LIFTING

 

Um estudo recém-publicado pelo periódico oficial da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, Plastic and Reconstructive Surgery, sugere que procedimentos cirúrgicos plásticos podem ajudar no controle de crises de enxaqueca. Os mesmos pesquisadores já haviam demonstrado a eficácia desses procedimentos na redução de crises de enxaqueca, e dessa vez elaboraram um estudo com metodologia ainda mais refinada.

 

Foram estudados indivíduos com freqüentes crises de enxaqueca de intensidade moderada ou severa e iniciadas em pontos específicos, também chamados de pontos-gatilho. Pontos-gatilho são os locais na cabeça em que a dor começa e corresponde à região anatômica de potencial irritação do nervo trigêmeo, nervo intimamente associado às crises de enxaqueca.  Foram incluídos apenas pacientes que apresentavam melhora da dor após a injeção de toxina botulínica no ponto-gatilho. 

 

Setenta e cinco pacientes foram incluídos no estudo e acompanhados por um ano após procedimento cirúrgico. Dois terços deles (49) foram submetidos a um procedimento similar ao lifting facial estético com remoção de pequenos segmentos de músculos e do nervo trigêmeo. Esse foi chamado de procedimento verdadeiro. O outro terço (26) foi submetido a um procedimento bem semelhante, mas não orientado à liberação dos pontos-gatilho, sem remoção de estruturas nervosas. Esse foi chamado de procedimento placebo. Após um ano, 57% daqueles que foram submetidos ao procedimento verdadeiro apresentaram remissão completa das dores de cabeça, comparado a apenas 4% do grupo placebo.

Esses resultados não devem servir de estímulo para que as pessoas corram para os cirurgiões plásticos para tratar enxaqueca, já que a grande maioria que necessita de tratamento responde muito bem ao tratamento medicamentoso e à melhoria dos hábitos de vida. O presente estudo ainda é preliminar e deverá se desdobrar em novos estudos com número de casos mais robusto. Entretanto, não há como negar que esses resultados abrem uma nova perspectiva para o tratamento de pacientes com enxaqueca refratária ao tratamento medicamentoso. O presente estudo ainda reforça a hipótese de que a irritação periférica do nervo trigêmeo é um mecanismo que participa na geração de crises de enxaqueca. 

 

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