicadores de saúde vascular: a) redução no consumo de gordura saturada; b) aumento no consumo de frutas e vegetais; c) redução da obesidade; d) redução dos níveis de colesterol; e) redução do hábito de fumar; f) aumento da prática de atividade física; g) maior controle da pressão arterial; h) maior prescrição de medicações para controle das condições de risco.

 

Além da melhor qualidade de vida e maior sobrevida oferecida aos pacientes, ninguém duvida que programas como esses saiam muito mais barato ao sistema de saúde do que o custo de internações, cirurgias, stents, etc, decorrentes de infartos do coração e derrames cerebrais. O EuroAction certamente tem muito o que ensinar aos pensadores da saúde de nosso país.

 

Clique aqui e entenda como cuidar bem dos seus vasos.

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

Já é bem reconhecido que o tabagismo é um fator de risco para demência, especialmente por aumentar o risco de doença cerebrovascular (derrames cerebrais). Um estudo publicado na última edição da revista Archives of Internal Medicine acompanhou mais de dez mil indivíduos na cidade de Londres por mais de uma década e demonstrou que tabagistas, já na meia idade, apresentam menor desempenho em testes de memória e de raciocínio quando comparados à população não fumante. Os ex-fumantes já no início do estudo, quando tinham entre 35 e 55 anos de idade, apresentaram 30% menos risco de perdas cognitivas com o tempo. Cada um é cada um, né ?  

 

 

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Conversei recentemente com uma moça que se submeteu a um tratamento de 40 sessões de soro pela veia com alguns ” oligoelementos” com a intenção de reduzir as toxinas do corpo e rejuvenescer. De acordo com ela o terapeuta usa a metáfora de que o tratamento funciona como um detergente para limpar seu corpo. Quarenta sessões a 150 reais cada, com duração de cerca de 30-40 minutos fora o tempo de espera, pois a clínica é sempre cheia. Depois dessas sessões, ainda deveria dar continuidade com soros de manutenção.

A proposta deste post não é o de emitir opiniões, mas somente o de divulgar os trechos mais relevantes da Resolução de 1998 do Conselho Federal de Medicina sobre a Prática Ortomolecular e do recente parecer emitido em abril de 2008 pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná sobre o assunto.

 

RESOLUÇÃO CFM 1.500/98

Art. 13. São métodos destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente e, por essa razão proibidos de divulgação e uso no exercício da Medicina os procedimentos de prática Ortomolecular, diagnósticos ou terapêuticos, que empregam:

I) megadoses de vitaminas;

II) antioxidantes para melhorar o prognósticoo de pacientes com doenças agudas ou em estado crônico;

III) quaisquer terapias ditas antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

IV) EDTA para remoção de metais pesados fora do contexto das intoxicações agudas;
V) EDTA como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

VI) análise de fios de cabelo para caracterizar desequilíbrios bioquímicos;

VII) vitaminas antioxidantes ou EDTA para genericamente “modular o estresse oxidativo”.

 

PARECER 1929/2008 CRM-PR

Qual a situação da Prática Ortomolecular perante o Conselho ?

Não existe registrada a especialidade de Medicina Ortomolecular, portanto esta prática não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A Resolução 1.500/1998 exposta no texto deixa claro as normativas em relação ao assunto. A Sociedade Brasileira de Medicina Ortomolecular não é filiada à Associação Médica Brasileira. 

Existe alguma evidência científica da validade deste tratamento ? Analisando todo o extenso material pesquisado, em vários países, podemos afirmar sem dúvida de que não existe até o presente momento embasamento científico para a prática da Medicina Ortomolecular, nos moldes que ela é realizada atualmente. 

 

 

 

  

 

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Não faltam evidências através de estudos com animais sobre efeitos deletérios da maconha sobre o cérebro: redução do volume dos neurônios e diminuição nas conexões entre eles. Em humanos alguns estudos já haviam revelado alterações morfológicas do cérebro à ressonância magnética em usuários da droga, especialmente nas regiões temporais. Entretanto, o assunto ainda gera polêmica, pois muitos dos achados encontrados até o momento podem também ser conseqüência de outros fatores associados ao uso da maconha como a presença de distúrbios psiquiátricos e o uso concomitante de outras substâncias neurotóxicas. Outra linha de pesquisa também já demonstrou que o uso crônico da maconha aumenta a resistência do sangue nos vasos cerebrais em indivíduos jovens, coisa que era para acontecer só nos idosos.  

 

A última edição da revista Archives of General Psychiatry coloca mais um tijolinho na construção das evidências de que a maconha não é o melhor negócio do mundo para o cérebro.  Dessa vez foram estudados os cérebros de homens com história de uso diário de pelo menos cinco cigarros de maconha por um período igual ou superior a dez anos, e sem história de transtornos mentais ou abuso de outras drogas.

 

Comparado ao grupo controle da mesma idade, os usuários de maconha apresentavam à ressonância magnética menor volume de estruturas temporais associadas à memória e às emoções, especificamente o hipocampo e a amígdala. Além disso, o grupo de usuários apresentava mais sintomas psicóticos, e menor capacidade de aprendizado.

A discussão da liberação ou não da maconha em nosso país é um assunto muito complexo e envolve múltiplas dimensões além das biológicas. É importante que a sociedade acompanhe as evidências sobre os efeitos da maconha em nossa saúde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando uma pessoa tem uma forte dor no peito e suspeita que possa estar tendo um infarto, não pensa duas vezes e corre para o hospital mais próximo. Essa atitude salva muitas vidas, pois quanto mais precocemente o tratamento para o infarto for iniciado, maior a chance de sucesso.

No caso do derrame cerebral, acidente vascular cerebral, ou AVC, a rapidez no tratamento também salva vidas e reduz a chance de seqüelas. Infelizmente os sintomas de AVC são mais variados do que o do infarto do coração e bem menos conhecidos pelo público leigo, e isto dificulta a rápida procura por assistência médica. É bom saber que o AVC é a principal causa de morte no país.

 

Principais sinais e sintomas:

 

Súbita perda de força de um lado do corpo

Súbita alteração de sensibilidade de um lado do corpo

Súbita tontura, desequilíbrio ou perda da coordenação motora

Súbita dor de cabeça de forte intensidade

Súbita dificuldade para falar

 

 

Campanhas de conscientização da população para o reconhecimento dos principais sinais e sintomas de um AVC têm sido realizadas em diversas partes do mundo, algumas delas com resultados positivos. Campanhas dessa natureza podem ser especialmente relevantes em populações que apresentam maior risco de derrame cerebral, como é o caso de pacientes cardiológicos.

 

O Instituto do Cérebro de Brasília em parceria com o Centro de Cardiologia Biocardios e alunos de medicina da Universidade Católica de Brasília acabam de publicar um estudo na última edição dos Arquivos de Neuropsiquiatria, publicação da Academia Brasileira de Neurologia, que evidenciou que é pequeno o conhecimento sobre sinais e sintomas de AVC entre a população geral da cidade de Brasília, assim como entre pacientes tratados em uma clínica de cardiologia da mesma cidade. Além disso, identificamos um reduzido conhecimento por parte de ambos os grupos pesquisados quanto aos principais fatores de risco de AVC, como é o caso da hipertensão arterial. Clique aqui para visualizar o artigo na íntegra.

 

Campanhas visando aumentar o conhecimento sobre o AVC podem ter um grande impacto na saúde pública, especialmente entre grupos de alto risco para essa condição, como pacientes com doenças cardiovasculares. Nesse caso, o cardiologista pode ser um importante ator multiplicador de conhecimento.   

 

 

 

 

 

 

E o chocolate continua com a bola toda. A última edição da célebre revista JACC (Journal of the American College of Cardiology,vol 51 no. 22 ) traz um novo estudo que evidencia que o consumo de cacau melhora medidas de desempenho vascular entre pacientes diabéticos. Mais uma vez o fabricante das famosas bolinhas de chocolate M&M, a Mars, forneceu o preparado líquido de cacau testado com altos teores de flavanols, as substâncias mais nobres do cacau (ver POST do dia 23 abril). Hoje a Mars está envolvida em boa parte dos estudos que têm demonstrado os benefícios vasculares do cacau. Nos EUA, a Mars já atua no mercado de “chocolate terapêutico” de forma bem incisiva. Quem quiser ter uma idéia, é só acessar o site www.cocoavia.com. O interessante é que as evidências de benefício do cacau têm sido demonstradas tanto em pessoas saudáveis como entre aquelas com problemas de saúde que afetam a função dos vasos sanguíneos, como é o caso do diabetes. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é o dia mundial de luta contra o tabaco. Um elegante estudo publicado há uma semana no respeitado periódico New England Journal of Medicine mostra que a atitude individual de parar de fumar cria uma onda de influência sobre as outras pessoas de seu convívio em parar de fumar também.

 

Cerca de 60 mil pessoas foram acompanhadas pelo famoso estudo de Framingham durante 32 anos e avaliados periodicamente quanto ao hábito de fumar. Quando um dos membros de um casal pára de fumar, o outro tem uma chance 67% maior de parar também. O indivíduo tem 25% mais chances de parar quando um irmão/ irmã também pára, 36% mais chance quando um amigo pára, 34% mais chance quando um colega de trabalho pára.

 

É isso aí. Fumar não é problema só de quem fuma. Não é só o problema do fumo passivo, mas continuar fumando reduz a chance das pessoas próximas conseguirem parar de fumar.

 

 

 

 

 

 

 

 

É freqüente as pessoas correrem ao neurologista após a morte de um parente, amigo, colega de trabalho ou celebridade, quando a causa da morte foi o rompimento de um aneurisma cerebral. Também pudera: cerca de 40% das pessoas que apresenta um sangramento por aneurisma cerebral não sobrevive.

O aneurisma cerebral é uma dilatação de um segmento de uma artéria do cérebro fazendo com que sua parede fique frágil e com maior chance de se romper. A faixa etária com maior risco de sangramento é a sexta década de vida, mas também costuma acontecer entre pessoas jovens. Entretanto, algumas pessoas têm aneurismas que jamais se romperão. Só para se ter uma idéia, pequenos aneurismas apresentam um risco de sangramento de 0.05% ao ano. Já aneurismas com diâmetro maior que 1 cm têm risco de sangramento de 0.5% ao ano. A causa do aneurisma cerebral? Existe um componente genético inequívoco, mas alguns fatores modificáveis também aumentam a chance de sua formação e rompimento: o tabagismo, a hipertensão arterial e colesterol alto.

Os aneurismas normalmente são detectados após seu sangramento e o sintoma principal é a dor de cabeça e não é qualquer dorzinha. A dor de cabeça por rompimento de um aneurisma costuma ter duas características bem marcantes: é a pior dor de cabeça que a pessoa já teve na vida e a dor já começa nos primeiros segundos com sua intensidade máxima. A dor não vai crescendo, como é o caso de outros tipos comuns de dor de cabeça como a enxaqueca.

Estudos revelam que 3.5 a 6% da população é portadora de aneurisma cerebral. Já que é uma condição clinica tão séria, faria sentido fazer exames para detectar aneurismas cerebrais em toda a população? A resposta é não. Atualmente a recomendação é a de que indivíduos com dois ou mais parentes de primeiro grau que apresentam aneurismas cerebrais confirmados devam ser investigados, pois são esses que apresentam um risco significativamente aumentado. A investigação também deve ser feita em raros casos de doenças que sabidamente estão associadas a aneurisma cerebral.

E quanto aos indivíduos que apresentaram aneurisma cerebral e já foram tratados em outras épocas? Essas pessoas têm 22 vezes mais chances de ter um sangramento cerebral quando comparadas àquelas que nunca tiveram sangramento. Um estudo publicado hoje pela revista Neurology avaliou o custo – beneficio em se ficar vigiando ao longo dos anos se esses pacientes desenvolvem ou não novos aneurismas. Os pacientes que mais se beneficiaram de exames ao longo dos anos foram aqueles que apresentavam mais fatores de risco associados, como o tabagismo e hipertensão arterial. Além disso, a investigação para novos aneurismas revelou um bom custo- beneficio do ponto de vista de qualidade de vida entre os pacientes que demonstravam mais medo em voltar a apresentar novo sangramento. Esse resultado é bastante provocativo e nos reafirma que o médico deve fazer de tudo para oferecer segurança ao seu paciente. Na maioria das vezes a ferramenta mais valiosa é a relação médico–paciente, mas em alguns casos a realização de um exame complementar pode fazer a diferença. 

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Hoje é o Dia Nacional da Cefaléia, ou seja, da dor de cabeça. Estatísticas mostram que cerca de 93% da população sofre ou já sofreu de dor de cabeça durante a vida, sendo que 30% teriam indicação de tratamento. A dor de cabeça causada pela enxaqueca é responsável por grande parte desses números.

 

Problemas de saúde que são muito freqüentes e que têm base genética inequívoca, como é o caso da enxaqueca, fazem-nos sempre refletir se não poderia haver uma vantagem evolutiva para que tantos indivíduos apresentem essa condição. Ao investigarmos os fatores que comumente desencadeiam crises de enxaqueca (ex: jejum prolongado, estresse), poderíamos até compará-los a situações predatórias. Essa é uma forma de encarar a enxaqueca como um aliado e não como um inimigo, um alarme cerebral que nos avisa quando estamos fora do nosso equilíbrio ideal. Infelizmente esse alarme não é perfeito, e às vezes é disparado sem grandes justificativas. Alguns comparam esse fenômeno a um alarme de incêndio de uma casa que é disparado quando estimulado pelo calor da torradeira elétrica…. Clique aqui e leia o artigo na íntegra. 

 

 

 

 

 

 

 

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