ecstasy

 

Um estudo recém publicado pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Americana de Neurologia, descreve a história de um homem e uma mulher de 25 anos de idade que apresentaram lesão cerebral após crises epilépticas desencadeadas pela ingestão de ecstasy.

 

O rapaz teve uma crise epiléptica cinco horas após o consumo de dois comprimidos de ecstasy e oito doses de álcool, crise que se repetiu no dia seguinte. A moça teve uma crise epiléptica após 11 horas do consumo de um comprimido de ecstasy e cinco doses de álcool. Ambos apresentaram evidências de lesão do hipocampo direito à ressonância magnética cerca de 48 horas após as crises que se mantiveram ao longo do tempo.  Vale lembrar que os hipocampos são considerados uma das regiões mais importantes do cérebro, fortemente responsáveis pelo funcionamento de nossa memória.

 

Há algum tempo reconhece-se que os efeitos do ecstasy podem ir além da agitação psicomotora, ansiedade e hiperatividade. Já é bem demonstrado que o ecstasy pode causar crises epilépticas, mas é a primeira vez que se demonstra que as crises nesses casos podem chegar a provocar lesão cerebral. Chamou muito a atenção o fato das crises terem sido breves e ainda assim capazes de lesionar o cérebro, situação normalmente esperada em crises muito prolongadas.

 

Em diversos países, o ecstasy  é a segunda droga ilegal mais utilizada, perdendo só para a maconha.  Já dispomos de uma série de estudos experimentais que evidenciam que o ecstasy é tóxico aos neurônios, especialmente às ramificações de neurônios que produzem serotonina, neurotransmissor fortemente vinculado à regulação de funções como a memória e o humor. Entre humanos, mesmo em usuários leves da droga, já foi demonstrada redução do desempenho de memória verbal, além de alterações na estrutura da substância branca e na perfusão sanguínea e maturação cerebral.  Podemos ver com isso que já é bem ultrapassado pensar no ecstasy como uma droga inocente à saúde do cérebro.

 

 SMALLicone

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