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Um estudo recém-publicado pelo British Medical Journal demonstra que a associação entre pobreza e morte prematura é tão forte nos dias de hoje como era há 100 anos atrás. O estudo comparou os dados de mortalidade da Inglaterra e País de Gales do início do século 20 com os do início do século 21.

 

O século 20 nos trouxe uma grande melhora nas taxas de mortalidade. Na população européia estudada, há cem anos atrás um terço das mortes ocorria antes dos cinco anos de idade e só 13% após os 75 anos. Nos dias de hoje, menos de 1% das mortes ocorre antes dos cinco anos de idade e 65% das pessoas morrem após os 75 anos. A expectativa de vida nessa população saltou em cem anos de 46 para 77 anos no caso dos homens, e de 50 para 81 no caso das mulheres. Além disso, há cem anos as principais causas de morte eram doenças respiratórias e infecciosas, bem diferente do panorama atual em que o câncer, as doenças do coração e o derrame cerebral predominam. A experiência de pobreza também mudou muito nesses cem anos. O que era a ausência de necessidades básicas para a subsistência passou a ser, no mundo moderno, um conceito menos absoluto, uma pobreza relativa ao que é oferecido à sociedade como um todo.

 

Os resultados dessa pesquisa ainda mostraram que as regiões com altas taxa de privação e mortalidade no passado continuam a ter maior tendência à mortalidade nos dias de hoje. As diferenças na mortalidade entre as diferentes regiões até diminuiram um pouco ao longo do tempo, mas não há evidências de declínio da desigualdade de riqueza ou redução da relação entre pobreza e níveis de mortalidade.

 

Mesmo com todas as mudanças políticas, econômicas, sociais e de saúde pública, a relação entre pobreza e mortalidade continua a existir de forma tão robusta como há cem anos atrás. A criação de programas para redução da desigualdade social é um fenômeno relativamente recente, tanto no Brasil como em diversas outras culturas. Se esses programas tiverem o fôlego necessário, é bem possível que uma futura análise comparativa entre os indicadores de hoje e os do início do século 22 mostre menos estagnação do que a demonstrada nessa atual pesquisa européia.

 

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O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neuropsiquiátrica que acomete 3-5% das crianças e que frequentemente persiste até a idade adulta, podendo ser considerado um dos mais comuns transtornos neuropsiquiátricos. Os principais sintomas são a dificuldade em manter a atenção, o comportamento hiperativo e de impulsividade.    

 

Já existe um bom corpo de evidências indicando que circuitos cerebrais baseados no neurotransmissor dopamina não funcionam tão bem nos indivíduos com TDAH. Um importante estudo acaba de ser publicado pelo periódico Journal of the American Medical Association revelando que quem sofre desse problema apresenta menor atividade em duas das principais regiões relacionadas ao processo de recompensa cerebral, o mesoaccumbens e mesencéfalo, regiões fortemente vinculadas ao neurotransmissor dopamina.  Essa menor atividade foi demonstrada pela redução de receptores da dopamina D2 e D3 e de proteína de transporte da dopamina através de tomografia por emissão de pósitrons.

 

A dopamina é o principal componente do nosso sistema cerebral de recompensa, sistema ativado toda vez que fazemos algo que dá prazer e sinaliza ao cérebro que vale a pena repetir a experiência, já que é prazerosa. A redução dessa atividade do sistema de recompensa está associada a alguns dos comportamentos característicos do TDAH como dificuldade em postergar uma gratificação e resposta preferencial a pequenas e imediatas recompensas do que a recompensas mais robustas e que demoram mais para chegar. Além disso, esses circuitos cerebrais estão associados à motivação do aprendizado, e não é à toa que quem sofre de TDAH tem mais dificuldade em manter a atenção em atividades repetitivas e desinteressantes.

 

Os achados desse estudo reforçam a importância do uso de intervenções motivacionais que consigam aumentar a atratividade das tarefas da escola e do trabalho, especialmente entre os portadores de TDAH. A demonstração de redução de atividade no sistema de recompensa cerebral nesses pacientes também sugere que esse é um importante mecanismo que explica a maior vulnerabilidade ao abuso de substâncias psicoativas e abre uma nova perspectiva para o tratamento da doença.

 

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DOCTOR

 

O ideal de uma relação médico-paciente é quando ambas as partes participam das decisões e um dos fatores mais importantes nessa relação é que o médico seja capaz de disponibilizar ao paciente informação de alta qualidade sobre o problema em questão. O fato é que a decisão de um paciente é fortemente influenciada pela forma como essa informação é apresentada, situação que foi elegantemente demonstrada em dois estudos recém-publicados pelo periódico PLoS Medicine.

 

Um dos estudos avaliou cerca de três mil indivíduos quanto à preferência de seis diferentes formas de dar o recado de que as medicações estatinas podem prevenir a doença isquêmica do coração. A frequencia natural da doença assim como o poder do medicamento em reduzir o risco relativo da doença foram as formas de apresentação de dados mais fortemente preferidas pelos participantes do estudo (ex: este tratamento é capaz de reduzir pela metade seu risco de desenvolver esta doença). Essas formas de comunicação se mostraram as mais inteligíveis e mais compatíveis com seus valores quando comparadas a outras formas como a demonstração do risco absoluto (ex: este tratamento é capaz de reduzir o risco de desenvolver esta doença de 4% para 2%). Um segundo estudo avaliou cerca de 1800 pessoas quanto à preferência de apresentação das vantagens em se utilizar um antibiótico para os sintomas de dor de garganta. Os participantes preferiram receber através de gráficos de barras a apresentação do tempo em que os sintomas deveriam ocorrer.

 

Esses resultados são provenientes de situações hipotéticas e são bem diferentes da situação clínica habitual que envolve maior influência de dimensões como a emocional, moral e cultural. Apesar desses dados não deverem ser diretamente generalizados para o mundo real, eles nos confirmam que a forma como os médicos transmitem a informação aos pacientes pode fazer muita diferença nas suas escolhas.

 

 

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É bem reconhecido que algumas medidas do corpo humano estão associadas ao aumento de doenças cardiovasculares, como é o caso de altos índices de massa corporal, da circunferência da cintura e da relação da circunferência cintura / quadril. Mas não são só altos índices que estão associados a maiores riscos à saúde. Baixos índices de massa corporal e do nível de massa muscular livre de gordura estão associados a mortalidade mais precoce. A novidade agora é que baixos graus de circunferência das coxas também têm relação com a saúde, de acordo com pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal.

 

O estudo acompanhou cerca de três mil homens e mulheres dinamarqueses com 35 a 65 anos de idade e revelou que aqueles com circunferência das coxas menor que 60 cm tinham maior risco de morte e de doenças cardiovasculares do que aqueles com circunferências maiores que 60cm. Entretanto, circunferências maiores que 60 cm não trouxeram benefícios adicionais. Os resultados demonstraram ainda que o risco associado aos baixos níveis de circunferência das coxas foi maior que o de uma alta circunferência abdominal. A baixa circunferência da coxa é um sinal de baixo conteúdo de musculatura nessa região e também reflete baixo grau de musculatura de forma sistêmica. Estudos têm mostrado que a baixa musculatura corporal, especialmente em membros inferiores, está associada a maior risco de diabetes. Além disso, baixos teores de gordura subcutânea também têm sido vinculados a alterações no metabolismo da glicose e de gordura.

 

A presente pesquisa nos indica que é bem razoável o estímulo à atividade física com especial atenção à musculatura de membros inferiores. É importante frisar que 50% dos dinamarqueses estudados tinham circunferência de coxas menores que os 60 cm, sugerindo que o estímulo à atividade física é fundamental em qualquer canto do mundo. É bom lembrar que em muitas  populações do mundo o problema das coxas finas  é falta de comida mesmo.

 

 

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COFFEE

 

Não é à toa que a cafeína é o estimulante cerebral mais frequentemente consumido no mundo, pois ela é capaz de provocar bem estar, aumentar o nível de alerta, energia e sociabilidade. A relação entre a cafeína e a dor de cabeça pode ser vista como uma faca com muito mais de dois gumes. De um lado estão as pessoas que têm dores de cabeça precipitadas pela cafeína. A substância também é capaz de aliviar uma crise de enxaqueca, tanto é que muitas das medicações para essa doença têm cafeína em sua composição. Além disso, para quem usa cafeína diariamente, sua abstinência súbita pode causar crises de dor de cabeça.
 
Um estudo publicado recentemente pelo periódico Journal of Headache and Pain confirma que o excesso de cafeína pode tanto melhorar como piorar as crises de dor de cabeça. O estudo foi conduzido na Noruega e envolveu mais de 50 mil pessoas  que tinham o consumo médio de cafeína de 420mg/dia, o que significa umas quatro xícaras de café expresso. Cerca de 40% das pessoas estudadas relatou ter apresentado dor de cabeça no último ano e aquelas que consumiam mais cafeína tiveram maior chance de apresentar crises de dor. Por outro lado, cerca de 1% das pessoas apresentou crises por mais de 14 dias durante o mês, e esse risco de alta freqüência de dor de cabeça foi menor entre aqueles que consumiam mais cafeína.
 
Os resultados sugerem que, para as pessoas que têm crises pouco freqüentes, o excesso de cafeína pode atrapalhar, e já para quem tem alta freqüência de crises, a cafeína pode até ajudar. Esses resultados não são definitivos e o que se pode recomendar por enquanto para quem sofre de dor de cabeça é que não se deve abusar da cafeína, especialmente nos casos de enxaqueca. Outra recomendação é que não se deve proibir seu uso de forma indiscriminada, exceto nos casos em que a pessoa percebe que basta tomar uma dose que a dor de cabeça aparece. No caso das pessoas que usam muita cafeína, essas não devem parar seu uso subitamente, pois isso pode causar dor de cabeça.
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sleep

 

Os músculos das vias aéreas superiores relaxam durante o sono, e em algumas pessoas isso chega a provocar obstrução do fluxo de ar, levando aos sintomas de ronco, parada respiratória intermitente e sonolência diurna devido à má qualidade do sono. A isso se dá o nome de síndrome de apnéia obstrutiva do sono (SAOS). Pesquisa publicada recentemente pelo periódico PloS Medicine revela que a SAOS em sua forma grave está associada a uma maior risco de morte, especialmente por doença isquêmica do coração e entre homens de 40 a 70 anos de idade.

 

A SAOS é um problema de saúde muito comum afetando cerca de 10% das mulheres e 25% dos homens. Na última década, vários estudos revelaram que a doença aumenta o risco de diversos problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca e doença isquêmica do coração, derrame cerebral, além do maior risco de acidentes devido à sonolência diurna.  O presente estudo é o maior até o momento sobre a mortalidade da doença. Mais de seis mil americanos maiores de 40 anos foram acompanhados por uma média de oito anos e o os resultados demonstraram que a SAOS aumenta em 40% o risco relativo de morte, independentemente de outros fatores como hipertensão arterial e obesidade.

 

Vale frisar que existe tratamento eficaz para a SAOS e já há boas evidências de que quando tratada há uma redução no número de suas potenciais complicações. Novos estudos provavelmente ainda nos mostrarão que o tratamento também é capaz de reduzir a mortalidade da doença. 

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O tecido adiposo marrom é abundante em animais que hibernam como os ursos, mas também existe entre os humanos e de forma bem mais expressiva nos recém-nascidos. Esse é um tecido que tem a capacidade de produção de calor para o organismo bem superior a qualquer outro tipo de tecido do corpo, e nos animais, é bem reconhecido que essa gordura varia nas diferentes épocas do ano por conta de mudanças de temperatura e luminosidade. A quantidade desse tecido nos adultos humanos não é grande, mas pesquisas recentes têm apontado que é menor a atividade dessa gordura entre os obesos, mas ainda não se conhece bem quais fatores influenciam essa atividade.

 

Um estudo recém-publicado pela revista da Associação Americana de Diabetes demonstra que a luminosidade é um fator crítico para o controle da atividade da gordura marrom entre adultos. Mais de 3500 ingleses tiveram o nível de atividade de gordura marrom medido por exames de imagem (PET SCAN) e os resultados revelaram que a atividade dessa gordura no inverno inglês foi três vezes maior do que durante o verão, e era muito mais associada à luminosidade do que à temperatura. Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres têm uma maior atividade dessa gordura quando comparadas aos homens.

 

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Nottingham que defendem a idéia que a ativação da gordura marrom pode representar mais uma ferramenta no controle de um dos maiores problemas de saúde do mundo: a obesidade.

 

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Pesquisa publicada na última edição do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que o colesterol influencia as correntes elétricas que geram os batimentos cardíacos e pode contribuir para que o coração saia do seu ritmo ideal. Antes dessa pesquisa, já se reconhecia que tanto o colesterol como as medicações que são usadas pra reduzir seus níveis são capazes de influenciar o ritmo cardíaco, mas não se sabia como.

 

Pesquisadores franceses e canadenses demonstraram em células cardíacas de animais que altos níveis de colesterol são capazes de inibir o funcionamento de canais iônicos do íon potássio responsáveis pelo fluxo de correntes elétricas nas células do coração, também chamados de Kv1.5. O estudo também demonstrou que a redução dos níveis de colesterol é capaz de restaurar o funcionamento desse sistema.

 

A descoberta abre as portas para o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento do grave problema que são as arritmias do coração, que além de provocarem paradas cardíacas, são responsáveis por boa parte dos casos de acidente vascular cerebral.   

 

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Um estudo publicado na última edição do periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, confirma que a enxaqueca vai muito além das crises de dor de cabeça: a doença está associada a um maior risco de eventos vasculares como o infarto do coração e derrame cerebral.

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Vinte e oito mil mulheres americanas com mais de 45 anos de idade foram acompanhadas por doze anos, sendo que 13% delas eram portadoras de enxaqueca. As mulheres com enxaqueca sem aura não apresentaram maior risco de eventos vasculares. Vale lembrar que aura são sintomas que acompanham a dor de cabeça como alterações visuais e da sensibilidade, e que ocorrem em 25% das pessoas que têm enxaqueca. No presente estudo, as mulheres com enxaqueca com aura e crises frequentes (≥ 1 vez por semana) tiveram risco de derrame cerebral quatro vezes maior. Mesmo aquelas com crises pouco frequentes (< 1 vez por mês) também apresentaram maior risco vascular, com chance duas vezes maior de ter um infarto do coração quando comparadas às mulheres sem enxaqueca. 

Esses resultados não devem gerar pânico em quem têm enxaqueca com aura, já que o risco absoluto de eventos vasculares é baixo: das 180 mulheres com enxaqueca com aura, apenas duas delas apresentaram um infarto do coração e quatro delas um derrame cerebral ao longo de 12 anos.  Entretanto, é importante o recado de que indivíduos com enxaqueca com aura já saem à frente das outras pessoas com risco maior de eventos vasculares, e por isso devem evitar e controlar a todo custo outros fatores de risco como o tabagismo e, no caso das mulheres, o uso do hormônio estrogênio.

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo Journal of Nutrition, periódico oficial da Associação Americana de Nutrição, avaliou meio milhão de europeus de dez diferentes países e demonstrou que homens e mulheres com boa aderência à dieta mediterrânea têm menor nível de gordura abdominal. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

O fato da dieta mediterrânea ter alto conteúdo de azeite gerava dúvidas de que ela poderia ser capaz de aumentar o risco de obesidade. Porém, uma série de estudos tem revelado justamente o contrário. Um desses estudos já havia até mostrado um menor grau de gordura abdominal associado à dieta mediterrânea, o que foi fortemente confirmado pela atual pesquisa européia. O alto teor de fibras e baixa densidade energética dos alimentos da dieta mediterrânea são possíveis explicações para esse melhor equilíbrio do depósito de gordura no corpo. Outra explicação é que hábitos bons atraem outros hábitos bons, ou seja, quem segue uma dieta saudável têm maior chance, por exemplo, de fazer atividade física regularmente.

 

Diversas pesquisas têm demonstrado que a dieta mediterrânea está associada a uma maior longevidade assim como redução do risco da doença de Alzheimer e de doenças cardiovasculares. Agora começamos a colecionar evidências de que ela é uma dieta que também nos ajuda a manter o peso e a barriga em dia. 

 

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Confira artigo de minha autoria  recém-publicado na Revista de Jornalismo Científico ComCiência em que discuto quais as possíveis explicações para o maior risco de derrame cerebral entre as pessoas que têm enxaqueca. É discutido também como minimizar esse risco, especialmente entre as mulheres.

 Clique aqui para ler o artigo na íntegra. 

 

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ecstasy

 

Um estudo recém publicado pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, descreve a história de um homem e uma mulher de 25 anos de idade que apresentaram lesão cerebral após crises epilépticas desencadeadas pela ingestão de ecstasy.

 

O rapaz teve uma crise epiléptica cinco horas após o consumo de dois comprimidos de ecstasy e oito doses de álcool, crise que se repetiu no dia seguinte. A moça teve uma crise epiléptica após 11 horas do consumo de um comprimido de ecstasy e cinco doses de álcool. Ambos apresentaram evidências de lesão do hipocampo direito à ressonância magnética cerca de 48 horas após as crises que se mantiveram ao longo do tempo.  Vale lembrar que os hipocampos são considerados uma das regiões mais importantes do cérebro, fortemente responsáveis pelo funcionamento de nossa memória.

 

Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Já é bem demonstrado que o ecstasy pode causar crises epilépticas, mas é a primeira vez que se demonstra que as crises nesses casos podem chegar a provocar lesão cerebral. Chamou muito a atenção o fato das crises terem sido breves e ainda assim capazes de lesionar o cérebro, situação normalmente esperada em crises muito prolongadas.

 

Em diversos países, o ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha.  Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral.  Podemos ver com isso que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.

 

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Calcula-se que mais de 100 milhões de mulheres no mundo façam uso de pílulas anticoncepcionais. Podemos encontrar no mercado dezenas de tipos de pílulas com as mais diferentes concentrações dos hormônios estrogênio e progesterona e a escolha depende muito mais do perfil de efeitos colaterais de cada tipo de pílula, já que do ponto de vista de eficácia elas são muito parecidas.

 

A trombose das veias das pernas é um desses efeitos adversos, e reconhece-se que ela é cinco vezes mais freqüente entre mulheres que usam pílula. Apesar de não ser um efeito adverso muito comum, esse tipo de trombose é uma condição clínica grave, pois pode levar à trombose das veias pulmonares e que por sua vez pode até levar à morte.

 

Duas grandes pesquisas acabam de ser publicadas na última edição do British Medical Journal e nos ajudam a entender melhor a relação entre o uso de pílulas e trombose. Um dos resultados mais relevantes dessas pesquisas foi que o tipo de pílula combinada (estrogênio + progesterona) fez toda a diferença: as com baixas doses de estrogênio estão associadas a um menor risco de trombose assim como aquelas com tipos de progesterona chamados de levonorgestrel ou norestisterona. Já as pílulas sem estrogênio e os dispositivos anticoncepcionais intra-uterinos não se mostraram associados ao aumento de risco de trombose. Foi demonstrado ainda que apesar de existir uma relação entre maior tempo de uso da pílula e maior risco de trombose, a época de maior risco foram os primeiros três meses de uso.

 

Essas recomendações devem ser feitas de forma ainda mais rigorosa a mulheres com história pessoal ou familiar de trombose, já que essas não devem usar pílulas que contenham estrogênio. O mesmo deve ser recomendado a mulheres com história de enxaqueca com aura, que são dores de cabeça associadas a alguns sintomas tais como visão de pontos luminosos e sensação de formigamento de um lado do corpo. No caso daquelas que usam pílulas para o tratamento de espinhas, há estudos bem robustos mostrando que as que contêm levonorgestrel são tão eficazes como as outras com maior risco de trombose, e também não diferem entre si quanto ao risco de ganho de peso.

 

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Este mês foi marcado por muitas evidências de que um estilo de vida saudável é capaz de preservar nossas funções cerebrais à medida que envelhecemos. O periódico científico JAMA publicou uma pesquisa que evidencia que a dieta mediterrânea, assim como a prática de atividade física regular, são capazes de reduzir o risco da Doença de Alzheimer, e os resultados conseguiram demonstrar que cada um desses fatores tem seu poder independente do outro. 

 

Nesse estudo, quase dois mil idosos de Nova Iorque foram acompanhados por uma média de 5.4 anos, período em que os pesquisadores os examinaram do ponto de vista de desempenho cerebral e aplicavam escalas para avaliação da aderência à dieta mediterrânea e à atividade física. Vale lembrar que a dieta mediterrânea é uma alimentação rica em peixes, verduras, legumes, frutas, cereais (melhor se forem integrais), azeite e outras fontes de ácidos graxos insaturados, e baixo consumo de carnes e laticínios e outras fontes de gorduras saturadas, além do uso moderado, porém regular, de álcool.

 

Após o período de seguimento, 15% dos idosos desenvolveram o diagnóstico da Doença de Alzheimer. O risco absoluto em desenvolver a doença foi de 21% no caso de idosos sedentários e com baixo consumo dos itens da dieta mediterrânea, comparado a um risco de 9% entre aqueles com alta aderência à dieta e atividade física intensa. Atividade física intensa nesse grupo de idosos foi assim definida: 1.3 horas semanais de atividade intensa ou 2.4 horas de atividade moderada ou 4 horas de atividade leve. A atividade física foi capaz de reduzir o risco relativo da doença em 29-41%, e quando em nível intenso o poder de redução de risco foi ainda maior: 37-50%. Quanto à aderência à dieta mediterrânea, a terça parte dos idosos com maior aderência à dieta apresentou um risco relativo 32-40% menor de desenvolver a doença. Quando se analisou a terça parte dos idosos com os maiores níveis tanto de atividade física como de aderência à dieta mediterrânea, o risco da doença foi 61-67% menor.

 

Um segundo estudo publicado nessa mesma edição do JAMA confirma o poder protetor da dieta mediterrânea sobre o cérebro, dessa vez entre moradores da cidade de Bordeaux na França. Cerca de 1500 idosos foram acompanhados por uma média de 5 anos e aqueles com maior aderência à dieta mediterrânea foram os que menos tiveram declínio das funções cerebrais. Porém, os resultados não conseguiram demonstrar uma redução no risco da Doença de Alzheimer no período estudado, pois a metodologia do estudo não tinha poder para demonstrar esse tipo de efeito.

 

E não pára por aí. Neste mesmo mês, o American Journal of Epidemiology  publicou um grande estudo realizado na Inglaterra em que os hábitos de vida de mais de cinco mil pessoas foram acompanhados por uma média de 17 anos em diferentes períodos entre a meia-idade e a velhice. Uma escala foi utilizada para definir o grau de comportamento deletério à saúde e incluía a pesquisa dos seguintes hábitos: tabagismo, abstinência de álcool, baixo nível de atividade física e baixo consumo de frutas e vegetais. Aqueles que concentravam mais hábitos deletérios apresentaram mais perdas das funções cerebrais ao envelhecerem, especialmente a memória e capacidade de alcançar objetivos, também conhecida como funções executivas. E um dos dados mais importantes desse estudo foi que os hábitos deletérios já na meia idade foram capazes de influenciar o desempenho cognitivo na velhice.

 

O efeito negativo sobre as funções cognitivas de cada um desses fatores estudados já havia sido anteriormente demonstrado, mas essa é foi a primeira vez que esses efeitos foram demonstrados em conjunto. Isso é importante, pois é bem reconhecido que hábitos de vida costumam andar em grupo: um hábito saudável atrai outros hábitos saudáveis assim como hábitos deletérios também atraem outros. E por falar em grupos, outra coisa que a ciência tem nos demonstrado é que andar ao lado de pessoas com estilo de vida saudável aumenta nossa chance de adotar hábitos saudáveis também.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo na Radio Globo sobre o tema com o Dr. Ricardo Teixeira

 

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Um estudo publicado recentemente pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, revela que as atividades de lazer entre os idosos são capazes de proteger o cérebro da perda de memória. Quase 500 americanos com idades entre 75 e 85 anos sem problemas cognitivos foram estudados por uma média de cinco anos. Os pesquisadores avaliaram periodicamente o nível de participação dos idosos em seis diferentes atividades de lazer: leitura, escrita, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro ou cartas, reuniões para discussão em grupo, e hábito de tocar um instrumento musical. Durante o estudo, cerca de um quinto dos voluntários desenvolveu um quadro de demência, e a velocidade da perda de memória foi menor entre os idosos que tinham mais atividade de lazer, independentemente do nível educacional.

Vivemos numa época em que esperamos viver muitos e muitos anos, graças aos grandes avanços da ciência. Sabemos que muito de nossa estrutura cerebral modifica-se com o envelhecimento, mas também já sabemos que essas alterações não provocam necessariamente perdas da função cerebral. É como se fosse um cabo-de-guerra: de um lado o envelhecimento cerebral e de outro uma série de estratégias já bem conhecidas que podem fazer com que as perdas sejam menores ao longo dos anos. Dentre essas estratégias, as atividades de lazer podem ser colocadas lado a lado com uma dieta saudável e atividade física e intelectual, todas elas voltadas para uma mesma direção: aumentar nossa RESERVA CEREBRAL. Quem tem muita RESERVA pode até perder um pouquinho que não sentirá tanta falta e o nível educacional é um dos fatores mais importantes dessa nossa RESERVA.

 

O presente estudo não é o primeiro a revelar que o lazer tem efeito protetor sobre o cérebro. Não podemos esquecer que o tipo de lazer pode fazer a diferença. Uma das pesquisas revelou que várias atividades de lazer foram positivas ao estado cognitivo dos idosos, mas já o tempo em que eles passavam em frente à TV teve impacto negativo.

 

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A combinação de quatro fatores de um estilo de vida saudável – não fumar, manter o peso ideal, praticar atividade física regularmente, seguir uma dieta saudável – é capaz de reduzir em 80% o risco das doenças crônicas mais comuns e fatais, revela estudo que acaba de ser publicado pelo periódico científico Archives of Internal Medicine.

Mais de 23 mil alemães com idades entre 35 e 65 anos foram avaliados quanto à aderência desses quatro fatores saudáveis e acompanhados por cerca de oito anos. Um índice de massa corporal < 30 foi considerado o peso ideal; atividade física de pelo menos três horas e meia por semana foi considerada atividade regular; uma dieta rica em frutas e verduras e com limitação do consumo de carne foi considerada uma dieta saudável; hábito de não fumar significava nunca ter fumado. A maioria dos participantes apresentava um a três fatores saudáveis, menos de 4% não apresentava qualquer fator saudável e 9% apresentava todos os quatro fatores.     

Durante o estudo, 3.7% dos participantes tiveram o diagnóstico de diabetes, 3.8% o diagnóstico de câncer, 0.9% apresentaram um ataque do coração e 0.8% um AVC. Os indivíduos que apresentavam todos os quatro fatores saudáveis tinham um risco 78% menor em apresentar qualquer uma dessas doenças quando comparado àqueles sem nenhum dos fatores. A presença dos quatro fatores reduziu o risco de diabetes em 93%, o risco de ataque do coração em 81%, o risco de derrame cerebral em 50% e de câncer em 36%. Dos quatro fatores, manter-se no peso ideal foi o mais poderoso, seguido pela ausência do cigarro, atividade física regular e dieta saudável.

Os resultados reforçam as atuais recomendações para que as pessoas busquem integrar em suas vidas esses hábitos saudáveis, pois é gigantesco seu poder de prevenção de doenças. Além disso, esse estilo de vida saudável já deve ser fortemente estimulado na infância, pois adquirir bons hábitos é igual a aprender um idioma estrangeiro: gente grande tem mais dificuldade.

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine revela que quanto mais tempo as crianças passam à frente das telas da TV ou do computador, maior a chance de apresentarem aumento dos níveis de pressão arterial.

Os pesquisadores estudaram 111 crianças com idades entre 3 e 8 anos de idade que apresentavam um tempo médio diário de 1.5h à frente do vídeo, incluindo TV, DVD, videogame e computador. As crianças também foram monitorizadas durante uma semana por um aparelho capaz de medir o tempo em que se fica parado durante o dia, como é o caso de estar sentado, e a média diária foi de cinco horas.   

O resultado mais provocativo desse estudo foi que houve associação entre o tempo que as crianças ficavam em frente ao vídeo e os níveis e pressão arterial, mas essa associação não existiu quando o fator analisado foi o tempo em que elas ficavam paradas. Quando se analisou as diferentes fontes de exposição ao vídeo, o tempo exposto à TV revelou associação com a pressão arterial, o que não ocorreu com o tempo em frente ao computador. Isso sugere que o excesso de exposição em frente ao vídeo, especialmente a TV, pode ter efeito sobre a pressão arterial cujo mecanismo vai além da atitude sedentária associada a esses hábitos.

 

Estudos anteriores com crianças dessa mesma faixa etária já haviam demonstrado que o tempo de exposição à mídia está associado à obesidade e que por sua vez está associada à hipertensão arterial. Dessa vez foi diferente. O atual estudo mostrou de forma inédita que a associação entre os níveis de sedentarismo e pressão arterial foi independente do fator obesidade.

 

Além do sedentarismo, outra hipótese para explicar o efeito da exposição ao vídeo sobre a pressão arterial seria o hábito de comer em frente à TV. Outra explicação seria a redução das horas de sono das crianças por conta de uma maior exposição ao vídeo, e um estudo recente é concordante com essa hipótese ao revelar que as crianças que dormem menos têm tendência a maiores níveis de pressão arterial.

 

A Academia Americana de Pediatria já recomenda que as crianças não devem ficar mais de duas horas diárias em frente ao vídeo. No atual estudo, as crianças que tiveram menores índices de pressão arterial tiveram uma exposição ao vídeo de 30 minutos em média, o que torna razoável a recomendação aos pais que usem esses 30 minutos como limite de tempo de exposição ao vídeo em crianças com menos de 9 anos de idade.

 

CLIQUE AQUI e ouça um bate-papo sobre o assunto na Rádio CBN com o DR. Ricardo Teixeira

 

 

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Um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, Plastic and Reconstructive Surgery, sugere que procedimentos cirúrgicos plásticos podem ajudar no controle de crises de enxaqueca. Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado a eficácia desses procedimentos na redução de crises de enxaqueca, e dessa vez elaboraram um estudo com metodologia ainda mais refinada.

 

Foram estudados indivíduos com freqüentes crises de enxaqueca de intensidade moderada ou severa e iniciadas em pontos específicos, também chamados de pontos-gatilho. Pontos-gatilho são os locais na cabeça em que a dor começa e corresponde à região anatômica de potencial irritação do nervo trigêmeo, nervo intimamente associado às crises de enxaqueca.  Foram incluídos apenas pacientes que apresentavam melhora da dor após a injeção de toxina botulínica no ponto-gatilho. 

 

Setenta e cinco pacientes foram incluídos no estudo e acompanhados por um ano após procedimento cirúrgico. Dois terços deles (49) foram submetidos a um procedimento similar ao lifting facial estético com remoção de pequenos segmentos de músculos e do nervo trigêmeo. Esse foi chamado de procedimento verdadeiro. O outro terço (26) foi submetido a um procedimento bem semelhante, mas não orientado à liberação dos pontos-gatilho, sem remoção de estruturas nervosas. Esse foi chamado de procedimento placebo. Após um ano, 57% daqueles que foram submetidos ao procedimento verdadeiro apresentaram remissão completa das dores de cabeça, comparado a apenas 4% do grupo placebo.

Esses resultados não devem servir de estímulo para que as pessoas corram para os cirurgiões plásticos para tratar enxaqueca, já que a grande maioria que necessita de tratamento responde muito bem ao tratamento medicamentoso e à melhoria dos hábitos de vida. O presente estudo ainda é preliminar e deverá se desdobrar em novos estudos com número de casos mais robusto. Entretanto, não há como negar que esses resultados abrem uma nova perspectiva para o tratamento de pacientes com enxaqueca refratária ao tratamento medicamentoso. O presente estudo ainda reforça a hipótese de que a irritação periférica do nervo trigêmeo é um mecanismo que participa na geração de crises de enxaqueca. 

 

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Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention confirma recentes evidências de que mulheres com diagnóstico de enxaqueca têm menor risco de câncer de mama. Dessa vez os pesquisadores estudaram quase 10 mil mulheres com idades entre 34 e 64 anos e evidenciaram um risco 26% menor de câncer de mama entre as que tinham história de enxaqueca. Além disso, a redução de risco mostrou-se presente tanto nas mulheres na pré-menopausa como naquelas na pós-menopausa. 

Uma forma de explicar  esse efeito protetor da enxaqueca seriam hábitos de vida mais saudáveis entre as pessoas que sofrem com dores de cabeça: menor consumo de álcool e cigarro ou menor uso de terapia de reposição hormonal. Esses são conhecidos fatores desencadeantes de crises de enxaqueca e que também aumentam o risco de câncer de mama. Entretanto, o estudo demonstrou que o menor risco de câncer de mama entre essas mulheres com enxaqueca não podia ser explicado por esses hábitos.  Também não houve associação entre o risco de câncer e a idade em que as mulheres começaram a apresentar crises de enxaqueca. 

 

Outra hipótese é que o maior consumo de antiinflamatórios por mulheres com enxaqueca poderia ser implicado no menor risco de câncer de mama, já que o uso dessa classe de medicação está associado a um menor risco desse tipo de câncer. Porém, os pesquisadores do atual estudo já divulgaram que essa não deve ser uma explicação razoável, e resultados negativos dessa associação estão em processo para uma nova publicação.

 

Não é de se espantar uma relação entre a enxaqueca e o câncer de mama já que ambas são doenças intimamente associadas aos hormônios sexuais. A enxaqueca é duas a três vezes mais comum entre as mulheres e o período em que a mulher tem mais chance de ter crises é justamente na fase do ciclo menstrual em que os níveis de estrogênio caem abruptamente: nos dias que antecedem a menstruação. Além disso, mulheres que usam pílula anticoncepcional têm mais crises na semana livre de hormônios. Por outro lado, durante a gravidez, época em que os níveis de estrogênio estão elevados, as mulheres costumam ter menos crises de enxaqueca.  

 

Os resultados dessa pesquisa precisam ser confirmados em outras populações. Fica também em aberto o porquê de um menor risco de câncer de mama entre as enxaquecosas. A pesquisa também reforça o conceito de que a enxaqueca pode ter representado alguma vantagem evolutiva ao logo dos tempos, e por isso é uma condição geneticamente herdada e tão freqüente. Em consonância com essa idéia estão os resultados de um estudo populacional publicado em 2007 que demonstrou que indivíduos com enxaqueca envelhecem com o cérebro mais afiado do que aqueles sem enxaqueca. Pelo que podemos ver, até a enxaqueca também pode ter seu lado positivo.

 

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